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domingo, maio 08, 2016

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Deles só quero distância! - Um desabafo



Por Hermes C. Fernandes

 "Para criar inimigos, não precisa declarar guerra... basta dizer o que pensa!" 
Martin Luther King, Jr.

Quando comecei meu ministério há 29 anos, não poderia imaginar que colecionaria desafetos. Como alguém poderia tornar-se meu inimigo se tudo quanto almejava era servir a Deus dedicando-me aos meus semelhantes? 

Porém, aos poucos, eles foram surgindo (ou, se revelando).

Os primeiros que tive eram de fora. Vizinhos que reclamavam do som da igreja (hoje, olhando em retrospectiva, não lhes tiro a razão). Teve um que entrou bêbado durante um culto portando uma arma, vociferando que queria me matar. Eu tinha acabado de subir ao púlpito. Fechei os olhos e, com o coração na boca, comecei a orar. Uma de nossas diaconisas avançou nele, tirou-lhe a arma e o colocou para fora. 

Cresci sabendo que sofreria hostilidade de alguns de fora. Foi assim com meu pai e certamente não seria diferente comigo. Quantas vezes tivemos nossa casa apedrejada enquanto dormíamos! Numa das vezes eu e meus irmãos acordamos com um paralelepípedo próximo da cabeça de um de nós. Outras vezes tivemos o carro apedrejado na rua vizinha à igreja. Até aí, tudo bem...

Mas jamais poderia supor que encontraria 'inimigos' dentro da própria igreja.

Alguns movidos por inveja, outros por discordância doutrinária ou administrativa. Achava que, como cristãos, poderíamos discordar numa ou noutra coisa, porém, mantendo o respeito recíproco. Nada de acusações levianas, suspeitas infundadas, ataques pessoais ou coisa parecida. 

Em vez disso, deparei-me com pessoas que mais pareciam agentes inimigos infiltrados, munidos de todo tipo de arma carnal, cujo propósito era minar nossa credibilidade e destruir o que com tanto sacrifício foi edificado.

Nesses casos, sempre preferi perdoar. Com isso, a hemorragia estancava, porém, a ferida mantinha-se aberta por muito tempo. Qualquer novo ataque abria-a novamente e a fazia sangrar. Para evitar isso, resolvi tomar outra medida além do perdão: distanciar-me. Com isso, impeço que a ferida volte a inflamar. Faço coro com Davi: os que usam de engano, quero-os longe de mim. 

Nunca saí em defesa própria. Não me atreveria a dispensar meu Advogado Fiel. A Ele confio todas as minhas causas. Porém, tenho me tornado cada vez mais criterioso na escolha daqueles que desfrutam de minha amizade. Acabo pagando um alto preço por isso, isolando-me, preferindo a solicitude à companhia. 

Sei que há amigos circunstanciais que a qualquer instante poderão nos abandonar ou mesmo se tornarem desafetos. Quando se ocupa uma posição de liderança que, em tese, nos confere poder de fazer o bem ou o mal a alguém (em outras palavras, promover ou rebaixar), somos cercados de pseudoamigos. Basta que não correspondamos às suas expectativas e logo saem atirando para todo lado, tentando nos alvejar.

Outros ficam à espreita, afoitos por flagrar-nos num único deslize para que justifiquem sua insurreição.

Devo confessar que muitas vezes me precipitei ao ordenar alguém ao ministério. Gente que só queria se locupletar, mas que, tão logo receberam 'autoridade', insurgiram-se e revelaram seu verdadeiro caráter.

Hoje, estou mais criterioso do que nunca. Não basta carisma. Tem que ter caráter. Não basta formação acadêmica. Tem que ser forjado no campo de batalha. 

Cansei de obreiros fraudulentos. Elogios e bajulações não vão comprar minha amizade e confiança. Quem lhe paga o almoço hoje vai querer cobrar favores amanhã. Toda cautela é necessária. 

