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quarta-feira, dezembro 31, 2014

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Retrospectivas e Perspectivas para o Novo Ano



Hermes C. Fernandes

Praticamente todos os canais de TV promovem em sua programação de fim de ano uma retrospectiva dos principais fatos que marcaram o ano que se encerra. Pena que a maioria dos fatos não é nada animadora. Tragédias, chacinas, cataclismos naturais, corrupção do poder público, são alguns exemplos de notícias que permeiam as retrospectivas jornalísticas do ano.

Haveria algum sentido subjacente nesse mosaico de notícias? Alguma mensagem subliminar que a divindade intenta nos enviar?

Como cristãos, nosso desafio é interpretar os fatos em busca daquilo que Deus deseja nos dizer. Afinal, nem uma folha cai da árvore, sem que haja a permissão de Deus.

É fácil identificar a presença de Deus nos episódios felizes que a vida proporciona. Quem não consegue enxergar Deus no nascimento de uma criança? E quanto aos episódios infelizes? Poderíamos identificá-lO também lá? O sábio Salomão nos desafia a reconhecê-lO em todos os nossos caminhos (Pv.3:6).

Estamos sempre buscando um sentido, um significado para as coisas que nos acontecem. Não nos damos por satisfeitos em assistir à trama da vida sem entender o seu enredo. E a busca por sentido nada mais é do que a busca por Deus.

Onde está Deus?

Alguns preferem deixar Deus de fora disso tudo. Se aceitássemos esta possibilidade, seríamos deístas em vez de teístas. Deus seria apenas um expectador da história, que mesmo com o estômago embrulhado pelas cenas que vê, nada poderia fazer para alterar seu enredo.

O Deus da Bíblia não é um mero espectador. Ele é o Senhor das circunstâncias. Se não for assim, a vida simplesmente não tem qualquer sentido. Tudo é contingente.

Somos como crianças que vasculham o céu, buscando na forma das nuvens alguma silhueta familiar. Às vezes vemos a figura de uma pomba, e logo, pensamos em paz. Outras vezes vemos a figura de um cão, e pensamos na amizade. Estamos sempre fazendo conexões entre figuras e valores. Não há como evitar. É isso que nos faz humanos.

Saberíamos distinguir a figura divina no mosaico dos fatos que nos aconteceram neste ano que termina? Como reconhecê-lO em todos os nossos caminhos? Acho que sei quem pode nos dar uma boa dica! Ninguém menos que Paulo, o apóstolo prisioneiro.

Ao escrever para os cristãos de Filipos, Paulo faz uma releitura dos principais fatos que lhe acometeram naqueles dias:

“E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho” (Fp.1:12).

Que “coisas” foram essas? Será que Paulo havia ganhado na loteria? Ou conseguira um bom emprego no fórum romano? Não! Paulo fora preso, acusado injustamente de sedição. E em vez de assumir uma postura de vítima diante dos irmãos, ele busca reanimá-los, apresentando um propósito para que aquilo lhe acontecera. Ele não está muito preocupado em apresentar “porquês”, e sim “pra quês”. Talvez não houvesse uma razão plausível, mas havia um propósito divino.

Ele prossegue: “Muitos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas cadeias, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (v.14).

Nosso problema é que achamos que somos o centro do Universo, e por conta disso, temos a impressão de que tudo conspira contra nós. Mas quando enxergamos as coisas sob outra perspectiva, percebendo que tudo o que acontece visa o bem comum, chegamos à mesma conclusão a que chegou Paulo: “Todas as coisas cooperam em conjunto para aqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o seu propósito” (Rm.8:28).

Desta perspectiva, Paulo percebeu o bem que sua prisão injusta estava produzindo na vida de outros. Por causa do ânimo redobrado de muitos irmãos, o evangelho estava avançando.

