Domingo, Novembro 22, 2009

Geração que dança, e daí?

“E seremos a geração que dança. E seremos a geração que canta.” E daí? Grande coisa. Vamos ser honestos, quem sonhava com isso? Eu não. Sei lá, mas eu sonhava com algo tipo missões, ganhar almas, marcar minha geração, morrer pelo evangelho. Pode me chamar de José se quiser, o sonhador, não me importo, pois não coloco muito valor na palavra, ou melhor, na crítica de alguém que depois de muitos anos ainda está tentando pular como um coelho nas conferências realizando seu sonho de ser a geração que canta e dança. Deus me livre!

Eu acho que a coisa que mais me irrita hoje, além do lixo sendo pregado nos púlpitos, é que foi isso que nós vendemos para uma geração; uma geração que está agora casada, barriguda, e que nem dança mais, pois tem medo de enfartar. Caraca, o que aconteceu? Onde nós erramos? Era tanto potencial e disposição e agora é “comunhão na casa de Fulano”.

Quando era para enviarmos eles, nós seguramos, pois queríamos o grupo maior da cidade.
Eles queriam ser missionários, então ensinávamos umas peças, pintávamos seus rostos e os levavámos para a praça mais perto para que pudessem ser completamente humilhados e nunca falar de missões de novo. Só pra saber, “Aquilo era missões?”.

E agora tem entrado uma nova geração e nós estamos cometendo os mesmos erros e pecados. Quando olhamos para os jovens da igreja, é obvio que temos falhado em capturar seus corações e imaginações. Nós temos falhado em dar a eles uma razão de viver, uma causa pelo que dar as suas vidas. Nós temos falhado em mostrar algo a eles tão importante que vale a pena morrer por ele.

Quando você olha nos seus olhos não há fogo, não há vida. Vida para eles é quatro horas na frente do computador batendo papo com seus amigos virtuais. Mas eles não têm nada que queima no coração deles, que lhes façam sair da cama de manhã, que lhes possua. Eles não têm nada pelo que viver e bem menos nada pelo que morrer.

Nós falávamos para eles que Deus queria usá-los e depois os fechamos em prédios com bandas, pizza e luzes coloridas para gastar a noite dançando e cantando enquanto o mundo lá fora está passando fome, morrendo e indo para o inferno. Será que era a isso que estávamos referindo quando falávamos que “Deus queria usá-los”? Será que não tem mais? E se eles mostram uma preocupação com aqueles fora da “terra protegida”, nós falamos que não são preparados, que sua hora vai chegar. Por enquanto, é festa e alegria. Pegue mais um pedaço de pizza.

Nós falávamos para eles que podiam mudar o mundo enquanto eles nem sabem como mudar as suas próprias vidas. E em vez de confrontá-los pela maneira que vivem e seus valores, nós mudamos a estrutura da igreja para acomodá-los. Nós criamos “namoro santo” e colocamos “play stations” na sala de oração. Mas, não muito tempo depois, a nossa estrutura não os satisfazia mais. Em vez de treiná-los, nós os temos entretido. Em vez de desafiá-los, nós os acomodávamos e acabávamos frustrando-os e perdendo-os, pois a verdade é que não era isso que eles queriam.

Cada geração precisa de uma bandeira pra levantar, uma causa pra abraçar, algo para dar as suas vidas, mas em algum lugar no caminho somente Jesus e a salvação deixaram de ser suficientes. Somente alcançar os perdidos parecia ser algo comum demais. Então, nós começamos falar em milagres e mortos ressuscitando. Nós tentamos criar coisas melhores, mais barulhentas, mais animadas, projetos que íam no fim fazer nada mais do que ocupar seu tempo e os fazer pensar que estavam fazendo algo enquanto não estavam realizando nada. Nós críamos uma geração que canta e dança, mas não faz nada mais do que isso, e eles sabem disso. Ninguém foi enganado e eles ainda estão tentando se descobrir e achar seu propósito, sua razão de viver, e morrer.

Preguiçoso, desinteressado, não produtivo: termos que muito bem podem ser usados para descrever essa geração que uma vez tinha esperança em ser usada e marcar o mundo. Mas, por quê? Por que nós não demos nada pra eles fazerem de verdade. E vamos ser honestos, esperar é ruim. É agora ou nunca. Nós os desafiamos agora, nós os treinamos agora, nós investimos neles agora, ou nós os perdemos para sempre.

