quarta-feira, maio 28, 2008

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Fazendo a vida valer a pena

“Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão eu morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Acaso estou eu no lugar de Deus que te impediu o fruto de teu ventre?” (Gn. 30:1-2).

Que sentimento é mais repugnante que a inveja? Alguns a chamam de “pecado inconfessável”. É mais fácil admitir a culpa por um adultério, do que assumir que é invejoso.

Raquel teve inveja de sua irmã Lia. E por quê? Porque Lia custara a Jacó sete anos de trabalho, enquanto ela custara o dobro. Entretanto, Lia dera filhos a Jacó, enquanto Raquel era estéril. A inveja de Raquel provinha da conclusão de que ela não valera o quanto seu marido pagara por seu dote.

Cansada e desesperada, ela apelou ao seu marido, como se ele fosse o culpado. Jacó reagiu fortemente, sugerindo que ela reclamasse diretamente com Deus.

O desespero foi tamanho, que Raquel foi capaz de oferecer sua criada a Jacó, para que lhe gerasse um filho, que ela pudesse, ao menos, embalá-lo em seu colo.

Apensar de seu pedido ser fruto de um sentimento reprovável (inveja), Deus resolveu atendê-la:
“Então Deus se lembrou de Raquel, ouviu-a, abriu a sua madre e ela concebeu, e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus a minha afronta. E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor outro filho” (Gn.30:22-24).

Às vezes, Deus permite que sejamos bem sucedidos, mesmo que nossos esforços tenham uma motivação errada. Apesar de nossas motivações, Deus tem Seus propósitos!

O Apóstolo Paulo admitiu que “alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente” (Fp.1:15). Sua conclusão foi: “Mas que importa? Contanto que Cristo, de qualquer modo, seja anunciado” (v.18). Apesar de muitos pregarem o Evangelho por motivos escusos, podemos perceber um saldo positivo, pelo menos, em salvação de almas. Esse “saldo positivo” não significa que Deus esteja endossando tais ministérios. E sim que Deus mantém de pé a promessa de que Sua Palavra não voltaria vazia, apesar dos instrumentos serem falhos.


Raquel custou a Jacó catorze anos de trabalho gratuito para seu sogro Labão. Embora se sentisse amada, Raquel não estava satisfeita. Ela queria embalar em seus braços um filho gerado em seu próprio ventre. Não bastava ter filhos postiços, gerados no ventre de suas criadas. Ela queria um filho legítimo, fruto do amor entre ela e seu marido.

Quando finalmente ela se engravidou, nomenou seu primeiro filho de José, pois queria que o Senhor lhe acrescentasse outro filho. Em outras palavras, “José” significa “quero mais”, ou “mais um”. Ela só não imaginava o preço que teria que pagar pelo filho extra que ela pedia a Deus.

É próprio do ser humano querer sempre mais. Temos fome do infinito. Não nos contentamos em pisar no solo lunar; agora queremos caminhar em Marte. Foi esta fome insaciável que nos fez atravessar os oceanos, e colonizar até as mais inóspitas regiões do planeta. E se alguém acha que determinada realização vai conferir-lhe sensação de plenitude, está redondamente equivocado. Sempre vamos desejar mais. Seja qual for a motivação que nos norteie.

Segundo as Escrituras, “partiram de Betel e, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata, Raquel deu à luz um filho, cujo nascimento lhe foi a ela penoso. Tendo ela trabalho em seu parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois também este filho terás. Ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou-lhe Benoni. Mas seu pai lhe chamou Benjamim” (Gn.35:16-18).

Raquel não era marinheira de primeira viagem. Ela já havia tido a experiência antes. Mas agora algo estava diferente. Havia no ar a sensação de despedida. Já quase fora de si, Raquel ouve dos lábios da parteira que seu filho já estava às portas. Suas últimas palavras antes de render sua alma foi “Benoni”. Foi assim que Raquel chamou seu caçula.

Jacó poderia ter atendido ao último pedido de Raquel, permitindo que seu filho se chamasse Benoni. Mas Jacó sabia o peso que tinha um nome, e o estigma que ela carregaria pelo resto de sua vida. Benoni significa “filho da minha tristeza”. Imagine ser responsabilizado pela morte da mãe pelo resto de sua vida. Pior do que ser chamado de “trapaceiro” (Jacó), seria ser chamado de “tristeza de sua mãe”.