Já vi casos de pastores que quando souberam que receberiam uma contribuição financeira significativa, trataram de romper imediatamente com a sua denominação a fim de não precisarem prestar contas dela. Os tais pensam que passaram incólume, porém, Deus conhece todas as coisas e faz com que venham à tona na hora certa. 

O que mais me incomoda nisso tudo são os efeitos colaterais. Uma pessoa honrada pode deixar nosso círculo sem qualquer alarde. Mas nem todos são honrados. Alguns querem prejudicar a obra e para tal, não poupam o rebanho. Gente inocente acaba por deixar-se seduzir pelos tais. Calúnias são engendradas. Insinuações são lançadas ao ar. E quem não conhece a verdade compra qualquer versão que lhes é apresentada.

O que me consola é saber que todos terão que prestar contas a Deus. Os fins não justificam os meios. Não vale mentir achando que isso resultará num bem maior. Não vale ser covarde. Mais cedo ou mais tarde, a verdade virá à tona. 

Quanto a mim, entrego-me Àquele que julga retamente e ao meu Advogado.

Nem precisam me pedir perdão. Já os perdoei. Peçam perdão a quem seguiu às suas dissoluções. Arrependam-se antes que venha o Senhor e lhes peça conta, tim-tim por tim-tim. Deus é amor! Mas não é condescendente com os erros de ninguém. 

Sei que sempre teremos inimigos por perto... E devemos estar prontos a convidá-los a tomar assento na mesa que o Senhor houver preparado para nós. Todavia, aqueles que se diziam amigos e se revelaram falsos, prefiro-os distantes. Talvez assim a ferida um dia cicatrize. Enquanto isso, proponho-me a enviar-lhes  'quentinhas' com o que Deus tem me concedido em Sua misericórdia. Aliás, acho que é isso que tenho feito aqui no blog... Alguns que antes sentavam-se à mesa comigo, hoje se alimentam por aqui.


quinta-feira, julho 17, 2014

6

Quando uma dívida se torna dádiva


Por Hermes C. Fernandes

Ontem, finalmente, paguei uma dívida que não fiz. Dívida deixada por alguém em quem confiava cegamente, amando-o como um filho. Pensei seriamente em contestá-la na justiça, mas, depois de muito meditar, resolvi arcar com ela, mesmo não achando-a justa. Afinal, não foi isso que fez meu Senhor? Não pagou caro por uma dívida que não era d'Ele? Sigamos, pois, os Seus passos, confiando-nos Àquele que julga retamente.

Agora entendo melhor o que Jesus quis dizer: 
"Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas." Mateus 5:39-41 
Nunca esta passagem fez tanto sentido para mim.  Dar a outra face, depois que já foi esbofeteado, não é nada fácil. É amargo. Mas depois que a dor passa, vem o sabor adocicado de ter cumprido o mandamento de Jesus. Quando nos batem na face direita, olhamos na direção do passado. Sentimos a dor da ingratidão por tudo que fizemos de bom àquela pessoa. Porém, quando lhe oferecemos a outra face, insistimos em olhar na direção do futuro. 

Só a graça nos habilita a andar a segunda milha estando com os pés já sangrando... E não é só isso. Oferecemos companhia à quem nos obrigou a andar a primeira. 

Como dar a capa a quem já havia nos tomado a túnica? A túnica tomada representa o cumprimento de nossa obrigação como cristãos. Mas a capa é entregue voluntariamente, mesmo que não seja justo. E quem disse que a graça é justa? A graça subverte a noção que temos de justiça. 

Obrigado, Senhor, por nos ajudar a superar nossos flagrantes limites. 

Cheguei à conclusão que, no fundo, não foi uma dívida que me deixaram, mas uma dádiva. Eu deveria agradecer-lhes. Tudo que nos oferece a oportunidade de revelar o amor de Cristo nada mais é do que dádiva. 

