sábado, outubro 31, 2009

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Amanhã - Guilherme Arantes



Mais uma lindíssima canção que se encaixa perfeitamente na perspectiva reinista do Futuro.

Deleite-se nesta melodia e em sua letra repleta de esperança.

Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã!
Redobrada a força
Prá cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!
Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é prá vicejar
Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Prá se trilhar
Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!

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Não precisamos de novas teses, mas de nova práxis

O assunto carro-chefe da reforma foi, sem dúvida, a justificação pela fé. Os reformadores se aperceberam que a igreja havia se tornado porta-voz da ‘justiça própria’, que é a tentativa do homem de alcançar a salvação por seus próprios méritos.

Tal pensamento resultou na cobrança de indulgências daqueles que almejavam alcançar a salvação.

Os reformadores deveras travaram uma luta hercúlea para resgatar uma das mais importantes doutrinas bíblicas. Suas cabeças foram postas a prêmio, sua reputação lançadas na lama, pelo simples fato de denunciarem os desvios doutrinários apregoados pela sé romana, desmontando assim seu esquema arrecadador.

A graça foi redescoberta. As superstições foram abandonadas. A soberania de Deus destronou a suposta autonomia humana. A arrogância humana definhou.

A justiça própria foi exposta como um trapo de imundície incapaz de estancar nossa hemorragia existencial.

Enfim, a reforma desferiu um golpe certeiro na religiosidade medieval. Conquanto este golpe tenha atingido em cheio o tronco da árvore, deixou intacta a sua raiz, possibilitando-a brotar novamente mais tarde. E de fato, brotou.

Se Lutero pudesse ver em que pé a igreja evangélica chegou, acho que coraria de vergonha. Muito daquilo que Lutero condenava na Igreja Católica de seus dias, tem sido largamente praticado pela igreja advinda de seu movimento, mas numa escala industrial. Sacrifícios, romarias, idolatria, fetiches, são apenas alguns dos sintomas apresentados por uma igreja adoecida e moribunda.

Por que a coisa chegou a este ponto? Seria culpa dos reformadores? Não. O problema é que eles combateram os sintomas, e não a verdadeira doença.

A doutrina da Justificação pela Fé estanca a hemorragia provocada pelo pecado, mas não cura a anemia.

Sem embargo, é importante combater a justiça própria, pois ela nada mais é do que um placebo, um me-engana-que-eu-gosto, ou quando muito, um trapo de imundície (o equivalente ao absorvente feminino). Contem o sangramento, mas não o estanca. É claro que é importante estancar a hemorragia, em vez de tentar contê-la com boas obras. Mas acima de tudo, é importante restaurar a saúde espiritual do ser humano. E pra isso, tem-se que combater o pecado.

Ora, o termo “pecado” significa “errar o alvo”. Qual o alvo original estabelecido por Deus à criatura humana? Essa resposta pode ser encontrada nos dois principais mandamentos de Deus.

...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mt.22:37-40).

Eis o alvo de nossa existência! Fomos feitos para o amor. E o alvo deste amor é Deus, e, por conseguinte, nossos semelhantes. Porém, ao cair, o homem desvirtuou-se do alvo, elegendo um novo alvo: seu próprio eu.

Quem disse que Deus ordenou que o homem amasse a si mesmo? O amor próprio é a essência do pecado. É o próprio pecado. Deus jamais nos ordenaria que pecássemos. Ao dizer que deveríamos amar a nosso próximo como a nós mesmos, ele não está endossando o amor próprio, mas condenando-o. Com efeito, Ele disse: O amor que vocês nutrem por si mesmos, devem dedicar aos outros em vez de a si. O “amor próprio” aqui entra apenas como um referencial, e não como algo louvável e que deva ser estimulado.

O amor próprio, também chamado “auto-estima”, tornou-se na mensagem central de muitos púlpitos em nossos dias. A Teologia da Prosperidade é sua filha caçula.

Todos os desvios doutrinários começam nele.

Por isso, acredito que uma reforma nos moldes da que aconteceu no século XVI não seria suficiente. Seria como tentar colocar vinho novo em odres podres. Precisamos de muito mais do que uma reforma. Precisamos de uma REVOLUÇÃO.

E esta revolução acontecerá quando redescobrirmos a mensagem central de Jesus: o AMOR. O amor que se volta inteiramente para fora de nós mesmos.

Quando a igreja cristã redescobrir o amor, e nele for batizada, ela deixará de existir para si mesma, a passará a existir em função dos que estão do lado de fora. Em vez de ficar buscando reformar-se mais uma vez, a igreja deve voltar sua atenção para o mundo, e trabalhar pela sua restauração.

Uma restauração que não acontecerá por impormos nossos pontos de vista, mas por lançarmos olhares compassivos para os necessitados e aflitos. Uma restauração/revolução que acontecerá quando, em vez de dedos a riste, o mundo encontrar em nós mãos estendidas.

Não precisamos de novas teses, e sim de uma nova práxis, fundamentada na verdade e no amor, fonte de toda graça.

sexta-feira, outubro 30, 2009

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A Revolução do Amor - Última Parte



Aproveito para convidar a todos os meus leitores para conhecer o nosso canal no Youtube, com mais de cem vídeos com mensagens e reflexões. Ao todo, já recebemos mais de 120 mil visitas.

Abaixo a letra da canção que compusemos hoje sobre a Revolução do Amor.

Façamos a revolução

Hermes C. Fernandes em 29/10/09


Toda a criação geme a esperar
a manifestação dos filhos de Deus
que trarão a restauração

Herança assolada Ele nos deu
e uma longa estrada já percorreu,
a alvorada Ele acendeu

Dependendo de Sua graça
Sem temer qualquer ameaça
Façamos a revolução

Nossa arma é o amor
inspirados no Redentor
faremos a revolução

Nossa causa é por justiça
Nossa voz não será omissa
Faremos a revolução

quinta-feira, outubro 29, 2009

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Sem o evangelho...



Sem o evangelho

tudo é inútil e vão;

sem o evangelho
não somos cristãos;

sem o evangelho
toda riqueza é pobreza;
toda sabedoria, loucura diante de Deus;
toda força, fraqueza;
e toda a justiça humana jaz sob a condenação de Deus.

Mas pelo conhecimento do evangelho somos feitos
filhos de Deus,
irmãos de Jesus Cristo,
compatriotas dos santos,
cidadãos do Reino do Céu,
herdeiros de Deus com Jesus Cristo, por meio de quem

os pobres são enriquecidos;
os fracos, fortalecidos;
os néscios, feitos sábios;
os pecadores, justificados;
os solitários, confortados;
os duvidosos, assegurados;
e os escravos, libertados.

O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Assim, tudo o que poderíamos pensar ou desejar deve ser achado somente neste mesmo Jesus Cristo.


Pois ele foi
vendido para nos comprar de volta;
preso para nos libertar;
condenado para nos absolver.

Ele foi
feito maldição para nossa bênção;
ofertado pelo pecado para nossa justificação;
desfigurado para nos tornar belos;

Ele morreu pela nossa vida para que, por seu intermédio,
o furor converta-se em mansidão;
a ira seja apaziguada;
as trevas tornem-se luz;
o temor, reafirmação;
o desprezo seja desprezado;
o débito, cancelado;
o labor, aliviado;
a tristeza convertida em júbilo;
a desdita, em felicidade;
as emboscadas sejam reveladas;
os ataques, atacados;
a violência, rechaçada;
o combate, combatido;
a guerra, guerreada;
a vingança, vingada;
o tormento, atormentado;
o abismo, tragado pelo abismo;
o inferno, trespassado;
a morte, assassinada;
a mortalidade convertida em imortalidade.

Resumindo,
a misericórdia tragou toda a miséria;
e a bondade, toda a infelicidade.

Porque todas essas coisas, que deveriam ser as armas do mal na batalha contra nós, e o aguilhão da morte a nos trespassar, transformam-se em provações que podemos converter em nosso benefício.

Se podemos exultar com o apóstolo, dizendo, Ó inferno, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão? É porque, pelo Espírito de Cristo prometido aos eleitos, já não somos nós quem vive, mas é Cristo quem vive em nós; e, pelo mesmo Espírito, estamos assentados entre aqueles que estão no céu, de modo que, para nós, o mundo já não conta, mesmo que ainda coexistamos nele; mas em tudo estamos contentados, independentemente de país, lugar, condição, vestimentas, alimento e todas essas coisas.