• 75% dessa geração estão deixando a igreja para não voltar mais.

Considere isso uma carta de um velho que chora para a juventude, que lamenta tanto potencial perdido, que quer pedir seu perdão.

Pr. Jeff (Via Geração Benjamim)

Sábado, Novembro 21, 2009

Não quero ter que voltar ao primeiro amor


Não quero ter que voltar ao primeiro amor
Pois não pretendo deixá-lo passar
Me recuso a chamar-Te "Senhor, Senhor!"
Sem de fato atender Teu chamar

Eu prefiro não ter que pedir perdão
Nem ter razão pra me arrepender
Mas se eu ferir o Teu coração
À Tua Graça vou recorrer

Que meu amor por Ti aumente mais e mais
Pois só em Ti encontro tudo que me satisfaz

Que jamais me atreva a olhar atrás
O que minh'alma almeja é ser aquele que Te apraz

Não me importo com o que digam
pra mim tanto faz
Que os que me persigam
um dia acolham Tua paz

Senhor, Senhor, Senhor
Batiza-me no Teu Amor!
Senhor, Senhor, Senhor
Não quero Lhe causar mais dor

Autor: Hermes C. Fernandes em 21/11/2009

Cuidado com a cabeça! O bumerangue sempre volta!

Recentemente tive a oportunidade de comprar um bumerangue por uma pechincha, numa garage sale*. Pra quem não conhece, o bumerangue é uma espécie de arma usada pelos aborígenes da Austrália para caçar cangurus. Sua característica principal é que ele sempre volta contra quem o arremessou. Se o caçador não tiver habilidade para pegá-lo de volta, poderá sair machucado com um golpe na cabeça.

Apreciando a beleza do bumerangue (muito parecido com o da foto), lembrei-me de um episódio ocorrido há pouco mais de dois anos.

Estava em meu gabinete na igreja que pastoreei
no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, quando soube que um pastor conhecido meu desejava falar comigo. Qual foi minha surpresa quando deparei-me com alguém que já não via há cerca de vinte anos.

Ao entrar em meu gabinete, aquele homem se pôs de joelhos e com lágrimas rogou o meu perdão.

Naquele instante, minha mente viajou no tempo, e lembrei de algo de que eu preferia esquecer para sempre.

Era um domingo no ano de 1986. Eu era presidente estadual da mocidade da denominação da qual meu pai era o líder estadual e vice-presidente internacional. Naquela manhã de Santa Ceia, quis fazer uma surpresa ao meu pai, e fui para a praça próxima da igreja, interceptar os jovens para que entrassem juntos na igreja numa apresentação especial.

Ao sentir minha falta, meu pai perguntou por mim ao microfone. "Onde está meu Hermes?" (Era assim que se referia a mim). Esse pastor dirigiu-se ao meu pai, e contou que eu estava lá fora namorando enquanto o culto transcorria.

Mentira! Eu estava reunido com os jovens.

Sem pensar duas vezes, meu pai disse:

- Meus irmãos, a lei começa em casa. Se meu filho Hermes não estiver aqui em cinco minutos, ele será suspenso de comunhão e das demais atividades da igreja.

Quando disse isso, eu já estava me aproximando da igreja, e alguém foi correndo ao meu
encontro me avisar. Entrei correndo pela igreja, mas por estar muito cheia, com os corredores lotados, tive dificuldade de me aproximar do púlpito. Enquanto ainda caminhava, meu pai anunciou:

- Como meu filho não me atendeu, anuncio que a partir de agora ele está suspenso por três meses. Não posso admitir que ele esteja lá fora namorando durante o culto.

Naquele instante, todos os pastores que lá estavam, quase trezentos, se puseram de pé e começaram a aplaudir. Tudo isso na frente de quase três mil pessoas.

Foi um dos piores dias da minha vida.

Saí de lá chorando muito. Na saída encontrei minha namorada, e sem explicar nada, tomei-a pela mão e saímos em direção à estação de trem do bairro vizinho.

Naquela época, muito apostaram que eu me afastaria da igreja. Mas em vez disso, foi o período em que mais me apeguei a Cristo.

