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quarta-feira, dezembro 28, 2016

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Spoiler de 2017!



Por Hermes C. Fernandes 

É sempre a mesma coisa. Já virou clichê. Basta chegar o final de ano e os canais de TV exibem uma enxurrada de retrospectivas e previsões. Sorte nossa vivermos na era do Netflix! É preferível uma maratona com minhas séries prediletas a assistir ao que já sei e ao que não quero saber. 

Se desse para levar a sério as tais previsões, não haveria necessidade de retrospectivas. Bastava reexibir as previsões feitas no final do ano anterior. Aliás, tá aí uma boa ideia. Que tal um programa comparando os fatos previstos com os fatos revistos? Por favor, não me acusem de ceticismo. Até creio na possibilidade de uma coisa ou outra ser anunciada com antecedência. Nem precisa ser vidente para isso. Basta observar o andar da carruagem. Mas, sinceramente, prefiro mil vezes a expectativa do inusitado. 

Se o próprio Deus me aparecesse disposto a me contar minuciosamente tudo o que está por acontecer no próximo ano, eu diria não estar interessado. Dispenso spoiler

Saber o que o futuro me reserva não requereria fé, mas apenas adequação e certa dose de resiliência (não que tais coisas não importem). A fé só é necessária ante a inevitabilidade das contingências da vida. Por isso, não me vejo fazendo votos para o novo ano. Mesmo que soe pretensioso demais, minha única meta é tornar-me um ser humano melhor. Quanto ao mais, deixo a vida me surpreender, como geralmente tem feito ao longo dos anos, proporcionando-me experimentar novos sabores, odores e cores. 

Em 2016, por exemplo, tive inúmeras surpresas. Umas agradáveis além da conta. Outras, nem tanto. E ainda outras, nem um pouco. Perdi amigos. Uns para a morte. Outros para a vida. Mas também construí novas amizades. Pessoas entraram em minha vida para somar. Algumas poucas para subtrair. Mas e daí? Que tal deixar de ver a vida como um livro de contabilidade? Nem tudo se resume a lucro ou prejuízo. 

De uma coisa estou certo: alguns vêm e vão, mas ninguém vem em vão. Cada um, a seu modo, traz alguma lição que a vida almeja nos dar. 

Dentre todos os que conheci neste ano, nenhum conheci tão bem quanto eu mesmo. De fato, foi o ano em que mais investi no autoconhecimento. Percebi com mais nitidez minhas idiossincrasias. Examinei, sem falta modéstia, minhas virtudes. Confrontei, sem condescendência, minhas vicissitudes. Desconstruí algumas crenças equivocadas entranhadas em meu ser. Exorcizei fantasmas que me acompanhavam desde a mais tenra idade. Revisitei sonhos que já haviam sido engavetados. Espanei-os e coloquei-os novamente na prateleira. 

Definitivamente, não sou hoje o mesmo que rompeu os anos anteriores. E espero não ser o mesmo que romperá os que virão. Sou um ser em processo de acabamento. Certos andaimes terão que me acompanhar por mais um tempo até que este processo avance. Portanto, não se precipite em me julgar pela fachada inconclusa. Se quiser me conhecer, fite-me os olhos, ouça o que digo, leia o que escrevo, adentrando, assim, os portais escancarados da minha alma. E se me oferecer oportunidade, quero retribuir a visita. 

A todos, feliz vida nova.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

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O melhor pedido de fim de ano que você poderia fazer



Por Hermes C. Fernandes

O que você faria se na contagem regressiva para o ano novo, antes que os fogos estourassem, Deus aparecesse para você e dissesse: Pede-me o que quiser que te darei? Diga-me sem pensar: que pedido estaria na ponta da língua? Uma cobertura de frente para a praia?  Um carro novo importado? Promoção no trabalho? Prêmio da loteria? Casamento?  A gente fica até tonto só de imaginar, não é verdade? Como não aproveitar a maior chance de nossa vida?

