Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teologia da prosperidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

63

Silas, onde você se perdeu?




CARTA ABERTA AO PASTOR SILAS MALAFAIA 

Jesus disse que os escândalos seriam inevitáveis, porém, advertiu: “ai daquele homem por quem o escândalo vem”[1]. Parafraseando o apóstolo Pedro, por causa desses o caminho da verdade é blasfemado, pois movidos de ganância fazem do evangelho um lucrativo negócio.[2]

Mais uma vez, a atenção da mídia se volta para você. Não por sua obra, nem pela agenda conservadora e fundamentalista que defende, mas pelo indiciamento numa investigação da Polícia Federal por lavagem de dinheiro batizada de Operação Timóteo. Aliás, não poderia haver um nome mais sugestivo, pois justamente em uma das epístolas de São Paulo a seu pupilo Timóteo que lemos:
 “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.”1 Timóteo 6:9,10 
Como não poderia evitar, você veio a público vociferando, xingando o jornalista que teria publicado a matéria na ISTOÉ de bandido, vagabundo, etc. Postura bem diferente da encontrada n’Aquele a quem você diz servir, pois Jesus, “quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça.”[3]  Todavia, você tem o direito de se defender. O problema não é o tom de sua voz, mas a incongruência de seus argumentos. Você diz que não havia como saber a origem da tal oferta de cem mil reais depositada em sua conta pessoal (geralmente, ofertas são depositas na conta da igreja). Ora, ora... vamos combinar: Não é todo dia que se recebe uma oferta tão vultuosa. Quem milita nesta trincheira sabe da dificuldade que é, principalmente em tempos de crise, quando as pessoas vendem o almoço para garantir a janta.

Pela sua linha de raciocínio, subtende-se que oferta é oferta, não importa de onde venha. Afinal, Jesus recebeu oferta até de uma prostituta, não é verdade? Mas, cá entre nós, o dinheiro advindo da prostituição é mais digno do que o da corrupção. A prostituta não tomou nada de ninguém, mas apenas negociou seu próprio corpo. Crianças não deixaram de receber sua merenda. Pacientes não foram negligenciados por falta de leitos nos hospitais. Famílias inteiras não deixaram de ser assistidas.

O mesmo Jesus que não demonstrou qualquer embaraço ao receber aquela oferta das mãos de uma meretriz, desafiando os escrúpulos religiosos de sua época, não recebeu oferta alguma de Zaqueu, cobrador de impostos cuja fortuna se originava da corrupção. Pelo contrário, ao entrar em sua casa anunciando a salvação, ouviu dos lábios de seu anfitrião: “Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.”[4] O que você diria numa situação dessas, Malafaia? Você tentaria dissuadi-lo disso? Tentaria convencê-lo a ofertar o seu ministério em vez de reembolsar os que haviam sido lesados?

Sendo franco, não acho que você tenha agido com dolo. Mas, certamente, isso não lhe isenta de culpa. Para se defender, você atira para todo lado. Não poupa nem o rapaz que lhe ofertou. Mas não seria ele resultado do que você tão veementemente prega? O que teria levado um fiel a envolver-se em falcatruas e ainda por cima ofertar seu pastor predileto com o fruto de seu roubo? Que tipo de mensagem ele tem ouvido do púlpito da igreja a que frequenta? Arrisco dizer que provavelmente seja o tal evangelho da prosperidade (aquele que você abominava no início de seu ministério, mas que abraçou quando se rendeu à proposta megalomaníaca de figurar entre os mais ricos pastores do país). É o evangelho segundo São Maquiavel, em que os fins justificam os meios. Um evangelho que não esboça qualquer compromisso com a ética, mas apenas com uma agenda moralista visando o poder político a todo custo. Um evangelho que crucifica o homossexual, que insulta os fiéis das religiões de matrizes africanas, mas solta e acolhe Barrabás, um ladrão contumaz, e ainda o chama de irmão. Um evangelho que flerta com os poderosos enquanto menospreza os excluídos.

Você não sente saudade de quando subia ao púlpito para pregar sem se preocupar em defender-se das acusações dos que percebem sua incoerência? Não sente saudade daquele Malafaia que conheci cursando psicologia na Universidade Gama Filho? Bons tempos, não? Onde você se perdeu, amigo? Parafraseando São Paulo aos cristãos gálatas: Você corria tão bem. Quem o impediu de perseverar naquele caminho?[5] Ainda há tempo de dar meia volta e se reencontrar consigo mesmo. Caso contrário, não será uma matéria de revista que minará sua credibilidade, mas sua própria postura arrogante e intransigência. Lembre-se que você é referência para muitos jovens ministros. De quê serve ser uma referência de sucesso, mas não de integridade? De quê adianta figurar entre as fortunas elencadas pela Forbes e ser indiciado numa investigação de desvio de dinheiro público? Pregue menos sobre riqueza e mais sobre caráter. Abandone a teologia da prosperidade e volte à pregação simples do evangelho de Jesus Cristo. Aquele mesmo que diz que a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui.[6]

Ainda dá tempo, Silas. Amanhã poderá ser tarde.