Tive que deixar a liderança da juventude, o ministério de louvor, e passar a frequentar a igreja como uma pessoa comum, sem nem ao menos poder comungar.

Aprendi a duras penas que a melhor coisa a fazer quando se é injustiçado é calar-se. Quem advoga sua própria causa, está usurpando o lugar de Cristo, nosso Advogado.

Jamais poderia supor que aquela experiência estava me preparando para situações muito mais complicadas, em que eu seria acusado injustamente, e pessoas que diziam me amar passariam a me caluniar.

Vinte anos se passaram. E agora o homem que inventou aquela calúnia estava diante de mim, de joelhos dobrados, rogando o meu perdão.

Seguindo o mandamento de Jesus, perdoei-o prontamente, sem sequer lhe pedir qualquer explicação ou reparação.

Na verdade, já o havia perdoado muito tempo atrás. Não carregava aquela peso comigo. Porém, este perdão só lhe seria manifesto quando houvesse arrependimento.

Foram necessárias duas décadas até que ele se sentisse apto a demonstrar arrependimento.

Segundo ele, já não era possível lidar com aquela culpa por mais tempo. Mesmo sendo um homem extremamente carismático, seu ministério ficou comprometido todos esses anos por causa de uma mentira.

No início, seu ministério pareceu deslanchar, fazendo com que ele rompesse com a antiga denominação e fundasse sua própria. Mas depois, as coisas começaram a desandar, porque aquela mentira ainda pesava contra ele diante de Deus.

Um dia a verdade vem a tona. Quem fez contra você, fará contra outros. Quem lhe foi infiel, acabará traindo a confiança de outros que hoje lhe dão os braços.

Não vale a pena carregar mágoas, ressentimento. Perdoe em silêncio e espere. Um dia o bumerangue volta pra quem o lançou. Ainda que demore, principalmente quando o bumerangue foi lançado com muita força, mas que ele volta, não tem dúvida... volta!

***

* Garage Sale é um costume muito comum aqui nos Estados Unidos, quando famílias resolvem se desfazer de algumas coisas, vendendo-em frente a garagem de suas casas. Sábado é o dia do Garage Sale. A gente encontra muita coisa boa, nova e barata. Alguns fazem Yard Sale, onde os produtos são expostos no jardim da casa. Outros fazem Moving Sale, quando abrem as portas de sua casa para vender até os móveis e eletrodomésticos, por estarem de mudança. Interessante que da outra vez que moramos aqui, as pessoas jogavam muita coisa boa fora, como computadores, TVs, brinquedos, móveis. Devido à crise acentuada que o País vem passando, em vez de jogar fora, os americanos estão preferindo vendê-las. Às vezes juntam vários vizinhos para fazer uma Garage Sale comunitária. Este bumerangue que talvez custasse 25 dólares numa loja, me saiu por míseros 2 dólares.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Que mundo maravilhoso do lado de fora!

Uma vez eu ouvi o pastor-professor Eugene Peterson fazendo reminiscências sobre uma excêntrica mulher chamada irmã Lychen. Quase toda semana, na igreja da infância de Peterson – que encorajava palavras proféticas – , essa frágil mulher se levantava e dizia algo desse tipo: “O Senhor me revelou que eu não verei a morte até que ele retorne em glória para me levar ao seu encontro no ar”.

Um dia, para o desespero de Eugene, sua mãe o chamou para fazer um lanche de biscoitos caseiros na casa da irmã Lychen. Trêmulo, Eugene bateu à porta. A própria irmã Lychen, com a pele pálida, cheia de veias, e um rosto esquelético, o convidou para experimentar os biscoitos. Ela lhe serviu um copo de leite, e o garoto comeu nervosamente os biscoitos em quase total escuridão – a irmã Lychen mantinha suas cortinas fechadas o dia inteiro.

Depois, Peterson disse, ele teve uma fantasia. Ele se viu correndo para dentro da casa da irmã Lychen e arrancando todas as cortinas. “Olha lá para fora!”, ele chorava. “Veja, tem um álamo ali, e uma águia no topo dele”.

