segunda-feira, novembro 30, 2009

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Exmos e Revmos Corruptos

Gostaria de agradecer aos excelentíssimos deputados e reverendíssimos pastores que protagonizaram mais um escândalo de corrupção, desta feita em Brasília, nossa Capital.

O povo que vos elegeu está muito orgulhoso de vós. Foi para isso que fostes levantados nesta nação! Para honrar a confiança de vossos eleitores e glorificar o nome de vosso Senhor. Pois o nome de Jesus foi mais uma vez exaltado (ou seria "achincalhado"?).

Pedro já nos havia advertido acerca de vós:"...por causa deles será blasfemado o caminho da verdade. Por ganância farão de vós negócios, com palavras fingidas" (2 Pe.2:2-3). Pena que a maioria não deu ouvidos à esta admoestação.

Que coisa linda foi ver-vos orando, agradecendo a Deus pela propina que recebestes, e ainda por cima, rogando a Deus para que tratasse com vossos adversários. Que lástima! É assim que aliviais a vossa consciência?

Este é o cristianismo dos meus pesadelos! Uma caricatura barata e mal acabada. Uma versão forjada nos infernos!

Quem é esse "deus" a quem vós orastes, afinal? Seria o Deus das Escrituras? Acredito que não! Pois vede o que Ele mesmo diz sobre o que tens feito:

“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas.” Isaías 1:23

“Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos.” Êxodo 23:8

O ímpio aceita o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça.” Provérbios 17:23

Não, meus caros! Vosso deus é Mamom. Deus vos chama de "ímpios", como podemos considerar-vos "justos", ou mesmo "cristãos"?

De fato, nada há oculto que não seja revelado; chegou a vossa vez de serdes expostos à avaliação daqueles que vos elegeram.

E quanto aos líderes que vos empurraram guela dentro de seus fiéis para que vos desse o voto? Como se explicarão agora? Como encararão seu rebanho depois de lhes hipotecar a palavra?

Não esquetem, não! O de vocês está guardado: "Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme" (2 Pe.2:3).

Vocês podem até escapar ilesos da justiça humana, principalmente num País onde tudo acaba em pizza. Mas não escaparão da justiça divina.

Se Deus não poupou nem os anjos que pecaram, vocês acham que serão poupados?

Veremos.

Do jeito que as coisas estão, eu não duvido que alguns desses deputados/pastores já até deram testemunho em suas igrejas das vitórias financeiras (propinas) que receberam em nome de Gizuz. Já assisti a uma cena dessas... acreditem. E o povo só dizia "aleluia"!

Que o precioso óleo de peroba reluza em vossos rostos, revelando vossa verdadeira face.

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O Último Discurso

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós.

Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá”.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unâmo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"

Charles Chaplin

domingo, novembro 29, 2009

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Fazendo do mundo um lugar melhor



Mais uma do projeto Playing for Change

Dica do Pavablog

sábado, novembro 28, 2009

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Consumo, logo existo

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc.

A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela…

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.

Comércio deriva de “com mercê”, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. “Nada poderia ser maior que a sedução” – diz Jean Baudrillard – “nem mesmo a ordem que a destrói.” E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”

Frei Betto
Via Saúde Alternativa

sexta-feira, novembro 27, 2009

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Thanksgiving e Black Friday















Ontem tive a oportunidade de experimentar uma imersão mais profunda na cultura norte-americana. Explico:

Eu e minha família fomos convidados a participar da celebração do Thanksgiving (Ação de Graça) na casa de meu grande amigo Bispo Bill Mikler. Além dos pratos típicos da época (destaque para o chessecake de abóbora e os Perus, um frito e outro assado), alguns costumes foram zelosamente observados. Uma mesa grande, com lugares para treze pessoas (deveríamos ser em doze, mas de última hora convidamos o Rafa, colega dos meus filhos no High School). Em cada prato havia cinco grãos de milho. Lisa, esposa de Bill, nos contou como foi o primeiro Thanksgiving celebrado pelos peregrinos em comemoração à colheita, depois de vários anos de penúria. Aqueles grãos de milho eram para relembrar aquele tempo. Havia também em cada prato um papel com a oração que instituiu o Thanksgiving. Foi o Bispo Bill quem a leu para nós, explicando-nos o seu contexto.

Depois da oração de gratidão, cada um deveria levantar-se da mesa, ir à cozinha e servir-se (um jeito bem americano, traduzido na expressão "Self-service"). Após o banquete, ainda ficamos por muito tempo papeando ao redor da mesa. Havia muita alegria no ar.

Embora a comida estivesse deliciosa, tinha que deixar espaço para a comemoração do Thanksgiving na New Hope Presbyterian Church em Ocoee, pastoreada pelo meu amigo Pr. Wesley.

A igreja esperava 240 pessoas, mas foi surpreendida com a presença de 320. Louvor, mensagem, oração, testemunhos, jantar... e finalmente: um show de talentos. Foi divertido ver os irmãos cantarem, dançarem, declamarem poemas, etc.

Em meu sermão, lancei dois desafios: primeiro, buscar sempre uma razão para agradecer a Deus, mesmo nas adversidades. Segundo, buscar tornar-se numa razão para que outros agradeçam a Deus.

Fiquei feliz em ver Rhuan, meu filho, se esbaldando na bateria, depois de sete meses de jejum. rs

Os olhos da Revelyn, minha caçula, brilhavam enquanto assistia aos grupos de dança. Rayane, como sempre, entusiasmada, sentiu-se em casa. Tânia, minha esposa, também ficou muito contente de estar no meio de tantos brasileiros. Rafa, nosso convidado, tocou baixo conosco à base do improviso, enquanto entoávamos uma canção de louvor a Deus.

Chegando em casa, Rafa nos convidou para que saíssemos às 3:30 da madrugada para a chamada "Black Friday". Resisti ao convite, alegando que estava muito cansado. Mas o Rhuan insistiu, ao saber das imperdíveis ofertas que as lojas promoviam. Aleguei que não tinha dinheiro para aproveitá-las. Mas daí, o Rafa deu a última cartada: uma das maiores lojas da região (Bells) estaria distribuindo Gifts Cards (vale compras) de até 500 dólares para os 250 primeiros clientes que chegassem. Fiz tudo pra resistir. Mas Rhuan não parava de insistir, pedindo para ir sozinho com o Rafa. Pra evitar mais dor de cabeça, lá fui eu, sentindo-me aquele juiz da parábola de Jesus, que atendeu ao clamor da viúva depois de sua persistência.

Dormi de 1:30 até às 3:30 da manhã. Saí de casa meio incrédulo. Estava tão frio... Como as ruas estavam tranqüilas, pensei: Quem deixaria o conforto de sua cama num frio desses para correr atrás de promoções?

Quando chegamos ao centro comercial de Sanford... surpresa! Nunca vi tantos carros... Todos os estacionamentos estavam superlotados. Wal-mart, Sears, J.C.Penney, Target, etc.

Primeiro fomos à Bells atrás do tal Gift Card. Propaganda enganosa. Ganhos um penduricalho de árvore de natal com um Gift Card de 10 dólares. Pelo menos era alguma coisa!