Por isso, mesmo amando desesperadamente a Raquel, Jacó preferiu ignorar o seu último lamento, pondo em seu caçula o nome de Benjamim, que quer dizer “Filho da Felicidade”, ou ainda, “Filho da minha força”.

Nosso Deus é o Senhor das circunstâncias. Não há nada que nos aconteça sem a Sua permissão. E tudo quanto Ele nos permite viver é impregnado de propósito. No entanto, Ele nos concede o privilégio de nomenar nossas experiências. Nomenar é o mesmo que avaliar, dar significado a algo.

Lembre-se que Deus criou todos os animais, mas coube ao homem dar nome aos bichos.

Os hebreus sabiam a responsabilidade que era nomenar um filho, pois ele carregaria consigo uma marca indelével.

Hoje em dia, as pessoas dão nome a seus filhos inspirados nos astros da TV. Mas naquela época, os nomes tinham que expressar o significado atribuído a uma experiência. Às vezes, os pais esperavam anos até encontrar um nome que correspondesse ao caráter do filho.

Ao nomenar seu último filho de Benoni, Raquel estava expressando a tristeza que lhe tomava o coração, por saber que jamais amamentaria aquele filho tão desejado. Porém, Jacó se recusou a imprimir na criança uma marca tão repulsiva. Se ele se chamasse Benoni, ele carregaria a culpa pela morte de sua mãe por toda sua vida.

Ora, se cremos que, de fato, todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, conforme lemos em Romanos 8:28, então temos que fazer uma leitura positiva de nossas experiências, mesmo as mais tristes.

Paulo, que era descendente de Benjamim, compreendeu tal fato. Muitos desconhecem que ele passou mais da metade de seu ministério atrás das grades. Em vez de ficar se lamentando por isso, ele preferiu dar um significado positivo a isso.

“E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho. De maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais. Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas cadeias, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp.1:12-14).

Para Paulo, suas cadeias eram “Benjamim”, e não “Benoni”.

Quanto custa gerar um “Benjamim”?

Eis o paradoxo da graça! Embora tudo quanto o Senhor faz em nossa vida seja pura gratuidade, há um preço que temos que pagar para que os Seus propósitos se cumpram em nós.

A Graça não exclui a renúncia. Pelo contrário: “A graça... nos ensina a renunciar” (Tt.2:11-12).

Uma graça que nos poupa da renúncia não é a graça oferecida por Jesus.

Gerar e dar à luz Benjamim custou a Raquel sua própria vida.

Este é o preço por querer mais... O preço por desejar fazer a vida valer à pena.

Só vale à pena viver por aquilo pelo que dispomos morrer.

O que Deus pede que renunciemos? Carros? Casas? Dinheiro? Não! Nossa própria vida! Eis o preço! E é a graça que nos capacita a pagar tão alto preço.

Temos que viver e morrer por algo maior do que nós mesmos. Algo que vá além de nossa existência terrena. Algo que continue aqui quando partirmos.

Era esse o sentimento que norteava a vida do apóstolo dos gentios:

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At.20:24).

Esse posicionamento perante a vida nos leva a dar um novo significado a tudo, até mesmo à morte. Por isso, Paulo diz aos Filipenses: “A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp.1:20-21).

A morte já não nos soa com um “bicho-papão”. E sabe por quê? Porque já morremos! Já fomos crucificados com Cristo, e agora, já não somos nós, mas Cristo que vive através de nós.

Esta é a morte pela qual temos que passar para fazer a vida valer à pena. É o total desapego da própria vida, dispondo-se a abrir mão dela por um bem infinitamente maior.

Portanto, pra nós, morrer é lucro!

O que nos importa é o legado que deixaremos neste mundo, concebido e gestado a partir do momento em que abrimos mão de nossa vida.

Paulo, o mais importante dos descendentes de Benjamim, adquiriu tal consciência, e a expressa com maestria em sua epístola aos Filipenses:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus (...) o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp.3:5a,7-8).

Jesus disse que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo.12:24-25).

Negar-se a morrer é abraçar a solidão. É a morte do nosso ego que nos torna frutíferos.

