segunda-feira, abril 11, 2011

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A eloqüência do Sangue do Herói dos heróis


















Por Hermes C. Fernandes



A lista contida na galeria dos heróis da fé é encabeçada por Abel.

É interessante notar que Abel é o único a quem não se atribui qualquer proeza. Enoque foi arrebatado ao céu; Noé salvou o mundo com sua arca; Abraão e Sara tiveram um filho depois de velhos, etc. Mas Abel, o que fez de tão importante para figurar ali?

O texto diz que “pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas ofertas, e por meio dela, depois de morto, ainda fala” (Hb.11:4).

Embora as proezas dos demais heróis tenham alcançado enorme repercussão neste mundo, a oferta de Abel repercutiu na Eternidade.

A queda das muralhas de Jericó, por exemplo, foi testemunhada por milhares de hebreus. Mas a oferta de Abel foi testemunhada única e exclusivamente por Deus.

E por alguns milênios, seu sacrifício foi um referencial de excelência. Sua fé, expressada em suas ofertas, não perdeu a eloqüência, nem depois de sua morte.

Seu sangue, ao ser derramado na terra, misturou-se ao sangue de todos os seus sacrifícios, elevando a Deus um clamor por justiça.

Ao argüir Caim, o assassino de Abel, disse Deus: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra” (Gn.4:10).

E o sangue de todas as vítimas inocentes da maldade humana, uniu-se ao sangue de Abel neste clamor.

Jesus advertiu aos Seus contemporâneos:

“Portanto desta geração será requerido o sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a fundação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Assim, vos digo, será requerido desta geração” (Lc.11:50-51).

Desde Abel, a humanidade estava presa a um tipo de carma. O que seria capaz de romper com ele?

Aquele velho mundo com seu interminável carma tinha que acabar, para dar lugar a um novo mundo, onde prevalecesse a Graça em vez da vingança.

Embora a fé de Abel o projetasse para o futuro, razão pela qual oferecia a Deus sacrifícios que prefiguravam o sacrifício do próprio Cristo, seu sangue, uma vez derramado sobre a terra, prendeu-nos nesse ciclo de “dente por dente”, “olho por olho”.

O clamor do sangue de Abel nos aprisionava ao passado.

Precisaríamos de alguém cujo sangue falasse melhor do que o de Abel, a fim de nos libertar para o futuro. Alguém cujo sacrifício de Sua própria vida exterminasse o carma, e estabelecesse a pedra fundamental de um novo mundo.

O término da lista da galeria da fé, o escritor sagrado arremata:

“E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa. Deus havia provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb.11:39-40).

Que “coisa superior” seria esta?

A resposta vem logo em seguida:

“Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todos embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).

Todos os heróis do passado formam agora a platéia que nos assiste, porém, nossa nova referência é Cristo, que nos desafia a deixar o embaraço, isto é, aquilo que nos prende ao passado, e o pecado que tenta nos acorrentar ao presente, e correr em direção ao futuro que Seu sacrifício nos garantiu.

Os heróis da Antiga Aliança viveram sob o eco do clamor do sangue de Abel.

Enquanto os antigos heróis “morreram na fé, não alcançaram as promessas, apenas viram-nas de longe, e as saudaram” (11:13), nós, que vivemos sob a égide da Nova Aliança, já as alcançamos n’Ele. Paulo declara: “Pois quantas promessas há de Deus, têm nele o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por nosso intermédio” (2 Co.1:20-21).

Enquanto eles estavam “buscando uma pátria” (Hb.11:14), nós somos aqueles que finalmente chegaram “à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial” (Hb.12:22).

Mas tudo isso porque o sangue de Jesus, derramado no madeiro, “fala melhor do que o de Abel” (Hb.12:24).

Se o sangue de Abel clamava por justiça, o sangue de Jesus clama por misericórdia. E “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13).

Se o sangue de Abel continuou a falar, mesmo depois de morto, qual seria o alcance do clamor do sangue do Ressuscitado?

PS.: Hoje na REINA, igreja que pastoreio, celebramos o Dia dos Heróis da Fé, aqueles cuja oferta, mesmo depois de mortos, não perdeu a eloqüência.

4 comentários:

  1. Que aula, show.
    Realmente a vida em Cristo e as escrituras sagradas são demais.
    Muito bom o descrito acima, acrescentou a pampa. Daí partes desse texto aqui, com outro dali e por aí vai, daí colo com alguem que sempre me questiona sobre Cristo ou bíblia ou etc, aí Deus vai só mandando e me relembrando desses textos, aliados aos versículos.
    Paz pra ti e abração.
    Feliz dia dos Heróis da Fé.

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  2. Interessante meu irmão!

    Como minha contribuição ao Dia dos Heróis da Fé, um poema que escrevi há um tempo cujo título é exatamente esse, um dos meus primeiros, caso lhe interesse:

    http://nossocultoracional.wordpress.com/2010/04/02/herois-da-fe/

    Fique com Deus

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  3. O sangue de Cristo é perfeito. Sempre que reflito sobre o sacrifício de Cristo me sinto um lixo. Graças dou a Deus por Cristo ter morrido naquela cruz. Gostei muito do texto.

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