E, portanto,
somos consolados na tribulação,
nos alegramos no infortúnio,
glorificamos quando vituperados,
temos abundância na pobreza,
somos aquecidos na nudez,
pacientes entre os maus,
vivos na morte.

Eis, em síntese, o que deveríamos buscar em toda a Escritura: conhecer verdadeiramente Jesus Cristo e as riquezas infinitas compreendidas nele, as quais nos são ofertadas nele por Deus, o Pai.

João Calvino, reformador protestante

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Nova Reforma ou Revolução?



Acompanhe amanhã a última parte desta série.

quarta-feira, outubro 28, 2009

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O Dia em que Nietzsche orou

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: "Ao Deus desconhecido".

Sei, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Sei, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.

Eu quero Te conhecer, desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, que Te conhecer, quer servir só a Ti.


Friedrich Nietzsche

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O que poderia restaurar a igreja na era pós-moderna?



Este é o primeiro vídeo de uma série de três, que serão exibidos ao longo desta semana em que se comemora a Reforma Protestante.

Não deixe de assistir à continuação amanhã e depois, e tire sua própria conclusão: A igreja cristã precisa de uma nova reforma ou de uma revolução?

terça-feira, outubro 27, 2009

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Dez coisas que amo em você...



1. AMO TUA VOCAÇÃO PROFÉTICA. Quando exerces teu papel profético de denunciar o mal e delatar a injustiça e quando desmascaras corajosamente o rosto imundo da corrupção e serves tu mesma de espelho, para o mundo ver Jesus refletido em teu semblante.

2. AMO TUA CORAGEM DESTEMIDA. Quando desfazes os altares da vaidade, desbancas os postes ídolos do abuso de poder, detonas os totens dos falsos profetas e pastores fingidos, esses que amam a popularidade, a fama e o dinheiro e arrastam milhares de incautos à decepção e à tristeza irreversíveis, até que tu venhas e a ser alento e ponto de apoio para voltarem a caminhar, Para depois correrem livres e voarem em direção a uma vida pujante de alegria e liberdade em Cristo, nunca dantes experimentada.

3. AMO TEU AMOR DESMEDIDO. Quando te identificas com as pessoas às quais tu proclamas a verdade do Evangelho, amando-as incondicionalmente, vendo sempre o bem no outro, e incluindo-o como teu semelhante e irmão de caminhada. Se acontecer algum processo de seleção no final, cabe a Deus fazê-lo, como prerrogativa exclusiva Dele.

4. AMO TEU TESTEMUNHO IMPOLUTO. Quando, em alguns pontos luminosos de tua história, e ainda hoje se vê rasgos nítidos de tua original missão de servir de ponte de retorno entre o mundo perdido e o seio do Pai, de ser farol de referência, lucidez e honradez aos que estão à deriva na correnteza do mar da corrupção, e ser rocha firme aos que afundam na areia movediça das certezas relativizadas.

5. AMO TUA HUMILDADE, À SEMELHANÇA DE TEU MESTRE. quando te conscientizas que teu lugar é servir no vale escuro da dor e da rejeição e não no topo do mundo, debaixo dos holofotes e flashes da fácil aceitação.

6. AMO QUANDO TE MOSTRAS MADURA EM TUA PROPOSTA DE SANTIDADE. Quando descobres que o caminho da maturidade rumo à santidade é o da experiência do andar vivencial com Jesus, e não a freqüência compulsória a um culto, e a liberdade consciente como a melhor forma de amadurecimento em direção ao céu.

7. AMO TUA ESTRATÉGIA INTELIGENTE DE CONQUISTAR O MUNDO.
Quando adotas a teologia encarnacional da identificação participativa e te imiscuis no meio do mundo de forma sutil, subversiva, sem alarde e autopromoção, e através de recursos didáticos criativos se utilizando da cultura e das artes, consegues mudar os rumos da história.

8. AMO TUA OBJETIVIDADE FULMINANTE. Quando não fazes “cavalo de batalha” com coisas inúteis e irrelevantes para a vida como defender doutrinas humanas, dogmas e tradições de usos e costumes, e por outro lado, enfatizas o que é essencial para a vida aqui e o porvir, como incorporar o Evangelho Simples, amar a Jesus, vivenciar o amor entre os irmãos, reunir com os amigos para conversar, assistir o necessitado, abrigar o sem casa, dar alimento ao faminto e prover uma base sólida de educação aos que não teria nenhum futuro consistente e a chance de poder sobreviver nessa sociedade de lobos vorazes que dilaceram o ânimo doa fracos e despedaçam a esperança dos pequeninos. Mas aguarde com paciência o terrível julgamento que recaíra sobre sobre toda a alcatéia desses predadores insaciávais, por tocarem nesses amados pequeninos do Senhor...

9. AMO TEU SENSO AGUÇADO DE JUSTIÇA E MISERICÓRIDIA. Quando usas sabiamente a disciplina bíblica como elemento de cura e inclusão dos que entre ti fraquejam e tropeçam, levando-os invariavelmente ao retorno feliz, e curados, se levantam para ser referencial de vida a tantos outros que caem e tropeçam na caminhada.

10. AMO TUA MISSÃO BASEADA NA COMUNHÃO VIVENCIAL COM O MUNDO. Quando compreendes claramente que o “ide” não é um imperativo, mas “indo”, um gerúndio de convivência relacional no dia-a-dia, dando idéia de “enquanto vão, preguem”. Isso envolve a necessidade da saída do reduto quentinho e confortável do templo para a convivência despretensiosa lá fora, e sem segundas intenções, encontrar as pessoas em seus habitats, áreas de convivência, trabalho e lazer, e se tornando uma delas, fazer o Evangelho conhecido pelo servir sem nenhuma pretenção, a não ser aquela de gerar grandes amizades com os que compartilham conosco a mesma jornada de vida. Tal qual Jesus faria...

QUANDO AGES ASSIM, VIVES O QUE É SER IGREJA NO MUNDO E ENTENDES QUE SER IGREJA É MUITO MAIS DO QUE VEMOS POR AÍ... APESAR DE SER IMPRESSIONANTE O NÚMERO DOS QUE SE JACTAM PERTENCEREM AS TUAS FILEIRAS.

NOTA: Quando me refiro à igreja na lista abaixo, estou pensando na igreja orgânica, invisível aos olhos humanos, aquela que só Deus conhece como Seu único e exclusivo remanescente fiel, a noiva de Cristo, composta dos filhos e súditos do Reino. É essa igreja que amo e sou membro. Que mais amo em ti?

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Arnaldo Jabour: Só Deus sabe quem são os Judas e Fariseus do Brasil



Comentário PC@maral:

Quem disse que homens influentes e formadores de opnião neste mundo não conhecem de Bíblia? Pena que a lêem com uma ótica histórica e não discernem o imenso tesouro de sabedoria espiritual nela contida.

Mas a analogia, pegando o gancho do comentário infeliz do presidente Lula, é muito bem empregada em relação aos nossos politicos corruptos e traidores do povo brasileiro. Povo este, que os colocou sentados lá em Brasilia para representá-lo.

Jesus nunca fez uma aliança com lideres religiosos ou com qualquer outro governo terreno. Sua aliança é com o seu povo, pelo qual deu sua vida para salvá-lo.

Lula, pelo contrário, está tão amarrado, e preso a "alianças" que, se não tomar cuidado, acaba se enforcando com a própria corda.

***

Comentário de Hermes Fernandes: Judas é o antítese de Jesus. Enquanto Cristo se dá, Judas se vende. O primeiro por amor ao mundo, o segundo, por amor a si mesmo. Um Se sacrifica por um ideal, o outro se rende à conveniência. Acho que nosso presidente foi muito infeliz nesta colocação. É o que dá falar pelos cotovelos, e sempre de improviso...

Fonte: PC Amaral

segunda-feira, outubro 26, 2009

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Pedido de desculpas

Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.

Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.

Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.

Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.

Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.

Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.

Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.

Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.

Para contê-la, o governo subiu os juros e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.

Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.

Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.

Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!

Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.

Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.

Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros.
Fonte:
Revista Brasileiros

domingo, outubro 25, 2009

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Ao Rei do Universo

sexta-feira, outubro 23, 2009

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Bandido bom é bandido ungido!

Estive estes dias em uma igreja em um dos morros do Rio de Janeiro envolvidos no caos do tiroteio nos últimos dias. Era um culto "comum" realizado nos dias de semana. Fui convidada por uma conhecida que é Missionária. Era uma sexta-feira comum, sem culto em minha igreja, não vi nada demais e fui. Pois bem... Qual não foi minha surpresa, quando em um momento do culto, que aliás estava uma bênção até aquele momento, entraram três jovens armados e sentaram no fundo do salão. Iniciou-se muitos "Glórias & Aleluias", não sei bem se por medo ou exaltação ao Senhor por aquelas vidas terem entrado em seu Templo.

