Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pecado. Mostrar todas as postagens

terça-feira, março 29, 2016

0

O Silêncio do Inocente



Por Hermes C. Fernandes

O Silêncio dos Inocentes (no original, The Silence of the Lambs), é um filme americano de 1991, dirigido por Jonathan Demme. A agente do FBI Clarice Starling, brilhantemente interpretada por Jodie Foster recorre à ajuda de Hannibal Lecter (Antony Hopkins), um psiquiatra psicopata condenado à prisão perpétua por assassinatos seguidos de canibalismo, para fazer o perfil psicológico do sequestrador da filha de uma senadora. Os indícios apontam para o fato de se tratar de um serial killer que deixa como pista casulos de uma mariposa tropical encontrados no interior dos corpos das vítimas. O criminoso é uma transexual que, insatisfeita com sua forma física, resolve costurar para si uma segunda pele feminina a partir das peles removidas de suas vítimas (daí o título em inglês “o silêncio dos cordeiros”).

Diferente de outros animais que caminham para o abate demonstrando desespero, o cordeiro costuma manter sua característica mansidão mesmo em face da morte ou durante sua tosa. Talvez por isso, tenha sido escolhido como representação de Cristo.

Foi João, o Batista, que exclamou ao vê-lo encaminhar-se para as águas do batismo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Porém, ele não foi o primeiro a utilizar-se da figura do cordeiro como representação do Messias. Cerca de setecentos anos antes, o profeta Isaías descreveu o sofrimento ao qual o Cristo seria submetido para redimir a criação.

Como se houvesse viajado no tempo e vislumbrado toda a cena, Isaías O descreve como não tendo “beleza nem formosura” (bem diferente do Cristo galã com feições nórdicas que vemos por aí...).  “Olhando nós para ele”, prossegue o profeta, “nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.” Pelo contrário, ele era “o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.” Isso tudo, antes que a indústria religiosa O ajustasse aos padrões estéticos da cultura dominante. O Cristo que emerge das páginas das Escrituras tinha pele bronzeada pelo sol escaldante da Judeia e calos nas mãos. Era operário e não membro da elite judaica. Mas tudo isso tinha um propósito: identificar-se com as camadas mais carentes da sociedade. Isaías conclui que “verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca” (Isaías 53:2b-7).

Não é tarefa fácil manter o silêncio quando se tem razão. Diferente de quando se está errado e as acusações que pesam contra nós são justas e verdadeiras. Mesmo assim, Jesus jamais abriu Sua boca em defesa própria. O único inocente dentre os homens, manteve-se calado diante das provocações, insinuações e acusações que lhe eram impingidas. E não pense que Ele agiu assim para nos dar o direito de agirmos diferentemente. Pelo contrário. Foi para nos dar exemplo (apesar de não sermos inocentes como Ele).

Pedro recorre ao profeta Isaías para advertir a seus leitores a adotarem a mesma postura encontrada em Cristo.

“Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.” 1 Pedro 2:19-25

Além de nos manter silentes ante as acusações e injustiças que sofremos, devemos nos entregar àquele que julga retamente. Repare nisso: não se trata de entregar nossos oponentes como que desejando desforra da parte de Deus, mas de entregar a nós mesmos. Não os apresentamos como se fossem réus, mas a nós mesmos.  Uma vez havendo entregado sua causa ao justo juiz, deve-se ceder a palavra ao supremo advogado: JESUS.

Quando pleiteamos nossa própria causa, dispensamos os préstimos de nosso advogado. Não há desordem no tribunal celestial. Ou bem falamos, ou bem nos aquietamos cedendo vez a quem saberá como nos defender.

Não se trata de alegarmos inocência. Mesmo porque, todos somos culpados perante Deus. O único inocente que transitou por este planeta foi Jesus. Os demais, somos todos pecadores. O papel de nosso advogado não é provar nossa inocência, mas nos justificar. Não confunda “justificação” com “inocentização”. Cristo não se presta a defender que não admite culpa. Ainda que não sejamos culpados daquilo de que estamos sendo acusados no momento, mas somos culpados de tantas outras coisas, inclusive, de nossa omissão e letargia. A defesa de Cristo não consiste em provar nossa inocência, mas em nos justificar através de Seu sacrifício. Somos declarados justos, não por não haver pecado, mas porque nossos pecados foram devidamente castigados em Jesus. Daí Isaías dizer que “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele.” É como se o tribunal celestial nos emitisse um Nada Consta.  Nossa dívida com a justiça divina está definitivamente paga.

