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quinta-feira, julho 27, 2017

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Um Deus de transições e não de rupturas abruptas


Hermes C. Fernandes


A maioria dos cristãos crê que haverá um tempo de justiça e paz no mundo. Uns creem que isso se dará paulatinamente através do avanço do evangelho. Mas a maioria prefere acreditar que isso se dará subitamente, quando Cristo vier em glória para estabelecer o Seu reino. Para nutrirmos uma esperança bem fundamentada, precisamos recorrer às Escrituras em busca do modus operandi de Deus.

Como Deus tem trabalhado ao longo da História, através de rupturas ou transições?

Se Ele trabalha com rupturas, é justo esperar que a qualquer momento a História sofrerá uma intervenção radical por parte de Deus, seja através de um vultuoso avivamento repentino, ou através da volta iminente de Cristo para o estabelecimento do Seu reino de paz e justiça.

Mas se for comprovado que o método usado por Deus é caracterizado por transições em vez de rupturas, é plausível esperar que Ele trabalhe de maneira gradativa na expansão do Seu reino entre os homens.

Será que encontramos na natureza algum indício de como Deus trabalha?

Em Gênesis 8:22 lemos: “Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite”. Verão e inverno são dois extremos dentre as estações. Foram as duas primeiras estações a serem nomeadas pelos humanos. O verão é caracterizado pelo calor, enquanto o inverno, pelo frio. Com o passar do tempo, os homens observaram que entre um extremo e outro, havia uma período de transição. O calor do verão não cede ao frio do inverno de um dia para o outro. Antes que o inverno chegue, o verão tem que ceder lugar ao outono. E antes que o verão volte, o inverno cede sua vez à primavera. Hoje entendemos que o ano é dividido em quatro estações, e não apenas duas.



Da mesma maneira, o dia é dividido em duas partes de doze horas cada: o dia e a noite. O dia não vira noite de um minuto para o outro. Não se acende o sol como quem aperta um interruptor. Para que a noite vire dia, há um período extenso de transição que chamamos de “madrugada”. E para que o dia se torne noite, há um período chamado de “tarde”, ou “entardecer”. Da madrugada para a manhã há um breve momento chamado de “aurora”, ou “alvorada”. Da tarde para a noite há um breve momento chamado de “crepúsculo” (pôr-do-sol). Nada acontece abruptamente. Tudo obedece a uma ordem, a uma seqüência.

Podemos observar algo parecido no desenvolvimento da vida humana. Entre a infância e a vida adulta, há um período intermediário chamado “adolescência”. Neste período o indivíduo se adapta às novas dimensões do seu corpo, bem como às novas responsabilidades sociais da fase adulta. Ora se comporta como criança, ora como adulto. Alguns chamam esta fase de “aborrecência”, devido aos aborrecimentos sofridos pelos pais. Mas até isso é uma maneira de preparar os pais para “perder” seus filhos, atenuando o sofrimento por sua partida.


Da fase adulta à velhice, há um período intermediário que chamamos de “meia-idade”. Aos poucos, nossas forças diminuem, e nos habituamos às limitações da terceira-idade. Já a velhice nos prepara para o grande salto, o momento da morte. O fato de sermos relegados a um segundo plano, nos dá a consciência de que a vida segue sem nós, de que não somos indispensáveis. O maior sofrimento que a morte trás se deve ao fato de não admitirmos que somos dispensáveis. Rubem Alves disse certa vez, quando perguntado se tinha medo da morte: “Não tenho medo da morte, tenho pena”. A gente tem dificuldade de aceitar que o mundo continua em sua trajetória, mesmo em nossa ausência. Não somos indispensáveis. E a velhice é o período que nos dá essa lição.



Imagine se dormíssemos crianças, e acordássemos adultos? E se no outro dia, amanhecêssemos idosos? O filme “De repente trinta” fala sobre uma adolescente que acorda com trinta anos. Sem ter tido tempo para se adaptar, ela passa pelas situações mais inusitadas e cômicas. Cada fase do desenvolvimento humano traz seus próprios desafios, e nos prepara para a próxima. O próprio Cristo teve de passar por cada fase. Ele poderia ter descido do céu já adulto. Mas em vez disso, experimentou ser um espermatozoide, depois um feto, um embrião, um bebê, uma criança, um adolescente, até chegar à maturidade, quando teve Sua trajetória interrompida pela morte, e por isso, não teve oportunidade de envelhecer. Por que Ele não apareceu já adulto, oferecendo-Se para morrer por nossos pecados? Pra quê ter que passar por tudo aquilo? Ter que aprender a engatinhar, a falar, a andar? Tudo isso indica que Deus usualmente trabalha através de transições, e não de rupturas.

Vejamos, agora, através da História, a maneira preferível de Deus trabalhar. Na criação, por exemplo, Ele poderia ter feito todas as coisas instantaneamente. Bastaria um estalar de dedos, e tudo surgiria do nada. Ninguém duvida que teria poder para isso. Entretanto, preferiu seguir uma seqüência. Tenha sido de 6 dias literais, como creem alguns, ou em bilhões de anos, como advogam os cientistas, o fato é que Deus criou todas as coisas gradativamente, sem pressa.

Ao tirar o povo Hebreu do Egito, Deus poderia tê-los arrebatados até a Terra Prometida. Isso não constituiria qualquer dificuldade para Deus. Se Ele foi capaz de arrebatar Filipe, levando-o de um lugar ao outro em segundos, por que não poderia arrebatar todos os hebreus de uma só vez, poupando tanto trabalho? Mas em vez disso, permitiu que eles peregrinassem por 40 anos no deserto, até que estivessem prontos para herdar a Terra da Promessa. Já foi dito que o mais difícil não foi tirá-los do Egito, mas tirar o Egito do coração deles. O deserto representa o período de transição entre o cativeiro e a promessa.

Quando chegaram à Terra que manava leite e mel, Deus poderia ter instituído um reino imediatamente. Mas antes que Israel estivesse pronto para ser governado por um monarca escolhido por Deus, teve que viver debaixo da autoridade dos juízes por muitos anos. Homens como Gideão, Sansão, Samuel, e até uma mulher, Débora, ajudaram a preparar o povo israelita para viver sob a autoridade de um rei ungido por Deus.

Ao inaugurar a Era da Graça, Jesus sabia que a igreja necessitaria de um período de adaptação. O livro de Atos narra essa fase de transição. Por isso, não pode tomar o livro de Atos como normativo para igreja nos dias de hoje. A igreja primitiva não nos serve de modelo. Nela, encontramos situações atípicas, como a que Paulo tomou a Timóteo, que era filho de pai grego, e o circuncidou “por causa dos judeus” (At.16:3). Mais tarde, o próprio Paulo advertiu: “Escutai! Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará” (Gl.5:2). Atos nos apresenta uma igreja adolescente, que ainda não se acostumara à realidade da Graça, e por isso, insistia em manter alguns resquícios da Lei. O livro de Atos equivale, no Novo Testamento, ao livro de Êxodos no Antigo Testamento. Ele narra a peregrinação do Novo Israel, da escravidão da Lei, para a liberdade da Graça. Por isso, nenhuma doutrina pode se fundamentar unicamente no livro de Atos dos Apóstolos. Entre a remoção da Antiga Aliança, e a implementação da Nova, houve um período de transição. Foram necessários cerca de 40 anos, o equivalente a uma geração, para que a igreja tivesse o seu cordão umbilical cortado, rompendo de vez com o judaísmo. Isso se deu quando Jerusalém foi sitiada pelos romanos, e seu templo destruído, conforme previsto por Jesus. A antiga Jerusalém teve que dar lugar à nova Jerusalém, a igreja de Cristo.

E quanto ao Reino de Deus? De que maneira ele se estabelecerá no mundo? Será por uma intervenção abrupta, ou gradativamente? Deixemos que o próprio Jesus nos diga:

“A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e plantou na sua horta. Cresceu e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu. Perguntou mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou.” Lucas 13:18-21
Ambas as parábolas indicam claramente que a implantação do Reino de Deus é gradual, e não abrupta.

É comum vermos cristãos sinceros esperando por uma manifestação espetacular do Reino de Deus no mundo. Mas o modus operandi de Deus é claramente outro, como temos demonstrado aqui. Ele prefere a discrição, em vez do espetáculo. Jesus deixa isso bem claro ao declarar que “o reino de Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de vós”(Lc.17:20-21). Se Ele quisesse, poderia simplesmente aparecer para todos os homens, em um glorioso espetáculo, e dizer: Eu sou Deus! Tratem de obedecer aos meus mandamentos! Mas, pelo que tudo indica, não é isso que Ele pretende fazer.

