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quarta-feira, agosto 12, 2015

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Resposta às críticas severas de um tal Severo



Por Hermes C. Fernandes

Fui surpreendido ao entrar em minha fanpage e deparar-me com o link de uma matéria escrita pelo senhor Julio Severo acerca de minha opinião sobre a homossexualidade. Não é a primeira vez que este senhor escreve para confrontar meus posicionamentos. Ele, como um “guardião da verdade”, não poderia deixar passar em branco um artigo tão “grave” quanto o que escrevi cerca de uma semana atrás.

Primeiro, ele tenta desmerecer os estudos científicos que apresentei lançando mão de um livreto (ou seria um panfleto?) publicado por um ministério americano chamado “Focus on the Family", um dos porta-vozes mais eloquentes na defesa dos valores morais cristãos.  Um ex-líder deste ministério John Paulk, que também era presidente da Exodus (aquele ministério da cura gay), protagonizou um escândalo de repercussão internacional ao ser visto e fotografado num bar de gays em Washington DC.  Inicialmente, Paulk negou frequentar o estabelecimento, apesar da prova fotográfica, logrando com isso o apoio do fundador e líder da Focus,  Dr. James Dobson.  Mas em seguida, Paulk confirmou, por escrito, que havia mentido e que, de fato, teria estado naquele bar.

Ted Haggard, outro pregador de renome, amigo do fundador da Focus, admitiu ter recebido massagem de um homossexual e de ter comprado metanfetamina.  Ted , que era presidente da NAE (Associação Nacional dos Evangélicos), declarou, inicialmente, que teria sido apenas uma massagem, sem qualquer conotação sexual. Posteriormente, após ter sido declarado culpado pela diretoria da igreja e afastado de suas atividades pastorais, Ted veio à público do púlpito de sua igreja e admitiu ser “culpado de imoralidade sexual” , confessando ser “um enganador e mentiroso”.  James Dobson, o presidente da Focus afirmou que continuaria sendo seu amigo, e que pretendia ajudá-lo na restauração de seu casamento e de sua reputação. Tempos depois, Dobson voltou atrás, afirmando que não pretendia mais participar do longo processo de restauração de Ted Haggard. 

Por que estou expondo isso aqui? Não é para descredenciar a fonte usada por meu oponente para tentar desacreditar estudos científicos sérios, mas tão-somente para demonstrar o perigo que é adotar uma postura inflexível, desprovida de misericórdia. Por trás de todo discurso moralista pode haver muita coisa escondida. Eu disse, “pode haver”, e não que necessariamente haja.

Se agirmos com misericórdia, no momento em que dela precisarmos, ela não nos será negada. Mas se agirmos com intransigência e impiedade, elas igualmente nos alcançarão.

Sei de pastores flagrados em relação sexual com obreiros no gabinete pastoral. Homens cujo discurso moralista era inflamado.  Não se trata apenas de hipocrisia, pregando uma coisa enquanto se vive outra. Não. Em muitos casos, acredita-se piamente que combater o mal encontrado em si mesmo atenuaria sua culpa perante Deus.

Julio Severo me acusa de fazer um “saneamento científico” da Bíblia. Seria isto o mesmo que Galileu tentou fazer ao dizer que nosso sistema era heliocêntrico? Ora, se a ciência é este bicho-papão que pintam, por que insistem em usufruir de suas conquistas? Seria mais coerente com o seu discurso se se isolassem do mundo como fazem algumas comunidades menonitas que vivem como se vivessem dois séculos atrás, sem eletricidade, sem água encanada, sem telefone, sem veículos automotivos, etc. São discursos retrógrados como o de Severo e cia que rendem à igreja críticas tão severas por parte dos que percebem sua incongruência.

A Bíblia não precisa ser reescrita, sr. Severo. Nós é que precisamos lê-la sem as lentes de nossos preconceitos.  Se você acredita que ela é tão incisiva quanto à homossexualidade, explique-me a razão por que entre mais de 31 mil versículos, apenas 6 abordam o assunto, enquanto mais de 2 mil falam de justiça social. E ainda assim, todos eles são passíveis de interpretação, como expus em meu último post sobre o tema (talvez não tenha lido). A propósito, você poderia alternar os assuntos em seu blog.  Fica parecendo que você tem fixação naquilo. É só um palpite.

Meu caro, não me considero bispo. Fui sagrado bispo pelas mãos de oito bispos de tradição anglicana e pelas mãos do fundador da igreja a que sirvo.

De onde você tirou que fico “satisfeito e excitado”  toda vez que aparece um estudo “científico” que dê suporto aos meus “sentimentos e paixões”? Seria isso uma insinuação acerca de minha sexualidade? É isso mesmo?

Meu caro, sou casado há vinte e cinco anos com a mesma mulher, pai de três lindos filhos. Não preciso ser negro para defender a causa do negro, por séculos oprimido por gente da minha cor. Não preciso ser mulher para defender a causa das mulheres, por milênios oprimidas por homens como eu. Não preciso ser uma árvore para defender a causa do meio-ambiente. Tampouco preciso ser homossexual para emprestar meus lábios a este segmento tão massacrado por gente impiedosa que usa suas convicções religiosas como pretexto para destilar ódio e preconceito.

Por fim, você diz que ao apelar ao amor, eu estaria lançando mão do último recurso dos covardes espirituais.  Covarde eu seria se me calasse diante do que tem sido vociferado em nossos púlpitos sob o disfarce de piedade. Covarde seria se, para proteger minha ilibada reputação, eu fizesse coro com os intolerantes.