No entanto, a questão ficou esclarecida quando alguns obreiros daquela congregação iniciaram uma oração no fundo do salão. Oravam por aqueles três jovens da Comunidade local. Oravam para que Deus os guardasse, os protegesse, que os livrasse do mal e os guardasse das balas perdidas. Estranho ouvir uma oração dessa, quando as balas perdidas saem dos fuzis de jovens como aqueles. Achei um absurdo! Minha vontade foi de levantar-me e sair imediatamente daquele lugar. No entanto, Deus me fez permanecer. Orando... Sozinha...

Enquanto o culto transcorria como se nada acontecesse lá nos fundos... Senti de Deus de olhar para trás. Fiquei mais horrorizada ainda, quando vi obreiros ungindo as armas daqueles jovens. Usando o Nome Santo de Jesus para abençoar aqueles que tirariam vidas de outras pessoas (não importa se bandidos ou policiais ou ainda inocentes, mas pessoas), seres humanos. Tudo acontecia como se fosse algo normal.

A conhecida que me convidou percebeu minha inquietação e quando os tais jovens saíram do recinto, a igreja desabou em mais "Glória & Aleluias" e levantou-se um "VASO"*, que deve ser daquele barro bem porcaria, para falar que Deus estava naquele negócio. COMO? Pergunto a você meu leitor... COMO, um Deus maravilhoso como o nosso que ama a todos sem distinção, pode estar num negócio que se refere a tirar vidas de outras pessoas inocentes. Pessoas que não tem a mesma opinião daqueles jovens e que não seguem a sua facção. Como?

Temos que orar por eles. Temos! É nossa obrigação enquanto cristãos orar por todos que queiram oração, que desejem receber de Deus uma bênção, mas é inadimissível ungirmos fuzis, pistolas e qualquer arma de fogo, porque um delinquente pede. Deus ama o PECADOR. Orar por estas vida é nosso dever. Entretanto, Deus abomina o pecado. Ungir armas de fogo é pecado! Não é bíblico.

Não devemos temer quando um traficante ou bandido entra em nossas igrejas. O Espírito Santo de Deus nos dá autoridade. Jesus nos deu autoridade quando regressou aos céus e nos deixou o Consolador. Se um cidadão fora das normas da civilidade entrar em nossas igrejas devemos orar para a libertação dele, não para que ele continue fazendo tudo que quer, causando desespero, caos e temor por onde passa.

Pastores Presidentes de igrejas em Congregações do Morro do Rio de Janeiro orientem melhor seus dirigentes. Tal atitude tomada por esta congregação não deve acontecer novamente e em nenhuma outra igreja. Somos de Cristo e temos que ter posição de exército de Cristo. Tementes a Deus, não ao fuzil ou ao dono dele.

* VASO - Designação dada aos portadores do dom de profecia, segundo o costume pentecostal.

Fonte: Blog da Patrícia Telles (Título original do post: Quando a oração é feita errada)


Comentário de Hermes Fernandes: Agora tá explicado! Como os bandidos poderiam derrubar um helicóptero da polícia com armas de baixo calibre? Simples. Armas ungidas! Ironia à parte, é lamentável ver a igreja evangélica sucumbindo assim. É claro que não podemos generalizar, mas devo admitir que esta prática é cada vez mais comum. Amar não é ser cúmplice das obras infrutuosas das trevas, nem conivente com o erro. Amar é acolher o pecador, mas jamais acoitar seus delitos. O que esses rapazes precisam não é de unção para proteção, e sim de um genuíno encontro com Cristo, que transforme suas vidas.

quinta-feira, outubro 22, 2009

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O Reino de Deus não foi adiado!

Jesus inaugurou o Seu Reino na Terra em Seu primeiro advento. Dizer o contrário é acusá-Lo de ter falhado em Sua missão. Jesus não falhou! Sua primeira mensagem foi: “O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus” (Mc.1:15a). E mais: “Se eu expulso demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus” (Lc.11:20).

Alguns insistem com a idéia de que o Reino de Deus, pregado e demonstrado por Jesus teve de ser adiado, pelo fato dos homens o terem rejeitado. Tal afirmação não tem qualquer respaldo bíblico.

Quem disse que a chegada e o estabelecimento do reino de Deus depende da aceitação de quem quer que seja? Ao enviar Seus discípulos, Jesus advertiu-os que muitas cidades os rejeitariam, e que eles, em vez de se abaterem, deveriam anunciar aos seus moradores:

“Até o pó que da vossa cidade se nos pegou sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, que já o reino de Deus é chegado a vós”.
Lucas 10:11

Portanto, independente da aceitação ou não das pessoas, o Reino de Deus é uma realidade presente.

E Seu Reino não está limitado ao coração dos crentes, como alegam alguns. Ele reina sobre toda a criação. Até mesmo o inferno não foge ao escopo do Seu domínio.

Alguns, não satisfeitos, poderão argumentar: Jesus disse que o Seu reino não é desse mundo! É verdade. Seu reino não pertence a esse mundo. Ele não foi constituído aqui. Ele pertence a uma outra ordem. Ele não é fruto de contingências históricas, nem de interesses humanos. Não podemos inferir daí que o Seu reino seja algo a ser concretizado apenas na Eternidade.

Conquanto Seu reino não seja deste mundo, ele definitivamente é para este mundo. O mundo não é a sua origem, mas é o seu destino. Se não fosse verdade, não haveria sentido na declaração encontrada em Apocalipse, que diz: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo sempre” (Ap.11:15b). Também não teria qualquer sentido orar: "Venha a nós o Teu reino (...) assim na terra como no céu".

Embora estejamos acostumados a nos referir a ele como "Reino", a palavra grega usada no Novo Testamento é Bazileia, que também pode ser traduzida por "Império".

Até o termo Kyrios, traduzido em nosso idioma por "Senhor", também poderia ser traduzido por "Imperador".

Portanto, Cristo é o Imperador do Universo, e o governa com sabedoria e majestade.

O mesmo cego Bartimeu que chamou Jesus de "Filho de Davi", também o chamou de Raboni. De acordo com fontes rabínicas, Raboni significa "Senhor dos Mundos". Aquele cego viu o que a maioria não conseguia enxergar!

Muito mais do que o Salvador dos homens, Ele é o soberano de todo o Cosmos, Aquele para o qual todas as coisas convergem.

Ao ser assunto ao céu, Ele assentou-Se num trono, não numa cadeira de balanço.

Quer aceitemos ou não, Ele reina!

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Banho de sangue no Rio de Janeiro

Os olhares do mundo se voltam novamente para o Rio de Janeiro. Mas desta vez, não se deve à acirrada disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, e sim à disputa entre facções criminosas. Trinta e três mortos contabilizados até agora. Um helicóptero da polícia derrubado pelo tráfico. Moradores de um morro descem às pressas, por causa de uma suposta invasão de bandidos da facção adversária.

O governo anuncia que não vai amolecer. O policiamento seguirá ostensivo. Não importa o número de mortos, nem o terror que isso produza na população, nem a opinião pública internacional. Fogo contra fogo! Afinal, a polícia ficou desmoralizada com o episódio da queda do helicóptero. Se não reagir à altura, terá sua credibilidade irrecuperável.

O que dizer diante disso tudo?

Não ainda buscar culpados, nem tentar medidas drásticas de última hora. Esta bomba já está armada há décadas, e é fruto de uma política descomprometida com a educação e a justiça social. Contratar mais policiais. Aumentar seus salários. Banir os policiais corruptos. Estas e outras medidas são importantes, porém incapazes de resolver efetivamente a situação. Sem querer ser chulo, o buraco é mais em baixo.

Meninas são mães de cinco, seis filhos, antes de completarem 20 anos. Um de cada pai. Os traficantes são os heróis do morro. Os ídolos da criançada. Muitos dos meninos sonham em portar uma R15. Bailes funk são incentivados na comunidade, e agora considerados manifestação cultural legítima. Sem querer generalizar, muitas de suas letras são apelativas, estimulando a promiscuidade e o uso de drogas (são chamados de 'proibidões').

Qual a solução pra isso?

Que tal uma evangelização mais ostensiva nas favelas? Ora, cada comunidade está pontilhada de igrejas evangélicas. Sem contar que muitos bandidos têm nomes bíblicos, o que denuncia que seu background é evangélico.

