terça-feira, outubro 03, 2006

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Você conhecia alguém naquele avião?
Por Hermes C. Fernandes

Tão logo recebi a notícia da queda do avião da Gol, acessei a internet em busca da lista de passageiros, para verificar se não conhecia alguém dentre as vítimas da tragédia. Confesso que me senti aliviado por não ter encontrado qualquer nome que me fosse familiar.

Depois de um tempo de alívio, lembrei-me da pergunta que certo do doutror da lei fez a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Em outras palavas, ele queria saber com quem ele deveria realmente se importar, ou quem ele deveria amar.

Há vários tipos de proximidade. Alguém pode estar próximo geograficamente, mas completamente distante em termos ideológicos, sociais, até mesmo religiosos. Teríamos a obrigação de nos importar com o que acontece a pessoas que vivem do outro lado do mundo? E quanto àquelas que trabalham conosco, compartilham do mesmo expediente, mas que pertencem a outra realidade social? Teria o chefe que amar os seus empregados, haja vista o abismo social que os separa? Teria a empregada doméstica que amar sua patroa?

Para responder à pergunta capiciosa daquele doutor da lei, Jesus contou uma parábola cuja trama envolvia cinco personagens distintos:

1º - A vítima Alguém que ia de viagem tranquilamente, sem saber o que lhe esperava.

2º - Os assaltantes Pessoas mal intencionadas, que se aproximam da vítima com a única intenção de tirar-lhe tudo o que tinha, inclusive a vida.

3º - O Sacerdote – Alguém de quem se esperava, no mínimo, compaixão, mas que passa pelo morimbundo, fingindo que não o viu, pois de tão ocupado com questões espirituais, não teria tempo pra perder com alguém de carne e osso como ele. Ademais, caso aquele homem morresse enquanto era socorrido, o sacerdote seria considerado impuro para o exercício de seu sagrado ofício. Havendo tanto em jogo, era preferível ignorar o sofrimento de seu semelhante.

4º - O Levita – Alguém pertencente a uma tribo considerada especial dentre as demais que compunham o povo de Israel. De tão especial, não se dispôs a cuidar de alguém comum, pertencente a uma outra classe de pessoas. Por isso mesmo, passou de largo.

5º - O Samaritano – Apesar do susto que seus interlocutores levaram quando Jesus introduziu em sua estória esta figura non grata, todos ficaram surpreendidos ao imaginar a cena de um samaritano, movendo-se de compaixão, tratando as feridas, carregando o morimbundo em sua cavalgadura, perdendo um dia inteiro de viagem para encontrar um lugar para hospedá-lo, e ainda por cima, pagando antecipadamente pelos cuidados a ele dispensados durante a sua ausência. Como alguém pertencente a uma sub-raça detestada pelos judeus, poderia ser capaz de um gesto altruísta como aquele?

Cada um desses personagens aponta para 5 classes diferentes de pessoas com quem freqüentemente esbarramos em nossa caminhada pela estrada da vida.

A vítima abarca a sociedade como um todo. Não há quem jamais tenha sido vítima de algum descaso, de uma tragédia, ou mesmo de um preconceito ou injustiça. O lema deste grupo é "por quê eu?"

Os assaltantes representam aqueles cujo lema é “o que é teu é meu”.

O sacerdote representa o grupo cujo lema é “o que é meu é meu”. Para preservar o que tenho, não posso me expor pra socorrer quem quer que seja.

O levita representa o grupo que diz “o que é teu é teu”. Em outras palavras, cada um que carregue a sua cruz. Não vou me envolver com problemas alheios, pois estou por demais ocupado com as coisas espirituais, pensa o levita, enquanto passa "levitando" por entre os demais mortais.

O Samaritano é aquelo cujo lema é “o que é meu é teu”. Por maior que seja o abismo que o separa dos demais, ele é capaz de transpô-lo, movendo-se por compaixão, e não por preconceito. Mesmo sendo vítima de discriminação, ele não se vê assim. Ele não apenas surpreende por se importar, como também supera todas as expectativas, fazendo muito além do que sua obrigação.
Em tempo de globalização, todos aqueles de quem temos notícia devem ser considerados nossos próximos.

E muitas das tragédias ocorridas ao nosso redor, são permitidas por Deus para que redescubramos o caminho da compaixão e do amor.

3 comentários:

  1. Evânia9:40 PM

    Querido irmão Hermes,
    Graça e Paz!!!!
    Hoje pela manhã, falavamos no grupo de oração, sobre estes acidentes que acontecem. Chegamos a conclusão, que acontecem não por premisão de "DEUS", mas por não haver alguém na brecha para interceder, alguém na posição para interceder. Também por questão de próposito de vidas. Vidas em própositos com "DEUS" não são seifadas assim. Eu mesmo quando criança sofri um acidente de carro com meus pais, caindo de um abismo de quinze metros, em um Domingo a noite.Era para termos morrido todos, no entento ninguém se perdeu a não ser o carro, perda total, direto para o ferro velho. Sabemos depois que naquele mesmo Domingo, exatamente no mesmo horário do acidente a igreja que frequentavamos estava reunida em culto, e no mesmo horário do acidente o Pastor da igreja interrompeu a palavra e pediu para a igreja orar pelo meu pai e sua família!!! Acredito, "DEUS" não quer que vidas se percam, ele quer própositos, ou seria contrário a sua palavra, onde nos dá vida e vida em abundância! No mais a palavra fala que amar ao que nos ama é fácil, melhor é amar aquele que nos odeia.........
    Evânia Corrêa.

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  2. Cara Evânia, as Escrituras dizem que o que acontece ao ímpio, também acontece ao justo. Muitos servos de Deus tiveram suas vidas ceifadas em condições trágicas. Mas nem por isso, podemos duvidar da soberania absoluta de Deus.
    A intercessão, sem dúvida, é muito importante. Eu mesmo já tive um grande livramento, enquanto minha esposa orava por mim, movida pelo Espírito Santo.
    De qualquer maneira, quando nos deparamos com uma catástrofe, devemos nos compadecer das vítimas, sem jamais julgá-las.
    Será que entre as vítmas da Tsunami, ou do Katrina, não havia nenhum servo de Deus?
    Obrigado por seu comentário.

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  3. Eu vou mais além creio que Deus acima de tudo está no controle e mostra ao homem o Grande poder dele. Se imagina se esse avião tivesse caido em uma area povoada ou um grande centro urbano. Deus permanece fiel e creio que ali dentro tinha servo de Deus orando para não acontecer o pior.

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