sábado, novembro 29, 2008

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Acabo de chegar de Santa Catarina, e a realidade que presenciei é dramática. Já são mais de 100 mortos, e mais de 70 mil desabrigados. Comecei minha viagem de retorno para o Rio ontem por volta das 8:30 h. da manhã, e cheguei hoje às 15h. Foram seis dias a mais além do programado, por conta da maior tragédia da história daquele Estado. Tive a oportunidade de viajar com William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, que foi dar cobertura à tragédia. Ele estava abismado com tudo o que presenciou. Mas apesar disso, ele me disse que ficou impactado com a bravura daquela gente, disposta a arregaçar as mangas e reconstruir suas vidas.

O Brasil inteiro está se mobilizando para ajudar as vítimas das enchentes.

Não podemos ficar apáticos, apenas assistindo pela TV, sem estender nossas mãos para ajudar os que perderam tudo, mas não perderam a esperança.

Os reinistas de Tubarão - SC, já estão se mobilizando. Pude acompanhar o Pr. Júlio Fernandes ao levar bolsas de doação para as vítimas.

Quero conclamar todos os reinistas e simpatizandes do nosso trabalho, para estender também suas mãos em prol do povo catarinense.

A partir de hoje, as igrejas da REINA serão postos de arrecadação. Os endereços podem ser encontrados no site http://www.igrejareina.blogspot.com/

No dia 7 de Dezembro, dia em que comemoraremos o aniversário da REINA, estaremos promovendo o Dia das Mãos Estendidas às Vítimas de SC. Venha participar conosco em nossa Sede Internacional: Rua Piratini, 75, Centro, Duque de Caxias, RJ.

Christus Victor! Semper Invictus!

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Equilíbrio afetado... Prejuízo generalizado

Na última quarta-feira, assisti a um dos fenômenos mais inusitados da natureza: a parceria entre golfinhos e humanos. Em Laguna, Santa Catarina, os golfinhos costumam ficar passeando pelo canal que liga a Lagoa de Santo Antônio ao mar aberto. Os pescadores preparam suas tarrafas e colocam-se à beira do canal, a pé ou de canoa, dependendo da maré. Ao perceber a presença dos humanos, os golfinhos passam a cercar os cardumes que entram e saem da Lagoa, sobretudo as tainhas, e os afugentam na direção dos pescadores. Somente os peixes que escapam das redes vão parar no estômago dos golfinhos.

Esse fenômeno é considerado pelos cientistas como raríssimo. Além do Brasil, ele só acontece na Mauritânia, África.

Ao chegar àquele lugar, percebi que havia algo errado com a coloração do mar. As águas estavam turvas, devido à grande quantidade de barro, lama e detritos advindos das enchentes que assolaram o Estado de Santa Catarina na última semana.

Três cenas me chamaram a atenção: os golfinhos apareceram, e tentavam ajudar os pescadores, mas os peixes não deram o ar da graça. Resultado: aos poucos, os pecadores desistiam da empreitada, e deixavam as águas com suas redes vazias. A última cena que me chocou foi ver o desespero das gaivotas, que voavam contra a fúria dos ventos (ventava muito!), mergulhavam, mas voltavam com o bico vazio.

Tudo isso porque os peixes resolveram não nadar naquelas águas barrentas.

A harmonia foi quebrada. O equilíbrio afetado. Pescadores de redes vazias, gaivotas de bicos vazios, e golfinhos frustrados, tentando dar continuidade à sua inexplicável parceria com o homem.

Embora as enchentes tenham ocorrido há muitos quilômetros dali, o fato é que todo rio deságua no oceano. Dava pra ver que próximo ao horizonte, as águas ainda eram azuis. Fiquei a me perguntar: - Por que as gaivotas não vão para lá? Por que insistem em voar aqui se não há peixes disponíveis?

Vai explicar...

Não seria tudo isso uma parábola da realidade? Que lição poderíamos tirar disso?

Vale à pena meditar...


* Acima, à direita, eu e o Pr. Júlio Zamparetti Fernandes, nosso anfitrião em Tubarão - SC

quarta-feira, novembro 26, 2008

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Deus carente?

Aproveitando meu breve "exílio" em Santa Catarina, por conta da maior tragédia natural da história deste Estado, estive meditando sobre um tema que vem me intrigando.

Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos?

Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.

Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 23 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.

As Escrituras dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de "Homem segundo o coração de Deus"?

E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?

As mesmas Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolos pop.

Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.

E quanto o louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.

Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.

Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.

segunda-feira, novembro 24, 2008

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Em meio à maior enchente da história de SC

Depois de um final de semana maravilhoso em Tubarão, SC, participando da primeira Convenção Estadual da REINA em Santa Catarina, fomos pegos de surpresa pela maior enchente da história deste Estado. Autoridades já se referem a ela como "O Dilúvio Catarinense". Já são mais de sessenta dias de chuva no Estado.

Já foram registrados mais de 50 mil desalojados e desabrigados. São 65 mortes confirmadas e mais 1.500.000 afetados.

Nosso vôo estava programado para hoje, mas a BR 101 foi fechada por causa de um grande deslizamento, envolvendo uma pedra de algumas toneladas. Até o momento, as autoridades prevêem que a desobstrução da rodovia se dará em pelo menos uma semana. Não havendo outro caminho recomendável para Florianópolis, fomos obrigados a permanecer em Tubarão.

Felizmente, estamos seguros, hospedados na casa do casal Rosalino e Maria, onde hoje estaremos promovendo um culto com amigos e vizinhos.

Gostaria de pedir orações para que a chuva cessasse, e assim, as autoridades pudessem tomar as devidas providências, e socorrer as centenas e milhares de vítimas. A situação está calamitosa!

Louvo a Deus pela vida do Pr. Julio Fernandes e sua família, nossos anfitriões, e pelo povo reinista que nos acolheu com tanto amor durante os dias de convenção.

Em breve estaremos de volta ao RJ, se assim o Senhor permitir.


Christus Victor! Semper Invictus!


Obs.: A casa onde estou hospedado não dispõe de internet, e por isso, não tenho podido responder e-mails e atualizar o blog regularmente. Porém, estou aproveitando o tempo para orar mais, ler as Escrituras, e meditar. Só posso entrar na internet, quando vou à casa do Pr. Julio. E pra completar, também estou sem telefone (tanto convencional quanto celular!)

sábado, novembro 22, 2008

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Coexistir ou Conviver?





















Por Hermes C. Fernandes


Coexistência é a palavra da moda, cada vez mais em voga, desde que o vocalista Bono Vox, a usou em sua bandana em um show do U2.

Cristãos, muçulmanos, hindús, espíritas, ateus, devem aprender a existir lado-a-lado, respeitando-se mutuamente.
Não se trata de Ecumenismo ou Sincretismo, ou ainda a fusão de religiões diferentes.

Como cristãos, devemos aprender a respeitar àqueles que pensam diferente de nós. Ninguém é obrigado a abraçar nossa fé. Lembremo-nos que não é por força, nem por violência, mas por obra e convencimento do Espírito.

Diferenças doutrinárias, culturais, sociais, raciais, não devem nos impedir de coexistir respeitosa e pacificamente.

Jamais converteremos alguém à base de discussões calorosas.

Desejar o desaparecimento de alguém, simplesmente por não concordar com seu modo de vida, ou com sua doutrina, é o mesmo que alimentar um sentimento homicida.

O que Deus espera de nós, não é apenas que aceitemos a existência do outro, mas que o convidemos a participar de nossa vida. Coexistir já é um enorme passo. Mas o projeto de Deus para nós vai muito além que a simples coexistência. Ele nos chama à convivência.

Devemos buscar ir além da mera coexistência. Temos que buscar a CONVIVÊNCIA.

A diferença entre conviver e coexistir, é que convivência implica viver juntos, ter vida em comum, enquanto que coexistência implica viver lado-a-lado, cada qual respeitando o espaço do outro.

Convivência só é possível onde haja comunhão. Mas para que haja comunhão, temos que estar em concordância acerca da Verdade. À medida que partilhamos o Evangelho, nosso círculo de convivência vai aumentando.

Talvez a coexistência seja o primeiro passo rumo à convivência. Mas não podemos parar por aí.

Devemos buscar conviver, não apenas coexistir; conviver carinhosamente, em amor, e não apenas em tolerância mútua.

Pra coexistir, temos que aprender a tolerar os outros. Pra conviver, temos que aprender a perdoar.

Pra coexistir, basta respeitar e aceitar a existência do diferente. Pra conviver, tem que amar, e convidar o diferente para que faça parte de nossa vida.

Podemos coexistir, sem nos importar com o outro. Simplesmente ignorar. Fingir que ele não existe, e assim, deixá-lo em paz. Mas para conviver, temos que abrir a porta de nossa casa. Temos que acolhê-lo e amá-lo.

sexta-feira, novembro 21, 2008

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Olhando com os olhos do Amor




Lindíssima música, com tradução para o português.

quinta-feira, novembro 20, 2008

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É triste, mas é verdade...


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Imagine...

