quarta-feira, março 29, 2017

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A "inutilidade" da Cruz




Por Hermes C. Fernandes

Tomando por certa a disposição de Deus em nos perdoar graciosamente, deparamo-nos com uma intrigante questão: qual teria sido a necessidade da morte vicária de Cristo? Ou em outras palavras: por que Cristo teria que se oferecer pelos nossos pecados?

Não seria mais simples se Ele tão somente nos perdoasse? Não é justamente isso que Ele requer que façamos àqueles que nos magoam?

Na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a pedir que sejamos perdoados assim como temos perdoado os nossos devedores.[1] Não há ali qualquer menção à reparação do dano. Perdoar é abrir mão de um direito. É aceitar o prejuízo. Se devemos buscar o padrão divino (“Sede imitadores de Deus como filhos amados”[2], lembra?), então, nada mais justo do que perdoar mediante reparação. Mas, peraí, isso não seria perdão!

É verdade que o pecado se constitui uma dívida com Deus. Ele nos fez com um propósito específico, mas insistimos em viver à nossa própria maneira. Ele nos fez para o outro, mas preferimos viver para nós mesmos. Por isso, contraímos uma dívida com Aquele que nos projetou e criou.

Geralmente, acredita-se que a morte de Cristo tenha sido um pagamento feito a Deus. Ficamos quites com Ele mediante a oferta da vida de Seu próprio Filho. Passa-se a impressão de um Deus relutante em nos oferecer perdão. Não é de se admirar que os cristãos tenham tanta dificuldade em perdoar. Ninguém aceita ficar no prejuízo. A gente até perdoa, mas desde que alguém se disponha a reparar o dano.

Sinceramente, prefiro acreditar que haja um grande mal entendido.

Não era Deus que precisava da cruz para poder nos perdoar. Éramos nós que precisávamos de algo que nos revelasse a gravidade de nossos pecados, a fim de que atribuíssemos o devido valor à Sua graça.

A salvação nos saiu a um custo zero, mas custou-Lhe a própria vida.

Foi o próprio Deus quem arcou com a consequência da nossa rebelião.

Na cruz, vemos um Deus exposto, vulnerável, fragilizado. Um Deus justo que não pode ser conivente com o pecado, e que, por isso, estabelece uma sentença, mas aplica-a a Si mesmo.

O amor ali revelado deve nos constranger ao ponto de nos fazer sentir nojo de nossos próprios pecados.[3] Um constrangimento análogo ao experimentado pelo filho pródigo ao ser recebido de volta ao lar. [4]

Já ouvi argumentos contrários à necessidade da cruz baseados justamente nessa parábola. Afinal, o pai recebeu em casa o seu filho sem exigir qualquer ressarcimento dos bens desperdiçados.  Se conhecêssemos melhor o contexto social e cultural em que esta parábola transcorre, entenderíamos o que significou àquele pai sair correndo em direção ao filho, abraçá-lo e beijá-lo, dar-lhe um anel, bem como roupas e calçados novos, mandar matar o bezerro cevado (especialmente preparado para ocasiões especiais) e ainda por cima, recepciona-lo com festa. Numa sociedade patriarcal, aquele homem expôs sua autoridade, abrindo um perigoso precedente.

Na cruz, dois dos principais atributos divinos que correm paralelos convergem e se cruzam. A justiça e o amor se harmonizam. Apesar de jamais ter havido qualquer atrito entre eles, era necessário que percebêssemos através de um gesto radical o alto custo para mantê-los devidamente afinados. A haste horizontal da cruz bem que poderia representar a justiça. Ela não poderia pender nem para a esquerda, nem para a direita, mas manter o equilíbrio (equidade). A haste vertical representaria o amor. Ele que dá sustentação à justiça. Ele é a base que se ergue entre o céu e a terra. É sobre o amor que a justiça está estabelecida. Sem a haste vertical fincada no chão da existência, a haste horizontal não se elevaria. O lugar de encaixe entre as duas hastes se chama graça. Ela é o árbitro que anuncia a vitória da misericórdia sobre o juízo.

Deus jamais poderia ser acusado de agir com impunidade ou conivência. Sua justiça segue imaculada. Nossos pecados foram perdoados. Porém, o prejuízo que eles causaram custou Sua própria vida.

Não há perdão sem cruz! Cada vez que perdoamos a alguém, experimentamos a crucificação do nosso ego. Arcamos com o prejuízo. Liberamos o outro da obrigação de se retratar.

Lemos que o Cordeiro foi morto desde antes da fundação do mundo.[5] No momento em que Deus decidiu criar todas as coisas, sabendo o que Lhe esperava, Ele Se entregou. Portanto, a cruz não foi um plano tapa-buraco. Não foi um improviso. Um Deus soberano e todo-amoroso resolveu apostar Suas últimas fichas em Sua criação. Ele decidiu nos perdoar muito antes que houvéssemos pecado.

Ele não pagou a nossa dívida. Ele rasgou a promissória. Pelo menos, é disso que Paulo fala em Colossenses 2:14: “E havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz.”