Pois foi justamente isso que aconteceu a ninguém menos que Salomão, o sucessor de Davi no trono de Israel.  Sabe o que ele pediu? Se respondeu “riquezas”, errou feio.  Ciente de sua grande responsabilidade à frente do seu povo, o jovem monarca pediu que Deus lhe desse “sabedoria e conhecimento para saber sair e entrar perante aquele povo.” [1]

Deus sorriu. Quem mais lhe pediria algo assim? Mas pensando bem, de que adiantaria pedir riquezas sem que tivesse a sabedoria necessária para geri-las? De que adiantaria o aumento de seu império sem sabedoria para administrá-lo?  Seria como pedir um carro sem estar devidamente habilitado.

Mais interessante ainda é a resposta que Deus lhe dá ante àquele inusitado pedido:

 “Então Deus disse a Salomão: Porquanto houve isto no teu coração, e não pediste riquezas, bens, ou honra, nem a morte dos que te odeiam, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te constituí rei, sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, bens e honra, quais não teve nenhum rei antes de ti, e nem depois de ti haverá.”

Cumpriu-se na vida de Salomão o que Paulo diria séculos depois: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera.”[2]

Há certos pedidos que, uma vez atendidos, trazem consigo bônus inesperados. Porém, se invertemos as coisas, priorizando o que não tem tanto valor assim, ainda que sejamos atendidos, o que hoje nos chega às mãos como bênção, amanhã ou depois se dissipará como fumaça. Imagine se Salomão houvesse pedido riquezas, será que de quebra Deus lhe daria também sabedoria? Acredito que não, pois seu pedido revelaria seu caráter ganancioso.

Agora, repare num detalhe de seu pedido: ele suplicou que Deus lhe desse sabedoria para “entrar e sair”; em outras palavras, ele queria começar e terminar bem. De nada adianta iniciar algo da melhor maneira possível, mas não ser capaz de levar aquilo adiante.  

Já que estamos a poucas horas do fim de mais um ano, gostaria de propor que nos concentrássemos em saber sair. Se não soubermos como sair, também não saberemos como entrar.

Permita-me enumerar alguns critérios que nos farão sair bem, não apenas do ano que se encerra, mas também de qualquer situação, ambiente, emprego, ou mesmo relacionamento.

1 – Sair bem é sair com a sensação de missão cumprida

Quando se despedia dos irmãos de Éfeso, Paulo afirmou que durante os três anos que lá estivera, jamais se esquivou de anunciar-lhes tudo o que era útil, bem como todo o conselho de Deus. Portanto, ele se despedia de cabeça erguida. Fez o seu melhor. Não poupou energia. Trabalhou diuturnamente, tanto publicamente, quanto de casa em casa, para que tomassem conhecimento de toda a verdade encerrada no Evangelho. Mesmo que não tenhamos alcançado as metas programadas, se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, não há porque nos lamentar.  

Os efésios até questionaram a razão de Paulo querer deixá-los num momento tão promissor. Dizem que em time que está ganhando não se deve mexer. Todavia, quem vive por um propósito, não se deixa iludir com resultados, sejam positivos ou negativos. De acordo com o apóstolo, sua decisão de deixar Éfeso e partir para Jerusalém era em obediência a uma direção do próprio Espírito Santo, mesmo sabendo que lá lhe aguardavam prisões e tribulações.  Diante das tentativas de dissuadi-lo, Paulo diz:

“Em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. E eis agora, sei que nenhum de vós, por entre os quais passei pregando o reino de Deus, jamais tornará a ver o meu rosto.”[3]

Era como se dissesse: Não adianta querer fazer chantagem emocional. Sei que vocês me amam, se importam comigo, mas minha missão aqui terminou. É pra frente que se anda!

Antes de partir, Paulo faz algumas recomendações, preparando-os para a sua ausência. Nossa missão não termina quando saímos. O verdadeiro sucesso só se consolida quando há sucessão. Com efeito, Paulo diz: Fiz a minha parte, agora é a vez de vocês. Tratem de cuidar do rebanho que o Espírito Santo confiou em suas mãos. Eu sei que depois da minha partida, surgirão lobos cruéis que não pouparão o rebanho. Então, fiquem espertos, lembrando-se de que durante esses três anos, tenho admoestado vocês com lágrimas.