Futebol sem Pelé, sem Ronaldinho Gaúcho, sem Robinho...
Boxe sem Mohamed Ali...
Atletismo sem Robson Caetano, sem João do Pulo...
Golfe sem Tiger Wood... Fórmula Um sem Lewis Hamilton...
Flamengo sem Obina...
Passarelas sem Naomi Campbell...
Cultura brasileira sem o Samba, a Bossa-Nova...
Cultura americana sem o Blues, o Jazz, o Gospel...
Nossa música sem Milton Nascimento, sem Djavan, sem Tim Maia, sem Cartola...
Nossa literatura sem Machado de Assis...
Bahia sem vatapá, acarajé, carurú...
A culinária brasileira sem Feijoada...
O último século sem Martin Luther King, sem Malcom X, sem Mandela, sem Desmond Tutu...
Hollywood sem Denzel Washington, sem Will Smith, sem Sidney Poitier, sem Morgan Freeman, sem Halle Berry, sem Whoopi Goldberg…
Música romântica sem Ray Charles, sem Barry White, sem Whitney Houston, sem Lionel Ritchie…
Trompete sem Louis Armstrong...
Guitarra sem Jimi Hendrix, sem B.B.King...
Nossa dramaturgia sem Grande Otelo, sem Zezé Motta, sem Milton Gonçalves, sem Lázaro Ramos...
Nossa história política sem Souza Marques (primeiro político negro brasileiro)...
Teologia sem Agostinho...
Nossa teologia sem Ariovaldo Ramos...
A música cristã brasileira sem Adhemar Campos...
Salomão sem Sulamita...
Os Magos sem Baltazar...
Os Trapalhões sem o Mussum...
Sítio do Pica-pau Amarelo sem tia Anastácia...
O Fantástico sem Glória Maria...
O Programa do Jô sem a gargalhada de Bira...
Nossa família sem Ivonete, nossa mãe preta...
Quilombo sem Zumbi...
O Mundo sem a África...
Não me faça chorar... eu quero mesmo é rir... rir de gratidão pelo negro existir.

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Deus Negro

Este poema, que conheci quando tinha meus dez anos, me marcou profundamente, me ensinando que o Cristo que celebramos é o Deus de todas as cores, etnias, raças e culturas. Neste dia em que comemoramos a Consciência Negra, gostaria de dedicá-lo à todos que têm sido vítimas de qualquer tipo de preconceito, não apenas racial, mas também social, religioso ou de gênero.

Lembrando que em Cristo, todos os muros separatistas ruíram, e que homens e mulheres, brancos, negros e mestiços, empregados e patrões, índios e ameríndios, sacerdotes e leigos, somos todos iguais. Diferentes na cor da pele, ou nos papéis que desempenhamos, mas iguais em dignidade perante Deus e nossos semelhantes.


Deus Negro

Eu, detestando pretos,
Eu, sem coração!
Eu, perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!

Eu, você, nós...nós todos,
cheios de preconceitos,
fugindo como se eles carregassem lodo,
lodo na cor...
E, com petulância, arrogância,
afastando a pele irmã.

Mas,
estou pensando agora,
e quando chegar minha hora?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas,
se eu chegasse lá e um porteiro manco,
como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta,
e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei?
Se a sua mão tateasse pelo trinco,
como as mãos do cego que não ajudei?
Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei ?
Se uma criança me tomasse pela mão,
criança como aquela que não embalei,
e me levasse por um corredor florido, colorido,
como as flores que eu jamais dei?
Se eu sentisse o chão frio,
como o dos presídios que não visitei?
Se eu visse as paredes caindo,
como as das creches e asilos que não ajudei?
E se a criança tirasse corpos do caminho,
corpos que eu não levantei
dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos,
que era vagabundagem, mas era fome?

Meu Deus!
Agora me assusta pronunciar seu nome.
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei,
ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei,
ou da mãe que não amei?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?

E, no fim do corredor, o início da decepção.
Que raiva, que desespero,
se visse o mecânico, o operário, aquele vizinho,
o maldito funcionário, e até, até o padeiro,
todos sorrindo não sei de quê?
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.

Deus não está vestido de ouro. Mas como?
Está num simples trono.
Simples como não fui, humilde como não sou.

Deus decepção.
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
sem aquela imponente classe.

Deus simples! Deus negro!
Deus negro?

E Eu...
Racista, egoísta. E agora?
Na terra só persegui os pretos,
não aluguei casa, não apertei a mão.

Meu Deus você é negro, que desilusão!

Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada.

Meu Deus você é negro, que decepção!

Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?

Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate,
aquele que expulsei da frente de casa?

Deus, pregaram você na cruz
e você me pregou uma peça.
Eu me esforcei à beça em tantas coisas,
e cheguei até a pensar em amor,

Mas nunca,
nunca pensei em adivinhar sua cor.

Autor: Neimar de Barros

quarta-feira, novembro 19, 2008

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O espetáculo já começou!

"Mas graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós manifesta em todo lugar o perfume do seu conhecimento" (2 Co.2:14).

Eis um dos versos bíblicos mais mal compreendidos pelos cristãos contemporâneos!

Mas o que esperar de uma geração de crentes triunfalista e individualista, que pinça versos das Escrituras a seu bel-prazer, para justificar uma postura hedonista e egoísta?

De acordo com essa visão distorcida, Paulo está dizendo que Cristo nos conduz pelo mundo vitoriosamente. Entretanto, o foco de Paulo não é a nossa vitória como indivíduos, mas a vitória de Cristo.

Algumas traduções dizem que Ele "sempre nos faz triunfar". Porém, o texto grego diz que Ele nos conduz em triunfo. Pode até parecer que estamos trocando seis por meia dúzia. Entretanto, "fazer triunfar" e "conduzir em triunfo" têm significados bem distintos, e praticamente inversos.

De fato, a Bíblia nos garante que "somos mais que vencedores", e que "a vitória que vence o mundo é a nossa fé". Porém, esse verso em particular fala de outra coisa.

O que é que Paulo intentava dizer, afinal?

Primeiro, precisamos nos familiarizar com a palavra "triunfo". Trata-se do desfile triunfal que era promovido em Roma para recepcionar os generais romanos e suas tropas, quando chegavam de alguma campanha militar bem-sucedida.

Geralmente, o general ía à frente, em seu carro de guerra, exibindo louros em sua cabeça, seguido pelos soldados que ostentavam bandeiras e estandartes, e pelos prisioneiros de guerra, acorrentados pelos pés, mãos e pescoços.

Que posição, Paulo imaginava ocupar na parada triunfal de Cristo? Será que ele se imaginava o general? Ou um dos soldados? Ou será que ele se via como um prisioneiro, exibido como troféu ao mundo?

Basta relembrarmos de sua conversão, quando ouviu dos lábios de Cristo: "Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões" (At.26:14). Ora, os inimigos conquistados eram exibidos pelas ruas de Roma, acorrentados com aguilhões em seus pescoços. Qualquer movimento poderia ser fatal, pois esses aguilhões penetrariam no pescoço do prisioneiro, provocando um sangramento que o levaria à morte.

Seria por isso que Paulo usualmente se apresentava como "prisioneiro de Cristo" (Ef.3:1; 4:1; Fm.1; 2 Tm.1:8)?

Paulo se considerava um inimigo conquistado por Cristo. Era exatamente esta a imagem que ele tinha em mente ao declarar que estava sendo conduzido por Cristo em Seu desfile triunfal pelo mundo. Paulo era um exemplo de que Cristo é capaz de fazer a um inimigo Seu.

Em outras palavras, somos inimigos vencidos, e agora, exibidos ao mundo como troféus. Daí Paulo declarar em outra passagem: "Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens" (1 Co.4:9). Os cidadãos que assistiam àquele espetáculo cruento sabiam que os últimos eram os condenados à morte.

E por mais paradoxal que pareça, somente os "vencidos por Cristo", podem ser considerados "mais que vencedores" por meio d'Ele.

Cristo nos conquista pelo amor! Não é pelo poder, pela força bruta, nem pela imposição, mas por Sua graça e amor.

E Suas correntes são tão poderosas, que podemos fazer coro com Paulo: "Pois estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm.8:38-39).

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Negando a si mesmo para não negar a Cristo

“Qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem...” Lucas 9:26a

“Não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus...” Romanos 1:16a

Há duas maneiras de negar a Jesus.

A primeira é envergonhando-se d’Ele, como fez Pedro no pátio do Templo, enquanto se aquecia ao redor de uma fogueira à espera do veredicto que condenaria Jesus (Lc.22).

Preocupado em salvar a própria pele, por três vezes Pedro negou conhecer seu Mestre. O canto do galo foi o despertador usado por Deus para chamar a sua atenção. Não foi por falta de aviso. Mas a pressão psicológica a que Pedro estava sendo submetido era tamanha, que ele sequer se lembrou da advertência de Jesus.

Quantas vezes temos nos envergonhado de Jesus? Infelizmente, nem sempre temos um galo por perto para despertar nossa consciência. Porém, há situações que nos servem como despertadores. Circunstâncias adversas, decepções, e até tragédias, chegam em hora oportuna. Mas nem sempre conseguem chamar nossa atenção.

O que mais incomodou Pedro não foi o canto do galo, mas o olhar penetrante de Jesus. Foi aquele olhar desapontado que fez com que Pedro chorasse amargamente por toda a noite.

Ah se tivéssemos consciência de que o olhar do Senhor está constantemente sobre nós!

Aquele que não Se envergonha de nos chamar de irmãos, não merece que nos envergonhemos d’Ele (Hb.2:11).

A segunda maneira de negá-Lo é envergonhando-O diante dos homens.

Paulo denuncia aqueles que “professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra” (Tt.1:16).

