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quinta-feira, maio 29, 2014

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O reencontro da Igreja com o Meio-ambiente



Por Hermes C. Fernandes 

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5). Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte. Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

quarta-feira, março 20, 2013

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O que Deus nos fala através do OUTONO



Por Hermes C. Fernandes

Do latim autumnu que significa “declínio”, “queda”. O Outono é a estação intermediária entre o Verão e o Inverno. Aos poucos a temperatura começa a cair. As árvores, antes exuberantes em sua folhagem, começam a ficar amareladas, até que suas folhas sucumbem ao soprar dos ventos cada vez mais frios.

Que mensagem de Deus encontramos implícita nessa estação?

A queda das folhas representa a vaidade e fugacidade da nossa vida. Nossa glória se esvai, nosso orgulho se sucumbe, e nada nos resta senão depender da misericórdia divina.

Em que poderia gloriar-se o homem? Em que poderia se estribar?
“Toda carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe. 1:24-25a).
Cabe aqui a advertência de Deus: “Parai de confiar no homem, cujo fôlego está no seu nariz. Em que se deve ele estimar?” (Is.2:22).


O Evangelho da autoestima é uma anomalia doutrinária, completamente estranha ao espírito das Escrituras. O genuíno Evangelho da Graça é um golpe fatal na soberba humana, pois declara que o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. A salvação é pela Graça para que “ninguém se glorie” (Ef.2:8-9).



As árvores nuas do Outono deveriam ser como um lembrete para nós. Toda sua robustez, vigor, exuberância, exibidas durante o Verão, perdem-se durante a estação da Queda.


Paulo compreendia perfeitamente tal verdade, a ponto de abrir mão de tudo o que poderia envaidecê-lo. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios faz uma breve apresentação de seu currículo:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp. 3:5-8).

Paulo se viu como uma árvore que se desnuda ao sabor dos ventos. Nenhuma folha se lhe apegaria. Tudo de que ele poderia se orgulhar agora era considerado “perda total”. Já não importava sua origem étnica, seu pedigree religioso, sua reputação entre os patrícios, nem mesmo seu senso de justiça própria. Era como se ele rasgasse seu currículo em pedacinhos.

Há muitos que se vangloriam em um diploma universitário, em sua posição social, em suas aptidões profissionais, em seu sobrenome, e em tantas outras coisas. Pode-se até impressionar pessoas com isso, mas Deus não Se deixa impressionar com nossas vaidades. Se quisermos agradá-Lo em tudo, temos que nos humilhar debaixo de Suas potentes mãos, e reconhecer nossa bancarrota espiritual.

Há um episódio muito interessante e mal compreendido narrado no Evangelho, em que Jesus amaldiçoa uma figueira ao verificar que não tinha frutos para saciar Sua fome.
"Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então ele disse à figueira: Nunca jamais coma alguém fruto de ti” (Marcos 11:13-14a).
Ora, se não era tempo de frutos, por que Jesus foi tão exigente com aquela árvore? Se observarmos bem, verificaremos que a ênfase principal não é a ausência de frutos, mas a presença de folhas. Por duas vezes é dito que aquela árvore estava repleta de folhas, e apenas uma vez é dito que ela não tinha frutos.

Era necessário que a figueira perdesse todas as suas folhas, a fim de frutificar. Provavelmente ainda não era tempo de fruto, mas já era tempo de haver perdido a folhagem. A presença das folhas indicava que quando o tempo de frutificar chegasse, aquela árvore não daria frutos. Por isso, Jesus a amaldiçoou.

Jesus queria nos deixar uma lição. Se quisermos frutificar, temos que deixar nossa folhagem cair. Só haverá Primavera (tempo de florescer) e Verão (tempo de plantar),e se houver Outono (tempo de perder as folhas e frutificar).

As folhas não se soltam e caem por si mesmas. É o vento que as derruba. O frio as faz perder o viçosidade, o vigor. Mas é a força do vento que as derruba. De igual maneira, é o Espírito Santo, que uma vez soprado sobre nós, faz esvanecer nossa vaidade, e cair nossa arrogância. Em vez de depender de nosso preparo, de nossas obras, passamos a nos valer inteiramente da Graça, e a depender totalmente da provisão de Deus em Cristo.

A esta altura, alguém pode estar perguntando: Ora, se não devo me valer de meu preparo intelectual, então, qual a necessidade de gastar cinco anos em uma faculdade? Pra quê boas obras, se não devo me fiar nelas? Pra quê tanto esforço em vão?

Precisamos enxergar as coisas na perspectiva certa. Mesmo não sendo salvos pelas as obras, somos salvos “para as boas obras” (Ef.2:10). Só não podemos colocar os carros na frente dos bois. Na perspectiva de Paulo, aquilo no qual ele poderia se gloria, tornara-se “refugo”. No texto original, podemos traduzir a palavra grega skybalon por adubo.

A queda das folhas provê o adubo que vai preparar a terra para frutificar. Antes que a agricultura fosse desenvolvida pelo homem, a natureza desenvolveu uma maneira de se auto-perpetuar. Não havia ninguém para adubar a terra, e assim, provê nutrientes para o crescimento saudável da vegetação. Então, através da decomposição das folhas que caíam, o solo recebia o adubo necessário.

Paulo está dizendo que aquilo em que poderia se gloriar, deveria ser colocado no chão, para que se tornasse adubo, e assim, lhe ajudasse a frutificar.