[1] Mateus 18:7
[2] 2 Pedro 2:2,3
[3] 1 Pedro 2:23
[4] Lucas 19:8
[5] Gálatas 5:7
[6] Lucas 12:15

sexta-feira, janeiro 18, 2013

3

Quem estaria na Forbes Celestial?



Por Hermes C. Fernandes

COMPROVADO: A Teologia da Prosperidade realmente funciona. Pelo menos para alguns dos seus maiores expoentes. A Forbes publicou uma reportagem onde lista os cinco pastores mais ricos do Brasil.

Em primeiro lugar está o bispo Edir Macedo (Igreja Universal do Reino de Deus), cuja renda divulgada pela revista é de aproximadamente US$ 950 milhões, algo em torno de 2 bilhões de reais.

Em segundo lugar aparece o nome de Valdemiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus), com uma fortuna estimada em US$ 220 milhões, de acordo com a Forbes. Considerando a trajetória meteórica do apóstolo, trata-se de um fenômeno sem precedentes. Quase meio bilhão de reais.

Na terceira colocação está o pastor Silas Malafaia, cuja fortuna é estimada em US$ 150 milhões, de acordo com a revista, mais de 300 milhões de reais.

O Líder e fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, missionário R. R. Soares, surge em quarto lugar com um patrimônio estimado em US$ 125 milhões, quase 300 milhões de reais.

Na quinta posição aparece o casal Apóstolo Estevam Hernandes Filho e bispa Sonia Hernandes, líderes e fundadores da Igreja Renascer em Cristo, com fortuna de aproximadamente US$ 65 milhões, cerca de 140 milhões de reais.

A Forbes informou que os dados obtidos para esta reportagem foram concedidos através do Ministério Público e pela Polícia Federal.

Parafraseando Jesus, nem mesmo Salomão em toda a sua glória obteve resultado semelhantes. Fico imaginando de quem seria o sexto lugar.

A notícia chega num momento em que a credibilidade dos pastores anda bem balançada, desde que se noticiou que alguns desses líderes teriam recebido passaportes diplomáticos do governo brasileiro.

E pensar que o Filho do Homem sequer tinha onde reclinar a cabeça...

Estas fortunas só foram construídas graças à credulidade e ingenuidade do povo brasileiro.

Silas Malafaia, que ocupa o terceiro lugar na lista, veio a público contestar as informações, dizendo que se juntar tudo o que ele e seu ministério possuem, não chega à metade do que foi noticiado. Digamos, então, que chegue a uma bagatela de 70 milhões de dólares, ou 150 milhões de reais... Que injustiça! Tão pouco! (ironia MODE ON).

Se houvesse uma publicação semelhante no céu, uma espécie de Forbes Celestial, quem a encabeçaria? Quem, dentre os pregadores do Evangelho, tem se preocupado em ajuntar tesouros no céu, conforme prescrito por Jesus? O que teriam feito se ouvisse de Jesus o mesmo que ouviu o jovem rico? Qual deles se disporia a vender tudo e dar aos pobres?

Outra pergunta pertinente: Se um deles partisse hoje, para quem deixaria tanto dinheiro? Quem brigaria por ele?

Houve tempo em que os ícones dos jovens seminaristas eram os mártires, os missionários enviados às terras longínquas, os abnegados. Hoje, seus ícones são os pregadores bilionários que possuem seus próprios aviões, assediados por políticos, donos de canais de TV, etc.

Enquanto isso, a credibilidade da igreja vai por água abaixo. Se não cresse numa reviravolta, diria: volta logo Senhor Jesus! Mas, pensando bem, prefiro que Ele volte quando a igreja houver retornado ao seu primeiro amor. 

quinta-feira, janeiro 26, 2012

2

Esse endoidou de vez!



Por Hermes C. Fernandes

“E propôs-lhes esta parábola: O campo de um homem rico produziu com abundância. Então ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lc.12:16-21).


Jesus contou esta parábola na ocasião em que fora procurado por um homem que disputava uma herança com seu irmão. Em vez de tomar partido, Jesus lhe chama a atenção pela avareza de seu coração, e diz que a vida do homem não consistia na abundância dos bens que possuía.


Imagine dois irmãos que cresceram juntos, receberam a mesma educação, e que deveriam se amar, agora, depois da partida de seu pai, tornam-se inimigos. Tiago estava certo ao perguntar: “De onde vem as guerras e contendas entre vós? Não vêm disto, dos prazer que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, mas nada tendes. Matais e invejais, mas não podeis obter o que desejais...” (Tg.4:1-2a). Tudo isso porque insistimos no erro de amar as coisas e usar as pessoas para obter o que desejamos. Que revolução experimentaríamos em nossa sociedade se aprendêssemos a usar as coisas e a amar as pessoas!

