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terça-feira, fevereiro 10, 2015

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SELFIE - Um poema


Quero que todos me vejam
da maneira que me vejo
Ao me virem, me cortejam
Muitos likes, eu desejo

Nem que para isso exiba
um sorriso, um gracejo
Não há nada que me iniba
Aproveito cada ensejo

Sempre busco o melhor ângulo
Pra esconder qualquer defeito
No espaço de um retângulo
Este mundo fica estreito

Se puder evito closes
que reforcem os meus traços
Me distraio entre poses,
beijos, bicos e abraços.

De que adianta
tanto apreço pela imagem?
Se aquilo que preciso
Só se encontra além da margem

O que me encanta
Independe da roupagem
Quer saber, não sou Narciso
Meu reflexo é miragem

Quem me ama, me percebe
Sem moldura ou efeito
De que serve usar filtro
Se nem mesmo me aceito?

Quem me ama, me enxerga
De um ângulo distinto
Ao meu ego não se enverga
Só se importa com o que sinto

Qualquer coisa mostra a lente,
Qualquer coisa que se ostente
Só não mostra a verdade
que é aquilo que se sente.


Composto por Hermes C. Fernandes em 10/02/2015

sexta-feira, dezembro 26, 2014

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As Boas Novas do Natal declamadas em Cordel



Este poema em forma de cordel relata a hipotética conversa entre os quatro evangelistas e o apóstolo dos gentios, terminando com o convite de Maria a que adoremos ao fruto do seu ventre.


Um dia como outro qualquer - Por Hermes Fernandes


Marcos

Um dia como outro qualquer
Sua voz ecoou pelas praias da Galileia
Não se ouvia um ruído sequer
Começava ali sua incrível odisseia

Arrependei-vos pois chegado é
o tão esperado reino dos céus
Não mais por força, mas pela fé
Que das faces caiam os véus

Mateus

Mas esta história não começa aí
Antes desta cena tantas coisas vi
E o que não vi, alguém relatou
Por isso escrevi e aqui estou

Um jovem profeta o antecedeu
abrindo o caminho para o Galileu
Seu nome João de apelido Batista
Por onde passou deixou sua pista
Em pleno deserto atraiu multidões
De longe e de perto, tocou corações

Pregou conversão dos pais aos filhos
E do coração dos filhos aos pais
Reuniu após si tantos andarilhos
Gente humilde que anelava por mais

Até Jesus foi por ele batizado
No rio Jordão, ao cumprir-se o prazo
Diante de todos por Deus aclamado:
Este é meu filho, meu filho amado
A Ele ouvi, n’Ele me comprazo

Marcos

O próprio João também deu testemunho
Se com água batizo com meu próprio punho
Com fogo e Espírito Ele vos batizará
O Cordeiro de Deus é quem vos conduzirá

Ao ouvir tais palavras muitos o seguiram
Todos te abandonam, alguém insinua
Convém que Ele cresça e eu diminua
João respondeu aos que o arguiram

Cheio do Espírito, doentes curou
A um povo faminto Ele alimentou
Sinais indicavam: seu reino chegou!
Amor verdadeiro Ele demonstrou

Lucas

Mas a história também não começa daí
De onde terá vindo o jovem galileu?
Alguém, por favor, queira me ouvir
Pois vou lhes contar como nasceu

Um anjo do céu a uma virgem apareceu
Anunciando que ela havia sido escolhida
Seu ventre hospedaria o filho de Deus
Nela se geraria o Salvador, o autor da vida

Sobre ela viria o Espírito Santo
E a cobriria com seu próprio manto
O que para muitos seria um espanto
Pro mundo inteiro, motivos de canto

Foi lá em Belém que ocorreu seu natal
Seu primeiro berço foi uma manjedoura
Embalado ao som do coro angelical
Anunciando aos homens a paz duradoura

Guiados por um astro de brilho intenso
Magos vieram prestar-lhe homenagem
Trouxeram-lhe ouro, mirra e incenso
Só de ver o menino, já valeu a viagem

João

Sinto informar, a história vem de muito antes
É anterior às minas de ouro e diamantes
Aquele menino nos braços da jovem Maria
O Verbo Divino, antes de todos os antes já vivia