É difícil dizer o que é pior, envergonhar-se d’Ele ou envergonhar a Ele.

Não adianta confessá-Lo perante os homens, e negá-Lo com nossas obras. Talvez fosse melhor que não O confessássemos, do que nos declararmos cristãos e vivermos como ímpios.

Judas não negou que O conhecia. Entretanto, usou tal conhecimento para entregá-lo aos seus inimigos. Judas não O negou com suas palavras, mas O negou com suas obras.

Todos, em algum momento, somos tentados a negar Jesus. Quer seja por vergonha de nos identificarmos como Seus seguidores, quer seja por atitudes que denigrem a nossa fé.

Como evitar que neguemos a Cristo?

Só há uma maneira de evitar: negando a nós mesmos.

Jesus disse: “…Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mc.8:34).

Se não negarmos a nós mesmos, eventualmente negaremos Aquele que nos resgatou (2 Pe.2:1). Negar a si mesmo é dizer não à sua própria vontade, é abrir mão de direitos, é não pleitear a própria causa. Quem nega a si mesmo já não faz questão de coisa alguma. Parafraseando Paulo, estamos crucificados com Cristo. Desistimos de nossa própria vida, para que Cristo viva Sua vida através de nós.

Nos envergonhamos de nossa justiça própria, pra nos gloriar na Justiça que vem do alto.

Negar a si mesmo é renunciar a tudo em nome da única coisa de que não podemos abrir mão: Cristo. O que antes reputávamos como lucro, agora consideramos perda.

De tudo de que devemos abrir mão, o mais difícil é a justiça própria.

Podemos desistir de um projeto pessoal em nome de algo mais nobre. Podemos renunciar títulos, conforto material, fama, mas dificilmente nos dispomos a renunciar nossa justiça própria.

Queremos sempre ter a razão em tudo. Basta que sejamos injustiçados, e logo recorremos a esse senso de justiça própria. Somos eternas vítimas.

Vítimas do sistema, vítimas de perseguição, vítimas dos falsos amigos, etc.

Se não renunciarmos nossa justiça, não desfrutaremos da justiça de Cristo.

Se não nos negarmos a nós mesmos, negaremos a Cristo.

Se pleitearmos nossas causas, estaremos dispensando a atuação de nosso advogado, Jesus.
Paulo entendeu isso perfeitamente, e por isso, escreveu:

“Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo justiça própria...” (Fp.3:7-9a).

Em vez de nos preocuparmos com nossa reputação, nos preocupamos com nosso testemunho. Em vez de nos preocuparmos com a aquisição e manutenção de bens materiais, nos preocupamos em repartir o que temos com os que nada têm.

Simplesmente, morremos. Sim, morremos para nossas pretensões. Já não há causas a defender, senão a causa do Reino de Deus e da Sua justiça.

sábado, novembro 15, 2008

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Atirando pedras ou tirando a pedra?

“Mandaram as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, aquele a quem amas está enfermo.” João 11:3

O recado enviado por Marta e Maria a Jesus era carregado de cobrança. Foi como uma chantagem emocional para que Jesus Se apressasse a visitar a Lázaro. De fato, Jesus o amava, como também amava suas irmãs, “porém, quando ouviu que Lázaro adoecera, ficou ainda dois dias no lugar onde estava” (v.6).

Fico imaginando o que deve ter passado na cabeça de Seus discípulos. Que amor é esse? Por que Jesus não aperta os passos, interrompe todos os Seus compromissos, e vai logo visitar aquele a quem Ele diz amar?

Depois de dois dias, para a surpresa dos discípulos, Jesus disse: “Voltemos para a Judeia” (v.7). O que? Voltar ao ponto de partida, quando há alguém precisando de Sua visita com urgência? Os discípulos ainda tentaram argumentar com Jesus para dissuadi-lO de retornar à Judeia: “Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá?” (v.8). Parecia ser um argumento bem razoável. Aquele povo O odiava, incitado pelos seus líderes. Mesmo assim, Jesus não estava disposto a alterar Sua agenda.

Jesus não estava preocupado com as pedras que queriam atirar n'Ele, mas com uma pedra que precisava ser tirada para que Sua glória se manifestasse.  Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele jamais daria um tiro no escuro. Daí Sua incisiva resposta: “Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, pois vê a luz deste mundo. É quando anda de noite que tropeça, pois não tem luz” (v.9-10). Em outras palavras: “Fiquem tranquilos, sei o que estou fazendo! Estou apenas seguindo a orientação do meu Pai”. Jesus nunca Se preocupou em ficar bem na fita ou ser politicamente correto. Algumas de Suas atitudes foram extremamente impopulares. Porém, Ele seguia à risca as determinações do Pai, e jamais Se atreveu a alterar o cronograma por Ele determinado.

Embora tivesse que passar pela Judeia (onde Sua popularidade estava em baixa, e ainda corria o risco de ser apedrejado), o objetivo último de Jesus era alcançar Betânia, onde Seu amigo Lázaro estava. Antes de partir, Jesus informou-os: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo” (v.11). Os discípulos acharam que Jesus estava falando de um sono literal. Não era sempre que Jesus Se fazia entender. “Então Jesus disse claramente: Lázaro está morto, e me alegro...” . Respira fundo... leia de novo... foi isso mesmo que Jesus disse? Lázaro, aquele a quem Ele tanto amava, havia morrido, e Ele estava alegre? Como assim? Esse é o problema de se pinçar algo de seu contexto imediato. Antes de tirarmos conclusões precipitadas, que tal deixarmos que Jesus conclua Seu pensamento?
“Então Jesus disse claramente: Lázaro está morto, e me alegro, por vossa causa, de que lá não estivesse, para que possais crer. Mas vamos ter com ele” (vv.14-15).
Jesus não disse que estava alegre porque Lázaro havia morrido. Ele estava alegre por haver poupado Seus discípulos de algo, atrasando propositadamente Sua caminhada. Jesus sabia que Seus discípulos não tinham estrutura espiritual para assistir às certas cenas. Vê-lo morrer poderia inibir sua fé e confiança em Deus. Foi por amor a Seus discípulos que Jesus retardou Sua viagem a Betânia. Portanto, ninguém poderia acusá-lo de falta de amor.

Devemos tomar redobrado cuidado com aqueles que pinçam palavras fora de seu contexto, e a distorcem a seu bel-prazer, para servir a seus propósitos e interesses. Uma palavra pode ter seu sentido inteiramente alterado, bastando que se mude o tom de voz, ou ainda, a expressão corporal e facial. Também devemos aprender com Jesus a poupar as pessoas daquilo para o qual não estão ainda preparadas. Isso é agir com responsabilidade. Noutra feita, Jesus disse a Seus discípulos que ainda tinha muito que lhes dizer, porém eles não estavam preparados (Jo.16:12).

Às vezes me pergunto quais teriam sido os critérios usados por Jesus na seleção de Seus discípulos. Pedro, aquele em quem mais Jesus parecia confiar,  negou-O  três vezes. Judas, o que cuidava da tesouraria do ministério de Jesus, traiu-O por trinta moedas de prata, e ainda teve o descabimento de justificar-se, dizendo que sua esperança era que, ao ser preso e condenado pelos romanos, Jesus Se revelasse ao mundo com todo o Seu poder e glória, e assim, libertasse os judeus do domínio romano. Em outras palavras, a traição visaria o próprio bem de Jesus. Quanta cara de pau! E como se não bastasse esses dois, ainda havia Tomé, o incrédulo. Neste episódio, Tomé foi responsável por um comentário infeliz na frente de seus colegas: “Vamos nós também para morrer com ele” (v.16). Pelo jeito, perdeu uma grande chance de ficar calado.

Infelizmente, ainda nos deparamos com gente incrédula no seio do povo de Deus, e que não consegue enxergar os propósitos de Deus em nada que acontece. Gente que só está preocupada em se preservar, salvar sua pele,  ou simplesmente, impor seu ponto de vista.
“Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido enterrado. Betânia distava cerca de quinze estádios de Jerusalém, e muitos judeus tinham vindo visitar Marta e Maria, para consolá-las acerca de seu irmão” (vv.17-19).
Os mesmos judeus que estavam buscando uma oportunidade de apedrejar a Jesus, agora demonstravam compaixão pela situação de Marta e Maria. Eles se colocaram ao lado das irmãs de Lázaro, mas estavam armados contra o Filho de Deus. E o pior é que tudo indica que tenham conseguido o que, de fato, queriam: jogá-las contra o mestre.

“Ouvindo Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, ficou em casa” (v.20). Fica nítido que Maria não queria ver Jesus. Ela estava engasgada com aquela situação. Os judeus a convenceram de que Jesus não vivia o que pregava, pelo fato de não ter visitado Lázaro enquanto ainda estava enfermo.

Marta, entretanto, resolveu sair ao encontro de Jesus e tirar aquilo a limpo.

“Disse Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (v.21). Aquilo foi uma acusação. Fica claro que ela estava sob a influência dos líderes judeus, agitadores, que foram ali com o pretexto de consolá-las, mas no fundo, queriam mesmo era lançá-las contra Jesus, e assim, destruir a credibilidade do Seu ministério.