Foi esse mundo completamente bom do lado de fora, mais do qualquer outra coisa, que me trouxe de volta à fé cristã. Eu vim de uma infância com uma imagem distorcida de Deus: um superpolicial carrancudo que parecia esmagar quem estivesse vivendo bons momentos. Desde então, eu passei a conhecer Deus como um caprichoso artista que preenche o mundo com criaturas como porcos-espinhos, jaritatacas, e javalis, e que presenteia o mundo com flores silvestres e peixes tropicais mais belos que qualquer invenção artística exposto em qualquer museu de arte.

Francis Collins, fundador e diretor do Projeto Genoma Humano, vê a mão de Deus na imensa dupla hélice do código de DNA. A autora vencedora do prêmio Pulitzer, Annie Dillard, vê isso nas criaturas que nadam e mergulham no rio Tinker Ceek, nas montanhas de cume azul da Virgínia. De escritores naturalistas como John Muir, Henri Fabre, Loren Eiseley, e Lewis Thomas, eu adquiri a apreciação por um Artista Mestre em quem eles podem até não acreditar; suas observações precisas e reverentes me ajudaram a abrir as cortinas para mim.

Eu conheci um pastor no Barein que pode identificar pela visão 2.000 espécies de conchas, e um missionário na costa rica que reuniu uma coleção de espécies de todo o mundo de borboletas e mariposas. O historiador da igreja Mark Noll observa que a canção “Turn Your Eyes upon Jesus” falha plenamente ao dizer, “E as coisas da terra crescerão, estranhamente ofuscarão / Na luz da Sua glória e graça”. Não, ele diz, o resto do mundo cresce claramente, e não de forma obscura, na luz de Cristo. Deus criou a matéria; em Jesus, Deus se uniu a ela.

Nós temos exemplos bíblicos do povo de Deus contando com recursos que estão além dos muros da igreja. Em uma história registrada em 2 Reis, a cidade de Samaria está sitiada e passando por uma escassez mortal. Desesperados, desterrados leprosos arriscaram suas vidas indo além dos muros em busca de comida. Eles têm uma visão incrível, restos de um exército que havia sido devastado, e trazem de volta os suplementos abandonados para que os israelitas escondessem dentro da cidade. Algumas vezes nós temos que sair da igreja para adquirir inspiração e alimento. De forma semelhante, Agostinho de Hipona escreveu sobre os israelitas que usaram ouro egípcio para construir o tabernáculo de Deus.

O japonês-americano Mako Fujimura se deparou com uma oportunidade incomum no rastro do desastre do World Trade Center. artista de nível mundial e pensador cristão, Mako mora alguns quarteirões depois do Grau Zero, num bairro povoado por artistas. Depois do 11/09, com muitos artistas fechando suas casas e estúdios, Mako abriu um estúdio público e o dedicou como um oásis de colaboração dos artistas do Grau Zero.

Nessa época, muitos artistas estavam produzindo trabalhos que pretendiam chocar, a maioria cheia de obscenidades e violência. De repente, a realidade superou a criatividade: o que aconteceu no próprio bairro deles era muito mais obsceno e violento do que tudo que eles já imaginaram. Na segurança do estúdio de Mako, esses artistas redescobriram outros valores – beleza, humanidade, bondade – e seus trabalhos começaram a refletir isso. Gretchen Bender, um artista vanguardista que trabalhou para “decodificar o gênero e a sexualidade” começou fazendo um tipo diferente de criação. Ela dobrou centenas de origamis brancos em formato de borboleta e os arrumou em um belo formato, inspirado em um vôo real de borboleta depois de ela ter enfrentado dias como o 11/09. Gretchen chamou isso de o “momento da ressurreição”.

Por seis meses, os artistas fizeram exibições, performances teatrais, recitação de poemas e orações conjuntas nesse seguro local. Como Mako comentou mais tarde, “Nossa capacidade imaginativa acarreta a responsabilidade de trazer cura, tanto quanto ela acarreta a responsabilidade de representar a angústia”. A igreja certa vez se candidatou a administrador da cultura, seu patrono e também como seu guia. Se nós ignorarmos o mundo fora das nossas paredes, nós sofreremos mais do que seus habitantes.