Fomos para a Best Buy, maior loja de eletro-eletrônicos dos EUA. Uma fila quilométrica. Muitas pessoas haviam se acampado desde o dia anterior. Eu tinha 61 dólares no bolso (equivalente a 100 reais) e achei que poderia aproveitar alguma oferta. Ficamos na fila até às 5:30 da manhã. A loja ficou entupida de clientes. TV's, computadores, câmeras, tudo abaixo do preço. Alguns ítens muito abaixo. Tinha laptop sendo vendido a 198 dólares! (cerca de 350 reais!)

Confesso que estava com tanto sono, que não me dispus a gastar meus soados 61 dólares quando vi que a fila do caixa parecia tão grande quanto a que enfrentamos pra entrar.

Pelas crianças a gente prosseguia em nossa andança. Mas pra mim, já era suficiente. A experiência da Black Friday não foi o que eu esperava, mas pelo menos pude constatar a fúria do mercado americano na busca de lucros, e o incontido anseio da população em busca de novas aquisições materiais. Li num jornal que esse dia representa 20% dos lucros do ano inteiro.

Agora sei por que houve tantas garages sales nas últimas semanas. As famílias americanas esvaziaram suas casas de produtos já ultrapassados, para substituí-los pelos lançamentos.

Algumas horas antes, ação de graça. Pela madrugada adentro, consumo incontrolável.

Pelo menos, escapei! Meus 61 dólares estão intactos. E meu coração repleto de gratidão a Deus pelo Seu dom inefável.

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Espiritualidade Alienante

Milhões de pessoas vivem uma espiritualidade alienante, ocupando-se exclusivamente com questões espirituais e sobrenaturais, enquanto fazem vista grossa às questões ordinárias da vida. Vivem à beira de uma espiritualidade esquizofrênica, ignorando que a vontade do Pai deve ser feita “assim na terra, como no céu”, conforme a oração ensinada por Jesus.

Perdemos o contacto com a realidade que nos circunda. Há irmãos sinceros que demonstram tamanha sensibilidade para as coisas espirituais, que freqüentemente dão testemunho de visões angelicais. Alguns testemunham acerca de supostos arrebatamentos, e relatam entusiasticamente suas excursões ao paraíso. A impressão que se dá é que tais pessoas buscam uma espécie de fuga da realidade. Geralmente, são pessoas muito simples, que vivem em comunidades carentes, desprovidas de qualquer infra-estrutura.

Suas experiências espirituais são a maneira de responderem à mensagem escapista que ouvem nos púlpitos de suas igrejas.

Se não há nada que se possa fazer para mudar as coisas neste mundo, o que fazer? Imaginar que haja outro mundo, oposto a tudo o que vemos aqui, parece uma saída plausível.

Em vez de incentivar os crentes a descruzarem os braços e trabalharem pela transformação do mundo, tal posicionamento estimula a indiferença, e a desesperança quanto ao futuro da humanidade.

Há pregadores que afirmam categoricamente que as coisas precisam piorar, para que Jesus Se apresse em retornar à Terra.

Ora, se o mundo está prestes a pegar fogo, por que nos preocupar com o seu futuro? Por que nos preocupar com questões como distribuição de renda, preservação do meio-ambiente, educação, ética nas pesquisas científicas, e etc.?

A igreja entrou de sola no negócio de ganhar almas, e assim, “povoar o céu”. Porém, a igreja primitiva estava envolvida em outro empreendimento: transformar o mundo.

Qualquer espiritualidade que não esteja comprometida com a realidade, está a serviço dos poderosos deste mundo, e é completamente dispensável para Deus.

Celebrações dominicais, vigílias, congressos, campanhas evangelísticas, se tornam apenas em passatempo, incapazes de estreitar nossa comunhão com o Criador. Ele mesmo é quem protesta:

“De que me serve a multidão dos vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados (...) Quando virdes à minha presença, quem requereu isto das vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs! O incenso é para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade, nem o ajuntamento solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece. Já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço. As vossas mãos estão cheias de sangue; lavai-vos, e purificai-vos. Tirai a maldade dos vossos atos de diante dos meus olhos! Cessai de fazer o mal, e aprendei a fazer o bem! Praticai o que é reto, ajudai o oprimido. Fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas”.
ISAÍAS 1:11a,12-17
Até que ponto a igreja de hoje não está incorrendo no mesmo erro de Israel dos tempos de Isaías?

Estamos craques em oferecer cultos que são verdadeiros shows, com direito a efeitos especiais e tudo mais. Mas será que Deus tem recebido nosso culto? Será que Ele Se deixa impressionar com nossas parafernálias tecnológicas?

De um lado encontramos igrejas extremamente litúrgicas, onde a forma se sobrepõe ao conteúdo. Do outro lado, temos as igrejas modernas, desprovidas de ritos, mas preocupadas em apresentar um show que vá de encontro aos anseios do homem moderno.

As pessoas não são incentivadas a oferecer culto a Deus, mas a serem tão-somente expectadoras. Elas vão à busca de bênçãos, e não para oferecerem a Deus suas vidas, seus dons, seu serviço.

Ao despedir-se dos crentes, o ministro pronuncia a bênção apostólica, mas não lhes comissiona a mudar a realidade.

Miquéias expressa a preocupação que todos deveríamos ter com relação ao culto que prestamos a Deus:

“Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de miríades de ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? O fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom. E o que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” MIQUÉIAS 6:6-8

O sacrifício que Deus espera de nós é “fazer o bem e repartir com os outros” (Hb.13:16). Tal é a Justiça do Reino de Deus.

Que todos os crentes que lotam os mega-templos de hoje em dia, ouçam o clamor do Criador: “Pois eu quero misericórdia, e não o sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os.6:6). Não é Deus quem precisa de nossa misericórdia, e sim os necessitados deste mundo. Servi-los é servir a Deus.

E o critério pelo qual seremos julgados um dia é a misericórdia que houvermos demonstrado ao nosso semelhante. Por isso, bem-aventurados são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Se quisermos agradar a Deus, temos que praticar a justiça, e amar a misericórdia, em vez de Lhe oferecer cultos desprovidos de sinceridade.

quinta-feira, novembro 26, 2009

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Razões de sobra para agradecer

Um dos indicadores de maturidade espiritual se encontra na oração. À medida que amadurecemos, o número de pedidos diminui, na proporção em que aumenta o número de ações de graça.

Os anseios incontidos, tão característicos das crianças, dão lugar à consciência grata.

Muitos dos nossos pedidos demonstram o quanto desconhecemos a Palavra de Deus. Eu diria até que nada mais são do que "chover no molhado".

Por exemplo:

Temos o costume de pedir: Senhor, envia Teus anjos para nos guardar. Ora, se as Escrituras afirmam que o Anjo do Senhor já está acampado ao redor daqueles que O temem, deveríamos trocar a petição por ação de graça. Diríamos: Senhor, graças Te dou pelo anjos que ordenaste para que se acampassem ao nosso redor.

Também costumamos orar: Senhor, estenda-nos as Tuas mãos! Como assim? A Bíblia diz que as mãos do Senhor não estão encolhidas, logo, não faz sentido pedir que Ele as estenda. Em vez disso, deveríamos dizer: Graças Te damos, Senhor, por manter Tuas mãos estendidas sobre nós.