O lugar de nossa glória é o chão! O livro de Jó fala sobre deitar nosso ouro no chão (Jó 22:24-27). O Apocalipse nos apresenta vinte quatro anciãos que depositavam suas coroas no chão, aos pés do Cordeiro (Ap.4:10). O chão representa nossa dependência de Deus, nosso auto-aviltamento, nossa humildade. Seria por isso, que os crentes primitivos colocavam suas ofertas aos pés dos apóstolos?

Tudo o que temos e somos pode ser bênção, como também pode ser um empecilho em nossa comunhão com Deus; vai depender da perspectiva com que nos relacionarmos com isso.

Soltemos nossas folhas, e as deixemos ao sabor do vento.

Algumas delas cairão junto às nossas raízes, e ali ficarão até se decomporem. Outras, porém, serão espalhadas pelo vento, e se tornarão adubo para outras árvores. E assim, aprenderemos a depender uns dos outros, e principalmente, de Deus. Muitos são os canais pelos quais nos vem a provisão, mas a fonte é uma só: DEUS.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

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Maria e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5). Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte. Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

sábado, agosto 29, 2009

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Aprendendo com as Estações 2 - O Inverno

O Inverno é a estação menos colorida, quando o azul do céu dá lugar ao cinza, o canto dos pássaros é substituído pelo ruído do vento gélido que sopra por entre os galhos nus das árvores, cujas folhagens caíram no Outono.

Inverno é tempo de frio, muito frio. Tempo que aproxima as pessoas, para que se aqueçam mutuamente. Tempo de aprendermos a depender mais uns dos outros. Afinal de contas, “um só como se aquentará?” (Ecl.4:11).

Durante essa estação, as pessoas são mais propensas a andar abraçadas, dormir juntinhas; tudo para se proteger do frio.

O frio também pede que nos agasalhemos. E dependendo de sua intensidade, quanto mais roupa, melhor.

Ninguém, por mais durão que seja, está disposto a enfrentar as baixas temperaturas de peito aberto, e corpo exposto.

O frio dissipa as energias vitais, e nos torna mais vulneráveis ao ataque de vírus, razão pela qual tanta gente fica resfriada durante essa estação.

Para manter a energia em nosso corpo, precisamos nos proteger do frio. E uma das maneiras de fazê-lo é nos agasalhando. E não basta um simples casaco. Às vezes precisamos de toca, luvas, roupas íntimas de material mais denso, e etc.

O apóstolo Paulo recomenda que, como eleitos de Deus, santos e amados, nos revistamos de “compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade”. E que, além disso, devemos suportar uns aos outros, perdoando-nos mutuamente. E sobre tudo, devemos nos revestir de amor (Col.3:12-14).

Sem todo esse “cobertor”, torna-se impossível mantermos uma vida de comunhão com nossos semelhantes, de maneira que nos aqueçamos mutuamente durante os dias de inverno espiritual. Esta cobertura que Paulo nos propõe em Colossenses encontra paralelo com a Armadura de Deus, da qual devemos nos revestir para resistirmos no dia mal (Ef.6). Precisamos estar protegidos de cima a baixo. Nenhuma parte de nossa vida pode ficar exposta ao frio. E depois de todas as providências (meias grossas, tocas, luvas, camisetas por baixo da camisa, etc), devemos tomar nosso sobretudo: o amor.

Durante a estação do Inverno, várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migram para regiões mais quentes.

Eles não possuem bússola, nem mapas, mas sabem exatamente que caminho tomar, tanto na ida, quanto na volta.

Tal fenômeno nos remete ao fato de que, como cidadãos do Reino, somos peregrinos na Terra. Estamos em constante Êxodo. Somos verdadeiramente hebreus (caminhantes, cruzadores de fronteiras).

Não é debalde que somos chamados de filhos de Abraão, o primeiro Hebreu. A Escritura afirma que ele, “pela fé peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia” (Hb.11:9). Observe: embora a terra fosse dele por herança, ele não se apegava a ela. Era dele, mas como se fosse alheia. Tal deve ser nossa relação com tudo desse mundo. Paulo diz que tudo é nosso (1 Co.3:21-23), porém, recomenda na mesma epístola, que os que têm, devem agir como se nada possuíssem (7:30).


Não há qualquer problema em desfrutarmos das coisas deste mundo. O problema é quando estabelecemos uma relação de posse com elas. Toda relação de posse é recíproca. Isto é, aquilo que dizemos possuir, na verdade nos possui. Por isso, temos que estar livres, leves e soltos, como os pássaros que migram durante o Inverno, sem levar nada em suas patas. Ou alguém já viu um pássaro voando com bagagem?

A migração em massa de animais (principalmente pássaros) durante essa estação também pode representar nosso retorno à Fonte Primeva, Deus. É tempo de nos arrependermos, e alçarmos vôo na direção do sol, do Sol da Justiça.

Outros animais, como ursos, hibernam nesse período, reduzindo grandemente sua atividade metabólica. Hibernar é entregar-se a um sono profundo, enquanto o corpo se alimenta das reservas de energia contidas na gordura acumulada.

Hibernar pode representar nosso descanso em Deus, quando nos colocamos inteiramente à mercê de Sua vontade, sem nos preocupar com mais nada.

Geralmente, esses animais procuram tocas ou cavernas, onde possam manter-se aquecidos.
Além de estarmos revestidos de amor, buscando proximidade com nossos semelhantes, de que outra maneira poderemos nos proteger da frieza espiritual deste mundo?

Paulo afirma que há um esconderijo disponível para todos nós. Que não apenas nos provê calor, mas também nos provê lugar de descanso: “Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Col.3:3-4).

Cristo é o Esconderijo do Altíssimo, do qual fala Davi em seu famoso Salmo 91. É o único lugar seguro em todo o Universo. Somente n’ Ele encontramos descanso para a nossa alma, independente da estação em que estivermos.