E quando somos, de fato, inocentes daquilo que nos acusam? Sabemos que temos um Advogado diante de Deus. Mas quem nos defende diante dos homens?

Pedro nos oferece uma incisiva resposta: “Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.  (...) Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus” (1 Pedro 2:12, 15-16). Portanto, não tente se defender. Siga como um cordeiro mudo. Em vez de bate-boca, o silêncio dos justificados. Seu procedimento falará por você de maneira muito mais eloquente do que qualquer defesa pessoal.

De qualquer maneira, não temos razão para sair em defesa própria, nem diante de Deus, nem perante os homens. Diante do tribunal divino, Cristo por nós. Diante dos tribunais humanos, Cristo em nós. 

Continua amanhã.

quinta-feira, junho 13, 2013

8

Vai um Pecado Zero aí?




Por Hermes C. Fernandes


Os discípulos estavam confusos. Receberam de Jesus uma orientação que parecia destoar de tudo quando lhes ensinara até ali. Da outra vez, quando os enviou a anunciar as boas novas, ordenou que não levassem suprimentos extras, nem bagagem. Apesar disso, nada lhes faltou. A lição aprendida era que aquele que os enviava deveria também bancá-los em sua missão. Porém agora, a instrução de Jesus parecia discrepante. Quem tivesse bolsa, deveria levá-la. Qualquer suprimento seria bem-vindo. Mas o que mais espantou-os foi a última sentença de Sua ordem: “Quem não tiver espada, venda a roupa do corpo e trate de comprar uma!”

O que? Espada? De quê Jesus está falando, afinal?

A seguir, Ele explica que era necessário que se cumprisse o que estava escrito: “Com os malfeitores foi contado”. Naquela época de dominação romana, cidadãos comuns eram proibidos de carregar espada. Somente os soldados podiam portá-la. Qualquer um que fosse flagrado munido de uma espada era considerado um subversivo, um insurgente, um elemento perigoso.

Imeditamente após a orientação de Jesus, os discípulos providenciaram duas espadas, pelo que Ele declarou ser suficiente.

Todos estavam muito apreensivos. Jesus já os avisara que Satanás pedira para peneirá-los como trigo. Embora a peneira fosse destinada a todos, Jesus declara que Sua maior preocupação era com Pedro. “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos” (Lc.22:32).

Três anos haviam se passado desde que Pedro aceitara o convite de segui-Lo. Não seria isso uma prova de conversão? Pedro demonstrou ter ficado chateado por ser exposto assim na frente dos colegas. Por isso, não conseguindo manter a boca fechada, vociferou: “Senhor,estou pronto a ir contigo para a prisão e para a morte” (v.33).

Mas Jesus o conhecia muito bem. Sabia que por trás daquela fachada de homem durão havia um menino inseguro, que poucas horas depois O negaria três vezes.

Duas espadas, doze homens (contando Jesus).

Pedro esparava apenas o momento certo para provar a todos que não apenas era convertido, mas que estava disposto a tudo para demonstrar sua lealdade a Jesus.

Depois de vencidos pelo sono, Jesus os acorda decepcionado, enquanto enxugava do Seu rosto o suor feito sangue. Esta cena se repetiu três vezes. O Mestre estava flagrantemente amargurado. O tempo se esgotara, e o traidor já se aproximava, guiando os guardas que O prenderiam, depois de identificá-lO com um beijo fortuito.

Em fração de segundos, dois de Seus discípulos que estavam munidos de espada, consideraram usá-las para defender seu Mestre. Porém, apenas Pedro tomou a iniciativa. Ele deve ter pensado: Que outra razão haveria para que Ele nos mandasse trazer espada, senão esta?

Na cabeça de Pedro, aquela poderia ser a chance pra se redimir. Todos finalmente reconheceriam seu valor. Sem titubear, puxou a espada da bainha, mirou-a no pescoço de um dos guardas, e errando a pontaria, decepou-lhe a orelha.

Era como se ele dissesse: – Eu não disse que era capaz de qualquer coisas pelo Senhor? Pois, eis a prova!