Ele é a Palavra que deu origem ao universo
Que tem o direito de exercer primazia
Ele é o poema de Deus em prosa e verso
Sem Ele nada do que existe, existiria

Até Sua cruz, seu perfeito sacrifício
Se deu antes da fundação do mundo
Nem mesmo a luz acesa desde o início
Antecedeu o Cordeiro Moribundo

Nele encerrou-se toda a procura
Cessou-se de vez nosso dilema
O que a outros parece loucura
Aos que creem, sabedoria suprema

Paulo

Ei, amigos, desculpem-me a demora
É que por muito tempo estive fora
Até que um dia Ele me encontrou

Quem? (perguntam os demais)

Aquele de quem vocês falavam agora
O Cristo, o esperado por eras afora.

O Deus Criador por nós se esvaziou
E em forma humana a si mesmo se humilhou
Mas Deus, o Pai,  sobre tudo o exaltou
E por Seu sangue a todos reconciliou

Diante d’Ele joelhos se dobrarão
Seu santo nome línguas confessarão
Aos inimigos dará o Seu perdão
Ao que está destruído, restauração

O Deus menino deitado em manjedoura
Foi o mesmo fincado naquela rude cruz
Sua morte nos trouxe à era vindoura
Mas ressuscitou para ser nossa luz

Maria

Adoremos ao Deus que
para encher todas as coisas
a Si mesmo esvaziou
O Todo-poderoso cuja
fraqueza Seu amor revelou
O Deus sábio, onisciente 
por cuja loucura a todos salvou

domingo, fevereiro 23, 2014

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Não cabe em mim - Um poema




Não cabe em mim, não cabe em mim
Este amor que não tem fim

É maior que o preconceito
Nada pode impedir
Se o assunto é respeito
Sabe dar sem exigir
Se promete, dito e feito
Não protela em cumprir
Muito mais que um direito
Seu prazer é de servir
Seja largo ou estreito
o canal, tem que fluir
quando quer encontra  um jeito
sem desculpas a pedir
Extrapola o meu peito
Faz chorar e faz sorrir

O amor tem seus eleitos
Para o bem de todos mais
Faz jorrar entre seus leitos
Água que nos satisfaz
Sejam causas ou efeitos
Pra quem ama tanto faz
Quão discretos os seus feitos
Em sua busca pela paz
Deixa o ar tão rarefeito
Na justiça se apraz
Não procura por suspeitos
Inimigos ou rivais
Ignora os defeitos
Deixa os erros para trás

Composto por Hermes C. Fernandes em 22/02/2014

quarta-feira, janeiro 15, 2014

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Ocaso - Poema de Hermes C. Fernandes



Grão por grão a vida escoa na ampulheta
Não há nada que reverta esta sina
Quem no mundo é capaz de tal faceta?
Quando o fim a passos largos se aproxima

Se houver quem se habilite, me prometa
De pé junto, mão no peito, mão pra cima
impedir que este  gelo se derreta
e o poema vire prosa, perca a rima

Minhas gírias já entraram em desuso
Ninguém sabe o que é broto ou lambreta
Me desculpe se pareço que abuso
Alguém pode me explicar o que é treta?

Quantas páginas em branco no caderno
Mas não tenho tanta tinta na caneta
Lá se vai o meu outono!  Eis o inverno!
Vou tirar as minhas meias da gaveta

Quantos sonhos adiei a vida inteira
Aventuras que deixei para mais tarde
Já cansei de comer tudo pela beira
Em meu peito uma chama ainda arde

Quem sabe, hora dessas, de veneta
Uma chance vem bater à minha porta
Do cabide vou tirar minha jaqueta
Pé na estrada,  fé na vida é o que importa

A guitarra sei que toco sem palheta
Ver estrelas, não preciso de luneta
Sem bigode, barba ou mesmo costeleta
Sou menino, olha bem minha careta!

Dia desses joguei fora a chupeta
Falta muito pra que use uma muleta
Não me venha com este papo tarja preta
Desta vida quero mais do que gorjeta

Que ninguém metido a besta se intrometa
O passado foi somente aperitivo
Tô cansado de palpites de xereta
O banquete desta vida é estar vivo

Pois agora, com os filhos já crescidos
Eu e ela, como sempre, inquietos
Pra viver nossos planos esquecidos
Antes tarde do que nunca com os netos!