Gostaria de sugerir que agradecêssemos a Deus por já nos haver abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais, nos lugares celestiais. Também pela provisão que nos tem alcançado, abastecendo nossas mesas e dispensas. Pela saúde, sem a qual não poderíamos desfrutar dessa provisão. Por aqueles que nos antecederam, preparando-nos o caminho; nossos pais, avós, professores, etc. Pelas gerações futuras, que manterão acesa a chama que hoje arde em nosso peito. Pela liberdade que temos em nosso País. Pelas lutas que nos desafiam a confiar mais em Deus. Pelos amigos que enchem de alegria os nossos dias. E até pelos desafetos, que nos oferecem a oportunidade de exercer o domínio próprio, o perdão, e a benignidade. Por este maravilhoso planeta, preparado por Deus sob medida, para ser cenário do relacionamento entre Ele e Suas criaturas. Por cada ser vivente, com quem compartilhamos o resto da criação. E sobretudo, por Deus não haver desistido de nós, mas nos ter enviado Seu Filho Unigênito, para que por Ele alcançássemos a Salvação Eterna.

Agradecer é uma maneira de reconhecer a fonte de todas as boas coisas, e ao mesmo tempo, aprender a atribuir-lhes valor. Que tal pararmos de reclamar um pouco?

Acredito que ao chegarmos à maturidade, nossa oração será composta de 90% de ação de graça, louvor e adoração, e apenas 10% de petições.

Mais uma sugestão: substitua a expressão "Obrigado" por "agradecido". Pode parecer sinônimos, mas não são. Quando dizemos "obrigado", estamos afirmando que nosso relacionamento é baseado numa espécie de contabilidade. É como se disséssemos: Te devo uma! Ou ainda: Estou na obrigação de lhe atender depois. Já a expressão "agradecido" revela que nosso relacionamento é baseado na Graça, onde ninguém deve nada a ninguém. O que nos motiva é o amor.


terça-feira, novembro 24, 2009

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Antes que as pedras clamem!

Os tempos são difíceis. Urge que o povo se mobilize. Não dá para virar o rosto como os religiosos da Parábola do Samaritano. Contudo, faltam profetas !

Precisa-se de profetas mostrando a impotência dos rituais religiosos para mudar realidades. Mas eles devem ter a coragem de Isaías para proclamar: “Parem de trazer ofertas inúteis!... Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade... Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei !” (Is 1.13) Requerem-se profetas com o dedo em riste , avisando que o jejum que Deus quer não é abstinência de comida, mas o esforço para se restabelecer a justiça : “Será esse jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinza ? É isso que vocês chamam de jejum, um dia aceitável ao Senhor ? o jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça , desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo ? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado , vestir o nu que você encontrou , e não recusar ajuda ao próximo?" (Is. 58.5-7).

Precisa-se de profetas que fujam da picada da mosca azul. O Brasil carece de homens que não tenham preço. É necessário surgirem profetas que, a exemplo de Micaías, não permitam que seus nomes constem na folha de pagamento dos poderosos. Josafá, rei de Judá, desejou firmar uma aliança com o rei de Israel, mas antes procurou consultar a Deus. Acabe tinha cerca de 400 profetas assalariados. Josafá se intrigou com a unanimidade e pediu para se aconselhar com alguém independente. Havia Micaías, que estava preso. Ao buscá-lo, o mensageiro advertiu: “Veja, todos os outros profetas estão predizendo que o rei terá sucesso. Sua palavra também deve ser favorável”. Micaías, porém, respondeu: “Juro pelo nome do Senhor que direi o que o SENHOR me mandar” (1 Rs 22).

Precisa-se de profetas que não alicercem seus ministérios em manifestações sobrenaturais de sinais, mas que estejam contentes de poderem transmitir a verdade de Jesus. Que sejam como João Batista, pois nenhum milagre se fez por intermédio dele, mas tudo que ensinou a respeito de Jesus era verdade (Jo 10.14) . Quem dera se mais homens falasse como Paulo : “Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria, nós, porém , pregamos a Cristo crucificado, o qual , de fato , é escândalo para os judeus e loucura para os gentios , mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e a sabedoria de Deus" (1 Co 1.22).

Precisa-se de profetas que saibam lamentar como Jeremias e chorem porque o processo de evangelização brasileiro priorizou salvar almas e não pessoas; prometeu o céu, mas descuidou em gerar ações trasnformadoras da história, gastou recuros financeiros em proveito da própria instituição e desperdiçou oportunidades de ser referência ética. O Brasil precisa de mais profetas chorões. Só eles saberiam fazer a espiritualidade ser mais solidária com os miseráveis da terra.

Os dias são difíceis. Oremos para que se levantem pregoeiros da justiça antes que as pedras comecem a clamar.

Pr. Jonas Santos (Recebi por e-mail)

Comentário de Hermes Fernandes: Meu caro Pr. Jonas, tu és uma voz que clama no deserto eclesiástico deste País. Louvo a Deus pela sua vida, e pela maneira destemida com que a expõe por amor à causa da justiça e da verdade. Lamento dizer que as pedras já começaram a clamar. Artistas, intelectuais, populares, pessoas de todas as camadas emprestam seus lábios para que Deus por eles fale, e conclame Sua igreja a despertar-se e engajar-se na transformação do mundo.

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Um Striptease da Igreja



Espero que ninguém se escandalize com meu striptease! rs

Não deixem de assistir à primeira e as demais partes desta mensagem.

segunda-feira, novembro 23, 2009

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Se o Mundo tivesse somente 100 pessoas

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Louvor: Mantendo acesa a chama!

Eis um tema muito badalado em nossos dias, principalmente entre evangélicos e católicos carismáticos. Apesar de se explorar o assunto quase à exaustão, pouco do que tem sido dito possui fundamento teológico sólido ou mesmo uma argumentação racional.

Acredita-se, por exemplo, que o louvor liberta. Porém, o que Jesus ensina é que a verdade que nos liberta. Não podemos atribuir ao louvor ou à adoração um poder místico, capaz de mover os braços de Deus. Seria como atribuir onipotência àqueles que O louvam e adoram.

Lembremo-nos que nosso culto a Deus deve ser racional, isto é, deve passar pelo crivo da razão. Não podemos cultuá-lO apenas com a emoção. Um culto racional é aquele em que se sabe o que está fazendo. Não se trata de uma histeria coletiva.

As pessoas gesticulam, usam palavras de ordem, jargões oriundos do evangeliquês, se emocionam embaladas pelas melodias, mas não compreendem a verdadeira razão do louvor e da adoração.

Em um artigo anterior, explicamos a razão pela qual devemos adorar a Deus. É pela adoração que nos tornamos cada vez mais parecidos com Aquele que é nosso principal referencial (Sl.115:8).

Toda adoração começa com contemplação. Ora, contemplação exige quietude. E quando nos aquietamos, e contemplamos, pela via da meditação, os atributos da Divindade, sentimo-nos impelidos a adorar. Pense em alguns dos atributos de Deus: justiça, santidade, amor, fidelidade... Olhamos para Ele e enxergamos a beleza de Seu caráter santo e imutável, ao mesmo tempo em que olhamos para nós e enxergamos nossa finitude, nossos pecados, nossa ambiguidade. O contraste constatado nos leva a uma completa rendição. Por isso, nos prostramos, ou levantamos as mãos, em sinal de completa rendição . Não há promessas a serem feitas. Não adianta dizer que um dia alcançaremos perfeição através de nossos próprios esforços. Não temos alternativa, senão nos render, e admitir nossa fraqueza e incompetência. É daí que brota a adoração.