Ora, eram duas espadas. Uma estava com Pedro. E a outra? Com quem estava? Por que preferiu não usá-la?

Jamais saberemos quem foi o discípulo misterioso. Seu anonimato ficará guardado até a eternidade.

Os holofotes sempre apontam na direção de quem deseja aparecer. Fazer o que é certo, às vezes, nos condena a ter que nos contentar com a discrição. Na maioria das vezes, quem aparece é quem se precipita.

Pedro errou e errou feio. Não por causa da péssima pontaria (sua ferramenta de trabalho eram as redes de pesca, não a espada!). Ele errou por querer provar sua lealdade através de um ato de heroísmo desmedido e irresponsável.

Seus olhos ainda estavam cheios de remela por ter se deixado vencer pelo sono, enquanto Jesus suava gotas de sangue. Agora queria bancar o herói.

Em vez de um elogio dos lábios de Jesus, Pedro ouviu uma dura repreensão: “Embainha a tua espada, pois todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e ele me mandaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?” (Mt.26:52-53).

Ingênuo é quem pensa que pode impressionar a Deus, saindo em Sua defesa. Ora, Deus não carece que O defendamos.

Para Jesus, herói não é quem puxa a espada, mas quem compartilha a dor do outro, e sabe chorar com os que choram. Ele jamais Se deixou enganar por rompantes humanos. O que desembainha a espada quando o sangue está quente é o mesmo que negará conhecê-lO quando o sangue esfriar.

Há, todavia, algo que precisamos aprender com este episódio.

Nem sempre devemos lançar mão daquilo que está ao nosso alcance. Assim como Pedro tinha uma espada ao alcance da mão, Jesus tinha milhares de anjos à Sua disposição. Bastava uma voz de comando e eles viriam para socorrê-lO. Então, por que não recorreu a eles? Porque o mais importante não era um livramento momentâneo, ou dar uma demonstração de poder e autoridade, mas cumprir o propósito para o qual fora enviado pelo Pai.

Pecar é desviar-se do propósito. É buscar uma tangente. É usar o que está ao alcance de nossas mãos para fazer as coisas do nosso jeito.

Pecar não se limita a quebrar regras morais ou éticas. É sobre isso que Paulo fala, ao declarar: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm” (1 Co.6:12a).

Que pecado haveria em usar a espada que o próprio Jesus ordenou que levassem? Do ponto de vista moral e ético, não haveria nada de mal em usar a espada em defesa de um amigo. Porém, isso contrariaria o propósito de Deus. Por isso, Jesus bradou: “Mete a tua espada na bainha! Não beberei o cálice que o Pai me deu?” (Jo.18:11).

Há, pelo menos, quatro elementos que compõe o cenário que nos induz ao pecado:

1 – Equipamento
2 – Desejo
3 – Oportunidade
4 – Justificativa

Se a espada está na minha bainha, o que me impede de usá-la? Se dispomos do equipamento para pecar, e este foi dado ou permitido pelo próprio Deus, então, por que nos privar de usá-lo?

Nosso corpo está devidamente equipado para a prostituição. E são itens de fábrica! Como se não bastasse o “equipamento”, temos também o desejo. Como lidar com a libido? Como controlar o impulso que vem de dentro? O trabalho que o diabo tem é o de cutucar a onça com vara curta. O mal está latente em nós. Paulo chega a uma conclusão terrível: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço (…) Pois segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus, mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm.7:18-19,22-23).

Portanto, temos o equipamento e o desejo necessários para pecar. Falta-nos dois outros elementos: a oportunidade e a justificativa.

Satanás se encarrega de criar tais oportunidades. Foi a isso que Jesus chamou de “peneirar”. O cenário é armado. Nossos apetites instigados. A espada parece pronta para ser desembainhada. Porém, nos esbarramos com a nossa consciência. Como convencê-la de que aquilo é razoável?  E se não a convencermos, como driblá-la para que não se interponha em nosso caminho?

