terça-feira, janeiro 20, 2009

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Quantos tetos ainda vão cair? Deus, por quê?

O desabamento do teto da Igreja Renascer em Cristo trouxe profundo pesar à comunidade evangélica de todo o Brasil.

Muitos se perguntam “por quê”? Por que Deus não interferiu em favor do povo que por Ele clamava?

Sabemos que a soberania de Deus não exclui a responsabilidade humana. Ainda assim, queremos entender a razão pela qual Deus não impediu que acontecesse a tragédia.

O que muitos desconhecem é que não foi a primeira vez que uma igreja sofreu uma tragédia como esta.

Em 1976, 21 pessoas morreram com a queda da laje na inauguração de um templo da Igreja Pentecostal Deus é Amor no Rio de Janeiro.

Em 1998, durante uma vigília de oração, o teto da Igreja Universal do Reino de Deus em Osasco desabou, provocando a morte de 22 pessoas, e deixando outras 400 feridas.

Em 2005, o teto da Catedral da Bênção em Taguatinga, DF, desabou. Graças a Deus não houve vítimas fatais.

Ora, se Deus permitiu tudo isso, que mensagem Ele pretende nos transmitir?

Acredito que a tragédia seja o último recurso usado por Deus para nos chamar a atenção. Geralmente, Ele começa com um sussurro, que vai aumentando gradativamente, até que logremos discernir a Sua voz.

Deus não foi a causa dessas tragédias. Mas se as permitiu, não foi em vão.

As igrejas citadas aqui têm em comum a ênfase na prosperidade e nas manifestações miraculosas provocadas pela fé.

Para um pregador da teologia da prosperidade, explicar uma fatalidade dessas é muito mais complicado. Estaria alguém em pecado? Seria coisa do demo?

Quando acontece com os outros, é fácil julgar, apontar erros. Mas quando acontece com um de nós? E quando é conosco? Deixemos de lado o uso do pronome "eles", e comecemos a usar com mais freqüência o pronome "nós". Independente das variações doutrinárias, somos um só povo, que adora a um mesmo Deus. E ainda que houvesse acontecido em uma mesquita ou em um centro kardecista, deveríamos sentir como se fosse conosco. Somos todos passageiros de um mesmo barco, a humanidade.

As tragédias existem para nos lembrar de nossa pequenez, de nossa vulnerabilidade. Aconteceu lá, mas poderia ter acontecido aqui. Não somos melhores do que eles. Esta foi a mensagem que Jesus intentou passar para aqueles que comentavam a queda da Torre de Siloé, que havia ceifado a vida de dezoito pessoas.

Cabe-nos, agora, chorar com os que choram.

Não há explicações a serem dadas, nem *teodicéias que sirvam no momento de dor desmedida. Só nos resta chorar. Não pelos que foram, pois estes certamente estão com Aquele a quem serviam. Mas chorar pelos que ficam, e que terão que lidar com a dor da saudade.

Um teto desabou na casa dos filhos de Jó, ceifando suas vidas enquanto festejavam. Os amigos de Jó tentaram advogar a causa de Deus, justificando-o enquanto acusava a Jó.

Deus não precisa de advogados! Não há instância que possa julgá-lo. Não temos o direito de apontar o dedo pra ninguém. Em vez de dedos a riste, que tal mãos estendidas e olhares compassivos?

O que fez Jesus diante do túmulo de Lázaro? Chorou.

O que fez Jesus ao avistar de longe Jerusalém, que poucos anos depois seria sitiada e destruída pelos romanos? Chorou.

E o que faremos diante das tragédias sem explicação?

Se não há explicação, só nos resta a compaixão.

Choremos.


* Teodicéia - Tentativa de criar argumentos que comprovem a existência de Deus

Um comentário:

  1. Pastor Hermes, muito sábia a sua reflexão sobre este evento tormentoso. No entanto, fico preocupado com a atitude dos líderes neopentecostais. Você viu a nota oficial da Renascer? Eles falam em explosão de milagres...

    O discurso triunfalista da confissão positiva não prepara o crente quando ele enfrenta o sofrimento.

    Além disso, vi pela imprensa que foi feita uma reforma à pouco tempo. Li também que a bancada "evangélica" na câmara municipal barrou a obrigatoriedade da vistoria nos templos em São Paulo. Isso aconteceu também em Brasília. Os nossos deputados "evangélicos" também fizeram o mesmo.

    Na ocasião que eu era pastor de uma igreja batista, eu exigi que tivéssemos a vistoria dos órgãos competentes, mesmo que não fosse obrigado. Isso demonstrou à comunidade que queríamos realizar um trabalho sério e não motivado pelo oportunismo proporcionado pelos tolos deputados.

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