quarta-feira, setembro 11, 2019

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QUEM SÃO NOSSOS INIMIGOS?



Por Hermes C. Fernandes

Disseram-nos que os inimigos eram os índios. Tomamos-lhes as terras e os exterminamos.

Disseram-nos que os inimigos eram os comunistas. Dividimos o mundo em dois: nós e eles. Vivemos décadas na expectativa de que o mundo acabasse numa guerra nuclear.

Disseram-nos que os inimigos eram os árabes. Pusemos na conta deles o maior atentado terrorista da história. Invadimos seus países. Matamos inocentes. Roubamos seu petróleo. Tudo do que precisávamos era de uma boa justificativa para saciar nossa ganância.

Estão dizendo que os inimigos são os refugiados e imigrantes, porque supostamente roubam nossos empregos, ameaçam nossa cultura e representam um enorme gasto ao estado. Será que não percebem que eles são efeitos colaterais de tudo que foi dito antes?

Estão dizendo que os inimigos são os LGBT’s. Inimigos da família, dos bons costumes, da moral cristã. E hoje, somos o país que mais mata LGBT no mundo. Os púlpitos de nossas igrejas estão cobertos pelo sangue desta população tão desprezada. Cada discurso de ódio travestido de piedade cristã é munição para quem só precisa de licença para matar.

Estão dizendo que os inimigos são os adeptos de religiões de matriz africana. Demonizamos sua cultura, seus ritos, seus deuses. Invadimos e destruímos seus terreiros. Tudo para justificar nosso racismo idiota.

Não permita que eles digam a quem você deve odiar, nem lhes dê procuração para exterminá-los como se fossem seus inimigos.

O alvo agora são eles. Amanhã poderá ser você.

Qualquer um cuja existência ameace emperrar a máquina será combatido até que seja varrido do mapa. Nunca pouparam ninguém. Você não será exceção.

Quando perguntado por um jovem mestre da lei sobre a quem deveria amar, Jesus contou uma parábola sobre um moribundo que foi ajudado justamente por aquele a quem ele havia aprendido a odiar: um samaritano.

Como diria Mandela, ninguém nasce odiando. Se o ódio é aprendido, o amor também o é.

terça-feira, setembro 10, 2019

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Os filhos do "dane-se!"



Por Hermes C. Fernandes

É notável a ausência da tribo de Dã, uma das mais importantes tribos de Israel na lista apresentada em Apocalipse. Por que razão, justamente a tribo de proveniência dos magistrados foi deixada de fora da lista das que receberam o selo de Deus? Acredito piamente que a ausência dessa tribo tenha um propósito e contém um aviso para nós, a igreja, povo de Deus na Nova Aliança. No lugar de Dã, aparece na lista a tribo de Manassés, um dos filhos de José, adotado, juntamente com Efraim, por Jacó.

A Tribo de Dã (דָּן "Juiz") é uma das tribos de Israel fundada por Dã, filho de Jacó e de Bila, sua concubina.[1]  O símbolo que aparece no estandarte de Dã é uma serpente, o que causa certa estranheza, já que este animal é considerado um símbolo do mal na tipologia bíblica. Porém, há uma razão histórica para isso e que se encontra na bênção proferida por seu pai Jacó, antes de sua morte.

“Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás.” Gênesis 49:16,17

Segundo as palavras proféticas do patriarca de Israel, Dã seria a tribo que forneceria a Israel os seus magistrados. Portanto, seus membros seriam dotados de uma capacidade especial de discernir, avaliar e julgar. Todavia, tal habilidade acabaria por se corromper, como aconteceu, por exemplo, com Sansão, um dos mais notáveis juízes de Israel proveniente de Dã. O libertador de Israel teve um fim trágico após se tornar cativo da beleza de uma mulher manipuladora e interesseira chamada Dalila. 

Jacó também diz que Dã seria serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. Em outras palavras, dentre as tribos de Israel, Dã personificaria o próprio diabo, também chamado em Apocalipse de “a antiga serpente” e de “o nosso acusador.” Aquela tribo que deveria exercer a justiça de maneira imparcial, abdicou-se de sua magistratura para atuar como promotora de acusação.[2] E assim, Dã se tornou numa força desagregadora em Israel. Aliás, o termo diabo significa “aquele que divide.”

