segunda-feira, dezembro 31, 2007

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segunda-feira, dezembro 24, 2007

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Maria, Isabel e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5). Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte. Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

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sexta-feira, dezembro 21, 2007

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Maria, tu sabias?


Maria tu sabias que o teu bebê sobre as águas andaria?
Maria tu sabias que o teu bebê Nossos filhos salvaria?



Tu sabias que Ele inspiraria
Tantos livros e canções?
A criança a quem tu deste a luz
Será luz para as nações


Maria tu sabias que com Seu poder
O cego enxergaria?
Maria tu sabias que o teu bebê
Tempestade acalmaria?
Não sabias que o teu bebê
Aos anjos é superior?
Ao beijar seu rosto meigo
beijas a face do Criador!



Ah se tu soubesses!


O cego vê, o surdo ouve,
O morto viverá.
O coxo anda, o que era mudo
A Ele louvará!


Maria tu sabias que o teu bebê
É Senhor da criacão?
Maria tu sabias que o teu bebê trará restauração?



Não sabias que Ele é o Cordeiro
Que por nós Se entregou?
Essa Criança que dorme em teu colo
É o grande EU SOU!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

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Natal, celebrar ou não?

Tenho lido muitos artigos publicados na internet que são contrários à celebração natalina.

Argumenta-se que o Natal seria uma festa pagã, travestida de celebração cristã. O dia 25 de dezembro era o dia do nascimento do deus Sol, Mitra. Com a adesão do imperador romano ao cristianismo, a data foi cristianizada, tornando-se a data oficial de comemoração do natal de Jesus.

Para alguns, tudo isso não passa de paganismo.

Algumas igrejas sequer comemoram a data. Preferem celebrar as festas judaicas, em um claro retorno às raízes hebréias, e à prática da Lei Mosaica.

Árvore de Natal tornou-se símbolo de idolatria; há quem diga até que sua silhueta lembra a imagem da Senhora Aparecida!

Ok! Antes de aderir a esse modismo, que tal ponderar um pouco?

Tirando Jesus do Natal, o que sobra?

Não estaria isso à serviço do funesto império das trevas?

Como se não bastasse a figura do Papai Noel a usurpar o centro das atenções, os cristãos resolveram dessacralizar a data.

Natal deixa de ser o nascimento de Jesus, e passa a ser... mais uma festa pagã.

O deus Sol agradece. Estamos devolvendo a ele, o que lhe foi tomado.

Há projetos de lei nos Estados Unidos querendo acabar com o feriado de Natal, por acreditar que sua celebração fira a liberdade de culto, menosprezando outras tradições religiosas.

Muitos cristãos têm se manifestado lá em favor da manutenção do feriado natalino. Mas aqui, são os próprios cristãos que resolveram tomar a contra-mão, e se manifestarem contrários ao Natal.
Em vez de cantatas, silêncio.

Em vez de peças teatrais falando do nascimento do Salvador, vazio.

Nada de presentes, nem Ceia Natalina, nem árvores...

Há, porém, uma contradição aqui. Os mesmos crentes que se recusam a celebrar o Natal, insistem em celebrar a passagem do Ano Novo.

Ora, se formos coerentes em nosso raciocínio, devemos adotar o calendário judeu, e deixar pra comemorar o novo ano mais tarde. Devemos adotar o ano lunar, em vez do solar. Nosso calendário solar honra o deus Sol! E o que dizer dos meses do ano? Deveríamos riscar de nossas folhinhas os meses de Julho e Agosto, pois os mesmos foram criados para honrar imperadores romanos que se diziam deuses, Júlio e Augusto.

E o que dizer dos dias da semana que honram o panteão romano? Pelo menos em inglês e em espanhol. Parece que nosso idioma saiu ileso dessa.

