segunda-feira, junho 29, 2009

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O Jet lag e o Fuso Horário do Reino de Deus

Desde que cheguei aqui nos Estados Unidos, tenho participado ao vivo, via satélite, de algumas reuniões em nossa igreja no Brasil. Através do sistema que implantamos, tanto posso ver os irmãos, quanto sou visto por eles. E é interessante que devido à diferença de fuso horário, enquanto lá já é noite, aqui ainda é dia. A diferença até que é pouca durante esta época do ano. Apenas uma hora (há época em que a diferença é de três horas). Mesmo assim, pelo fato de aqui ser horário de verão, começa a escurecer muito tarde, por volta das 20:45 h. Às nove da noite, ainda vemos o horizonte avermelhado, porque o sol ainda está se pondo.

Da outra vez que morei aqui nos Estados Unidos, eu tinha que voltar ao Brasil a cada mês, e isso me trouxe muitos problemas. Os comissários de bordo chamam de Jet lag o efeito causado no organismo humano pela diferença de fuso horário. Pessoas que viajam constantemente sabem do que estou falando. Temos um relógio biológico em nosso corpo, que se adequa ao nosso fuso local. Quando trocamos esse fuso regularmente, nosso relógio biológico fica desequilibrado, e a gente começa a trocar a noite pelo dia, e vice-versa. E eu exatamente o que é isso. Já passei muitas noites acordado por causa do Jet lag.

Não haveria também uma espécie de fuso horário distinto entre o Reino de Deus e o resto do mundo?

Ora, sabemos pelas Escrituras, que quando abraçamos a fé em Jesus, fomos “arrebatados do império das trevas, e transportados para o Reino” (Cl.1:13). Portanto, fomos introduzidos em uma nova realidade, em um novo território (ainda que espiritual!). Nada mais coerente do que supor que essa nova realidade tenha seu próprio fuso horário.

Dada a rotação da Terra, o Sol aparece primeiro no Oriente. Por isso, a Austrália comemora a chegada do Ano Novo algumas horas antes de nós.

Como Igreja de Cristo, somos a Nação Santa, a Nova Jerusalém, lugar onde se vê primeiro o raiar do Novo Dia. É para nós, que tememos o nome do Senhor, que nasce “o sol da justiça, trazendo salvação debaixo das suas asas” (Ml.4:2).

Ainda que o Mundo esteja mergulhado nas densas trevas de uma noite que pareça eterna, para nós o dia já raiou:

“Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu” (Is.60:1-3).

E mais: somos informados que este Sol que acaba de nascer, jamais se porá. Portanto, o novo dia que raiou vai durar para sempre.

“Nunca mais se porá o teu sol (...) O Senhor será a tua luz perpétua” (Is.60:20).

Porém a Terra não pára de girar. O novo dia que surgiu para nós, há de raiar para todas as nações do Globo.

Para nós, que vivemos no fuso horário do Reino de Deus, Paulo escreve:

“A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Rm.13:12).

É hora de aposentarmos nossos pijamas, e despertarmos para vivermos o novo dia, o hoje eterno.

E esse novo dia começou quando Cristo rendeu Seu espírito na Cruz, dizendo: Está consumado. O velho aión (era) teve seu fatídico fim.

As trevas encontraram o seu apogeu. No relógio profético, a Cruz se deu à meia-noite. Por isso Jesus afirmou ao ser preso: “Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc.22:53).

A partir da Cruz, começa o novo dia, o Dia do Senhor.

Portanto, a tendência é que as coisas clareiem, em vez de escurecerem. Em outras palavras, o mundo caminha para a restauração, e não para a destruição, como insistem alguns.

Quando começa um novo dia? Não é no primeiro segundo após a meia­-noite? Entretanto, a noite continua tão escura quanto antes. Porém, a partir daí, gradativamente, as trevas vão cedendo à luz. Ainda que os olhos não percebam, dado o caráter paulatino com que o dia vai clareando. As horas que se seguem testemunham o embate entre as trevas e a luz. Invariavelmente, as trevas são vencidas.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram sobre ela” (Jo.1:5).

Horas depois, surge no horizonte a estrela da manhã, anunciando que a qualquer momento, os primeiros raios solares serão vistos.

Não é debalde que Jesus Se apresenta nas páginas de Apocalipse como a Estrela da Manhã (Ap.22:16).

Sempre que o Evangelho chega a novos rincões, Jesus Se apresenta ali como a estrela matutina.

A Igreja dos dias de João presenciou a alvorada do novo dia. Por isso João, o mesmo autor de Apocalipse, escreveu em sua epístola:

“...as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8b).

Em breve, a luz do Evangelho terá alcançado todos os povos, e o novo dia alcançará o seu apogeu. Todas as nações se renderão à Cristo, Luz do Novo Dia. “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele” (Sl.22:27).

Ser reinista é crer piamente que a História terá um desfecho glorioso, e que a Igreja de Cristo cumprirá a sua missão de discipular as nações.

Cumprir-se-á o que diz o sábio Salomão:

"A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Pv.4:18).

Em outras palavras, o bem triunfará. As trevas serão totalmente dissipadas. A verdade e o amor prevalecerão. E aí... será dia perfeito!
Apesar de já vivermos a alvorada deste novo dia, há muitos que ainda dormem, sob o efeito de um Jet lag espiritual.
Para estes, vale a advertência apostólica, que diz: "Todos vós sois filhos da luz, e filhos do dia. Nós não somos da noite, nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios. Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios..." (1 Ts.5:5-8a).
Lembre-se: Fomos arrebatados das trevas para luz. Pertencemos a uma outra ordem. Não podemos cede a este Jet lag, vivendo como se ainda estivéssemos no mundo. Estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo Jesus, e portanto, reinando com Ele. E para aqueles que insistem em dormir, Paulo vocifera:
"Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará" (Ef.5:14).
Triiiiiimmmmmmm! Hora de acordar!

domingo, junho 28, 2009

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Overdose de Deus

Há um tema sempre recorrente nos louvores atuais: “Mais de Deus”. Se por um lado, temos a impressão de que as pessoas estão realmente se interessando pelas coisas celestiais, a ponto de não se contentarem com uma espiritualidade rasa, por outro lado, corremos o risco de achar que a obra realizada por Deus em Cristo ainda não foi consumada.

Cantamos que “o melhor de Deus ainda está por vir”. Mas o que queremos dizer com isso? Se estamos declarando com isso que o Espírito Santo nos conduz sempre a uma glória maior, tudo bem. De fato, o melhor sempre está por vir. Porém, temos que cuidar pra que não haja um mal entendido. Pois o “Melhor de Deus” já veio, e Se chama Jesus Cristo. Num certo sentido, quem espera que o melhor de Deus ainda venha são os judeus, que rejeitam Jesus como o Messias prometido.

Definitivamente, Jesus é o Melhor de Deus. Ele poderia ter enviando um anjo, mas em vez disso, enviou-nos Seu único Filho. Alguém ainda se atreve a dizer que o Melhor de Deus ainda está por vir? E mais: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?” (Rm.8:32). Tudo o que por ventura desejássemos da parte de Deus, já está incluído em Jesus. Precisamos de mais?

É razoável insistirmos em querer mais de Deus?

Depois de orar por três vezes pedindo que se lhe fosse removido um espinho da carne, Paulo ouviu do Senhor a resposta: “A minha graça te basta” (2 Co.12:9).

Ora, se a Graça é o suficiente, por que continuamos a querer mais?

Tornamo-nos uma geração de crentes insaciáveis, sempre em busca de uma dose mais forte da presença de Deus. Parecemos dependentes químicos, que sempre buscam uma droga mais forte. Começam com um baseado, e quando esse já não faz o mesmo efeito, passam pra uma droga mais forte, até sofrerem uma overdose.

A última pesquisa feita pelo IBGE aponta que quase 50 milhões de brasileiros são afastados de igrejas evangélicas (são os desigrejados). Gente que não aprendeu a se contentar com a Graça, e acabou sofrendo uma overdose espiritual. A busca frenética por um êxtase espiritual produz um desgaste emocional, que pode resultar num desapontamento e eventual afastamento da igreja.

Muitos buscam uma porção extra do Espírito Santo, baseados na experiência de Eliseu, que recebeu “porção dobrada” do Espírito que havia sobre Elias. Entretanto, vivemos sob a égide da Nova Aliança, onde recebemos “a plenitude em Cristo” (Cl.2:10). Deus nos dá do Seu Espírito sem medida (Jo.3:34). Portanto, não há porções adicionais.
No momento em que ouvimos a Palavra da Salvação, tendo n’Ele crido, fomos “selados com o Espírito Santo da promessa”( Ef.1:13).

Não há qualquer razão pra que um crente em Jesus esboce uma sede insaciável por Deus. Davi, o grande salmista, tinha razão em dizer que sua alma tinha sede de Deus, pois o Espírito Santo ainda não havia sido dado. Porém, agora, tal sede é inadmissível. Foi Jesus quem garantiu: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede (Jo.4:14).

Fomos saciados n’Ele!

Em vez de focarmos em nossos sentimentos, buscando uma nova experiência, deveríamos focar naqueles que ainda não beberam da água da vida.

“O Espírito e a noiva dizem: Vem. Quem ouve, diga: Vem. Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap.22:17).