Nós O adoramos por aquilo que Ele é, e que jamais seremos, caso dependamos de nós mesmos. Há, então, uma completa submissão à Sua graça. E a partir daí, somos transformados de glória em glória, tornando-nos cada vez mais parecidos com Jesus, nosso protótipo e ideal.

E quanto ao louvor? Haveria alguma diferença entre louvar e adorar?

Adoração deve ser exclusiva para Deus. Lembra do que Jesus disse a Satanás na tentação no deserto? "Somente ao Senhor adorarás...". Qualquer coisa que tome o lugar de Deus em nossa vida pode ser considerado ídolo.

Podemos amar as pessoas, mas jamais adorá-las. A linha pode parecer tênue, porém há uma maneira de distingüirmos o amor e a adoração. Basta perguntarmos se nossa relação com algo ou alguém se tornou numa relação de total dependência. Se concluirmos que não conseguimos viver sem aquilo, ou sem aquela pessoa, então o que era amor tornou-se veneração.

Recentemente ouvi uma canção que diz "Quero amar somente a Ti, Senhor". Deus jamais exigiu que amássemos somente a Ele. Pelo contrário, Ele deixou claro que deveríamos amar a Ele em primeiro lugar, mas também deveríamos amar aos nossos semelhantes, ainda que fossem nossos inimigos. Portanto, essa canção ficaria melhor se dissesse: "Quero amar primeiro a Ti..."

Adorar? Só a Deus! Amar? Primeiro a Deus, e depois aos demais. E louvar? Deveríamos louvar somente a Deus?

Leia o que diz o sábio Salomão: "Louve-te o estranho, e não a tua boca..." (Pv. 27:2). Fica claro aqui que podemos louvar a outras pessoas, além de Deus. O que não podemos é louvar a nós mesmos. Aliás, o próprio Deus também nos louva! Duvida disso? Leia: "Pois não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas sim aquele a quem o Senhor louva" (2 Co.10:18). Incrível, né?

Acerca da mulher virtuosa, Salomão escreve: "Levantam-se os seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada; o seu marido também, e a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas és superior" (Pv. 31:28-29).

Portanto, o que haveria de errado com os filhos que louvam sua mãe? Ou com o marido que louva sua esposa? Nada! Fique tranqüilo que Deus não fica inciumado.

Louvar nada mais é do que "falar bem", o mesmo que "bendizer".

Quando louvamos a alguém, estamos com isso estimulando àquela pessoa a prosseguir, realçando suas virtudes e qualidades.

Será que Deus necessitaria de elogios? Será que Ele precisaria ser estimulado pelos nossos louvores? Absolutamente, não. Então, por que devemos louvá-lO?

Davi nos revela um dos motivos:

"Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios" (Sl.103:2).

Quando bendizemos ao Senhor, nossa memória é refrescada, e nos recordamos de todo bem que Ele tem feito à nossa alma.

Infelizmente, as pessoas tendem a esquecer facilmente das coisas boas, e a lembrar somente das coisas ruins. Ninguém coloca fotos de episódios tristes da vida em um álbum de fotografia. Você já viu alguém contratar um fotógrafo pra registrar o sepultamento de um ente querido? Imagine, ao abrir o álbum de uma família, dar de cara com as fotos de um caixão... Há momentos que a gente prefere esquecer. Mas eles nos acompanham pelo resto da vida.

Já as coisas alegres precisam de um registro, seja fotográfico, ou escrito, para que jamais nos esqueçamos deles.

Louvar a Deus é resgatar em nossa memória os momentos felizes que Ele nos tem proporcionado. E não só isso. É relatar Seus grandes feitos ao longo da História.

Já ouvi pregadores dizerem que Deus não vive de glória do passado. Ledo engano. Para Deus não há passado. E não é Ele que precisa ficar relembrando Seus feitos. Somos nós que desesperadamente necessitamos disso. Por isso, O louvamos, trazendo à memória aquilo que nos traz esperança.

Até a Santa Ceia, ao ser instituída, tinha como propósito ser um lembrete da grande obra realizada na Cruz.

Há ainda uma segunda razão porque temos que louvar a Deus. O salmista Asafe explica:

"...o que ouvimos e sabemos, e os nossos pais nos contaram. Não o encobriremos aos seus filhos; mostraremos à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez (...) para que a geração vindoura a soubesse; até os filhos que ainda haveriam de nascer, e eles, por sua vez, a contassem a seus filhos. Então poriam em Deus a sua esperança, e não se esqueceriam das obras de Deus, mas guardariam os seus mandamentos" (Sl. 78:3-4,6-7).

Cada nova geração chega ao mundo em completa ignorância e analfabetismo acerca dos feitos de Deus. Compete àqueles que vieram antes, relatar Suas obras através dos louvores. Nada pode se perder. Devemos relatar o que Deus fez em nossa própria geração, como também o legado que nos pais nos deixaram. Esta é a maneira de mantermos a chama viva.

Gosto de contar a meus filhos a maneira como Deus usava, tanto seu bisavô, Albino Pereira de Carvalho, como seu avô, Cecílio Carvalho Fernandes. Gosto de ver a expressão em seus rostos, enquanto relato as obras feitas pelo Senhor em gerações que os antecederam.

Isso cria em seus corações uma expectativa de que o mesmo Deus que operou no passado, está sempre pronto a operar em seus dias, bem como no futuro remoto. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Portanto, louvemos ao Senhor. Não poupemos palavras para relatar Suas proezas, e acreditemos piamente que Ele tem obras ainda maiores a realizar em nossos dias.

Adoremos pelo que Ele é. Louvemos pelo que Ele fez, faz e fará.

***

P.S.: Esta semana se comemora aqui nos EUA, mais precisamente dia 26, quinta-feira, o Dia de Ações de Graça (Thanksgiving Day). Interessante que o Brasil importa tudo o que não presta daqui, mas uma idéia maravilhosa como esta é relegada. Algumas poucas igrejas brasileiras têm aproveitado esse dia para conclamar seus membros a agradecer a Deus por Suas obras. Fica aqui nossa sugestão.

domingo, novembro 22, 2009

9

Geração que dança, e daí?

“E seremos a geração que dança. E seremos a geração que canta.” E daí? Grande coisa. Vamos ser honestos, quem sonhava com isso? Eu não. Sei lá, mas eu sonhava com algo tipo missões, ganhar almas, marcar minha geração, morrer pelo evangelho. Pode me chamar de José se quiser, o sonhador, não me importo, pois não coloco muito valor na palavra, ou melhor, na crítica de alguém que depois de muitos anos ainda está tentando pular como um coelho nas conferências realizando seu sonho de ser a geração que canta e dança. Deus me livre!

Eu acho que a coisa que mais me irrita hoje, além do lixo sendo pregado nos púlpitos, é que foi isso que nós vendemos para uma geração; uma geração que está agora casada, barriguda, e que nem dança mais, pois tem medo de enfartar. Caraca, o que aconteceu? Onde nós erramos? Era tanto potencial e disposição e agora é “comunhão na casa de Fulano”.

Quando era para enviarmos eles, nós seguramos, pois queríamos o grupo maior da cidade.
Eles queriam ser missionários, então ensinávamos umas peças, pintávamos seus rostos e os levavámos para a praça mais perto para que pudessem ser completamente humilhados e nunca falar de missões de novo. Só pra saber, “Aquilo era missões?”.