Texto de Philip Yancey (via Cristianismo Hoje)

Deus Negro

Este poema, que conheci quando tinha meus dez anos, me marcou profundamente, me ensinando que o Cristo que celebramos é o Deus de todas as cores, etnias, raças e culturas. Neste dia em que comemoramos a Consciência Negra, gostaria de dedicá-lo à todos que têm sido vítimas de qualquer tipo de preconceito, não apenas racial, mas também social, religioso ou de gênero.

Lembrando que em Cristo, todos os muros separatistas ruíram, e que homens e mulheres, brancos, negros e mestiços, empregados e patrões, índios e ameríndios, sacerdotes e leigos, somos todos iguais. Diferentes na cor da pele, ou nos papéis que desempenhamos, mas iguais em dignidade perante Deus e nossos semelhantes.


Deus Negro

Eu, detestando pretos,
Eu, sem coração!
Eu, perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!

Eu, você, nós...nós todos,
cheios de preconceitos,
fugindo como se eles carregassem lodo,
lodo na cor...
E, com petulância, arrogância,
afastando a pele irmã.

Mas,
estou pensando agora,
e quando chegar minha hora?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas,
se eu chegasse lá e um porteiro manco,
como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta,
e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei?
Se a sua mão tateasse pelo trinco,
como as mãos do cego que não ajudei?
Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei ?
Se uma criança me tomasse pela mão,
criança como aquela que não embalei,
e me levasse por um corredor florido, colorido,
como as flores que eu jamais dei?
Se eu sentisse o chão frio,
como o dos presídios que não visitei?
Se eu visse as paredes caindo,
como as das creches e asilos que não ajudei?
E se a criança tirasse corpos do caminho,
corpos que eu não levantei
dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos,
que era vagabundagem, mas era fome?

Meu Deus!
Agora me assusta pronunciar seu nome.
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei,
ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei,
ou da mãe que não amei?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?

E, no fim do corredor, o início da decepção.
Que raiva, que desespero,
se visse o mecânico, o operário, aquele vizinho,
o maldito funcionário, e até, até o padeiro,
todos sorrindo não sei de quê?
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.

Deus não está vestido de ouro. Mas como?
Está num simples trono.
Simples como não fui, humilde como não sou.

Deus decepção.
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
sem aquela imponente classe.

Deus simples! Deus negro!
Deus negro?

E Eu...
Racista, egoísta. E agora?
Na terra só persegui os pretos,
não aluguei casa, não apertei a mão.

Meu Deus você é negro, que desilusão!

Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada.

Meu Deus você é negro, que decepção!

Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?

Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate,
aquele que expulsei da frente de casa?

Deus, pregaram você na cruz
e você me pregou uma peça.
Eu me esforcei à beça em tantas coisas,
e cheguei até a pensar em amor,

Mas nunca,
nunca pensei em adivinhar sua cor.

Autor: Neimar de Barros

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Por dentro temos todos a mesma cor!









Amanhã, Dia da Consciência Negra, a REINA - Igreja do Futuro estará promovendo mais uma edição do DIA DOS BRAÇOS ESTENDIDOS. Na última edição feita em Abril, mais de cem pessoas atenderam ao nosso chamado, e compareceram na HEMORIO, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, para doar sangue.

Quem reside no Rio, ou na Região Metropolitana, está convidado a participar deste gesto de amor ao próximo.

Encontre-se com nosso grupo amanhã, sexta-feira, às 9h. da manhã.


Celebrando as diferenças

A terrível doença dos que não suportam as diferenças

Procusto, segundo a mitologia grega, era um famoso salteador que agia entre Mégara e Atenas. Atacava os viajantes, despojava-os de seus bens e submetia-os a cruel suplício. Forçava-os a se deitarem em um leito que nunca se ajustava ao seu tamanho. Cortava as pernas dos que excediam a medida e, por meio de cordas, esticava os que não a atingiam. Ficou conhecido como "aquele que estende". Essa faceta trágica por trás de uma "hospitalidade" ilusória ainda é encontrada em muita gente na conturbada atualidade.

O mal de Procusto é encontrado nos esforços para anular todas as diferenças. É preciso entender que existem diferenças que podem e precisam ser, equilibradamente, celebradas. Infelizmente, grande parte da igreja hodierna carrega neuroses em relação ao diferente. É comum encontrarmos pessoas estigmatizadas por suas diferenças: mães solteiras, viúvas, pobres, ou até mesmo, as diferenças geradas pelas guerras das denominações, o conflito imposto pelos adeptos de "novas" visões, das teologias asfixiantes do legalismo. Diferenças que geraram traumas, marcas profundas, feridas na alma.