Mesmo que não haja previsão de sair, trabalhe sempre com o objetivo de preparar o ambiente e as pessoas para lidaram com sua eventual ausência.  Invista na autonomia das pessoas. Prepare seus filhos para a vida, para se virarem sem você. Isso também é saber sair de cena, evitando que todo o seu trabalho tenha sido um desperdício de tempo e energia.

2 – Saber sair é sair com gratidão

Por mais difícil que tenha sido o ano de 2015, há razões de sobra para sermos gratos a Deus. Afinal, sobrevivemos. Somos mais fortes hoje do que quando adentramos o ano. Parafraseando Nietzsche, o que não causa sua morte, no mínimo, lhe faz mais forte. Então, que tal parar de se lamentar?  O casamento não vingou? Não foi o que você imaginou? Nunca se esqueça dos bons momentos que viveram juntos, mesmo quando estiveram diante das barras de um tribunal. Foi despedido do emprego sem justa causa? Não lhe deram seus direitos? Você está coberto de razão em estar decepcionado. Mas jamais se esqueça do quanto aquele emprego foi bênção em sua vida enquanto durou.  

Nada que nos aconteça é em vão. Não há ninguém que entre em nossa vida à toa. Nem há lugares pelos quais passemos que não interfiram na maneira como enxergamos a vida e o mundo. Como disse Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”: “Aqueles que passam por nós não vão sós, deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

Paulo demonstra a mesma percepção em sua primeira carta aos Tessalonicenses. Ele diz:

“Porque vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã (...)  Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus (...) Por que, que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por toda a alegria com que nos regozijamos por vossa causa diante do nosso Deus.”[4]

Queixar-se de tudo não vai nos levar a lugar algum. Já pensou se na manhã do primeiro dia do ano só nos restasse aquilo pelo qual temos sido gratos? O que nos sobraria?

Além de sermos gratos por tudo que nos aconteceu e tudo do que fomos poupados, busquemos igualmente ser motivo de gratidão para os que nos cercam. Que durante o ano que se aproxima, ninguém se dirija ao trono da graça para queixar-se de nós, mas somente para agradecer a Deus por nossa existência. Agradecer a Deus por alguém é mais do que pedir por ele. 

3 – Saber sair é deixar a porta aberta

Ainda não inventaram a máquina do tempo. Que pena! Quando a inventarem, quero ser o primeiro da fila. Sempre fui aficionado por filmes de viagens no tempo, desde de criança, quando assistia ao seriado “O Túnel do Tempo”.  Daqui a pouco, 2015 estará no passado. Nada há que possamos fazer para reverter isso. Porém, há lugares por onde passamos, que talvez devamos passar novamente em 2016 ou os próximos anos. Há pessoas que encontramos, que certamente reencontraremos. Logo, nada mais sábio do que deixar a porta aberta.

Na mesma carta endereçada aos cristãos de Tessalônica, Paulo diz que orava abundantemente dia e noite para que pudesse rever os seus rostos e suprir o que porventura lhes faltasse em sua experiência de fé. [5] Por mais que acreditemos que nossa missão em algum lugar haja terminado, pode ser que falte um complemento. Dai a importância de deixar a porta aberta. Nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã.

4 – Saber sair é sacudir a poeira e seguir em frente

Jesus jamais iludiu a ninguém. Ao enviar Seus discípulos, deixou claro que nem sempre teriam sucesso por onde passassem. Haveria lugares de onde seriam expulsos e pessoas que os rejeitariam. Como fazer para que essas amargas experiências não comprometessem empreendimentos futuros?
Observe a orientação dada aos Seus pupilos:

 “E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; e, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” Mateus 10:12-14

Dizem por aí que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar (há controvérsias...rs). Mesmo que caia, a probabilidade é mínima. Então, não há razão de viver nos auto-sabotando por causa das experiências ruins que tivemos no passado.

O que há de bom para ser relembrado, celebremos com gratidão. Mas aquilo de que nos lamentamos deve ser sacudido de nossos pés. Entrar o ano novo com o coração cheio de mágoas, ressentimentos, queixas é como entrar numa sala que acabou de ser faxinada com os pés enlameados.  Deixemos em 2015 o que não merece ser trazido para 2016. Caso contrário, seguiremos sendo assombrados por fantasmas que já poderiam ter sido exorcizados.  