Sem querer ser piegas, a única solução para isso é um dilúvio de amor.

Quem entra pra vida do crime jamais se sentiu suficientemente amado, e por isso, não dá o menor valor à vida, nem a sua nem a de outrem. Filhos de famílias pobres, desrespeitadas pela polícia e demais autoridades. Meninos que ingressam no crime ainda na pré-adolescência. Alguns testemunharam a morte dos pais, dos irmãos, e revoltados, venderam sua alma ao capeta.

Os mesmos que abraçam uma arma de forte calibre, jamais sentiram o calor do abraço de outro ser humano. Não adianta exorcizá-los, como pensam alguns líderes religiosos. O pior diabo é a falta de amor. Já que não são amados, querem, ao menos, ser respeitados. Daí, impõem o terror.

Os crentes pensam que basta dizer "Jesus te ama", e pronto. Estão evangelizados. Já não podem se desculpar perante Deus, pois ouviram a Palavra. Ledo engano. Eles querem ouvir dos lábios de outro ser humano: Eu te amo. Eu me importo com você, com o seu futuro, com a sua dor. E não apenas isso. O amor tem que ser manifestado em boas obras.

Imagine se cada igreja instalada nessas comunidades oferecesse cursos profissionalizantes aos jovens. Imagine se estas mesmas igrejas e entidades investissem em atividades artísticas e esportivas. Imagine se providenciássemos mentores para os jovens sem pais.

Enquanto essas comunidades não experimentarem um banho de amor e atenção, nossa cidade continuará a experimentar eventuais banhos de sangue, como o que estamos assistindo nesta semana.

Em vez de se preocuparem com a imagem do Rio no Exterior, preocupem-se com a dor causada no coração de tantas mães.

quarta-feira, outubro 21, 2009

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Amando coisas, usando pessoas

Há uma frase encontrada em muitos adesivos de carro que diz: “Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho”. Pode parecer um algo inocente, e até coerente, mas no fundo expressa um dos maiores mal-entendidos da história humana. Trata-se da coisificação do amor.

As coisas estão aí para serem usadas, e não amadas. Enquanto que as pessoas deveriam ser amadas, em vez de usadas. Portanto, há aí uma inversão de valores. Esse tipo de amor é completamente antagônico ao tipo de amor apresentado nas Escrituras. Não devemos investir afeição demasiada naquilo que possuímos, posto que tudo isso é passageiro. Somente o amor às pessoas é maior do que a morte, sobrevivendo a ela.[1]

Pelo fato da alma humana ser eterna, seu amor deve ser devotado a algo igualmente eterno. Razão pela qual o apóstolo João nos alerta: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele (...) Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.[2]

Em vez de amar as coisas deste mundo, devemos e podemos usá-las, sem jamais abusar delas,“pois a aparência deste mundo passa”.[3]

Não devemos usar pessoas para alcançar as coisas que amamos. Devemos, sim, usar as coisas para beneficiar as pessoas que amamos. Como disse John Piper, “dedicar sua vida a confortos e prazeres materiais é como jogar dinheiro pelo ralo. Investir a vida no esforço do amor rende dividendos de amor insuperáveis e intermináveis”. E mais: “Há mais felicidade em amar do que em viver no luxo!”[4] E ele arremata: “Os prazeres mais profundos e satisfatórios que Deus nos dá pela criação são dádivas gratuitas da natureza e de relacionamentos amorosos com pessoas”.[5]

[1] Cantares 8:6
[2] 1 João 2:15,17
[3] 1 Coríntios 7:3
[4] Piper, John, Teologia da Alegria, Sheed Publicações, 2001, p.105
[5] Ibid. p.159

Extraído do livro "Amor Radical", de autoria de Hermes C. Fernandes

terça-feira, outubro 20, 2009

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Dez coisas que odeio em você, IGREJA















Li essa semana uma slongan bastante interessante que revela o quanto a igreja esta em baixa nos últimos tempos: ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS!

A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja-empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nessa igreja caricata dos nossos dias.

Compartilho aqui o sentimento de inconformação de Davi quando disse a Deus: Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? e não abomino os que se levantam contra Ti? Aborreço-os com ódio consumado, para mim são inimigos de fato.
O que eu odeia em ti, igreja dos nosso tempos?

1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA
de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias te afastar pra bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.

2. QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regras insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.

3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras que também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na terra.

4. A TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE
as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deveria tu saber que essa é uma ação exclusiva de Deus.

5. A TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o “disciplinado” ao abandono, e ferido, a morrer a míngua.

6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas ”aceitarem Jesus”, exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora, e no livre tempo de Deus.

7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/ EVANGELÍSTICA DISTORCIDA que em nome do “ide” retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos à área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas física, emocional, material e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias para o Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjugados pelo deus Mamon. Reproduzes pastores que amam posição, poder, e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância. ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO, E TU ÉS DIRETAMENTE RESPONSÁVEL POR ISSO!

10. E por último, odeio quando MENTES, ASSEVARANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhões de pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.
Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quadro sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Com diria Jesus, Lembra-te de onde caíste e arrepende-te...

A seguir, 10 coisas que amo em você, Igreja.

Manoel DC (Mais um conspirador do Reino)

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A qual você segue? Jesus ou Gezuz?


Por Leonardo Gonçalves

Cada vez fica mais evidente a diferença entre aquilo que Cristo pregou e viveu, e aquilo que os seus discípulos pregam e vivem. Muitos “seguidores” de Cristo parecem ignorar diversos fatos da vida do Mestre, dando a clara impressão de servirem a outro Jesus, que não é o da Bíblia.

Vemos os “discipulos” da atualidade ensinando uma religião hedonista, onde Cristo não é o salvador da alma, e sim o salvador “da pele”. O objetivo principal dessa religião não é ser salvo ou agradar a Deus, mas desfrutar de todas as benesses de uma vida religiosa. Promete-se uma vida de abundante felicidade e isenta de enfermidade ou dor, um oceano cor-de-rosa! Não há nele qualquer menção ao sofrimento, afinal, os filhos de Deus não sofrem nunca, e jamais serão pobres: “Nosso Deus é o dono do ouro e da prata” [1], dizem, ignorando completamente que esse ouro é dele, e não nosso. A dissonancia desse Cristo triunfalista é obvia: Jesus nos chamou para servir a ele, e não para servir-se dele. Ele disse: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz, e siga-me”[2]. E no tocante ao seu reino, ele foi bastante sincero ao dizer que o seu “reino não é deste mundo”[3]. Aqueles que pregam um cristianismo hedonista dizem que ninguém jamais saiu triste da presença de Jesus, pois ele sempre correspondeu às expectativas dos seus seguidores. Eles ignoram o caso daquele jovem rico, que ao ter seu coração descoberto e sua avareza desvelada, se afastou de Jesus, e saiu triste [4].

Evangelho não são benesses temporais, mas uma vida atemporal, no céu. Não é satisfação para os nossos prazeres, e sim a mortificação da nossa carne. Aqueles que pensam que Jesus é um grande solucionador de problemas, um Silvio Santos gospel a jogar aviãozinhos de dinheiro para o auditório, estão muito equivocados. Os que assim procedem, definitivamente, não conhecem a Jesus.

Se por um lado há aqueles que pensam que Jesus é um Silvio Santos celestial, por outro há também quem pense que ele é um fariseu enfurecido cheio de raios nas mãos, pronto para dispará-los sobre as cabeças daqueles que tiverem qualquer comportamento não-religioso. O pior é que nesse exacerbado zelo, eles acabam optando por um ascetismo hipócrita, isolando-se das pessoas e vendo o mundo como um inimigo, e não como objeto do amor de Deus [5]. Estes se comportam como separatistas radicais, fazem violência a individualidade humana ao impor uma série de proibições absurdas, como “não toques, não proves, não manuseies” [6], e se esquecem que Jesus não foi um abitolado que se escondia das pessoas por medo de se contaminar: ele comia com os publicanos pecadores, participava de festas [7], e abriu seu ministério com um milagre sem igual: transformou 600 litros de água em vinho da melhor qualidade! Mas acontece que os neo-fariseus passam de largo por estes textos, preferindo uma fé míope e legalista, do que viver a plena liberdade que Cristo nos oferece. Para os tais, um Cristo que bebe vinho, come com pecadores e é amigo de prostitutas, definitivamente é carta fora do baralho. Aliás, a propria menção da palavra “baralho” é suficiente para provocar-lhes escandalo!

