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sexta-feira, maio 19, 2017

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A Operação Patmos, Silas Malafaia e o Apocalipse Tupiniquim


Por Hermes C. Fernandes

Fujam para os montes! Abriram a Caixa de Pandora! A última operação da PF não poderia ter recebido um nome mais sugestivo do que “Patmos”, numa referência à ilha mediterrânea onde o apóstolo João recebeu as revelações narradas no livro de Apocalipse. A operação foi deflagrada a partir da delação dos donos do JBS, maior grupo de produção de proteína animal do mundo. Além de expor um pedido de propina de Aécio Neves no valor de R$ 2 milhões para pagar sua defesa na Lava Jato, também revelou o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

“Nada há oculto que não seja revelado”, teria dito Jesus certa feita. E de fato, “Apocalipse” é um termo grego traduzido por “revelação”.

O livro mais temido da Bíblia recorre a imagens grotescas como a de bestas que emergem do abismo para assolar os homens, numa referência cifrada ao império romano.

A operação Patmos expôs mais uma vez as entranhas da besta da corrupção, prenunciando o que pode vir a ser o “fim dos tempos” da era Temer e companhia.

Dentre os fatos estarrecedores, tomamos ciência de que Eduardo Cunha, deputado federal pelo RJ, estaria recebendo uma mesada de 500 mil reais semanais que deveria se estender por vinte anos para manter o silêncio. Isso totalizaria 480 milhões (quase meio bilhão de reais!). Mesmo atrás das grades, o parlamentar que se notabilizou entre os evangélicos com o bordão “porque o nosso povo merece respeito!”, segue sua vexatória trajetória de corrupção. E pensar que houve tempo em que a cabeça de um profeta valia mais do que a metade de um reino.[1] Hoje, o silêncio de um pateta vale mais que uma república inteira.

Se a operação Patmos revelou as bestas do nosso próprio Apocalipse tupiniquim, resta revelar os falsos profetas que a apoiaram. Como toda besta que se preze, as nossas também buscam se respaldar em seus profetas de estimação, capazes de atribuir-lhes a alcunha de "Ungidos do Senhor".  Trata-se de homens vendidos que há muito perderam seu temor a Deus, cortejando despudoradamente quem quer que esteja no poder.

De acordo com a reportagem da Folha, o pastor Silas Malafaia teve seu nome citado na delação premiada de Francisco de Assis e Sila, que defende o grupo dos irmãos Joesley, donos da JBS, e de Wesley Batista. Silva afirmou que Malafaia teria recorrido a Willer Tomaz, outro advogado da JBS, solicitando um encontro com um juiz, com a intenção de estreitar relações com o magistrado após ter sido alvo de condução coercitiva em dezembro. Dois meses depois, Malafaia foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de haver ajudado suposta organização criminosa a lavar dinheiro. Ele teria recebido a quantia de R$ 100 mil depositados em sua conta pessoal. Mesmo alegando tratar-se de uma oferta, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo procurou travar aproximação do poder judiciário, precavendo-se de futuros problemas com a justiça dos homens. Ainda que seja comprovada sua inocência, não pega nada bem para quem se apresenta como paladino da moral e da ética cristãs.

Seria como se Jesus recorresse a Pilatos na calada da noite para garantir que não seria crucificado. O mestre galileu jamais foi afeito a este tipo de postura antiética. Ele preferia tudo às claras, sem rabo preso com quem quer fosse.

É melhor a turma colocar mesmo as barbas de molho... A história se repete: não vai ficar pedra sobre pedra.

Faço votos que um novo Brasil emerja das cinzas deste “apocalipse”, e que se levantem líderes idôneos, profetas sem papas na língua, comprometidos com a justiça e o bem comum e não com agendas megalomaníacas e projetos faraônicos de poder.





[1] João Batista, conhecido por não ter papas na língua, foi decapitado a pedido da enteada do rei Herodes, que preferiu sua morte à metade do seu reino, como lhe foi oferecido por seu padrasto. 

quinta-feira, abril 14, 2016

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Seus pobrema acabaram! Vem aí o impeachment tabajara!