A todos os meus leitores e companheiros de jornada, desejo um ano em que possamos viver tudo o que houver para se viver, sob os auspícios da graça do Cristo. 





[1] 2 Crônicas 1:7-12
[2] 2 Crônicas 1:7-12
[3] Atos 20:17-32
[4] 1 Tessalonicenses 2:1,14; 3:9
[5] 1 Tessalonicenses 3:10-11


Abaixo, o clássico "Volta por cima" de Paulo Vanzolini na doce voz de Lienne Aragão.

quarta-feira, agosto 19, 2015

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Projeto Lei contra piadas religiosas do Porta dos Fundos é votado no Rio de Janeiro




Por Hermes C. Fernandes

A bancada evangélica do Rio de Janeiro pretende aprovar um projeto lei que criminaliza piadas envolvendo crenças religiosas. A votação da PL está programada para esta quarta-feira em regime de urgência e prevê multa de até R$ 270 mil para quem satirizar ou ridicularizar dogmas e crenças de todas as religiões. O projeto é de autoria do deputado Fábio Silva, filho do empresário e ex-deputado Francisco Silva, proprietário da Rádio Melodia FM. Caso seja aprovada, a lei proibirá  o uso de imagens de cunho erótico vinculadas a qualquer religião ou crença. Além da multa, quem descumprir a proposta de lei ficará impedido de realizar eventos públicos que dependam de autorização dos poderes públicos por cinco anos, e não poderá receber recursos públicos por dez anos. 

O projeto lei tem endereço certo e visa coibir grupos como o dos humoristas do Porta dos Fundos de fazer esquetes que brinquem com símbolos cristãos, bem como manifestações como a realizada na última Parada Gay em que uma transexual encenou a crucificação de Cristo. 

Já virou rotina os humoristas do Porta dos Fundos provocarem a ira dos evangélicos. Em um de seus vídeos, eles fazem escárnio explícito da mais popular festa cristã: o Natal.  Rapidamente, pastores e líderes vieram a público pedirem para que os crentes boicotassem seu canal no youtube

Concordo com meus colegas que o pessoal do Porta dos Fundos tem abusado de sua liberdade de expressão, desrespeitando a crença de milhões de brasileiros. Todavia, não comungo da ideia de que a melhor saída seja o boicote ou mesmo a promulgação de uma lei. A meu ver, isso só faz propagar ainda mais o canal. Creio ter sido esta a intenção dos humoristas. Pessoas que nunca tiveram qualquer interesse em conhecê-lo, certamente o farão quando ouvirem de seus líderes a recomendação de evitá-lo.

É preferível simplesmente ignorar. 

Ademais, se não demonstrarmos qualquer incômodo com suas piadas religiosas, eles provavelmente desistirão. Funciona mais ou menos como o bullying na escola. Se sentir-se ofendido, continuará até lhe tirar do sério. Se não importar-se, vai minguando até acabar. 

Apesar do admirável zelo demonstrado pelos defensores da fé, há algo que me deixa preocupado. Será que se eles fizessem piadas com os excluídos, os oprimidos, com os que não se enquadram nos moldes do sistema, demonstraríamos o mesmo zelo em defendê-los? Por que só nos manifestamos em causa própria? E se a brincadeira envolvesse símbolos de outras tradições religiosas? Isso não revelaria o quão corporativistas temos sido? 

Sinceramente, prefiro levar na esportiva. Confesso que, às vezes, até rio. Se não da piada em si, da ignorância de quem a contou. 

Outra questão que julgo relevante: até que ponto não somos nós mesmos os culpados por termos nossa fé alvo de tantas chacotas? Que tipo de cristianismo temos vivido? Talvez devêssemos aproveitar a ocasião para fazer uma mea culpa e reavaliar alguns de nossos posicionamentos junto à sociedade e às suas demandas. Se assim procedermos, talvez o que seja motivo de riso para alguns, se torne motivo de lágrimas para nós, conduzindo-nos ao arrependimento de nossa apatia e de nossa fé caricata. Não é a Cristo que atacam, nem mesmo os nossos mais caros símbolos, mas ao nosso cristianismo alienado e descomprometido com a ética do reino de Deus. 

Creio que no juízo haverá menos rigor com quem conta piadas sobre a nossa fé do que com quem torna nossa fé motivo de piadas. 