Como se não bastasse, você ainda conclama a blogosfera apologética calvinista a um linchamento contra mim (vai bater em Hermes?). Será que seu mentor Olavo de Carvalho vai comprar esta briga também? Como esquecer do artigo que ele escreveu me detonando sem dó nem piedade no Mídia Sem Máscara

Diferentemente de você, meu caro Severo, homens com Renato Vargens, apesar de discordar de mim em vários pontos, sabe apresentar seus pontos de vista sem atacar minha honra, nem levantar suspeitas infundadas. 

Depois de toda a salada, você asperge seu amargo vinagre, tentando ligar meu nome a coisas como “sacrifício de bebês”. Conheço bem este artifício. É próprio dos que não possuem escrúpulos.

Não sou de esquerda.  Nem de direita. Nem mesmo de centro. Sou pela desideologização do evangelho.  Não defendo o aborto.  Tenho um vídeo no youtube onde confronto o bispo Macedo sobre isso.

Não sou adorador de Baal. Sou um seguidor de Cristo. Sem lenço, nem documento. Sem compromisso com qualquer ideologia. Sem ligação com movimento algum. Apesar de simpatizar-me com alguns pressupostos da Teologia de Missão Integral, não compro pacotes fechados de ninguém. E também não peço que comprem de mim. Não tenho procuração para pensar por ninguém. Prefiro examinar item por item, retendo somente o que for coerente com o que creio ser a expressão mais próxima do evangelho.

terça-feira, outubro 28, 2014

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Jesus não combina com preconceito!




Por Hermes C. Fernandes

Já no começo Ele mostrou a que veio. Escolheu nascer numa família humilde e em circunstâncias que poderiam ser, no mínimo, consideradas suspeitas. Definitivamente, Jesus não combina com preconceito.

Poderia ter nascido num palácio, mas preferiu nascer entre os animais, acolhido numa manjedoura em vez de num berço de ouro. Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Ainda bebê, recebeu presentes de magos estrangeiros que não professavam a religião dos Seus pais (“magos” é um eufemismo para “bruxos”). Por que hoje Ele discriminaria quem O quisesse louvar, ainda que não pertencesse ao Seu povo? Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Já adulto, foi inusitadamente banhado pelo perfume de uma dama da noite, adquirido no exercício de sua atividade. Jamais Se incomodou por ser flagrado andando publicamente na companhia delas e de outros de moral duvidosa. Será que hoje Ele ficou mais seletivo? Definitivamente, Jesus não combina com preconceito.

Nunca usou termos pejorativos para tratar leprosos, mendigos, excluídos, eunucos. Por que alguns dos Seus seguidores insistem em usá-los. Não consigo imaginá-lo chamando alguém de “gay aidético”, ou de "leproso imundo". Ele sempre foi um gentleman. Tratava com dignidade a qualquer ser humano. Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Ele foi capaz de elogiar publicamente a manifestação da fé de um oficial do exército do império que ocupava Sua terra. Mesmo sabendo que aquele homem provavelmente era devoto de muitos deuses, Ele não recriminou, mas admirou sua devoção ao criado enfermo. Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Ele escandalizou Seus conterrâneos, ao usar uma figura por eles desprezada para ser o principal personagem de algumas de Suas parábolas. Para Ele, mesmo um samaritano era capaz de surpreender o mundo com atitudes dignas e motivadas por amor. Definitivamente, Jesus não combina com preconceito.

Foi flagrado aos papos com uma "nordestina" de sotaque estranho (Samaria ficava ao norte de Jerusalém) à beira de um poço, e mesmo sabendo de seu estilo de vida promíscuo, não a condenou, mas ofereceu-lhe saciar sua sede existencial. Você ainda acha que Jesus combine com preconceito?

Ao escolher Seus discípulos, não os censurou por suas ideologias. De fato, entre eles havia publicanos, zelotes e até fariseus, abrangendo todo o espectro ideológico da época. Por que alguns dos Seus seguidores atuais apaixonam-se de tal maneira por certas ideologias, que acabam demonizando os que pensam diferente? Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Ao ressuscitar, Ele quebrou todos os protocolos ao aparecer antes às mulheres e enviá-las como portadoras da boa nova aos demais discípulos. Por incrível que pareça, ainda há quem se diga discípulo d'Ele e que pensa que a mulher não deve ter oportunidade no ministério. Parece que Jesus vivia bem à frente do Seu tempo e por isso, jamais combinou com preconceito.

Paulo, um dos Seus mais proeminentes discípulos, fez eco ao que aprendeu do seu mestre. Tanto que foi capaz de citar poetas seculares em seu discurso, revelando estar desprovido de qualquer espírito discriminatório. Haveria algum erro em citar poetas seculares atuais? Será que isso nos desqualificaria como pregadores? Definitivamente, Jesus não combina com preconceito. 

Jesus só demonstrou intolerância para com os intolerantes, aqueles que se achavam tão santos, que ao subirem ao templo para orar, ousavam declarar não serem tão pecadores como os outros. Estes não foram poupados de Suas duras e severas críticas. Com a mesma severidade com que julgaram, foram julgados. Para estes, Jesus tinha adjetivos muito especiais, tais como hipócritas, “raças de víboras” e “geração adúltera” (equivalente mais polido de um xingamento muito usado em nossos dias). Definitivamente, Jesus não combina com preconceito, muito menos com intolerância. 

Aos xerifes da vida alheia, uma linda canção do "gay aidético" (foi assim que um deles se referiu ao Renato Russo). Vocês envergonham o Evangelho com esta postura preconceituosa extremista. Que Deus tenha misericórdia de suas almas (refiro-me tanto ao que escreve, quanto aos que compactuam com suas ideias). 

Larga de ser severo, amigo! Ou seja severo consigo, porém compassivo com os demais. Imagine se Jesus resolvesse implicar com o cumprimento dos seus cabelos! Lembre-se: somente os misericordiosos alcançarão misericórdia. Os severos alcançarão severidade.