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terça-feira, abril 11, 2017

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Masturbação: pecado ou tabu?



Por Hermes C. Fernandes


O caminho ideal para o prazer sexual é a dois e não sozinho. Entretanto, o autoerotismo é uma prática muito mais presente do que geralmente ousamos admitir. Como cristãos que almejam viver dentro de um padrão moral compatível com a proposta do evangelho, resta-nos perguntar: Afinal, masturbar-se é ou não pecado? O que a Bíblia diz sobre o assunto? A resposta é: nada. Não há uma única linha em todo livro sagrado tratando desta prática que tem sido tão aviltada por cristãos ao longo dos séculos. Já houve até quem preferisse se castrar a deixar-se vencer por esta 'tentação'.

O termo técnico usado para a masturbação é onanismo, devido a uma interpretação equivocada do episódio em que Onã foi severamente castigado por Deus por interromper o coito, derramando seu sêmen no chão.[1] Bem da verdade, Deus não o castigou simplesmente por interromper o coito e desperdiçar seu sêmen, e sim por se recusar a deixar descendência a seu irmão. Naquela época, quando um homem morria sem deixar filhos, cabia ao seu irmão desposar a viúva, de modo que o fruto daquele relacionamento fosse contado como pertencente ao falecido, provendo-lhe, assim, um herdeiro. Não havendo descendentes, a herança ficava para o próprio irmão. Onã aceitou desposar a cunhada, mas não quis perpetuar o nome do irmão (era assim que se falava à época).  Ele quis desfrutar dela, mas sem honrar a memória de seu irmão. Sem filhos que pudessem herdar os bens do pai, a viúva poderia ficar desamparada. Portanto, a questão não envolvia lascívia, e sim egoísmo e avareza. Além do mais, Onã não estava se masturbando, e sim interrompendo o coito. Não há qualquer outra passagem bíblica que fale direta ou indiretamente sobre ejacular fora da relação sexual.

Diante do silêncio da Bíblia, como deveríamos nos posicionar? Em decorrência disso, creio que tenhamos liberdade de lançar mão de outras fontes para determinarmos se a masturbação seria ou não uma prática nociva. Dentre estas fontes, eu destacaria a ciência.

A masturbação é um fenômeno comportamental que pode ser verificado em pessoas de todas as faixas etárias. Na infância ela surge como uma forma de descoberta progressiva do corpo, e é considerada pelos psicólogos como uma fase natural da evolução da sexualidade. Ninguém deve tocar alarde por flagrar uma criança brincando com seus órgãos genitais. Isso é simplesmente natural. Mas é na adolescência que a masturbação atinge sua maior incidência. Essa fase é caracterizada por uma explosão dos hormônios, que faz com que o adolescente se sinta impulsionado a se masturbar frequentemente.  Foi-se a época em que bastava alegar que a prática da masturbação dá espinhas, ou provoca qualquer tipo de anomalia psíquica, para convencer nossos jovens de evitá-la. Quem se propuser a dissuadi-los da prática, terá que abalizar seus argumentos. Vivemos na era da informação!

Proponho que façamos uma breve análise à luz da ciência e do espírito do evangelho.

Os sexólogos são unânimes em dizer que a masturbação faz parte de uma vida sexual saudável, sendo totalmente segura e inofensiva. Recente estudo revela que homens que ejaculam mais de cinco vezes por semana tem 33% menos chance de desenvolver câncer de próstata. Muitas toxinas responsáveis por doenças ficam alojadas no trato urinário. Através da ejaculação, o organismo expulsa tais toxinas do corpo. Obviamente, um homem que não tenha vida sexual ativa estará bem mais vulnerável a desenvolver uma doença a partir destas toxinas, caso não recorra ao hábito da masturbação. Ademais, a masturbação também ajudaria a resolver dois pesadelos de muitos homens:  a incontinência e a disfunção erétil, evitando a ejaculação precoce e fortalecendo a imunidade. E não são apenas os homens que se beneficiariam com a masturbação. Além de ser considerada pelos sexólogos uma ótima maneira da mulher conhecer o próprio corpo e suas zonas erógenas, ajudaria também na prevenção de infecções. O orgasmo ajuda no alongamento dos músculos do colo do útero, contribuindo para a eliminação do muco cervical contaminado por bactérias que podem causar infecções vaginais. Pesquisas sugerem que esta atividade previne a endometriose, doença responsável pela infertilidade feminina. Previne também a incontinência da mulher, reduz as cólicas menstruais, alivia o estresse, libera dopamina, hormônio responsável pelo prazer e o bem estar. Ajuda na liberação do hormônio prolactina, que auxilia a mulher a ter um sono de melhor qualidade.

Todos esses benefícios podem ser atribuídos ao orgasmo obtido no intercurso sexual e não propriamente à masturbação em si. O problema é que nem todos são sexualmente ativos.

Um jovem cristão que tenha optado pelo celibato até o casamento não tem como usufruir de tais benefícios senão através da masturbação. E é aí que surge o conflito, pois ele é exaustivamente orientado a evitar a prática por ser considerada pecaminosa.

E o que dizer de indivíduos adultos sem vida sexual ativa? Como lidar com a pulsão sexual estando viúvo ou divorciado? Seria errado recorrer à masturbação em busca de alívio momentâneo?

Pastores fazem coro ao condenar a prática como sendo nociva à alma, pois estimularia a lascívia e o adultério. Afinal, dizem eles, ninguém se masturba pensando em Deus ou em futebol, ou em coisas que não sejam reprováveis pela moral cristã. Se Jesus disse que bastaria que o homem olhasse para uma mulher cobiçando-a em seu coração e já estaria em adultério, logo, quem alimenta fantasias sexuais durante a masturbação também estaria pecando. Seria este um argumento bem embasado?

O vocábulo grego traduzido por “mulher” nessa passagem é gyné que significa “mulher desposada”[2]. Desejar a mulher alheia é um dos pecados condenados nos dez mandamentos. Masturbar-se não é apenas tocar-se ou friccionar o órgão genital. Isso por si só não seria suficiente para levar a pessoa ao orgasmo. É necessário que sua mente se deixe levar por fantasias sexuais. Mas desde quando estas fantasias devem ser com alguém casado? 

Digamos que o marido seja privado de ter relação com sua esposa, seja por estar viajando por muitos dias, ou por ela estar de resguardo, seria errado ele se masturbar pensando nela?

E quanto aqueles cujos cônjuges ficaram inutilizados devido a uma enfermidade ou acidente? Seria errado recorrer a este expediente? Não seria melhor isso do que trair o cônjuge ou mesmo trocá-lo por alguém saudável?