 Composto por Hermes C. Fernandes em 15/01/2013

domingo, novembro 10, 2013

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Jogo da Vida - Poema


A banca está aberta
para quem quer apostar
Se falha ou acerta
só sabe quem pagar

O futuro está em jogo
roletas a girar
Depois de aceso o fogo
quem pode apagar?

Os dados viciados
garantem a ilusão
os mesmos resultados
eis a conspiração!

Rebeldes contra o mal
Que rompem com o jogo desleal
Vamos nos rebelar
e toda injustiça denunciar
Prudência não faz mal
Quem vence é quem luta até o final

Não é questão de sorte
nem jogo de azar
Nem sempre é o forte
que entra pra ganhar
Se a regra agora é esta
as fichas vou lançar
O que me espera é festa
O futuro certo está

Por Hermes C. Fernandes

sábado, outubro 26, 2013

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Estrelas cadentes - Um Poema



Disseram que hoje haveria
chuva de estrelas cadentes
Noite assim jamais ousaria
manter meus olhos ausentes

Mas justamente esta noite
o céu estava nublado.
Foi como levar um açoite
por ter ficado acordado

Ainda que o show aconteça
Meus olhos não o verão
Acima da nuvem espessa
bem distante do meu chão

Ouvi que certo cometa
de cauda esplendorosa
se aproxima do nosso planeta
nos deixando em polvorosa

Brilhará mais do que a lua
Quando cheia em sua glória
Desfilando pela noite nua
em sua órbita aleatória

Mas de quê me valerá?
Só será visto em outros céus
Que diferença me fará
Seja entre heróis ou entre réus?

Terei que me conformar
e assistir pela TV
Ou um site acessar
caso insista em não perder

A sensação não é a mesma
pela tela fria de plasma
 Pois sou gente, não lesma
Carne e osso, não fantasma

O coração não dispara
A respiração não ofega
Nem é coisa tão rara
à que a alma se apega

Não posso ser injusto
pois poucas vezes vi
Como que num susto
do céu algo estranho cair

Qual foi minha surpresa
Quando sem qualquer aviso
Uma bola de fogo acesa
Rasgou-me o céu e o riso

Mas só mesmo eu vi
Não foi notícia nos jornais
E com quem eu reparti
duvidou, nem conto mais

Triste é a expectativa
Que não é correspondida
Parece não ser nociva
Mata aos poucos, reprimida

Não quero buscar noutros céus
Ter que deixar o meu chão
Prefiro enxergar entre os véus
Dar asas à imaginação

Por isso, prossigo a esperar
Pela noite ou pelo dia
Em que o céu limpo estará
e eu entregue à poesia


Autor: Hermes C. Fernandes em 26/10/2013

quarta-feira, outubro 23, 2013

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O Show tem que continuar - Hermes Fernandes (Voz & Violão)



O Show tem que continuar - Hermes C. Fernandes

Quando a luz se apagou
E do palco eu desci
Em meu camarim eu removi a maquiagem
A tristeza ofuscou
O brilho que havia em mim
A minha alegria é hipocrisia, é só miragem

Enquanto o mundo todo me aplaude
Minha performance é uma fraude
Eu tento transmitir
O que jamais senti
Suas gargalhadas abafam o meu choro

Eu só sei que nada mudou,
E o pouco tempo que me restou
Eu desperdicei naquilo que não vale a pena
O meu show já vai terminar
As cortinas vão se fechar
E eu terei que mais uma vez sair de cena

Se a entrada fosse franca
E nada de bilheteria
Quem sabe eu poderia me expor sem medo
Mas quem pagou prefere ver
e se encantar com a fantasia
Senão a temporada pode se encerrar mais cedo

O meu maior temor é ser vaiado
De que adiantou ter ensaiado?
Tenho que admitir
não sei como reagir
Suas críticas inibem o meu ego
A luz dos holofotes me deixou cego

Até que um dia tudo mudou
Quando, enfim, alguém me encontrou
Capaz de me amar apesar do desempenho
Provou-me que a felicidade
Se encontra na autenticidade
De vaias e aplausos abro mão
 me abstenho