Olho para ambos grupos com uma profunda tristeza em meu coração, pois percebo que nenhum deles compreendeu ainda a essência do evangelho. Como é difícil a moderação! Qualquer que seja a época, a tendencia da igreja (instituição) é sempre polarizar: ou fundamentalista, fariseu e xiita, ou libertino, hedonista e leviano. O bom senso, velho árbitro da moralidade, está em falta na prateleira do mercado religioso. Contudo, o mais deprimente é ver que ambos grupos não conhecem a Jesus. Eles dizem conhecê-lo e até serví-lo, mas na verdade eles adoram um ídolo. Sim, um ídolo forjado por eles mesmos, uma divindade de Edom, feita sob medida para satisfazer suas concupiscências e prazeres mundanos. Ou um outro totalmente diferente, mas igualmente destrutivo, um divinade xiito-farisaica, produto de uma consciência culpada que deseja comprar o favor de Deus mediante sua pseudo-santificação; santificação esta que está muito mais relacionada ao corte de cabelo e com as vestimentas, do que com o caráter, pensamentos e atitudes de Cristo. Ambos pisam a graça divina, pois se o hedonista não pensa nas coisas espirituais e anela um céu na Terra, o legalista deseja até morar no céu, mas não está disposto a confiar na graça barata, na graça de graça: ele quer pagar o direito de piso. Simonista, ele espera comprar o Dom de Deus mediante a observância de certas práticas que, “apesar de parecerem sábias, uma verdadeira demonstração de humildade e disciplina, não tem nenhum valor para controlar as paixões que levam à imoralidade” [8].

Contrastando com o Jesus fariseu e com o Jesus libertino, está o Jesus bíblico. Olvidado e desprezado, já quase não figura nos púlpitos do nosso país. Cada vez mais me convenço de que o Brasil ainda é um campo missionário, pois apesar do assombroso crescimento dos cristãos evangélicos, apenas uma pequena parcela demonstra conhecer o Cristo da bíblia, o qual é “uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo”[9]. Muitos tropeçam, se escandalizam e caem, mas a Providência de Deus afirma: “Quem crer nele não será confundido”[10], e é por isso que, por mais que me apresentem um outro Cristo, e ainda que esse Cristo genérico faça chover milagres do céu, não abro mão das minhas convicções. Eu sei em quem tenho crido. Eu cri no Cristo. Jamais poderão me confundir!


***
Notas: 1. Ag 2.8 / 2. Mc 8.34 / 3. Jo 18.36 / 4. Mt 19.22 / 5. Jo 3.16 / 6. Cl 2.21 / 7. Jo 2.1 / 8. Cl 2.23 / 9. Rm 9.33; 1Pe 2.8 / 10. Rm 9.33


Texto de Leonardo Gonçalves

segunda-feira, outubro 19, 2009

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Esses cristãos SUBVERSIVOS...

A diferença sempre foi vista com curiosidade ou estranheza. A cor de sua pele, por exemplo, pode tornar você um estranho em alguns cenários. Já seu poder aquisitivo ou sua educação têm a capacidade de fazer com que se destaque em determinados ambientes. Até mesmo seu estilo de adoração, a linha teológica que você adota ou sua preferência por algum partido político podem colocá-lo à margem – ou para além dela – em certos casos. A verdade é que ser, pensar, olhar ou agir de modo diferente da maioria pode empurrar determinado indivíduo para fora dos círculos sociais e religiosos.

Fato é que, nas nossas igrejas, sempre há uma pessoa, ou um grupo, que na maioria das vezes se sente diferente da maioria – e gente assim quase sempre é marginalizada. Dan Taylor, em The Myth of Certainty [O mito da certeza], chama essas pessoas de “cristãos reflexivos”. Os menos solidários classificam-nas como questionadoras da fé; e, muitas vezes, suas atitudes de inconformismo fazem com que se tornem desrespeitados em suas comunidades.

Como quase todos os protestantes sabem, no século 16 a Igreja Católica Apostólica Romana estava empolgada acerca da emissão das famigeradas indulgências. Elas eram alardeadas pelo clero como maneiras de reduzir o tempo das pessoas no purgatório através da doação de dinheiro ou bens à Igreja. Mas apesar da generalização de tal prática, muitas pessoas não se contiveram e questionaram o programa de indulgência proposto pelas autoridades eclesiásticas. Elas duvidaram do que a instituição sustentava com tamanha convicção, simplesmente porque aquilo não fazia sentido para esses cristãos questionadores. Se permanecessem em silêncio, iriam se sentir desonestos e frustrados; contudo, se levantassem suas questões, seriam vistos com desconfiança. Alguns desses questionadores, como Martinho Lutero se manifestaram e descobriram que cristãos reflexivos, já àquela altura, não tinham futuro na Igreja.

Aproximadamente cem anos mais tarde, Galileu Galilei olhou através de um telescópio certa noite e viu luas posicionadas como bailarinas em órbita de Júpiter. Logo percebeu que a Igreja estava errada ao sustentar a visão de mundo tradicional, geocêntrica, que havia herdado de Aristóteles e Ptolomeu. Infelizmente, quando passou a questionar abertamente a corrente majoritária, ele descobriu aquilo que Martinho Lutero já sentira na pele: cristãos reflexivos não eram bem-vindos à Igreja.

Uma história semelhante poderia ser contada acerca do célebre evangelista John Wesley, que duvidava daquilo que todos sabiam: que atividades sagradas, como a pregação, precisavam ser desenvolvidas em espaços sagrados, como púlpitos. Por discordar disso, ele foi à porta das minas de carvão do Reino Unido anunciar a salvação em Jesus a trabalhadores que não freqüentavam os templos. Poderíamos falar ainda de crentes reflexivos como Phineas Bresee, fundador dos Nazarenos, que duvidou que pessoas pobres devessem ser evitadas por cristãos honrados. E o que dizer de Menno Simons, o líder dos anabatistas, que discordava da voz corrente de que cristãos deveriam matar outros cristãos em nome de Cristo?

Questionadores contemporâneos, como o pastor Martin Luther King Jr e o bispo Desmond Tutu, duvidaram que a raça fosse um fator de comunhão, e enfrentaram forte oposição por isso. Já líderes como Bill Hybels ou Rick Warren, com suas propostas de uma nova eclesiologia, ou talvez você, com suas idéias ainda não devidamente expostas, também tendem a provocar certo desconforto devido a suas posturas… Os heróis que estudamos na história da Igreja começaram como cristãos reflexivos que duvidaram daquilo que todos consideravam ser o óbvio. Como conseqüência foram, em quase todos os casos, marginalizados. Quando comunidades habitualmente marginalizam ou excluem seus membros mais reflexivos – aqueles que fazem perguntas difíceis sobre coisas que são completamente basilares para a maioria –, é claro que os que são estigmatizados acabam feridos.

A comunidade que exclui, no entanto, também é ferida, porque ao agir assim corta da própria pele recursos de crescimento e de renovação. Além disso, constrói resistências exatamente para aquilo que em breve será necessário, o que deixa no ar uma pergunta urgente: quem são os cristãos reflexivos, que talvez sintam que já estão com a camada de gelo bem fina nas margens, ou seja, prestes a serem marginalizados por completo? E o que seria necessário para dizer-lhes que eles são queridos, necessários e respeitados, que a sua diferença não é um problema a ser resolvido por meio da pressão para que se amoldem, mas que sua atitude questionadora é um recurso?

Aqui vai uma sugestão: que esses cristãos reflexivos sejam ouvidos! Tentemos entender suas perguntas, frustrações e novas idéias, mesmo que não concordemos com suas inquietações. Sejamos atenciosos, dando-lhes espaço para serem quem são, mesmo se pensam diferente da maioria. Às vezes, talvez seja preciso se posicionar entre eles e seus críticos mais contundentes a fim de defendê-los das forças que mantêm as fronteiras e promovem a exclusão. Um coração bondoso e um ouvido disposto a escutar podem manter os cristãos reflexivos dentro da comunidade – e, se a renovação vier das margens, como quase sempre parece ser o caso, então, ao amputarmos essas nossas margens, fazemos aquilo que os chefes dos sacerdotes e escribas fizeram quando uma voz necessária apareceu às margens de sua comunidade. Será que estamos escutando seu clamor?

(Tradução: Jorge Camargo)
Texto de Brian McLaren, com o título original de "Esses cristãos reflexivos".