P.S.: No final dos anos 70, em duas ocasiões distintas, nossa casa e nosso carro foram apedrejados sob os gritos de "Tim Tones! Pastor ladrão!" Tudo devido a um quadro do programa de Chico Anísio em que ele criticava a atuação de pastores evangélicos através do personagem Tim Tones, uma sátira ao pregador norte-americano Jim Jones, responsável pelo suicídio coletivo de 900 fiéis. Lembro-me perfeitamente de todo bullying que eu e meus irmãos sofríamos na escola quando nossos colegas descobriam que éramos filhos de pastores. Numa das vezes, fui perseguido pelas ruas de Quintino por nove colegas que queriam me dar uma surra. Tive que me esconder atrás do balcão de uma farmácia. Tudo por causa de piadas religiosas. Apesar disso, sigo sendo a favor da total liberdade de expressão. Não venceremos o preconceito simplesmente por impormos nossa fé ou nossa cosmovisão. Isso só piora as coisas e nos faz cada vez mais motivo de chacota.


quinta-feira, janeiro 01, 2015

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Um Velho Salmo para um Novo Ano



Por Hermes C. Fernandes

Se o Senhor for o teu pastor...

Não te faltará descanso... Pois Ele te fará deitar em verdes pastos!

Interessante notar que o salmista coloca o descanso como um item prioritário. A Lei Mosaica estabelecia que o dia de descanso era o último da semana (Sabath). Primeiro vinha o trabalho, depois o repouso. Davi inverte isso propositadamente. Como que por uma inspiração profética, antevendo a Era da Graça, quando o descanso viria em primeiro lugar. Não foi em vão que os cristãos primitivos elegeram o domingo, o primeiro dia da semana, como o Dia do Descanso, o sabath cristão. Não se trata de mero ócio, mas de uma postura espiritual, onde se cultiva a total dependência da graça divina, em vez de creditar nossas realizações aos esforços pessoais. Isaías, o profeta da Era Messiânica, diz: "Em vos converterdes e em repousardes está a vossa salvação, no sossego e na confiança está a vossa força" (Is.30:15).

Porém, este descanso se dá quando somos levados aos pastos verdejantes. Atentemos para o fato de que Davi está desenvolvendo uma analogia, onde Deus é o pastor, e nós Suas ovelhas. As ovelhas costumam descansar no mesmo lugar onde se alimentam. Elas literalmente se deitam sobre a comida. Elas não aceitam capim arrancado pelo pastor, quer estejam ainda verdes, ou já secos. Elas se alimentam do capim extraído diretamente do solo, com raiz e tudo. Assim também, só encontraremos descanso quando bem alimentados com a Palavra da Vida. Como disse Jesus:"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus".Temos, portanto, que examinar a procedência daquilo com que temos alimentado a nossa alma. Não podemos deixar que ninguém rumine por nós. Temos que extrair nosso alimento diretamente do solo. E para isso, devemos nos debruçar sobre as Escrituras, na dependência do Espírito Santo. Não significa que não necessitemos de orientação espiritual. Isso é indispensável, como veremos a seguir. O papel dos líderes/mentores é tão somente expor o alimento, a verdade, mas deixar que a ovelha pense por si mesma.

Para comprovar a qualidade do alimento espiritual, basta verificar se o que ele produz é descanso, crescimento, maturidade, ou rebeldia, revolta e imaturidade. Somos aquilo que comemos!

Se o Senhor for o teu pastor...

Não te faltará tranqüilidade... Pois Ele te guiará às águas tranqüilas e refrigerará a tua alma, te fazendo recobrar as forças e o ânimo. Ele não nos mete em canoa furada! Não nos leva às águas turbulentas, tempestivas, mas às águas da serenidade. Ninguém suporta viver sob pressão o tempo inteiro. Precisamos de refrigério que só as águas do Espírito Santo podem nos proporcionar. Aos que vivem sob a égide do estresse, Jesus convida: "Vinde a mim os que estais cansados, sobrecarregados, eu vos aliviarei".