Quando me expuseram injusta e publicamente, não retruquei, mas perdoei. Quando dividiram uma de nossas mais queridas igrejas, relevei. Renovei o contrato de aluguel e permiti que os dissidentes ocupassem o imóvel por vários anos. Quando saíram do imóvel, deixaram mais de dez mil reais em dívida. Como o contrato estava em nome de nossa igreja, não me restou alternativa senão acioná-los ou pagar. Preferi o que nos proporcionaria maior paz. Preferi atender à recomendação de Paulo, que diz:
"Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos." 1 Coríntios 6:7-8
É melhor ficar com o prejuízo, mas não trair à consciência. Afinal, "é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente" (1 Pe.2:19).

Ontem, perguntaram-se se eu estava triste. Respondi: Não! Estou é aliviado! Graças a Deus está pago.
"A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros..." Romanos 13:8 

* Postado originalmente em 30/07/2013

sexta-feira, junho 07, 2013

10

Até quando, Senhor?





Senhor,

Permita-me chegar um pouco mais perto de Ti neste dia, pois preciso me desabafar. Sei que não sou digno nem de estar em Tua presença, quanto mais de me aproximar de Ti. Mas venho confiado na Tua Graça. Esta graça inexplicável, que tanta estranheza causa no coração dos homens.

Eu te amo, Senhor,e jamais conseguirei expressar o quanto.

Desisto de procurar palavras para Te impressionar, pois não encontro nenhum à altura da Tua majestade.

Eu era um lixo desprezível. Até hoje não sei o que o Senhor viu em mim. Mas sei que me amou. Como eu não seria grato?

O Senhor me salvou de minha mediocridade crônica. Me concedeu o título que deveria ser o mais cobiçado pelos homens: filho de Deus.

Sabe Senhor, há algo que me revolta e me consome:

Por que pessoas usam Teu nome impunemente? Não sei como o Senhor, com o poder que tem, não acaba logo com o circo que fazem em torno do Teu nome.

Como podem proferir Teu nome sem Te amar?

Quão insensíveis são aqueles que exploram seus irmãos em nome da Fé! Quão desprezíveis e sujos os que expõem Teu nome ao ridículo diante dos homens. Será que não percebem que magoam o Teu coração?

Não estou preocupado com a reputação da igreja! Nem com a opinião pública acerca dos que se dizem Teus seguidores. O que me preocupa é a tristeza que provocamos em Teu coração.

Tu não mereces isso, Senhor! Somos tão ingratos! Tão gananciosos! Tão estúpidos!

Mas o Senhor não tem jeito mesmo... Continua tão misericordioso, que em vez de consumi-los com Tua justa ira, prefere lhes dar tempo para que se arrependam.

Como Te admiro, Senhor!

Será maravilhoso gastar a eternidade conTigo.

Se eles soubessem o quão amável és, jamais Te insultariam! Jamais trocariam o prazer da Tua presença por bem algum desta vida.

Tu és inigualavelmente precioso.

Ah se pelo menos eu os convencesse disso.

Mas se não posso convencê-los, pelo menos vou denunciar sua petulância e irreverência. Não posso tolerar o que fazem com o nome do meu Salvador.

Se não querem Te louvar pelo que Tu és, pelo Teu amor, pela Tua justiça, então, que se calem! Que o mundo veja a sua insensatez.

E que eles, uma vez humilhados e envergonhados, se voltem para Ti e alcancem misericórdia.

Perdoe-me a ousadia, Senhor. Tu não necessitas de um advogado, quanto mais um como eu, tão ambíguo e falho.

Apenas quero com isso demonstrar o quanto Te amo e me importo com o que fazem com o Teu santo nome.

Que meu amor a Ti contagie tantos outros, e que nossas vozes juntas abafem os sons dos lábios dos que profanam Tua santidade.

Te amarei para sempre, oh Deus, Amante da minh’alma...