N’Ele, tornamo-nos inacessíveis. Nenhum dardo maligno pode nos atingir. À semelhança do urso enquanto hiberna, podemos descansar sem receio de sermos pegos por seus predadores.

Se o Outono é tempo de queda, o Inverno representa o tempo de morte e sepultamento. As folhas caídas já se decompõem, e preparam o solo para receber e agasalhar as sementes que nele serão depositadas.

Só pode experimentar o poder da ressurreição, quem houver passado pela cruz. Assim como o Inverno é o curso necessário para que se alcance a Primavera, e posteriormente, o Verão.

Em 2 Coríntios 4:10-11 lemos: “Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.”

A vida de Cristo está oculta em nós, assim como nós estamos ocultos n’Ele. Para que esta vida se manifeste (o equivalente ao desabrochar das flores na Primavera), é imprescindível que levemos sempre, por toda a parte, o morrer de Cristo. Trata-se do equivalente ao que Jesus disse: temos que tomar nossa Cruz dia após dia, e segui-lo. Não há alternativa. Sem que nosso ego seja crucificado diariamente, jamais manifestaremos a vida de Cristo em nosso corpo mortal.

O mais bem-sucedido dos apóstolos declarou com veemência: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20). Portanto, qualquer de suas realizações deveria ser creditada a Cristo, e não ao seu desempenho pessoal.

A vida em Cristo não é uma vida de tentativas, mas de desistência. Enquanto não desistirmos de alcançar um nível de retidão por conta própria, estaremos fadados ao fracasso e à frustração. Somente quando nos rendemos, depomos nossas armas carnais, e nos consideramos mortos com Cristo, é que Cristo passa a viver através de nós a vida que jamais poderíamos viver por nós mesmos.

Não se trata de tentar perdoar a quem nos ofende, mas de deixar que Cristo flua Seu perdão através de nós.

O Inverno também é a estação do armazenamento. Todos conhecem a fábula da cigarra e da formiga. Enquanto uma se divertia, cantarolando e tocando sua guitarra, a outra tratava de armazenar comida para o Inverno.

Todos estão preocupados em aproveitar o máximo que a vida tem pra dar. A maioria age como a cigarra da estória infantil. Porém, se quisermos desfrutar de vida eterna, temos que aprender a abrir mão da vida hoje. Deixar de viver para nós mesmos, para viver para Deus e para o nosso semelhante.

Isso também é morrer.

Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo.12:24-25).

Gastar nossa vida hoje em função de um bem maior, é o mesmo que armazená-la para a vida eterna. Mas tentar poupá-la hoje, vivendo-a em função de nosso aprazimento, é o mesmo que desperdiçá-la por completo.

Negar-se a morrer para o seu "eu", é o mesmo que preferir uma vida de ostracismo e esterilidade espiritual. O preço de manter intacto o nosso ego é a solidão. E nada pior que solidão para se enfrentar as noites longas e frias do Inverno.

sábado, novembro 29, 2008

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Equilíbrio afetado... Prejuízo generalizado

Na última quarta-feira, assisti a um dos fenômenos mais inusitados da natureza: a parceria entre golfinhos e humanos. Em Laguna, Santa Catarina, os golfinhos costumam ficar passeando pelo canal que liga a Lagoa de Santo Antônio ao mar aberto. Os pescadores preparam suas tarrafas e colocam-se à beira do canal, a pé ou de canoa, dependendo da maré. Ao perceber a presença dos humanos, os golfinhos passam a cercar os cardumes que entram e saem da Lagoa, sobretudo as tainhas, e os afugentam na direção dos pescadores. Somente os peixes que escapam das redes vão parar no estômago dos golfinhos.

Esse fenômeno é considerado pelos cientistas como raríssimo. Além do Brasil, ele só acontece na Mauritânia, África.

Ao chegar àquele lugar, percebi que havia algo errado com a coloração do mar. As águas estavam turvas, devido à grande quantidade de barro, lama e detritos advindos das enchentes que assolaram o Estado de Santa Catarina na última semana.

Três cenas me chamaram a atenção: os golfinhos apareceram, e tentavam ajudar os pescadores, mas os peixes não deram o ar da graça. Resultado: aos poucos, os pecadores desistiam da empreitada, e deixavam as águas com suas redes vazias. A última cena que me chocou foi ver o desespero das gaivotas, que voavam contra a fúria dos ventos (ventava muito!), mergulhavam, mas voltavam com o bico vazio.

Tudo isso porque os peixes resolveram não nadar naquelas águas barrentas.

A harmonia foi quebrada. O equilíbrio afetado. Pescadores de redes vazias, gaivotas de bicos vazios, e golfinhos frustrados, tentando dar continuidade à sua inexplicável parceria com o homem.

Embora as enchentes tenham ocorrido há muitos quilômetros dali, o fato é que todo rio deságua no oceano. Dava pra ver que próximo ao horizonte, as águas ainda eram azuis. Fiquei a me perguntar: - Por que as gaivotas não vão para lá? Por que insistem em voar aqui se não há peixes disponíveis?

Vai explicar...

Não seria tudo isso uma parábola da realidade? Que lição poderíamos tirar disso?

Vale à pena meditar...


* Acima, à direita, eu e o Pr. Júlio Zamparetti Fernandes, nosso anfitrião em Tubarão - SC

terça-feira, setembro 09, 2008

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O Inverno

O Inverno é a estação menos colorida, quando o azul do céu dá lugar ao cinza, o canto dos pássaros é substituído pelo ruído do vento gélido que sopra por entre os galhos nus das árvores, cujas folhagens caíram no Outono.