Outra coisa que me chama a atenção nesse episódio é que Raquel entra em trabalho de parto a caminho de Efrata (Belém). E é ali, em plena jornada, que Raquel deixa esta vida para entrar na Eternidade. É ali, a caminho de Belém, que Raquel dá à luz Benjamim, filho da felicidade.

Somos o povo do caminho. E precisamos aprender que a felicidade não é encontrada no destino, mas na jornada. Então, apreciemos a paisagem!

Como aconteceu a Moisés, estamos fadados a peregrinar até chegarmos à borda da terra prometida, e então, sermos recolhidos por Deus.

Nada é mais honroso do que gestar um sonho que será desfrutado pelos que vierem depois de nós.

Somos hebreus! Um hebreu, por definição, é um caminhante, um peregrino.

Mas não caminhamos sem rumo. Não estamos perambulando pelas sendas da vida. Temos um alvo! Temos um destino! É este destino supremo que nos move pra frente.

Há alvos que são alcançados com relativa facilidade. Porém, quando estabelecemos alvos humanamente inalcançáveis, temos que estar prontos para a possibilidade de só o alcançarmos no limiar desta vida. É possível que tenhamos um vislumbre, mas não desfrutemos plenamente.

Algumas de nossas conquistas são como dar à luz José. Fica sempre a impressão de que falta algo. Alvos mais nobres são como Benjamim, e podem ser paridos quando ainda estamos a caminho. Se algo vale à pena, então, temos que estar dispostos a morrer por isso, sem nos preocupar caso não desfrutemos de nossas próprias realizações.

O texto diz: “Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata (isto é, Belém)” (Gn.35:19).

Raquel só teve tempo de contemplar de relance o filho tão desejado.

É no caminho que as grandes realizações são alcançadas inusitadamente.

Jamais devemos supor que já alcançamos o supremo propósito de nossa vida. Quando isso houver acontecido, o Senhor nos chamará.

Tal consciência é encontrada em Paulo:

“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito, mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não julgo que o haja alcançado. Mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo...” (Fp. 3:12-14a).

Ele não escreveu isso no início de sua jornada espiritual, mas já chegando ao fim dela. E ele diz que todos os que são “perfeitos” devem ter esta mesma consciência. Pode soar paradoxal, mas aos olhos de Deus somos perfeitos enquanto reconhecemos nossa imperfeição. Somos fortes, quando reconhecemos nossa fraqueza. Somos completos, quando reconhecemos nossa incompletude.

Em vez de buscarmos desenfreadamente por satisfação pessoal, estabeleçamos alvos que vão além de nós, sonhos que nos sobrevivam, que se tornem um legado para as próximas gerações.

Só uma alma pequena pensa só em si mesmo. Parafraseando o poeta, a vida só vale à pena, quando a alma não é pequena. Quando ela é capaz de entregar-se inteiramente por ideais que estejam acima de suas pretensões pessoais; quando se dispõe a qualquer sacrifício em prol de um bem infinitamente maior.

Com isso em mente, até episódios tristes de nossa vida, serão reavaliados e interpretados como “filhos da felicidade”.

segunda-feira, maio 26, 2008

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21 Anos de Ministério Pastoral

Hoje, celebramos vinte um anos de ministério pastoral. No dia 26 de Maio de 1987, assumíamos interinamente a direção da Igreja no Bairro do Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Com o crescimento da Igreja, a direção geral resolveu efetivar-nos, e no dia 19 de Outubro do mesmo ano, fomos ordenados ao pastorado.

O que nos faltava de experiência e conhecimento, nos sobrava de paixão e vontade de vencer. O Senhor nos honrou, e nos permitiu chegar até aqui.

Em pouco mais de duas décadas, pastoreamos várias igrejas, entre elas, Engenho Novo, Quintino, Largo do Bicão, Marechal Hermes, Praça do Carmo, Duque de Caxias e Deltona (EUA). Estivemos ministrando em vários Estados, entre eles, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Mato Grosso, Santa Caratina, Paraná, Espírito Santo, Pernambuco e Maranhão. Também estivemos em vários países, entre eles, Estados Unidos, Bolívia, Chile, Itália e Suiça.