É claro que havia efeitos colaterais indesejáveis. Enquanto alguns recobravam ânimo estimulados pelo exemplo de Paulo, outros se aproveitavam para pregar a Cristo por motivos sórdidos, tais como inveja e porfia. “Mas que importa?”, conclui o apóstolo, “contanto que Cristo, de qualquer modo, seja anunciado, ou por pretexto ou de verdade” (v.18).

Temos que perder a mentalidade de vítima, e enxergarmos o propósito de Deus até nas injustiças que sofremos. E quantos aos “efeitos colaterais”, deixemos que Deus cuide disso, como melhor Lhe convier.

Não se pode mudar o passado, mas pode-se fazer uma releitura em busca de um sentido que faça jus aos propósitos de Deus.


* PERSPECTIVAS PARA O NOVO ANO


Mas quanto ao futuro? Qual deve ser nossa postura? O que será que ele nos reserva? Paulo responde: “A minha ardente expectativa e esperança é de...” (v.20).

Só tem perspectivas firmes quanto ao futuro quem consegue discernir o agir de Deus em retrospectiva de sua própria vida.

Todos temos o direito de ter expectativas e esperança quanto ao futuro. Entretanto, a maioria nutre expectativas concernentes à aquisição de bens materiais, ou à realização profissional ou ministerial. Mas qual deveria ser nossa “ardente expectativa” quanto à nossa postura diante da vida?

Deixe que Paulo conclua seu pensamento: “A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (v.20).

Em 2015 tudo pode acontecer. Há um leque quase infinito de possibilidades. Por isso não me impressiono com as prognosticações dos adivinhos, que geralmente são generalizações. Quem não sabe, por exemplo, que no próximo ano vai morrer alguém famoso? Quem não sabe que haverá atentados terroristas? Ou que o mundo vai enfrentar uma grande crise financeira? Afirmar isso é “chover no molhado”.

Prefiro manter a expectativa da surpresa. Por isso Deus não tem interesse de nos revelar o futuro em minúcias. Ele não quer estragar a surpresa.

Nem sei se estarei vivo no fim do próximo ano. Em vez de expectativas de realizações, nossa ardente expectativa deve girar em torno de nossa postura diante da vida. Haja o que houver, não quero ser confundido. Quero continuar enxergando Deus em todas as coisas. Quero enfrentar a vida de peito aberto, com coragem e ousadia, “agora e sempre”. A única coisa de que eu faço a mais absoluta questão, é que Cristo seja engrandecido no enredo da minha vida, seja pela vida ou pela morte. Afinal de contas, para mim o viver é Cristo!

Não importa o que o futuro nos reserva, e sim a maneira como nos portaremos diante do que vier. No dizer de Paulo, "o que é mais importante" é portar-se "dignamente conforme o evangelho de Cristo" (v.27). Isso é que faz toda a diferença.

E o que não entendermos agora, quando chegarmos à eternidade, e a fita for rebobinada, finalmente entenderemos, e glorificaremos o nome d’Aquele que nos conduziu na empoeirada estrada da existência.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

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O Futuro já começou!



Por Hermes C. Fernandes

Quem não tem curiosidade de saber o que o futuro lhe reserva? Se o futuro já está escrito e determinado, teríamos alguma responsabilidade de garanti-lo? Plagiando a vinheta de final de ano da Globo, de fato, o futuro já começou.

Cada acontecimento tem caráter seminal, e trará, inevitavelmente, resultados que afetarão nosso futuro. O "agora" está grávido do amanhã. O romper de um novo ano é como um parto, cuja concepção se deu em algum "agora" passado, e a gestação se deu ao longo do ano que se encerra. Nas sábias palavras do salmista: "Um dia anuncia outro dia, e uma noite noite mostra sabedoria a outra noite" (Sl.19:2). Parafraseado, um ano anuncia o outro ano. O que foi plantado ao longo do ano que se vai, será colhido ao longo do ano que chega.

Nesta reflexão, quero tomar como exemplo o profeta Eliseu, e sua preocupação para com o futuro de uma família que o acolhera, e a quem ele beneficiara, restituindo-lhe o filho que morrera (II Reis 8:1-15).