Inverno é tempo de frio, muito frio. Tempo que aproxima as pessoas, para que se aqueçam mutuamente. Tempo de aprendermos a depender mais uns dos outros. Afinal de contas, “um só como se aquentará?” (Ecl.4:11).

Durante essa estação, as pessoas são mais propensas a andar abraçadas, dormir juntinhas; tudo para se proteger do frio.

O frio também pede que nos agasalhemos. E dependendo de sua intensidade, quanto mais roupa, melhor.

Ninguém, por mais durão que seja, está disposto a enfrentar as baixas temperaturas de peito aberto, e corpo exposto.

O frio dissipa as energias vitais, e nos torna mais vulneráveis ao ataque de vírus, razão pela qual tanta gente fica resfriada durante essa estação.

Para manter a energia em nosso corpo, precisamos nos proteger do frio. E uma das maneiras de fazê-lo é nos agasalhando. E não basta um simples casaco. Às vezes precisamos de toca, luvas, roupas íntimas de material mais denso, e etc.

O apóstolo Paulo recomenda que, como eleitos de Deus, santos e amados, nos revistamos de “compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade”. E que, além disso, devemos suportar uns aos outros, perdoando-nos mutuamente. E sobre tudo, devemos nos revestir de amor (Col.3:12-14).

Sem todo esse “cobertor”, torna-se impossível mantermos uma vida de comunhão com nossos semelhantes, de maneira que nos aqueçamos mutuamente durante os dias de inverno espiritual. Esta cobertura que Paulo nos propõe em Colossenses encontra paralelo com a Armadura de Deus, da qual devemos nos revestir para resistirmos no dia mal (Ef.6). Precisamos estar protegidos de cima a baixo. Nenhuma parte de nossa vida pode ficar exposta ao frio. E depois de todas as providências (meias grossas, tocas, luvas, camisetas por baixo da camisa, etc), devemos tomar nosso sobretudo: o amor.

Durante a estação do Inverno, várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migram para regiões mais quentes.

Eles não possuem bússola, nem mapas, mas sabem exatamente que caminho tomar, tanto na ida, quanto na volta.

Tal fenômeno nos remete ao fato de que, como cidadãos do Reino, somos peregrinos na Terra. Estamos em constante Êxodo. Somos verdadeiramente hebreus (caminhantes, cruzadores de fronteiras).

Não é debalde que somos chamados de filhos de Abraão, o primeiro Hebreu. A Escritura afirma que ele, “pela fé peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia” (Hb.11:9). Observe: embora a terra fosse dele por herança, ele não se apegava a ela. Era dele, mas como se fosse alheia. Tal deve ser nossa relação com tudo desse mundo. Paulo diz que tudo é nosso (1 Co.3:21-23), porém, recomenda na mesma epístola, que os que têm, devem agir como se nada possuíssem (7:30).


Não há qualquer problema em desfrutarmos das coisas deste mundo. O problema é quando estabelecemos uma relação de posse com elas. Toda relação de posse é recíproca. Isto é, aquilo que dizemos possuir, na verdade nos possui. Por isso, temos que estar livres, leves e soltos, como os pássaros que migram durante o Inverno, sem levar nada em suas patas. Ou alguém já viu um pássaro voando com bagagem?

A migração em massa de animais (principalmente pássaros) durante essa estação também pode representar nosso retorno à Fonte Primeva, Deus. É tempo de nos arrependermos, e alçarmos vôo na direção do sol, do Sol da Justiça.

Outros animais, como ursos, hibernam nesse período, reduzindo grandemente sua atividade metabólica. Hibernar é entregar-se a um sono profundo, enquanto o corpo se alimenta das reservas de energia contidas na gordura acumulada.

Hibernar pode representar nosso descanso em Deus, quando nos colocamos inteiramente à mercê de Sua vontade, sem nos preocupar com mais nada.

Geralmente, esses animais procuram tocas ou cavernas, onde possam manter-se aquecidos.
Além de estarmos revestidos de amor, buscando proximidade com nossos semelhantes, de que outra maneira poderemos nos proteger da frieza espiritual deste mundo?

Paulo afirma que há um esconderijo disponível para todos nós. Que não apenas nos provê calor, mas também nos provê lugar de descanso: “Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Col.3:3-4).

Cristo é o Esconderijo do Altíssimo, do qual fala Davi em seu famoso Salmo 91. É o único lugar seguro em todo o Universo. Somente n’ Ele encontramos descanso para a nossa alma, independente da estação em que estivermos.

N’Ele, tornamo-nos inacessíveis. Nenhum dardo maligno pode nos atingir. À semelhança do urso enquanto hiberna, podemos descansar sem receio de sermos pegos por seus predadores.

Se o Outono é tempo de queda, o Inverno representa o tempo de morte e sepultamento. As folhas caídas já se decompõem, e preparam o solo para receber e agasalhar as sementes que nele serão depositadas.

Só pode experimentar o poder da ressurreição, quem houver passado pela cruz. Assim como o Inverno é o curso necessário para que se alcance a Primavera, e posteriormente, o Verão.

Em 2 Coríntios 4:10-11 lemos: “Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.”

A vida de Cristo está oculta em nós, assim como nós estamos ocultos n’Ele. Para que esta vida se manifeste (o equivalente ao desabrochar das flores na Primavera), é imprescindível que levemos sempre, por toda a parte, o morrer de Cristo. Trata-se do equivalente ao que Jesus disse: temos que tomar nossa Cruz dia após dia, e segui-lo. Não há alternativa. Sem que nosso ego seja crucificado diariamente, jamais manifestaremos a vida de Cristo em nosso corpo mortal.