E no caso de um jovem que “escolheu esperar”? Enquanto espera, o que fazer com os efeitos provocados pelos hormônios em seu corpo? Alguns têm a sorte de descarregá-los durante os sonhos nas chamadas poluções noturnas. E quanto aos que não têm?

Seria errado se uma viúva se masturbasse pensando naquele que foi o grande amor de sua vida? Ou não seria cruel privá-la disso em nome de uma moral deturpada e hipócrita?

Conheci um missionário estrangeiro que enquanto viajava recorria ao chá de erva doce ou camomila para manter-se calmo ante a privação sexual decorrente da ausência de sua esposa. Ele teria pecado se durante o banho recorresse à masturbação? Estou convencido que não. 

Apesar de tudo o que expus até aqui, devo salientar o perigo que há em tornar este hábito num vício, numa espécie de prisão. A diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Assim como as Escrituras não condenam comer, e sim a glutonaria, nem condenam dormir, e sim a preguiça, posso garantir que elas também não condenem a masturbação, e sim o seu vício.

Há pessoas que mesmo casadas e tendo seu cônjuge disponível, preferem recorrer à masturbação em busca de prazer. Mesmo que isso não seja nocivo ao corpo, poderá ser devastador à alma. Geralmente, este vício está ligado ao uso de material pornográfico fartamente disponível na internet.  A pornografia cria expectativas mirabolantes que nem sempre são alcançadas pelo parceiro, levando a pessoa à frustração. Não há nada de errado em fantasiar, estimular o parceiro com carícias, buscar variar o ambiente ou mesmo a posição sexual, desde que isso não viole a consciência da pessoa amada. Como disse no início deste post, o ideal é que o prazer seja a dois, numa via de mão-dupla, onde a satisfação do outro seja nossa prioridade.  O maior problema da masturbação quando estimulada por material pornográfico não é a lascívia, mas o egoísmo. Aliás, lascívia nada mais é do que a busca do prazer pelo prazer, de maneira egoísta, sem preocupar-se com a satisfação do outro.

Alguns homens recorrem à masturbação antes de se relacionarem sexualmente com sua parceira para evitar a ejaculação precoce e assim privá-la do orgasmo. Não se pode dizer que estes ajam movidos por egoísmo, e sim por altruísmo.


Como vimos, em se tratando de sexualidade, nem tudo é preto no branco. Há sempre uma área cinzenta que devemos considerar antes de sair por aí condenando hipocritamente uns aos outros. 

Se eventualmente, você incorrer nesta prática, não se deixe consumir pela culpa. Se o coração lhe condena, lembre-se de que "maior é Deus do que o nosso coração".[3] Mas poupe sua mente do lixo pornográfico. Peça ao Espírito Santo para fazer uma faxina em sua alma e procure direcionar todo o seu desejo para a pessoa amada e não para si mesmo.

_____________________
[1] Gênesis 38:9-10
[2] Mateus 5:28
[3] 1 João 3:20 

terça-feira, abril 04, 2017

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Quem faz sexo antes de se casar comete fornicação?



Por Hermes C. Fernandes

Ao tratar de um assunto tão polêmico como o sexo antes do casamento, eu sabia dos riscos que corria. E o principal deles seria ser mal interpretado. Nem Jesus escapou a isso. Quando respondeu a Pedro acerca do destino que daria a João, dizendo que se quisesse que ele permanecesse vivo até a Sua volta, assim seria e ninguém teria nada com isso, os discípulos se puseram a espalhar o boato de que João jamais morreria. Obviamente, não entenderam bulufas do que Jesus intentava dizer. Semelhantemente, houve quem entendesse meu texto como um incentivo ao sexo pré-marital. Alguns comentários que recebi chegaram a ser agressivos. Houve quem sugerisse que se eu assumisse não pertencer mais ao segmento protestante estaria prestando um serviço à causa.

Apresento abaixo algumas das reações sucedidas por minhas respostas.
Como é interessante não? Uma das principais marcas dos falsos mestres é que cedo ou tarde descambam para a relativização dos princípios morais como estabelecidos pela Palavra de Deus. Eles cedo ou tarde farão uso de discursos bem atraentes, aparentemente bem elaborados, inclusive usando a própria Bíblia, com argumentos infantis que só conseguem atrair para seu apoio alguns que ainda não se demoraram em investigar o assunto profundamente na Escritura. Lamento que pessoas como esse tal "bispo Hermes" consiga platéia que os aplauda, é realmente lamentável.
"Falso mestre"? Não seria mais louvável se quem me chamou assim apresentasse seu ponto de vista sem precisar atacar a minha honra? Que tal rebater sem apelar a argumentos ad hominem? O que seria a tal "relativização dos princípios morais"? Seria o mesmo que aplicar os princípios bíblicos dentro de um contexto diferente da época?
Depois de anos flertando você conseguiu...parabéns mais um herege intelectual na igreja do Brasil...você está delirando, cada vez mais abraçando o relativismo e disfarçando de piedade e amor..que pena...e podem me colocar a alcunha de fundamentalista e religioso..Fornicação é pecado em qualquer circunstância, teólogo que deixa de interpretar para inventar é herege.
"Herege intelectual". Isso é um elogio? Que tal só "herege"? (ironia mode on). "Intelectual" é muito pomposo para mim. Deixando de lado a acidez de sua crítica, vamos entender o que é fornicação?