Dã representa para nós os que não se importam com a dor e o dano que provocam na vida de outros através de seus juízos condenatórios. A expressão que cabe bem nos lábios de quem adota tal postura é “dane-se!” E justamente por condenar os outros à danação, eles são excluídos dentre os que recebem o selo de Deus que os protege de sofrerem qualquer dano.

Aliás, é este selo que nos coloca “fora da vista da serpente”, tornando-os imunes às suas acusações do diabo. Em Apocalipse 12:14, este selo aparece em forma de asas de uma grande águia, que são dadas à mulher que ali representa a igreja, para que voasse para o deserto, onde experimentaria a provisão de Deus e seria mantida fora do alcance do bote da serpente.

Apesar de não conseguir nos acusar mais diante de Deus, o diabo tem como aliados os novos filhos de Dã, aqueles que emprestam seus lábios para nos acusar diante dos homens.
Se os tais filhos de Dã fossem mantidos na lista, ao chegarem à glória excelsa, tornariam o céu em um inferno. Não é em vão que Tiago nos admoesta: “Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno (...) É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.”[3]

Embora não constem da lista dos selados por Deus, eles constam de outra lista apresentada por Salomão:

“Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.” PROVÉRBIOS 6:16-19

Como serpentes, agem traiçoeiramente, destilando seu veneno, levantam suspeitas infundadas e lançam uns contra os outros. Em vez de ajuntar, só fazem espalhar. Em vez de agregar, desagregam.

Se fomos selados por Deus de modo a ficarmos fora da vista dessas serpentes, como poderiam nos atingir? Repare bem no que diz Jacó ao proferir suas palavras proféticas para Dã e perceba o seu modus operandi. Como serpente, Dã fica à espreita, aguardando o momento de dar o bote. Como não consegue nos tocar, a serpente morde os calcanhares do cavalo para derrubar o cavaleiro “por detrás.” É sempre por detrás! Se não pode nos atingir diretamente, tenta nos atingir indiretamente. Se não pode atingir nossa pessoa, tenta atingir nosso ministério para descredibiliza-lo. Mordendo o cavalo, derruba o cavaleiro. Atingindo nossa reputação, mina a credibilidade de nosso testemunho. E por aí vai.

Este tipo de coisa causa ojeriza em Deus. Por isso, Salomão o chama de abominação.  Deus simplesmente abomina que procede como um filho de Dã.  Razão pela qual ele adverte: “Aquele que difama o seu próximo, às escondidas, eu o destruirei: aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não o sofrerei. Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo: o que anda num caminho reto, esse me servirá. O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.”[4]  Não é preciso excluir ninguém. A própria verdade faz a seleção, pois que ama as trevas, sente-se incomodado com a luz.

Sobra até para quem dá ouvidos às suas acusações e difamações: “A testemunha falsa perecerá, mas o homem que a ouve será destruído para sempre.”[5]  Não haveria tanto linguarudo, se não houvesse tanto orelhudo. Quem dá ouvido à difamação está sendo cúmplice do acusador.

O salmista diz que entre os que desfrutarão da presença de Deus para sempre está “aquele que anda em sinceridade e pratica a justiça, que de coração fala a verdade; aquele que não difama com a língua, nem faz mal ao seu próximo nem contra ele aceita nenhuma afronta.”[6] Não basta calar-se enquanto o outro espalha boatos para destruir um irmão, é necessário confrontá-lo, e tomar para si a afronta destinada a ele. Sentir-se afrontado pela afronta feita a um irmão se chama empatia. Calar-se é aceitar a injustiça, tornando-se cúmplice dela.

Toda vez que um “filho de Dã” vier falar mal de alguém sem que este esteja presente para se defender, pergunte-se a si mesmo, por que razão ele se sentiu tão à vontade de fazê-lo na sua frente. Que tipo de receptividade ele encontrou em você?