Não te faltará retidão de caráter e decisões acertadas. Ele te guiará pelas veredas da justiça por amor ao Seu nome. Que teu propósito para o novo ano seja errar menos e acertar mais. E para isso, não faça nada sem antes consultá-lo em oração. Ele te guiará os pés pelas sendas da ética e da justiça. Lembre-se, para Ele, o que vale não é o que "dá certo", e sim o que "é certo". Submeta todas as suas decisões ao escrutíneo da Lei Suprema do Amor. E que assim, tua vida renda louvores ao nome de Deus, em vez de escândalos e vergonha. Que façamos jus ao título de "cristãos".

Também não te faltará momentos sombrios e perigosos... Mas ainda que tu enfrentes a possibilidade da morte repentina, não terás medo, porque Deus está contigo. E em face às ameaças, o Bom Pastor sairá em tua defesa com Sua vara. E se porventura caíres, Ele te socorrerá com Seu cajado. O cajado é uma haste cumprida, em cuja ponta há uma curvatura desenhada anatomicamente para socorrer a ovelha quando houver caído em algum precipício.

Tampouco te faltará disciplina e correção, pois a mesma vara usada para afugentar os lobos, é usada para disciplinar a ovelha rebelde para mantê-la no caminho certo. Jamais te esqueças que Deus disciplina àqueles que ama (Hb.12:6). E a disciplina aplicada por Deus é sempre motivada pelo amor. Deus jamais tem raiva dos Seus filhos! Ao discipliná-los, Deus simplesmente permite a eles colherem o que semearam. Portanto, sejamos mais responsáveis e menos inconseqüentes.

Não te faltarão inimigos... Isso mesmo... INIMIGOS! Eles ajudam a compor o cenário de tua vida e enriquecem tua biografia. Não te faltarão nem inimigos declarados, nem inimigos disfarçados de amigos. Não faltarão traições, conspirações, falsidade. Porém Deus te preparará um banquete na presença de todos eles. E sabe pra quê? Pra que tu compartilhes com eles o teu pão. Lembre-te: Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber (Rm.12:20). E desta forma, cumpre-se o que está escrito: "Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Senhor, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele" (Pv.16:7). E não duvide de que Ele é capaz de transformar inimigos em amigos leais pra toda a vida.

Não faltará unção sobre ti, nem vinho em teu cálice. Teus inimigos e amigos serão testemunhas de quando Deus te ungir a cabeça com óleo, e fizer teu cálice transbordar. Sabedoria e alegria te arrebatarão. Sabedoria pra discernir cada novo momento de tua vida e alegria e entusiasmo para superar os momentos difíceis, e desfrutar os momentos de realização.

Estejas certo que a bondade e o amor de Deus estarão em teu encalço todos os dias de 2015, e pelo resto de tua vida. E estejas onde estiveres, o Senhor será a tua habitação para sempre.


* Reflexões baseadas no Salmo 23

terça-feira, dezembro 30, 2014

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Confira tudo o que pode acontecer em sua vida no próximo ano




Por Hermes C. Fernandes

Não se deixe enganar! Os profetas midiáticos blefam. Os astros mentem. Os búzios falham. A bola de cristal está cheia de rachaduras. Os videntes estão cegos. Os slogans que as igrejas adotam para o novo ano não passam de marketing. Em 2015 tudo pode acontecer. Por mais que façamos votos disso ou daquilo, o fato inconteste é que não temos controle sobre o que nos pode acontecer. Todavia, podemos decidir como reagiremos diante de algumas possibilidades. Baseado nesta premissa, eis minhas resoluções para 2015 e para dois mil e sempre.

Já que tudo pode acontecer, então...

Caso venha a prosperar, que o orgulho não se assenhoreie de mim, e para tal, hei de manter sempre fresca a memória de minhas origens. Que a avareza jamais se instale em minha vida, e que os bens que adquirir sejam usados para beneficiar a muitos. Que não me deixe consumir por qualquer que seja o sonho de consumo. Que o desejo por posses não me torne uma pessoa fútil e desprezível. Que eu dê valor às pequenas coisas que verdadeiramente dão sentido à vida, e me desapegue daquelas que insistem em me convencer de que são essenciais.