Desde cedo em nossas vidas, aprendemos a comparar o que temos com o que os outros possuem. Daí nasce a inveja, a competitividade e as desavenças. Quem não lembra do momento em que a família se reunia para abrir os presentes de natal? A gente abria o presente mirando o presente do irmão, e se perguntando a razão do dele parecer maior que o nosso.

A grama do vizinho sempre parece mais verde que a nossa. Ficamos mais incomodados com o sucesso alheio do que o nosso próprio fracasso. E tem gente que se atreve a recorrer a Deus em busca de uma explicação, ou mesmo de uma restituição. Acham que Deus tem a obrigação de repartir todas coisas igualmente. Foi exatamente o que aquele homem fez, e acabou ouvindo de Jesus: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”

Compete aos homens repartirem entre si. A terra e todas as suas riquezas estão aí para serem compartilhadas e não concentradas em poucas mãos. Não é o governo, nem qualquer instituição humana que deve intrometer-se nisso. É a consciência transformada pela graça que nos estimula a repartir nosso pão. O que precisamos não é de novas leis que nos obriguem a isso, mas de novas referências que nos estimulem a isso.

Quem tem sido nossa referência de sucesso? Em quem nos espelhamos? Muitos cristãos sinceros elegeram Bill Gates, considerado o homem mais rico do mundo, como o alvo a ser perseguido. – Quero ser como ele quando crescer! Diriam alguns. Outros elegeram os pastores das megaigrejas, que aparecem com freqüência na TV. Outros elegeram personagens revolucionários da história, como Che Guevara, Gandhi ou Mandela. Outros preferem grandes nomes do cinema ou dos esportes. Todos têm em comum a fama e o sucesso naquilo que se propuseram fazer, seja no campo empresarial, político, cultural ou religioso. E quem não almeja o sucesso? Quem não gostaria de ser reconhecido, ter seu nome nos anais da história, exibir troféus e medalhas, ter suas pegadas gravadas na calçada da fama?

Nesta parábola contada por Jesus, é-nos apresentado um homem que sem dúvida poderia ser tomado como exemplo de sucesso em nossa sociedade capitalista. Naquele ano, seu campo produziu em abundância (Lc.12:16). Para os ouvintes imediatos de Jesus, aquilo era sinônimo de sucesso. Ele já era rico, e agora ficara mais rico ainda. Teria coisa melhor que isso? Por causa de seu ininterrupto sucesso, “ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens”. Para ele, seu único problema era logístico. Onde armazenar tudo aquilo? Em momento algum ele considerou repartir seus frutos com outros. Seu objetivo era amealhar, concentrar, preservar e desfrutar sua riqueza.

Nossa sociedade capitalista vive num círculo vicioso. Quanto mais produz, mais necessita de consumo. As pessoas são bombardeadas de propagandas que as estimulam a acumular bens, até que não tenham mais onde guardar.

Aqui nos Estados Unidos as pessoas usam suas garagens para guardar o que já não cabe mais dentro da casa. Quando a garagem já não comporta, elas fazem uma “garage sale”*, ou simplesmente jogam fora. É comum ver televisores, computadores e outros bens de consumo jogados no lixo.

Se o consumo cai, a produção é afetada, e isso acaba provocando demissões e desemprego. Para manter o pique da produção, o governo estimula as empresas a exportarem.

O século XXI deverá ser caracterizado como o século do desperdício. Para manter a economia aquecida, as pessoas compram o que não precisam. Novas tecnologias surgem, e com elas, novas necessidades. A roda não pode parar!

As pessoas são levadas a acreditar que a aquisição e o acúmulo de bens, além de produzir conforto material, também elevam seu status, garantindo-lhes realização e satisfação.

Vendo seus celeiros abarrotados, aquele homem convidou sua alma para uma conferência:
“Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.”

Quem não almeja este estado de espírito? Quem não quer se realizar profissionalmente? Garantir uma aposentadoria regalada? Este é o sonho de consumo de onze em cada dez pessoas. E em certo sentido, não há nada de errado com isso. O livro de Eclesiastes está aí para justificar tal postura.

Então, por que Jesus encerra a parábola dizendo que Deus o chamou de louco?

“Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”


Sua farta colheita lhe garantia o que vender por muitos anos. Seus grãos estavam bem guardados e prontos para serem consumidos. Seus armazéns estavam prontos para serem concorridos por uma clientela exigente.

Era hora de descansar e deixar que seus empregados trabalhassem na venda de seus produtos. O que ele não esperava era que naquela noite alguém pediria sua alma.