Esta passagem tem sido mal interpretada, como se o Espírito e a Noiva dissessem a Jesus: “Vem!”. Mas basta ler a seqüência do verso pra verificar que o assunto é outro. O convite feito pelo Espírito e pela Noiva (a Igreja) não é endereçado a Jesus, mas aos sedentos deste mundo.

Mas como podemos convidar as pessoas para se saciarem em Cristo, se nós mesmos dizemos que ainda não fomos saciados?

Paulo testifica que “a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1 Co.12:13). Só uma igreja saciada tem condição de convidar o mundo pra que venha saciar-se.

Deveríamos fazer como a Samaritana, que “deixando o seu cântaro, foi à cidade e disse ao povo: Vinde, vede...”(Jo.4:28).

O problema é que não queremos abandonar nosso cântaro. Achamos que nossa busca ainda não se encerrou. Pensamos: Jesus deve estar escondendo alguma coisa de nós! Vamos insistir até que Ele resolva nos atender, e nos dar aquela porção extra que Ele tem guardado só pra Si. Infelizmente, esse parece ser o raciocínio de muitos.

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A Síndrome de Estocolmo

O homem foi criado para viver na dependência de Deus, tendo NELE toda a fonte e perspectiva de vida. Porém, ao comer do fruto proibido, ele declarou sua independência, sendo conduzido pelo diabo à escravidão do pecado.

Com isso passamos a ser propriedade do pecado. A independência foi o preço pelo qual nos vendemos. Fomos levados cativos, nos tornamos prisioneiros de nossas próprias concupiscências.

E agora, vendidos como escravo ao pecado nos tornamos reféns do mesmo. Impedidos de fazer nossa própria vontade, antes estamos sujeitos à vontade daquele que nos assenhoreou. Ou “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça (Romanos 6;16) ?"

Porém, o cativeiro que deveria representar terror acaba servindo de paraíso para a nossa carne. Essa percepção é oriunda de uma mente tomada pelo pecado. Ela faz com que Homem e pecado se tornem amigos.

Com isso percebe- se que o pecado nos provoca uma espécie de “Síndrome de Estocolmo”. Que é o nome atribuído a um fenômeno psicológico diagnosticado, pela primeira vez, após um assalto com seqüestro ocorrido na capital sueca nos anos 70. Ao longo do período de cativeiro, que durou seis dias, os reféns desenvolveram, em relação aos seqüestradores, uma relação afetiva.

Tal síndrome, em síntese, resulta de uma operação mental inconsciente, gerada com o objetivo de proteger a psique, mediante a ilusão de que não há um perigo real na situação a que o seqüestrado fica exposto.

Da mesma forma o vírus do pecado não permite que vejamos o real cenário de morte que estamos inseridos. Pecamos sem saber do perigo que estamos correndo. Vivemos em uma verdadeira ilusão. Somos seduzidos como pelo “canto de uma sereia” a manter um relacionamento com aquele que só tem a morte para oferecer, ainda que esta venha travestida de prazer e de glamour.

E agora, “quem me livrará do corpo dessa morte?" (Romanos 7:24)

A libertação disso tudo reside na redenção de Cristo! Nela fomos comprados de volta. Se antes nossos pensamentos estavam cativos no pecado, agora o temos levados cativos à obediência de Cristo (II Coríntios. 10:5). O sacrifício da Cruz provoca o divórcio entre o homem e o pecado.

Quando nos rendemos ao Senhorio de Cristo, recebemos a redenção de nossa alma. Ambientes que outrora tínhamos prazer em participar, agora nos causa náuseas. Passamos a amar o que ELE ama e a odiar o que ELE odeia. Sentimos nossa miséria, a ponto do nosso riso ser convertido em pranto e o nosso gozo em tristeza (Tiago 4:9). O que tínhamos como lucro se torna prejuízo e vice e versa. A mente de Cristo nos faz perceber o real cenário em que estamos inseridos.

Com isso todo o glamour e ilusões oriundas de uma mente corrompida pelo pecado caiem por terra. A redenção de Cristo nos provoca uma desilusão. Como diz Caio Fábio “todas as nossas desilusões deveriam ser por nós tratadas como bênçãos, pois, afinal, trata-se de uma dês-ilusão; ou seja: da libertação da ilusão.”

Enquanto vivermos nesse corpo sempre teremos contato com o pecado. Aliás, nosso corpo continua faminto e escravo de suas próprias concupiscências. Sempre haverá nessa vida uma batalha entre carne e Espírito.

Mas agora uma mente renovada e desiludida percebe nitidamente quando esta se enveredando por caminhos errados.

Que possamos viver na certeza de que Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso (Filipenses 3:21a).” Isso ocorrerá quando Cristo retornar para encontrar- Se com seus redimidos. Neste momento seremos livres da presença do pecado e a redenção terá alcançado seu ápice.

Enquanto isso não ocorre devemos manter nossos pensamentos cativos à sua obediência, assim fazendo não iremos cair novamente em uma Síndrome de Estocolmo.

Texto de Bruno Jardim

quinta-feira, junho 25, 2009

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Cristãos choram a morte de Michael Jackson

Hoje morreu Michael Jackson. Recebi a triste notícia enquanto viajava pela Interstate 95, de Jacksonville para Lake Mary. Confesso que fiquei profundamente comovido. E vou explicar meus motivos.

Há reportagens sobre sua vida e sua morte em todos os veículos de comunicação e por isso não vou ser redundante. Quero apenas explicar a razão que me deixou transtornado com a sua morte.

A despeito de todas as controvérsias envolvendo seu nome, Michael Jackson não era apenas um cantor pop, ou um ícone cultural. Ele se tornou o ídolo de uma geração desprovida de utopias. Sua música e dança embalaram jovens cujo sonho era o de alcançar o sucesso a qualquer custo, e não o de transformar o mundo, como sonhou a geração anterior.

Uma geração preocupada com a aparência só podia cultuar um ídolo que fosse uma metamorfose ambulante. A cada nova cirurgia plástica de Michael Jackson, minha geração se via diante de um espelho. Não era ele, éramos nós. Seres em busca de significado, de aceitação.

O negro que embranqueceu. O caçula que superou seus irmãos em sucesso. O homem que quis ser criança novamente.

Vítima da síndrome de Peter Pan, se recusava a crescer. Seu mundo era um parque de diversão construído em seu quintal. Tudo o que queria era se divertir, e por isso, não se importava de ser acusado de molestar crianças. Ele se dizia inofensivo. Apenas apreciava a companhia das crianças, com quem queria partilhar seus brinquedos e fantasias.

Agora, toda uma geração ficou órfã. A cultura pop perdeu o seu rei. Não foi apenas sua voz que se calou. Seu personagem saiu de cena. A cortina se fechou, encerrando mais um espetáculo.

Já na reta final de sua vida, Michael Jackson se despertou para problemas sociais e ambientais, gravando alguns hits em que os denuncia e chama a sua geração a encará-los com seriedade. Pena que tais canções não fizeram tanto sucesso quanto Thriller, Beat It e Billie Jean.

Estou triste com sua partida. Sua ultima turnê divulgaria sua nova fase de consciência amadurecia.

Adeus Michael. Meus pêsames a toda uma geração.

A propósito, por que o título "Cristãos choram a morte de Michael Jackson"? A princípio, o título da postagem era "O mundo chora...". Depois, refleti e lembrei que as Escrituras nos ensinam a chorar com os que choram... Logo, se o mundo chora e lamenta, por que razão não nos comoveríamos?

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Michael Jackson e seu profetismo pop tardio



terça-feira, junho 23, 2009

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Todos anseiam por mudança



Uma das minhas canções prediletas cantadas por populares em várias partes do mundo. Gente que deseja um mundo diferente. Ah se os cristãos fossem mais sensíveis ao clamor do Mundo!

segunda-feira, junho 22, 2009

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Desigrejados, uni-vos!

Jesus peitou o sistema religioso de Sua época, mesmo sabendo o alto preço que teria que pagar por Seu atrevimento.

Ele disse que faríamos obras ainda maiores. E por quê maiores? Quem somos nós para superarmos o nosso Mestre?

O fato é que, quando Jesus caminhou entre nós, o sistema religioso, por mais refinado que parecesse, ainda era rudimentar em comparação aos nossos dias.

Hoje, se quisermos seguir os passos de Cristo, teremos que peitar uma verdadeira indústria religiosa, onde as pessoas são vistas, ora como produtos, ora como clientes, e ora como engrenagens.

O que muitas vezes é chamado "discipulado", nada mais é do que a produção de seguidores em série, soldadinhos de chumbo, réplicas perfeitas de seus mentores.

Não foi isso que Jesus planejou quando recrutou Seus primeiros discípulos na Galiléia. Jamais foi Sua pretensão que a igreja se tornasse numa fábrica de lunáticos.

O discipulado autêntico é aquele que nos desafia a encarnar a mensagem de Cristo, tornando-nos agentes transformadores do Reino, inseridos numa sociedade corrompida. O verdadeiro discipulado é o que envia ovelhas para o meio dos lobos.

O mais importante não é encher a igreja, mas encher o Mundo com o conhecimento de Deus.

Enquanto quebramos maldições hereditárias, o abismo entre gerações se acentua, e assim, 'maldições existenciais' se perpetuam.