Leiamos:
“Ora, Eliseu havia dito à mulher cujo filho ele restaurara à vida: Levanta-te e vai, tu e a tua família, e mora onde puderes, porque o Senhor chamou a fome, a qual virá à terra por sete anos. Levantou-se a mulher e fez conforme a palavra do homem de Deus. Foi com a sua família, e habitou na terra dos filisteus durante sete anos.”
Eliseu sentiu-se responsável pelo bem-estar e pelo futuro daquela família. De que adiantaria restituir a vida do menino, sem garantir-lhe o direito de desfrutá-la plenamente?

Até onde vai a nossa responsabilidade, enquanto igreja, para com aqueles que temos alcançado? Será que se encerra no âmbito espiritual? O fato de lhes ter anunciado a vida eterna em Cristo já seria suficiente? Ora, não se pode compartimentar a existência humana, atribuindo maior valor a uma dimensão em detrimento de outras. Uma igreja voltada para o futuro deve acolher o indivíduo por inteiro, incluindo suas aspirações, sua vocação, suas potencialidades.

Deus revelara ao profeta que uma fome se abateria sobre as terras de Israel. Imediatamente, ele se lembrou daquela família, que com tanto carinho o hospedou em sua casa por longo tempo. A atitude de Eliseu deve servir como modelo para uma igreja que exerça sua função profética na sociedade. O mal não pode ser ignorado, mas deve ser denunciado, e suas conseqüências devem ser anunciadas, dando oportunidade para que as pessoas fiquem precavidas, e o pior possa ser evitado.

Jesus fez o mesmo quando anunciou a destruição de Jerusalém, trinta anos antes que acontecesse. Seus discípulos foram advertidos para que deixassem imediatamente a cidade, tão logo ela fosse cercada pelo exército romano.

Terminada a fome que abatera em Israel, aquela mulher voltou para a sua propriedade, e em uma audiência com o rei, reivindicou a restituição de seus bens (v.3).

O que mais chama a minha atenção neste texto é a maneira como Deus tece as circunstâncias para beneficiar àquela mulher e a sua família. Afinal, nada acontece por acaso. Há um Deus que é Senhor absoluto das circunstâncias. Ele não dá ponto sem nó.

Talvez aquela mulher não pudesse compreender a razão pela qual Deus permitira que seu filho amado morresse. Afinal, Deus o havia dado sem que ela pedisse. Agora, não fazia sentido algum Deus lhe tomar o único filho.

É claro que ela ficou sobremodo agradecida e alegre quando Deus lhe restituiu o menino, porém, não podia supor a maneira como esse milagre alteraria o rumo de sua vida.

Tudo o que Deus faz em nossa vida, não visa apenas o prazer momentâneo, mas principalmente a repercussão disso em nosso futuro. Quando aquela mulher adentrou a sala real, ela interrompeu uma conversa entre o rei e Geazi, discípulo do profeta Eliseu.

O teor da conversa? Adivinha!

O rei, curioso, queria saber das últimas proezas do profeta. “Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito. Contando ele ao rei como Eliseu restaurara à vida um morto, a mulher cujo filho ele havia restaurado à vida clamou ao rei que lhe devolvesse a sua casa e as suas terras. Disse Geazi: Ó rei, meu senhor, esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseu restaurou à vida” (vv.4-5). Coincidência? Não! Providência!

Ora, seu objetivo ali era reclamar a devolução de suas propriedades, e não contar o que Deus lhe havia feito por intermédio de Eliseu. Mas Deus, que escreve sempre certo, e com linhas muito bem traçadas, proveu um meio de tornar aquela reivindicação uma prioridade para o rei.