E agora tem entrado uma nova geração e nós estamos cometendo os mesmos erros e pecados. Quando olhamos para os jovens da igreja, é obvio que temos falhado em capturar seus corações e imaginações. Nós temos falhado em dar a eles uma razão de viver, uma causa pelo que dar as suas vidas. Nós temos falhado em mostrar algo a eles tão importante que vale a pena morrer por ele.

Quando você olha nos seus olhos não há fogo, não há vida. Vida para eles é quatro horas na frente do computador batendo papo com seus amigos virtuais. Mas eles não têm nada que queima no coração deles, que lhes façam sair da cama de manhã, que lhes possua. Eles não têm nada pelo que viver e bem menos nada pelo que morrer.

Nós falávamos para eles que Deus queria usá-los e depois os fechamos em prédios com bandas, pizza e luzes coloridas para gastar a noite dançando e cantando enquanto o mundo lá fora está passando fome, morrendo e indo para o inferno. Será que era a isso que estávamos referindo quando falávamos que “Deus queria usá-los”? Será que não tem mais? E se eles mostram uma preocupação com aqueles fora da “terra protegida”, nós falamos que não são preparados, que sua hora vai chegar. Por enquanto, é festa e alegria. Pegue mais um pedaço de pizza.

Nós falávamos para eles que podiam mudar o mundo enquanto eles nem sabem como mudar as suas próprias vidas. E em vez de confrontá-los pela maneira que vivem e seus valores, nós mudamos a estrutura da igreja para acomodá-los. Nós criamos “namoro santo” e colocamos “play stations” na sala de oração. Mas, não muito tempo depois, a nossa estrutura não os satisfazia mais. Em vez de treiná-los, nós os temos entretido. Em vez de desafiá-los, nós os acomodávamos e acabávamos frustrando-os e perdendo-os, pois a verdade é que não era isso que eles queriam.

Cada geração precisa de uma bandeira pra levantar, uma causa pra abraçar, algo para dar as suas vidas, mas em algum lugar no caminho somente Jesus e a salvação deixaram de ser suficientes. Somente alcançar os perdidos parecia ser algo comum demais. Então, nós começamos falar em milagres e mortos ressuscitando. Nós tentamos criar coisas melhores, mais barulhentas, mais animadas, projetos que íam no fim fazer nada mais do que ocupar seu tempo e os fazer pensar que estavam fazendo algo enquanto não estavam realizando nada. Nós críamos uma geração que canta e dança, mas não faz nada mais do que isso, e eles sabem disso. Ninguém foi enganado e eles ainda estão tentando se descobrir e achar seu propósito, sua razão de viver, e morrer.

Preguiçoso, desinteressado, não produtivo: termos que muito bem podem ser usados para descrever essa geração que uma vez tinha esperança em ser usada e marcar o mundo. Mas, por quê? Por que nós não demos nada pra eles fazerem de verdade. E vamos ser honestos, esperar é ruim. É agora ou nunca. Nós os desafiamos agora, nós os treinamos agora, nós investimos neles agora, ou nós os perdemos para sempre.

• 75% dessa geração estão deixando a igreja para não voltar mais.

Considere isso uma carta de um velho que chora para a juventude, que lamenta tanto potencial perdido, que quer pedir seu perdão.

Pr. Jeff (Via Geração Benjamim)

sábado, novembro 21, 2009

4

Não quero ter que voltar ao primeiro amor


Não quero ter que voltar ao primeiro amor
Pois não pretendo deixá-lo passar
Me recuso a chamar-Te "Senhor, Senhor!"
Sem de fato atender Teu chamar

Eu prefiro não ter que pedir perdão
Nem ter razão pra me arrepender
Mas se eu ferir o Teu coração
À Tua Graça vou recorrer

Que meu amor por Ti aumente mais e mais
Pois só em Ti encontro tudo que me satisfaz

Que jamais me atreva a olhar atrás
O que minh'alma almeja é ser aquele que Te apraz

Não me importo com o que digam
pra mim tanto faz
Que os que me persigam
um dia acolham Tua paz

Senhor, Senhor, Senhor
Batiza-me no Teu Amor!
Senhor, Senhor, Senhor
Não quero Lhe causar mais dor

Autor: Hermes C. Fernandes em 21/11/2009

3

Cuidado com a cabeça! O bumerangue sempre volta!

Recentemente tive a oportunidade de comprar um bumerangue por uma pechincha, numa garage sale*. Pra quem não conhece, o bumerangue é uma espécie de arma usada pelos aborígenes da Austrália para caçar cangurus. Sua característica principal é que ele sempre volta contra quem o arremessou. Se o caçador não tiver habilidade para pegá-lo de volta, poderá sair machucado com um golpe na cabeça.

Apreciando a beleza do bumerangue (muito parecido com o da foto), lembrei-me de um episódio ocorrido há pouco mais de dois anos.

Estava em meu gabinete na igreja que pastoreei
no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, quando soube que um pastor conhecido meu desejava falar comigo. Qual foi minha surpresa quando deparei-me com alguém que já não via há cerca de vinte anos.

Ao entrar em meu gabinete, aquele homem se pôs de joelhos e com lágrimas rogou o meu perdão.

Naquele instante, minha mente viajou no tempo, e lembrei de algo de que eu preferia esquecer para sempre.

Era um domingo no ano de 1986. Eu era presidente estadual da mocidade da denominação da qual meu pai era o líder estadual e vice-presidente internacional. Naquela manhã de Santa Ceia, quis fazer uma surpresa ao meu pai, e fui para a praça próxima da igreja, interceptar os jovens para que entrassem juntos na igreja numa apresentação especial.

Ao sentir minha falta, meu pai perguntou por mim ao microfone. "Onde está meu Hermes?" (Era assim que se referia a mim). Esse pastor dirigiu-se ao meu pai, e contou que eu estava lá fora namorando enquanto o culto transcorria.

Mentira! Eu estava reunido com os jovens.

Sem pensar duas vezes, meu pai disse:

- Meus irmãos, a lei começa em casa. Se meu filho Hermes não estiver aqui em cinco minutos, ele será suspenso de comunhão e das demais atividades da igreja.

Quando disse isso, eu já estava me aproximando da igreja, e alguém foi correndo ao meu
encontro me avisar. Entrei correndo pela igreja, mas por estar muito cheia, com os corredores lotados, tive dificuldade de me aproximar do púlpito. Enquanto ainda caminhava, meu pai anunciou:

- Como meu filho não me atendeu, anuncio que a partir de agora ele está suspenso por três meses. Não posso admitir que ele esteja lá fora namorando durante o culto.

Naquele instante, todos os pastores que lá estavam, quase trezentos, se puseram de pé e começaram a aplaudir. Tudo isso na frente de quase três mil pessoas.

Foi um dos piores dias da minha vida.

Saí de lá chorando muito. Na saída encontrei minha namorada, e sem explicar nada, tomei-a pela mão e saímos em direção à estação de trem do bairro vizinho.

Naquela época, muito apostaram que eu me afastaria da igreja. Mas em vez disso, foi o período em que mais me apeguei a Cristo.

Tive que deixar a liderança da juventude, o ministério de louvor, e passar a frequentar a igreja como uma pessoa comum, sem nem ao menos poder comungar.