Buscamos cura interior, enquanto lá fora, há chagas sociais que precisam cicatrizar, hemorragias que ainda não foram estancadas.

Discutimos o sexo do anjos, enquanto pequenos anjos, abandonados nas ruas, são molestados diariamente por quem deveria protegê-los.

Reagimos violentamente contra leis que poderiam prejudicar a igreja, mas não nos importamos com leis que prejudicam os mais necessitados.

Mania de coar mosquitos e engolir camelos!

- Limpem bem seus pés quando entrarem no templo para não estragar o carpete novo.
Amém ou não amém? E não se esqueçam de se escrever em mais um congresso a ser realizado no hotel tal, por uma bagatela de 400 reais.

Tornamo-nos uma caricatura da igreja de Jesus.

Enquanto a sociedade se debruça sobre questões de primeira grandeza, voltamo-nos para nós mesmos, preocupados com questiúnculas.

- Não podemos perder para os gays, não é verdade? Se eles reuniram três milhões em sua infame parada, vamos reunir o dobro em nossa marcha pra Jesus.

Grande coisa!

Ah se os crentes soubessem que muitos desses manifestos são apenas demonstrações de poder político!

É por essas e outras que, a cada dia, cresce assustadoramente o número de desigrejados. Uma massa descontente com os rumos tomados pelas igrejas.

Quando sairemos às ruas em favor do oprimido? Quando deixaremos de lado nossa postura arrogante e estenderemos as mãos aos necessitados?

Enquanto mantivermos o dedo em riste, em espírito inquisitório, o mundo nos dará outro dedo.

Quando as igrejas deixarem de ser currais eleitorais, e se tornarem centros de cidadania; quando deixarem de se preocupar com o próprio umbigo, e voltar-se para fora, então a esperança triunfará. O dedo que antes apontava os erros, passará a indicar o caminho.

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Todo cuidado ainda é pouco!



Veja o que esta banda fez com um corinho que a gente aprende quando criança.
Simplesmente, extraordinário!

domingo, junho 21, 2009

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Catedrais... pra que servem?

Catedral, sonho de consumo de nove em cada dez pastores. Construir uma tornou-se a maior realização de um ministério. Imagine construir várias?

Afinal, pra que servem as catedrais? Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Não importa o quão suntuosos sejam. Ele não se impressiona com luxo, com colunas revestidas de ouro, com cadeiras acolchoadas, com piso acarpetado, ar-condicionado central, etc.

Então, por que as construímos? É na glória de Deus que pensamos? Não! Queremos rivalizar com os Shopping Centers. Deus não pode perder pra Mamon, não é verdade? Sem contar que a concorrência com outras igrejas é muito forte, e não podemos ficar pra trás.

As pessoas não estão em busca da verdade, e sim da conveniência. Elas não buscam relacionamentos, mas conforto. Elas não se interessam em adoração genuína, mas em entretenimento. Elas não querem Deus, mas um gênio da lâmpada que resolva todos os seus problemas. Elas não querem a Videira Verdadeira, mas apenas um deus quebra-galho. Então, vamos dar o que elas procuram! Se elas pedirem um bezerro de ouro para adorar, vamos atendê-las sem pestanejar. Caso contrário, corremos o risco de perdê-las para outras igrejas (ou seria para outros currais religiosos?)

É a lei da oferta e da procura.

Quanto desperdício de recursos!

Uma coisa que não entendo é que a maioria daqueles que constroem catedrais, acredita e ensina que o Mundo está prestes a acabar. Ora, não haveria aí um incoerência? Se a Vinda de Cristo está às portas, que sentido faria gastar milhões na construção de algo de que "não vai ficar pedra sobre pedra" (conforme a crença deles)? Não seria mais sábio gastar os mesmos recursos para salvar vidas?

Não lembro ter ouvido de Jesus nenhuma orientação para que construíssimos catedrais. Será que os evangelistas se esqueceram de anotar o “ide por todo mundo, construindo catedrais”?
Onde era a catedral em que Jesus costumava pregar?
“Olhai os lírios do campo”! Bradava o Mestre, enquanto pregava a céu aberto.
Esta era a Sua Catedral. Em vez de uma abóbada dourada, repleta de vitrais, a abóbada celeste, pontilhada de estrelas.
Seu púlpito eram os outeiros, e às vezes algum barco emprestado. Seu sistema de som era o vento que amplificava a Sua voz, fazendo-a soar aos ouvidos atentos das multidões. Seu carpete era a relva, onde as pessoas se sentavam para ouvi-Lo. As ruas empoeiradas eram seus corredores. Os galhos das árvores eram os camarotes de onde os pássaros e pessoas importantes gostavam de assisti-Lo.
Pra que servem catedrais?

Não me refiro às catedrais medievais, verdadeiros monumentos culturais, repletos de arte sacra, provendo ambientes reverentes propícios à adoração. Refiro-me às catedrais de hoje em dia, construídas em série, cuja finalidade não é outra senão alimentar a nossa vaidade e justificar nossa ganância.
Que tal voltarmos a freqüentar a mesma catedral de onde Jesus proclamava o Evangelho? Que tal nos reunir à beira da praia, e juntos adorarmos a Deus enquanto assistimos ao pôr-do-sol? Que tal voltar a sentir o cheiro da relva molhada, enquanto desfrutamos da comunhão entre irmãos, e ouvimos a doce voz do Mestre sussurrando em nossos ouvidos através do vento?

Imagine se o povo de Deus fosse conhecido como o povo da natureza, como aqueles que enxergam os eternos atributos de Deus nas coisas criadas.

Enquanto nos trancamos nas catedrais, estamos perdendo o espetáculo da vida.

Sonho com o dia em que os cristãos voltarão a se reunir nos parques, a orar nos jardins (como fazia Jesus); participarão da Ceia do Senhor em contato com natureza.

Em vez de ar-condicionado, ar puro. Em vez de refletores, os luminares criados por Deus (sol, lua, estrelas). Nossos cultos teriam a participação especial do coral dos pássaros. Nossos santuários seriam enfeitados por lírios, aqueles cuja glória ofusca a de Salomão.

Desculpem o devaneio... é só um sonho.


P.S.: Originalmente, "catedral" era o lugar da "cátedra" (cadeira) do bispo. Não importava se o lugar era suntuoso ou rústico. Infelizmente, o termo foi corrompido, passando a significar um lugar amplo, que geralmente serve de Sede para uma denominação.

sábado, junho 20, 2009

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A Era das Estrelas Gospel está chegando ao fim

Não sou saudosista. Mas devo admitir que foi-se o tempo em que o púlpito não era palco nem palanque, e a congregação não era platéia, nem tampouco o pastor era considerado um showman. Foi-se o tempo em que cantores que se dedicavam a louvar a Deus não tinham fã clube, e nem sabiam o que significa tietagem após sua apresentação. Mesmo porque, não havia performance, e sim, culto. Todos os holofotes eram voltados para Deus. E os únicos aplausos que esperava ouvir vinham dos céus.

O sonho de conquistar o mundo para Cristo foi substituído pelo sonho de tornar-se num mega-star gospel.

O dinheiro antes investido para enviar missionários para o campo, agora é usado na construção de suntuosas catedrais, com suas cadeiras acolchoadas, para oferecer conforto à crentes almofadinhas.

Mas tudo isso está prestes a acabar. O mercado gospel está ficando saturado. Ninguém suporta mais patrocinar os projetos megalomaníacos dessas estrelas.

Cada vez mais, os cristãos estão se conscientizando de que seu papel não é o de manter esta indústria religiosa, que se apresenta como ministérios, e sim, de trabalhar pela transformação do mundo.

Chega de fogueiras santas! Chega de fogueiras de vaidade!

Chega de estratégias evangelísticas mirabulantes. Que o importante seja o que é certo, e não o que dá certo.

Chega de busca por títulos e fama. Que se busque servir em vez de ser servido.

Voltemos ao velho e bom Evangelho, sem invencionices. Voltemos ao discipulado, sem a pressão pela multiplicação. Deixemos que Ele acrescente em número, enquanto nós focamos a qualidade de nossa vivência cristã.

E que os milagres aconteçam em ambientes domésticos e seculares, no dia-a-dia, e não a granel, no atacado, como tem sido anunciado nos programas neo-pentecostais.

Está chegando o tempo em que o Evangelho será espalhado por toda a Terra, não através de eventos extraordinários, marchas, cruzadas, mas através de gente anônima, ilustres desconhecidos, que ofuscarão o brilho daqueles que se acham indispensáveis na expansão do Reino de Deus, e isso, sem chamar a atenção para si.

Pronto! Falei! Estava entalado...

Viva o novo tempo!

quinta-feira, junho 18, 2009

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Quem é quem no Caldeirão

Quais as características de quem conhece a Deus?

Uma sociedade baseada em aparência, facilmente se deixará enganar por aqueles que ostentam uma piedade de fachada. Basta que o sujeito use meia dúzia de jargões religiosos, e pronto. Já enganou metade das pessoas do seu convívio.

Escrevendo a Tito, Paulo denuncia os que "professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tt.1:16).

Discursar sobre teologia não significa conhecer a Deus. Tive um professor no seminário que se dizia ateu. E aí?

Tempo de casa também não significa nada. Conheço gente que abraçou a fé há tão pouco tempo, mas que já conhece a Deus com mais profundidade do que alguns que nasceram e foram criados no ambiente da igreja.