O mais bem-sucedido dos apóstolos declarou com veemência: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20). Portanto, qualquer de suas realizações deveria ser creditada a Cristo, e não ao seu desempenho pessoal.

A vida em Cristo não é uma vida de tentativas, mas de desistência. Enquanto não desistirmos de alcançar um nível de retidão por conta própria, estaremos fadados ao fracasso e à frustração. Somente quando nos rendemos, depomos nossas armas carnais, e nos consideramos mortos com Cristo, é que Cristo passa a viver através de nós a vida que jamais poderíamos viver por nós mesmos.

Não se trata de tentar perdoar a quem nos ofende, mas de deixar que Cristo flua Seu perdão através de nós.

O Inverno também é a estação do armazenamento. Todos conhecem a fábula da cigarra e da formiga. Enquanto uma se divertia, cantarolando e tocando sua guitarra, a outra tratava de armazenar comida para o Inverno.

Todos estão preocupados em aproveitar o máximo que a vida tem pra dar. A maioria age como a cigarra da estória infantil. Porém, se quisermos desfrutar de vida eterna, temos que aprender a abrir mão da vida hoje. Deixar de viver para nós mesmos, para viver para Deus e para o nosso semelhante.

Isso também é morrer.

Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo.12:24-25).

Gastar nossa vida hoje em função de um bem maior, é o mesmo que armazená-la para a vida eterna. Mas tenta poupá-la hoje, vivendo-a em função de nosso aprazimento, é o mesmo que desperdiçá-la por completo.

Negar-se a morrer para o seu "eu", é o mesmo que preferir uma vida de ostracismo e esterilidade espiritual. O preço de manter intacto o nosso ego é a solidão. E nada pior que solidão para se enfrentar as noites longas e frias do Inverno.

sexta-feira, setembro 05, 2008

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Aprendendo com as Estações da Vida

Gênesis 8:22
“Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.”

O Dilúvio havia chegado ao fim. Um arco-íris anunciava que Deus não desistira da criação. O caos vivenciado durante o tempo em que a Terra se viu coberta d’água, agora cedia lugar à ordem.

Há quem acredite que as estações só apareceram a partir do Dilúvio. Cientistas crêem que uma grande catástrofe, talvez a queda de um grande asteróide, provocou uma pequena inclinação no globo terrestre, e isso ocasionou o surgimento das estações. Há quem tente combinar as duas teorias, afirmando que foi a queda de tal astro que provocou tanto o Dilúvio quanto a inclinação do eixo da Terra.

Seja como for, as Estações foram estabelecidas por Deus. Originalmente, o homem identificava apenas duas estações: o Verão e o Inverno. Porém, aos poucos verificou-se que entre uma e outra estação, havia estações intermediárias. As temperaturas não se alteravam drasticamente, mas paulatinamente. Entre o Verão e o Inverno, encontramos o Outono. E entre o Inverno e o Verão, a Primavera.

De acordo com o discurso de Paulo em Listra, as estações são parte do testemunho de Deus manifesto através da criação. Deus “não deixou de dar testemunho de si mesmo. Ele mostrou misericórdia, dando-vos chuvas do céu, e colheita em sua própria estação, enchendo de mantimento e de alegria os corações” (At.14:17).

À luz disso, podemos inferir que há mensagens implícitas em cada estação do ano. Vamos, portanto, investigá-las em busca de tais mensagens, e saber como Deus requer que nos posicionemos.

Cada estação do ano requer de nós uma postura diferente. Ninguém sai agasalhado em pleno Verão! Da mesma forma, ninguém sai com poucas roupas durante o Inverno. Se o fizer, correrá o risco de pegar um resfriado, e até uma pneumonia.

Nossa vida com Deus também tem características sazonais. Cada fase requer que tomemos certas medidas, e nos posicionemos corretamente.

Outono

Do latim autumnu que significa “declínio”, “queda”. O Outono é a estação intermediária entre o Verão e o Inverno. Aos poucos a temperatura começa a cair. As árvores, antes exuberantes em sua folhagem, começam a ficar amareladas, até que suas folhas sucumbem ao soprar dos ventos cada vez mais frios.

Que mensagem de Deus encontramos implícita nessa estação?

A queda das folhas representa a vaidade e fugacidade da nossa vida. Nossa glória se esvai, nosso orgulho se sucumbe, e nada nos resta senão depender da misericórdia divina.

Em que poderia gloriar-se o homem? Em que poderia se estribar?

“Toda carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe. 1:24-25a).

Cabe aqui a advertência de Deus: “Parai de confiar no homem, cujo fôlego está no seu nariz. Em que se deve ele estimar?” (Is.2:22).

O Evangelho
da auto-estima é uma anomalia doutrinária, completamente estranho ao espírito das Escrituras. O genuíno Evangelho da Graça é um golpe fatal na soberba humana, pois declara que o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. A salvação é pela Graça para que “ninguém se glorie” (Ef.2:8-9).

As árvores nuas
do Outono deveriam ser como um lembrete para nós. Toda sua robustez, vigor, exuberância, exibidas durante o Verão, perdem-se durante a estação da Queda.

Paulo compreendia perfeitamente tal verdade, a ponto de abrir mão de tudo o que poderia envaidecê-lo. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios faz uma breve apresentação de seu currículo:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp. 3:5-8).

Paulo se viu como uma árvore que se desnuda ao sabor dos ventos. Nenhuma folha se lhe apegaria. Tudo de que ele poderia se orgulhar agora era considerado “perda total”. Já não importava sua origem étnica, seu pedigree religioso, sua reputação entre os patrícios, nem mesmo seu senso de justiça própria. Era como se ele rasgasse seu currículo em pedacinhos.