* Se alguém desejar, faça um comentário em forma de oração. Reparem que não coloquei "amém", para que não caracterizasse o fim da oração. Portanto, ela continua. Se não quiser comentar, tudo bem, mas junte-se a nós assim mesmo, e ore para que aqueles que têm profanado o nome do Senhor, sejam conscientizados disso, se arrependam, e se voltem para Ele.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

20

Por que os enganadores prosperam?



Por Hermes C. Fernandes


Chega! Resolvi botar a boca no trombone! Chega de tentar tapar o sol com a peneira. A verdade tem que ser dita, doa a quem doer.

Por que os falsos prosperam? Por que os mentirosos se gabam de suas conquistas? Onde está Deus que não faz cair um raio na cabeça desses miseráveis?

Haveria algum propósito nisso? E quanto às milhares de vítimas desses charlatões?

Que unção seria esta que atrai tanta gente? Por que Deus os permite crescer tanto? Por que temos que suportá-los enquanto se esnobam em suas aquisições?

Convido-os à uma breve incursão nas Escrituras em busca de respostas para tais questões.

Paulo diz que havia tempo em que as pessoas não suportariam a sã doutrina, mas "tendo coceira nos ouvidos", se cercariam de mestres "segundo as suas cobiças" (2 Tm.4:3).

Eis o pulo do gato desses obreiros da iniquidade! Eles dizem o que o povão quer ouvir. Por isso atraem tanta gente.

O que as pessoas querem ouvir hoje em dia? Garanto que não estão interessadas em assuntos como arrependimento, santificação, renúncia, cruz, dar a outra face, caminhar a segunda milha. Não! Elas querem é restituição, arrepio, emocionalismo barato, conquista, prosperidade.

Quem quer que diga o que elas almejam ouvir, certamente obterá sucesso em seu ministério.

E mais: querem sair dos cultos com seu ego massageado. Buscam pastores que os acaricie com bajulações, amor hipócrita, elogios.

Ninguém quer compromisso com a verdade, mas com o último modismo. Quer encher a igreja em tempo record? Fácil! Ou entra numa de fazer essas campanhas loucas, sem pé nem cabeça, ou dana a convidar cantores e bandas gospel famosos, empurrando um monte de CD para que os irmãos ajudem a pagar os altos cachês que eles cobram. E assim a famigerada indústria gospel vai sendo alimentada. Louvor e adoração são confundidos com oba-oba. E adivinha quem paga a conta?

Definitivamente, não querem a Verdade! Preferem ser enganadas (desde que seu ego saia intacto!).

Então, Deus lhes dá o que pedem! Isso mesmo que você leu.

Paulo denuncia o ministério da iniquidade, e diz que sua operação e êxito são "segundo a eficácia de Satanás". Alguém ainda duvida que Satanás seja eficaz? Tal eficácia se revela "com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem". Agora, redobre sua atenção: "Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts. 2:9-12).

À luz deste texto, podemos dizer que as inúmeras pessoas enganadas por tais ministérios não são apenas vítimas, mas sobretudo, cúmplices. E os falsos mestres nada mais são do que juízo de Deus sobre eles.

Acham que podem barganhar com Deus... então, tomem sacrifício, fogueira santa, encontro tremendo, monte Sinai, amuletos, e por aí vai...

Alguns são até certinhos em se tratando de doutrina, mas suas motivações são excusas, nojentas, interesseiras. Judas os denuncia, dizendo: "Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências, cuja boca diz coisas muito arrogantes, bajulando as pessoas por motivos interesseiros" (Jd.16).

Estes se queixam de seus líderes, passando a idéia de que estão sendo perseguidos e injustiçados na denominação, para ganhar o coração dos incautos, fazendo-os sentir pena deles, e ódio de seus líderes. Esta estratégia visa preparar o caminho para uma eventual divisão. Queixam-se de uns, enquanto bajulam a outros.

São inescrupulosos! Fazem negócio em cima do rebanho que lhes fora confiado. Miseráveis! Deus os destruirá!

Confesso que eu preferia que eles se vissem pregando só para os bancos. Mas a Bíblia é clara: "E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade. Por ganância farão de vós negócio, com palavras fingidas. Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme" (2 Pe.2:2-3).