Então, como podemos inferir se alguém conhece ou não a Deus. Do ponto de vista de Deus, não há qualquer problema. Afinal de contas, "O Senhor conhece os que são seus" (2 Tm.2:19a). Mas do ponto de vista do lado de cá, só há uma maneira de saber quem de fato conhece a Deus: "Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da injustiça" (v.19b).

Vamos tentar entender melhor isso através de uma passagem não muito conhecida do Antigo Testamento:

"Eram os filhos de Eli, filho de Belial; não conheciam o Senhor" (1 Sm.2:12).

Como pode alguém ser filho do Sumo-sacerdote, e não conhecer a Deus? Nem sempre filho de peixe, peixinho é. Embora fossem filhos de Eli, aos olhos de Deus eram filhos de Belial (nome usado no AT em referência a Satanás).

Como o escritor sagrado chegou à esta conclusão? Vejamos o relato:

"Ora, o costume desses sacerdotes para com o povo era que, oferecendo alguém um sacrifício, estando-se cozendo a carne, vinha o moço do sacerdote com um garfo de três dentes na mão ( o famoso ‘tridente’). Metia-o na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita, e tudo o que o garfo tirava, o sacerdote tomava para si. Assim faziam a todo o Israel que ia a Siló” (vv.13-14).

Este era o meio de subsistência dos sacerdotes. Eles se dedicavam integralmente ao culto, e dependiam das ofertas para sobreviver. Porém, havia um protocolo a ser seguido.

“Mas antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote; ele não aceitará de ti carne cozida, senão crua. Se lhe respondia o homem: Queime-se primeiro a gordura, e depois tomarás o que quiseres, então ele lhe dizia: Não, hás de dá-la agora; se não, tomá-la-ei à força. Era muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, pois desprezavam a oferta do Senhor” (vv.15-17).

De acordo com o protocolo, a carne dos animais sacrificados deveria ser colocada no caldeirão, até que a gordura se queimasse, e assim, o sacerdote meteria seu garfo e retiraria a sua parte. Mas a gordura tinha que queimar.

Os filhos de Eli não tinham paciência de esperar que a gordura se queimasse. A gordura representava a melhor parte, e esta pertencia ao Senhor. Mas eles não se satisfaziam com a parte que lhes cabia no caldeirão.

Eles foram enredados pela mesma proposta feita pela serpente ao primeiro casal no Éden. Abocanharam o que pertencia exclusivamente a Deus.

Quem conhece a Deus, ama a justiça e foge da injustiça.

Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. A Deus o que é de Deus, a César o que de César, ao empregado o que é direito seu, ao patrão, idem, ao cônjuge a sua parte (1 Co.7:3-5), e assim por diante.

Em vez de lutar por lucro, quem conhece a Deus luta por justiça. Não importa quem vai ficar com a melhor parte do bolo, desde que isso seja justo.

Nas palavras do apóstolo, “daí a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa algum, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm.13:7-8a).

Dar honra é o inverso de querer tirar vantagem.

O que denunciava que os filhos de Eli eram na verdade “filhos de Belial”, era o fato de quererem tirar vantagem em tudo, até daquilo que pertencia ao Senhor.

É claro que temos direitos, porém o direito alheio vem sempre em primeiro lugar. Temos que esperar a gordura queimar, para tirar o que é nosso. É disso que Paulo fala em Romanos 12:10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-os em honra uns aos outros.” Ser cordial é ceder a vez, é por o interesse do outro acima do nosso, como nos orientou Paulo em outra passagem: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp.2:3-4).

Sempre haverá um caldeirão diante de nós, e nossa postura ao metermos nosso garfo vai revelar de quem somos filhos.

É simples assim:

“Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1 Jo.3:10).

quarta-feira, junho 17, 2009

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O que se come em uma semana

Muito interessante o comparativo... Dê uma olhada no tamanho da família, a dieta alimentar de cada país, a disponibilidade de alimentos e a despesa com comida, em 1 semana.


1 - Alemanha: Família Melander de Bargteheide. Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares /R$810,11



2 - Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte. Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dólares/ R$557,42



3 - Itália: Família Manzo da Secília. Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares / R$423,97



4 - México: Família Casales de Cuernavaca. Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares/ R$ 308,21



5 - Polônia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna. Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares/ R$246,57



6 - Egito: Família Ahmed do Cairo. Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares/ R$111,70



7 - Equador: Família Ayme de Tingo Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares / R$ 51,42



8 - Butão (Ásia): Família Namgay da vila de Shingkhey. Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares / R$8,20



9 - Chade (África): Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing. Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares / R$2,00


Via Antenado Blog

Lembro de uma vez em que hospedamos um missionário da África. Durante uma refeição, ele começou a chorar. Ao perguntarmos o motivo de seu choro, ele nos explicou que aquele frango assado que comemos em poucos minutos, poderia alimentar uma família por uma semana em seu País.

Em contrapartida, aqui nos Estados Unidos se desperdiça tanta comida, que dá dó.

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Farinha pouca... meu pirão primeiro
















O Reino e a sua JUSTIÇA

Um dos versos prediletos dos pregadores modernos é Mateus 6:33, onde Jesus ordena: “Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

Este verso é sistematicamente usado para convencer aos fiéis a priorizarem o Reino de Deus, que para eles, limita-se à esfera eclesiástica. Priorizar o reino de Deus é entendido como sinônimo de ser assíduo aos cultos e jamais deixar de fazer suas contribuições. Família, negócios, lazer, tudo deve ser preterido, em função da agenda da igreja local.

Mas será exatamente isso que Jesus quis dizer? O que significaria “buscar o Reino de Deus”? E mais: o que significaria buscar a justiça desse reino?

Geralmente, a ênfase recai sobre o Reino, identificando-o com a igreja. E quanto à justiça desse reino, por que é simplesmente ignorada? Afinal, a ordem de Cristo é buscar em primeiro lugar o Seu Reino e a sua justiça.

Estaria Jesus falando da justiça imputada aos pecadores, quando estes admitem seu estado pecaminoso, recorrendo à misericórdia de Deus revelada na Cruz? Estaria Ele falando da tão importante doutrina conhecida entre nós como “justificação pela fé”?

Ou estaria Ele falando da justiça como o modo de vida proposto aos cidadãos do Reino de Deus?
Se Jesus estava referindo-Se à Justiça de Deus, então é provável que Ele estivesse falando da Justificação pela Fé. Mas Se Ele estava referindo-Se à Justiça do Reino, logo, é mais plausível crer que Ele estivesse falando da Justiça como práxis, como prática, e não apenas como algo que nos é imputado. Mesmo porque, a justiça que nos é imputada pela fé, não é resultado de qualquer busca humana, mas de uma intervenção soberana de Deus. Nós não a buscamos. Ela nos encontrou, e nos foi imputada pela fé.

Creio piamente que Jesus estava falando da Justiça do Reino, que é a conseqüência prática que deve ser encontrada na vida daqueles em quem foi imputada a Justiça de Deus.

Em sua primeira epístola, João diz: “Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1 Jo.2:29). E mais: “Quem não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”(3:10b).

De fato, somos justificados pela fé somente. Isto é, ao crermos no Filho de Deus, e na suficiência de Seu sacrifício por nós, somos declarados justos no Tribunal Celestial. Não somos inocentados, mas justificados. Ser declarado justo não é o mesmo que ser declarado inocente. O inocente é aquele que não tem qualquer culpa. Já o que foi justificado é aquele que teve sua culpa comprovada, mas sua penalidade foi devidamente aplicada. Seu débito, portanto, fora saldado. No caso, Cristo arcou com nossa penalidade na Cruz, morrendo em nosso lugar.

Uma vez declarados justos, devemos buscar viver a Justiça do Reino de Deus.

Definição bíblica de justiça

Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. Nas palavras de Paulo: “Dai a cada um o que deveis” (Rm.13:7a). Toda vez que privamos alguém dos seus direitos, cometemos injustiça.
Paulo define o Reino de Deus como “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”, e afirma que “quem nisto serve a Cristo, agradável é a Deus e aprovado pelos homens” (Rm.14:17b-18). Quem disse que “agradar a Deus” e ser “aprovado pelos homens” são coisas excludentes?

A igreja primitiva experimentou cada uma destas dimensões do Reino de Deus, e por isso é dito que os crentes caíam “na graça de todo o povo” (At.2:47). Eles experimentavam uma verdadeira revolução, não apenas espiritual, mas também social.

Onde quer que a mensagem do Reino era pregada, havia grande alegria, até em cidades como Samaria, onde os discípulos jamais imaginariam ser bem recebidos (At.8:8).

A perseguição sofrida pela igreja era protagonizada pelas autoridades judaicas e romanas, não pelo povo. Era justamente a popularidade daquela nova seita, conhecida como “o Caminho”, que tanto incomodava às autoridades, instigando-as ao ciúme.

Mas enquanto as autoridades se corroíam de ciúmes, a igreja caía na simpatia das camadas populares, que eram contagiadas pela alegria do Espírito.