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Um Gezuis estranhamente familiar

Nasceu no Palácio de Herodes em Jerusalém, centro do poder judaico. Veio para o que era seu, e os seus o receberam, e com muitas pompas!

Aos doze anos já discutia novas rotas comerciais e estratégias de conquista com os conselheiros reais.

Seu primeiro milagre aconteceu num pomposo casamento na realeza. Transformou a água em suco de caju, não por haver faltado bebida na festa, mas apenas para dar uma gorjeta do seu poder. Poderia tê-la transformada em vinho, vodka, ou até whisky, se quisesse. Mas preferiu não escandalizar a ala mais conservadora e fundamentalista dos religiosos.

Aos 30 anos, foi batizado na piscina da cobertura do palácio, por um dos profetas badalados da época. Enquanto descia às águas, viu-se uma águia, símbolo de conquista, sobrevoar sua cabeça, e uma voz que bradou de algum lugar: Este é o cara! Vai e arrasa!

Saiu dali e foi para uma região praiana, tirar quarenta dias de férias antecipadas. Não precisou ser tentado em nada, pois nunca se negou bem algum. Transformou pedras em pizza, só pra se divertir. E ainda fez malabarismo no pináculo do templo, pra tirar uma onda com os sacerdotes. No final das férias, subiu um monte bem alto, avistou os reinos deste mundo e disse pra si mesmo: Tudo isso me darei!

Quando aproximado por algum gentio, do tipo daquele centurião que tinha um servo enfermo, dizia-lhe: Dá um tempo! Não vim pra vocês, seus impuros, idólatras e ignorantes. E mais: Nunca vi tanta petulância! Onde já se viu? Pedir por um serviçal! Além de gentio, é burro!

Ao deparar-se com um cobrador de impostos desonesto, que subira numa árvore só pra lhe ver, Gezuis lhe disse: Como é que é, meu irmão! Vamos ou não vamos dividir esta grana? Desce logo, que tô com pressa! Hoje convém me hospedar no melhor hotel da região.

Ao ser tocado por uma mulher hemorrágica, esbravejou: Tira essa louca daqui! Não sabe que a Lei proíbe qualquer aproximação de uma pessoa em seu estado? Imunda!

Por onde passava, seus discípulos estendiam um cordão de isolamento, para que leprosos, morféticos, cegos, endemoninhados, e todo tipo de gente asquerosa não ousassem se aproximar do Rei da cocada preta.

Diferente era o trato que dispensava aos fariseus e religiosos da época.

Venham a mim, todos os que querem alguma vantagem da religião. Vocês serão cabeça e não cauda. Comerão o melhor da terra! Unam-se a mim, e eu lhes farei milionários. Aprendam comigo, que sou malandro e esperto de coração. Espertos são os que riem da desgraça alheia. Espertos são os que gostam de ver o circo pegar fogo. Espertos são os que têm fome e sede de sucesso. Eu saciarei seu ego!

Quando procurado por um jovem rico, disse-lhe, sem o menor pudor: Quer sociedade? Vamos rachar esta grana? Vai ter um lugar especial no meu reino, garoto...

E quando entrou em Jerusalém montado naquele exuberante corcel branco 0 km? Foi tremendo! Não tinha pra ninguém!

- Cruz? Que cruz? Tá doido? Cruz é pra gente como Jesus, aquele nazareno nascido numa manjedoura. Eu vim pra ter vida, e vida com abundância. Quem quiser vir após mim, passa tudo o que tem pra minha conta, e me siga. Ou tudo ou nada! Ou dá ou desce!

Revolucionário? Que nada! Graças a um conchavo político feito às escuras com o Império Romano, Gezuis garantiu para si a sucessão de Herodes, e viveu muitos e muitos anos.

Ao morrer, farto de dias, Gezuis confiou seu legado a um grupo de discípulos seletos, que juraram que sua mensagem jamais seria esquecida, e que ao longo dos séculos, sempre haveria quem a promovesse em sua própria geração. Partiu ordenando que cada um dos seus discípulos lhe beijasse os pés, em sinal de submissão. E que aprendessem a se servir uns dos outros, e ainda se servir dos poderes constituídos, sem jamais criticá-los ou censurá-los.

Promessa feita, promessa cumprida.

Basta ligar a TV, o rádio, ou mesmo acessar a internet, para se dar conta de quantos discípulos de Gezuis ainda dão eco à sua voz.

domingo, outubro 18, 2009

7

De que lado você está?


Estava ouvindo esta canção recentemente, quando uma de suas estrofes me fez refletir:

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá

Fiquei me perguntando: O que nos coloca do mesmo lado?

Podemos torcer por times diferentes, votar em candidatos opostos, nascer em rincões distantes, e até ter crenças distintas, e ainda assim, estarmos do mesmo lado?

Pelo quê lutamos? Por quais causas? É isso que vai determinar de que lado estamos.

Todos temos cosmovisões forjadas por nossas próprias vivências. Ninguém pensa 100% igual. Podemos ter muita coisa em comum, e ainda assim, estarmos lutando em trincheiras opostas.

Por alguns instantes, recapitulemos um pouco da história, e vejamos com quem nos identificamos mais.

De que lado você estaria?

De Faraó ou dos hebreus?

De Jesus ou de Barrabás?

De Paulo ou dos legalistas?

De Roma ou dos cristãos perseguidos?

Do Catolicismo Medieval ou dos Reformadores Protestantes?

Dos Inquisitores ou dos chamados hereges (a maioria, protestantes)?

E de que lado você está agora? Por quem você tem aberto a sua boca?

Pelos povos conquistadores ou pelos conquistados?

Pelos invasores ou pelos invadidos?

Pelos opressores ou oprimidos?

Pelos exploradores ou explorados?

Vali aqui a recomendação bíblica:

“Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a tua boca, julga retamente; defende os direitos dos pobres e necessitados” (Pv.31:8-9).

Portanto, eu quero estar ao lado daquele por quem Deus enviou Seu Filho Jesus. Não sou do contra. Posso até não ser a favor da maneira como certas pessoas vivem, mas ainda assim, sou a favor delas.

Não quero ser como os judeus contemporâneo de Jesus, que se puseram do lado errado. Os quais, segundo Paulo, "mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e a nós nos perseguiram. Eles não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens" (1 Ts.2:15). Definitivamente, não é do lado desses que almejo lutar.

Quero estar ao lado de quem luta pelo bem comum, ainda que com argumentos distintos dos meus.

Luto nas mesmas fileiras em que lutaram Martin Luther King Jr., Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Bono Vox (citando apenas nossos contemporâneos).

Me posiciono ao lado da bondade, da justiça e da verdade.

Sou um soldado nas trincheiras do Reino de Deus, empunhando as armas do amor, da solidariedade, do perdão, da coexistência, da paz.


sábado, outubro 17, 2009

8

Paulo, os poetas seculares e o irmão Faísca

Lá estava Paulo, no coração intelectual do mundo. Enquanto aguardava por Silas e Timóteo que vinham a caminho, o apóstolo dos gentios começou a enojar-se de toda aquela idolatria que imperava em Atenas.

Sua vontade era soltar o verbo, e esculhambar de vez com tudo aquilo. Sem conseguir se segurar, Paulo partiu pra sinagoga, e lá, num ambiente mais propício, ele esbravejou, discutindo com gregos e troianos, quer dizer, com judeus e gregos convertidos ao judaísmo.

Mas o caldo engrossou, quando chegaram os filósofos epicureus e estóicos. Espertos, trataram de tirar Paulo do ambiente religioso, e levá-lo para um ambiente secular, que, na opinião deles, não lhe era tão familiar. Com o apóstolo em desvantagem, eles poderiam “cantar de galo” em seu próprio terreno.

Levaram-no ao Areópago.

Quem ia à sinagoga, ia com a intenção de adorar ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó (pelo menos, em tese). Mas quem ia ao Areópago, ia em busca de novidades. O Areópago seria o equivalente à internet em nossos dias. Em outras palavras, 'terra de ninguém'.

Imaginemos que Paulo estivesse acompanhado de um crente legalista, do tipo com que a gente se esbarra por aí. Daqueles que se escondem por trás de uma fachada de santidade, ou por trás de um perfil falso na internet (fake), com direito a pseudônimo e tudo.

Vamos chamá-lo carinhosamente de “irmão Faísca”, ou Faisquinha (sonhando em ser “labareda” um dia...).

Vendo Paulo em maus lençóis, ele pensa com seus botões:

- E agora, Paulo? Como você vai se sair dessa? Mandar bem na sinagoga é fácil, quero ver como vai se sair num ambiente secular...