Aprendi a duras penas que a melhor coisa a fazer quando se é injustiçado é calar-se. Quem advoga sua própria causa, está usurpando o lugar de Cristo, nosso Advogado.

Jamais poderia supor que aquela experiência estava me preparando para situações muito mais complicadas, em que eu seria acusado injustamente, e pessoas que diziam me amar passariam a me caluniar.

Vinte anos se passaram. E agora o homem que inventou aquela calúnia estava diante de mim, de joelhos dobrados, rogando o meu perdão.

Seguindo o mandamento de Jesus, perdoei-o prontamente, sem sequer lhe pedir qualquer explicação ou reparação.

Na verdade, já o havia perdoado muito tempo atrás. Não carregava aquela peso comigo. Porém, este perdão só lhe seria manifesto quando houvesse arrependimento.

Foram necessárias duas décadas até que ele se sentisse apto a demonstrar arrependimento.

Segundo ele, já não era possível lidar com aquela culpa por mais tempo. Mesmo sendo um homem extremamente carismático, seu ministério ficou comprometido todos esses anos por causa de uma mentira.

No início, seu ministério pareceu deslanchar, fazendo com que ele rompesse com a antiga denominação e fundasse sua própria. Mas depois, as coisas começaram a desandar, porque aquela mentira ainda pesava contra ele diante de Deus.

Um dia a verdade vem a tona. Quem fez contra você, fará contra outros. Quem lhe foi infiel, acabará traindo a confiança de outros que hoje lhe dão os braços.

Não vale a pena carregar mágoas, ressentimento. Perdoe em silêncio e espere. Um dia o bumerangue volta pra quem o lançou. Ainda que demore, principalmente quando o bumerangue foi lançado com muita força, mas que ele volta, não tem dúvida... volta!

***

* Garage Sale é um costume muito comum aqui nos Estados Unidos, quando famílias resolvem se desfazer de algumas coisas, vendendo-em frente a garagem de suas casas. Sábado é o dia do Garage Sale. A gente encontra muita coisa boa, nova e barata. Alguns fazem Yard Sale, onde os produtos são expostos no jardim da casa. Outros fazem Moving Sale, quando abrem as portas de sua casa para vender até os móveis e eletrodomésticos, por estarem de mudança. Interessante que da outra vez que moramos aqui, as pessoas jogavam muita coisa boa fora, como computadores, TVs, brinquedos, móveis. Devido à crise acentuada que o País vem passando, em vez de jogar fora, os americanos estão preferindo vendê-las. Às vezes juntam vários vizinhos para fazer uma Garage Sale comunitária. Este bumerangue que talvez custasse 25 dólares numa loja, me saiu por míseros 2 dólares.

sexta-feira, novembro 20, 2009

2

Que mundo maravilhoso do lado de fora!

Uma vez eu ouvi o pastor-professor Eugene Peterson fazendo reminiscências sobre uma excêntrica mulher chamada irmã Lychen. Quase toda semana, na igreja da infância de Peterson – que encorajava palavras proféticas – , essa frágil mulher se levantava e dizia algo desse tipo: “O Senhor me revelou que eu não verei a morte até que ele retorne em glória para me levar ao seu encontro no ar”.

Um dia, para o desespero de Eugene, sua mãe o chamou para fazer um lanche de biscoitos caseiros na casa da irmã Lychen. Trêmulo, Eugene bateu à porta. A própria irmã Lychen, com a pele pálida, cheia de veias, e um rosto esquelético, o convidou para experimentar os biscoitos. Ela lhe serviu um copo de leite, e o garoto comeu nervosamente os biscoitos em quase total escuridão – a irmã Lychen mantinha suas cortinas fechadas o dia inteiro.

Depois, Peterson disse, ele teve uma fantasia. Ele se viu correndo para dentro da casa da irmã Lychen e arrancando todas as cortinas. “Olha lá para fora!”, ele chorava. “Veja, tem um álamo ali, e uma águia no topo dele”.

Foi esse mundo completamente bom do lado de fora, mais do qualquer outra coisa, que me trouxe de volta à fé cristã. Eu vim de uma infância com uma imagem distorcida de Deus: um superpolicial carrancudo que parecia esmagar quem estivesse vivendo bons momentos. Desde então, eu passei a conhecer Deus como um caprichoso artista que preenche o mundo com criaturas como porcos-espinhos, jaritatacas, e javalis, e que presenteia o mundo com flores silvestres e peixes tropicais mais belos que qualquer invenção artística exposto em qualquer museu de arte.

Francis Collins, fundador e diretor do Projeto Genoma Humano, vê a mão de Deus na imensa dupla hélice do código de DNA. A autora vencedora do prêmio Pulitzer, Annie Dillard, vê isso nas criaturas que nadam e mergulham no rio Tinker Ceek, nas montanhas de cume azul da Virgínia. De escritores naturalistas como John Muir, Henri Fabre, Loren Eiseley, e Lewis Thomas, eu adquiri a apreciação por um Artista Mestre em quem eles podem até não acreditar; suas observações precisas e reverentes me ajudaram a abrir as cortinas para mim.

Eu conheci um pastor no Barein que pode identificar pela visão 2.000 espécies de conchas, e um missionário na costa rica que reuniu uma coleção de espécies de todo o mundo de borboletas e mariposas. O historiador da igreja Mark Noll observa que a canção “Turn Your Eyes upon Jesus” falha plenamente ao dizer, “E as coisas da terra crescerão, estranhamente ofuscarão / Na luz da Sua glória e graça”. Não, ele diz, o resto do mundo cresce claramente, e não de forma obscura, na luz de Cristo. Deus criou a matéria; em Jesus, Deus se uniu a ela.

Nós temos exemplos bíblicos do povo de Deus contando com recursos que estão além dos muros da igreja. Em uma história registrada em 2 Reis, a cidade de Samaria está sitiada e passando por uma escassez mortal. Desesperados, desterrados leprosos arriscaram suas vidas indo além dos muros em busca de comida. Eles têm uma visão incrível, restos de um exército que havia sido devastado, e trazem de volta os suplementos abandonados para que os israelitas escondessem dentro da cidade. Algumas vezes nós temos que sair da igreja para adquirir inspiração e alimento. De forma semelhante, Agostinho de Hipona escreveu sobre os israelitas que usaram ouro egípcio para construir o tabernáculo de Deus.

O japonês-americano Mako Fujimura se deparou com uma oportunidade incomum no rastro do desastre do World Trade Center. artista de nível mundial e pensador cristão, Mako mora alguns quarteirões depois do Grau Zero, num bairro povoado por artistas. Depois do 11/09, com muitos artistas fechando suas casas e estúdios, Mako abriu um estúdio público e o dedicou como um oásis de colaboração dos artistas do Grau Zero.

Nessa época, muitos artistas estavam produzindo trabalhos que pretendiam chocar, a maioria cheia de obscenidades e violência. De repente, a realidade superou a criatividade: o que aconteceu no próprio bairro deles era muito mais obsceno e violento do que tudo que eles já imaginaram. Na segurança do estúdio de Mako, esses artistas redescobriram outros valores – beleza, humanidade, bondade – e seus trabalhos começaram a refletir isso. Gretchen Bender, um artista vanguardista que trabalhou para “decodificar o gênero e a sexualidade” começou fazendo um tipo diferente de criação. Ela dobrou centenas de origamis brancos em formato de borboleta e os arrumou em um belo formato, inspirado em um vôo real de borboleta depois de ela ter enfrentado dias como o 11/09. Gretchen chamou isso de o “momento da ressurreição”.