Porém, enquanto O acusava, Marta caiu em si, lembrando-se de tudo o que havia presenciado no ministério de Jesus, dos Seus ensinamentos, de Seu exemplo de vida, e, imediatamente, recobrou o ânimo, e complementou: “Mas ainda agora sei que tudo o que pedirdes a Deus, ele te concederá” (v.22). Isso parece indicar que o estrago feito pelos judeus não havia sido completo. Ainda havia uma fagulha de fé no coração de Marta. Jesus, então, resolveu alimentar essa fagulha, dizendo: “Teu irmão ressurgirá” (v.23). Marta ainda tentava encontrar um sentido para tudo aquilo, e por isso, respondeu: “Eu sei que ressurgirá na ressurreição, no último dia” (v.24). De quem Marta havia ouvido aquilo? De quem ela aprendera sobre aquela verdade? Dos judeus agitadores, ou de Jesus que era acusado de negligência? No entanto, Jesus ainda tinha muito que ensiná-la. Seu discipulado não havia terminado. Agora era hora de uma nova lição.

Disse Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá. Crês isto? Disse ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (vv.25-27). Finalmente, Marta começava a enxergar as coisas na perspectiva certa. Daí sua confissão de fé. Todos os argumentos dos judeus caíram por terra ao som desta confissão.
“Depois que ela disse isso, voltou e chamou Maria, sua irmã, em particular, dizendo: O Mestre está aqui e te chama” (v.28).
Repare nos detalhes que o texto oferece. Agora que ela sabia a verdade, e não apenas uma versão pervertida da verdade, ela tinha que compartilhar com sua irmã, que também estava sob a influência dos judeus “consoladores” (ou seriam “agitadores”?). Sabiamente, para não causar mais tumulto, Marta chamou sua irmã em particular. Ao referir-se a Jesus como “o Mestre”, Marta estava dizendo a Maria: Ele ainda tem muito que nos ensinar. Será que esquecemos de tudo o que aprendemos com Ele? Vamos parar para ouvi-lo, e saber o que Ele tem a dizer. Vamos parar de ouvir a versão da turma do contra, e ouvir Àquele que é a Verdade, JESUS.
“Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi encontrar-se com Jesus. Ora, Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara. Quando os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, perceberam quão rapidamente ela se levantara e saíra, seguiram-na, supondo que ia ao túmulo para chorar ali” (vv.29-31).
Maria não ficou argumentando com Marta. Não alegou que havia resolvido dar um tempo. Pelo contrário, ela se apressou em atender ao convite do Mestre. Deixou os judeus para trás, e saiu ao encontro de Jesus. Os judeus ficaram atordoados. Acharam que ela tinha ido ao cemitério chorar a morte do irmão, e por isso, decidiram segui-la.

“Quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava e o viu, caiu-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (v.32). Jesus já ouvira isso antes. Maria fazia coro com sua irmã, pois ambas haviam bebido da mesma fonte de indignação: os judeus que queriam a destruição do ministério de Jesus.

“Jesus, vendo-a chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, comoveu-se profundamente em espírito, e perturbou-se” (v.33). A maneira como este versículo está disposto, dá a entender que Jesus reagiu de maneira diferente diante de cada choro. Ele comoveu-Se com o choro de Maria, mas “perturbou-se” com o choro forçado dos judeus.

“Perguntou ele: Onde o pusestes? Responderam: Senhor, vem e vê. Jesus chorou” (vv.34-35). O que teria levado Jesus à essa reação emocional? Por que Ele chorou ante o túmulo de Lázaro? Impotência diante da morte? Não! Seu choro foi um misto de comoção e perturbação. Comoção com o sofrimento das irmãs de Lázaro, e perturbação diante da hipocrisia dos judeus.

Para fazer uma média, os judeus disseram: “Vede como o amava! Mas alguns disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morresse?" (vv.36-37). Agora fica claro de baixo de que influência Marta e Maria estavam, e de onde elas tiraram aquelas conclusões acerca de Jesus.

Os judeus já espreitavam a Cristo em busca de algo para incriminá-lo. Porém, Jesus não lhes dava chance. Tentaram acusá-lo de blasfêmia, mas seus argumentos foram jogados por terra. Não havia como acusá-lo de adultério, de mentira, de roubo, então, o único trunfo que conseguiram foi esse: acusá-lo de incoerência entre o que pregava e vivia. Se pregava tanto amor, como poderia ser tão negligente com quem dizia amar? Como poderia ter deixado que ele morresse daquele jeito, sem ao menos visitá-lo enquanto estava vivo? Se podia evitar sua morte, por que não o fez? A conclusão deles era uma só: Jesus não vive o que prega!

Já que pedradas vindas de fora não O atingiam, o melhor a fazer era promover uma rebelião entre os de dentro, levando-os a duvidar do caráter e do amor do Mestre. Por um momento, eles conseguiram influenciar até pessoas do círculo íntimo de Jesus, como eram Marta e Maria. Mas a erva dadinha da dúvida estava prestes a ser arrancada.
“Jesus, comovendo-se profundamente outra vez, dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, como uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Disse Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois é o quarto dia. Então Jesus lhe disse: Não te disse que se creres verás a glória de Deus?” (vv.38-39).
Observe: Jesus comoveu-Se outra vez. A diferença é que agora Sua comoção era voltada inteiramente para as irmãs de Lázaro. Em nenhum momento Jesus apresentou uma defesa, e nem Se preocupou em provar nada para ninguém. O que o movia não era o prazer do espetáculo, mas a compaixão pelo sofrimento alheio.

Tirai a pedra! Não seria a pedra do sepulcro uma perfeita alegoria para a pedra em que se tornou o coração daquele povo? Deus promete em Sua Palavra que removeria do nosso peito o coração de pedra, e nos daria um coração de carne.

Em outras palavras, Jesus estava dizendo aos Seus acusadores: Em vez de me atirar pedras, tirem a pedra de seus coração. O que incomodava mais a Jesus não eram as pedras que traziam nas mãos, mas a pedra que havia em seus peitos.

Espíritos armados inibem a manifestação da glória de Deus. A pedra tem que ser removida. A parede de separação tem que ser destruída, para que a glória do Senhor seja vista entre nós.

Primeiro, Jesus Se dirige ao Pai, dando-Lhe graças por sempre Lhe ouvir. Depois é que se dirige ao túmulo aberto, exalando mau cheiro, clamando em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” (v.43).
Você pode imaginar a cena? Já assistiu a algum filme de múmia? Pois é. “O morto saiu, tendo as mãos e os pés enfaixados, e o rosto envolto num lenço. Disse Jesus: Desatai-o e deixai-o ir” (v.44). Cada vez que leio esta passagem, ela se renova em meu entendimento e fico admirado com a atitude de Jesus.

A ordem de Jesus foi “desatai-o e deixai-o ir”.

Este é o Espírito do Evangelho! Liberdade!

Jesus não constrange ninguém a segui-Lo. Nem mesmo os membros de Sua própria família, Sua mãe e irmãos, eram forçados a segui-lo.  Ele jamais usou argumentos humanos para tentar cativar as pessoas. Ele sempre as deixou bem à vontade.  E sabe qual foi o resultado disso? Basta ler o capítulo seguinte, e verificaremos que o mesmo Lázaro promoveu, juntamente de suas irmãs, um banquete para receber Jesus em seu lar.

Jesus os cativou pelo amor. Não foi com argumentos, nem Se defendendo das injúrias e acusações dos judeus, mas simplesmente, amando.

Esse é o nosso Jesus! Quem O conhece, reconhece a Sua voz!

Ele nos atrai com “cordas de amor” (Os.11:4) e diz: “Com amor eterno te amei; com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).

Quem conseguirá nos separar deste amor? Que argumentos seriam convincentes o suficiente para nos remover dos Seus braços?

E é por confiar inteiramente em Seu amor por nós, que Ele nos dá liberdade.

Gosto de uma frase dita por John Lennon: “Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.”

Portanto, sintam-se desatados!

Se não nos virmos mais por esses dias, quem sabe um dia, a gente se reencontra.


Christus Victor! Semper Invictus!

sexta-feira, novembro 14, 2008

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Extraindo de nós o perfume do amor

Somos ramos da Árvore da Vida que é Cristo, plantados à margem do Rio da Vida, o Espírito Santo, e nosso objetivo é duplo: produzir frutos para Deus, e remédio para as nações através de nossas folhas (Ez.47:12).

Sempre que me deparava com essa passagem em Ezequiel, me perguntava em que sentido nossas folhas curariam as nações.

Para que servem as folhas de uma árvore, afinal? Para produzir o oxigênio. Isso se dá através de um processo conhecido como fotossíntese.

Para que esse processo ocorra, é necessário a atuação de três agentes: o sol, com a sua luz (foton); o gás carbônico produzido por todos os que respiram, e que é considerado nocivo para nós mesmos; e as folhas, com seu poder de processar esse gás carbônico, devolvendo-o à atmosfera em forma de oxigênio.

Interessante essa analogia... Recebemos de Deus o bem, mas por causa de nossa natureza caída, o bem passa por nós, e transforma em algo nocivo aos nossos semelhantes e a nós mesmos. Recebemos da natureza o oxigênio, que depois de passar por nós, se transforma em gás carbônico. Nossa natureza caída transforma remédio em veneno, vida em morte, amor em ódio, justiça em vingança.

Não precisamos nos esforçar para isso. Está em nossa natureza. Por isso, Paulo dizia: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem" (Rm.7:18).