O Deus revelado em Apocalipse não ouve apenas orações. Ele também atenta para o que dizemos uns aos outros. Confira o que diz a Escritura:

“Então aqueles que temiam ao Senhor falaram uns aos outros, e o Senhor atentou e ouviu. Um memorial foi escrito diante dele, para que os que temiam ao Senhor e para os que se lembravam do seu nome (...) Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve.” MALAQUIAS 3:16, 18

A diferença entre justos e ímpios reside justamente aí. O justo encara a vida de seu semelhante como território sagrado, e não ousa adentrá-lo sem descalçar-se de qualquer julgamento ou presunção. O ímpio prefere largar um “dane-se” antes de emitir juízo condenatório.

Que sejamos contados entre os que foram selados, e que de nossa boca só proceda bênção, e não maldição, água doce, não amarga. E quanto aos “filhos de Dã”, não deixemos de amá-los, porém, não alimentemos suas intrigas e fofocas. Como bem advertiu Paulo, “há muitos insubordinados, faladores vãos e enganadores”, “é preciso tapar-lhes a boca, porque arruínam casas inteiras.”[7]  Alguns, não temem nem arruinar igrejas inteiras, sem se importar com a dano que isso causara às almas cuja salvação custou tão caro ao Filho de Deus.




[1] Gênesis 30:4
[2] Algo análogo ao que fora visto na história recente do Brasil, quando juízes se viram para além do bem e o mal, arrogando-se o direito de agir em conluio com procuradores para condenar sem provas por razões políticas e eleitoreiras.
[3] Tiago 3:5,6,8
[4] Salmos 101:5-7
[5] Provérbios 21:28
[6] Salmos 15:1-5
[7] Tito 1:10-11

terça-feira, agosto 27, 2019

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A VINGANÇA PERTENCE A DEUS?


Por Hermes C. Fernandes

"V de Vingança" é uma adaptação cinematográfica da série de quadrinhos de mesmo nome publicada pela DC Comics sob a sua marca Vertigo. Tendo Londres como cenário, o filme retrata uma sociedade distópica num futuro próximo, regida por um ditador fascista, bem ao estilo de Hitler, que usa e abusa de táticas de repressão como sequestros, torturas e assassinatos de quem se opõe ao regime. Com a mídia sob o seu controle, a censura impera e se estende por todas as formas de manifestação cultural, desde as artes à religião. É neste cenário caótico que surge a enigmática e carismática figura de V, o mascarado defensor da liberdade, disposto a vingar-se dos que o desfiguraram. V se dispõe às últimas consequências, inclusive explodir prédios públicos e fazer justiça com as próprias mãos. À serviço do sistema, a polícia empreende uma frenética busca para capturá-lo, antes que se deflagre uma revolução.

O personagem inspirou manifestações ao redor do mundo exigindo a queda de regimes totalitários e a prisão de políticos corruptos. É raro assistir a uma manifestação popular em que sua máscara não apareça em meio à multidão. De repente, o que era considerado uma vicissitude, passou a ser considerado uma virtude. Mesmo assim, não parece de bom tom atribuir a Deus um ato de vingança, assim como muitos encontram dificuldade em atribuir-lhe ira e castigo. Todos reclamam em uníssono da impunidade que impera no país, e sentem-se realizados quando veem uma figura importante do cenário político ou empr
esarial sendo presa, mas insistem na ojeriza à ideia de um Deus que puna. Afinal, dizem eles, como um Deus de amor poderia irar-se? Ou como um Deus misericordioso poderia castigar? Ou como um Deus que nos ensina a perdoar seria capaz de vingar-se? Mas, fato é que não faltam passagens nas Escrituras que atestam tais atributos. Já houve quem afirmasse, com base em passagens do Antigo Testamento, que o Deus ali revelado não seria o mesmo a quem Jesus chamava de Pai. Entretanto, o Novo Testamento está cheio de passagens que falam de ira divina, bem como de Sua vingança contra toda a injustiça praticada pelos homens.