Aos poucos, a Igreja ía se espalhando pelo mundo, semeando a mensagem subversiva e poderosa do Reino de Deus. E o resultado? Além de alegria contagiadora, Lucas diz em sua reportagem que “as igrejas em toda a Judéia, Galiléia e Samaria tinham paz. Eram fortalecidas e, edificadas pelo Espírito Santo, se multiplicavam, andando no temor do Senhor”(At.9:31). A consciência apaziguada gera relações pacíficas. Quem não tem paz com Deus, não pode estar em paz consigo mesmo, e, conseqüentemente, não consegue ter paz com o semelhante. A paz oferecida por Cristo abrange a relação entre o ser humano e Deus, entre ele e seus semelhantes, e entre ele e sua consciência. E é esta paz que oferece o solo fértil, onde a Justiça possa ser semeada.

Tiago diz: “Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para os que promovem a paz” (Tg.3:18). Sem paz, torna-se impossível a frutificação da justiça do Reino. A Paz produz o ambiente propício para que a justiça, uma vez semeada, possa frutificar.

Alegria, paz, e... justiça!

Os crentes primitivos buscavam e viviam a justiça do Reino de Deus, em todas as suas implicações. E por isso, “não havia entre eles necessitado algum”(At.4:34). Como Jesus havia predito, todas as coisas lhes seriam acrescentadas, se buscassem prioritariamente a Justiça do Reino.

Porém, o cumprimento desta promessa não se daria através de alguma intervenção sobrenatural, mas através da prática da Justiça. Deus não faria chover pão do céu, como fizera no deserto, durante a peregrinação do povo hebreu.

A Ressurreição e a Ascensão de Cristo nos introduziram na Era do Reino, assim como a atravessia do Jordão introduziu Israel na terra da promessa. Enquanto os filhos de Israel caminhavam no deserto, nunca lhes faltou maná. Mas tão logo foram introduzidos na Terra Prometida, “cessou o maná; os filhos de Israel não o tiveram mais, mas nesse ano comeram das novidades da terra de Canaã”(Josué 5:12). Não faria sentido Deus manter aquilo por mais tempo, uma vez que Canaã era uma terra fértil, pronta pra receber sementes e frutificar.

Uma vez introduzidos no Reino, e recebido o Espírito da Promessa, caberia aos crentes semear, e assim, terem todas as suas necessidades supridas.

Jesus não mais multiplicaria pães e peixes, como fez no deserto por duas vezes. Nem promoveria pescas maravilhosas, como fez também por duas vezes. A partir de agora, a provisão de Deus se manifestaria através de meios naturais por Ele ordenados.

Os crentes primitivos perceberam logo isso. Eles sabiam que os sinais miraculosos continuariam, mas que já não visariam promover a satisfação de suas necessidades materiais. Lucas nos informa que “muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um”(At.2:43b-45). Os sinais realizados pelos apóstolos limitavam-se a curas, libertação de espíritos malignos, algumas ressurreições, e manifestações de dons espirituais. Entre eles, não havia nada como multiplicação de pães, ou qualquer outro sinal que visasse suprir necessidades materiais.

E quanto à promessa de que todas as demais coisas seriam acrescentadas? Isso não incluiria coisas materiais?

É claro que sim. Mas o expediente usado por Deus seria outro, e não pura intervenção sobrenatural. Isso se daria através daquilo que Paulo chamou de “o caminho mais excelente”.

Seria vivendo o amor derramado pelo Espírito no coração dos crentes, que a igreja experimentaria o suprimento de todas as suas carências materiais. O Amor e a Justiça devem caminhar sempre de mãos dadas. “O que segue a justiça e o amor acha vida, prosperidade e honra” (Pv.21:21).

A intervenção sobrenatural se dava no coração dos crentes, à medida que a Palavra se multiplicava entre eles (At.12:24).

Lucas dá testemunho de que “não havia entre eles necessitado algum. Pois todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a sua necessidade”(At.4:34-35).

Era assim que eles viviam a justiça do Reino de Deus. Eles tinham tudo em comum. Por isso, não havia necessitado entre eles.

E quem pensa que tal estilo de vida começa e termina nas páginas de Atos dos Apóstolos, está redondamente enganado. Já no Antigo Testamento os judeus o experimentaram ao retornarem do exílio a Jerusalém. Neemais conta que os levitas “leram no livro da lei de Deus, esclarecendo-a e explicando o sentido, de modo que o povo pudesse entender o que se lia. Então Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus, pelo que não vos lamentais, nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei. Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si. Este dia é consagrado ao nosso Senhor. Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força (...) Então todo o povo se foi a comer, a beber, a enviar porçÕes e a celebrar com grande alegria porque agora entendiam as palavras que lhes foram comunicadas” (Nee.8:8-10,12).

Fenômeno bem parecido ao ocorrido na igreja primitiva. Bastou que o povo entendesse a Palavra, para que brotasse em seus corações a disposição de partilhar seus pertences. Lucas relata que “os que de bom grado receberam a sua palavra foram batizados (...) E perseveraram na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações”(At.2:41a, 42). Portanto, este estilo de vida surge muito antes de Atos, e prossegue depois dele.

Paulo, apóstolo dos gentios, o endossa em suas epístolas, onde nos ordena a partilhar “com os santos nas suas necessidades” (Rm.12:13). Paulo sabia que na Era do Reino, os crentes precisariam semear, e não esperar por intervenções freqüentes dos céus. E esta semeadura se daria quando os crentes se dispusessem a compartilhar seus bens. Como um visionário, Paulo entendia que a Igreja deveria ser uma agência catalisadora e distribuidora de recursos. Através da semeadura, os bens seriam distribuídos, e assim, todos desfrutariam igualmente dos recursos enviados por Deus.

Ao ordenar que os crentes de Corinto participassem desta graça, Paulo escreve:

“Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós aperto, mas para igualdade. Neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais, e o que pouco, não teve falta”

2 Coríntios 8:13-15

Repare que Paulo usa a analogia da semeadura para estimular os crentes a partilharem uns com os outros. Ele sabia que a igreja era o Novo Israel, que deixara o novo Egito (a Jerusalém apóstata)[1], e agora havia recebido “um reino que não pode ser abalado” (Hb.12:28). Portanto, a exemplo do antigo Israel, a Igreja deveria semear na boa terra do Reino, e através disso, produzir a Justiça do Reino.

O mesmo conceito é repetido por Pedro: “Servi uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe.4:10). O que Deus dá a uns, é para que seja usado para benefícios de outros. Deus não é injusto por dar a uns o que nega a outros. Pelo contrário: Através disso, a Justiça de Deus se manifesta, fazendo com que dependamos uns dos outros. Ninguém é auto-suficiente no Reino de Deus. A igualdade ocorre quando a abundância de uns supre a falta de outros, e vice-versa.

Respeitando o princípio da semeadura, Paulo diz que nossa semeadura deveria ser “expressão de generosidade, e não de avareza” (2 C.9:5b). E mais: “O que semeia pouco, pouco também ceifará, e o que semeia com fartura, com fartura também ceifará” (v.6).

Segundo o Apóstolo, a Deus compete prover a semente, mas a nós compete semeá-la.

“Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para o alimento, também multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça”.

2 Coríntios 9:10

Veja, ainda dependemos de freqüentes intervenções de Deus. Ele ainda multiplica... não mais pães ou peixes, e sim a nossa sementeira. Ele dá a semente. Ele provê oportunidades de trabalho, aptidões profissionais, força física, inspiração e motivação. Mas cabe a nós usar todos estes recursos para o bem comum, e não apenas para satisfação de nossas necessidades e cobiças.

Tiago afirma em sua epístola, que o motivo porque muitos pedidos não são atendidos por Deus é que pedimos mal: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, para o gastardes em vossos prazeres” (Tg.4:3). Pedir mal é pedir pensando somente em si. Devemos pedir que Deus multiplique nossa sementeira, para que possamos ser bênção na vida de outros.

Multiplicando nossa sementeira, Ele faz aumentar os frutos da nossa justiça. E desta maneira, Ele espalha recursos, em vez de fazê-los concentrar em algumas mãos somente. Paulo revela que o propósito de Deus é “fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra. Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre”(vv.8-9).

Eis a justiça do Reino de Deus em operação. Sua meta é espalhar recursos, e distribuí-los justamente. Isso é o inverso do sistema que vemos no mundo, onde as riquezas são concentradas em poucas mãos.


[1] Em Apocalipse 11:8 lemos que a cidade onde Jesus fora crucificado é espiritualmente chamada de Egito.

segunda-feira, junho 15, 2009

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Nada é o que parece...

A Consciência e a percepção da realidade

Os sentidos são as janelas pelas quais percebemos a realidade.

São eles que nos fornecem os tijolos com os quais construímos nossa subjetividade. Por eles nosso universo interior se mantém em permanente comunicação com o Universo externo. Porém, é de crucial importância avaliarmos o grau de confiabilidade de nossos sentidos. Será que as informações que recebemos por eles são 100% seguras? Então, vejamos: Segundo eles, a Terra é plana. Eles não se dão conta de que ela é esférica. Somos também informados de que o solo onde andamos está parado, embora saibamos que ele gira à uma incrível velocidade pelo Espaço Sideral. Dada a falibilidade de nossos sentidos, somos advertidos pela Bíblia a andarmos por fé, e não por vista (2 Co.5:7). É a fé que nos faz entender que o mundo visível “não foi feito do que se vê” (Hb.11:3).