Os mesmos crentes que se negam a celebrar o Natal, por achar que é fruto do sincretismo entre o cristianismo e o paganismo, vão para as praias festejar a entrada do Ano Novo, e montam tendas ao “Pai das Luzes”, para tentar evangelizar os espíritas que vão fazer suas oferendas aos Orixás.

Ora, se Paulo pôde enxergar em um espaço cúltico (altar) oferecido a uma divindade desconhecida, um lugar de adoração ao Deus cristão, por que não poderíamos enxergar em uma data pagã uma oportunidade de adorarmos a Deus, dando-Lhe graças por nos haver enviado Seu Filho Jesus?

Feliz Natal e um Surpreendente Ano Novo!


Em tempo: a árvore de natal foi inventada pelo grande reformador protestante Martinho Lutero. Ele escolheu o prinheiro por ser a única árvore capaz de resistir ao intenso frio do inverno Alemão, sem perder suas folhas. As bolas com que enfeitou a primeira árvore natalina representava, segundo ele, os frutos do Espírito na vida cristã.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

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E Oscar vai para...

Hoje, por volta de 1:15h da manhã, dobrei meus joelhos para orar. Por que deixar pra orar tão tarde? Primeiro, eu queria aproveitar a quietude da madrugada, e segundo, porque foi nesse horário que há 38 anos eu vim ao mundo. Depois de ser embalado por nove meses no ventre acolhedor de minha mãe, nasci em casa, aparado pelas mãos de uma parteira de plantão.

Confesso que não tive muitos pedidos a fazer. Mas encontrei inúmeras razões pra agradecer.

Quero aproveitar este espaço para expressar minha gratidão a Deus.

Agradeço a Deus por haver nascido nessa época. Confesso que algumas vezes imaginei o quão maravilhoso seria ter nascido em outras épocas. Mas pensando bem, eu não trocaria esta época por nenhuma outra na História. Agradeço a Deus por ter nascido no ano em que o homem colocou seus pés na Lua pela primeira vez. Por ter assistido a redemocratização do Brasil. Por ter testemunhado a queda do regime comunista no Leste Europeu, e a perestoika na antiga União Soviética. Por ter visto o fim do regime Apartheid na África do Sul, e Nelson Mandela se elegendo primeiro presidente negro daquele país. Agradeço por ter sido contemporâneo de pessoas como Billy Graham, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II, Bono Vox, Luís Inácio Lula da Silva. Agradeço por ter visto um operário chegar à presidência do meu país, desbancando as oligarquias.

Agradeço a Deus por ter presenciado o início de revolução da informação, com o surgimento da internet, da telefonia celular, da TV Digital. Por ter assistido a decodificação do genoma humano, e o progresso científico sem precedentes na história, principalmente no campo da genética.

Agradeço a Deus por ter nascido em São Gonçalo, uma cidade da baixada fluminense. Por ser brasileiro, e ter presenciado meu país sair da obscuridade e projetar-se no mundo como uma nação emergente com futuro promissor. Louvo a Deus por ver o Brasil na vanguarda em se tratando de combustíveis alternativos, e por vê-lo destacar-se dentre os países do terceiro mundo. É claro que nem tudo são flores. Mas prefiro trazer à memória aquilo que me traz esperança. Deixemos os pedidos pra outra ocasião.

Agradeço porque desde meu nascimento, o Brasil já conquistou três Copas do mundo. Será que sou pé quente?

Agradeço a Deus pela minha família. Refiro-me à família que me recebeu no mundo, e à família que tive a oportunidade de construir ao lado de minha esposa. Que bom ter nascido em uma família edificada ao redor do Trono de Deus. Louvo a Deus pelo pai exemplar que me deu, e pela mãe dedicada que me educou. Louvo a Deus por ter conhecido Tânia ainda na minha adolescência, e ter convivido ao seu lado por 23 anos, entre namoro, noivado e casamento.