À luz de uma boa teologia, nenhum desses atributos entra em choque com os atributos do amor, da misericórdia e do perdão. Aliás, eles deveriam nos soar como um incentivo para que fôssemos amorosos, misericordiosos e perdoadores. Repare, por exemplo, na recomendação de Paulo: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.”[1]

Portanto, não nos cabe vingar-nos, mas tão-somente amar e perdoar, deixando que Deus se encarregue de exercer o Seu juízo. Querer vingar-se é tomar o lugar de Deus. Obviamente, a vingança divina não é da mesma natureza da vingança humana, assim como a ira divina nada tem a ver com a ira humana. Nas palavras de Tiago, a ira dos homens não produz a justiça requerida por Deus.[2] A vingança humana costuma ser desproporcional, pois é motivada pelo ódio, pela mágoa, pelo rancor, bem diferente da vingança divina, motivada pelo amor. Isso mesmo! Por mais que soe estranho aos nossos ouvidos, a vingança divina é motivada pelo amor, assim como qualquer outro de Seus atributos morais. A vingança de Deus nada mais é do que a retribuição exigida por Sua justiça, e a Sua justiça é um exigência do Seu amor.

Quem busca fazer justiça com as próprias mãos nem sempre pretende dar uma punição justa, e sim causar sofrimento ao outro, porque é motivado pelo ódio. Um claro exemplo bíblico disso é o de Sansão que havendo sido trapaceado por alguns homens em uma aposta feita no dia de seu casamento, decidiu vingar-se, destruindo plantações e matando muita gente.[3] Qualquer leitor atento das Escrituras perceberá que o herói hebreu errou na mão. A vingança também pode ser dirigida contra a pessoa errada. Depois que Sansão causou toda aquela confusão, os filisteus resolveram se vingar na sua esposa e no seu sogro, que, definitivamente, não deveriam ser culpabilizados pela situação.[4] Fica claro que o que eles pretendiam era atingir indiretamente a Sansão, causando-lhe dor e prejuízo. Pessoas vingativas não se preocupam com os efeitos colaterais de suas ações, mesmo que inocentes sejam atingidos.

Como seguidores de Cristo, estamos desautorizados a nos vingar a nós mesmos. O máximo a que temos direito é a dar lugar à ira, isto é, à indignação pela injustiça. Entretanto, mesmo esta santa indignação não nos autoriza a odiar aos que nos injustiçaram. “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo”, diz o Senhor, “mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.”[5]

A melhor maneira de combater qualquer foco de ódio, rancor ou vingança em nosso coração é cultivando nossa confiança na justiça divina. Mesmo que pareça tardar, ela certamente não falhará. Ela segue sigilosamente, sem alarde, até o momento determinado por Deus para que se manifeste. “Acaso não guardei isso em sigilo? Não o selei em meio aos meus tesouros mais secretos?”, indaga o Senhor, “a mim pertence a vingança e a retribuição (...) Porque o Senhor fará justiça ao seu povo, e se compadecerá de seus servos!”[6]

De uma coisa podemos estar certos: Deus não está fazendo vista grossa aos desmandos dos que oprimem o Seu povo. Toda injustiça será retribuída. Por isso, Ele ordenou: “Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.”[7]

Somente Deus tem o direito à vingança porque só Ele é justo para dar a punição correta. Quanto a nós, temos que aprender a perdoar e a retribuir o mal com o bem.[8] Perdoar não é colocar panos quentes, fazer vista grossa ou dizer que a pessoa não mereça punição, mas deixar de fazer da punição uma exigência que vise saciar nossa sede de vingança. Quando perdoamos deixamos a punição a critério de Deus.

Se quisermos ter a certeza de que perdoamos, teremos que conferir o que desejamos que aconteça a quem nos ofendeu. Não adianta dizer que perdoamos, se, lá no fundo, ainda nutrimos um desejo de vingança. Perdoar é abrir mão do direito de revanche. Devemos, portanto, seguir as pegadas de Jesus, que “sendo injuriado, não injuriava, padecendo, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente.”[9]

Romano Guardini, teólogo italiano, concluiu: “Enquanto você estiver emaranhado no erro e na vingança, golpe e contragolpe, agressão e defesa, você será constantemente atraído para um novo erro [...] Apenas o perdão nos liberta da injustiça dos outros.”[10]

De acordo com Lewis Smedes, “a vingança é uma paixão de acerto de contas. É um desejo ardente de devolver tanto sofrimento quanto alguém lhe afligiu [...] O problema com ela é que nunca alcança o que deseja; nunca chega ao empate. A justiça nunca acontece. A reação em cadeia iniciada por cada ato de vingança sempre segue o seu curso desimpedida. Ela amarra ambos, o injuriado e o injuriador, a uma escada rolante de sofrimento. Ambos são impedidos de prosseguir na escada quando se exige paridade, e a escada não para nunca, nunca deixa ninguém descer.”[11]

Só há uma maneira de descer dessa escada rolante: perdoando. Perdoar é permitir que as coisas sigam seu curso natural. É liberar as pessoas que nos magoaram para que sejam felizes, apesar daquilo que nos infligiram. Quando perdoamos, quebramos um interminável ciclo de ofensas. Por mais que a justiça clame: “Olho por olho, dente por dente”, o amor deve falar mais alto. Ghandi tinha razão ao observar que, se todos exigissem “olho por olho”, no final todos estariam cegos.