Deus, em Sua infinita sabedoria, plantou no meio do Seu Jardim (humanidade) a Árvore da Vida. Aos nos convertermos a Ele, tornamo-nos ramos dessa árvore. E nossa suprema missão é reverter esse quadro danoso, esse círculo vicioso de ódio, rancor e vingança.

Mas não podemos fazê-lo sozinho. Não é na força de nosso braço. Como diz a Escritura, não é por força, nem por violência, pelo Espírito. Lá fora está o Mundo sem Deus, a humanidade caída, produzindo males para si mesma. Nosso papel, como Igreja de Cristo, é romper com o ciclo da maldade, e transformar o mal que recebemos em bem.

Como se dará essa "química"? Como processá-la? Que misteriosa alquimia é esta, capaz de transformar "ferro velho" em ouro?

Sozinhos? Impossível! E é aí que entra o único que pode produzir a síntese perfeita: Deus.

Tal qual o Sol na fotossíntese, é o Pai Celestial que origina todo o processo. Como vimos, a Árvore da Vida é Cristo, do qual somos ramos. As folhas representam a manifestação da natureza divina em nós, capaz de transformar o mal recebido em bem.

A Igreja de Cristo é um poderoso reator, capaz de processar todo mal que recebe, e devolvê-lo ao mundo em forma de perdão e amor.

"Abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis (...) A ninguém torneis mal por mal (...) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm.12:14,17a,21).

"Não pagueis mal por mal, nem injúria por injúria. Pelo contrário, bendizei, porque para isso fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança (...) Tende uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo. Melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo o mal" (1 Pe.3:9,16-17).

E é assim que o bom perfume de Cristo é extraído de nós, e exalado no mundo.

Em vez de questionarmos a razão de sofrermos, devemos receber a injustiça, e devolvê-la ao mundo em forma de amor.


P.S.: O vídeo postado abaixo é um exemplo disso. Quem tiver conexão discada, vale à pena esperar um pouco para assistir. Foi através dele que, ontem, tive a oportunidade de ensinar a meus filhos o valor do perdão.

quinta-feira, novembro 13, 2008

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Nada que eu passe, pode se comparar a isso...Tanto que aprender com Jesus...

quarta-feira, novembro 12, 2008

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Livros de auto-ajuda...

Auto-ajuda?

Quando alguém está se afogando pode auto-ajudar-se a não se afogar?

Quando alguém é alcoólatra pode auto-ajudar-se a deixar o vício?

Um viciado em drogas pode auto-ajudar-se a deixar as drogas?

Então, essa coisa chamada auto-ajuda, não passa de um monte de lixo!

Ajuda alguém a se sentir "O CARA", mas não ajuda ninguém a se livrar das drogas, por exemplo.

Não passsa de uma massagem no ego das pessoas.

É apenas uma forma enrustida de estimular as pessoas a não contarem uma com as outras, ensinando-as a serem cada dia mais egocêntricas, e buscarem dentro de si todas as respostas, como se o ser humano tivesse todas as respostas.

É uma forma de afastar as pessoas de Deus, pois Ele sim, tem todas as respostas. É uma forma de afundar as pessoas dentro de si mesmas. É egoísmo e egocêntrismo puro!

Paulo Coelho... Gurus da auto-ajuda e da auto-estima.

Até suícidio o coelhinho aí ja tentou! Com ele não funcionou a auto-ajuda?

Tenho que ter consciência sim do que sou capaz, mas também preciso reconhecer meus limites, e não buscar em mim mesmo, ou em outros homens certas respostas que só Deus tem.

Augusto Cury...Vende auto-ajuda aos montes, um verdadeiro guru.

Com isso muitas pessoas trocam a sabedoria e o poder de Deus, por um monte de lixo, que só faz direcionar o homem cada vez mais para dentro de si. Quando na verdade a Bíblia diz que, o pecado contaminou o ser humano, logo, essa auto-ajuda faz o homem mergulhar cada vez mais no seu pecado.
Por que crer na Bíblia, em vez de acreditar nos livros de auto-ajuda?
Porque ela é inspirada por Deus, e não pelo egocêntrismo.

Porque ela não fala de homens, mas fala de Deus.

Porque ela projeta o homem para fora, para o mundo exterior, para existir, e não para dentro, para sumir.

Porque ela ensina o homem a adorar o criador e não a coisa criada.

Porque ela fala da verdade absoluta, e não de uma alternativa.

Porque ela é comprovada por tudo que existe, visível e invisível.

Porque você depende de Deus e não Deus de você.

Então ao invés de ler esses lixos, vai ler a Bíblia!


Escrito por Eddmilson


segunda-feira, novembro 10, 2008

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Os riscos de se pregar o amor

Lembro de quantas vezes ouvi meu pai falar de amor. Essa era, sem dúvida, uma das tônicas de seu ministério, o que lhe rendeu o apelido de “apóstolo do amor”. Não foi ele quem se intitulou assim. Aliás, ele nunca ligou muito pra título. Por isso, só pouco antes de morrer, na semana em que partiu, ele aceitou ser sagrado bispo. Mas ainda hoje há quem se refira a ele como “apóstolo do amor”.

Mas ele sabia dos riscos que havia de se pregar o amor. Algumas pessoas mal intencionadas se aproveitavam para extrair dele algum benefício, e quando ele não podia atender à um pedido, logo o chamavam de incoerente, de não viver o que pregava, etc. A bem da verdade, algumas vezes ele caiu em verdadeiras armadilhas. Ele preferia acreditar nas pessoas, até que se provasse o contrário.

Muitos dos seus gestos de amor eram feitos à surdina. Eu mesmo já testemunhei ocasiões em que ele ajudou alguém, e pediu que não divulgasse. Ele buscava seguir à risca à orientação dada por Jesus: o que fizer a mão direita, não o saiba a esquerda.

Quando decidi fazer da mensagem do amor uma das principais ênfases do meu ministério, eu estava plenamente ciente do que isso me acarretaria. Eu seria julgado com mais severidade. Seria acusado de incoerência, quando tivesse que disciplinar alguém na igreja. Teria minha vida constantemente perscrutada por aqueles que me almejassem “desmascarar”. Mas resolvi correr o risco.

Confesso que às vezes o preço parece mais caro do que eu supunha ser. Mas, por outro lado, é gratificante. O resultado positivo não pode ser ofuscado por nenhuma contestação ou acusação.
Que me acusem do que quiserem. Não me importo. Mas jamais se atrevam a atacar a mensagem, pois ela não é minha, é de Deus.

Não vou deixar de pregar o amor, ainda que, quanto mais amar, eu seja menos amado. Não busco ser correspondido. O amor de Deus por mim supre minha carência por completo. O fato de Ele me amar é suficiente para que eu ame tanto a meus amigos, quanto a meus desafetos.

Continuarei pedindo discrição daqueles a quem eu tiver oportunidade de ajudar. Minha recompensa vem do Senhor.

Não vou perder tempo emprestando meus lábios às acusações, sejam elas infundadas ou não. Como também não quero perder tempo me explicando, me justificando, pois tenho quem me defenda e me justifique. Com a palavra... meu advogado... Jesus!

Trata-se de um caminho sem volta. Seja qual for o preço a ser pago, não se pode retroceder.
Que o mesmo Espírito que derramou profusamente o amor de Deus em nossos corações, nos dê condição de arcar com os eventuais custos disso.

Pregar o amor é colocar-se no banco de réus. Viver o amor é dar às pessoas amadas o poder de nos decepcionar. Mas é o mesmo amor que nos agracia com o dom de perdoar.

domingo, novembro 09, 2008

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Soldado Ferido

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Guerra de Carvão

O menino chega em casa bufando de raiva de um colega da escola que o humilhou na frente de seus amigos.

Em vão seu pai tenta acalmá-lo. Percebendo, então, que ele precisa "botar pra fora" sua raiva, o pai propõe-lhe uma forma alternativa de vingança:

- Vê aquela camiseta branca no varal, filho? Pois, bem, imagine que aquela camiseta é menino que te aborreceu. Pegue aqui neste saco alguns pedaços de carvão e atire bem no peito dele. Vamos ver quantas vezes você é capaz de acertá-lo, até que sua raiva passe.

A coisa toda pareceu-lhe boba, mas ele aceitou, afinal de contas seu pai estava do seu lado.

Errou algumas, acertou outras, mas atirou até a última pedra de carvão que havia no saco. No fim o pai perguntou-lhe:

- E aí, filhão, como se sente?

- Cansado, disse ele sorrindo, mas, em compensação, olha só como ficou a camiseta!

O pai, então, convida-o a entrar e o coloca diante de um espelho. O menino leva um susto ao ver o quanto ficou sujo ao manusear o carvão, e o pai lhe diz:

- Assim é a vingança filho, você sempre acabará ficando sujo enquanto estiver atacando seu oponente. Perdoar é melhor!

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Barba de Molho

Cansado de ver seus sermões caírem no vazio, um pastor resolveu dar uma lição inesquecível aos seus ouvintes.

Num dos cultos semanais mais concorridos, ele subiu ao púlpito com seu aparelho de barbear, bacia, água, espuma, caneca, espelho e toalha.

Nem sequer cumprimentou a igreja e, tranqüilamente, colocou água na bacia, testou a temperatura, ajeitou o espelho, pegou uma caneca, fez espuma, passou na cara, e começou a se barbear.

Gastou vários minutos nisso, que pareceram uma eternidade para os presentes.