A semente de mostarda já foi plantada. O Filho de Deus já estabeleceu Seu Reino entre os homens em Seu primeiro advento. E o fermento já começa a levedar! Estamos vivendo em um período de transição. Em breve, aquela pequena semente terá se espalhado em toda a Terra, e justiça do Reino brotará. Não é à toa que Jesus Se apresenta como a “Estrela da Manhã”, aquela que anuncia que o dia já está amanhecendo.

O caminho proposto por Deus à igreja é a vereda dos justos, que “é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv. 4:18). Estamos a caminho do dia perfeito, quando o Sol da Justiça brilhará em todo o Seu resplendor. João dá testemunho de que “as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8). Paulo também parece concordar com a afirmação joanina, ao declarar: “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”(Rm.13:12). É hora de aposentarmos nossos pijamas, e despertarmos para vivermos o novo dia, que começou quando Cristo rendeu Seu espírito na Cruz, dizendo: Está consumado. Na Cruz, as trevas encontraram o seu apogeu, pois no relógio profético, ela se deu à meia-noite. Por isso Jesus afirmou ao ser preso: “Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc.22:53).

A partir da Cruz, começa o novo dia. Portanto, a tendência é que as coisas clareiem, em vez de escurecerem. Em outras palavras, o mundo caminha para a restauração, e não para a destruição, como insistem alguns.

Quando começa um novo dia? Não é no primeiro segundo após a meia -noite? Entretanto, a noite continua tão escura quanto antes. Porém, a partir daí, gradativamente, as trevas vão cedendo à luz. Ainda que os olhos não percebam, dado o caráter paulatino com que o dia vai clareando. As horas que se seguem testemunham o embate entre as trevas e a luz. Invariavelmente, as trevas são vencidas.  Afinal,“a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram sobre ela” (Jo.1:5).

Horas depois, surge no horizonte a estrela da manhã, anunciando que a qualquer momento, os primeiros raios solares serão vistos. Não é à toa que Jesus Se apresenta nas páginas de Apocalipse como a Estrela da Manhã (Ap.22:16).

Em breve, a luz do Evangelho terá alcançado todos os povos, e o novo dia alcançará o seu apogeu. Todas as nações se renderão à Cristo, Luz do Novo Dia. “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele” (Sl.22:27). Em outras palavras, o bem triunfará. As trevas serão totalmente dissipadas. A verdade e o amor prevalecerão. E aí... será dia perfeito!

Podemos dizer que estamos vivenciando a aurora deste Novo Dia. Já podemos contemplar o degradê, resultado dos primeiros raios solares que despontam no horizonte celeste.

Cabem aqui as palavras proféticas proferidas por Isaías: “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti” (Is.60:1-2). Repare no uso do gerúndio, demonstrando claramente que se trata de uma transição, e não de algo abrupto: “A glória do Senhor vai nascendo sobre ti (...) Sobre ti o Senhor vem surgindo”. Portanto, é hora de levantar, de despertar de nosso sono letárgico, e assumirmos uma postura de vanguarda neste mundo. Esta é a ordem do dia para igreja de Cristo espalhada no mundo:“Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”(Ef.5:14). Em vez de ficarmos aguardando uma manifestação repentina do Reino de Deus, arregacemos as mangas e trabalhemos por sua expansão.

Já, já, poderemos fazer coro com Salomão: “Vê! Já passou o inverno; as chuvas cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma” (Ct.2:11-13a).

terça-feira, junho 06, 2017

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As Dez Virgens: Parábola usada para aterrorizar os crentes


Por Hermes C. Fernandes


Uma das passagens mais usadas para aterrorizar os crentes é a parábola das Dez Virgens. De acordo com a interpretação de alguns pregadores, a parábola indica que apenas uma porcentagem dos crentes em Jesus participariam do Arrebatamento, e os demais seriam deixados para trás. Se formos um pouco mais literais, somente 50% dos crentes serão realmente salvos. Os demais estão entre os imprudentes, que serão pegos de surpresa, despreparados, e por isso, inaptos para subir com Cristo.

Será que tal interpretação faz jus àquilo que Jesus intentava dizer aos Seus discípulos?

Nessa parábola, Jesus está falando da chegada do reino, e não de Sua segunda Vinda. E o Seu reino foi inaugurado ainda em Seu primeiro advento. O texto diz que “o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo” (Mateus 25:1).

Soa até estranho, se não atentarmos para o contexto cultural da época. Estaria Jesus defendendo algum tipo de poligamia? Por que “dez virgens”, em vez de apenas uma? Teria Jesus mais de uma noiva?

As virgens da parábola não seriam desposadas pelo noivo. Elas eram como “madrinhas” da noiva. Fazia parte do ritual de bodas judaicas, o encontro das “madrinhas” virgens com o noivo para acompanhá-lo até a noiva.

Ora, o noivo da parábola representa o próprio Cristo. E a noiva, embora não figure na parábola, é a Igreja. Quem seriam, então, as virgens? Elas representam o povo judeu.

É interessante que em outra passagem, João Batista se apresenta como “o amigo do Noivo”. Além das virgens madrinhas, o noivo também era assistido por um amigo, geralmente, aquele que fosse considerado o melhor amigo. Assim como não podemos confundir o noivo com o amigo do noivo, também não podemos confundir a noiva com as dez virgens.

Ao ser confundido com o Cristo, João respondeu: “Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo do noivo, que lhe assiste, espera e ouve, e alegra-se muito com a voz do noivo. Essa alegria é minha, e agora está completa” (João 3:28b-29).

De acordo com o protocolo, as virgens madrinhas deveriam sair ao encontro do noivo, portando lâmpadas devidamente acesas.

Segundo a parábola, dentre as dez virgens, cinco eram prudentes, e cinco eram insensatas.
“As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com suas lâmpadas. Demorando o noivo, todas elas acabaram cochilando e dormindo.” Mateus 25:3-5
Repare no detalhe: todas elas acabaram dormindo. Ficaram desatentas, e cochilaram. A diferença entre elas era o suplemento extra de azeite que cinco delas haviam trago. Portanto, a questão não era apenas de vigilância, como bradam os pregadores, mas de prevenção e prudência. Ser prudente aqui, é ser precavido.

Por isso, não parece razoável usar esse texto para amedrontar os crentes, fazendo-os duvidar de sua salvação, temendo que o Senhor lhes flagre “dormindo”. Paulo escreve acerca disso em sua primeira epístola endereçada à igreja em Tessalônica:
“Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas, não necessitais de que se vos escreva, pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite (sem aviso prévio) (...) Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz, e filhos do dia. Nós não somos da noite, nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios. Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios (...) Pois Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nís, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.” I Tessalonicenses 5:1-2,4-8a, 9-10
É claro que devemos “vigiar”, isto é, estar atentos, para que não sejamos surpreendidos. Entretanto, quer vigiemos ou durmamos, nosso encontro com o Senhor é garantido. O risco é o de sermos pegos de surpresa, e não o de sermos condenados. Voltando à parábola:
“Mas, à meia-noite ouviu-se um grito: Aí vem o noivo, saí ao seu encontro.” Mateus 25:6
Esse “grito-convocação” foi o grito dos profetas, dos quais, João foi o último expoente. Apenas parte do povo judeu deu ouvidos ao alarde profético. A outra parte se manteve surda e insensível ao apelo de Deus. Faltava-lhes o azeite, a luz, a revelação. Seu coração foi endurecido. Paulo compreendia bem tal situação, pois a havia testemunhado. Em sua última investida evangelística direcionada aos judeus, o apóstolo dos gentios se viu profundamente decepcionado com seus patrícios.

Segundo o relato de Atos, dentre os judeus que vieram ao seu encontro em Roma, “alguns foram persuadidos pelo que ele dizia, mas outros não creram” (28:24). Os que criam eram as virgens prudentes, e os que desdenhavam eram as virgens insensatas. Suas lâmpadas estavam apagadas. Lucas diz que eles “discordaram entre si, e começaram a sair, havendo Paulo dito esta palavra: Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías: Vai a este povo, e dize: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Pois o coração deste povo está endurecido; com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, e se convertam e eu os cure” (Atos 28:25-27).

Dentre os filhos de Israel, somente o remanescente pôde entrar no Reino de Deus. Quem são os remanescentes? Os que deram ouvidos ao grito profético, e foram ao encontro do Noivo. Isso é confirmado por outras passagens, como aquela que Paulo menciona aos Romanos: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo”(Romanos 9:27).