A base para a celebração das diferenças está no respeito, na ética que eleva o outro e o recebe como amigo na alma. Existem diferenças fundamentais que precisam ser combatidas por causa do mal que trazem, como por exemplo, a mentalidade racista, preconceituosa, os desvios de caráter que podem comprometer a saúde da alma. Diferenças letais. Não são essas diferenças doentias que quero abordar, mas as sadias, aquelas que nos conferem singularidade, e por isso mesmo estão sendo novamente roubadas pelo mal de Procusto.

Procusto hoje é o radicalismo do "é assim que é, e pronto!" É a tendência de "esticar e cortar" o que destoa do meu modo de ver a vida até que o indivíduo tenha a cara que eu quero. Quando a igreja age assim, adultera o sentido bíblico do Cristo - ele celebrava as diferenças! Basta olhar o grupo de discípulos que ele escolhe: de trabalhadores a cobrador de impostos, gente das diferenças. Gente escolhida não por ser uma eterna igualdade da massa informe, mas por ter a capacidade de ser-quem-é.

Na atualidade, há uma gama enorme de pessoas marcadas, gente com uma história de dor pra contar. Essas pessoas foram à igreja em busca de abrigo e descanso para a alma, mas encontraram a terrível cama de ferro do legalismo e o Procusto das teologias ditatoriais. Deus não instituiu uma máfia eclesiástica, Ele instituiu uma igreja - gente simples celebrando as diferenças em amor.

A igreja é feita das diferenças. Famílias diferentes, de lugares diferentes, com problemas diferentes - ninguém é igual. O que precisamos aprender com Cristo - o Mestre da sociabilidade - é a virtude de enxergar o outro como irmão e ajudá-lo a crescer independentemente de sua formação, posição social (o lixo das diferenças de classe) ou a cor da pele. A igreja pode celebrar as diferenças porque Cristo as celebra.

Procusto, segundo a mitologia, foi morto por Teseu, que infligiu-lhe o mesmo martírio que ele infligia às pessoas. O que aprendemos aqui é que a "Lei da Semeadura" (o que plantarmos, colheremos) também se aplica a esse comportamento. Aqueles que atropelam as diferenças serão atropelados por elas mais tarde.

Que Deus nos ajude a celebrar diferenças, a "suportar uns aos outros em amor" (Ef.4.2), e crescer em unidade, intimidade e carisma. Somente assim poderemos ganhar as nações para o abraço de Cristo.
Até mais...

Texto de Alan Brizotti (Título original: O Mal de Procusto).

Nosso Deus é carente ou narcisista?

Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos? Seria isso um tipo de narcisismo divino? Absolutamente, não!

Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.

Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 24 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.

As Escrituras
dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de "Homem segundo o coração de Deus"?

E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?

As mesmas
Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolos pop.

Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.

E quanto ao louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.

Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.

Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Por que os enganadores prosperam?

Pronto! Resolvi botar a boca no trombone! Chega de tentar tapar o sol com a peneira. A verdade tem que ser dita, doa a quem doer.

Por que os falsos prosperam? Por que os mentirosos se gabam de suas conquistas? Onde está Deus que não faz cair um raio na cabeça desses miseráveis?

Haveria algum propósito nisso? E quanto às milhares de vítimas desses charlatões?

Que unção seria esta que atrai tanta gente? Por que Deus os permite crescer tanto? Por que temos que suportá-los enquanto se esnobam em suas aquisições?

Convido-os à uma breve incursão nas Escrituras em busca de respostas para tais questões.

Paulo diz que havia tempo em que as pessoas não suportariam a sã doutrina, mas "tendo coceira nos ouvidos", se cercariam de mestres "segundo as suas cobiças" (2 Tm.4:3).

Eis o pulo do gato desses obreiros da iniquidade! Eles dizem o que o povão quer ouvir. Por isso atraem tanta gente.