Há muitos que se vangloriam em um diploma universitário, em sua posição social, em suas aptidões profissionais, em seu sobrenome, e em tantas outras coisas. Pode-se até impressionar pessoas com isso, mas Deus não Se deixa impressionar com nossas vaidades. Se quisermos agradá-Lo em tudo, temos que nos humilhar debaixo de Suas potentes mãos, e reconhecer nossa bancarrota espiritual.

Há um episódio muito interessante e mal compreendido narrado no Evangelho, em que Jesus amaldiçoa uma figueira ao verificar que não tinha frutos para saciar Sua fome.

"Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então ele disse à figueira: Nunca jamais coma alguém fruto de ti” (Marcos 11:13-14a).

Ora, se não era tempo de frutos, por que Jesus foi tão exigente com aquela árvore? Se observarmos bem, verificaremos que a ênfase principal não é a ausência de frutos, mas a presença de folhas. Por duas vezes é dito que aquela árvore estava repleta de folhas, e apenas uma vez é dito que ela não tinha frutos.

Era necessário que a figueira perdesse todas as suas folhas, a fim de frutificar. Provavelmente ainda não era tempo de fruto, mas já era tempo de haver perdido a folhagem. A presença das folhas indicava que quando o tempo de frutificar chegasse, aquela árvore não daria frutos. Por isso, Jesus a amaldiçoou.

Jesus queria nos deixar uma lição. Se quisermos frutificar, temos que deixar nossa folhagem cair. Só haverá Primavera (tempo de florescer) e Verão (tempo de plantar),e se houver Outono (tempo de perder as folhas e frutificar).

As folhas não se soltam e caem por si mesmas. É o vento que as derruba. O frio as faz perder o viçosidade, o vigor. Mas é a força do vento que as derruba. De igual maneira, é o Espírito Santo, que uma vez soprado sobre nós, faz esvanecer nossa vaidade, e cair nossa arrogância. Em vez de depender de nosso preparo, de nossas obras, passamos a nos valer inteiramente da Graça, e a depender totalmente da provisão de Deus em Cristo.

A esta altura, alguém pode estar perguntando: Ora, se não devo me valer de meu preparo intelectual, então, qual a necessidade de gastar cinco anos em uma faculdade? Pra quê boas obras, se não devo me fiar nelas? Pra quê tanto esforço em vão?

Precisamos enxergar as coisas na perspectiva certa. Mesmo não sendo salvos pelas as obras, somos salvos “para as boas obras” (Ef.2:10). Só não podemos colocar os carros na frente dos bois. Na perspectiva de Paulo, aquilo no qual ele poderia se gloria, tornara-se “refugo”. No texto original, podemos traduzir a palavra grega skybalon por adubo.

A queda das folhas provê o adubo que vai preparar a terra para frutificar. Antes que a agricultura fosse desenvolvida pelo homem, a natureza desenvolveu uma maneira de se auto-perpetuar. Não havia ninguém para adubar a terra, e assim, provê nutrientes para o crescimento saudável da vegetação. Então, através da decomposição das folhas que caíam, o solo recebia o adubo necessário.

Paulo está dizendo que aquilo em que poderia se gloriar, deveria ser colocado no chão, para que se tornasse adubo, e assim, lhe ajudasse a frutificar.

O lugar de nossa glória é o chão! O livro de Jó fala sobre deitar nosso ouro no chão (Jó 22:24-27). O Apocalipse nos apresenta vinte quatro anciãos que depositavam suas coroas no chão, aos pés do Cordeiro (Ap.4:10). O chão representa nossa dependência de Deus, nosso auto-aviltamento, nossa humildade. Seria por isso, que os crentes primitivos colocavam suas ofertas aos pés dos apóstolos?

Tudo o que temos e somos pode ser bênção, como também pode ser um empecilho em nossa comunhão com Deus; vai depender da perspectiva com que nos relacionarmos com isso.

Soltemos nossas folhas, e as deixemos ao sabor do vento.

Algumas delas cairão junto às nossas raízes, e ali ficarão até se decomporem. Outras, porém, serão espalhadas pelo vento, e se tornarão adubo para outras árvores. E assim, aprenderemos a depender uns dos outros, e principalmente, de Deus. Muitos são os canais pelos quais nos vem a provisão, mas a fonte é uma só: DEUS.


* Esta mensagem é parte da Série "As Estações da Fé", que está sendo ministrada na REINA - Igreja do Futuro. A próxima mensagem será ministrada domingo, dia 7 de Setembro, às 8:30h., na Rua Piratini, 75, em frente à Quadra da Escola de Samba Grande Rio, Centro de Duque de Caxias, RJ.

quinta-feira, junho 05, 2008

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A Redenção do Meio-ambiente

Para entendermos melhor a grandiosidade da redenção realizada por Cristo, precisamos compreender a extensão do estrago feito pela Queda/Ruptura. O pecado não apenas atingiu o ser humano, seu protagonista, como também o cenário no qual estava inserido. E isso por causa de profunda ligação entre o homem e a terra. Biblicamente, esses dois termos são muitas vezes intercambiáveis (por exemplo: Sl.96:13; Jr.22:29; Os.1:2; Ap.13:3). Quando Deus fala à Terra, está falando aos seus moradores. O homem não é apenas produto do pó da terra, ele é a Terra, que recebendo o sopro da vida, passa a ter consciência de si mesma, e da realidade na qual está inserida.

O pecado humano não poderia ficar impune. Ele traria resultados que afetariam o homem e o seu ambiente.