Por Hermes C. Fernandes

"Seus pobrema acabaram!" Com este bordão, a turma do Casseta & Planeta fazia paródias muito bem humoradas de produtos que ofereciam verdadeiros milagres.  Seu Creysson, garoto propaganda das Organizações Tabajara, dava o arremate na peça publicitária dizendo: "Eçe eu agarantiu!!!" 

Tenho a impressão de que a vida resolveu imitar a arte mais uma vez. Cada vez que vejo manifestações favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, percebo um misto de esperança e ingenuidade. A maioria parece acreditar que tão logo a presidente seja deposta, a crise terá fim. Será? Ou estaríamos diante de um impeachment com o selo de qualidade "Seu Creysson"?

Sem querer cortar o barato de quem quer que seja, será que ninguém se deu conta do que está por vir? Todos estão tão distraídos com a possibilidade de impeachment, que nem notaram, ou ao menos, fingem não notar que quem vai sucedê-la é ninguém menos que Michel Temer. E pelo jeito, temos muito, mas muito mesmo a temer... Trocadilhos à parte, o atual vice-presidente já sinalizou para alguns dos setores mais reacionários do cenário político brasileiro para a composição de um eventual governo. Com uma postura bem diferente a de Itamar Franco que sucedeu Collor após seu impeachment, Temer é um falastrão. Sua fome pelo poder é incontestável. Covardemente ordenou que os membros de seu partido pulassem fora do governo, enquanto ele mesmo se manteve na esperança de ocupar a cadeira presidencial. Abaixo dele, deparamos com a controversa figura de Eduardo Cunha, o mais ilibado presidente da Câmara de Deputados de todos os tempos. SNQ. 

Brasil, onde você está se metendo? 

Não é preciso gostar de Dilma, nem defender seu governo para perceber o que está acontecendo, de fato. Estamos numa emboscada. Será que ninguém vê?

Dilma está servindo de boi-de-piranha para distrair nossas atenções para o que se passa bem debaixo de nosso nariz.

No pantanal mato-grossense, quando um boiadeiro tem que atravessar um rio enfestado de piranhas com sua boiada, ele escolhe um dos bois, faz um talho em uma de suas patas e o faz atravessar sozinho. Enquanto as piranhas se distraem com aquele boi, a boiada inteira passa incólume do outro lado.

Quem imagina que o problema do país é a presidente pode estar passando um atestado de ingenuidade (me recuso a usar palavras chulas, embora me sinta tentado a isso).

Ou alguém acredita que a Lava-jato vai prosseguir até derrubar o último dos corruptos? Ou que o pacote anticorrupção enviado pela presidente ao congresso vai finalmente ser votado? Ou que a tão sonhada reforma política vai sair?

O problema não é Dilma. O problema é a composição atual de nosso congresso. Homens desprovidos de honra e caráter. E que deram prova disso pulando fora do navio ao vê-lo afundar. Tal qual fazem os ratos...

Dos 38 que votaram a favor do processo de impeachment, 35 estão implicados na Lava-jato. 

Se a coisa fosse séria, Eduardo Cunha não presidiria o processo que visa derrubar uma mulher que, até se prove ao contrário, não teve seu nome envolvido em nenhum escândalo de corrupção. Enquanto ele responde por corrupção já devidamente comprovada. 

As famigeradas piranhas do congresso estão loucas para devorar a carne da primeira mulher eleita presidente deste país. Enquanto as bancadas do boi, da bíblia e da bala saem ilesas. 

Não preciso ser uma árvore para defender o meio-ambiente, nem homossexual para defender os direitos LGBT. Da mesma forma, não preciso ser petista, tampouco eleitor de Dilma ou Lula, para me sentir ultrajado com a injustiça que se comete em plena luz do dia em nosso país. 

Se é para derrubar o que está aí, a primeira peça do dominó a cair tinha quer Eduardo Cunha, seguido de Renan Calheiros, e boa parte dos deputados e senadores que etiquetaram suas almas. Os que trocam de lado, fazem-no como quem investe no mercado futuro. Não se enganem! Não há ali idealismo, altruísmo, mas tão-somente interesses, jogo de poder. As exceções são raríssimas. E posso garantir que não se encontram na cambada, ops, bancada evangélica. 

Minha oração é que a vontade soberana de Deus prevaleça. Se Ele quiser agir com juízo sobre nós, dele ninguém escapará. Se quiser agir com misericórdia, dela ninguém prescindirá.