Somente os que atentassem para as profecias, e se dessem conta de que elas falam de Jesus de Nazaré, e confiassem em Sua provisão para a salvação, seriam, de fato, salvos. Ninguém seria salvo por pertencer a uma etnia, ou por ter o sangue de Abraão correndo em suas veias. É Paulo quem afirma: “Tenho declarado tanto aos judeus como aos gregos que devem se converter a Deus, arrepender-se e ter fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20:21).

Por todo o livro de Atos encontramos o cumprimento da parábola das virgens. Em Antioquia, por exemplo, “muitos dos judeus e dos prosélitos devotos seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, exortavam-nos a que permanecessem na graça de Deus”(Atos 13:43). Esses equivalem às “virgens prudentes”. Mas logo abaixo no texto, lemos que “os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja, e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava” (v.45). Esses equivalem às “virgens insensatas”.

A parábola prossegue:
“Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite; as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam: Não seja o caso que nos falte a nós e a vós. Ide antes aos que o vendem, e comprai-o.” Mateus 25:7-9
De quem elas deveriam comprar o azeite? Onde encontrariam a luz de que suas lâmpadas necessitavam? Com a palavra, Simão Pedro, o apóstolo da circuncisão:
“E temos ainda mais firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que ilumina em lugar escuro, até que o dia clareie, e a estrela da manhã surja em vossos corações.” 2 Pedro 1:19
Revelação não é algo que se possa receber de terceiros. Não há como terceirizá-la. Tem-se que buscar na fonte. Podemos adquirir informação através de outros, mas só adquiriremos “azeite” para nossas lâmpadas, se buscarmos diretamente na fonte. Por isso Jesus insistia: “Examinai as Escrituras...”

Por muitos séculos, os judeus negligenciaram a Palavra. Por isso, foram incapazes de reconhecer o Messias, quando Ele apareceu nas ruas da Galileia.

Quando procuraram por Paulo em Roma, queriam um pouco de azeite para suas lâmpadas, mas a porta já se havia fechado. Como disse Jesus, o Reino lhes fora tirado, e entregue a um outro povo, a igreja. Somente os remanescentes “entraram com ele para as bodas”. Para esse “remanescente”, a porta sempre estará aberta. Como bem afirmou o apóstolo: “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça” (Romanos 11:5).

Como vimos, a parábola das virgens jamais teve a intenção de causar pânico aos seguidores de Cristo. Não estamos nem entre as cinco prudentes, nem entre as cinco insensatas. Somos a única noiva do Cordeiro, aquela que está sendo preparada para ser apresentada “como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2 Coríntios 11:2).

domingo, dezembro 11, 2016

62

Fui convencido a rever meus conceitos...



Por Hermes C. Fernandes

Irmãos, peço humildemente que orem por mim. Preciso confessar algo. De uns anos para cá, comecei a ler as Escrituras de maneira diferente, e aos poucos fui abandonando algumas crenças que nutri por muito tempo.

Comecei a acreditar que a igreja de Cristo teria sido incumbida de ser luz para as nações, servindo-lhes de referência de amor e justiça, e que assim, e somente assim, ela conduziria a humanidade aos pés de Cristo. Quanta pretensão! Se Noé, pregoeiro da justiça, só conseguiu salvar a oito, quem a igreja pensa que é para alcançar todas as nações com seu testemunho de amor? Meu Deus, como eu estava cego. Se bem que no caso da igreja, há a presença do Espírito para habilitá-la no cumprimento de sua missão. Mas deixa isso pra lá… Orem pra que eu consiga outra interpretação para o Salmo 22:27-28.

Comecei a acreditar que Deus teria um plano de restaurar esta Terra. Achei até que a igreja deveria se engajar na defesa do meio-ambiente. Quanta bobagem! Pra quê colocar um peso extra sobre os ombros da igreja? Ela não está dando conta nem de salvar as almas, vai salvar o planeta? Não é melhor acreditar que este mundo vai mesmo é pegar fogo? Isso nos livra da responsabilidade indesejável para com as próximas gerações!

É muito mais conveniente acreditar que somos a última geração. Como não vi isso antes?

Vê se pode uma coisa dessas? Como fui tolo ao crer que poderíamos fazer diferença no mundo, infiltrando-nos na cultura, nas ciências, na vida pública, etc. Se somos sal da terra? Sim, mas e daí? Salgar pra quê, se nada pode impedir o processo de putrefação avançado em que se encontra o mundo? Você temperaria uma comida que pretende jogar fora?

Como pude acreditar que Deus estava de braços abertos para todos indistintamente? Ora, ora... como Deus poderia ser conivente com a sem-vergonhice? Viva a família tradicional! Homem é homem. Mulher é mulher! Onde já se viu permitir que crianças sejam adotadas por homossexuais! Quanto ao amor... ah, isso é só um detalhe. Deus se importa mesmo é com os esteriótipos!

Onde estava com a cabeça para acreditar que haveria traços da graça em músicas seculares? Sabe que esses dias voltei a ouvir rádio evangélica? Agora me sinto em casa ouvindo canções que exaltam o que há de mais espiritual em nós: o desejo de vingança! Não tem nem comparação ouvir que minha vitória tem sabor de mel e ouvir que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

Fomos chamados para ser cabeça, não cauda. E quanto a ter o mesmo sentimento que houve em Cristo... isso já é uma outra história...

E pensar que eu já estava acreditando que a ciência era um dom de Deus... Dom de Deus uma ova! Recuso-me a crer que o homem tenha sido fruto de um processo de seleção natural. Evolução é um doutrina de demônios! E para ser coerente com a minha postura anticientífica, nunca mais faço uso de antibióticos. Se não puder crer na literalidade do relato da criação em Gênesis, minha fé vai para o brejo. O edifício inteiro vem abaixo se não endossar o fato de Deus haver feito o homem do barro. A propósito, que estória é esta que a terra é que gira em torno do sol... eu hein! É cada coisa...

Você acredita que eu já estava até orando para que as coisas melhorassem no mundo? A cada nova vacina ou descoberta científica, eu celebra feito um bobo. Será que esqueci que as coisas precisam piorar para apressar a volta de Jesus? Não sei como ainda tem gente engajada em causas sociais. Que gente boba…

Que bom voltar a acreditar que o que importa é que vou passar a eternidade transitando pelas ruas de ouro literais da Nova Jerusalém!

Já estava ficando com saudade daquela sensação que tinha quando criança de que o arrebatamento aconteceria a qualquer momento, e que Deus poderia me flagrar despreparado. Essa estória de salvação eterna só serve mesmo para acalentar nossa confiança, né não? Se nos sentirmos seguros, podemos descansar e relaxar. Nossa santificação só acontece debaixo de pressão. O medo do inferno é imprescindível. Ou você acha que o amor é motivação suficiente?

Já havia até me esquecido do que é enxergar as mãos do diabo em tudo ao meu redor. Voltei a notar a conspiração maligna por trás dos símbolos, logotipos, slogans e, pasmem, dos desenhos animados. Pasmem! Voltei até a ouvir música tocada de trás para frente em busca de mensagens subliminares. E pensar que eu estava crendo que Deus tem o controle de tudo. E o diabo, como fica? Eu sei que está escrito que Cristo o expôs publicamente ao desprezo e o depôs juntamente com seus asseclas. Mas isso é uma outra estória… Deixa quieto… Ninguém precisa saber disso.

Afinal de contas, a versão moderna do evangelho precisa apresentar um diabo mitológico, que ponha em risco não apenas nossa salvação, mas até os planos divinos. Isso mantém a turma esperta.

Pronto, agora estou livre! Posso voltar à buscar por indícios de quem será o anticristo da vez. Sei não… acho que esse papa bonachão pode ser um ótimo candidato. Não sei se opto por ele ou pelo Obama. Ouvi dizer que seu slogan de campanha “Yes, you can”, tocado de trás para frente se ouve “Thank you, Satan!” (Obrigado, Satanás!). Aquele sorriso não me engana! Ou quem sabe o Trump? Ele não! Afinal, foram os cristãos que o elegeram.  Ele estaria mais para um enviado por Deus para construir um muro que impeça os latinos e muçulmanos de adentrarem o solo sagrado americano. E o Lula, hein? Não seria a besta apocalíptica que emerge do mar? Afinal, lula não é molusco? rs

Ah… finalmente! Voltei ao primeiro amor! Ou seria, ao primeiro terror? Sei lá… Só sei que agora estou mais preocupado em morar no céu, do que ver a vontade d’Ele sendo feita aqui na terra, como é feita lá no céu.