Ao contar com detalhes o que acontecera com seu filho “o rei lhe designou um oficial, dizendo: Faze restituir-lhe tudo o que era seu, e todas as rendas do campo desde o dia em que deixou a terra até agora” (v.6).Que bela surpresa! Além de ter suas terras de volta, ela ainda recebeu do rei tudo o que ela deixou de colher todos aqueles anos. Tudo por causa do testemunho que Geazi deu acerca do milagre operado por Deus na vida daquela mulher. De fato, a repercussão de um testemunho pode abrir muitas portas. Não há fatos isolados. Se um abismo chama outro abismo, uma bênção tem o poder de atrair outras tantas. Jamais ela poderia supor que a ressurreição de seu filho fosse impactar de tal maneira o coração daquele rei, a ponto de ele restituir-lhe os anos perdidos.

Mas o capítulo 8 de II Reis não termina aqui. Embora este episódio tenha tido um final feliz, o texto prossegue contando um caso contrastante, que nos leva a meditar um pouco mais acerca do futuro daqueles por quem somos responsáveis. Caminhemos um pouco mais pelo texto:
“Eliseu foi a Damasco, e Ben-Hadade, rei da Síria, estava doente. Quando anunciaram ao rei: O homem de Deus chegou aqui, disse ele a Hazael: Toma um presente contigo e vai encontrar-te com o homem de Deus. Por intermédio dele pergunta ao Senhor: Sararei eu desta doença? Foi Hazael a encontrar-se com ele, e levou um presente consigo, a saber, quarenta camelos carregados de tudo o que era bom de Damasco. Veio, pôs-se diante dele, e disse: Teu filho Ben-Hadade, rei da Síria, me enviou a ti para perguntar: Sararei eu desta doença? Respondeu-lhe Eliseu: Vai, e dize-lhe: Certamente sararás. Mas o Senhor me mostrou que ele morrerá. E olhou para Hazael, fitanto nele os olhos até que este se sentiu envergonhado. Então o homem de Deus chorou. Perguntou Hazael: Por que chora o meu Senhor? Respondeu ele: Porque sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel. Porás fogo às suas fortalezas, os seus jovens matarás à espada, os seus meninos despedaçarás, e as suas mulheres grávidas fenderás.”
Vislumbrar o futuro pode ser gratificante, mas também pode ser aterrorizador. Eliseu teve um vislumbre do futuro e ficou indignado. Aquele moço enviado pelo rei para presentear o profeta representava uma ameaça ao futuro do povo de Israel. Embora fosse apenas um serviçal, seu destino era ser o próximo monarca da Síria. Ele mesmo retrucou o profeta, quando se viu embaraçado diante do olhar perscrutador de Eliseu: “Como é que teu servo, que não passa de um cão, poderia fazer tão grande coisa? Respondeu Eliseu: O Senhor me mostrou que hás de ser rei da Síria.”

Os jovens seriam mortos à espada, os meninos seriam despedaçados, e as grávidas seriam partidas ao meio... Que desgraça!

Imagino o que se passou na cabeça de Eliseu. Talvez houvesse pensado até em tirar a vida daquele rapaz ali mesmo, para evitar o pior.

A preocupação do rei era apenas com o seu futuro. Porém, a preocupação do profeta era com o futuro do seu povo. De fato, o rei sararia. Ele não morreria vítima daquela enfermidade, mas de um assassinato.

Interessante perceber que o texto fala de duas realidades opostas. Na primeira, um menino é restituído ao seio da família, para que seu testemunho garantisse a restauração de todos os bens perdidos por sua família durante o tempo de fome em Israel. Na segunda, um rapaz enviado como mensageiro de um rei representava um futuro ameaçador para o povo de Israel.

Dois “futuros” radicalmente opostos e contrastantes.

Eliseu tinha olhos clínicos, capazes de distinguir os espíritos, os propósitos do coração, e vislumbrar o futuro.

Quantos jovens e meninos abandonados pela nossa sociedade, que vêm ao nosso encontro para trazer um recado do futuro?Aquela criança que hoje ignoramos nos sinais de trânsito, é a mesma que amanhã poderá invadir nossa casa e manter nossa família refém.