“Ao homem disse: Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela produzirá também espinhos e abrolhos, e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás”
Gênesis 3:17-19.

Até aquele momento, a Terra era um ecossistema perfeito, um verdadeiro paraíso. Todos os seres vivos estavam em harmonia, e submetiam-se prazerosamente ao homem. Lavrar e guardar a terra era uma atividade extremamente prazerosa e gratificante. Mas agora, o trabalho tornar-se-ia penoso, na medida em que a terra passasse a produzir espinhos e abrolhos. O homem e toda a natureza havia se degenerado.

Nas palavras de Paulo, “a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou” (Rm.8:20).

Os espinhos representam a reação da natureza à vaidade humana. Ela que antes estava sujeita ao homem em plena comunhão com seu Criador, agora teria que se sujeitar a um homem rebelde e vaidoso.

Por mais que o homem busque construir um ambiente mais acolhedor, tentando de algum modo reproduzir artificialmente o paraíso perdido, os espinhos o acompanham. Isaías profetiza: “Nos seus palácios crescerão espinhos, urtigas e cardos nas suas fortalezas. Ela será uma habitação de chacais, e lar para as corujas” (Is.34:13).

Não há como fugir, os espinhos estão por toda parte, como lembrança de que nossa natureza está igualmente degenerada, à exemplo da natureza à nossa volta.

Na verdade, os espinhos servem a um propósito benéfico. Eles nos esvaziam quando estamos inflados por nossa própria vaidade. Que o diga Paulo, que para que não se exaltasse pela excelência das revelações que recebera de Deus, recebeu de bônus um espinho na carne.

De fato, o mundo não é mais um lugar seguro pra se viver. E não se trata de um fenômeno novo. Desde a Ruptura, o mundo deixou de ser um lugar seguro para a raça humana.

Não só a terra passou a produzir espinhos, mas o próprio coração humano passou a ser um terreno inóspito para o Espírito de Deus e para a Sua Palavra.

Na parábola do Semeador, Jesus diz que uma parte das sementes “caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram (...) O que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mt.13:7,22).

O homem natural não consegue entender as coisas espirituais, pois lhe parecem loucura, já dizia Paulo. Seu coração está tomado de espinhos, devido à sua natureza degenerada. Jesus identifica esses espinhos com “os cuidados deste mundo”, e com “a sedução das riquezas”. Quando ele começa a achar que está conseguindo preencher o vazio de sua alma, esses mesmos espinhos lhe causam perfurações tão agudas, que acabam por ocasionar em um vazio ainda maior.

O que esperar de uma raça caída, com a alma tomada por espinhos?

Miquéias, em um momento de desespero, deixa escapar um grito:

“Ai de mim! Estou feito como quando são colhidas as frutas do verão, como os rabiscos da vindima; não há cacho de uvas para comer, nem figos temporãos para que a minha alma deseja. Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores. O melhor deles é como um espinho, o mais reto é pior do que uma sebe de espinhos. Veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua visitação. Agora é o tempo da sua confusão. Não creiais no amigo; não confieis no companheiro. Daquela que repousa no teu seio guarda as portas da tua boca. Pois o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa”. Miquéias 7:1-6.

Sentimo-nos envergonhados, e igualmente desesperados quando constatamos a grave situação em que se encontra a humanidade. Corrupção, impunidade, terrorismo, intrigas, são apenas alguns dos espinhos produzidos no terreno inóspito do coração humano sem Deus. Mas o que dizer da Igreja, a nova humanidade recriada em Cristo. O que se deve esperar dela?

“A terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus. Mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição. O seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e pertencentes à salvação, ainda que assim falamos”.
Hebreus 6:7-9.

Esta é a promessa de Deus para com o Israel da Nova Aliança: “A casa de Israel nunca mais terá espinho que a pique, nem abrolho que lhe cause dor, entre os que se acham ao redor deles e que os desprezam. Então saberão que eu sou o Senhor Deus” (Ez.28:24).

Somos o povo regenerado por Deus. Somos a nova Criação. Somos a nova Terra. E o prenúncio de que em breve, tudo à nossa volta será igualmente regenerado. O preço pago por Cristo na Cruz, não apenas liquidou nossa fatura, mas também desfez a maldição que pesava sobre a natureza. A coroa de espinhos que Ele trazia em Sua cabeça apontava para a redenção de toda a criação (Mc.15:16-17). A Cabeça da nova humanidade, Cristo, foi perfurada pelos espinhos da nossa vaidade. Antes que os espinhos brotem na terra, eles brotam na cabeça, na mente, na consciência humana cauterizada pelo pecado. Por isso, Cristo teve Sua cabeça coroada de espinhos. Lá na cruz, Deus feito homem, arcou com as conseqüências da Queda.

Uma vez que Cristo tenha pagado o preço da redenção da criação, resta-nos trabalhar para que a humanidade se alie ao resto da criação, deixando de ser predadora e destruidora, para ser sua cultivadora e guardiã.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

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Maria, Isabel e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5). Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte. Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

segunda-feira, julho 16, 2007

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O Propósito de Deus para a Criação

Foi o Criador quem disse: “Eu anuncio o fim desde o princípio”! Jamais entenderemos o fim, sem compreendermos o princípio de tudo. Tudo está conectado. Tudo faz sentido.

Toda a confusão que se faz em torno da escatologia, se deve à negligência quanto ao início de tudo.

Por que tantos defendem que o mundo caminha para uma destruição iminente? Porque não atentaram para a avaliação que Deus fez da Sua obra.

A criação não é um rascunho. Ela é a obra-prima de Deus.