Quer saber? Tô nem aí! Quero mais é ver este mundo pegar fogo! Eu sei que Ele disse que tudo que havia criado era muito bom! Mas acho que Ele pode se superar! Esse mundo não é lá grande coisa! Ou é?

Que venha logo o arrebatamento! Estou doido para pular fora daqui. Que bom que Deus não ouve a todas orações. Imagine se Ele houvesse ouvido e atendido aquela oração em que Jesus suplica para não sermos tirados do mundo…

O que eu não sou é besta para ficar por aqui enquanto a dita cuja estiver solta, aprontando das suas. O tal chip já tá rolando por aí. Já pensou ter que receber a marca?

Mas se Ele vier e eu ficar, tudo bem. Vou na segunda chamada. Sei que vai ser dureza passar pela grande tribulação. Principalmente pelo fato de que o Espírito Santo já terá sido tirado da Terra juntamente com a igreja. E aí?… Como é que as pessoas se converterão sem a atuação do Espírito? Como é que as que não foram fiéis para subirem na primeira chamada, mesmo com a atuação do Espírito, serão fiéis na grande tribulação sem a atuação d’Ele?

Este tipo de pergunta começa a me incomodar…

Pelo menos vão reconstruir o templo em Jerusalém… Vai ser tremendo! Dizem que até os sacrifícios voltarão. Por que será? Ah, já sei… porque o sacrifício de Jesus terá perdido a validade. Enquanto não constroem o tal templo, a gente vai se contentando com a réplica construída pela Universal em São Paulo. Pelo menos, sacrifícios não faltam por lá.

Peraí… então, Deus vai voltar a habitar em templos de pedras feitos por mãos humanas? Isso tá começando a ficar complicado para mim.

Orem por mim, irmãos. Tenho medo de que eu sofra uma recaída e volte a ter esperança.

P.S. Sem querer subestimar a inteligência de ninguém, espero que todos percebam o tom irônico desta postagem.

sexta-feira, junho 24, 2016

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Para onde vão os animais ao morrer?



Por Hermes C. Fernandes

Para alguns, trata-se de uma questão descabida, sem qualquer pertinência. Mas para quem já teve ou tem um animal doméstico quase membro da família, o assunto é de extrema importância. Creio que se dependesse de muitos dentre nós, os animais compartilhariam conosco o mesmo destino eterno. Porém, se almejamos por respostas, devemos examinar o que dizem as Escrituras.

Não somos melhores do que os bichos!

E não sou eu quem diz isso, mas o sábio Salomão:
“Disse eu no meu coração: Isso é por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que acontece aos filhos dos homens, isso mesmo também acontece aos animais; a mesma coisa lhes acontece. Como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego, e nenhuma vantagem têm os homens sobre os animais…” Eclesiastes 3:18-19
Alguém poderá objetar: Os seres humanos temos espírito, os animais não. Será? Então, Salomão errou ao dizer que não temos qualquer vantagem sobre eles. E veja o que ele diz mais:
“Todos vão para o mesmo lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem sabe se o espírito dos filhos dos homens vai para cima, e se o espírito dos animais desce pra terra?” (vv.20-21).
Então, os animais também têm espírito, certo? Corretíssimo! Pelo menos é o que acabamos de ler. O amor de Deus não se limita ao ser humano. Deus ama a todas as Suas criaturas, racionais e irracionais. Ele é quem “dá mantimento a toda a criatura, porque o seu amor dura para sempre” (Sl.136:25).

Davi entendia isso perfeitamente, e declara de maneira poética em seu salmo de número 104. Como que em êxtase, o rei salmista declara: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas. Há o mar, vasto e espaçoso, onde se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes (…) Todos esperam de ti que lhe dê o seu sustento em tempo oportuno” (v.24-25,27). Até os leõezinhos “de Deus buscam o seu sustento” (v.21). Era como se Davi mergulhasse no fundo do oceano e se maravilhasse com o que visse ali.

Tive uma sensação de deslumbramento semelhante ao visitar o maior aquário do mundo no SeaWorld em Orlando. É de cair o queixo! Foi deveras emocionante poder tocar nos golfinhos, assistir aos espetáculos com as baleias, adentrar o ambiente artificial reproduzindo o ártico e ver onde descansa o urso polar, assistir ao balé dos pinguins como no filme Happy Feet. Minha mulher e eu fomos literalmente às lágrimas. Disse aos meus filhos que aquele entrosamento entre o homem e os animais era uma amostra grátis do que será na Terra restaurada.

Ou será que seremos a única espécie que desfrutará dos novos céus e da nova terra profetizados pelas Escrituras? O que será das inúmeras espécies animais e vegetais, frutos do gênio divino? Terá Deus criado todas elas apenas como figurantes da trama cujo protagonista é o ser humano? Recuso-me a crer nesta hipótese.

Se Deus não se importasse com os animais, por que os teria poupado no dilúvio?

Seria um desperdício enorme de espaço se somente nós, humanos, habitássemos a Nova Criação. Engana-se quem pensa que nosso destino final será vivermos num céu etéreo, como fantasminhas angelicais tocando suas harpas. Não! Seremos seres humanos completos, dotados de todas as nossas faculdades originais.


A hostilidade que o reino animal nutre contra o homem se deve ao pecado. Deixamos de ser os guardiões do jardim de Deus para sermos sua maior ameaça. Toda a natureza geme na expectativa de ser libertada do cativeiro imposto pela vaidade humana. Quando os filhos de Deus se manifestarem, a natureza será finalmente livre (Rom.8). A Terra não caminha para uma catástrofe final, mas para a libertação. Quando isso ocorrer, a hostilidade terminará, e o homem voltará a integrar-se à criação.

Enquanto não chega o grande dia, devemos zelar pela vida de todos os seres com os quais compartilhamos a Terra. Deus no-los confiou. Tanto os selvagens quanto os domésticos.

Hoje, depois de minha caminhada diária, parei à margem de um lago para fotografar alguns animais (tartarugas, pássaros e patos). Recentemente descobri este novo hobby: fotografar a natureza. Um rapaz americano chamado John me abordou. Ele estava acompanhado de um cão branco a quem chamava carinhosamente de pig (porco). Conversa vai, conversa vem… ele me contou de um acidente automobilístico que sofreu há dois anos, me disse que perdera seus amigos, e que estava perdendo sua casa (por sinal, uma linda casa à beira do lago). A única coisa que lhe restara era seu cão. Mas pra completar seu sofrimento, seu cão, agora com doze anos, estava prestes a morrer. Teria que gastar 8 mil dólares para tentar salvar-lhe a vida numa cirurgia. Por estar financeiramente quebrado, não lhe restou alternativa senão deixá-lo partir. 

Embora não fosse cristão, e de ter-me confidenciado sua ojeriza a religião, John demonstrava um grande amor por seu bicho. O que me remete ao que diz Salomão: “O justo olha pela vida dos seus animais” (Pv.12:10a). Desejei do fundo d’alma que Deus restaurasse a saúde daquele animal. Lembrei-me de Franscisco de Assis que tinha o hábito de orar pelos animais.

Recentemente o SeaWorld foi cenário de uma tragédia envolvendo uma Orca e sua treinadora. Apesar do entrosamento entre eles, a treinadora veio a falecer afogada, depois de ter sido arremessada pelos cabelos num ato aparentemente de fúria do animal.

A AFA (American Family Association), criada pelo reverendo Donald Wildmon defendeu o apedrejamento até a morte da orca. A influente entidade cristã cita passagens da Bíblia para justificar a morte do animal, cuja carne, diz, não deve ser consumida por ninguém. Organizações de defesa de animais de todo mundo reagiram à proposta do apedrejamento. Se depender da AFA, até o proprietário do parque aquático deve ser morto a pedradas, também de acordo com o que manda a Bíblia, argumenta a entidade.

Este é um tipo de fundamentalismo que deve ser rechaçado por cristãos conscientes, que entendem que vivemos sob a égide da Graça e não da Lei.

Uma das mais impressionantes imagens pintadas no livro de Apocalipse está registrada no capítulo 5, do verso 11 ao 14:
“Então olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos seres viventes, e dos anciãos; e o número deles era milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando com grande voz: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Então ouvi a TODA CRIATURA QUE ESTÁ NO CÉU, E NA TERRA, E DEBAIXO DA TERRA, E NO MAR, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o poder para todo sempre. E os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.” 