Fornicação (palavra que vem de fornicis, ou fornix: abóbada, ou arco). Fornice era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas se exibiam. Criou-se então o verbo "fornicare" (fornicar), que seria o ato de frequentar esse lugar. Com o tempo, a igreja católica atribuiu a este verbo o significado de qualquer prática sexual considerada ilícita, dentre as quais o sexo antes ou fora do casamento. A palavra ilícito significa imoralidade, ou o que é contrário às leis. Portanto, originalmente, fornicar era o mesmo que recorrer ao serviço de uma prostituta. Nada tinha a ver com relações sexuais pré-maritais.
Voce adora polemizar e chamar a atenção hein!? Que belo pensamento pervertido e vazio de doutrinas bíblicas, mas cheios de humanismo e liberalismo! Mas tem o lado bom, eu estava esperando só mais alguma baboseira liberal a ser dita para clicar em "desfazer amizade". Só peço a Deus que use de misericordia para com aqueles que batem palmas para lideres pervertidos de mente e de coração como você. Já não tem mais nada a contribuir para o bem da igreja! Adios! [sic]
Primeiro, "falso mestre", depois "herege intelectual" e agora "pervertido de mente e de coração". Tudo porque expus um tema que tem sido varrido pra debaixo do tapete por décadas. Preferem mantê-lo assim, na penumbra, na clandestinidade. Se o casal de namorados transou, tudo bem. Desde que ninguém fique sabendo para evitar escândalo. E se vazar, basta colocá-los pra fora sem dó nem piedade (desde que um deles não seja o filho ou a filha do pastor ou do principal dizimista da igreja). Não se trata de humanismo ou liberalismo, mas de coerência e compaixão. A misericórdia que o autor da crítica pede para com os que "batem palmas" para líderes pervertidos como eu deveria cobrir cada um de nós, sobretudo, os que se acham melhores que os demais, moralmente puros, sem mácula. Lembre-se que com a medida de misericórdia com que houvermos julgado os outros, nós mesmos seremos julgados. Portanto, se for para errar na medida, exagere na misericórdia e não no juízo. Quanto a desfazer a amizade, fique tranquilo. Tenho uma enorme fila de pedidos de amizade que não pude atender por causa de quem ocupa lugar só para bisbilhotar o que digo e sair por aí criticando gratuitamente. Afinal, "andarão dois juntos se não estiverem de acordo?"
Amigo Hermes C. Fernandes, que artigo excelente, me alinho a estes pensamentos em gênero numero e grau. Mas por favor se poder me explique este texto a luz do seu artigo: " Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se". I Co 7:9. Não taria este texto Paulino proibindo o sexo antes do casamento ?? " duvidas aqui"
Não tem como conciliar o texto de Paulo com o artigo que o Hermes escreveu amigo,tanto é que ele não respondeu até agora,é uma questão de escolha mesmo,ou você fica com o que Paulo escreveu nas Escrituras ou com o que Hermes escreveu neste artigo!
Em momento algum Paulo faz uma proibição. Na verdade, ele vai na mesma direção do meu texto. "É melhor casar..." Não é exatamente o que digo no texto? Todos os conselhos de Paulo nessa passagem visava poupar seus leitores de um sofrimento desnecessário. Algumas coisas ele dizia como "concessões" e não propriamente como mandamentos (confira 1 Co.7:6). Ele fazia questão de dizer: Isso digo eu, não o Senhor. Já outras, ele dizia enfaticamente:  Isso diz o Senhor, não eu (v.10). Como é bom poder distinguir uma coisa da outra. A opinião de Paulo estava condicionada à cultura na qual estava inserido; diferente daquilo que o próprio Senhor fala e que transcende o tempo. Como pai, o apóstolo os aconselhava a buscar sempre o caminho mais excelente. Entretanto, ele sabia que nem sempre isso seria possível. 

E desde quando viver abrasado é manter relações com um parceiro com quem se pretende casar? Viver abrasado é viver subindo pelas paredes, se masturbando a três por quatro, consumindo lixo pornográfico em busca de alívio para as suas pulsões. Para viver assim, é melhor que se case. Mas quando a gente imagina "casamento", o que nos vem à mente é a cerimônia com tudo o que tem direito, fruto da fantasia que a burguesia tinha acerca da realeza. Lembra daquela passagem que diz "honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula" (Hebreus 13:4)? O vocábulo grego traduzido ali por leito é koitē, de onde provém a palavra coito. Não há nada de vergonhoso ou pecaminoso no ato sexual em si. O ideal é que seja praticado dentro dos limites do matrimônio. Mas o que seria o matrimônio se não um compromisso perene entre duas pessoas adultas? Como posso chamar de fornicários duas pessoas que se amam e são mutuamente fiéis? 
Uma das maiores aberrações que já li. Usar textos para aliviar o que é pecado é loucura. Falar que Isaque não teve cerimônia de casamento é o mesmo que dizer que Por Abraao ter tido várias mulheres hoje também é permitido. Sexo é divino sim, prazeroso sim, mas para ser realizado com santidade (separação). Não eh peso não! Eh como a oferta que entregamos a Deus e QUEM AMA (a Deus e ao parceiro) ESPERA. Paulo Fala em 1Co 7 8 E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. 9 Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado. Sem mais. Não mude a Bíblia e ensine os jovens a pagarem Um preço de santidade.
O que é mesmo pecado? Seria tão somente violar um código moral? Então, Oseias pecou ao casar-se com uma prostituta? E não foi o próprio Deus quem ordenou que assim fizesse? E quanto a Isaías? Teria pecado durante os anos em que desfilou despudoradamente nu pelas ruas de Jerusalém cumprindo igualmente uma ordem divina? Mas isso também não violaria um código moral? Teria Deus pecado ao utilizar-se do ventre de uma mulher casada para gerar Seu Filho eterno? Sabe o que acontece quando fazemos uma leitura meramente moral das Escrituras? Não sobra pra ninguém. Nem mesmo pra Deus! 

Que bom que pecado não é nada disso. Pecar é errar o alvo. O alvo de nossa existência é a glória de Deus e o bem de nosso próximo. Quando insistimos em viver para nós mesmos, estamos em franca rebelião contra Deus. O amor próprio é o cerne do pecado. Todo nosso amor deve está direcionado a Deus em forma de adoração e ao próximo em forma de compaixão e serviço. Tem muita gente se submetendo a um código moral extremamente restrito e ainda assim vivendo em pecado. Pagar um alto preço para adquirir um padrão de santidade somente para sentir-se bem consigo mesmo e superior aos demais... ISSO É PECADO! 

Sexo é potencialmente pecado. E sabe quando o sexo se torna pecado? Quando é feito visando exclusivamente nosso próprio prazer, sem considerar os sentimentos do outro. Tem muita gente pecando mesmo estando casado. Por exemplo: forçar sexualmente alguém é estupro, mesmo quando se trata do cônjuge. Quantos cristãos estupradores há por aí, hein? E ainda usam a Bíblia para respaldar sua conduta grotesca. Transar com a esposa pensando em outra é adultério. Transar com o marido visando algum benefício material é prostituição. A única maneira de sexo não ser pecado é quando praticado por amor. Ao término da transa, a gente se sente amado, não usado como se fosse um vaso sanitário. 

Meu objetivo ao escrever aquele post era aliviar a carga que a religião tem colocado sobre os ombros de nossos jovens. Não incentivo ninguém a transar antes da hora. Eu mesmo só mantive relações com a minha esposa depois de casado. Meus filhos afirmam ter o mesmo propósito. Só não quero que isso seja um fardo sobre eles, nem sobre os filhos de ninguém. E que ninguém mais case só para poder transar. Esta tem sido a principal causa do fracasso no casamento de muitos jovens cristãos. Que se casem unicamente por amarem e se sentirem amados, dispondo-se a conviver lado-a-lado para sempre. Sem pressão. Sem hipocrisia. Sem falso moralismo. 

Se tiver que esperar, espere simplesmente por amar e não para sentir-se melhor ou mais santo que os demais. Se não conseguir esperar, também não se sinta um fiasco, nem ceda às acusações dos super-santos. Amar é humano. Acusar é diabólico. 

segunda-feira, maio 19, 2014

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A justiça começa em casa... na cama!