Ah, se tão-somente fôssemos mais sensíveis à voz que nos vem do futuro para nos avisar.

O futuro sempre envia seus mensageiros!

Alguns deles trazem mensagens de esperança, enquanto outros nos vêm para despertar nossa consciência, a fim de fazermos algo hoje e evitarmos a desgraça que pode estar em nosso caminho.O texto termina revelando que o que Eliseu temia veio a acontecer:
“Então deixou a Eliseu, e voltou a seu senhor, o qual lhe perguntou: Que te disse Eliseu? Respondeu ele: Disse-me que certamente sararás. No dia seguinte, Hazael tomou um cobertor, molhou-o na água e o estendeu sobre o rosto do rei, de modo que este morreu. E Hazael reinou em seu lugar.”
Neste caso em particular, nada foi feito para alterar o rumo das coisas. Porém, há sempre algo que podemos fazer hoje para defender nosso futuro. Um menino que deixa as drogas e retorna à vida hoje, poderá ser a chave para a sobrevivência de toda uma família amanhã.

Que possamos fazer algo agora, em vez de simplesmente ficarmos na expectativa que o pior nos acometa. Ainda que da perspectiva da eternidade o futuro já esteja pronto, para nós que vivemos do lado de cá, o futuro precisa ser construído.

Estou convencido que o papel da igreja do futuro não é apenas garantir vida eterna às pessoas, mas também trabalhar para garantir o futuro deste mundo.

Não nos preocupemos em prever o futuro, mas em defendê-lo desde já, assumindo nossas responsabilidades e atribuições. Afinal, fomos constituídos por Deus como "defensores do futuro"!

segunda-feira, dezembro 31, 2012

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Não desperdice mais um ano de sua vida!


domingo, dezembro 30, 2012

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"Ainda este ano": Sermão inédito de C.H.Spurgeon para o Ano Novo



Por C.H.Spurgeon

No inicio de outro ano, e no começo de outro volume de sermões, desejamos com toda sinceridade expressar uma palavra de exortação: mas, ah, nesse momento, o pregador é um prisioneiro, e deve falar da sua cama em vez de fazer-lo desde seu púlpito. Não permitam que as poucas palavras que um homem enfermo possa expressar lhes cheguem com um diminuto poder, pois o fuzil disparado por um soldado ferido dispara a bala com a mesma força. Nosso desejo é falar com palavras vivas, ou não falar nada. Suplicamos ao Senhor que nos habilite para sentarmos e compor essas trêmulas frases, que as vistas com Seu Espírito, para que sejam frases que vão de acordo com Sua própria mente.

O vinhateiro intercessor suplicou pela figueira estéril: "deixa-a ainda este ano," pedindo o prazo de um ano, por assim dizer, a partir do momento em que falou isso. As árvores e as plantas que dão fruto têm uma medida natural para suas vidas – evidentemente, um ano tinha transcorrido quando chegou o tempo de buscar fruto na figueira, e outro ano começava quando o vinhateiro começou de novo sua obra de cavar e podar.

Os homens são seres tão estéreis, que sua produção de frutos não marca épocas certas, e se faz necessário estabelecer para eles divisões artificiais de tempo – não parece que havia tido um período definido para colheita ou para a vindima espirituais, ou se tivesse, os feixes e os cachos não brotam na sua estação, e por isso, temos que dizer uns dos outros: "esse será só o começo de um novo ano."

Então, que assim seja. Congratulemos-nos uns aos outros por ver a alvorada de "ainda esse ano", e oremos juntos para que possamos entrar nele, e continuar nele, e chegar a sua conclusão, debaixo da perene benção do Senhor a quem pertence todos os anos.

I. O começo de um ano novo SUGERE UMA RETROSPECTIVA. Olhemos resoluta e honestamente. "Ainda este ano" – então houve anos anteriores de graça. O vinhador não estava consciente pela primeira vez da falha da figueira, nem o dono da figueira tinha vindo pela primeira vez buscando figos em vão.