O irmão Faísca imaginou que, a julgar pela maneira como falava lá na sinagoga, Paulo perderia as estribeiras, e detonaria aqueles idólatras. Mas para sua surpresa, Paulo se revelou um getleman.

- Homem atenienses, já vi que vocês são muito fervorosos em sua religiosidade. Com estas palavras, Paulo iniciou seu surpreendente discurso. E continuou:

- Passando por um dos santuários da cidade, dei de cara com um altar que tinha uma placa onde se lia: AO DEUS DESCONHECIDO. Querem saber de uma coisa? É sobre esse Deus que quero falar com vocês.

Imediatamente, o irmão Faísca deu um passo atrás, e cochichou para outros dois dos seus companheiros, o irmão Recalcado e o irmão Cabideiro:

- Aonde é que Paulo quer chegar? Que estória imbecil é esta? Quem disse que esse “deus desconhecido” é o Deus de Jesus Cristo? Paulo tá doido? Tá trocando as bolas!

O Recalcado, tomado por uma revolta nada santa, acrescentou:

- Será que ele não sabe como se originou este culto bizarro? Ninguém contou pra ele que este deus desconhecido é só mais um ídolo idiota? E se é ídolo, por trás dele tem um demônio. Quando esta gente se dobra perante este altar, está adorando o capeta. E como Paulo pode endossar isso?

Indiferente às críticas do Faisquinha e seus colegas, Paulo prosseguiu em seu discurso. Em vez de atacar os “idólatras”, Paulo os acalentava, e assim, conquistava sua simpatia, garantindo que ouvissem sua pregação.

Gradativamente, o apóstolo introduzia as verdades eternas do Evangelho da Graça, sem espantar, nem criticar ninguém.

Se na sinagoga Paulo tinha sempre um ‘pega pra capar’ com os crentes judeus, no Areópago, ele parecia brando, porém firme em suas convicções.

Em poucos minutos, falou-lhes sobre a graça e a soberania de Deus.

Durante esta etapa de seu discurso, Faisquinha já estava mais calmo. Percebeu que apesar de ter dado aquele furo no início, Paulo já havia voltado para os trilhos, e agora, apresentava-lhes o genuíno Evangelho (Era assim que ele imaginava).

De repente, em vez de citar passagens bíblicas, extraídas do Antigo Testamento, ou mesmo palavras atribuídas a Jesus, Paulo resolve citar filósofos gregos.

Não se segurando em si, o Cabideiro soltou entre os seus amigos:

- Que é isso, Paulo? Assim você vai estragar tudo! Esses caras não sabiam o que estavam falando. Eles eram tudo satanistas. Nunca parou pra ouvir suas canções? Seja mais bíblico, mais ortodoxo, senão, daqui há pouco a turma lá da sinagoga vai lhe taxar de herege.

Eles bem que queriam ter dito tudo isso diretamente a Paulo, em alto e bom som. Mas como não havia um perfil fake naquela época, sob o qual pudessem emitir qualquer opinião, sem ter que se expor, preferiram ficar calados.

Conhecedor da cultura secular, Paulo cita de cor o verso atribuído aos poetas gregos:

“Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos. Como também alguns dos vossos poetas disseram: Somos também sua geração” (At.17:28).

Fico imaginando se isso houvesse acontecido hoje, quem seriam os poetas que Paulo citaria. Talvez citasse Cazuza, Renato Russo, Tom Jobim, sem se importar com o credo professado por eles.

O fato é que, ao final do seu discurso, vários se converteram à fé, inclusive o chefe do Areópago, chamado Dionísio (nome do deus do vinho).

Enquanto isso, o Faisquinha apagou, e seu sonho em ser um dia uma labareda, apagou-se juntamente com ele.

3

Ditados errados que aprendemos...

Veja quanta coisa errada aprendemos e repassamos sem contestar...

Diz-se:
Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão...
Enquanto o correto é: Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

No popular se diz :
Cor de burro quando foge
O correto é: Corro de burro quando foge!

Outro que no popular todo mundo erra:
Quem tem boca vai a Roma.
O correto é: Quem tem boca vaia Roma

Outro que todo mundo diz errado:
Quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra
pessoa, se diz: Cuspido e escarrado!
O correto é: Esculpido em Carrara [Carrara é um tipo de mármore]

Mais um famoso...
Quem não tem cão, caça com gato...
O correto é: Quem não tem cão, caça como gato...
Ou seja, sozinho!!!

sexta-feira, outubro 16, 2009

1

Corações ardentes para iluminar o Mundo

Uma das figuras que mais me intrigam nas Escrituras é João Batista, o primo excêntrico de Jesus. Quanto mais leio sobre ele, mais me identifico com sua história. Dentre os testemunhos que Jesus dá acerca do último dos profetas da Antiga Aliança, chama-me a atenção aquele em que diz: “João era a lâmpada que ardia e iluminava, e vós escolhestes alegrar-vos por algum tempo com a sua luz” (João 5:35).

Repare num detalhe: Para iluminar, a lâmpada tem que arder!

Havia algo apaixonante em João, que atraia as pessoas, a ponto de elas deixarem o conforto de seus lares para ouvi-lo no deserto, um dos mais inóspitos ambientes da terra.

As pessoas se sentiam atraídas a ele como mosquitos atraídos pela luz.

Jesus disse que somos a luz do mundo. O problema é que queremos iluminar sem arder. Somos uma geração apática, sem fogo, sem paixão. Não me refiro àquela paixão incitada por melodias melosas, mas uma paixão consciente pela verdade e pela possibilidade de transformação do mundo.

Embora João jamais tenha realizado qualquer milagre, Jesus não hesitou considerá-lo o maior expoente dentre os profetas. Maior que o próprio Elias, que fez descer fogo do céu por diversas vezes. Maior que Moisés, o Legislador de Israel, que dentre muitos milagres, fez abrir o Mar Vermelho para que os hebreus escapassem do exército egípcio. Pra Jesus, João não foi apenas o maior dos profetas, mas o maior de todos os homens:

“Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; contudo, o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt.11:11).

Com João, encerrava-se uma Era. Ele era como “o último dos Moicanos”. Cristo vinha anunciar a Era do Reino de Deus. E o menor dos cidadãos do Seu Reino, poderia ser considerado maior que João.

Ora, somos os cidadãos do Reino de Deus. Por que deveríamos ser considerados maiores que João? Para respondermos a esta pergunta, teremos que compreender melhor a diferença entre as duas alianças, a do Monte Sinai e a do Monte Gólgota.

Paulo diz que Deus “nos fez capazes de ser ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Co.3:6). A letra em questão é uma alusão às tábuas da Lei, recebidas por Moisés no Monte Sinai.

João era ministro da Velha Aliança. Nós somos ministros da Nova Aliança.

A Lei foi chamada de “ministério da morte, gravado com letras em pedras”. De fato, ela veio “em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente” (v.7). Preste atenção neste detalhe: a glória revelada no rosto de Moisés era desvanecente, isto é, fugaz, passageira, que estava destinada a diminuir gradativamente.

Era esta a glória do ministério dos profetas, inclusive de João.

O texto sagrado diz que Moisés, ao descer do Monte, teve que cobrir sua face por causa da glória que nele resplandecia. Muitos acreditam que tal medida foi necessária para que os filhos de Israel pudessem olhar pra ele. Porém Paulo nos revela a verdadeira razão:

“E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face para que os filhos de Israel não fitassem o fim daquilo que desvanecia” (v.13).

Moisés percebeu que à medida que descia do Monte, a glória diminuía. O que os filhos de Israel pensariam disso? Para encobrir-lhes tal realidade, o profeta preferiu usar um véu.

Em contraste com essa glória desvanecente, a glória da Nova Aliança é permanente e definitiva (v.11). Por isso, não precisamos cobrir nossa face.

João compreendeu perfeitamente isso, quando disse acerca de Jesus: “Convém que Ele cresça, e eu diminua”. Uma glória se esvai pra que a outra venha em caráter definitivo.

Porém, ambas devem produzir ardor em seus expoentes.

Para iluminarmos, isto é, para resplandecermos a glória de Deus em nossas vidas, nosso coração deve arder como ardia o coração dos discípulos que encontraram Jesus à caminho de Emaús.

Há, entretanto, uma diferença entre o arder da Antiga Aliança, e o arder da Aliança Definitiva.

No primeiro encontro que Moisés teve com Deus no deserto, ele avistou uma sarça que ardia, porém não se consumia (Êx.3:2).