Por seis meses, os artistas fizeram exibições, performances teatrais, recitação de poemas e orações conjuntas nesse seguro local. Como Mako comentou mais tarde, “Nossa capacidade imaginativa acarreta a responsabilidade de trazer cura, tanto quanto ela acarreta a responsabilidade de representar a angústia”. A igreja certa vez se candidatou a administrador da cultura, seu patrono e também como seu guia. Se nós ignorarmos o mundo fora das nossas paredes, nós sofreremos mais do que seus habitantes.

Texto de Philip Yancey (via Cristianismo Hoje)

quinta-feira, novembro 19, 2009

1

Por dentro temos todos a mesma cor!









Amanhã, Dia da Consciência Negra, a REINA - Igreja do Futuro estará promovendo mais uma edição do DIA DOS BRAÇOS ESTENDIDOS. Na última edição feita em Abril, mais de cem pessoas atenderam ao nosso chamado, e compareceram na HEMORIO, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, para doar sangue.

Quem reside no Rio, ou na Região Metropolitana, está convidado a participar deste gesto de amor ao próximo.

Encontre-se com nosso grupo amanhã, sexta-feira, às 9h. da manhã.


0

Nosso Deus é carente ou narcisista?

Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos? Seria isso um tipo de narcisismo divino? Absolutamente, não!

Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.

Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 24 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.

As Escrituras
dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de "Homem segundo o coração de Deus"?

E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?

As mesmas
Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolos pop.

Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.

E quanto ao louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.

Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.

Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.

quarta-feira, novembro 18, 2009

11

Por que os enganadores prosperam?


Chega! Resolvi botar a boca no trombone! Chega de tentar tapar o sol com a peneira. A verdade tem que ser dita, doa a quem doer.

Por que os falsos prosperam? Por que os mentirosos se gabam de suas conquistas? Onde está Deus que não faz cair um raio na cabeça desses miseráveis?

Haveria algum propósito nisso? E quanto às milhares de vítimas desses charlatões?

Que unção seria esta que atrai tanta gente? Por que Deus os permite crescer tanto? Por que temos que suportá-los enquanto se esnobam em suas aquisições?

Convido-os à uma breve incursão nas Escrituras em busca de respostas para tais questões.

Paulo diz que havia tempo em que as pessoas não suportariam a sã doutrina, mas "tendo coceira nos ouvidos", se cercariam de mestres "segundo as suas cobiças" (2 Tm.4:3).

Eis o pulo do gato desses obreiros da iniquidade! Eles dizem o que o povão quer ouvir. Por isso atraem tanta gente.

O que as pessoas querem ouvir hoje em dia? Garanto que não estão interessadas em assuntos como arrependimento, santificação, renúncia, cruz, dar a outra face, caminhar a segunda milha. Não! Elas querem é restituição, arrepio, emocionalismo barato, conquista, prosperidade.

Quem quer que diga o que elas almejam ouvir, certamente obterá sucesso em seu ministério.

E mais: querem sair dos cultos com seu ego massageado. Buscam pastores que os acaricie com bajulações, amor hipócrita, elogios.

Ninguém quer compromisso com a verdade, mas com o último modismo. Quer encher a igreja em tempo record? Fácil! Ou entra numa de fazer essas campanhas loucas, sem pé nem cabeça, ou dana a convidar cantores e bandas gospel famosos, empurrando um monte de CD para que os irmãos ajudem a pagar os altos cachês que eles cobram. E assim a famigerada indústria gospel vai sendo alimentada. Louvor e adoração são confundidos com oba-oba. E adivinha quem paga a conta?

Definitivamente, não querem a Verdade! Preferem ser enganadas (desde que seu ego saia intacto!).

Então, Deus lhes dá o que pedem! Isso mesmo que você leu.

Paulo denuncia o ministério da iniquidade, e diz que sua operação e êxito são "segundo a eficácia de Satanás". Alguém ainda duvida que Satanás seja eficaz? Tal eficácia se revela "com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem". Agora, redobre sua atenção: "Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts. 2:9-12).

À luz deste texto, podemos dizer que as inúmeras pessoas enganadas por tais ministérios não são apenas vítimas, mas sobretudo, cúmplices. E os falsos mestres nada mais são do que juízo de Deus sobre eles.

Acham que podem barganhar com Deus... então, tomem sacrifício, fogueira santa, encontro tremendo, monte Sinai, amuletos, e por aí vai...

Alguns são até certinhos em se tratando de doutrina, mas suas motivações são excusas, nojentas, interesseiras. Judas os denuncia, dizendo: "Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências, cuja boca diz coisas muito arrogantes, bajulando as pessoas por motivos interesseiros" (Jd.16).

Estes se queixam de seus líderes, passando a idéia de que estão sendo perseguidos e injustiçados na denominação, para ganhar o coração dos incautos, fazendo-os sentir pena deles, e ódio de seus líderes. Esta estratégia visa preparar o caminho para uma eventual divisão. Queixam-se de uns, enquanto bajulam a outros.

São inescrupulosos! Fazem negócio em cima do rebanho que lhes fora confiado. Miseráveis! Deus os destruirá!

Confesso que eu preferia que eles se vissem pregando só para os bancos. Mas a Bíblia é clara: "E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade. Por ganância farão de vós negócio, com palavras fingidas. Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme" (2 Pe.2:2-3).

Quantos estragos estes lobos cruéis têm feito em famílias inteiras! Querem se meter até onde não são chamados. Estes são "os que se introduzem pelas casas" (2 Tm.3:6). Casamentos têm sido destruídos por causa de seus ensinos. Filhos preferem obedecer e honrar a eles do que a seus pais.

Apelo aos apologetas de plantão que não dêem trégua a esta raça maldita. Atentem para a admoestação de Paulo: "É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (Tt.1:11).

Tudo quanto fazem envolve dinheiro. Querem mais, mais e mais. Seu deus é o ventre! Não se contentam com o que têm, e acham que o sucesso ministerial se mede pela ostentação.

Ufa! Eu tinha que dizer tudo isso. Estava entalado.

O que me consola é saber que o tempo do juízo de Deus sobre eles se avizinha.

Paulo nos garante: "Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesta a sua insensatez" (2 Tm.3:9). E mais: Os enganadores "irão de mal a pior, enganando e sendo enganados"(v.13).

Até os sinais que acontecem em seus ministérios são juízo de Deus, para que sejam mantidos em seu engano. Tudo quanto estão plantando, hão de colher. Toda dor que provocaram, hão de sentir na própria pele.

E sabe por quê?

"De Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl.6:7).


terça-feira, novembro 17, 2009

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Minha Inspiração - Voz & Violão

sábado, novembro 14, 2009

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O Dízimo é um preceito cristão?