Agradeço pela filha especial que Deus nos deu, e que tanto nos tem ensinado acerca da vida, de suas limitações, e suas potencialidades. Consideramos Rayane um bilhete premiado. Ela nos faz sentir uma família especial. Agradeço a Deus por Rhuan e Revelyn, que tanto orgulho nos tem dado, pelo seu desempenho escolar, pela dedicação às coisas de Deus, e pelo carinho que deles recebemos.

Agradeço a Deus pelos amigos que passaram em minha vida. Alguns continuaram, outros se foram. Mas todos deixaram sua contribuição para que eu fosse exatamente quem eu sou.

Nunca sabemos quando eles se vão, e por isso, devemos valorizá-los ao máximo, fazendo-os ver o quão importantes são em nossas vidas. Se a vida é como um filme, não vamos deixar pra dar os créditos no final. Prefiro das os créditos à medida que os atores entram em cena. Jamais esquecerei de agradecer ao Pai pelo elenco que Ele escalou para atuar no palco da minha existência.

A todos que lerem este post, obrigado por existirem e abrilhantarem o espetáculo da vida.

E o meu Oscar vai para...


O Autor e Consumador da minha fé: JESUS CRISTO, REI DOS REIS, IMPERADOR DO UNIVERSO.

terça-feira, dezembro 04, 2007

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Ruptura ou Transição?

A maioria dos cristãos crê que haverá um tempo de justiça e paz no mundo. Uns crêem que isso se dará através da cristianização do mundo, pela agência da igreja. Mas a maioria prefere acreditar que isso se dará subitamente, quando Cristo vier em glória e aqui estabelecer o Seu reino.

Para nutrirmos uma esperança bem fundamentada, precisamos recorrer às Escrituras, em busca do modus operandi de Deus.

Como Deus tem trabalhado ao longo da História?

A questão que surge é: Deus prefere trabalhar com rupturas ou transições?

Se Ele trabalha com rupturas, é justo esperar que a qualquer momento a História sofrerá uma intervenção radical por parte de Deus, seja através de um vultuoso avivamento repentino, ou através da volta iminente de Cristo para o estabelecimento do Seu reino de paz e justiça.

Mas se for comprovado que o método usado por Deus é caracterizado por transições em vez de rupturas, é plausível esperar que Ele trabalhe de maneira gradativa na expansão do Seu reino entre os homens.

Será que encontramos na natureza algum indício de como Deus trabalha?

Em Gênesis 8:22 lemos: “Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite”.

Verão e inverno são dois extremos dentre as estações. Foram as duas primeiras estações a serem nomeadas pelos humanos. O verão é caracterizado pelo calor, enquanto o inverno, pelo frio. Com o passar do tempo, os homens observaram que entre um extremo e outro, havia uma período de transição. O calor do verão não cede ao frio do inverno de um dia para o outro. Antes que o inverno chegue, o verão tem que ceder lugar ao outono. E antes que o verão volte, o inverno cede sua vez à primavera.

Hoje entendemos que o ano é dividido em quatro estações, e não apenas duas.

Da mesma maneira, o dia é dividido em duas partes de doze horas cada: o dia e a noite. O dia não vira noite de um minuto para o outro. Não se acende o sol como quem aperta um interruptor. Para que a noite vire dia, há um período extenso de transição que chamamos de “madrugada”. E para que o dia se torne noite, há um período chamado de “tarde”, ou “entardecer”. Da madrugada para a manhã há um breve momento chamado de “aurora”, ou “alvorada”. Da tarde para a noite há um breve momento chamado de “crepúsculo” (pôr-do-sol). Nada acontece abruptamente. Tudo obedece a uma ordem, a uma seqüência.