Ao final, quando todos esperavam que o pastor fosse fazer um desfecho maravilhoso, fosse lhes apontar o "moral da história", ele simplesmente enxugou o rosto com a toalha, encerrou o culto e despediu o povo de volta para as suas casas.

Aquela semana foi atípica. O povo comentou o fato todos os dias, tentado advinhar o significado de tudo aquilo: “-Que mensagem ele quer nos passar?”, “-Qual é o simbolismo espiritual da água, do sabão, do barbear-se?”

Dias depois, quando ele subiu novamente àquele púlpito, a igreja estava cheia. O pastor olhou para a congregação e disse-lhes:

- Sei que vocês querem saber o significado do que fiz aqui neste púlpito na semana passada. Bem, eu vou lhes dizer: não há significado algum! Nenhum simbolismo. Nenhum desfecho maravilhoso. Nenhuma mensagem. Nenhum "moral da história". - No entanto, se podemos tirar alguma lição disto tudo, é a seguinte: Há anos eu venho apresentando para vocês a mensagem bíblica, mas não tenho visto nenhuma mudança em suas vidas. Minhas mensagens têm caído no esquecimento, tão logo vocês saem do templo. Eu gostaria que vocês comentassem meus sermões durante a semana, do mesmo modo que se dispuseram a comentar o meu barbear nestes últimos dias, ou será que a minha barba é mais importante para vocês que a Palavra de Deus?

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Abaixo as paredes!

Há uma diferença entre muros e paredes.

Os muros servem para nos proteger de ameaças externas. Por isso a Nova Jerusalém, representação da Nova Humanidade, a Civilização do Amor, é apresentada em Apocalipse como uma cidade murada. São seus altos muros que lhe garantem que nela não entrará coisa impura. Aliás, seus muros de proteção são a prova de que ela não pertence à realidade porvir. Que ameaça exterior sofreríamos na eternidade, se nossos inimigos já não representarão qualquer perigo?

A Nova Jerusalém é a sociedade definitiva, que se configura no mundo, dentro do processo histórico, e que encontrará sua plenitude na consumação da História. Por isso, ela é cercada de muros. E não poderia ser diferente. Sem eles, estaríamos expostos à infiltração de todo tipo de malignidade.

Definitivamente, necessitamos de muros. E o próprio Deus Se compromete a ser esse "muro de fogo" ao nosso redor. Por isso, o maligno não nos pode tocar. Como diz em Apocalipse, estamos guardados "fora da vista da serpente".

E quanto às paredes? Pra que serviriam?

As paredes são internas, e só servem para nos separar uns dos outros.

A Cidade Celestial tem muros, praças, portas, porém não tem nem templos, nem paredes. E sabe por quê? Porque a religiosidade é uma das maiores responsáveis pela divisão entre os homens.

A espiritualidade nos provê muros. Mas a religiosidade nos constrói paredes de separação.

Ao dividir os ambientes, as paredes promovem visões diferentes da realidade. Cada um só enxerga o seu próprio lado. São interpretações unilaterais que tendem a se impor sobre as outras. Onde há paredes, as opiniões divergem porque são versões da verdade, e não a verdade em si.

Já a espiritualidade bíblica nos propõe uma integração, uma síntese, que só é possível quando há encontro, diálogo, partilha e coexistência pacífica.

Em Atos 23:1-9 nos deparamos com uma situação inusitada vivida por Paulo. Seus opositores o acusavam de sedição, e por isso o levaram às barras do Sinédrio para ser julgado.

"Paulo fitou os olhos no Sinédrio, e disse: Irmãos, até o dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência. Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada! Tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? Os que estavam ali disseram: Ousas insultar o sumo sacerdote de Deus? Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que ele era o sumo sacerdote; pois está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo.”

Antes de saber que aquele que o mandara agredir era ninguém menos que a maior autoridade religiosa de sua época, Paulo o chamou de "parede branqueada" (O mesmo que "parede leprosa). O apóstolo reconheceu nele a tentativa de impedir a exposição do Evangelho aos seus patrícios. Ele não estava disposto a ouvir todos os lados. Por ser tendencioso, ele ouvia os acusadores de Paulo, mas não permitia que Paulo expusesse seu pensamento.

Tão logo foi certificado de que se tratava do sumo sacerdote, Paulo desculpou-se. Não adiantava indispor-se com uma autoridade estabelecidade por Deus e reconhecida pelo povo.

Pelo menos, Paulo distratou o sumo sacerdote por simples ignorância. Pior que isso é confontrar uma autoridade estabelecida por Deus conscientemente. Lembremo-nos de Davi que negou-se tocar na vida de Saul, que procurava tirar-lhe a vida. Mesmo tendo a oportunidade de fazê-lo, Davi preferiu não tocar no ungido do Senhor.

Vendo-se em maus lençóis, Paulo tentou entrar no jogo que se configurava ante seus olhos. Ele sabia que o próprio sinédrio estava dividido entre dois partidos. Havia uma parede entre os fariseus e os saduceus.

Em algum momento, Paulo achou que poderia se valer disso, e tentar escapar daquela saia justa.

“Então Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseu, clamou no Sinédrio:
Irmãos, sou fariseu, filho de fariseu. Por causa da esperança da ressurreição dos mortos estou sendo julgado...”

- Agora, os fariseus (que eram maioria!) vão ficar do meu lado, imaginou o apóstolo. Afinal de contas, eles defendiam os mesmos dogmas: ressurreição, anjos, espíritos, etc.

E parece que deu certo: “Havendo ele dito isto, houve dissensão entre os fariseus e os saduceus, e a multidão se dividiu. Os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa...”

Mas o que era doce durou muito pouco. “Originou-se um grande clamor e, levantando-se alguns escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem. E se alguém espírito ou anjo lhe falou, não resistamos a Deus. A celeuma avolumou-se tanto que o comandante, temendo que Paulo fosse despedaçado, mandou que os soldados descessem e o tirassem do meio deles, e o levassem para a fortaleza...”

Não fosse a sagacidade do comandante, Paulo teria sido linchado pela turba em polvorosa. Talvez este episódio tenha ajudado a Paulo a compreender que não vale à pena tomar partido por ninguém em certas questões. Ele, que achou que levaria alguma vantagem, quase foi despedaçado.

Como cristãos, não devemos nos valer de paredes já construídas, e sim, buscar derrubá-las, ainda que, aparentemente, nenhum vantagem obtenhamos. Sejam paredes de ordem social, racial, cultural, religiosa ou política.

Os fariseus, de quem Paulo tentou angariar a simpatia nesse episódio, foram acusados por Jesus de levantar paredes, impedindo que as pessoas tivessem acesso ao Reino de Deus.

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Fechais o reino dos céus aos homens. Vós mesmos não entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mt.23:13).

E não apenas os fariseus, principal partido religioso dos judeus, mas os próprios patrícios de Jesus não compreendiam a universalidade do Evangelho do Reino. Paulo diz que os judeus de seu tempo "não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, e nos impedem de falar aos gentios para que estes sejam salvos...” (1 Ts.2:15-16).

À medida que a igreja cristã se consolidava como um movimento independente do judaísmo, os cristãos tomavam consciência de que nada deveria impedir que as pessoas tivessem acesso ao Reino de Deus.

Por isso, o mesmo Paulo admoesta: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem para igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar” (1 Co.10:32-33).

Questões de menor relevância que tendem a provocar divisões, devem ser desconsideradas para que a unidade seja mantida. Qualquer tipo de partidarismo ou espírito faccioso pode ser danoso ao projeto do Reino.

Cabe aqui a exortação: “...Seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão (...) Se por causa da tua opinião se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não faças perecer por causa da tua opinião aquele por quem Cristo morreu” (Rm.14:13,15). Propositadamente, trocamos a palavra "comida" por "opinião", pois o que estava trazendo rixas dentro da igreja em Corinto eram as questões dietéticas, herdadas do judaísmo.

Será que vale a pena destruir aquilo pelo qual Cristo morreu por questões tão banais? E será que vale a pena reconstruir uma parede que custou tão caro pra ser derrubada?

Será que questões pessoais devem se interpor no andamento das coisas de Deus?

Pense nisso!

No Amor de Cristo, e na unidade do Seu Espírito.

sábado, novembro 08, 2008

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Billy Graham fala da abrangência da Misericórdia Divina

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2009: Um tempo pra que tudo se renove


Quando o Espírito se move
Sobre toda a criação
A esperança vem e chove
Como água no sertão

E com ela vem a fé que montanhas remove
Holofote que ao outro promove
Compaixão que com a dor alheia se comove
Um clamor que a injustiça reprove
Um amor que com gestos se comprove
Pra que tudo se renove

Autor: Hermes C. Fernandes

sexta-feira, novembro 07, 2008

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Um Vira-lata na Casa Branca

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou nesta terça-feira a promessa feita às suas filhas de adquirir um cachorro, afirmando que tem preferência por um animal abandonado e resultado de um cruzamento de raças, assim como ele.

Filho de um queniano e de uma americana, Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

"Nossa preferência seria recolher um cachorro abandonado. Muitos desses animais recolhidos são procedentes de cruzamentos de raças, como eu", explicou o novo presidente em Chicago (norte dos EUA), na primeira entrevista coletiva desde sua eleição, na terça-feira.

Ele destacou que sua filha mais velha, Malia, é alérgica aos pêlos de cães, frisando que o novo morador canino da Casa Branca deverá ser "hipoalergênico".