De acordo com a narrativa de Gênesis, a cada etapa da criação, Deus avaliava Sua obra. Depois de avaliar como boas todas as coisas que criara, Deus emitiu a avaliação final: “Viu Deus tudo o que tinha feito, e que era MUITO BOM” (Gn.1:31). Podemos substituir o “muito bom” por “excelente”. Foi essa a nota que o Criador deu ao conjunto de Sua obra.

Quem insiste com a idéia de que Deus vai destruir este Universo, para criar um melhor, incorre no erro de achar que Deus possa superar a Si mesmo. As Escrituras não dizem que Deus pretende fazer tudo de novo, e sim que Ele fará novas todas as coisas. “Tudo novo” não significa “tudo de novo”. Não se trata de uma nova criação que emirja do nada, mas de uma renovação de todas as coisas. Por isso, podemos afirmar que Deus é o autor da reciclagem. Ele não vai descartar Sua obra, mas reciclá-la por completo.

Nosso Universo não é um laboratório, e tampouco somos cobaias de um deus ainda em formação acadêmica. Ele não está ensaiando a peça, mas a está encenando. Nosso Universo não é um ensaio, é o espetáculo.

Este mundo não é uma experiência, nem uma obra inacabada. “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados” (Gn.2:1). O gênero humano foi, por assim dizer, a pincelada final da criação.

E a criação tem um propósito específico. Ela não é um acidente cósmico, e nem surgiu espontaneamente. “Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16b). Por isso Jesus é introduzido em Apocalipse como o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o ponto de partida e a linha de chegada de toda a criação. Tudo converge n’Ele!

Ninguém consegue montar um quebra-cabeça, sem ter um modelo com a imagem que se quer alcançar. Cristo é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Ele é a imagem que emerge do mosaico da criação.

Ele é o protótipo, o modelo usado por Deus para criar tudo o que há. Por isso se diz que Ele é o princípio da criação. Ele é a imagem que Deus vê refletida em um Universo que Lhe serve de espelho.

Em Cristo, todas as peças do quebra-cabeça da criação se encaixam perfeitamente. Através d’Ele a criação pode refletir a glória do Seu Criador. N’Ele, o Deus invisível revela o Seu rosto. Nas palavras de Paulo, “os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas” (Rm.1:20a). Tudo fica muito nítido e claro, quando miramos a criação devidamente conectada em Cristo. N’Ele tudo se harmoniza perfeitamente.

Se Deus é o Autor da peça, Cristo é o Protagonista, a Criação é o cenário, o Espírito Santo é o Holofote, e nós somos a platéia.

quinta-feira, maio 03, 2007

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A coisa tá ficando quente!

Desde Fevereiro deste ano entrou em circulação o primeiro de três volumes do quarto relatório de avaliação global, feito por um painel de 500 cientistas, todos reunidos em uma conferência da ONU em Paris, que concluiu com 90% de certeza que o aquecimento global tem sido causado pela ação humana. O pior de tudo é que o prognóstico não é nada alentador: a temperatura média da Terra aumentará, até o final do século XXI, entre 1,8°C e 4°C.

Veja abaixo os principais pontos do relatório do IPCC:

- Até o fim deste século, a temperatura da Terra pode subir de 1,8ºC até 4ºC. Na pior das previsões, essa alta pode chegar a 6,4°C.
- O nível dos oceanos vai aumentar de 18 a 59 centímetros até 2.100, o que significa que 200 milhões de pessoas terão de abandonar suas casas.
- As chuvas devem aumentar cerca de 20%.
- O gelo do Pólo Norte poderia ser completamente derretido no verão, por volta de 2100
- Nos ciclones tropicais, a velocidade do vento e as chuvas serão mais intensas.
- O aquecimento da Terra não será homogêneo e será mais sentido nos continentes do que no oceano. O hemisfério norte será mais afetado do que o sul
- No Brasil, o aquecimento mais intenso ocorrerá no final deste século, no Centro-Oeste e no Norte, regiões que abrigam a Floresta Amazônica.
- O sul da Ásia será uma das regiões mais afetadas
- O encolhimento das geleiras ameaçará o suprimento de água para, pelo menos, 50 milhões de pessoas.
- Ao menos 300 mil pessoas morrerão a cada ano devido a doenças relacionadas com as alterações climáticas
- Haverá morte de 80% dos recifes de coral. A Grande Barreira de Corais, na Austrália, irá desaparecer.
- As emissões passadas e futuras de CO2 continuarão contribuindo para o aquecimento global e a elevação do nível dos mares durante mais de um milênio.
- O aquecimento do planeta se deve, com 90% de probabilidade, às emissões de dióxido de carbono e outros gases que causam o efeito estufa, provocado pela mão do homem.
- As geleiras estão derretendo três vezes mais rápido do que na década de 80. Isso provocou uma diminuição de espessura de 60 a 70 centímetros, em média, em 2005.
- O nível do mar subiu 1,8 mm entre 1961 e 2003.
- Onze dos últimos 12 anos foram os mais quentes desde que a temperatura terrestre começou a ser medida, em 1850.
- A temperatura nos oceanos está subindo e eles estão absorvendo 80% do calor que foi adicionado sistema climático da Terra. Isso faz com que o nível dos mares aumente
- A temperatura média no Ártico tem aumentado quase duas vezes mais do que a média global nos últimos 100 anos
- A quantidade de chuvas aumentou no leste das Américas do Norte e do Sul, norte da Europa e centro e norte da Ásia.
- As secas estão mais fortes no Sahel (África), no Mediterrâneo, no sul da África e em algumas áreas do sul da Ásia.