Repare a forma como o céu e a terra são apresentados unindo-se para formar um enorme coral em adoração ao Cordeiro. Gradativamente, todas as coisas vão sujeitando-se a Cristo. Não só as invisíveis, mas também as visíveis, não só as pertencentes ao mundo espiritual (anjos, querubins e cia), mas também as do mundo animal.

Aos poucos o caos vai se tornando em harmonia; o barulho se transforma numa fenomenal orquestra! Cada evento vai encontrando o seu lugar na majestosa sinfonia composta pelo Cordeiro. Nada fica de fora de escopo desta restauração! O reino animal, o reino vegetal, e o reino mineral se unem para saudar o Rei dos Reis.

No capítulo anterior, João diz que viu um trono, e Alguém assentado sobre ele, e “ao redor do trono havia um arco-íris” (4:3). Este arco-íris nos remete ao episódio em que Deus fez uma aliança com Noé, e estabeleceu o arco-íris como símbolo dessa aliança. O que poucos observam é que aquela aliança de preservação não se limita ao ser humano, mas abrange toda a criação. Assim afirmou o Senhor: “Agora estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós, e com TODOS OS SERES VIVENTES que convosco estão; assim as aves, os animais domésticos e os animais selvagens que saíram da arca, como todos os animais da terra (...) Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, POR GERAÇÕES PERPÉTUAS; O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança entre mim e a terra (...) O arco estará nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da ALIANÇA ETERNA entre Deus e todos os seres viventes de todas as espécies, que estão sobre a terra” (Gn.9:9-10,12-13,16).

Esta aliança jamais vai caducar. Não tem prazo de validade a ser vencido. Por ser eterna, ela não perdeu a validade com o lançamento da Nova Aliança, antes foi confirmada. Oséias, profetizando acerca da Nova Aliança, disse: “Naquele dia farei por eles aliança com os animais do campo, com as aves do céu e com os répteis da terra” (2:18). A Nova Aliança diz respeito à salvação do homem, e, por conseguinte, à restauração da ordem criada. O coral só estará completo quando as vozes angelicais, e as vozes humanas unirem-se às vozes de toda criatura, incluindo os pássaros, os répteis, os mamíferos e os peixes."Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor!" (Sl.150:6).

domingo, novembro 29, 2015

5

A Redenção do Meio-Ambiente e a Coroa de Espinhos


Por Hermes C. Fernandes




Para entendermos melhor a grandiosidade da redenção realizada por Cristo, precisamos compreender a extensão do estrago feito pela Queda/Ruptura. O pecado não apenas atingiu o ser humano, seu protagonista, como também o cenário no qual estava inserido. E isso por causa de profunda ligação entre o homem e a terra. Biblicamente, esses dois termos são muitas vezes intercambiáveis (por exemplo: Sl.96:13; Jr.22:29; Os.1:2; Ap.13:3). Quando Deus fala à Terra, está falando aos seus moradores. O homem não é apenas produto do pó da terra, ele é a Terra, que recebendo o sopro da vida, passa a ter consciência de si mesma, e da realidade na qual está inserida.

O pecado humano não poderia ficar impune. Ele traria resultados que afetariam o homem e o seu ambiente.
“Ao homem disse: Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela produzirá também espinhos e abrolhos, e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás.” Gênesis 3:17-19
Até aquele momento, a Terra era um ecossistema perfeito, um verdadeiro paraíso. Todos os seres vivos estavam em harmonia, e submetiam-se prazerosamente ao homem. Lavrar e guardar a terra era uma atividade extremamente prazerosa e gratificante. Mas agora, o trabalho tornar-se-ia penoso, na medida em que a terra passasse a produzir espinhos e abrolhos. O homem e toda a natureza havia se degenerado.

Nas palavras de Paulo, “a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou” (Rm.8:20). Os espinhos representam a reação da natureza à vaidade humana. Ela que antes estava sujeita ao homem em plena comunhão com seu Criador, agora teria que se sujeitar a um homem rebelde e vaidoso. Por mais que o homem busque construir um ambiente mais acolhedor, tentando de algum modo reproduzir artificialmente o paraíso perdido, os espinhos o acompanham. Isaías profetiza: “Nos seus palácios crescerão espinhos, urtigas e cardos nas suas fortalezas. Ela será uma habitação de chacais, e lar para as corujas” (Is.34:13). Não há como fugir, os espinhos estão por toda parte, como lembrança de que nossa natureza está igualmente degenerada, à exemplo da natureza à nossa volta.


Na verdade, os espinhos servem a um propósito benéfico. Eles nos esvaziam quando estamos inflados por nossa própria vaidade. Que o diga Paulo, que para que não se exaltasse pela excelência das revelações que recebera de Deus, recebeu de bônus um espinho na carne.

De fato, o mundo não é mais um lugar seguro pra se viver. E não se trata de um fenômeno novo. Desde a Ruptura, o mundo deixou de ser um lugar seguro para a raça humana. Não só a terra passou a produzir espinhos, mas o próprio coração humano passou a ser um terreno inóspito para o Espírito de Deus e para a Sua Palavra.

Na parábola do Semeador, Jesus diz que uma parte das sementes “caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram (...) O que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mt.13:7,22).

O homem natural não consegue entender as coisas espirituais, pois lhe parecem loucura, já dizia Paulo. Seu coração está tomado de espinhos, devido à sua natureza degenerada. Jesus identifica esses espinhos com “os cuidados deste mundo”, e com “a sedução das riquezas”. Quando ele começa a achar que está conseguindo preencher o vazio de sua alma, esses mesmos espinhos lhe causam perfurações tão agudas, que acabam por ocasionar em um vazio ainda maior.

O que esperar de uma raça caída, com a alma tomada por espinhos? Miquéias, em um momento de desespero, deixa escapar um grito:
“Ai de mim! Estou feito como quando são colhidas as frutas do verão, como os rabiscos da vindima; não há cacho de uvas para comer, nem figos temporãos para que a minha alma deseja. Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores. O melhor deles é como um espinho, o mais reto é pior do que uma sebe de espinhos. Veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua visitação. Agora é o tempo da sua confusão. Não creiais no amigo; não confieis no companheiro. Daquela que repousa no teu seio guarda as portas da tua boca. Pois o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa”. Miquéias 7:1-6.
Sentimo-nos envergonhados, e igualmente desesperados quando constatamos a grave situação em que se encontra a humanidade. Corrupção, impunidade, terrorismo, intrigas, são apenas alguns dos espinhos produzidos no terreno inóspito do coração humano sem Deus. Mas o que dizer da Igreja, a nova humanidade recriada em Cristo. O que se deve esperar dela?
“A terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus. Mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição. O seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e pertencentes à salvação, ainda que assim falamos.”Hebreus 6:7-9
Esta é a promessa de Deus para com o Israel da Nova Aliança: “A casa de Israel nunca mais terá espinho que a pique, nem abrolho que lhe cause dor, entre os que se acham ao redor deles e que os desprezam. Então saberão que eu sou o Senhor Deus” (Ez.28:24).

Somos o povo regenerado por Deus. Somos a nova Criação. Somos a nova Terra. E o prenúncio de que em breve, tudo à nossa volta será igualmente regenerado. O preço pago por Cristo na Cruz, não apenas liquidou nossa fatura, mas também desfez a maldição que pesava sobre a natureza. A coroa de espinhos que Ele trazia em Sua cabeça apontava para a redenção de toda a criação (Mc.15:16-17). A Cabeça da nova humanidade, Cristo, foi perfurada pelos espinhos da nossa vaidade. Antes que os espinhos brotem na terra, eles brotam na cabeça, na mente, na consciência humana cauterizada pelo pecado. Por isso, Cristo teve Sua cabeça coroada de espinhos. Lá na cruz, Deus feito homem, arcou com as conseqüências da Queda.

Uma vez que Cristo tenha pago o preço da redenção da criação, resta-nos trabalhar para que a humanidade se alie ao resto da criação, deixando de ser predadora e destruidora, para ser sua cultivadora e guardiã.

terça-feira, junho 02, 2015

8

Como será viver em novos céus e nova terra



Por Hermes C. Fernandes

Nada tem despertado mais a imaginação dos cristãos ao longo da história do que a promessa de novos céus e nova terra. Como será viver lá? Que ocupação teremos?