Por Hermes C. Fernandes

A justiça começa em casa! Cresci ouvindo isso dos lábios de meu pai. Nossa família deveria ser modelo para as demais famílias da igreja. Ser filho de pastor não era apenas um privilégio, mas uma responsabilidade. Deus tem interesse de que a justiça do Seu reino seja implantada neste mundo,e que Sua vontade seja feita aqui na terra como no céu. Porém, há um caminho que esta justiça tem que percorrer até que o mundo seja inteiramente tomado por ela. Este caminho tem vários estágios, e os primeiros deles passam pela família.

Resumindo, a justiça começa sua jornada em casa, nos relacionamentos familiares, depois adentra a igreja, e desta para as nações.

Usando a metáfora bíblica, a justiça é como um rio, cuja nascente é o coração de Deus, que jorra inicialmente no coração do homem que se torna nova criatura, afetando todos os seus relacionamentos, a começar pelos familiares. “Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão como ribeiro perene” (Amós 5:24). À medida em que este rio avança, sua calha fica mais profunda e larga (Ez.47).

Muitos cristãos sinceros aguardam por uma intervenção divina que porá fim às injustiças no mundo. Porém, esta intervenção já se deu, quando fomos visitados pelo “sol da justiça” (Ml.4:2; Lc.1:78-79).

Se quisermos compreender a trajetória da justiça do Reino na História, até o seu estabelecimento pleno, basta investigarmos a trajetória feita pelo sol. O astro rei nasce no Oriente, discretamente, e aos poucos, seus raios vão dissipando as trevas, até que seja dia perfeito. Deus Se compromete através dos lábios de Malaquias: “Desde o nascente do sol até o poente o meu nome será grande entre as nações” (Ml.1:11a). Não significa que o sol da justiça irá se pôr um dia, mas que a justiça de Deus abarcará toda a extensão da terra, do Oriente ao Ocidente. Cristo é o Sol da Justiça, e veio ao mundo discretamente, nascendo num lar pobre do Oriente Médio.

É no contexto familiar que a justiça encontra seu berço. Toda a injustiça prevalecente no mundo, e que tanto nos enoja, parte do ambiente doméstico. É ali que ela é engendrada.

O político corrupto, o traficante sanguinário, o empresário ganancioso, são todos frutos da mesma árvore. Se não estancarmos esta hemorragia moral e ética, a sociedade humana perderá totalmente seu brio.

Jamais lograremos mudar as instituições, se não começarmos esta mudança pela mãe de todas elas, a família.
Portanto, é correto o adágio que diz que a justiça começa em casa.

Poderíamos localizar com mais precisão o lugar de onde ela deveria jorrar? Em que lugar da casa a justiça deveria ter seu ponto de partida? Eu diria, sem medo errar: a justiça começa na cama. Antes de justificar o que acabo de afirmar, permita-me uma rápida digressão.

O que é justiça, afinal? Qual o conceito bíblico de justiça? Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. Paulo nos apresenta este conceito na passagem em que fala de nossa relação com as autoridades constituídas:
“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Rm.13:7).
Quando se fala de tributos e impostos, o foco recai em nossa relação com o Estado. Sonegar equivaleria a privar o Estado de algo que lhe é de direito. Portanto, trata-se de uma injustiça. Quando se fala de temor, o escopo é mais abrangente, e se estende à nossa relação com Deus. Deixar de temê-lO também é um ato de injustiça.

Em Apocalipse encontramos um dos mais lindos hinos já compostos:

“Grandes e maravilhosas são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-poderoso. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos. Quem não te temerá, ó Senhor, e não glorificará o teu nome? Pois só tu és santo. Todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, pois os teus juízos são manifestos” (Ap.15:3b-4).

Quando a justiça de Deus encher toda a terra, todo homem O temerá, todo joelho se dobrará e toda língua confessará Sua soberania. Ele finalmente será temido em todas as nações.

Deixando um pouco o Apocalipse, voltemos pra cama do casal…

Paulo fala de tributos, impostos, temor e… honra! E o que isso tem a ver com a cama?

Leia o que diz o escritor sagrado acerca da cama do casal:
Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará” (Hb.13:4).
O tradutor usa a palavra “leito”, que é sinônimo de “cama”; talvez por ser uma palavra mais elegante. Porém, o texto original usa o vocábulo grego “koité”, de onde vem a palavra “coito”. Portanto, tanto o matrimônio quanto o coito (o ato sexual em si) devem ser igualmente honrados.

É aí que começa o percurso da justiça no mundo, até alcançar as nações. Parece bobagem? Mas não é!

Nossa sociedade tem transformado o sexo numa coisa suja, banalizando-o, coisificando-o. Rita Lee retrata isso em uma de suas composições, em que diz que o amor é cristão, mas o sexo é pagão.

A pornografia nada mais é do que a vulgarização de algo sagrado, a perversão da justiça.

Como deixamos de honrar o matrimônio e o ato sexual?

Deixemos que Paulo nos diga:
“O marido pague à mulher o que lhe é devido, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido. Do mesmo modo o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outra, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração. Depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Co.7:3-5).
Pode parecer que Paulo esteja sendo rude. Como reduzir a relação sexual a um pagamento? Porém, não é esta a intenção do apóstolo. Ele está pensando em termos de justiça, o que implica em deveres e direitos.

Não me venha com essa de que Paulo era machista. Tanto o homem quanto a mulher tem os mesmos direitos e deveres. O corpo do homem já não lhe pertence mais. Tão-pouco o corpo da mulher.

Imaginemos a cama como um altar. Ela não apenas tem a forma de uma altar (lugar alto, acima do nível do chão, em formato retangular), como também o que ali é feito (além de dormir, é claro…) tem o caráter de oferta.

Assim como devemos oferecer nossos corpos em sacrifício santo e agradável a Deus (Rm.12:1), devemos também oferecer nossos corpos em oferta de amor ao nosso cônjuge.

Nosso corpo é um direito que nosso cônjuge tem. Nosso dever é mantê-lo disponível. E isso vale para os dois. Privar o outro disso equivale a defraudar, isto é, cometer uma injustiça. A única excessão à regra é quando um dos cônjuges pretende dedicar-se por um tempo à oração. Mesmo assim, tem que ter o aval do outro. E tão logo termine o período de oração, devem disponibilizar-se mutuamente. E isso, segundo Paulo, para que Satanás não se aproveite de nossa fraqueza.