Quantos estragos estes lobos cruéis têm feito em famílias inteiras! Querem se meter até onde não são chamados. Estes são "os que se introduzem pelas casas" (2 Tm.3:6). Casamentos têm sido destruídos por causa de seus ensinos. Filhos preferem obedecer e honrar a eles do que a seus pais.

Apelo aos apologetas de plantão que não dêem trégua a esta raça maldita. Atentem para a admoestação de Paulo: "É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (Tt.1:11).

Tudo quanto fazem envolve dinheiro. Querem mais, mais e mais. Seu deus é o ventre! Não se contentam com o que têm, e acham que o sucesso ministerial se mede pela ostentação.

Ufa! Eu tinha que dizer tudo isso. Estava entalado.

O que me consola é saber que o tempo do juízo de Deus sobre eles se avizinha.

Paulo nos garante: "Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesta a sua insensatez" (2 Tm.3:9). E mais: Os enganadores "irão de mal a pior, enganando e sendo enganados"(v.13).

Até os sinais que acontecem em seus ministérios são juízo de Deus, para que sejam mantidos em seu engano. Tudo quanto estão plantando, hão de colher. Toda dor que provocaram, hão de sentir na própria pele.

E sabe por quê?

"De Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl.6:7).

quarta-feira, dezembro 02, 2009

3

A Fé dos Derrotados



Em choque. Choro contido... peito doendo... semi-depressivo.

Quantas vezes preguei sobre isso, li sobre o tema... mas... sabem aquela história de que imagens falam mais que palavras? Pois é...

De que trata o vídeo? Da fé mais vitoriosa que existe: A fé que vence a prova e conduz à glorificação. Da fé bíblica, que não é apenas possibilidade de ter, mas também a capacidade de não ter. A fé que tudo possui, mesmo sem nada possuir.

Depois de tudo, fica a pergunta: Como os profetas da prosperidade de hoje classificariam esses cristãos primitivos?

Fonte: Púlpito Cristão (Títiulo original: Heróis da Fé ou derrotados?)

Comentário de Hermes Fernandes:

Meu caro Leonardo Gonçalves, compactuo da mesma indignação. Será que a atual geração de crentes mimados pela Teologia da Prosperidade está honrando o sangue desses mártires? É revoltante assistir aos mentores desta teologia se dizendo vítimas de perseguições por amor a Cristo. Será que eles não têm temor de Deus? Como se pode ser tão presunçoso a ponto de comparar o que esses mártires sofreram com uma prisão por entrar com dinheiro não declarado nos Estados Unidos? Isso chega a ser um ultraje, uma blasfêmia.

Gostaria de todos que se dizem cristãos neste país assistissem a estas cenas e respondessem a si mesmos: Será que estamos servindo e amando a Deus com a mesma intensidade? Será que este evangelho que nos foi apresentado contém pelo menos 1% da mensagem original, capaz de levar pessoas a abriram mão de suas próprias vidas? Acho que já sabemos a resposta. Um Evangelho de auto-estima, de amor próprio, de triunfalismo barato, não suportaria tudo isso. Sinceramente: entre os crentes primitivos e os atuais, quem são os verdadeiros vencedores? Quem, de fato, venceu o mundo?

Que Deus tenha misericórdia de nossa petulância. Estou aqui perturbado, envergonhado, e desejoso de conhecer mais este Deus. O Deus dos derrotados (aos olhos dos homens, porém mais que vencedores aos olhos do Pai).

Difícil assistir e não chorar... Miserável homem que sou... jamais sofri coisa alguma pelo Teu Nome, Senhor!

quarta-feira, novembro 18, 2009

11

Por que os enganadores prosperam?


Chega! Resolvi botar a boca no trombone! Chega de tentar tapar o sol com a peneira. A verdade tem que ser dita, doa a quem doer.