Pelas descrições de alguns, a impressão que se tem é que a vida lá seria um tédio. Imagine passar a eternidade tocando harpas, saltando de nuvem em nuvem... Ou gastar o tempo declarando incessantemente “santo, santo, santo é o Senhor!” Talvez por isso, alguns descrentes afirmem que o inferno pareça bem mais divertido, pelo menos, a julgar por aqueles que temos enviado para lá em comparação aos que acreditamos estarem no céu. Brincadeiras à parte, o que as Escrituras realmente dizem sobre “novos céus e nova terra”? Será que coincide com que temos ouvidos dos púlpitos?

A primeira vez que o tema aparece nas Escrituras é em Isaías 65. Mas devo adiantar que as promessas contidas nesta passagem são surpreendentes e detonam muitas das crendices que têm sido alimentadas ao longo do tempo.

Nos versos 17 e 18 lemos:

 “Vede, eu crio novos céus e nova terra. Não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio, pois crio para Jerusalém alegria, e para o seu povo gozo.”

Repare que o verbo usado está no presente e não no futuro. Ele não diz que criará, mas que cria, ficando subentendido que se trata de uma obra que já está em andamento. Uma espécie de gestação. E de fato, os novos céus e a nova terra são frutos de uma gestação que começou no momento em que terra e céu contraíram núpcias em Cristo na Cruz. Paulo se refere a este fato como “o mistério da sua vontade” em que Deus fez convergir em Cristo todas as coisas, “tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef.1:9-10). É desta união entre céu e terra que surge a nova criação. A cruz foi o lugar de encontro. O abismo que os separava foi transposto. Por isso, na visão narrada por João em Apocalipse, nesta nova criação “o mar já não existe” (Ap.21:1). Na simbologia bíblica, “mar” representa separação.

Como já disse num ensaio anterior, o termo “céu” representa o aspecto subjetivo da realidade, ou mais precisamente a consciência. Enquanto “terra” aponta para o aspecto objetivo da realidade, isto é, aquilo que é palpável, concreto, a criação como um todo. Portanto, “novos céus” são novos níveis de consciência alcançados pela humanidade através da atuação direta do Espírito Santo (Falo mais sobre isso aqui)

Observe que fala-se de “novos céus” no plural, enquanto “nova terra” no singular. Podemos inferir daí que haverá níveis diferentes de consciência. Daí se dizer que o Espírito nos conduz de “glória em glória”(2 Co.3:18). A cada nova glória, uma compreensão mais abrangente e profunda dos propósitos divinos e de nosso lugar no universo.

Retornando a Isaías 65, lemos que nesta nova criação não haveria lembrança das coisas passadas. Longe de sugerir uma espécie de amnésia, o que o texto parece indicar é que não seremos prisioneiros da nostalgia. Sem nossa memória, não seríamos nós mesmos. Nossas ações de graça não teriam qualquer valor. Imagine agradecer a Deus pelo que não lembramos. Não faria qualquer sentido. Apesar de termos nossa memória intacta, não sentiremos saudade do que passou.

Apocalipse 21 traz vários paralelos com Isaías 65 em sua descrição desta surpreendente realidade. No verso 4, lemos que “e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”

A maioria dos cristãos contemporâneos faz uma leitura futurista das profecias contidas em Apocalipse. Porém, devemos nos lembrar que antes que Jesus começasse a descortinar tais coisas aos olhos de João, Ele o instruiu: “Escreve, pois, as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de suceder” (Ap.1:19). Portanto, o livro mais temido da Bíblia contém profecias que já haviam se cumprido, que estavam se cumprindo naquele momento, e que se cumpririam logo após. Creio piamente que a profecia relativa aos novos céus e à nova terra já estão em pleno andamento. Basta ler os versos 5 e 6 do capítulo 21 para se dar conta disso:

“E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido.” Apocalipse 21:5-6a

Ele não disse que aquilo se cumpriria num futuro longínquo, e sim que está cumprido. Da mesma maneira que Ele disse através de Isaías “eu crio novos céus e nova terra” e não “eu criarei...”, em Apocalipse Ele declara “Eis que faço novas todas as coisas” e não “Eis que farei...” O que combina perfeitamente com a declaração de Paulo: “Se alguém está em Cristo, nova criação é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).

Portanto, Ele já tem limpado dos nossos olhos toda lágrima e a morte foi abolida. Alguém poderá objetar: Mas não é isso que temos visto. Ainda choramos e morremos. Todavia, a tristeza que nos atinge não é mais a tristeza segundo o mundo, capaz de nos empurrar para o abismo, mas a tristeza segundo Deus que nos conduz à salvação (2 Co. 7:10). Trata-se daquela tristeza a que Jesus Se refere em João 16:20-22 e que estaria destinada a converter-se em alegria perene. Esta tristeza é, por assim dizer, a própria semente da alegria. Repare que o texto não diz que as lágrimas deixariam de ser vertidas, e sim que seriam limpas, isto é, enxugadas. Para isso, Ele nos derramou o Seu Espírito Consolador. As lágrimas até podem rolar, mas são aparadas pelas mãos d’Aquele que nos ama e consola. Por isso que Paulo diz que apesar de “entristecidos, estamos sempre alegres” (2 Co. 6:10). Ele cria alegria para o Seu povo! E isso, através de uma consciência apaziguada e convencida de que todas as coisas cooperam para o bem dos Seus amados. Afinal, o reino de Deus é, entre outras coisas, alegria (Rm.14:17)!

E quanto à morte? Teria sido banida? Para os que creem, a resposta é SIM. Paulo nos informa em sua segunda epístola a Timóteo, que Cristo Jesus “destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho” (2 Tm.1:10). João ecoa esta mesma verdade ao afirmar que “sabemos que já passamos da morte para a vida” (1 Jo.3:14). E o próprio Jesus afirmou que se alguém guardar a Sua Palavra, “jamais verá a morte” (Jo.8:51).

O que chamamos erroneamente de morte, na verdade não passa de uma passagem do cronos para o kairós, do tempo linear para a eternidade. Deixamos este corpo mortal para receber imediatamente um corpo incorruptível, sem intervalo, sem estado intermediário (Falo mais sobre isso aqui).

Voltando para Isaías 65, deparamo-nos com as mais fascinantes promessas acerca desta nova realidade vislumbrada em Cristo. Lemos nos versos 19-20 que “não haverá mais nela criança que viva poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; aquele que morrer com cem anos, será tido por jovem; o pecador que não conseguir alcançar cem anos será considerado amaldiçoado.”

Quanta informação importante aí, não? Todas elas revelam que os novos céus e a nova terra não devem ser confundidos com a eternidade, mas que é uma realidade que se processa e se concretiza dentro da História e não para além dela. Se não, vejamos: na eternidade não haverá natalidade, enquanto que nos novos céus e a nova terra ainda haverá crianças.A diferença é que o índice de mortalidade infantil será zerada. É nesta direção que estamos caminhando. A cada dia, este índice vai caindo. Perceba também que haverá diferentes faixas etárias, incluindo idosos. De acordo com pesquisas recentes, em breve a expectativa de vida vai ultrapassar os cem anos. Atualmente, gira em torno dos oitenta. No início do século passado era de trinta e oito anos, a mesma do tempo em que Jesus caminhou entre nós. 

Nestes “novos céus e nova terra” ainda haverá morte. Porém, ela não será vista como um bicho papão, mas como um inimigo vencido. A morte biológica continuará até que Cristo venha em glória e nos revista de corpos incorruptíveis.

E ainda: nesta nova configuração da realidade ainda haveria pecadores. Enquanto não recebermos nossos novos corpos, o pecado nos importunará. Estamos livres do seu poder, da sua condenação, mas ainda não nos tornamos livres de sua presença.

O texto também afirma que os habitantes desses novos céus e nova terra, “edificarão casas, e nelas habitarão; plantarão vinhas, e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros nelas habitem, nem plantarão para que outros comam. Pois os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos até a sua velhice”(vv.21-22).

Então, esqueça aquela estória de que ficaremos tocando harpinha e cantando sem parar num coral regido pelo arcanjo Miguel. Casas serão edificadas. Pomares serão cultivados. Portanto, haverá atividades profissionais e econômicas. O que não haverá mais é exploração. Ninguém vai se enriquecer à custa do trabalho alheio. É nesta direção que caminhamos. Em vez de o capital, o que será valorizado é o trabalho. Em vez de o patrimônio, o que será valorizado é o ser humano.

Haverá trabalho, mas não escravidão. Por isso, lemos que ninguém vai trabalhar debalde, isto é, além do necessário, “nem terão filhos para a calamidade, pois serão um povo bendito do Senhor, eles e os seus descendentes com eles. Antes que clamem, responderei; estando eles ainda falando, os ouvirei” (vv.23-24). Fica subentendido que além de trabalho, haverá tempo para o laser. Pais e filhos brincarão juntos. A provisão de Deus os alcançará em todo o tempo. A propósito, se haverá filhos, também haverá relação sexual. Ou haveria outra maneira de procriar?