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[1] Romanos 12:17-19

[2] Tiago 1:20

[3] Juízes 15:7-8

[4] Juízes 15:6

[5] Levítico 19:18

[6] Deuteronômio 32:34-35a,36a

[7] Isaías 35:4

[8] Romanos 12:17-21

[9] 1 Pedro 2:23

[10] GUARDINI, Romano. The Lord. Chicago: Regnery Gateway, 1954. p. 302.

[11] SMEDES, Lewis B. Forgive and forget. São Francisco: Harper & Row, 1984. p. 130.

sexta-feira, julho 05, 2019

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LAVA-JATO NADA! PRECISAMOS É DE UMA GERAL



Por Hermes C. Fernandes 

Desconheço a razão pela qual apelidou-se a operação de Lava-jato. Mas começo a achar que não haveria nome mais sugestivo que esse para designar uma operação que mais parece uma ducha rápida daquelas dadas em postos de gasolina. O carro sai com a lataria tinindo, passando a impressão de estar limpo, porém, o seu interior continua tão sujo quanto antes. Não, amigos! Não é de uma ducha “me engana que eu gosto” que o Brasil precisa. Por mais que tenha higienizado o exterior das instituições, prendendo corruptos e corruptoras, suas engrenagens seguem imundas. Trocam-se os atores, mas o enredo permanece o mesmo.

Precisamos é de uma lavagem completa com direito a uma aspiração profunda nos poderes, inclusive, e sobretudo, no judiciário.

Precisamos de uma reforma política mesmo antes de qualquer outra , por mais urgente que tentem nos fazer acreditar que seja.

Precisamos mais que isso! Urge calibrar os pneus dos poderes de modo que um não interfira no outro, mas lhe dê a devida estabilidade e sustentação. Precisamos trocar o óleo do motor da democracia, antes que o motor bata e a gente acabe guinchados por uma ditadura qualquer. O atual já deu o que tinha que dar; está queimado e sem viscosidade.

Os que ocupam o legislativo já não representam nossos reais anseios. Tanto o executivo, quanto o legislativo são reféns dos interesses de quem bancou suas campanhas.

Precisamos de uma boa carga na bateria da credibilidade. Para que o povo volte a acreditar nas instituições e na classe política, faz-se necessária uma justiça imparcial, que não privilegie a uns enquanto persegue a outros. Quem age assim não está honrando sua magistratura, merecendo o mesmo fim que deu aos corruptos que prendeu.

Por fim, precisamos de uma igreja que se perceba como limpadores de para-brisa, cuja finalidade é garantir plena visibilidade a quem dirige o carro: o povo.  Enquanto a igreja acreditar que é volante, o carro seguirá derrapando na pista, correndo o risco de se precipitar despenhadeiro abaixo.

Pastores, vocês não têm procuração para pensar pelo povo. Vocês são as palhetas dos limpadores de para-brisa. Larguem o volante! Deixem que seu povo exerça cabalmente a sua cidadania. Estimulem o livre pensamento. Seu papel é manter o para-brisa limpo para que pessoas decidam por si mesmas que direção tomar.

terça-feira, julho 02, 2019

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PRA NÃO DAR NA PINTA



Por Hermes C. Fernandes 

Ele não poderia deixar barato! Onde já se viu uma quantia considerável em dinheiro que poderia ter vindo para sua mão sendo desperdiçada daquela maneira...  Mas ele também não poderia dar na pinta. Seus colegas jamais poderiam imaginar seu verdadeiro interesse.