Deus, que nos dá "ainda esse ano", nos tem dado outros anos previamente. Sua paciente misericórdia não é uma novidade. Sua paciência já foi posta a aprova por nossas provocações. Primeiro, vieram nossos anos juvenis, quando, inclusive, um pequeno fruto para Deus é peculiarmente agradável a Ele. Como o passamos? Acumulou-se toda nossa força na casca silvestre e no cacho deixado como resto? Se for assim, bem podemos deplorar esse vigor desperdiçado, essa vida mal gasta, esse assombroso pecado multiplicado. Quem nos viu usar indevidamente daqueles meses de ouro da juventude, nos proporciona "ainda esse ano", e temos de entra nele com um santo zelo, para que a força e o ardor que nos sobraram não corram os mesmos caminhos de desperdício como em anos anteriores.

Seguindo os calcanhares de nossos anos juvenis, vieram os anos correspondentes a maturidade, quando começamos a forma um lar, e nos convertemos como uma árvore plantada em seu lugar – também ai o fruto teria sido precioso. Produzimos algum fruto? Presenteamos o Senhor com um cesta de frutos de verão: Oferecemos a Ele as primícias de nossa força? Se o fizemos assim, bem podemos adorar a graça que nos salvou, tão cedo – mas, se não foi assim, o passado nos repreende, e, levantando um dedo acusador, nos adverte que não permitamos que "ainda esse ano" siga o caminho do resto de nossas vidas.

Aquele que tiver desperdiçado a juventude e a manhã da madures, dedicou tempo suficiente à insensatez – o tempo passado deveria lhe bastar para ter cumprido a vontade da carne: seria um excesso de iniquidade permitir que " ainda esse ano" seja espezinhado no serviço do pecado.

Muitos de nós nos encontramos na flor da idade, e os anos que já vivemos não são poucos. Ainda necessitamos confessar que nossos anos são comidos pelo gafanhoto e pelo pulgão? Acaso já tivemos que recorrer a algum centro de reabilitação, e ainda não sabemos aonde vamos? Somos ainda néscios a idade de quarenta anos? Temos cinquenta, de acordo ao calendário, no entanto, nos encontramos a grande distância do critério? Ai, grandioso Deus, que haja homens que passem essa idade e que ainda não tenham conhecimento! Não são salvos aos sessenta, não são regenerados aos setenta, não foram despertados aos oitenta, não são renovados aos noventas! Todas e cada uma dessas considerações são muito alarmantes. No entanto, porventura, cada uma cairá em ouvidos que não poderão deixar de formigar, ainda que as ouçam como se não as tivessem escutado. A continuidade no mal gera dureza de coração, e quando a alma esteve dormindo por largo tempo na indiferença, é difícil desperta-la do estupor mortal.

O som das palavras "ainda esse ano", nos faz lembrar, a alguns de nós, dos anos de grande misericórdia, brilhantes e resplandecentes de deleite. Esses anos foram colocados aos pés do Senhor? Foram comparáveis às campainhas de prata dos cavalos: foram de "Santidade a Jeová"? Se não foram, como responderemos por eles se "ainda esse ano" deveriam ser musicais com jubilosa misericórdia, e, no entanto, os desperdiçamos nos caminhos do abandono?

As mesmas palavras nos recordam, a alguns de nós, nossos anos de severa aflição, quando, verdadeiramente cavavam em nossa volta e nos adubavam. Como passaram esses anos? Deus estava fazendo grandes coisas para conosco, exercendo uma lavoura cuidadosa e custosa, cuidando de nós com um cuidado sumamente grande e sábio. Produzimos de acordo com o benefício recebido? Levantamos-nos da cama sendo mais pacientes e mansos, odiados do mundo, e unicamente unidos a Cristo? Produzimos cachos de fruto para recompensar o vinhador da vinha?