Ele simplesmente aceitou o prejuízo. Por amor.

Isso é graça! O resto é contabilidade. Sem amor, a conta nunca vai fechar. Sempre haverá quem nos deva e não nos possa pagar.




[1] Mateus 6:12
[2] Efésios 5:1
[3] 2 Coríntios 5:14
[4] Lucas 15:11-32
[5] Apocalipse 13:8; 1 Pedro 1:20

2 comentários:

  1. A graça não veio facilitar a vida de ninguén, nem veio para da Liberdade que cada um satisfaça a tua carne, o Deus da lei é o mesmo Deus da Graça ele não muda, o mesmo Deus que foi exigente com Israel também é exigente com a igreja, portanto temos tomar cuidado para que os jovens não pense que eles têm Liberdade Para Pecar e não vai acontecer nada com eles, se um jovem de temor de Deus amar a Deus acima de todas as coisas ele vai ser manter puro vai se guardar até o casamento e não vai dar lugar a sua carne apóstolo Paulo diz andai em espírito e não satisfazer a vontade da vossa carne eu Luiz Carlos vou casar e me mantive puro não me contaminei porque eu sou melhor do que os outros não não sou melhor do que ninguém mas eu tenho a Deus eu amo a Deus acima da minhas própria vontade minhas portanto temos que ensinar os jovens amar a Deus acima de todas as coisas acima da sua própria vontade

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  2. Anônimo2:34 PM

    Dinheiro para os pobres parece ser diferente de dar dinheiro nas mãos do pastor. O contexto de dar dinheiro para os pobres contêm informações ou recompensas de vida eterna e receber muito mais neste mundo.

    Dinheiro nas mãos de pastor não é uma verdade completa. Em muitos textos Jesus ensina vender os bens e dar o dinheiro aos pobres. São muitos textos que de forma imperativa Jesus ensinou a vender os bens e dar para os pobres Não era para vender e dar o dinheiro para o sacerdote. Não era para vender e dar o dinheiro para Jesus.

    Bens e dinheiro para Jesus existiu, as mulheres que seguiam Jesus o serviam com seus bens.
    Bens e dinheiro para o templo ou para o sacerdote no gazofilácio é correto, Jesus assistia as pessoas entregarem suas ofertas e elogiou a oferta da viúva
    Trabalho e/ou dinheiro para construir uma sinagoga é correto, o centurião que Jesus elogiou a fé construiu a sinagoga.

    Além disto tudo, mulheres servindo Jesus com seus bens, ofertas entregue no templo e construção de templo; em muitos textos Jesus disse para VENDER BENS e DAR PARA OS POBRES. E estes textos onde Jesus fala para vender bens e dar para os pobres estão relacionados a VIDA ETERNA, necessidades supridas e receber muito mais ainda nesta vida.

    Em Lucas 18 é receber muito mais neste mundo e além disso a vida eterna.

    O homem procurou Jesus querendo herdar a VIDA ETERNA. Este homem não perguntou sobre como ficar rico

    Lucas 18:18 Certo homem importante lhe perguntou: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? "

    Este homem obedecia os mandamentos que Jesus citou para ele

    Lucas 18:20,21 Você conhece os mandamentos: ‘Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’". "A tudo isso tenho obedecido desde a adolescência", disse ele.

    Para este homem rico Jesus disse: vende tudo e da esmola para o povo, Jesus não disse para dar para o sacerdote, também não disse para dar o dinheiro para o ministério de Jesus. Era para vender tudo e dar para os pobres.

    Lucas 18:22 Ao ouvir isso, disse-lhe Jesus: "Falta-lhe ainda uma coisa. Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me".


    O homem não vendeu tudo para dar para os pobres por que amava suas riquezas

    Lucas 18:23-25 Ouvindo isso, ele ficou triste, porque era muito rico. Vendo-o entristecido, Jesus disse: "Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! De fato, é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".

    Pedro então diz que eles deixaram tudo para seguir Jesus

    LUCAS 18:28 Pedro lhe disse: "Nós deixamos tudo o que tínhamos para seguir-te! "

    Então Jesus disse que quem deixou tudo para segui-lo receberia muito mais neste mundo ou nesta vida e no futuro herdaria a VIDA ETERNA. O que citado referente a este deixar tudo: Casa, mulher, pais, irmãos e filhos. Jesus não disse para os discípulos venderem tudo e dar para os pobres, o que foi citado é que Pedro e os discípulos deixaram tudo

    LUCAS 18:29, 30 Respondeu Jesus: "Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pai ou filhos por causa do Reino de Deus
    Ou seja, no contexto do jovem que deveria vender tudo e dar para os pobres e no contexto de que Pedro e os discípulos deixaram tudo, Jesus disse que eles receberiam muito mais neste mundo ou durante esta vida e além disso a VIDA ETERNA.
    LUCAS 18:30 receber, na presente era, muitas vezes mais, e, na era futura, a vida eterna".

    Em Lucas 18 Jesus prometeu a VIDA ETERNA e também fez promessas para a vida neste mundo. Jesus prometeu que receberiam muito mais ainda nesta vida.

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