E agora, a mais surpreendente das promessas:

 “O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi, mas o pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor.” Isaías 65:25

Além de família, trabalho, lazer, também haverá diversidade. Não haverá animosidade entre os que pensam diferentemente.  O que antes nos soava ameaçador, agora será visto como inofensivo e motivo de celebração. A paz terá sido estabelecida entre os homens. Todos se acolherão mutuamente, sem se importar com as diferentes opiniões acerca de questões secundárias. Quando a comunhão plena não for possível, ao menos, se esforçarão para que haja coexistência pacífica e respeitosa. Ninguém vai mudar por imposição de outrem.

Obviamente, o evangelho é poderoso para transformar o caráter de quem quer que seja, de modo que o seu comportamento seja alterado. Quem poderia esperar que um leão pastasse? Porém, isso não lhe dá o direito de exigir que a serpente também mude sua dieta. Se fosse propósito de Deus, isso certamente aconteceria. Quem foi transformado, não deve julgar quem foi mantido em sua natureza, e quem permaneceu como era não pode julgar quem foi transformado. O importante que ambos aprendam a conviver harmoniosamente. Que o cordeiro não se sinta ameaçada pelo lobo, nem o lobo o enxergue como petisco.

Há coisas que podem e devem ser mudadas, porque afetam a terceiros, interferem na convivência harmoniosa entre os seres. Que ótima notícia para as gazelas e zebras! Os leões agora comem capim! Na terra sonhada pelos profetas não haveria vítimas nem algozes. Todos aprenderiam a arte da coexistência. Mas na mesma passagem que fala da inusitada transformação da natureza leonina, diz que as serpentes continuariam sendo o que sempre foram. Sua dieta alimentar seguiria a mesma: o pó. Não veja na figura usada uma representação do demônio. Trata-se, antes, de uma alusão à natureza humana e suas idiossincrasias. Há, portanto, fortes indícios de que Deus esteja bem mais interessado em mudar o que afeta o bem comum e traz prejuízos ou sofrimentos a terceiros. Todavia, Ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó. O pó não é apenas de onde viermos e para onde voltaremos. É aquilo de que somos constituídos. Somos frutos de contingências históricas. Cada qual é filho de seu próprio tempo. Ele jamais exigirá de nós o que não temos para dar. O profeta não diz que nasceriam plumas na serpente, ou que lhe cresceriam pernas. Como também não diz que o leão teria sua juba substituída por chifres. O foco principal da atuação divina são os relacionamentos. Conforme a profecia, o propósito de Deus é que ninguém sofra dano algum, nem deixe um rastro de vítimas por onde passar. A religião é que se preocupa com externalidades, impondo aos fiéis uma mudança superficial e aparente. Contudo, continuam devorando-se uns aos outros, num famigerado canibalismo cujo apetite é estimulado pelo egoísmo.

Se o leão passar a se comportar como um boi, que tal mudança seja fruto de uma conscientização e não de uma imposição. E o que não for passível de mudança, não seja visto como insulto. Fica a cargo do Espírito Santo transformar a quem Ele quiser. E quem somos nós para questionar? Nosso papel se limita a amar. Talvez, nem todos sejam transformados como gostaríamos justamente para que nossos preconceitos e escrúpulos sejam desafiados pelo dom do amor.

A palavra-chave para o que ocorre a partir da concepção dos novos céus e da nova terra é reconciliação. Assim como o céu foi reconciliado com a terra, o subjetivo com o objetivo, o visível com o invisível, Deus com os homens, assim também, todos os seres, de todas as dimensões existentes, estarão reconciliados sob os auspícios da cruz. Nas palavras de Paulo, o apóstolo, “aprouve a Deus que nele (em Cristo) habitasse toda a plenitude, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Col.1:19-20).

Resumindo: na Cruz, céu e terra se uniram para dar início à gestação de “novos céus e nova terra”. Em breve, Cristo, o Supremo Obstetra virá para fazer o parto. O que hoje já é real, porém, oculto aos nossos sentidos, finalmente se manifestará, de modo que todo olho verá. Para os que estão em Cristo, que aprenderam a viver por fé e não por vista, esta realidade já é presente. As promessas feitas em Isaías 65 vão se cumprindo paulatinamente, na medida em que avançamos de glória em glória, de modo que se cumpra o que diz Provérbios: “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando cada vez mais até ser dia perfeito” (Pv. 4:18).

Enquanto não chega o Dia Perfeito, o dia do parto, devemos cuidar da criação como quem cuida de uma gestante. Tanto a terra está grávida de uma nova terra, quanto a igreja formada por aqueles cuja consciência foi transformada está grávida de uma nova humanidade (Leia mais sobre isso aqui).

quarta-feira, maio 13, 2015

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A Árvore da Vida e a Cura das Nações




Por Hermes C. Fernandes

De acordo com as Escrituras, a história da saga humana começa num jardim e termina numa praça. O que os difere é que o jardim era cercado de árvores, enquanto a praça é cercada de edifícios. No centro de ambos, a Árvore da Vida. Ora, a menos que a tal árvore tenha mudado de lugar, somos levados a crer que se trata do mesmo ambiente. O jardim do Éden foi promovido a praça da Nova Jerusalém. E ao redor da Árvore da Vida erigiu-se uma civilização. Uma sociedade formada de seres humanos regenerados. Gente que abriu mão de viver para si, para construir suas vidas ao redor do trono da graça.

O perímetro onde a Árvore da Vida está plantada representa a esfera relacional de plena comunhão entre o Criador e a criatura. O Éden, jardim das delícias, nada mais é do que isso. O pecado nos exilou da presença imediata de Deus. Alienamo-nos d'Ele desde o dia em que, ao comermos de um fruto que nos era vetado, tornamo-nos num ramo de outra árvore, a do conhecimento do bem e do mal. Nossa rebeldia não poderia ter custado mais caro. Fomos expulsos do paraíso de mala e cuia. Nossa nudez foi exposta. Queríamos ser como Deus e descobrimo-nos como animais. Se o fruto do qual comemos fosse apenas do conhecimento do bem, tudo seria mil maravilhas. Mas ele também nos introduziu ao outro lado. O mal se nos tornou familiar. Eis a razão pela qual o mundo está doente.

Sorte nossa Deus não ter desistido de Sua obra.

Desde então, a criação inteira ficou na expectativa de que esta sina seria revertida. Um dia a Árvore da Vida nos seria franqueada novamente. Porém, para isso, alguém teria que enfrentar a espada dos querubins guardiões do jardim. Aquela era a espada da lei. Quem se atrevesse a enfrentá-la, certamente morreria. Por isso, sobre a tampa da Arca da Aliança onde as tábuas da lei foram depositadas, havia dois querubins. O Santo dos Santos onde a Arca fora colocada representa o centro do jardim, lugar da presença imediata de Deus. Cristo enfrentou a espada da lei que bloqueava nosso acesso à Árvore da Vida. Apesar de inocente, tal espada não O poupou. Seu sangue pavimentou nosso caminho de volta ao paraíso, lugar que representa nossa comunhão com o Pai. Seu corpo foi depositado num túmulo emprestado e escoltado por dois anjos, os mesmos que guardavam a Árvore da Vida. Coube a eles anunciar às mulheres lá estiveram que Jesus já não estava ali. A última aparição destes guardiões se deu quando o mesmo Jesus foi assunto ao céu.

Sua morte vicária na cruz reinaugurou o paraíso. O ladrão que morria ao Seu lado foi o convidado de honra para cortar a fita. Os guardiões da Árvore da Vida foram promovidos a arautos do reino. "Ele não está mais aqui!", anunciaram à porta do sepulcro que ficava exatamente no centro de um jardim.

Todo aquele que n'Ele crê, alimenta-se do Seu fruto e recebe a vida eterna. Foi Ele mesmo quem nos afiançou: "Quem de mim se alimenta, também viverá por mim" (Jo.6:57).

Cristo é a Árvore da Vida. Como Deus e Homem, Ele é aquele que enfrenta a espada da lei para garantir-nos acesso a Si mesmo. E ao d'Ele nos alimentarmos, tornamo-nos ramos da Videira Verdadeira. Etimologicamente, "videira" significa justamente "árvore de vida".