Não recosemos essas perguntas de auto-exame, pois poderá ser que isso resulte ser outro desses anos de cativeiro, outra estação de forno e de crisol. Que o Senhor nos conceda que a tribulação futura nos livre de mais palha que qualquer doutro desses anos anteriores, e deixe o trigo mais limpo e em melhores condições.

O novo ano também nos lembra das oportunidades de utilidade, que chegaram e se foram, e de resoluções não cumpridas, que floresceram só para murcharem – será "ainda esse ano" como esses que transcorreram antes? Não poderíamos esperar que a graça avançasse sobre a graça já ganha, e não deveríamos buscar poder para transformar nossas enfermas promessas em robusta ação?

Olhando o passado, lamentamos as sandices pela quais não queríamos ser mantidos voluntariamente cativos "ainda esse ano", e adoramos a misericórdia perdoadora, a providencia preservadora, a liberalidade ilimitada e o amor divino, dos quais esperamos ser participantes "ainda esse ano".

II. Se o pregador pudesse pensar com liberdade, poderia navegar no texto com prazer em muitas direções, porem, ele está debilitado, e por isso deve deixar-se ir com a corrente que leva a segunda consideração: o texto MENCIONA UMA MISERICORDIA. Foi devido a uma grande benignidade, que fosse permitido à arvore que inutilizava a terra, permanecer ainda outro ano, e a vida prolongada sempre há de ser considerada uma benção da misericórdia Veremos "ainda esse ano" como uma dádiva da graça infinita. É mal falar como se a vida não nos importasse, e considerar nossa estada aqui como um mal ou um castigo – estamos aqui "ainda esse ano" como resultado das intercessões do amor, e em cumprimento dos desígnios do amor.

O homem malvado deveria considerar que a paciência do Senhor aponta para sua salvação, e deveria permitir que as cordas de amor o atassem a ela. Oh, que o Espirito Santo fizera que o blasfemo, o quebrantador do dia do senhor, e o viciado ostentador sentissem que coisa admirável é que suas vidas sejam prolongadas "ainda esse ano"! Por acaso lhes é concedida vida para que amaldiçoem, e corram desenfreados e desafiem seu Criador? Esse deveria ser o único fruto da paciente misericórdia? Aquele que deixa as coisas para mais tarde e que tem deixado o mensageiro do céu com suas demoras e meias promessas, não deveria maravilhar-se de que lhe seja permitido ver "ainda esse ano"? Como é que o Senhor foi indulgente com ele, e há tolerado suas vaciladas e titubeios? Esse ano de graça será mal gasto da mesma forma? As impressões passageiras, as precipitadas resoluções e as prontas apostasias, terão de ser isso a mesma história trilhada que se repete uma e outra vez? A consciência assustada, a tirana paixão, a emoção reprimida! Serão esses aos sinais de "ainda esse ano"? Que Deus não queria que nenhum de nós duvide ou procrastine ao longo de "ainda esse ano".

A piedade infinita detém a lança da justiça – será ela insultada pela repetição dos pecados que provocaram que se levantasse o instrumento da ira? O que poderia ser mais atemorizante para o coração da bondade que a indecisão? Bem faz o profeta do Senhor se colocar impaciente e clamar: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? (1Reis 18:21) Deus pode muito bem exigir uma decisão e exigir uma resposta imediata.

Oh alma indecisa, oscilará muito tempo ainda entre o céu e o inferno, e atuará como se fosse difícil decidir entre a escravidão de Satanás e a liberdade do lar de amor do Grandioso Pai? "Ainda esse ano" se divertirá no desafio da justiça e perverterá a generosidade da misericórdia, convertendo ela em uma licença para uma maior rebelião? "Ainda esse ano" será o amor divino convertido em uma ocasião para um continuo pecado? Oh, não atue dessa forma vil, de maneira tão adversa a todo instinto nobre, de maneira tão injuriosa para seus próprios e melhores interesses.