Os animais percebem o mundo de maneira bem diferente de nós. Em todo o reino animal, somente os chimpanzés e os golfinhos são capazes de se reconhecerem no espelho. A abelha não é equipada para ver no nosso usual comprimento de onda. Elas utilizam o ultravioleta. Por isso, ao olhar uma flor, o que ela vê é totalmente diferente daquilo que chamamos de flor. A cobra vê na região do infravermelho, e a imagem que capta não se assemelha em nada à que vemos. Já o morcego percebe os objetos pelo uso do ultra-som.

Outro dado espantoso, e que tem intrigado os cientistas, é a capacidade dos animais de preverem catástrofes naturais, como erupções vulcânicas, tsunamis e terremotos. Horas antes, eles se retiram para lugares seguros.

Nas palavras de Sigmund Freud, “o processo de algo tornar-se consciente está, acima de tudo, ligado às percepções que nossos órgãos sensoriais recebem do mundo externo”.[1]

Partindo desta premissa, concluiremos que a consciência é o processo de representação mental, subjetiva, de uma realidade concreta, externa e objetiva, que é desencadeado pela percepção, vínculo que promove a mediação entre as realidades externa e interna. A consciência seria tão-somente a realidade externa que se interioriza, que se introjeta. Através dos cinco sentidos, assimilamos o mundo à nossa volta.

Esta definição, porém, não consegue abordar todos os aspectos da consciência. De acordo com as mais recentes descobertas científicas, muito mais do que uma introjeção da realidade, a consciência é uma projeção desta realidade. Não é a realidade objetiva que é introjetada em nossa consciência, mas a realidade subjetiva, construída em nossa consciência que se projeta no Universo.

O Universo seria como uma imensa tela, onde nossa consciência desenha sua própria obra de arte, com cores exclusivamente suas. Cada consciência elabora sua própria arte. Se pudéssemos ver o mundo com os olhos de outra pessoa, talvez nos déssemos conta de que o nosso “vermelho” não é o “vermelho” dela. Não é em vão que se diz que “gosto não se discute”. O que pra uns é belo, para outros é feio. O que para uns é delicioso, para outros é repulsivo. A neurociência tem concluído que cada pessoa faz sua própria “leitura” do mundo.

Cabe aqui salientar que o Universo possui existência real, concreta, ao contrário do que dizem alguns místicos ligados à Nova Era e às seitas orientais. Segundo eles, o Universo não passa de uma ilusão, construída pela mente humana. Trata-se de uma afirmação equivocada, popularizada por Amit Goswami, físico quântico, escritor do famoso livro “O Universo Auto-consciente”. Nele, Goswami defende que a consciência é que constrói o Universo físico. Seus argumentos, embora pareçam razoáveis, não podem ser comprovados, e por isso, têm sido constantemente bombardeados nos meios acadêmicos. Só poderíamos concordar com Goswami, se a consciência de que ele fala fosse a Consciência Divina. Aí sim, poderíamos admitir que a Consciência é a criadora do Universo físico.

Poderíamos até chegar ao ponto de afirmar que Deus é a Suprema Consciência do Universo. Em contra-partida, não podemos cair no erro do panteísmo[2], que afirma que o Universo físico é o corpo de Deus. Não podemos confundir a criatura com o Criador (Rm.1:25).O Criador existe antes da criação, e embora lhe seja imanente, Ele a transcende. Uma coisa é dizer que Deus está em tudo (imanência), e através de tudo Se revela (Rm.1:20). Outra, bem diferente, é dizer que tudo é Deus. Dizer que Deus transcende o Universo, é o declarar que Ele existe para além dele. Onde o Universo se finda, Deus continua. A Bíblia diz que o céu não O pode conter! Entretanto, Deus Se relaciona com a Sua criação, da maneira como a nossa consciência se relaciona com o nosso corpo. Dallas Willard nos descortina esta realidade:

“Sou um ser espiritual que tem atualmente um corpo físico. Eu ocupo meu corpo e seus arredores pela consciência que tenho dele e pela minha capacidade de exercer a vontade de agir com ela e por meio dela. Eu ocupo o meu corpo e seu espaço circundante, mas não posso ser localizado nele ou em torno dele. Você não consegue me encontrar nem encontrar os meus pensamentos, sentimentos e características de personalidade em parte nenhuma do meu corpo. Se você quiser me encontrar, a última coisa que deve fazer é abrir o meu corpo para dar uma olhada. Viajar pelo espaço e não encontrar a Deus não significa que Deus não está lá, assim como viajar pelo meu corpo e não me encontrar não significa que eu não estou aqui. Podemos dizer que Deus se relaciona com o espaço do mesmo modo como nos relacionamos com o nosso corpo. Ele o ocupa e transborda, mas não pode ser localizado nesse espaço. Cada ponto do espaço está acessível à consciência e à vontade divinas, e a sua presença manifesta pode ser concentrada em qualquer ponto que ele julgue adequado”.[3]

Podemos afirmar que a Consciência Divina não apenas cria o Universo, tanto físico quanto espiritual, como também o preenche e o preserva. Tommy Tenney, famoso escritor evangélico, identifica Deus como “aquela ‘partícula’ do núcleo atômico que os físicos nucleares podem rastrear, mas não podem ver. O Evangelho de João aborda esta qualidade divina quando diz: ‘... e sem ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Deus está em tudo e em todos os lugares. Ele é a essência de tudo que existe, é o vínculo que mantém unidos todos os componentes do Universo e que sustenta a integridade de cada um destes componentes!” [4] Ele é a Consciência que não apenas observa, mas interage com o Sua obra. A realidade é fruto dessa Consciência.

Quanto a consciência humana, o que ela é capaz de alterar não é a realidade em si, mas a percepção que se tem desta mesma realidade. Ela só interfere na realidade à medida que leva o indivíduo a uma ação concreta.

Muito antes de a consciência tornar-se objeto de estudo da psicologia, da neurociência, e da física quântica, Jesus disse: “A lâmpada do corpo são os olhos. Se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que em ti há são trevas, quão grandes são essas trevas!”(Mt.6:22-23). Em outras palavras, o subjetivo afeta o objetivo; o mundo interno afeta o mundo externo.

Trata-se, na verdade, de uma via de mão-dupla. A consciência tanto afeta, quanto é afetada. É como se a realidade à nossa volta fosse um esboço de um desenho, com seus contornos, à espera do pincel do arte-finalista. A consciência é este arte-finalista. É ela que vai realçar alguns traços, em detrimento de outros. Nós enxergamos o mundo da maneira como queremos enxergá-lo. De fato, não vemos as coisas como elas são em essência, mas como nós somos.

* Extraído do livro "Por tudo que é Sagrado", de Hermes C. Fernandes

[1] Freud, S. – Esboço de Psicanálise, In Os Pensadores. Pp. 210.
[2] Doutrina que defende que tudo é Deus, desde os micróbios até as galáxias.
[3] Willard, Dallas. A Conspiração Divina. São Paulo: Mundo Cristão, 2001, pp.94s.
[4] Tenney, Tommy, Os Caçadores de Deus, Belo Horizonte, Dynamus, 2000, p.54

domingo, junho 14, 2009

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Aonde você for, irei... Jesus Culture!

sexta-feira, junho 12, 2009

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O Dia depois de Amanhã

Esta semana tive um encontro muito abençoado com o Dr. Antony Portigliatti, da Florida Christian University. Entre os assuntos sobre os quais conversamos, estava a atual crise que abate o mundo, e em particular, a nação americana.

Enquanto lhe falava sobre minha preocupação com o futuro, com as próximas gerações, ele me expôs uma simples, porém significativa analogia: Quem pensa no futuro distante, planta uma árvore. Quem se preocupa com o futuro mais próximo, planta trigo. Mas quem está mais preocupado com o aqui e agora, planta alface.

Ambos concordamos que há lugar tanto para a plantação de árvores, quanto para o cultivo de trigo e alface. Uma coisa não elimina a outra. O problema é que a árvore plantada hoje, só começará a dar fruto daqui alguns anos. Provavelmente, as próximas gerações que se beneficiarão dela. Ninguém tem paciência de esperar. Somos uma sociedade imediatista. A sociedade do alface.
Em contrapartida, se não plantarmos alface hoje, e trigo para um futuro próximo, como sobreveviremos até que a árvore comece a frutificar?

Segundo o Dr. Tony, a maioria dos líderes está mais preocupada em como driblar os efeitos da crise atual. Pensar no futuro agora não parece exercer qualquer atração sobre eles.

Jesus consegue reunir as duas coisas em uma mesma parábola, na qual o Reino de Deus é comparado a um homem que lança na terra uma minúscula semente de mostarda, que brota como uma hortaliça, mas que aos poucos vai se tornando numa árvore, capaz de oferecer sombra a todos os pássaros dos céus.

Não podemos desprezar o presente em nome do futuro, mas também não podemos negligenciar o futuro em nome do imediatismo.

Tudo quanto fizermos deve ser visto numa perspectiva de curto, médio e longo prazo.

Não temos o direito de agir prodigamente com os recursos de que dispomos, pois nossos filhos pagarão um alto preço por isso.

Como sair da crise? Apostando no futuro! Pois quando não cremos no futuro, nos rendemos facilmente.

Imagine alguém que está se afogando. Para sobreviver, tem que nadar. Mas não há motivação melhor para fazê-lo vencer o cansaço e continuar nadando, do que avistar terra firme.