Podemos observar algo parecido no desenvolvimento da vida humana. Entre a infância e a vida adulta, há um período intermediário chamado “adolescência”. Neste período o indivíduo se adapta às novas dimensões do seu corpo, bem como às novas responsabilidades sociais da fase adulta. Ora se comporta como criança, ora como adulto. Alguns chamam esta fase de “aborrecência”, devido aos aborrecimentos sofridos pelos pais. Mas até isso é uma maneira de preparar os pais para “perder” seus filhos, atenuando o sofrimento por sua partida.
Da fase adulta à velhice, há um período intermediário que chamamos de “meia-idade”. Aos poucos, nossas forças diminuem, e nos habituamos às limitações da terceira-idade.
Já a velhice nos prepara para o grande salto, o momento da morte. O fato de sermos relegados a um segundo plano, nos dá a consciência de que a vida segue sem nós, de que não somos indispensáveis. O maior sofrimento que a morte trás se deve ao fato de não admitirmos que somos dispensáveis. Rubens Alves disse certa vez, quando perguntado se tinha medo da morte: “Não tenho medo da morte, tenho pena”. A gente tem dificuldade de aceitar que o mundo continua em sua trajetória, mesmo em nossa ausência. Não somos indispensáveis. E a velhice é o período que nos dá essa lição.

Imagine se dormíssemos crianças, e acordássemos adultos? E se no outro dia, amanhecêssemos idosos?

O filme “De repente trinta” fala sobre uma adolescente que acorda com trinta anos. Sem ter tido tempo pra se adaptar, ela passa pelas situações mais inusitadas e cômicas.

Cada fase do desenvolvimento humano traz seus próprios desafios, e nos prepara para a próxima.

O próprio Cristo teve de passar por cada fase. Ele poderia ter descido do céu já adulto. Mas em vez disso, experimentou ser um espermatozóide, depois um feto, um embrião, um bebê, uma criança, um adolescente, até chegar à maturidade, quando teve Sua trajetória interrompida pela morte, e por isso, não teve oportunidade de envelhecer.

Por que Ele não apareceu já adulto, oferecendo-Se para morrer por nossos pecados? Pra quê ter que passar por tudo aquilo? Ter que aprender a engatinhar, a falar, a andar?

Tudo isso indica que Deus usualmente trabalha através de transições, e não de rupturas.
Vejamos, agora, através da História, a maneira preferível de Deus trabalhar.

Na criação, por exemplo, Ele poderia ter feito todas as coisas instantaneamente. Bastava um estalar de dedos, e tudo surgiria do nada. Ninguém duvida que teria poder para isso. Entretanto, preferiu seguir uma seqüência. Tenha sido de 6 dias literais, como crêem alguns, ou em bilhões de anos, como advogam os cientistas, o fato é que Deus criou todas as coisas gradativamente, sem pressa.

Ao tirar o povo Hebreu do Egito, Deus poderia tê-los arrebatados até a Terra Prometida. Isso não constituiria qualquer dificuldade para Deus. Se Ele foi capaz de arrebatar Filipe, levando-o de um lugar ao outro em segundos, por que não poderia arrebatar todos os hebreus de uma só vez, poupando tanto trabalho? Mas em vez disso, permitiu que eles peregrinassem por 40 anos no deserto, até que estivessem prontos para herdar a Terra da Promessa. Já foi dito que o mais difícil não foi tirá-los do Egito, mas tirar o Egito do coração deles.

O deserto representa o período de transição entre o cativeiro e a promessa.

Quando chegaram à Terra que manava leite e mel, Deus poderia ter instituído um reino imediatamente. Mas antes que Israel estivesse pronto para ser governado por um monarca escolhido por Deus, teve que viver debaixo da autoridade dos juízes por muitos anos. Homens como Gideão, Sansão, Samuel, e até uma mulher, Débora, ajudaram a preparar o povo israelita para viver sob a autoridade de um rei ungido por Deus.

Quando Jesus inaugurou a era da Graça, Ele sabia que a igreja necessitaria de um período de adaptação. O livro de Atos narra essa fase de transição. Por isso, não pode tomar o livro de Atos como normativo para igreja nos dias de hoje. A igreja primitiva não nos serve de modelo. Nela, encontramos situações atípicas, como a que Paulo tomou a Timóteo, que era filho de pai grego, e o circuncidou “por causa dos judeus” (At.16:3). Mais tarde, o próprio Paulo advertiu: “Escutai! Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará” (Gl.5:2).