Se pedissem trigo, ele tinha de sobra. Se pedissem vinho, ele tinha estocado. Se pedissem azeite, idem. Mas que estória era essa de pedir sua alma?

Este tem sido o preço pago por nossa sociedade em seu afã de acumular bens. Nossa alma está hipotecada. Nossa cama confortável é incapaz de nos garantir um sono tranqüilo. Nossa geladeira abastecida é incapaz de garantir que tenhamos um momento de comunhão à mesa com nossa família. Nossa lareira é incapaz de aquecer o frio que nos faz tremer por dentro. Nossas TV’s de LCD podem até nos distrair, mas não podem preencher o vazio de nossa alma. Nossas férias não podem nos prover genuíno descanso.

Nossa alma foi negociada juntamente com os produtos e serviços que oferecemos. E a reboque, nossa família tem sido preterida, os verdadeiros amigos desprezados e trocados por colegas do mesmo ramo. Chega um momento em que já não temos com quem compartilhar nossas realizações e ficamos a sós com nossa alma. Tentamos, então, driblar nossa consciência, tranqüilizando nossa alma, convencendo-a de que valeu a pena todo o sacrifício. Noites mal dormidas, casamento destruído, filhos perdidos no mundo, tudo isso foi o preço que tivemos que pagar por algo que desse maior prazer à nossa própria alma. Mas ela ainda não está convencida. Ela sabe que no fim, ela mesma será o preço final que teremos que pagar. Por isso Deus o chama de louco. Ele negociara o inegociável.

O que fazer alguém que não tem com quem conversar, senão com sua própria alma? Ela fora tudo o que lhe restara. Mas naquela noite, ela seria pedida.

“Então, o que tens preparado, para quem será?”, pergunta o Criador.

Sendo aquela a sua última noite, de que serviria todos os seus bens? Embora esta seja uma questão pertinente, não é a que fora levantada por Jesus.

Não se trata de não poder desfrutar dos bens adquiridos, e sim, para quem seriam deixados.
Afinal, para quem estamos trabalhando o tempo inteiro?

Você já viu um caminhão de mudanças seguindo um carro fúnebre? Ou mesmo um caixão com gavetas? Ora, se não podemos levar nada deste mundo, para quem estamos deixando o fruto do nosso trabalho?


“Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele” (1 Tm.6:7).


Quantas pessoas têm sido abençoadas através daquilo que produzimos? Quantas serão beneficiadas quando deixarmos este mundo? Deixaremos apenas uma herança, ou também um legado?

Em vez de nos deixarmos consumir por um sonho de consumo, abracemos o sonho de deixarmos nossa contribuição particular por um mundo mais justo. Toda vez que estabelecemos um sonho de consumo como alvo de nossa existência, é a nossa alma que é consumida. Aos poucos ela é carcomida pela avareza e pelo auto-engano.

Não negocie sua alma. Não a penhore. É um preço que você não poderá cobrir depois.

Jesus termina Sua parábola dizendo que semelhante àquele homem “é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.


O problema não é ajuntar, e sim, ajuntar para si. Cristo nos convida a ajuntar terouros no céu, e assim tornarmo-nos ricos para com Deus.

Como enviar uma remessa para o céu? Pelo que eu sabia, não há bancos por lá.

Jean Paul Sartre, o filósofo existencialista francês, diz que “o inferno é o outro”. Como ateu que era, Sartre não acreditava em céu nem inferno. Mas ele entendia que o abismo que nos separa do outro é tão grande, que seria impossível transpô-lo. Por isso, para ele a figura do outro era a representação do mais profundo abismo, o inferno. Na contramão deste tipo de existencialismo, o Evangelho parece nos indicar que o outro é o céu. Voltar-nos para o próximo é voltar-nos para Deus. Deixar nosso egoísmo para viver em função do bem comum é vivenciar o céu aqui na terra.

Toda vez que investimos em nosso próximo, estamos depositando em nossa conta celestial. Quando usamos os recursos de que dispomos em prol do futuro da humanidade, estamos depositando no banco do céu.

Por isso Paulo ordena que os ricos não ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, e que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, e que, assim, acumulem para si mesmos um BOM FUNDAMENTO PARA O FUTURO (1 Tm.6:17-19).

Quando nossa voz se calar, nosso legado falará por nós. Partiremos deste mundo, mas deixaremos um bom fundamento para o futuro, para que as próximas gerações edifiquem sobre ele.

Pensar apenas no aqui e agora é loucura aos olhos de Deus. Trabalhar visando apenas nosso aprazimento é no mínimo insensatez. Mas enfocar nossos esforços no bem comum é sabedoria do alto.

Se vivermos tais princípios de sabedoria, a única coisa que deixaremos além de um legado, será saudade