O crente é conservado fora do céu "ainda esse ano" em amor, e não na ira. Existem alguns por cuja causa é necessário que habite na carne, alguns que serão ajudados por ele em seu caminho até o céu, e outros que serão conduzidos aos pés do Redentor por sua instrução. O céu de muitos santos ainda não está preparado para eles, porque seus companheiros mais próximos não chegaram ainda, e seus filhos espirituais não se reuniram na glória em número suficiente, pata dar-lhes uma completa bem-vinda celestial: terão de esperar "ainda esse ano" para que seu repouso seja mais glorioso, e para que os feixes que eles levarão com eles possam proporcionar-lhes um gozo maior.

Verdadeiramente, por causa das almas, pelo deleite de glorificar nosso Senhor, e pelo incremento de jóias de nossa coroa, podemos estar contentes de esperar aqui embaixo "ainda esse ano". Esse é um campo muito vasto, porem não pode demoramos nele, pois nosso espaço é reduzido, e nossa força é ainda menor.

III. Nossas últimas palavras frágeis lhes recordarão que a expressão "ainda esse ano" IMPLICA EM UM LÍMITE. O vinhador não pediu uma suspensão da sentença maior que um ano. Se labor de cavar e adubar não mostrassem então ser eficazes, não intercederia mais, e a arvore deveria cair.

Mesmo quando Jesus é o intercessor, a solicitação de misericórdia tem seus limites e seus tempos. Não é para sempre que seremos deixados sós, e que nos seja permitido inutilizar a terra – se não nos arrependermos, devemos perecer – se não queremos ser beneficiados pela enxada,d devemos cair pelo golpe do machado.

Virá um último ano a cada um de nós: portanto, que cada um diga a si mesmo: esse é meu último ano? Se fosse o último ano para o pregador, cingiria seus lombos para entregar a mensagem do Senhor com toda sua alma e pedir a seus semelhantes que sejam reconciliados com Deus.

Querido amigo, "ainda esse ano" será seu último ano? Está preparado para ver que a cortina se levantar revelando a eternidade? Está preparado para ouvir o grito da meia noite, e entrar na ceia das Bodas? O juízo e tudo o que se seguir são, de forma certíssima, a herança de todo homem. Benditos aqueles que pela fé em Jesus são capazes de enfrentar o tribunal de Deus sem pensamento de terror.

Se vivêssemos para ser contatos entre os habitantes mais velhos, ainda assim ao fim devemos partir: tem que haver um fim, e a voz deve ser ouvida: "Assim diz o Senhor, morreras esse não" Tantos se foram antes que nós, e cada hora estão voando, que ninguém deveria de nenhum outro memento mori (recorda que há de morrer), e , no entanto, o homem está tão interessado em esquecer sua própria mortalidade, e mediante isso, perder suas esperanças da bem aventurança, que não podemos colocar ela muito longe dos olhos de nossa mente. Oh homem mortal, reflita! Prepare-se para vir ao encontro de teu Deus – pois deves encontrar-se com Ele. Busque ao Salvador, sim, busque-lhe antes que outro sol se oculte para seu descanso.

Mais uma vez, "ainda esse ano" - e poderá ser só por esse ano – a cruz é levantada como um farol do mundo, a única luz à que nenhum olho mira em vão. Oh, que milhões de pessoas olhassem para esse local e vivessem. O Senhor pronto virá uma segunda vez, e então o resplendor de Seu trono ocupará o lugar do ligeiro esplendor de Sua cruz: o Juiz será visto no lugar do Redentor. Agora Ele salva, porem naquele momento Ele destruirá. Ouçamos Sua voz nesse momento. Ele tem posto um limite de graça. Creiamos em Jesus nesse dia, vendo que poderia ser nosso último dia. Essas são as súplicas de alguém que agora encosta-se a seu travesseiro, absorto na debilidade. Ouça-as por causa de suas próprias almas e vivam.

 
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FONTEwww.spurgeon.com.mx (Via Projeto Spurgeon)
Tradução: Armando Marcos Pinto