Esta crise vai passar, assim como todas que a antecederam. Mas os que confiam no Senhor se manterão firmes até o fim.

Pensemos no hoje, plantemos alface. Pensemos no amanhã, plantemos trigo. Pensemos no dia depois de amanhã, plantemos uma árvore.
Obrigado, Pr. Tony, por esta analogia brilhante e pela conversa produtiva que tivemos.

quarta-feira, junho 10, 2009

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O Cristo Genérico

Cristo Genérico: Milhões matariam por ele.
Jesus Autêntico: Milhões morreriam por Ele.

Cristo Genérico: Os fins justificam os meios.
Jesus Autêntico: Decreta os fins e estabelece os meios.

Cristo Genérico: A auto-estima acima de tudo.
Jesus Autêntico: O Amor acima de tudo.

Cristo Genérico: Os interesses pessoais como prioridade.
Jesus Autêntico: O Reino de Deus e a Sua Justiça.

Cristo Genérico: Multiplicar para concentrar recursos.
Jesus Autêntico: Compartilhar para espalhar recursos.

O Cristo Genérico é encontrado nas prateleiras dos mercados da fé.
O Jesus Autêntico é encontrado em nosso semelhante, principalmente nos marginalizados, nos excluídos, nos famintos.

O Cristo Genérico é um aliado dos poderes constituídos
Jesus Autêntico Se solidariza com os oprimidos

O Cristo Genérico está disponível nas catedrais da fé.
O Jesus Autêntico não se acomoda na suntuosidade dos templos.

O Cristo Genérico oferece milagres à granel
O Jesus Autêntico faz da vida um milagre.

O Cristo Genérico pede seu tudo, sem ter nada a oferecer
O Jesus Autêntico oferece tudo, sem nada lhe pedir

O Cristo Genérico busca ser bajulado.
O Jesus Autêntico é honrado quando colocamos em prática o que Ele ensinou.

O Cristo Genérico se contenta com mãos erguidas aos céus.
O Jesus Autêntico procura por mãos estendidas ao próximo.

terça-feira, junho 09, 2009

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Assim não vale... me fez refletir e chorar...

domingo, junho 07, 2009

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Que tal uma franquia da Igreja Drive-thru?


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Fast Faith

Quem nunca teve em um dia atarefado sua fome saciada por uma refeição rápida, servida em um intervalo pequeno de tempo? Com certeza em algumas ocasiões as redes de fast food caem como uma luva para satisfazer uma demanda imediata. Tal refeição pode ser proveitosa, deste que utilizada da maneira certa.

O Consumo do fast food deveria ser algo esporádico, porém cada vez mais tem sido usado de forma exponencial, ou seja, sendo elevado à potência do mais. Aquilo que era para ser utilizado “de vez em quando” acaba se tornando um hábito, um estilo de vida. O resultado disso pode ser percebido em alguns quilos a mais, aumento do colesterol e até fraqueza.

Tenho notado que em alguns momentos temos vivido uma espécie de Fast Faith (Fé Rápida). Uma fé baseada no estilo adotado pelo Fast Food, que procura trazer resultado no nosso tempo e não no de Deus. Veja, ELE também age em um intervalo pequeno de tempo, sempre esta disposto e disponível para aliviar nossas dores de maneira instantânea e rápida. O problema é quando atribuímos constância naquilo que deveria ser inconstante.

Tem que se tomar cuidado para que nossa relação com Deus não se torne algo similar, ou seja, construída apenas para se ter as necessidades satisfeitas. De fato ELE é o nosso socorro bem presente na hora da tribulação, mas a nossa comunhão precisa estar fundamentada naquilo que ELE É, e não ficar somente focada naquilo que ELE Faz.

Muitos só O buscam quando a coisa aperta, só O querem para aliviar a dor. E quando tudo vai bem? Será que não precisamos mais de Deus? Concordo com o que diz Millôr Fernandes; “O cara só é 100% ateu quando está muito bem de saúde.” Esse é o problema de se buscar Deus pensando naquilo que ELE tem para oferecer. Tornamos-nos seres efêmeros e ao mesmo tempo enfermos, doentes da nossa própria efemeridade. O resultado disso tudo só poderia ser um: pessoas inchadas, porém sem consistência. São consistentes naquilo que deveria ser utilizado de forma esporádica.

Com isso o homem passa a ser constante onde era para ser esporádico; e passa a ser esporádico onde deveria ser constante.Mais do que um “fast food”, pronto para nos aliviar de maneira rápida, Deus deseja se assentar e participar de um banquete com Seus filhos. Construir relacionamentos e compartilhar a vida que ELE tem de forma abundante. Proporcionando assim uma comunhão mais profunda, saudável e duradoura. Cada alimento servido nesse banquete deve ser mastigado de forma lenta, para que todos os nutrientes sejam aproveitados, criando assim uma espécie de “reserva” que poderá ser utilizada no dia da angustia e da tribulação.Que cada um venha “reter firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso.” (Tito 1;9ª). Assim quando o dia mal chegar, não ficaremos desesperados sem saber o que fazer, em busca de alguma “campanha- corrente” ou de uma “nova revelação” e nem tão pouco iremos correr desesperadamente buscando alivio, pois isto a própria Palavra que nos alimentou irá tratar de fazer. O SEU Espírito nos fará lembrar de tudo aquilo que foi servido no banquete.

Portanto quando nos voltamos firmemente para o Deus que É, temos acesso também ao Deus que FAZ. E isso nos conduz para um novo estilo de vida, fazendo com que “não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Pelo contrário vamos continuar “seguindo a verdade em amor, para que cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4; 14e 15).

Via Bruno Jardim

* Imagem cedida gentilmente pela designer Lenara Monteschio

Aqui nos Estados Unidos já tem igreja drive-thru, onde os fiéis assistem ao culto de dentro de seus carros. Muitas igrejas já adotam o estilo friendly-church, em que o culto não deve passar de uma hora, para que os fiéis não fiquem entediados. A nação que inventou o fastfood, agora se rende ao fast faith. Triste é saber que algumas igrejas brasileiras, tão susceptíveis às novidades estrangeiras, já assimiliram este american-way.
O efeito colateral é claramente percebido, com crentes espiritualmente sedentários e obesos.

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Paramore, por amor...

Esta semana estive em Tampa, acompanhado de meus filhos e de alguns amigos. Fomos assistir ao show da banda Paramore, febre entre o público adolescente, tanto nos EUA, quanto no Brasil, por causa da trilha sonora do filme "Twilight" ("Crepúsculo", em português).

Tomamos muita chuva antes e durante o show, mas valeu a pena. Não tanto pelo show em si, mas pela conversa que pude ter com Joe, jovem americano de 26 anos, que nos acompanhou na viagem, juntamente com Pedro e seus filhos.

Meu propósito era muito mais do que assistir à perfomance dos jovens integrantes do Paramore (segundo o Rhuan, são cristãos). Eu queria observar a juventude, e tentar, de alguma maneira, sintonizar-me com seus anseios e sua cosmovisão.

Entre os assuntos que conversamos, falamos sobre o que o jovem americano pensava da igreja, e como poderíamos alcançá-lo.

Joe, como legítimo representante desse nosso "público alvo", disse-nos que uma das coisas que mais incomodam os jovens é a maneira como a igreja os vê. Eles já não aceitam ser tratados como números. Essa idéia de que cada pessoa evangelizada deve atrair mais pessoas para a igreja já não parece razoável para eles, que querem ser vistos como pessoas, e não como máquinas de reprodução de membros.

Embora criado na igreja, Joe me confessou que se fosse dar uma festa, preferiria convidar amigos de fora da igreja, por serem bem mais divertidos e menos neuróticos do que os cristãos.

Meditando em tudo o que ouvi de seus lábios, chego à conclusão de que a igreja cristã não exerce qualquer atração sobre a juventude atual. Não adianta promover gospelnights, raves, blocos carnavalescos cristãos, etc. O que os jovens carecem é de ideais.

Diversão por diversão, eles preferem as que o mundo oferece, pois, pelo menos, são autênticas. Chega de bandas evangélicas covers de bandas seculares. Isso soa estranho aos ouvidos deles.

Nossos jovens estão órfãos de sonhos e ideais. Por isso, estão cada vez mais cínicos e céticos com respeito ao futuro.

Para a maioria deles, falar de vida após a morte, céu, inferno, não cola. Falar de milagres cheira a embuste. Falar de prosperidade, de aquisição de bens materiais, também soa falso. O que eles querem e procuram é um propósito pelo qual viver.

Penso que o que deveríamos oferecer a essa enorme massa juvenil é uma mensagem contextualizada, que desafie-os a acreditar no futuro do mundo, e a trabalhar pela sua restauração.

Nenhum assunto é mais atraente para eles do que o futuro, pois é nele que passarão o resto de suas vidas.