De fato, aquela cena estava revirando seu estômago. Algo precisava ser feito. Alguém teria que detê-la! Ela estava abrindo um perigoso precedente.  Até aquele dia, todo dinheiro que chegava tinha que passar por ele, afinal de contas, ele era o tesoureiro. Jesus não teria dado tamanho voto de confiança a alguém em quem não confiasse, não é verdade? Por isso mesmo, ninguém era capaz de supor que ele desviasse parte do dinheiro das contribuições que visavam manter o ministério de Jesus. Refiro-me a contribuições feitas em sua maioria por viúvas, trabalhadores, gente do povo. Judas não tinha o menor escrúpulo em surrupiar parte daquele dinheiro. Por incrível que pareça, sua consciência se mantinha intacta. Não sei como ele conseguia driblá-la, mas posso imaginar que ele se convencia de que merecia ficar com parte do que era arrecado, ainda que sem o consentimento do mestre.

Tudo corria conforme o esperado até que aquela mulher estragou tudo. Que revolta! Ela não tinha nada que derramar um perfume tão caro nos pés de Jesus! Por que não o vendeu e entregou o valor em suas mãos? Pode-se dizer que aquela teria sido a oferta mais expressiva que Jesus recebera até então.  Não era um perfume qualquer comprado em um Boticário na esquina. Custara-lhe 300 denários, isto é, um ano inteiro de trabalho. Supondo que hoje um trabalhador ou diarista ganhe em torno de 50 reais por dia de trabalho, 300 denários equivaleria à quantia de 15.000 reais.

Um denário era uma moeda que pesava quatro gramas de prata. Portanto, 300 denários equivaliam a 1,2 kg de prata. Não dava para fazer vista grossa a uma quantia tão vultuosa.

Será que daria para reverter aquilo ou pelo menos impedir que aquilo ocorresse mais vezes? Já pensou se vira moda?
Judas respira fundo, e num cochicho diz aos colegas: Vocês não acham que isso é um desperdício? Ela poderia ter vendido o perfume e entregue o valor em dinheiro. Pelo menos assim teríamos com que acudir os pobres.

Quanta cara de pau, seu Judas! Você nunca se importou com os pobres! Você era um dos que criticavam o mestre quando este se preocupava em alimentar os pobres. Agora me vem com essa estorinha...

Pelo olhar dos demais discípulos, todos pareciam concordar. Judas tinha razão! Os pobres deveriam ser prioridade. Porém, Jesus não pareceu dar a mínima para a crítica de Judas, pois conhecia a sua índole. Se Ele não impediu a oferta de uma viúva pobre no templo, por que impedira que aquela mulher lhe demonstrasse todo o seu amor?

Semelhantemente, há quem só é tomado por uma aparente crise de consciência quando o dinheiro deixa de passar por sua mão. Seus comentários agora só tem um propósito: dissuadir os que almejam agradar a Cristo, dedicando-lhe sua vida e seus recursos.

Judas não deixou barato.  Aquela foi a gota d’água que revelaria seu caráter. Mal esperou que a última gota de perfume fosse derramada em Jesus e saiu correndo para encontrar-se com os sacerdotes para trair seu mestre pela bagatela de 30 moedas de prata. Repare nisso: Judas traiu Jesus pelo dízimo do valor que aquela mulher dedicou a Jesus.

Dizem por aí que o que teria motivado Judas a trair seu mestre era a esperança de que isso o forçaria a abandonar o seu ministério e submeter-se à agenda de quem só pensava em tomar o poder e se locupletar dele.

Judas parecia um exímio jogador de xadrez, mas levou um xeque-mate de Cristo ao ser exposto ante os olhos dos demais discípulos: "O que mete a mão comigo no prato, este me trairá." Quem é capaz de meter a mão no prato do próprio mestre, servindo-se a si mesmo sem o menor recato, é quem igualmente é capaz de meter a mão na bolsa para se locupletar. O cuidado com os pobres é apenas a justificativa, a cortina de fumaça.  Não dê crédito a crises de consciência tardias, pois estas expõem de maneira eloquente o verdadeiro intento do coração.

segunda-feira, julho 01, 2019

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FLORDELIS - Tragédia Anunciada



Por Hermes C. Fernandes

O que se poderia esperar de uma família tão grande em que os pais não davam conta de dar atenção a todos os filhos?