Atos nos apresenta uma igreja adolescente, que ainda não se acostumara à realidade da Graça, e por isso, insistia em manter alguns resquícios da Lei.

O livro de Atos equivale, no Novo Testamento, ao livro de Êxodos no Antigo Testamento. Ele narra a peregrinação do Novo Israel, da escravidão da Lei, para a liberdade da Graça.

Por isso, nenhuma doutrina pode se fundamentar unicamente no livro de Atos dos Apóstolos.
Entre a remoção da Antiga Aliança, e a implementação da Nova, houve um período de transição. Foram necessários cerca de 40 anos, o equivalente a uma geração, para que a igreja tivesse o seu cordão umbilical cortado, rompendo de vez com o judaísmo. Isso se deu quando Jerusalém foi sitiada pelos romanos, e seu templo destruído, conforme previsto por Jesus.

A antiga Jerusalém teve que dar lugar à nova Jerusalém, a igreja de Cristo.

E quanto ao Reino de Deus? De que maneira ele se estabelecerá no mundo? Será por uma intervenção abrupta, ou gradativamente?

Deixemos que o próprio Jesus nos diga:

“A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e plantou na sua horta. Cresceu e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu. Perguntou mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou” (Lc.13:18-21).

Ambas as parábolas indicam claramente que a implantação do Reino de Deus é gradual, e não abrupta.

É comum vermos crentes sinceros esperando por uma manifestação espetacular do Reino de Deus no mundo. Mas o modus operandi de Deus é outro. Ele prefere a discrição, em vez do espetáculo. Jesus deixa isso bem claro ao declarar que “o reino de Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc.17:20-21).

Se Ele quisesse, poderia simplesmente aparecer para todos os homens, em um glorioso espetáculo, e dizer: Eu sou Deus! Tratem de obedecer aos meus mandamentos! Mas, pelo que tudo indica, não é isso que Ele pretende fazer.

A semente de mostarda já foi plantada. O Filho de Deus já estabeleceu Seu Reino entre os homens em Seu primeiro advento. E o fermento já começa a levedar!

Estamos vivendo em um período de transição.

Em breve, aquela pequena semente terá se espalhado em toda a Terra, e justiça do Reino brotará.

Não é à toa que Jesus Se apresenta como a “Estrela da Manhã”, aquela que anuncia que o dia já está amanhecendo.

O caminho proposto por Deus à igreja é a vereda dos justos, que “é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4:18). Estamos a caminho do dia perfeito, quando o Sol da Justiça brilhará em todo o Seu resplendor.

João dá testemunho de que “as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8).

Paulo também parece concordar com a afirmação joanina, ao declarar: “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Rm.13:12).

Podemos dizer que estamos vivenciando a aurora do Novo Dia. Já podemos contemplar o dégradé, resultado dos primeiros raios solares que despontam no horizonte celeste.
Cabem aqui as palavras proféticas proferidas por Isaías: “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti” (Is.60:1-2).

Repare no uso do gerúndio, demonstrando claramente que se trata de uma transição, e não de algo abrupto: “A glória do Senhor vai nascendo sobre ti (...) Sobre ti o Senhor vem surgindo”.
Portanto, é hora de levantar, de despertar de nosso sono letárgico, e assumirmos uma postura de vanguarda neste mundo. Esta é a ordem do dia para igreja de Cristo espalhada no mundo: “Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef.5:14). Em vez de ficarmos aguardando uma manifestação repentina do Reino de Deus, arregacemos as mangas e trabalhemos por sua expansão.

Já, já, poderemos fazer coro com Salomão: “Vê! Já passou o inverno; as chuvas cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma” (Ct.2:11-13a).