Engana-se quem pensa que Paulo legislou em causa própria, pois sequer era casado. Muito antes dele, o sábio Salomão escreveu:
“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade. Porque esta é a tua porção nesta vida, e do teu trabalho, que tu fazes debaixo do sol” (Ec.9:9).
Nossa porção está nas mãos de quem amamos. Ninguém tem o direito de reter a porção pertencente ao outro. E se possível (caso haja disposição pra isso), todos os dias de sua vaidade. rs

Claro que ninguém é de ferro. Porém, o casal deve buscar manter certa sincronia, em que o desejo de um coincida com o desejo do outro. Isso será conquistado à medida que estreitarem sua comunhão e intimidade. Quanto mais conhecemos a pessoa amada, mais nos adequamos a ela.

Uma vida sexual descompensada nos afeta em todas as áreas, inclusive nosso relacionamento com Deus e com os demais.

Veja o que Pedro diz:
“Igualmente, vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações” (1 Pe.3:7).
Deus Se recusa a ouvir e atender a oração de maridos que abusem da fragilidade de suas esposas. Não há maior castigo do que este. Em matéria de sexo, a mulher é a parte mais frágil e vulnerável. Portanto, cabe a ela a honra de estabelecer quais são os limites a serem respeitados pelo marido.

Nesta questão, a mulher deve ter primazia. Este princípio pode ser observado em outra passagem, em que Paulo fala do relacionamento entre os membros do Corpo de Cristo: “Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos, são necessários, e os que nos parecem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais…” (1 Co.12:22-23a).

Se alguém me pergunta o que vale e o que não vale entre quatro paredes, minha resposta é: pergunte à sua mulher. O problema é que muitos não sabem respeitar e honra seus próprios corpos, como poderão respeitar e honrar o corpo de seu cônjuge?

A recomendação de Paulo é clara:
“Que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra; não no desejo da lascívia, como os gentios, que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém oprima ou engane a seu irmão. O Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos” (1 Ts.4:4-6).
Ninguém tem o direito de transformar o sexo numa arma para dominar o outro a seu bel-prazer. Nem usá-lo como chantagem para tirar do outro o que quiser.

É lógico que entre o casal deve haver desejo, cumplicidade, ou como diriam alguns, tesão. O que Paulo chama de lascívia é o que hoje chamaríamos de tara, perversão. Nossas fantasias sexuais devem manter-se no terreno da sanidade.

O homem tem que entender que sua mulher, além de mãe dos seus filhos, é herdeira da mesma graça da vida. Não é um objeto, uma atriz pornô ou uma garota de programa. Por isso, seus escrúpulos têm que ser considerados, e seus limites respeitados.

Só pode haver uma entrega total onde haja confiança total. Parafraseando o salmista, “entregue seu corpo ao seu cônjuge, confia nele, e o mais ele fará…” Porém, confiança se conquista com o tempo. Mulheres que sofreram abusos de seus maridos, terão dificuldade em voltar a confiar. Estarão sempre com um pé atrás.

A mulher necessita sentir-se amada, e não usada. Já o homem necessita sentir-se desejado, e não apenas estimado. Se ambos compreenderem os desejos e os limites do outro, tudo fluirá sem dificuldade.

Em vez de encarar a relação sexual apenas como um dever, que tal encará-la como um direito a ser usufruído e compartilhado com quem se ama?

segunda-feira, agosto 12, 2013

10

Sexo, amor e espiritualidade




 


 “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará” (Hb.13:4). O tradutor usa a palavra “leito”, que é sinônimo de “cama”; talvez por ser uma palavra mais elegante. Porém, o texto original usa o vocábulo grego “koité”, de onde vem a palavra “coito”. Portanto, tanto o matrimônio quanto o coito (o ato sexual em si) devem ser igualmente honrados.
Parece bobagem? Mas não é! Nossa sociedade tem transformado o sexo numa coisa suja, banalizando-o, coisificando-o. Rita Lee retrata isso em uma de suas composições, em que diz que o amor é cristão, mas o sexo é pagão. A pornografia nada mais é do que a vulgarização de algo sagrado, a perversão da justiça. Sexo é comunhão, e a cama do casal é um altar onde o que ali se pratica deve ser encarado como uma oferta de amor. Não há comunhão sem comunicação. Tampouco há sexo plenamente satisfatório sem amor. 

Um relacionamento sem amor não produz um ambiente propício à comunicação franca, sincera, aberta. Logo na primeira estrofe de seu maravilhoso hino acerca do amor, Paulo declara: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa, ou como o sino que tine”. Ora, Paulo era um poliglota. Para circular livremente pelas províncias romanas, ele teria que falar, pelo menos, quatro idiomas: grego, latim, aramaico e hebraico. Ele sabia, entretanto, que não bastava dominar vários idiomas para poder comunicar-se com pessoas de culturas diferentes. Se ele quisesse comunicar algo, ele teria que dominar o idioma do amor. O verbo “comunicar” tem o sentido de tornar algo comum entre pessoas diferentes. Comunicar é construir pontes entre mundos diferentes. Cada pessoa é um mundo distinto. Para podermos atravessar o abismo que nos separa uns dos outros, precisamos de pontes. O idioma é apenas o pavimento desta ponte. O amor pode ser comparado às colunas abaixo do pavimento, que dá sustentação à estrutura da ponte. Sem amor, o pavimento cede, e a ponte cai.

A pessoa pode falar quantos idiomas puder, e até mesmo a língua angelical. Com isso, ela impressionará muita gente, mas não fará mais do que barulho. Ela pode até comunicar idéias, mas jamais vai conseguir comunicar seu ser. A verdadeira comunicação transcende o campo das idéias. Os termos comunicação e comunhão são sinônimos. Através da Sua Palavra, Deus nos comunica Seu próprio Ser. Não nos comunicamos pra tentar convencer alguém de que estamos certos em nosso ponto de vista. Em vez disso, nos comunicamos para tornar alguém participantes daquilo que temos recebido. Essa é a essência da comunicação, de acordo com as Escrituras. E isso só é possível mediante o amor.

Quando não há amor, falta diálogo, mas sobra discussão. E sabe por quê? Porque ninguém quer dar o braço a torcer. Aos poucos, o tom de voz vai se alterando, e o que deveria ser um diálogo edificante, torna-se uma gritaria irracional.

A diferença entre um diálogo e uma discussão é que o primeiro se baseia na necessidade que ambos de têm de se compreender mutuamente. O segundo se baseia na insistência que ambos têm de provar que estão com a razão.

Discutir é entrar na contramão do outro. Toda discussão leva à colisão. Já o diálogo produz o encontro.

O amor tem sua própria linguagem, que abrange desde sons inteligíveis pronunciados pelos lábios, passando por expressões corporais, cheiros, toques, olhares, gemidos, sendo capaz de expressar-se até no silêncio.

sábado, setembro 24, 2011

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Sexo, Deus & Katy Perry

katy-perry-máscara-hermes fernandes Esta semana deparei-me com uma edição da revista Rolling Stone trazendo na capa o mais novo sex symbol americano, a cantora Katy Perry. O que chamou minha atenção foi o título da matéria: Sex, God & Katy Perry. The Hard Road & Hot Times of a Fallen Angel (Sexo, Deus e Katy Perry. A difícil trajetória e os tempos quentes de um anjo caído).