Caso venha a passar alguma privação, que a murmuração jamais se ouça dos meus lábios, e para isso, hei de trazer à lembrança as inúmeras vezes em que a provisão de Deus me encontrou e, por isso, serei sempre grato. Estou convencido de que há lições que só são aprendidas na adversidade.

Se for promovido, que meu amor ao poder não me torne insensível ao poder do amor, transformando-me num cínico.

Se for aclamado, que a vaidade mantenha distância do meu coração, lembrando-me que os mesmos que receberam Jesus com mantos e palmas em Sua entrada triunfal, no dia seguinte exigiram a Sua crucificação. Que jamais caia na tentação de almejar ser unanimidade. E que, assim, meus princípios e valores sejam conservados em vez de negociados na banca da vaidade.  

Se for humilhado e desprezado, que não me sinta insultado, mas alegre pelo privilégio de ser partícipe do sofrimento do meu mestre. Que em momento algum reivindique para mim a promessa de ser exaltado a fim de ir à forra com aqueles que me pisaram.

Se ficar doente, que isso me seja um lembrete do quão frágil e fugaz sou.  

Se me mantiver saudável, use minhas energias para produzir em favor do bem comum, e não apenas do meu aprazimento.

Se for traído, que não me demore a perdoar, antes que a dor crie raízes profundas em minha alma e transtorne os fundamentos do meu ser.

Se tiver que lutar, que eu lute por uma causa, não por uma coisa.

Se for amado, que eu busque corresponder. Se não for amado como desejaria ser, que, ao menos, procure ser amável.

Se tiver que ensinar, que meu objetivo seja partilhar o que tenho recebido e não impressionar os outros com minha erudição.

Se tiver que aprender, que eu seja humilde o bastante para constantemente revisar tudo o que julgo saber, mantendo-me sempre aberto a novos saberes.

Se conhecer novas pessoas, jamais despreze meus velhos amigos. Amizade é como vinho, quanto mais velho, melhor.

Se conhecer outros lugares, possa explorar seus sabores e odores, mergulhar em sua cultura, adquirir experiências, mas nunca perder minhas raízes, tampouco me envergonhar de minhas origens.

Se a tragédia me vitimar, que ela não seja capaz de roubar-me a ternura e privar-me da esperança. Que eu consiga extrair dela todas as lições que puder, e que, uma vez apreendidas, use-as para prevenir os demais, poupando-os da mesma dor. 

Sou o fruto de todas as minhas vivências, de todas as minhas aventuras e desventuras, e por isso, recuso-me a ser ingrato. Todos os que cruzaram o meu caminho ao longo desta jornada existencial, contribuíram para que me tornasse no que estou me tornando. Mesmo os que me fizeram sofrer foram cruciais para mim. Não lhos negarei minha gratidão. Cada lugar por onde passei, serviu de cenário de minhas ações e paixões, alegrias e decepções.

Apesar de desconhecer o que me espera nas próximas curvas da estrada, sigo confiante, fiado na única garantia de que disponho: a Sua companhia. 

Bem-vindo 2015, 2016, dois mil e sempre!  

domingo, janeiro 01, 2012

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Ano Novo chegou primeiro no Brasil!




Hermes C. Fernandes


Acabo de receber o telefonema de uma casal de pastores da REINA no Rio de Janeiro, desejando-me um Feliz Ano Novo. Pude ouvir ao fundo o som dos fogos. Enquanto isso, meus filhos assistem pela internet a queima dos fogos em Copacabana. Enquanto o Brasil festeja, nós aqui, nos Estados Unidos, ainda temos que esperar mais três horas. O Brasil é mesmo o País do futuro. Lá, ele chega primeiro. 

Porém antes mesmo de chegar lá, o novo ano chegou na Austrália, na Nova Zelândia, no Japão, na China e em muitos outros países. Isso se dá por causa da diferença de fuso-horário, provocada pela rotação da Terra.

Entre a China e o Brasil, por exemplo, são onze horas de diferença. Quando a festa dos chineses vai chegando ao fim, a nossa sequer começou. Mas como dizem que quem ri por último, ri melhor... 