Agora mesmo, enquanto escrevo estas linhas, tenho em minha dispensa uma caixa de coca-cola zero. Com a sede que estou sentindo, bastaria levantar-me, dirigir-me à cozinha, encher um copo de gelo, abrir uma das latas, e saciar-me. Tenho o equipamento, o desejo, a oportunidade, e também uma boa justificativa. Eu sei que coca-cola faz mal à saúde. Mas aquela é coca zero. Não tem calorias. Que mal tem? Está ali, disponível, pronta para ser consumida. Porém, se eu parar pra ler o que está escrito na lata, verei que ela é zero em calorias, mas não é zero no sódio. São 40 mg. de sódio. Para quem andou tendo problema com pressão sanguínea, não é uma boa pedida. Sem contar o corante, o gás, e outros componentes daquela inofensiva lata de refrigerante. Na verdade, quando resolvi comprar coca zero em vez de coca regular, o que eu estava tentando era driblar minha consciência. É como se estivesse tentando sanar aquele velho problema expressado na canção de Roberto Carlos: Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral, e ainda por cima, engorda.

Será que existe “pecado zero”? Ou pecado light?

O que seria pior, entregar meu corpo a uma relação adúltera ou acessar sites pornográficos? O que seria menos danoso à saúde espiritual, usar minha língua para mentir ou para fofocar? Usar minhas mãos para roubar ou para esmurrar alguém?

Só há uma maneira de vencer a lógica e o assédio do pecado: Fitar nossos olhos em Jesus, que pela alegria que Lhe estava proposta resistiu a todas as tentações, suportou a cruz, desprezou os escárnios, abriu mão de usar de Suas prerrogativas divinas, e Se rendeu completamente à vontade do Pai (Hb.12:1-3).

Ele poderia ter descido da cruz, mas não desceu. Poderia ter rogado ao Pai para que Lhe enviasse miríades de anjos para socorrê-lO, mas não o fez. Poderia ter transformado pedras em pães, e assim, saciado Sua fome, mas Se negou a fazê-lO. Poderia ter pulado do pináculo do templo, e assim, provado a todos que era quem dizia ser, mas não o fez. De onde Ele tirou forças para resistir a tudo isso? Da alegria que Lhe estava proposta. As contingências não eram capazes de distraí-lO do alvo. O propósito do Pai se sobressaía em cada passo que dava. Por isso, jamais preocupou-Se em provar nada a ninguém.

Ele preferiu o caminho da discrição, e não da auto-exaltação. E todo aquele que, mesmo tendo a espada ao alcance da mão, prefere mantê-la na bainha em vez de agir por contra própria, receberá d’Ele o galardão.

quinta-feira, outubro 28, 2010

2

Consumido pela Culpa


Carlos Moreira



Sem pecado, não há transgressão. Sem transgressão, não há punição. Sem punição, não há culpa. Está comprovado, pela escuta psicoterapêutica e pela leitura de nossa história, que a culpa existe desde nossa origem, faz sofrer, e sua recordação nos acompanha em nossa trajetória existencial.

Para definirmos de forma clássica a culpa, podemos afirmar que ela é algo que se refere à responsabilidade atribuída à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem. Segundo Wikipédia, no sentido subjetivo, a culpa é um sentimento que se apresenta à consciência quando o sujeito avalia seus atos de forma negativa, sentindo-se responsável por falhas, erros e imperfeições. No sentido objetivo, ou intersubjetivo, a culpa é um atributo que um grupo aplica a um indivíduo, ao avaliar os seus atos, quando esses atos resultaram em prejuízo a outros ou a todos. 

Provavelmente foi Freud quem mais fez análises sobre os mecanismos geradores de culpa. Para ele, a idéia de uma onipresença da culpa, que se manifesta de múltiplas formas e que é fundamentalmente inexpiável, é o mais importante problema no desenvolvimento das sociedades humanas. Freud analisa em obras como Totem e Tabu e Mal Estar da Civilização, as diversas etapas de constituição da culpa, indo desde a angústia social até os sentimentos inconscientes. 

Você se sente culpado por algo que fez? Você se sente culpado pelo destino de outros? Já experimentou um vazio no ser por pensar que poderia ter feito algo de forma diferente, ou tomar outra decisão a respeito de determinado assunto, ou mesmo ter escolhido outro caminho ou propósito na vida? Eu não tenho dúvidas em afirmar que a culpa é uma das mais poderosas forças que existem. E mais, sei que a serpente se alimenta do pó da terra, ou seja, das produções emocionais e psíquicas dos seres humanos, em particular daquelas emanadas de seus desencontros e contradições. Na prática, isto cria um círculo vicioso tal que a pessoa passa a se “alimentar” da própria culpa que produz.