"Algumas raças têm essa característica", afirmou."Vamos pesar os prós e os contras, mas é uma questão que exige uma resolução urgente", brincou.

Obama admitiu que este assunto foi um dos principais temas de discussão dos últimos dias no site www.change.gov, criado pela equipe do novo presidente para o período de transição.

Na noite de terça-feira, durante seu discurso em Chicago, Obama agradeceu a sua mulher, Michelle, pelo apoio, e prometeu às filhas Malia, 10 anos, e Sasha, sete, que elas ganhariam um cachorrinho para comemorar a entrada na Casa Branca, em 20 de janeiro.

Quase todos os presidentes americanos tiveram cães na Casa Branca. Barney, o scottish terrier de George W. Bush e de sua esposa Laura, ganhou destaque na imprensa americana desta sexta-feira ao morder o dedo de um jornalista na véspera, suscitando comentários segundo os quais ele não estaria feliz de deixar a residência presidencial (Fonte: fka/yw/LR).

Curiosidade sobre os vira-latas

Um estudo realizado na Universidade de Aberdeen e de Napier, na Escócia, sugere que cachorros vira-latas são mais inteligentes do que os cães de raça com pedigree. A pesquisa aplicou sete testes, inclusive de QI, em 80 cachorros. Os animais foram avaliados pelo desempenho nos testes e recebiam nota de até 30 pontos. A média entre os os vira-latas foi de 20 pontos, contra 18 dos cães de raça pura. De acordo com os cientistas, os vira-latas apresentam melhor noção de espaço e resolvem problemas com mais facilidade do que os cachorros com pedigree.

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Filhos deste solo no colo de outras mães não tão gentis

Depois de ler esse post ("O negão ganhô!") e o da volta da Isabel Cristina, eu não poderia deixar de contar a experiência que passei recentemente e que tem tudo haver com o contexto.

Alguns dias antes da vitória de Obama, eu pude sentir na minha própria carne o preconceito contra os negros e latinos na Europa. Foi minha primeira viagem ao continente europeu. Estava feliz da vida pela oportunidade que Deus me deu de poder viajar para fora do País. Meu destino era a Holanda, mas teria uma conexão na França.

No avião havia somente 4 negros, eu, minha amiga e mais um casal de atletas e 2 peruanas. Justamente foram as 6 pessoas abordadas pela polícia de imigração francesa. Os atletas foram logo dispensados e nós fomos prestar explicações no posto policial. As peruanas portavam passaporte falso e eu e minha amiga estávamos com toda documentação em mãos, mas faltava uma carta de quem iria nos hospedar.

Algumas pessoas da minha família foram para a Holanda pela TAP com conexão em Portugal e tal carta nunca foi exigida, mas na França o controle é excessivamente abusivo, e então, após passarmos muita humilhação e revistas, além de não me responderem perguntas em inglês, ficamos quase 4 horas sem poder ir ao banheiro e sem alimentação. Revistaram nossas bolsas, tiraram tudo o que era de valor, remédios, celular, bateria, computador, cartões de crétido e dinheiro e colocaram tudo em um saco transparente lacrado. Parecia que estava sendo presa, pois até tirarmos foto como criminosas.

Após 6 horas de espera sem saber porque estávamos passando por tudo aquilo, troxeram uma intérprete para que nos explicasse o que aconteceria conosco. A notícia foi de que seríamos deportadas para o Brasil e que em dois anos não poderíamos colocar mais os pés em nenhum território europeu. Fiquei indignada! Não aceitei aquela decisão e argumentei que tinha trabalho fixo no Brasil, era funcionária pública do governo federal, casada, tinha deixado marido e filho no Brasil e apenas estaria visitando minha família por 15 dias e que não queria ficar na França e em nenhum país na Europa e também todo o meu investimento não poderia ser jogado no lixo por nada. Meus documentos eram legais, tinha dinheiro para me manter, seguro obrigatório, passaporte ok e eles não tinham motivo para não me aceitar no terrítório.

Depois de me ouvirem e conversarem entre eles, me disseram que eu poderia ser aceita no território europeu se eu entrasse em contato com a minha família na Holanda e eles mandassem a tal carta se responsabilizando pela minha estadia no país. Me informaram que eu iria aguardar num "hotel" a decisão da polícia. O tal "hotel" era a zona de espera, Zapi 3 ao lado do aeroporto Charles de Gaulle, onde refugiados de guerra permenacem à espera de asilo político até serem julgados pela côrte. Ali havia umas 150 pessoas, oriundas do Congo, Sirilanka e outros orientais. Havia também um posto da cruz vermelha que nada mais era que um ponto de venda de cigarro e cartões telefônicos. Antes de entrar, todos os meus pertences foram revistados pela segunda vez e mais alguma coisa apreendida.

A humilhação é muito grande. Retiraram tudo que eles achavam que poderia ser perigoso e, na cabeça deles, poderia se transformar numa arma e até meus remédios. Me deram uma toalha e escova e uma pasta de dentes. Naquele momento me senti uma verdadeira prisioneira. O Zapi 3 é como uma prisão, você não pode sair de lá. Para entrar, passamos por várias portas codificadas por senhas. Me deram um quarto onde havia 2 camas e uma pia e ali coloquei as poucas coisas que tinham sobrado e logo fui entrar em contato com o Consulado Brasileiro, com minha família e trabalho. Os documentos que comprovavam meu vínculo empregatício, residência e etc foram enviados para o consulado que encaminhou junto uma carta do Embaixador para a polícia.

Minha família na Holanda enviou a carta, tudo no mesmo dia e mesmo assim eu fiquei presa naquele lugar e dormi duas noites aguardando a decisão da polícia. Constantemente eu estava em contato com o consulado pelo telefone público que lá havia, as pessoas se ajudavam quando alguém ligava e iam até os quartos chamar para atender a ligação. Eu já não aguentava mais ficar ali e resolvi que não queria mais seguir viagem e queria voltar para o Brasil. Segundo Celso Libânio, do consulado, a polícia nem atendia mais seus telefonemas e quando atendia não dava nenhuma informação. Ele me disse que eram sobreanos na decisão e que ninguém podia fazer mais nada , só aguardar.

O desepero tomou conta de mim, depois de ouvir isso, parecia que nunca mais iria sair dali, ou então nem sei o que poderia me acontecer. As pessoas naquele lugar são humilhadas a todo tempo, principalmente na hora das refeições. Foram dias de lágrimas e oração à Deus. Por todo o canto, até no banheiro havia altos falantes no qual se diziam os nomes das pessoas que seguiriam para o julgamento. Minuto a minuto eu aguardava ouvir o meu nome, até que após quase 50 horas depois, eu ouvi meu nome e corri para aguardar o policial que me direcionaria até a sala da "entrevista" para ser dada a sentença.

Após o interrogatório eu ouvi da oficial que a polícia de imigração estava somente cumprindo seu papel e que eles estariam fazendo o controle da imigração de prostitutas da Amércia do Sul para a Europa. E que eu precisava estar feliz por ter sido aceita e iria seguir viagem. Todos retornam para seu país de origem. Foi triste ouvir aquilo e infelizmente eu nem consegui responder porque o bolo que estava na minha garganta era tão grande que minha voz não saía. Mas acredito que meu olhar deve ter expressado toda a minha indignação por aquele país.

Felizmente eu segui viagem e foi ótima! Mas nunca vou esquecer a recepção dos franceses e um dia se Deus quiser ainda pretendo voltar lá, mas com certeza de uma forma muito diferente. É plano de Deus!

Espero que essa história seja lida por muitos brasileiros para que isso não aconteça mais com nenhum brasileiro que esteja viajando legalmente para outro país.

Abraços, Ana Paula Mendonça.

quinta-feira, novembro 06, 2008

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"O negão ganhô!"

"O negão ganhô!", foi a frase que ouvi dos lábios de Ivonete Rosa, senhora negra sexagenária que trabalha em nossa casa, e que viu meus filhos crescerem, ajudando-nos a criá-los como se fossem seus. Achei graça da maneira como ela falou. Quando percebeu meu constrangimento, ela se desculpou: - É que eu num sei falar o nome dele direito.

Pude ver no olhar cansado de Ivonete, o orgulho de ser membro de uma raça que acaba de ter um representante eleito para o posto mais poderoso do cenário político mundial. O termo "negão" poderia parecer carregado de preconceito se partisse dos lábios de um branco. Mas saindo dos lábios de Ivonete, soou tão bem, quase poético.

Mas minha alegria pelo contentamento de Ivonete foi ofuscada pela reação dissonante de muitos cristãos. Senti-me envergonhado! Enquanto o mundo festeja, alguns cristãos olham com desconfiança e receio a vitória de Obama. Será que se esqueceram da instrução bíblica de que deveríamos chorar com os que choram, mas também celebrar com os que celebram?

Talvez tal reação seja fruto da ignorância de muitos, que acham que a igreja cristã deve se manter às margens do processo histórico, assistindo a seus acontecimentos em busca de sinais da volta de Jesus, e nada mais. Prefiro buscar indícios do Reino de Deus, como justiça, paz e alegria, a viver obcecado com os sinais de Sua vinda.

Como eu poderia me furtar de celebrar assistindo às manifestações festivas em tribos africanas? Como eu poderia ficar indiferente às lágrimas do Rev. Jesse Jackson, que acompanhou de perto Martin Luther King, Jr. em seus momentos finais?