Lembro-me que da outra vez que morei aqui nos Estados Unidos, e tinha que vir ao Brasil a cada mês. Embora a diferença no fuso-horário fosse bem menor, não posso negar que me trouxe muitos problemas. Os comissários de bordo chamam de Jet-leg o efeito causado no organismo humano pela diferença de fuso-horário. Pessoas que viajam constantemente sabem do que estou falando. Temos um relógio biológico em nosso corpo, que se adéqua ao nosso fuso local. Quando trocamos esse fuso regularmente, nosso relógio biológico fica desequilibrado, e a gente começa a trocar a noite pelo dia, e vice-versa.

Desta vez, de volta a Terra do Tio Sam, vamos entrar no novo ano três horas depois de nossos irmãos no Brasil!

Não haveria também uma espécie de fuso-horário distinto entre o Reino de Deus e o resto do mundo?

Ora, sabemos pelas Escrituras, que quando abraçamos a fé em Jesus, fomos “arrebatados do império das trevas, e transportados para o Reino” (Cl.1:13). Portanto, fomos introduzidos em uma nova realidade, em um novo território (ainda que espiritual!). Nada mais coerente do que supor que essa nova realidade tenha seu próprio fuso-horário.

Dada a rotação da Terra, o Sol aparece primeiro no Oriente. Por isso, a Austrália comemora a chegada do Ano Novo muitas horas antes de nós.

Como Igreja de Cristo, somos a nova humanidade, Nação Santa, a Nova Jerusalém, lugar onde se vê primeiro o raiar do Novo Dia. É para nós, que tememos o nome do Senhor, que nasce “o sol da justiça, trazendo salvação debaixo das suas asas” (Ml.4:2).

Ainda que o Mundo esteja mergulhado nas densas trevas de uma noite que pareça eterna, para nós o dia já raiou:
“Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu” (Is.60:1-3).
E mais: somos informados que este Sol que acaba de nascer, jamais se porá. Portanto, o novo dia que raiou vai durar para sempre.
“Nunca mais se porá o teu sol (...) O Senhor será a tua luz perpétua” (Is.60:20).
Porém a Terra não pára de girar. O novo dia que surgiu para nós, há de raiar para todas as nações do Globo.

Para nós, que vivemos no fuso-horário do Reino de Deus, Paulo escreve:
“A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Rm.13:12).
É hora de aposentarmos nossos pijamas, e despertarmos para vivermos o novo dia, o hoje eterno.

E esse novo dia começou quando Cristo rendeu Seu espírito na Cruz, dizendo: Está consumado. O velho aión (era) teve seu fatídico fim. As trevas encontraram o seu apogeu. No relógio profético, a Cruz se deu à meia-noite. Por isso Jesus afirmou ao ser preso: “Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc.22:53).

A partir da Cruz, começa-se o novo dia, o Dia do Senhor. Portanto, a tendência é que as coisas clareiem, em vez de escurecerem.

Quando começa um novo dia? Não é no primeiro segundo após a meia­-noite? Entretanto, a noite continua tão escura quanto antes. Porém, a partir daí, gradativamente, as trevas vão cedendo à luz. Ainda que os olhos não percebam, dado o caráter paulatino com que o dia vai clareando. As horas que se seguem testemunham o embate entre as trevas e a luz. Invariavelmente, as trevas são vencidas.
“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram sobre ela” (Jo.1:5).
Horas depois, surge no horizonte a estrela da manhã, anunciando que a qualquer momento, os primeiros raios solares serão vistos.

Não é debalde que Jesus Se apresenta nas páginas de Apocalipse como a Estrela da Manhã (Ap.22:16). Sempre que o Evangelho chega a novos rincões, Jesus Se apresenta ali como a estrela matutina.

A Igreja dos dias de João presenciou a alvorada do novo dia. Por isso João, o mesmo autor de Apocalipse, escreveu em sua epístola:
“...as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8b).
Em breve, a luz da boa nova do Reino terá alcançado todos os povos, e o novo dia alcançará o seu apogeu. Todas as nações se renderão ao amor de Cristo, Luz do Novo Dia. “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele” (Sl.22:27).

Portanto, já podemos dizer: Adeus Mundo velho, Feliz Mundo novo!

Mensagem postada originalmente em 01/01/2011, quando morávamos nos EUA. 

quarta-feira, dezembro 29, 2010

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O único tempo que não é conjugado pelo Verbo de Deus Encarnado