Como entender que uma mãe fosse capaz de manipular um dos seus filhos, aquele que lhe era mais chegado, para enganar o próprio pai?

Se pensa que estou falando do caso Flordelis, você está enganado. Refiro-me, antes, a dois casos envolvendo um mesmo personagem: JACÓ.

No primeiro que menciono, dez filhos de Jacó tramam contra a vida de seu caçula, José, forjando sua morte e vendendo-o como escravo a uma caravana de mercadores.  A razão? Sentiam-se preteridos por seu pai que não escondia sua predileção por José. De fato, aquela era uma família disfuncional.

No segundo caso, refiro-me à mãe de Jacó que o convenceu de se fazer passar por seu irmão gêmeo Esaú, aproveitando-se da condição física de seu pai, para roubar-lhe a bênção da primogenitura.

Por incrível que pareça, esse tem sido considerado por muitos evangélicos modelo de família perfeita segundo os padrões bíblicos. Só se esquecem de que dos doze filhos de Jacó, somente dois foram frutos de seu amor por Raquel, sua mulher. Os demais foram filhos de sua outra esposa, Lia, e de suas servas.

Se foi assim na família do grande patriarca hebreu, imagina como seria em uma família formada de 56 filhos (4 biológicos e 52 adotados).

Se já é complicado criar dois ou três filhos, dando-lhes igual atenção, quão complicado e até impossível seria criar mais de cinquenta sob um mesmo teto?

O fato é que em cima disso, Flordelis alcançou notoriedade. Chegou mesmo a participar de um programa da Xuxa que a catapultou para a fama além das fronteiras do mundo evangélico.  E não foram poucos que tomaram carona em sua obra. Quem não gostaria de ter sua imagem associada a de uma pessoa de tão bom coração?

Sem perder tempo, Flordelis e seu esposo, Anderson do Carmo, trataram de fundar uma igreja. Cantores e pastores de renome desfilaram em seu púlpito.

Longe de ser ingênua, e, certamente orientada por alguns caciques do cenário político, Flordelis resolveu capitalizar politicamente sua fama, lançando-se candidata a Deputada Federal. Resultado: ganhou de lavada, sendo uma das cinco mais votadas no Estado do Rio.

Torço para que as suspeitas acerca de sua participação na morte do marido sejam infundadas. É difícil acreditar que alguém capaz de abrir a porta de sua casa para tantas crianças pudesse convencer a três de suas filhas a envenenar a comida do próprio pai dia após dia. É difícil acreditar que ela fosse tão fria a ponto de convencer a um dos filhos a comprar a arma e a outro a alvejar o pai na porta de sua casa. Caso isso se comprove, não me restará alternativa senão reputá-la por psicopata de sangue frio que se valeu dos filhos que adotou para cometer um crime bárbaro. Ainda que se comprove que o marido mantinha um caso extraconjugal, nada justifica manipular os próprios filhos, fossem adotivos ou não, para odiar e participar do assassinato do pai. Antes de convencê-los a isso, ela teve que leva-los a odiá-lo, um processo que talvez tenha se dado em doses homeopáticas. Não duvido que para isso recorresse a expedientes melodramáticos, chorando copiosamente, dizendo-se traída e injustiçada.

A mesma semente do ódio que germinou na família de Jacó, fazendo com que tivesse que fugir de seu irmão por vinte anos para não morrer, também pode ter germinado na família de Flordelis.

É lamentável que uma história que parecia tão bonita, termine assim, feito um Thriller de terror. Não duvido que em poucos anos se torne filme.

Oro a Deus para que a verdade venha à tona a fim de que os responsáveis por este crime sejam devidamente punidos. E que seus filhos biológicos e adotivos sejam encaminhados, cuidados e sarados desta ferida.

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FRONTEIRAS - Poema



Meu repúdio a atual política de imigração adotada pelos Estados Unidos e ao espírito xenófobo que paira o mundo nesses dias tenebrosos, representado por autoridades arrogantes, ignorantes, presunçosas e munidas de ódio e preconceito. Óscar Martinez e sua pequena filha Valéria de quase dois aninhos morreram abraçados quando tentavam atravessar o caudaloso Rio Grande que faz fronteira entre o México e os Estados Unidos.