Somos, portanto, ramos da Árvore da Vida que é Cristo, plantados à margem do Rio da Vida, que é o Espírito Santo, e temos um duplo objetivo: produzir frutos para Deus, e remédio para as nações através de nossas folhas (Ap.22:1-2; Ez.47:12). Sempre que me deparava com essas passagens em, me perguntava em que sentido nossas folhas curariam as nações.

Para que servem as folhas de uma árvore, afinal? Para produzir o oxigênio. Isso se dá através de um processo conhecido como fotossíntese.

Para que esse processo ocorra, é necessário a atuação de três agentes: o sol, com a sua luz (foton); o gás carbônico produzido por todos os que respiram, e que é considerado nocivo para nós mesmos; e as folhas, com seu poder de processar esse gás carbônico, devolvendo-o à atmosfera em forma de oxigênio.

Interessante essa analogia... Recebemos de Deus o bem, mas por causa de nossa natureza caída, o bem passa por nós, e transforma em algo nocivo aos nossos semelhantes e a nós mesmos. Recebemos da natureza o oxigênio, que depois de passar por nós, se transforma em gás carbônico. Nossa natureza caída transforma remédio em veneno, vida em morte, amor em ódio, justiça em vingança.

Não precisamos nos esforçar para isso. Está em nossa natureza. Por isso, Paulo dizia: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem" (Rm.7:18).

Deus, em Sua infinita sabedoria, plantou no meio do Seu Jardim (humanidade) a Árvore da Vida. Aos nos convertermos a Ele, tornamo-nos ramos dessa árvore. E nossa suprema missão é reverter esse quadro danoso, esse círculo vicioso de ódio, rancor e vingança.

Mas não podemos fazê-lo sozinho. Não é na força de nosso braço. Como diz a Escritura, não é por força, nem por violência, pelo Espírito. Lá fora está o Mundo sem Deus, a humanidade caída, produzindo males para si mesma. Nosso papel, como Igreja de Cristo, é romper com o ciclo da maldade, e transformar o mal que recebemos em bem.

Como se dará essa "química"? Como processá-la? Que misteriosa alquimia é esta, capaz de transformar "ferro velho" em ouro?

Sozinhos? Impossível! E é aí que entra o único que pode produzir a síntese perfeita: Deus.

Tal qual o Sol na fotossíntese, é o Pai Celestial que origina todo o processo. Como vimos, a Árvore da Vida é Cristo, do qual somos ramos. As folhas representam a manifestação da natureza divina em nós, capaz de transformar o mal recebido em bem.

A Igreja de Cristo é como um poderoso reator, capaz de processar todo mal que recebe, e devolvê-lo ao mundo em forma de perdão e amor.
"Abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis (...) A ninguém torneis mal por mal (...) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem." Romanos 12:14,17a,21
"Não pagueis mal por mal, nem injúria por injúria. Pelo contrário, bendizei, porque para isso fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança (...) Tende uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo. Melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo o mal." 1 Pedro 3:9,16-17
E é assim que o bom perfume de Cristo é extraído de nós, e exalado no mundo. Em vez de questionarmos a razão de sofrermos, devemos receber a injustiça, e devolvê-la ao mundo em forma de amor. E será assim que o mundo passará por aquilo que chamo de amorização. A Terra se encherá do conhecimento de Deus, e a fragrância de Seu amor reunirá todos os povos ao redor do Trono da Graça.

terça-feira, maio 12, 2015

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Um clamor pela Cura do Mundo



Por Hermes C. Fernandes


O mundo está doente. Basta passar os olhos pelas manchetes dos jornais para constatar isso. E quem, por mais desumano que fosse, daria as costas a um paciente neste estado? Geralmente, ao menor sinal de enfermidade, corremos para o médico. Por mais romântica que seja a visão que tenhamos do céu, o fato é que ninguém quer morrer. O céu pode esperar. Na última noite, por exemplo, foi acometido por um mal estar súbito. Minha pressão foi a 19 por 11. Minhas mãos e pés ficaram gelados. Tive calafrios. A única coisa que ouvia dos lábios dos meus filhos era: pai, você precisa de um hospital urgentemente. Quem me conhece sabe o quanto evito ter que recorrer ao médico. Porém, o receio de que as coisas piorassem fez com que deixasse tudo e saísse às pressas para o hospital. Graças a Deus, sobrevivi. Foi um baita susto. Mas o Senhor, em Sua infinita misericórdia poupou meus filhos de ficarem órfãos a esta altura da vida. Agora, imagine se ao chegar ao hospital os médicos se negassem a me prestar socorro. Talvez eu não estivesse aqui agora digitando este post. Aliás, eu deveria estar de repouso, mas não quero desperdiçar a oportunidade de compartilhar o que o Senhor me permitiu compreender.

O fato é que a igreja tem se negado a prestar socorro a um mundo em estado terminal. Alguns, por se sentirem impotentes, achando que não há nada que possa ser feito para reverter o quadro. Outros, por simples negligência. Em outras palavras, uns até querem, mas acham que não podem. Enquanto outros, sabem que podem, mas não querem. Porém, a grande maioria ignora que o propósito de Deus seja o de curar o mundo.

É lamentável perceber que enquanto a igreja se distancia da realidade, profetas seculares emprestam os lábios à graça comum para expressar o anseio da criação por cura. Em sua canção "Heal the World" (Cure o Mundo), Michael Jackson diz: "Na graça, não podemos sentir medo ou pavor. Nós paramos de existir e começamos a viver (...) Então faça um mundo melhor (...) Cure o mundo! Faça dele um lugar melhor pra você e pra mim e toda a raça humana. Tem pessoas morrendo. Se você se importa o suficiente com os vivos, faça do mundo um lugar melhor (...) E os sonhos que foram concebidos revelarão um rosto alegre. E o mundo, uma vez que acreditar, vai brilhar novamente em graça. Então, por que continuamos estrangulando a vida, machucando a terra, crucificando sua alma? (...) Em meu coração, sinto que somos todos irmãos. Crie um mundo sem medo. Juntos choramos lágrimas de felicidade. Veja as nações transformarem suas espadas em arados. Nós podemos chegar lá!"

Este foi um dos últimos sucessos do cantor norte-americano antes de sua morte.

Outro "profeta secular" que se deixou instrumentalizar pela graça comum para expressar tais anseios foi Lulu Santos. Em sua canção "A cura" ele diz: "Existirá, em todo porto tremulará (se hasteará) a velha bandeira da vida. Acenderá todo farol. Iluminará uma ponta de esperança. E se virá, será quando menos se esperar. De onde ninguém imagina. Demolirá toda certeza vã. Não sobrará pedra sobre pedra. Enquanto isso, não nos custa insistir na questão do desejo. Não deixar se extinguir. Desafiando de vez a noção na qual se crê que o inferno é aqui. Existirá e toda raça, então, experimentará para todo o mal a cura."

Em minha opinião, de todas as canções seculares, nenhuma expressa tão bem tal anseio e esperança do que "Perfeição" de Renato Russo:"Venha! Meu coração está com pressa. Quando a esperança está dispersa, só a verdade me liberta. Chega de maldade e ilusão. Venha! O amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera. Nosso futuro recomeça. Venha, que o que vem é perfeição.

Devo confessar que encontro mais conteúdo legitimamente cristão nas letras destas canções do que na maioria das que tocam hoje nas rádios evangélicas. Mas deixemos esta crítica para outra ocasião. Meu objetivo neste post é revelar a esperança que ainda há por parte da criação, mas que, infelizmente, boa parte da igreja parece ter perdido.

Na cabecinha de muitos crentes, nosso único papel é enviar pessoas para o céu. Para os tais, quanto pior estiver o mundo, melhor. Isso apressaria a volta de Jesus. Esta postura ridícula equivaleria estar à beira de um leito hospitalar torcendo pela morte do paciente.

Deus não desistiu da criação! Deus não desistiu da humanidade! Deus não desistiu do Seu mundo. Isso mesmo. Este é o mundo de Deus. Ele não é rascunho, mas um esboço prestes a ter seus traços reforçados pelas mãos do grande arte-finalista.

O pecado borrou a obra-prima de Deus. Mas não é nada que a borracha da graça não possa apagar e o pincel do amor não possa refazer.

O que a igreja parece ignorar é que ela faz parte do processo de cura deste mundo.

No próximo post falarei mais sobre isso. No mais, peço que orem por mim. Continuem orando por minha filha Rayane que está se recuperando da enfermidade que a acometeu. Obrigado pelo carinho demonstrado por ela nas redes sociais.