Por que os falsos prosperam? Por que os mentirosos se gabam de suas conquistas? Onde está Deus que não faz cair um raio na cabeça desses miseráveis?

Haveria algum propósito nisso? E quanto às milhares de vítimas desses charlatões?

Que unção seria esta que atrai tanta gente? Por que Deus os permite crescer tanto? Por que temos que suportá-los enquanto se esnobam em suas aquisições?

Convido-os à uma breve incursão nas Escrituras em busca de respostas para tais questões.

Paulo diz que havia tempo em que as pessoas não suportariam a sã doutrina, mas "tendo coceira nos ouvidos", se cercariam de mestres "segundo as suas cobiças" (2 Tm.4:3).

Eis o pulo do gato desses obreiros da iniquidade! Eles dizem o que o povão quer ouvir. Por isso atraem tanta gente.

O que as pessoas querem ouvir hoje em dia? Garanto que não estão interessadas em assuntos como arrependimento, santificação, renúncia, cruz, dar a outra face, caminhar a segunda milha. Não! Elas querem é restituição, arrepio, emocionalismo barato, conquista, prosperidade.

Quem quer que diga o que elas almejam ouvir, certamente obterá sucesso em seu ministério.

E mais: querem sair dos cultos com seu ego massageado. Buscam pastores que os acaricie com bajulações, amor hipócrita, elogios.

Ninguém quer compromisso com a verdade, mas com o último modismo. Quer encher a igreja em tempo record? Fácil! Ou entra numa de fazer essas campanhas loucas, sem pé nem cabeça, ou dana a convidar cantores e bandas gospel famosos, empurrando um monte de CD para que os irmãos ajudem a pagar os altos cachês que eles cobram. E assim a famigerada indústria gospel vai sendo alimentada. Louvor e adoração são confundidos com oba-oba. E adivinha quem paga a conta?

Definitivamente, não querem a Verdade! Preferem ser enganadas (desde que seu ego saia intacto!).

Então, Deus lhes dá o que pedem! Isso mesmo que você leu.

Paulo denuncia o ministério da iniquidade, e diz que sua operação e êxito são "segundo a eficácia de Satanás". Alguém ainda duvida que Satanás seja eficaz? Tal eficácia se revela "com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem". Agora, redobre sua atenção: "Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts. 2:9-12).

À luz deste texto, podemos dizer que as inúmeras pessoas enganadas por tais ministérios não são apenas vítimas, mas sobretudo, cúmplices. E os falsos mestres nada mais são do que juízo de Deus sobre eles.

Acham que podem barganhar com Deus... então, tomem sacrifício, fogueira santa, encontro tremendo, monte Sinai, amuletos, e por aí vai...

Alguns são até certinhos em se tratando de doutrina, mas suas motivações são excusas, nojentas, interesseiras. Judas os denuncia, dizendo: "Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências, cuja boca diz coisas muito arrogantes, bajulando as pessoas por motivos interesseiros" (Jd.16).

Estes se queixam de seus líderes, passando a idéia de que estão sendo perseguidos e injustiçados na denominação, para ganhar o coração dos incautos, fazendo-os sentir pena deles, e ódio de seus líderes. Esta estratégia visa preparar o caminho para uma eventual divisão. Queixam-se de uns, enquanto bajulam a outros.

São inescrupulosos! Fazem negócio em cima do rebanho que lhes fora confiado. Miseráveis! Deus os destruirá!

Confesso que eu preferia que eles se vissem pregando só para os bancos. Mas a Bíblia é clara: "E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade. Por ganância farão de vós negócio, com palavras fingidas. Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme" (2 Pe.2:2-3).

Quantos estragos estes lobos cruéis têm feito em famílias inteiras! Querem se meter até onde não são chamados. Estes são "os que se introduzem pelas casas" (2 Tm.3:6). Casamentos têm sido destruídos por causa de seus ensinos. Filhos preferem obedecer e honrar a eles do que a seus pais.