O que as pessoas querem ouvir hoje em dia? Garanto que não estão interessadas em assuntos como arrependimento, santificação, renúncia, cruz, dar a outra face, caminhar a segunda milha. Não! Elas querem é restituição, arrepio, emocionalismo barato, conquista, prosperidade.

Quem quer que diga o que elas almejam ouvir, certamente obterá sucesso em seu ministério.

E mais: querem sair dos cultos com seu ego massageado. Buscam pastores que os acaricie com bajulações, amor hipócrita, elogios.

Ninguém quer compromisso com a verdade, mas com o último modismo. Quer encher a igreja em tempo record? Fácil! Ou entra numa de fazer essas campanhas loucas, sem pé nem cabeça, ou dana a convidar cantores e bandas gospel famosos, empurrando um monte de CD para que os irmãos ajudem a pagar os altos cachês que eles cobram. E assim a famigerada indústria gospel vai sendo alimentada. Louvor e adoração são confundidos com oba-oba. E adivinha quem paga a conta?

Definitivamente, não querem a Verdade! Preferem ser enganadas (desde que seu ego sai intacto!).

Então, Deus lhes dá o que pedem! Isso mesmo que você leu.

Paulo denuncia o ministério da iniquidade, e diz que sua operação e êxito são "segundo a eficácia de Satanás". Alguém ainda duvida que Satanás seja eficaz? Tal eficácia se revela "com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem". Agora, redobre sua atenção: "Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts. 2:9-12).

À luz deste texto, podemos dizer que as inúmeras pessoas enganadas por tais ministérios não são apenas vítimas, mas sobretudo, cúmplices. E os falsos mestres nada mais são do que juízo de Deus sobre eles.

Acham que podem barganhar com Deus... então, tomem sacrifício, fogueira santa, encontro tremendo, monte Sinai, amuletos, e por aí vai...

Alguns são até certinhos em se tratando de doutrina, mas suas motivações são excusas, nojentas, interesseiras. Judas os denuncia, dizendo: "Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências, cuja boca diz coisas muito arrogantes, bajulando as pessoas por motivos interesseiros" (Jd.16).

Estes se queixam de seus líderes, passando a idéia de que estão sendo perseguidos e injustiçados na denominação, para ganhar o coração dos incautos, fazendo-os sentir pena deles, e ódio de seus líderes. Esta estratégia visa preparar o caminho para uma eventual divisão. Queixam-se de uns, enquanto bajulam outros.

São inescrupulosos! Fazem negócio em cima do rebanho que lhes fora confiado. Miseráveis! Deus os destruirá!

Confesso que eu preferia que eles se vissem pregando só para os bancos. Mas a Bíblia é clara: "E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade. Por ganância farão de vós negócio, com palavras fingidas. Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme" (2 Pe.2:2-3).

Quantos estragos estes lobos cruéis têm feito em famílias inteiras! Querem se meter até onde não são chamados. Estes são "os que se introduzem pelas casas" (2 Tm.3:6). Casamentos têm sido destruídos por causa de seus ensinos. Filhos preferem obedecer e honrar a eles do que a seus pais.

Apelo aos apologetas de plantão que não dêem trégua a esta raça maldita. Atentem para a admoestação de Paulo: "É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (Tt.1:11).

Tudo quanto fazem envolve dinheiro. Querem mais, mais e mais. Seu deus é o ventre! Não se contentam com o que têm, e acham que o sucesso ministerial se mede pela ostentação.

Ufa! Eu tinha que dizer tudo isso. Estava entalado.

O que me consola é saber que o tempo do juízo de Deus sobre eles se avizinha.

Paulo nos garante: "Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesta a sua insensatez" (2 Tm.3:9). E mais: Os enganadores "irão de mal a pior, enganando e sendo enganados"(v.13).

Até os sinais que acontecem em seus ministérios são juízo de Deus, para que sejam mantidos em seu engano. Tudo quanto estão plantando, hão de colher. Toda dor que provocaram, hão de sentir na própria pele.

E sabe por quê?

"De Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl.6:7).

Overdose de Deus

Há um tema sempre reincidente nos louvores atuais: “Mais de Deus”. Se por um lado, temos a impressão de que as pessoas estão realmente se interessando pelas coisas celestiais, a ponto de não se contentarem com uma espiritualidade rasa, por outro lado, corremos o risco de achar que a obra realizada por Deus em Cristo ainda não foi consumada.