A prática do dízimo é um tema controvertido nas igrejas evangélicas, tendo, de um lado, defensores apaixonados e, do outro, críticos ardorosos. Para alguns, é uma espécie de legalismo judaico preservado na igreja cristã. Para outros, trata-se de uma norma divina que tem valor permanente para o povo de Deus, na antiga e na nova dispensação. Os críticos do dízimo afirmam que sua obrigatoriedade é contrária ao espírito do evangelho, pois Cristo liberta as pessoas das imposições da lei. Os defensores alegam que essa posição é interesseira, porque permite às pessoas se eximirem da responsabilidade de sustentar generosamente a igreja e suas atividades. O grande desafio nessa área é encontrar o equilíbrio entre tais posições divergentes. O que está em jogo é uma questão mais ampla — o conceito da mordomia cristã, do uso que os cristãos fazem de seus recursos e bens.

Os dados bíblicos


O dízimo (do latim “decimu”) pode ser definido como a prática de dar a décima parte de todos os frutos e rendimentos para o sustento das instituições religiosas e dos seus ministros. Trata-se de um costume antigo e generalizado, sendo encontrado tanto no judaísmo como nas culturas vizinhas do Oriente Médio. Essa prática é claramente estabelecida no Antigo Testamento, sendo até mesmo anterior à lei de Moisés (Gn 14.20; 28.22). O dízimo era devido primariamente a Deus, como expressão de gratidão por suas bênçãos e consagração a ele. Mais tarde, tornou-se um preceito formal na vida religiosa dos hebreus (Lv 27.30-32), sendo destinado especificamente para o sustento dos levitas (Nm 18.21-24). Em Deuteronômio, está associado a uma refeição comunitária festiva e ao auxílio aos necessitados (12.17-19; 14.22-29; 26.12-14). Às vezes era dado liberalmente (2Cr 31.5-6; Ne 10.37-39; 12.44) e em outras ocasiões retido fraudulentamente (Ml 3.8-10). Nos escritos do Novo Testamento, o dízimo é mencionado explicitamente apenas nos Evangelhos e na epístola aos Hebreus, sempre em relação aos judeus. Jesus aprovou a prática, mas a censurou quando se tornava uma expressão de frio legalismo (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12; ver Am 4.4). Em Hebreus, é mencionado em conexão com Melquisedeque, uma figura do sacerdócio de Cristo (7.1-10). As epístolas paulinas falam muito sobre ofertas para a comunidade, mas sua ênfase maior é sobre as contribuições voluntárias (2Co 9.6-7). O Novo Testamento não fornece muitas informações sobre o sustento do trabalho regular da igreja. Todavia, as informações disponíveis destacam atitudes como gratidão, fé, amor e generosidade como motivações centrais da mordomia cristã.

O dízimo na história


No início da igreja, a informalidade e a simplicidade das estruturas não exigiam muitos recursos para sua manutenção. Não havia templos nem ministério em tempo integral (muitos líderes eram “fazedores de tendas”, como Paulo). A maior carência estava na área social ou beneficente. Daí a grande ênfase nas ofertas, principalmente em situações de particular necessidade (ver 1Co 16.1-4; 2Co 8.1–9.15). No entanto, o princípio de que a contribuição devia ser marcada pelo desprendimento e liberalidade se manteve, como se pode ver na “Didaquê”, um manual eclesiástico do 2º século: “Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, segundo lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito” (13.7). No final do mesmo século, Irineu de Lião se referiu aos cristãos como aqueles que “separam todas as suas posses para os propósitos do Senhor, entregando de modo alegre e espontâneo as porções não menos valiosas de sua propriedade” (“Contra as heresias” IV.18). Com o passar do tempo e a crescente institucionalização da igreja, houve a necessidade de uma forma padronizada de contribuição. Com isso, recorreu-se ao precedente bíblico já conhecido e testado por muito tempo — o dízimo. Ao longo dos séculos, ele se tornou obrigatório — uma espécie de imposto eclesiástico — e na época de Carlos Magno passou a integrar a lei civil. No final da Idade Média surgiram abusos quando os dízimos, em certos casos, se tornaram um instrumento para a compra de cargos eclesiásticos (simonia). Houve controvérsias quando as pessoas buscavam fugir ao pagamento dos dízimos enquanto outras tentavam se apropriar desses rendimentos para si mesmas. Os países que tinham igrejas estatais recolhiam os dízimos dos fiéis em troca do sustento da igreja e do pagamento dos salários dos ministros (côngrua). No Brasil colonial, em virtude do sistema conhecido como “padroado”, o dízimo se tornou o principal tributo arrecadado pelo estado português.

Validade atual

A questão que se coloca é a seguinte — o dízimo é valido hoje em dia para os cristãos? É uma forma legítima de contribuição cristã? São muitos os fatores a serem considerados na busca de uma resposta. Em primeiro lugar, é preciso atentar para o ensino bíblico global sobre o lugar que os bens devem ter na vida do crente. Deus é o senhor e proprietário supremo de todas as coisas.

Os seres humanos são mordomos, ou seja, administradores dos recursos e dádivas de Deus. Aqueles que realmente o amam, são gratos por suas bênçãos e querem servi-lo, se sentirão movidos intimamente a contribuir para causas que engrandecem o seu nome. A segunda consideração é pragmática. A igreja é uma associação voluntária. Ela não tem outra fonte estável de sustento a não ser as contribuições dos seus membros. As ofertas ocasionais comprovadamente são insuficientes para atender a todas as necessidades financeiras da comunidade cristã. Torna-se necessário um método de contribuição que seja regular, generoso e proporcional aos recursos dos fiéis.

Outro argumento se baseia numa comparação entre Israel e a igreja. Os cristãos entendem que têm recebido bênçãos muito maiores que a antiga nação judaica. O que para esta estava na forma de promessas, para os cristãos são realidades concretas, presentes. A vinda do Messias, sua obra de redenção, seus ensinos e os de seus apóstolos (o Novo Testamento), a dádiva do Espírito Santo e a revelação mais plena da vida futura são exemplos desses grandes benefícios usufruídos plenamente na nova aliança. Daí decorre o seguinte raciocínio: se Deus prescreveu o dízimo para o antigo povo de Israel, seria de se esperar que ele requeresse menos dos cristãos, detentores de maiores dádivas? Portanto, muitos estudiosos concluem que o dízimo deve ser, não o teto da contribuição cristã, mas o piso, o mínimo, o ponto de partida.

Conclusão

A questão do dízimo é tão difícil para muitos cristãos porque toca numa parte sensível da sua vida — o bolso. Parece excessivo entregar um décimo dos rendimentos para Deus, para a causa de Cristo. Nem todos têm o desprendimento e a generosidade da pobre viúva elogiada por Jesus (Mc 12.41-44). Todavia, o dízimo pode ser uma bênção na experiência do cristão em dois sentidos. Primeiro, como um desafio para a sua vida espiritual. Dar o dízimo pressupõe uma relação de amor, gratidão e compromisso com Deus e com as pessoas que serão beneficiadas com essa contribuição. Em segundo lugar, é também um desafio para a melhor administração da vida financeira. Muitas pessoas têm dificuldade em contribuir para a igreja e suas causas porque são desorganizadas em suas finanças, gastam mais do que podem, não têm um senso de prioridades em seu orçamento. A prática do dízimo produz uma disciplina que beneficia outras áreas da vida. Para aqueles que querem trilhar esse caminho, a sugestão é que comecem a aumentar gradativamente a sua contribuição, até atingir o padrão do Antigo Testamento… e então ir além dele.


Texto de Alderi Souza de Matos / Fonte:
Olhar Reformado (Via Evangelicool)