A canção que a projetou no cenário mundial foi “I kissed a girl (and liked it)”, que traduzido é “Beijei uma garota (e gostei)”.

Meus filhos já haviam feito comentários sobre a tal cantora, referindo-se à música em questão. O que nem eu nem eles sabíamos era que Katy Perry é filha de um casal de pastores pentecostais conservadores, que lhe deu uma educação religiosa rígida. Antes de tornar-se famosa, atuou como cantora gospel e era conhecida pelo seu nome verdadeiro, Katy Hudson.  Gravou seu primeiro CD em 2001: Faith Won’t Fail (A fé não falhará).

De acordo com uma entrevista cedida por sua mãe Mary Hudson ao jornal inglês Daily Mail, o primeiro sucesso da filha “…promove o homossexualismo. Sua mensagem é vergonhosa e nojenta. Toda vez que escuto minha filha cantando no rádio, baixo a cabeça e oro por ela. Katy é nossa filha e nós a amamos, mas discordamos da maneira como está se comportando”.

Exibindo o nome “Jesus” tatuado no punho, Katy Perry segue sua promissora carreira, enquanto constrange seus pais. Esta semana lançou o vídeo de sua nova música “Teenage Dream” (sonho de adolescente), onde aparece semi-nua na cama de um motel com um namorado.

Apesar de sua postura libidinosa, a cantora tenta demonstrar que ainda se mantem fiel às suas raízes cristãs.
“Falar em línguas é tão normal para mim como ‘Passe o sal’… É um segredo, uma linguagem para a oração direta com Deus… Meu pai costuma falar em línguas, enquanto minha mãe interpreta. Esse é o dom deles…” - Rolling Stone, agosto de 2010.
Esta declaração nos oferece pistas sobre o tipo de espiritualidade vivida em seu lar durante sua infância e adolescência. É comum aqui nos EUA ver crentes pentecostais ou carismáticos falando em línguas durante o cotidiano. Falam enquanto comem, enquanto penteiam o cabelo, e até enquanto usam o banheiro. Acham que isso dá demonstração de fervor espiritual. Assim, trivializam o que deveria ser considerado excepcional. Surge, então, uma curiosidade: Será que ela falou em línguas depois de gravar o clip em que diz ter beijado uma garota e gostado? Que tipo de espiritualidade dualista é esta em que os carismas se sobrepõem ao caráter?

Na mesma entrevista cedida à Rolling Stone, Katy Perry diz:
“Quando pequena, eu não podia dizer que eu tinha sorte, porque minha mãe preferia que disséssemos ‘somos abençoados’. Ela também não achava que lucky (sortuda, em inglês) tinha um som parecido com a palavra Lúcifer… Eu não podia comer o cereal Lucky Charms (amuletos da sorte), mas acho que era por causa do açúcar. Creio que minha mãe mentiu para mim sobre isso.”- Rolling Stone, agosto de 2010.
Fica claro que Katy viveu numa espécie de redoma. Os pais tentaram protegê-la ao extremo. Não podia isso, nem aquilo, nem aquilo outro. Imagine não poder comer um sucrilho só porque se chama “amuletos da sorte”? Veja o que ela diz em outra entrevista:
“Minha criação religiosa foi comicamente rígida, proibiram até mesmo de termos em casa qualquer coisa cujo nome remetesse ao diabo. Em nossa casa, não podíamos nem mesmo chamar ovos apimentados pelo seu nome popular. Ao invés de deviled eggs (ovos do demônio), tínhamos de chamá-los de “ovos angelicais”. Nunca fomos autorizados a falar palavrão. Eu sempre tinha problemas quando dizia “que inferno”… Só podíamos escutar música gospel. Não admira que eu me rebelei.”- Celebrity Blend, 2009
Eis a possível razão porque Katy saiu de um extremo a outro. Talvez se seus pais a houvessem criado com um pouco mais de equilíbrio, de visão crítica das coisas em vez de meras proibições, de diálogo em vez de imposições, ela ainda estaria cantando louvores, ou mesmo que desenvolvesse uma carreira secular, não estaria encarnando valores tão ofensivos à moral cristã. Vale a pena conferir o que ela diz mais sobre isso:
“Fui criada numa casa com muita rigidez religiosa. Tudo o que podia ouvir eram [hinos religiosos conhecidos, como] ‘Oh Happy Day,’ ‘His Eye Is on the Sparrow’ e ‘Amazing Grace’. Então agora até o New Kids on the Block são novidades para mim. Eles tem músicas legais…” — MTV, 2008 
“Não podíamos ouvir música secular em casa, pois era considerada coisa do diabo… Se eu queria levar amigas para casa, minha mãe queria saber se elas eram cristãs… Meus pais são assim. Eles são loucos! Eles são malucos mesmo!” — revista Blender, 2004
Excesso de proteção! Não estou acusando seus pais por sua rebelião. Eles bem que tentaram mantê-la nos trilhos. Ela é totalmente responsável por seus atos, mesmo porque não é mais uma adolescente, mas uma mulher de 25 anos. Entretanto, como pais, devemos avaliar a maneira como educamos nossos filhos, para que mais tarde se mantenham fiéis aos valores e princípios que lhes passamos. Nosso dever é prepará-los para o mundo. Afinal de contas, não podemos mantê-los na barra da saia da mamãe para sempre.

Mesmo protagonizando cenas picantes em seus clipes musicais, Katy Perry revela sentir-se chateada pela irreverência que outras estrelas pop demonstram para com a fé cristã e sua falta de temor a Deus.
“Fico chateada quando vejo Russell [Brand, ator e seu noivo], usando o nome do Senhor em vão e Lady Gaga colocar um rosário na boca. Acho que quando você mistura sexo e espiritualidade no mesmo recipiente e sacode bem, algo ruim acontece. Sim, eu disse que beijei uma garota. Mas não disse que beijei uma garota enquanto transava com um crucifixo.” Rolling Stone, agosto de 2010
Penso que este foi o jeito que ela arrumou para se justificar. Apontando os erros alheios, ela parece safar-se de seus próprios erros, ou, no mínimo, atenuá-los. Será que ela pensa em voltar a “louvar ao Senhor” um dia? Será que em algum momento sua consciência lhe tira a tranquilidade, e na calada da noite, ela se entrega ao pranto e ao arrependimento?