Cantamos que “o melhor de Deus ainda está por vir”. Mas o que queremos dizer com isso? Se estamos declarando com isso que o Espírito Santo nos conduz sempre a uma glória maior, tudo bem. De fato, o melhor sempre está por vir. Porém, temos que cuidar pra que não haja um mal entendido. Pois o “Melhor de Deus” já veio, e Se chama Jesus Cristo. Num certo sentido, quem espera que o melhor de Deus ainda venha são os judeus, que rejeitam Jesus como o Messias prometido.

Definitivamente, Jesus é o Melhor de Deus. Ele poderia ter enviando um anjo, mas em vez disso, enviou-nos Seu único Filho. Alguém ainda se atreve a dizer que o Melhor de Deus ainda está por vir? E mais: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Rm.8:32). Tudo o que por ventura desejássemos da parte de Deus, já está incluído em Jesus. Precisamos de mais?

É razoável insistirmos em querer mais de Deus?

Depois de orar por três vezes pedindo que se lhe fosse removido um espinho da carne, Paulo ouviu do Senhor a resposta: “A minha graça te basta” (2 Co.12:9).

Ora, se a Graça é o suficiente, por que continuamos a querer mais?

Tornamo-nos uma geração de crentes insaciáveis, sempre em busca de uma dose mais forte da presença de Deus. Parecemos dependentes químicos, que sempre buscam uma droga mais forte. Começam com um baseado, e quando esse já não faz o mesmo efeito, passam pra uma droga mais forte, até sofrerem uma overdose.

A última pesquisa feita pelo IBGE aponta que quase 50 milhões de brasileiros são desviados de igrejas evangélicas. Gente que não aprendeu a se contentar com a Graça, e acabou sofrendo uma overdose espiritual. A busca frenética por um êxtase espiritual produz um desgaste emocional, que pode resultar num desapontamento e eventual afastamento da igreja.

Muitos buscam uma porção extra do Espírito Santo, baseados na experiência de Eliseu, que recebeu “porção dobrada” do Espírito que havia sobre Elias. Entretanto, vivemos sob a égide da Nova Aliança, onde recebemos “a plenitude em Cristo” (Cl.2:10). Deus nos dá do Seu Espírito sem medida (Jo.3:34). Portanto, não há porções adicionais.

No momento em que ouvimos a Palavra da Salvação, tendo n’Ele crido, fomos “selados com o Espírito Santo da promessa”( Ef.1:13).

Não há qualquer razão pra que um crente em Jesus esboce uma sede insaciável por Deus. Davi, o grande salmista, tinha razão em dizer que sua alma tinha sede de Deus, pois o Espírito Santo ainda não havia sido dado. Porém, agora, tal sede é inadmissível. Foi Jesus quem garantiu: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo.4:14).

Fomos saciados n’Ele!

Em vez de focarmos nossos sentimentos, buscando uma nova experiência, deveríamos focar naqueles que ainda não beberam da água da vida.

“O Espírito e a noiva dizem: Vem. Quem ouve, diga: Vem. Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap.22:17).

Esta passagem tem sido mal interpretada, como se o Espírito e a Noiva dissesse a Jesus: “Vem!”. Mas basta ler a seqüência do verso pra verificar que o assunto é outro. O convite feito pelo Espírito e pela Noiva (a Igreja) não é endereçado a Jesus, mas aos sedentos deste mundo.

Mas como podemos convidar as pessoas para se saciarem em Cristo, se nós mesmos dizemos que ainda não fomos saciados?

Paulo testifica que “a todos nós foi dado beber de um só Espírito”(1 Co.12:13). Só uma igreja saciada tem condição de convidar o mundo pra que venha saciar-se.

Deveríamos fazer como a Samaritana, que “deixando o seu cântaro, foi à cidade e disse ao povo: Vinde, vede...”(Jo.4:28).

O problema é que não queremos abandonar nosso cântaro. Achamos que nossa busca ainda não se encerrou. Pensamos: Jesus deve estar escondendo alguma coisa de nós! Vamos insistir até que Ele resolva nos atender, e nos dar aquela porção extra que Ele tem guardado só pra Si. Infelizmente, esse parece ser o raciocínio de muitos.