A propósito...não é que a banda era boa mesmo? Rhuan e Revelyn tinham razão.

sábado, junho 06, 2009

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A condição do perdão

Embora haja em Deus a disposição em perdoar o ser humano por seus deslizes, há uma condição essencial que deve ser preenchida pelo ofensor: o arrependimento. Antes da Cruz, cabia ao pecador penitente oferecer a Deus um sacrifício para cobrir a sua culpa diante de Deus. Tais sacrifícios eram necessários para que o pecador reconhecesse a gravidade do seu pecado. Eles, porém, não tinham poder de remover o pecado, apenas cobri-lo. Já o sacrifício de Jesus foi poderoso o suficiente para remover nossos pecados de uma vez por todas, oferecendo a Deus uma base perfeita para que pudéssemos ser inteiramente perdoados. Portanto, a base sobre a qual somos perdoados é o sacrifício de Jesus, e não algum tipo de penitência que possamos fazer para compensar o nosso erro. A única coisa que se exige do pecador é que ele se arrependa do seu erro.

Da mesma forma, Deus estabeleceu o arrependimento como uma condição para que o ofensor seja perdoado por aquele que foi ofendido. Jesus disse:

“Olhai por vós mesmos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, e disser: Arrependo-me; perdoa-lhe.”[1]

Caso o ofensor não se arrependesse, e não pedisse perdão, a parte ofendida não estaria obrigada a perdoá-lo. Não importaria quantas vezes a ofensa fosse praticada, contanto que o ofensor se arrependesse de coração.

Assim com deve haver em nós a disposição de perdoar, devemos nos dispor a pedir perdão quando ofendemos alguém.

Se magoarmos alguém conscientemente, e não formos capazes de nos arrependermos, e pedirmos o seu perdão, nossa comunhão com Deus estará comprometida, e não teremos paz em nosso coração. Por isso Paulo insiste: “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”.[2] E a paz tem um preço: o perdão mútuo. Temos que estar dispostos a sacrificar o nosso orgulho e perdoar, como também pedir perdão quando necessário. Tudo isso em nome da paz!

Mesmo que o nosso ofensor não se arrependa, embora não sejamos obrigados a perdoá-lo, melhor é que o perdoemos. Quando guardamos mágoa contra alguém, quem mais sofre com isso somos nós mesmos.

Às vezes encontramos pessoas que acham que podem sair por aí ofendendo uns e outros, sem se preocupar em ter que pedir perdão a ninguém. Estes acham que basta confessar a Deus, e serão perdoados.

A verdade é que devemos confessar os nossos pecados àqueles que foram ofendidos. Se pecamos contra Deus somente, é a Ele que devemos confessar, e a ninguém mais. Porém, se o nosso pecado atingiu a mais alguém, não adianta confessar só a Deus. Temos que confessar nosso erro à pessoa a quem ofendemos. Por isso Tiago nos aconselha: “Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados”.[3] Quando confessamos somente a Deus um pecado que atingiu a mais alguém, somos perdoados por Deus, porém, não somos curados daquela ferida. Esta ferida aberta é que compromete a nossa comunhão com Deus e com os irmãos. Mas quando confessamos nossos pecados a Deus, e àqueles que ofendemos, somos curados, e nossa comunhão é restabelecida.

Todo mundo sai perdendo com a falta de perdão. Tanto o que não foi perdoado, quanto o que reteve o perdão.

Há aqueles que dizem que não são obrigados a perdoar a ninguém, pois só Deus teria poder de perdoar pecados. Trata-se de uma evasiva muito usada hoje em dia. Porém não devemos nos esquecer que Esse Deus vive em nós através do Seu Espírito Santo, capacitando-nos a perdoar como Ele. Ao despedir-Se dos Seus discípulos, João diz que Jesus assoprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles aos quais perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; aqueles aos quais não perdoardes, ser-lhe-ão retidos.”[4]

Diante disto, não podemos nos desculpar dizendo que somente Deus pode perdoar. Temos a obrigação de ser veículos deste perdão. Afinal, não recebemos o Espírito Santo só para sentirmos sensações maravilhosas e falarmos em línguas! Recebemos o Espírito para capacitar-nos a fazer o que de nós mesmos jamais poderíamos fazer.

Temos tanto o poder para perdoar, quanto para reter o perdão. Quando o retemos, estamos dentro do nosso direito de fazê-lo, entretanto, criamos uma ferida no Corpo de Cristo. Não podemos pôr em risco a comunhão que temos com Deus e com os irmãos por causa de uma mágoa. Se nos é custoso perdoar a alguém nos magoou, muito mais custoso foi para Deus perdoar todas as nossas falhas. O perdão de todos os nossos pecados custou a vida do Seu Filho Amado.

Portanto, não usemos do direito de reter o perdão, mas disponhamo-nos a perdoar, mesmo àqueles que não forem humildes o bastante para confessarem e se arrependerem do mal que cometeram.


[1] Lucas 17:3-4
[2] Romanos 12:18
[3] Tiago 5:16
[4]João 20:22-23

Extraído do Livro "Amor Radical", de nossa autoria, lançado pela MK Publicitá

sexta-feira, junho 05, 2009

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Nossa geração conseguiu mudar o Mundo

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Hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente




















Foi no ano 1972, em Estocolmo, na Suécia, no seu primeiro encontro mundial sobre meio ambiente, que a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 5 de junho como o “Dia Mundial do Meio Ambiente”, o Dia da Ecologia. Naquele momento também foi criado o UNEP (PNUMA) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E se confirmou que o meio ambiente deve estar no centro das preocupações da humanidade, e que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico.

Agora, depois de 37 anos, em 2009, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, devemos nos perguntar se, de fato, o meio ambiente está no centro de nossas preocupações. E a resposta deve vir das ações cotidianas das pessoas, dos empreendimentos das empresas e das políticas dos governos. Será que, a partir de 1972, o meio ambiente ganhou centralidade em nossas decisões, em nossos pensamentos e ações?

Não há dúvida de que a questão ecológica ganhou espaço na mídia, nas escolas, nas conversas cotidianas, nos movimentos sociais, partidos de várias tendências, nas pastorais, nas universidades e em vários lugares e espaços da vida social. O meio ambiente ganhou o discurso da nossa geração, virou tema propício para nossas conversas. Agora, porém, cabe-nos uma autocrítica. Neste período em que progredimos tanto na maneira de ver a questão ambiental, evoluímos no debate e alargamos os espaços de ocupação das temáticas ambientais, precisamos interrogar nossas ações e avaliar os resultados das nossas decisões sobre o meio ambiente.

Com tanto debate que a ecologia nos proporcionou, será que realmente mudamos a maneira de pensar e ver a vida? Mudamos nossas arcaicas concepções sobre a natureza, sobre as pessoas e as mais diversas formas de vida? Estamos preocupados. Sim! Mas, estamos decididos a mudar o padrão de consumo, por exemplo? Aprendemos a usar os recursos naturais de forma sustentável? Ainda mantemos nossa ganância, o luxo, a opção pelas facilidades a todo custo, sem nos perguntarmos sobre a capacidade sustentável do planeta e sobre as necessidades das outras pessoas e de outros povos?

Já no primeiro encontro da ONU sobre meio ambiente, acima referido, se confirmou que o futuro da Terra depende do desenvolvimento de valores e princípios que garantem o equilíbrio ecológico. E, hoje, onde estão esses valores e princípios? Se eles existem, então, devem estar movendo nossas ações. A ecologia nos abre os horizontes, nos faz ver a realidade socioambiental, nos interpela para a ação, mas questiona e ilumina nosso agir. Não basta simplesmente agir, é preciso mudar, transformar de dentro para fora.

Como diz o teólogo Leonardo Boff, é preciso mudar nosso paradigma. Ou seja, precisamos mudar a matriz do nosso modelo de sociedade, das nossas concepções, valores, pensamentos, conceitos. Uma mudança de vida para preservar a Terra e tudo o que vive nela, requer uma mudança profunda no ser humano. Em relação a muitas coisas, até podemos fazer opções e tomar atitudes sustentadas por campanhas publicitárias. Mas, as nossas ações ecológicas precisam ser sustentáveis, precisam ser amparadas por valores e princípios fundamentais e profundos. Nosso agir ecológico deve ser consistente, não pode ser descartável e precisa consistir e evoluir de geração em geração.

No Dia Mundial do Meio Ambiente de 2009, após 37 anos de a data ser proclamada, temos algo importante a fazer. Como humanidade, precisamos olhar nossa trajetória e, pensando no futuro, nos perguntar sobre quais os valores e princípios que estamos assumindo e incorporando na nossa vida, e que podem garantir o equilíbrio ecológico da Terra. Precisamos conferir se meio ambiente, de fato, ganhou a necessária centralidade. A questão é esta. No centro de nossas decisões e de nosso agir está a integridade da vida ou a mesquinhez do lucro, do luxo e do consumismo?

Precisamos pensar bem e agir bem, pois, a vida sente os reflexos de nossas ações e decisões. Um relatório divulgado pelo Fórum Humanitário Global no último dia 29 de maio, diz que “a mudança climática mata cerca de 320 mil pessoas por ano, de fome, doenças ou desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil até 2030”. E para os que só pensam no lucro e em nome do crescimento econômico degradam o meio ambiente, é importante lembrar que os prejuízos causados pela mudança climática já superam os 125 bilhões de dólares ao ano. E este valor é mais do que a ajuda dos países ricos para os pobres.

Que o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Dia da Ecologia, nos faça pensar e agir. E também nos ajude a mudar o modo de pensar e agir. Pensar sem agir é anular o pensamento e agir sem pensar é a pura prepotência de achar que se está fazendo tudo certo.

Texto do Frei Pilato Pereira, extraído do blog Olhar Ecológico