Espero que alguém já tenha lhe falado sobre outras estrelas pop que abandoram sua fé e pagaram um preço muito alto por isso. Elvis Presley é o maior exemplo disso. Em sua vida privada, tinha o costume de reunir os amigos para cantar velhos hinos, sendo muitas vezes interrompido pelas lágrimas. Um exemplo mais recente é o da diva Whitney Houston, que depois de escapar da morte por diversas vezes por causa das drogas, lançou recentemente um novo álbum em que louva a Deus em uma de suas faixas, agradecendo por haver sido resgatada.

Britney Spears, a primeira desta leva de estrelas destinadas ao público teen, alcançou o estrelato enquanto gravava vídeos extremamentos sensuais e defendia ao mesmo tempo a manutenção da virgindade até o casamento. Pra quem não sabe, ela também teve criação cristã tradicional. Depois de um tempo posando de santa na vida privada e de insana na vida artística, estrambelhou de vez, chegando às raias da loucura. Temo que outros artistas como os Jonas Brother’s e Miley Cyrus tenham destino semelhantes. Ambos de famílias  cristãs conservadoras. Os irmãos Jonas parecem manter ainda certa conduta mais compatível com a criação que recebram. Mas Miley Cyrus dá sinais de que abandonou o estilo ingênuo adotado enquanto protagonizava o seriado “Hannah Motana”, aderindo precocemente à perfomance sexy que pode ser conferida no clip de sua música  “Can’t Tamed”.

Muitos dos maiores ícones da músca pop americana são egressos de igrejas cristãs. Elvis mesmo foi descoberto enquanto cantava em um culto ao ar livre. Particularmente, não vejo qualquer problema em um cristão desenvolver uma carreira musical secular. O problema é que os pais cristãos não estão preparando seus filhos para o mundo. Preferem mantê-los no gueto, na redoma. E quando descobrem o mundo, ficam encantados, entregando-se sem reservas.

Repare no Katy Perry diz sobre isso:
“Quando comecei a cantar música gospel, minha perspectiva das coisas era bem limitada e rígida. Tudo em minha vida estava muito ligado à igreja. Não sabia que existia um outro mundo além daquele. Por isso, quando saí de casa e vi tudo isso, pensei ‘Meu deus, caí no buraco do coelho branco e existe todo esse mundo de Alice no país das maravilhas aqui.’ ” — revista The Scotsman, 2009
É claro que o mundo não é essas mil maravilhas. Talvez Katy Perry ainda não tenha se dado conta disso. Um dia ela vai acordar e descobrir que tudo não passava de uma ilusão. Espero que haja tempo para voltar aos braços do Pai. Quem sabe ela use sua carreira musical secular para despertar os jovens para valores que estão muito acima da fama, do dinheiro e do sexo.

sexta-feira, junho 03, 2011

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SEXO: A verdade nua e crua





Com exclusividade, CRISTIANISMO HOJE revela resultados polêmicos de pesquisa sobre sexualidade do crente.

Por Da Redação 

Durante muito tempo, era praticamente proibido falar nele nas igrejas. Assunto restrito às quatro paredes dos gabinetes pastorais e considerado tabu pelos crentes, o sexo tem sido visto como uma espécie de fruto proibido ao longo de séculos. A imagem, aliás, é das mais apropriadas – acostumou-se a associar o pecado original de Adão e Eva à prática do sexo, e não à desobediência explícita ao Criador. Vítima de preconceito, legalismo e uma pseudomoralidade que visava muito mais ao controle social do que à santidade, a sexualidade atravessou as eras como algo sujo, um prazer proibido, algo que afastava as pessoas de Deus. Visão bem diferente do propósito do Senhor, que dotou o ser humano da capacidade de amar e ser amado, ao ponto de a própria Palavra de Deus aconselhar o homem a gozar a vida com sua mulher. 

Novos tempos, novos valores. Ultimamente, os crentes em Jesus têm aprendido não só a valorizar o sexo – quando praticado dentro dos limites do casamento, bem entendido – como a, vejam só, falar sobre ele. O resultado disso é que trabalhos inimagináveis há algumas décadas têm sido realizados entre a comunidade evangélica, levando os crentes a mostrar a cara e a falar claramente sobre suas preferências, dificuldades e práticas de alcova. O mais recente deles é a pesquisa de opinião O crente e o sexo, cujos resultados CRISTIANISMO HOJE traz em primeira mão. O estudo constitui um amplo panorama sobre o assunto, em que quase 12 mil crentes – sendo 5,1 mil casados – responderam a perguntas enviadas pelo Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (Bepec), que está sendo lançado junto com a pesquisa. 

Através de uma parceria com a empresa Akna Software, especializada em marketing digital, e o portal e revista cristã Genizah, o Bepec teve acesso a mais de 1,5 milhão de endereços eletrônicos de evangélicos, sendo que o instrumento de coleta foi mandado para cerca de 71,5 mil destinatários. Por questão de metodologia, apenas o grupo-alvo dos evangélicos casados foi totalizado neste primeiro momento. Um universo amplo, representando diferentes regiões do país e classes sociais, bem como oito grandes grupos de confissões, incluindo igrejas tradicionais, pentecostais e neopentecostais e denominações de grande porte, como Batista e Assembleia de Deus. “A pesquisa foi feita com rigor científico”, destaca o profissional de marketing digital e blogueiro Danilo Silvestre Fernandes, idealizador do Bepec. Evangélico, ele conta que suas principais motivações foram o interesse que o assunto desperta e a carência de material do gênero. “Não há quase nada disponível sobre a sexualidade dos evangélicos”, atesta. “Sexo é tabu entre os crentes e as matérias sobre isso são as mais lidas e comentadas. Quisemos produzir conteúdo inédito – incluindo dados primários, como é o caso da pesquisa O crente e o sexo.” 

Não se pode negar mesmo que o assunto seja apimentado. E que, a partir da divulgação dos resultados da pesquisa, deve render mais pano para a manga nas igrejas. Como explicar, por exemplo, o espantoso percentual de 25% dos homens crentes casados que já traíram a mulher? Ou que 56% dos pesquisados do sexo masculino tenham praticado sexo com o futuro cônjuge antes do casamento? E isso, mesmo levando em conta que quase a metade dos respondentes têm mais de dez anos de conversão à fé evangélica e que o espectro etário é amplo, compreendendo dos 16 aos 55 anos. Ademais, a metade dos pesquisados informou ter mais de oito anos de casamento – ou seja, é gente que já passou pela famosa “crise dos sete anos”, o que é indicativo de estabilidade na relação. A conclusão, óbvia, é de que o abismo entre o discurso dos púlpitos e a prática dos crentes, que sempre se suspeitou existir, é um fato. 