E foi justamente isso que o atraiu à sarça. Quando a glória se foi, a sarça se manteve intacta.

Da mesma maneira, a glória da Antiga Aliança mantinha intacta a natureza humana. Por isso, ela desvanecia. O ego humano não lhe servia de combustível.

Já na Nova Aliança as coisas são bem diferentes. Nosso “eu” não pode ser poupado. Basta olhar para Paulo, que considerava que se “eu” estava crucificado com Cristo. Em 2 Coríntios 12:15, ele diz:

“Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.”

Portanto, a chama que deve arder em nós e nos consumir é o AMOR. E para iluminar os que estiverem à nossa volta, não poderemos nos poupar.

Não há como nos mantermos intactos, enquanto a chama do Espírito arde em nós. Sua glória consome nosso orgulho, nossa prepotência, nossa vaidade, de maneira que já não vivemos mais, mas Cristo vive através de nós (Gl.2:20).

Somos ofuscados pela glória, de forma que quem fitar em nós, em vez de nos ver, verá a glória de Cristo em nós.

Interessante notar que a glória resplandecente no rosto de Moisés foi escondida sob o tecido de um véu. Já a glória que resplandeceu no rosto de Jesus durante a Sua transfiguração, fez com que o tecido que cobria todo o Seu corpo fosse igualmente transfigurado (Mt.17:1-8).

Assim também, a glória colocada em nós deve tocar e “transfigurar” toda a realidade à nossa volta. Isso inclui a cultura, a educação, a ciência, e tudo mais.

Nada escapa do escopo dessa glória.

Embora lá estivessem Elias e Moisés, dois dos maiores ícones da Antiga Aliança, quando os discípulos fitaram seus olhos, a ninguém mais viram, a não ser Jesus. Seus corações ardiam tanto, que Pedro chegou a sugerir que se construíssem ali três tabernáculos. Porém, não se pode circunscrever a glória em alguns metros quadrados, e nem tentar contê-la por um espaço de tempo. A glória da Nova Aliança não pode ser contida por tabernáculos, nem escondida sob véus. Seu destino é encher todo o Cosmos, a fim de transfigurá-lo.

Que esta chama continue ardendo em nós, e nos consumindo, conduzindo-nos de glória em glória, até a manifestação final, o Dia Perfeito.

"A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Pv.4:18).

Os contemporâneos de João escolheram alegrar-se por algum tempo com a sua luz (Jo. 5:35).Nós, porém, fomos escolhidos para nos alegrar eternamente com a Luz do Novo Dia, um dia que jamais terá fim.

Christus Victor! Semper Invictus!

quinta-feira, outubro 15, 2009

6

Chamados a viver além do seu tempo

O papel profético da igreja não se limita a denunciar os erros de nossa sociedade, mas também de apontar um caminho, anunciar um novo tempo.

Após haver derrotado os profetas de Baal, o profeta Elias dirigiu-se ao rei Acabe, e anunciou:“Sobe, come e bebe, pois há ruído de abundante chuva” (1 Reis 18:41).

Israel vivia uma das piores secas da sua história. Desde que Elias havia profetizado, fazia três anos que não chovia.

Com a mesma autoridade com que fechou as comportas do céu, Elias profetizou a sua reabertura.
Acabe era a maior autoridade civil em Israel. Porém, a autoridade de Deus estava sobre os ombros do excêntrico profeta.

Ao afirmar que ouvia ruído de abundante chuva, Elias não estava sendo sensacionalista (como alguns pregadores da atualidade). Deus lhe permitira vislumbrar o que estava pouco à frente. O futuro se descortinava ante seus olhos.

Porém, não bastava fazer prognósticos. O futuro precisa ser engendrado, gerado através da oração.

Enquanto Acabe saiu a comer e a beber, “Elias subiu ao cume do Carmelo e, inclinando-se por terra, meteu o rosto entre os joelhos” (v.42). O profeta entrara em “trabalho de parto”. A palavra proferida era o sêmen, que fecundou a alma de Elias.

Da mesma forma, a igreja de Cristo deve engravidar-se do futuro. Paulo diz que o Espírito produz em nós gemidos característicos de uma gestante prestes a dar a luz.

A oração, sem dúvida, é parte de nosso trabalho na construção do Reino de Deus. Eu disse “parte”, não o trabalho completo.

Temos que orar, denunciar o erro, anunciar o caminho a seguir e trabalhar pela execução dos propósitos divinos.

O texto prossegue:

“Disse ao seu moço: Sobre, e olha para a banda do mar. E ele subiu, olhou e disse: Não há nada. Então disse Elias: Volta lá sete vezes. À sétima vez, disse: Levanta-se do mar uma nuvem, do tamanho da mão de um homem. Então disse Elias: Sobe, e dize a Acabe: Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva não te apanhe” (vv.43-44).

Embora estive compenetrado, Elias não perdeu a visão da realidade. Ele orava, e buscava por sinais que indicassem que ele havia sido respondido. Era como a mulher grávida em trabalho de parto, que com o rompimento da bolsa, espera pelo coroamento da criança.

O problema da igreja é que ela ora, mas não acredita que será atendida. Ela prefere buscar sinais que indiquem o contrário daquilo pelo que ela ora. Em vez de buscar sinais que evidenciem a chegada do Reino, ela busca por sinais que indiquem que é o diabo que está no comando do mundo.

O assistente do profeta teve que conferir sete vezes, até que encontrou uma minúscula nuvem. Aquele era o sinal que Elias esperava. Era o coroamento da criança. Chegara a hora do parto.
“Levanta-se do mar uma nuvem...”. Na simbologia bíblica, “mar” representa os povos, as nações. Repare: a oração subia ao céu, mas a nuvem se levantou do mar.

O moço de Elias tinha que olhar na direção do horizonte, e não para o céu. Assim deve proceder uma igreja voltada para o futuro. “Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim fará o Senhor Deus fará brotar a retidão e o louvor perante todas as nações” (Is. 61:11). E mais: “As nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu. Levanta em redor os teus olhos, e vê (...) a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações a ti verão” (Is. 60:3-4a,5b).

A igreja cristã deixou de “olhar ao redor”. Perdemos o contacto com a realidade. E por isso, não percebemos que as coisas já começam a mudar. Ainda que esta mudança pareça tímida, ínfima como uma nuvem do tamanho da mão de um homem.

Nós gostaríamos que fosse uma nuvem do tamanho da mão de Deus. Preferiríamos o espetáculo de uma mudança drástica e imediata. Mas Deus escolheu o processo, a mudança gradual.

Outra coisa que não pode passar despercebida: Elias se preocupou com o bem-estar de Acabe. Por isso, pediu que seu moço saísse ao seu encontro, avisando que deveria apressar-se em aparelhar seu carro, pra que não ficasse atolado na lama provocada pela chuva.

Não podemos ser daqueles que acham que quanto pior, melhor. Nossa responsabilidade profética abarca toda a realidade, e não apenas o que consideramos ser espiritual.

“Em pouco tempo os céus se enegreceram de nuvens e vento, e caiu uma grande chuva. Acabe subiu ao carro e foi para Jezreel. O poder do Senhor veio sobre Elias e, cingindo ele os lombos, correu adiante de Acabe, até a entrada de Jezreel” (vv.45-46).

Uau! Elias, revestido do poder de Deus, conseguiu correr mais rápido que o carro aparelhado de Acabe!

Quando Acabe chegou em Jezreel, Elias já estava lá. Parecia mágica! Mas era o poder de Deus.
Todos queremos ser cheios deste poder. Porém, uma das razões pelas quais Deus nos disponibiliza Seu poder é possibilitar que avancemos e ultrapassemos a marcha do mundo.

Quando a ciência chegar, já estaremos lá. Quando os políticos encontrarem uma saída para a crise financeira mundial, perceberão que a igreja já há muito havia proposto a mesma saída.

Em vez de nos conformar aos moldes do mundo, estaremos conformando o mundo aos moldes do Reino.

A velocidade com que o mundo avança é extraordinária. Mas nós avançamos pelo poder de Deus. O mundo tem seus carros aparelhados, e assim como Elias, devemos incentivar seu avanço. Porém, nosso dever é chegar primeiro.

Somos o povo do futuro! Aqueles que vivem à frente do seu tempo.

Devemos responder não apenas aos anseios da pós-modernidade, mas também prever quais as questões com que teremos que lidar na próxima era. Somos o povo que traz respostas para os séculos vindouros (Ef.2:7).