Apelo aos apologetas de plantão que não dêem trégua a esta raça maldita. Atentem para a admoestação de Paulo: "É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (Tt.1:11).

Tudo quanto fazem envolve dinheiro. Querem mais, mais e mais. Seu deus é o ventre! Não se contentam com o que têm, e acham que o sucesso ministerial se mede pela ostentação.

Ufa! Eu tinha que dizer tudo isso. Estava entalado.

O que me consola é saber que o tempo do juízo de Deus sobre eles se avizinha.

Paulo nos garante: "Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesta a sua insensatez" (2 Tm.3:9). E mais: Os enganadores "irão de mal a pior, enganando e sendo enganados"(v.13).

Até os sinais que acontecem em seus ministérios são juízo de Deus, para que sejam mantidos em seu engano. Tudo quanto estão plantando, hão de colher. Toda dor que provocaram, hão de sentir na própria pele.

E sabe por quê?

"De Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl.6:7).


segunda-feira, novembro 10, 2008

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Os riscos de se pregar o amor

Lembro de quantas vezes ouvi meu pai falar de amor. Essa era, sem dúvida, uma das tônicas de seu ministério, o que lhe rendeu o apelido de “apóstolo do amor”. Não foi ele quem se intitulou assim. Aliás, ele nunca ligou muito pra título. Por isso, só pouco antes de morrer, na semana em que partiu, ele aceitou ser sagrado bispo. Mas ainda hoje há quem se refira a ele como “apóstolo do amor”.

Mas ele sabia dos riscos que havia de se pregar o amor. Algumas pessoas mal intencionadas se aproveitavam para extrair dele algum benefício, e quando ele não podia atender à um pedido, logo o chamavam de incoerente, de não viver o que pregava, etc. A bem da verdade, algumas vezes ele caiu em verdadeiras armadilhas. Ele preferia acreditar nas pessoas, até que se provasse o contrário.

Muitos dos seus gestos de amor eram feitos à surdina. Eu mesmo já testemunhei ocasiões em que ele ajudou alguém, e pediu que não divulgasse. Ele buscava seguir à risca à orientação dada por Jesus: o que fizer a mão direita, não o saiba a esquerda.

Quando decidi fazer da mensagem do amor uma das principais ênfases do meu ministério, eu estava plenamente ciente do que isso me acarretaria. Eu seria julgado com mais severidade. Seria acusado de incoerência, quando tivesse que disciplinar alguém na igreja. Teria minha vida constantemente perscrutada por aqueles que me almejassem “desmascarar”. Mas resolvi correr o risco.

Confesso que às vezes o preço parece mais caro do que eu supunha ser. Mas, por outro lado, é gratificante. O resultado positivo não pode ser ofuscado por nenhuma contestação ou acusação.
Que me acusem do que quiserem. Não me importo. Mas jamais se atrevam a atacar a mensagem, pois ela não é minha, é de Deus.

Não vou deixar de pregar o amor, ainda que, quanto mais amar, eu seja menos amado. Não busco ser correspondido. O amor de Deus por mim supre minha carência por completo. O fato de Ele me amar é suficiente para que eu ame tanto a meus amigos, quanto a meus desafetos.

Continuarei pedindo discrição daqueles a quem eu tiver oportunidade de ajudar. Minha recompensa vem do Senhor.

Não vou perder tempo emprestando meus lábios às acusações, sejam elas infundadas ou não. Como também não quero perder tempo me explicando, me justificando, pois tenho quem me defenda e me justifique. Com a palavra... meu advogado... Jesus!

Trata-se de um caminho sem volta. Seja qual for o preço a ser pago, não se pode retroceder.
Que o mesmo Espírito que derramou profusamente o amor de Deus em nossos corações, nos dê condição de arcar com os eventuais custos disso.

Pregar o amor é colocar-se no banco de réus. Viver o amor é dar às pessoas amadas o poder de nos decepcionar. Mas é o mesmo amor que nos agracia com o dom de perdoar.