Jesus reclamou de Seus contemporâneos, acusando-os de apatia. Ele os comparou à crianças que não dançavam ao som da flauta que era tocada. Parece que a carapuça cairia bem nos crentes de hoje.

Pois é Ivonete, você está certa. O negão ganhô! Mas não foi só ele que ganhou. Todos ganhamos. A humanidade ganhou. A posteridade ganhou. E tudo por culpa de uma mulher igual a você, que também tinha "rosa" no nome, uma humilde costureira do Alabama, que em dezembro de 1955, corajosamente se negou a ceder seu assento no ônibus para um branco, rebelando-se contra uma lei injusta de segregação racial. Seu gesto foi o estopim que desencadeou a luta pelos direitos civis dos negros americanos.

A coragem daquela mulher negra comum foi que estimulou homens como Luther King a emprestar sua voz aos anseios do seu povo. Foi ele quem idealizou a marcha de um milhão, onde pronunciou o célebre sermão "I have a dream" (Eu tenho um sonho).

Entre as várias manifestações de alegria pela eleição de Obama, destaco a do rapper Jay-Z, que em um momento de lucidez poética, declarou:

"Rosa Parks tomou assento para que Martin Luther King pudesse marchar. Martin Luther King marchou para que Obama pudesse correr. E Obama correu para que pudéssemos voar!"

Depois da atitude de Rosa Parks, e da marcha de Luther King pelos direitos civis, agora foi a vez de um negro correr (em inglês, "run" também pode ser traduzido por "concorrer em uma eleição"), para que uma nova geração possa libertar-se e voar.

Louvo a Deus por viver nesses dias e acreditar que meus filhos e netos se beneficiarão de alguma maneira desta conquista.

E quanto àqueles que desconhecem a fé professada pelo primeiro presidente negro dos EUA, aí vai uma declaração dada por ele em uma entrevista à revista Christianity Today:

“Eu sou um cristão, e eu sou um cristão devoto. Eu acredito na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Eu acredito que essa fé me dá um trajeto limpo do pecado e acredito que tenho a vida eterna. Mas, mais importante ainda, eu acredito no exemplo de Jesus, que alimentou os que tinham fome, curou os doentes e sempre deu prioridade aos mais necessitados. Eu ‘não caí fora da igreja’ como muitos dizem, mas houve um despertar muito forte em mim da importância destes exemplos. Eu não quis andar sozinho nesta caminhada. Aceitar Jesus Cristo em minha vida foi o guia poderoso para minha conduta e meus valores e ideais”.

Longa vida a Barack Obama! E que ele jamais se esqueça que foi a luta iniciada por gente comum, que nunca freqüentou uma Universidade como Havard, que provocou um levante naquela nação, que culminou em sua eleição.

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Os bancos se fundem, enquanto o povo...

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A um passo do Jurassic Park

Cientistas japoneses conseguiram criar clones saudáveis de ratos mortos e congelados há 16 anos, a partir de células do cérebro. Um feito que poderá ser o primeiro passo para "ressuscitar" mamutes e outros mamíferos já extintos.

As técnicas atuais de clonagem necessitam de pelo menos duas células vivas e intactas: uma que dê o material genético (o núcleo) e a outra que armazene esse DNA transferido.

Criar um clone saudável a partir de um organismo congelado era, já há muito tempo, objeto de debate entre os cientistas. Alguns são da opinião que os cristais que se formam nas células congeladas danificam o DNA e a própria célula, impedindo-a de fazer a sua cópia.

Teruhiko Wakayama, do Center for Developmental Biology do Instituto de investigação Riken em Yokohama, Japão, principal autor da investigação, recolheu o núcleo de células do cérebro do rato preservado a -20 graus célsius e injetou-o depois numa célula vazia do seu interior.

Os embriões a partir daí clonados foram depois utilizados para gerar linhagens de células embrionárias a partir das quais os cientistas criaram 12 ratos clonados saudáveis.

Os autores da experiência dizem que poderia ter sido utilizado o núcleo de células de outros órgãos congelados para a produção de embriões viáveis, mas a taxa de sucesso seria inferior do que a conseguida com os núcleos das células cerebrais.

Ainda não é possível clonar mamutes

Na medida em que esta técnica não exige uma célula intacta para fornecer o DNA, estes investigadores julgam ser possível utilizar os restos congelados de mamutes ou de outros mamíferos extintos para produzir clones.

No entanto, “ainda falta saber se é possível recolher DNA a partir de corpos congelados de mamíferos que não tenham sido sujeitos a um tratamento químico protetor e se esses materiais genéticos serão viáveis para gerar clones”, alertam.

No atual estádio de conhecimento, “tal clonagem não é possível” porque não existe nenhuma célula viva destes animais extintos há milênios para receber o DNA extraído de uma célula morta congelada, explicam os cientistas no estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (PNAS), a 3 de Novembro.

Fonte: SIC


Obs.: Na foto acima, cientistas examinam um filho de mamute congelado.

PS.: No dia em que a imprensa mundial anuncia a possibilidade da clonagem mamíferos congelados, morre o autor de Jurassic Park, Michael Crichton.

quarta-feira, novembro 05, 2008

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Seria Obama o Anticristo?

Deparei-me com esta pergunta em um Fórum do Orkut (Comunidade "Perguntas Cristãs Complicadas"). Resolvi dar uma lida nos posts, e como se era de esperar, encontrei pessoas sinceras em sua fé, que em vez de alegrar-se com a eleição de Obama, estão preocupadíssimas com a possibilidade de ele ser o tal Anticristo que traria o Apocalipse ao Mundo.

Quis dar uma checada para ver o que pensavam algumas das grandes mentes evangélicas de nosso País, e aí, me surpreendi. Achei que eles estariam celebrando a vitória de Obama, mas em vez disso, também demonstravam certa precaução, alardando os crentes para que não festejassem precipitadamente. Alguns sequer se deram o trabalho de emitir uma opinião sobre o resultado das eleições americanas.

Até mesmo Caio Fábio, que admiro como uma das mais brilhantes mentes do cenário cristão nacional, publicou um artigo em seu site, afirmando não ter motivo para se alegrar.

Será que tal preocupação teria algum fundamento bíblico?

Tive aquela estranha sensação que os franceses chamam de Déjà vu. Em outras palavras, já vi este filme antes.

Toda vez que surge alguém no cenário internacional falando de paz, em vez de guerra, de diálogo, em vez de embates, logo recebe o estigma de anticristo. Foi assim com Gorbachov durante a Perestroika. Foi assim com João Paulo II, e, pasmem, atém com o nosso Lula.

Jesus disse que bem-aventurado são os que promovem a paz, porque eles seriam chamados de filhos de Deus. Ora, se Jesus os chama de "bem-aventurados" e de "filhos de Deus", não sou eu quem vai chamá-los de anticristos ou coisa parecida.

Particularmente, não acredito nesta figura mítica chamada de "o Anticristo". Acredito sim, que o anticristo é um espírito, isto é, qualquer ideologia que se levante contra a mensagem central do Evangelho, o amor.

O Anticristo é, por essência, anti-diálogo, anti-paz, anti-coexistência, anti-amor. Ele é pela guerra, pelas armas, pelo preconceito, pelo fundamentalismo sectário, e por tudo que visa destruir a possibilidade de um futuro promissor para a humanidade.

Chega de especulações baratas, e de medos infundados. Vamos dar boas vindas ao novo, ao frescor de uma nova política internacional. Unamos nossas vozes ao coro das nações, saudando a chegada de um novo tempo, onde a paz será celebrada, e a bênção de Deus virá sobre a união dos povos.

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Discurso da vitória

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Um Hussein na Casa Branca!

São 2:12h. da manhã, e estou acordado na esperança de saber o resultado da eleição americana. Acabo de ouvir pela CNN que Barack Hussein Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Um milhão de pessoas se reúnem para ouvir seu primeiro pronunciamento. Isso me remete ao episódio em que Martin Luther King, Jr. pronunciou seu famoso sermão "I have a dream" para um milhão de pessoas em Washington.

Quarenta anos depois daquele sermão, que talvez tenha sido o estopim que resultou em seu assassinato, Luther King finalmente é vindicado. Eis que a maior democracia do mundo elege um presidente negro.
Em uma palavra que poderia ser considerada profética, Luther King disse: "Eu estive no topo da montanha, e vi o outro lado. Talvez eu não chegue lá, mas você chegará". Esse "você" hoje cai como uma luva sobre Obama.
Foi emocionante assistir agora pela TV ao Reverendo Jesse Jackson às lágrimas, emocionado diante do anúncio da vitória de Obama.

E não é só isso.

Às véspera do segundo aniversário do enforcamento de Saddam Hussein, como que por uma ironia da História, os EUA elegem um Hussein para a Casa Branca.

O mundo está em festas. Se o resultado fosse diferente, o mundo amanheceria de luto.

A esperança venceu o preconceito. Nem a perseguição por parte da direita religiosa, que o acusava de ser terrorista e anti-cristão, não foi capaz de impedir sua vitória, que diga-se de passagem, foi de lavada.

Minha oração é para que Obama seja um dos protagonistas de um novo capítulo da História mundial.

Adeus Bush! Já vai tarde! Vai deixar dívidas, guerras, desemprego crescente, a maior crise econômica dos últimos tempos, mas não vai deixar saudades.
Parabéns Obama, 44º Presidente dos EUA.