“Chamou-me a atenção o índice de casais crentes que tiveram relações sexuais antes do casamento”, aponta o pastor Gilson Bifano, diretor do Oikos, ministério cristão de apoio à família. Sediado no Rio de Janeiro, a entidade promove aconselhamento, estudos e eventos voltados para casais crentes. Ele diz que muito do que a pesquisa mostrou já é do conhecimento de quem trabalha nesta área. “Creio que os tempos modernos têm influenciado o comportamento dos casais crentes. Sexo é assunto que ficou, por muitos anos, sem ser tratado no âmbito evangélico. Há muito dogmatismo e falta diálogo.” 

“SEM SURPRESA” 

A pesquisa desce a minúcias como práticas sexuais dos casais crentes, envolvimento com homossexualismo e uso de pornografia – quesito no qual 44,5% dos consultados responderam “sim”. No entender de Danilo, o que chama a atenção é a proximidade relativa dos dados de Os crentes e o sexo e outra pesquisa, esta realizada pelo Ministério da Saúde em 2009 com a população em geral. Ali, o objetivo era bem diferente: balizar políticas públicas de combate à Aids. Mesmo assim, alguns dados são inquietantes – como o índice de traição ao parceiro fixo, que ficou na casa dos 16 por cento em um ano na mostra do governo. “Isso não quer dizer, evidentemente, que o evangélico traia mais”, ressalva. “Apenas que os crentes, em diversos aspectos, não diferem tanto assim das pessoas que a Igreja convencionou chamar como ‘do mundo’.” 

“De modo geral, não me surpreendo”, comenta o pastor Geremias do Couto, da Assembleia de Deus. Fiéis de sua denominação, conhecida historicamente pelo rigor nos costumes, constituem um quinto do total de pessoas casadas que entraram na pesquisa. Mesmo assim, ele concorda que a influência de uma prática de vida liberal tem cobrado seu preço da Igreja, sobretudo nesta área: “O percentual naqueles pontos que, de fato, consideramos anomalias, ou mesmo pecado, estaria, a meu ver, dentro de um corte que corresponde ao modo como a prática da fé cristã é vivida, hoje, sem muito comprometimento”. 

Geremias, que é vinculado ao projeto My hope (“Minha esperança”), da Associação Evangelística Billy Graham, e dedica parte de seu ministério à orientação cristã para casais, teve acesso aos dados da pesquisa antes de sua divulgação. O ponto que mais chamou sua atenção foi mesmo o da traição entre cônjuges crentes. Exatos 24,68% dos homens admitiram a pulada de cerca, enquanto que 12% das casadas evangélicas caíram em adultério. O detalhe é que, entre os neopentecostais, o índice supera em cerca de 5 pontos o de adeptos de outras denominações – como os anglicanos e presbiterianos, classificados na pesquisa como “reformados”. “Seriam, hipoteticamente, dois a três casos de infidelidade em cada dez casais crentes”, aponta o pastor. 

ABERTURA 

A pesquisa não deixou de abordar questões como frequência de atos sexuais no casamento e as diferentes modalidades de práticas sexuais. Engana-se quem pensa, por exemplo, que crentes se contentam com as mais convencionais. Quase 38% dos que responderam a pesquisa – lembrando que foram 56% de homens e 44% de mulheres – disseram que “vale tudo” no quarto conjugal, desde que ambos concordem. Aí entram a masturbação mútua, o sexo oral (com grande aceitação para mais de 80%) e até sexo anal, normalmente vetado por líderes e conselheiros por sua associação com práticas promíscuas homossexuais, a chamada sodomia. Mas 21,4% dos casais crentes confessaram praticá-lo. 

Tratar de aspectos tão delicados da intimidade conjugal só foi possível, segundo Danilo, pela garantia do anonimato. “Pesquisas onde a coleta dos dados não é presencial, embora exijam mais cuidado na amostragem científica, ganham nos fatores envolvendo a privacidade do objeto do estudo. Isso incentiva a abertura para assuntos difíceis e a honestidade das respostas”, explica. “Tenho certeza de que muitos usaram a pesquisa como uma espécie de confessionário, prática abandonada pelo protestantismo”, opina o bispo Hermes Fernandes, um dos colaboradores de Genizah e líder da Rede Episcopal de Igrejas da Nação Apostólica (Reina). Ele acompanhou a elaboração da pesquisa e diz que o estudo confirma, com riqueza de detalhes e informações, o que todo mundo sabe: “O proibido é mais gostoso”. Para Hermes, a pressão exercida pela religiosidade acaba por acentuar as pulsões sexuais, tornando-as exacerbadas. “Muitos certamente ficaram aliviados por saber que não são os únicos a adotar certos comportamentos considerados tabus.” 

“Religião não é cabresto” 

O pastor Carlos Moreira, 45 anos, da Igreja Episcopal Carismática do Brasil, acredita que a pesquisa O crente e o sexo foi importante para desfazer mitos. Graduado em teologia e filosofia, ele conversou com CRISTIANISMO HOJE: 

CRISTIANISMO HOJE – Como explicar a proximidade de alguns dados da pesquisa entre casais crentes e os levantados junto à população em geral? 

CARLOS MOREIRA – Na verdade, a pesquisa desvela um universo que, talvez, ainda seja desconhecido do público em geral. Contudo, ela apenas comprova o que já escuto todos os dias no meu gabinete, durante as seções de aconselhamento. O que existe na verdade é que a sociedade imagina que a religião é um cabresto para determinados impulsos da natureza humana, como a sexualidade, por exemplo. Tratar os evangélicos como uma categoria diferenciada da população é alimentar um mito, é imaginar que esta “fatia” da sociedade possui hábitos e costumes diferentes das outras pessoas. Engano. Se isso algum dia foi verdade, hoje, já não é mais. 

E por que o tema é tão espinhoso para os evangélicos? 

Sexo, para os cristãos, sempre foi um problema, e isso desde o início da Igreja. Paulo já carregava notadamente certa dose de preconceito em suas epístolas, talvez por questões pessoais, talvez como forma de antagonizar a doutrina cristã frente à devassidão da sociedade romana, na qual ele vivia. Esta, por sua, vez, já tinha influências do helenismo grego, onde o sexo assumia diversos matizes contrários aos costumes hebreus. Dali para a frente, a questão só piorou. No século 4, com Santo Agostinho, o sexo tornou-se algo terrível, uma nódoa na consciência dos cristãos – feio, sujo, impuro, perverso e vicioso. Esta não é uma questão ligada a uma época ou a uma cultura, é algo atemporal, intrínseco ao ser humano, faz parte de nossa natureza, devia ser visto como coisa comum, natural, pois, tratar o tema de outra forma só faz proliferar o que temos aí, o sexo como algo insalubre, como perversão escondida, como neurose religiosa, e tudo o que é proibido explode da alma para a vida nas formas mais hediondas possíveis.

 Cristianismo Hoje (Via Genizah)

A revista chega às bancas em 3 dias, com informações inéditas.