Nosso ministério agora chegou à maioridade, e esperamos trabalhar muito mais pela expansão do Reino, e para a Glória d'Aquele que nos chamou.
Nosso ministério é apenas um esboço que está longe de ser finalizado. Mas temos a certeza de que Cristo, nosso Arte-finalista, foi quem começou em nós a boa obra e há de completá-la

Obrigado por todos os que têm contribuído, consciente ou inconscientemente, pelo desenvolvimento de nosso trabalho.

sexta-feira, maio 23, 2008

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E quem paga a conta?

Os efeitos colaterais da mensagem libertadora do Reino


Ultimamente, a Igreja cristã tem procurado resgatar sua relevância na sociedade, manifestando-se contra algumas tendências e comportamentos. Manifestos contrários à Lei de Homofobia, ao aborto, à pesquisa com célula-tronco extraída de embriões humanos, à corrupção, à violência e outros. Não questionamos a motivação que tem levado a Igreja a posicionar-se perante a sociedade com relação a esses assuntos. Contudo, cremos que devemos avaliar a eficácia de tais manifestos.

Antes de buscarmos respostas nas Escrituras Sagradas, devo expor minha insatisfação ao perceber que a Igreja cristã contemporânea parece tão preocupada com questões de cunho moral, ao passo que deixa de dar a devida importância a questões relacionadas à justiça social, tais como, a má distribuição de renda, a reforma agrária, a política econômica, os juros altos, etc.

Cremos piamente que a Igreja faz bem em envolver-se com qualquer questão que diga respeito ao ser humano. Não podemos ser um povo alienado, indiferente aos problemas deste mundo. Temos o dever cristão de participar, arregaçar as mangas e trabalhar por um mundo mais justo, e, conseqüentemente, mais seguro e próspero.

Como devemos posicionar-nos quanto a temas importantes como esses?

Quando a Igreja Primitiva dava seus primeiros passos, uma das instituições mais antigas e perversas da sociedade estava em pleno vigor. Trata-se da escravidão.

Como os crentes deveriam reagir diante da injustiça da escravidão?

Não vemos os apóstolos promovendo manifestos públicos para denunciar a escravidão, nem mesmo comparecendo perante as autoridades para reivindicar o seu fim.

Todas as sociedades da época eram constituídas de classes, das quais os escravos eram a base. Se a escravidão fosse abolida repentinamente, o mundo ruiria.

Mesmo sabendo que tal instituição era contrária à justiça do Reino, os cristãos preferiram conviver com ela por algum tempo, até que ela se definhasse por completo, através da proclamação do Evangelho. À medida que a mensagem libertária de Cristo era pregada, e a sociedade obtinha a consciência de que todos os homens eram iguais, a escravidão ia perdendo sua força.

A carta de Paulo a Filemom nos revela a maneira como o maior evangelista da época tratou deste assunto.

Filemom era um novo convertido, que devido à sua privilegiada situação econômica, possuía escravos.

Paulo não começa sua epístola criticando-o por isso. Pelo contrário, ele dá testemunho de que o que ouvira falar de Filemom, revelava um homem íntegro, cheio de “amor e fé” para com Cristo e todos os santos (v.5).

De maneira discreta, o apóstolo revela sua preocupação através de uma oração:

“Oro para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em nós há para com Cristo” (v.6).

Como podemos comunicar a nossa fé de maneira eficaz? Como podemos tornar conhecido todo o bem de que Cristo nos tem feito participantes?

Eis a questão principal dessa epístola! E eis a questão sobre a qual quero me debruçar neste estudo.

Não basta comunicar nossa fé através de um conjunto de doutrinas. É necessário comunicar a nós mesmos. E para que isso seja possível, devemos amar àqueles com quem desejamos compartilhar os valores do Reino de Deus. O mesmo apóstolo escreve aos Tessalonicenses:

“Antes fomos brandos entre vós, como a mãe que acaricia seus próprios filhos. Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque nos éreis muito queridos” (1 Ts.2:7-8).

Ninguém vai conquistar corações descrentes tentando impor suas crenças e valores. Temos que conquistar seus corações, antes de tentarmos conquistar suas mentes. Temos que expor nosso amor, antes de propor nossos valores.

Ora, embora Paulo estivesse tratando com um fiel, e não com um descrente, ele preferiu dirigir-se primeiro ao coração de Filemom.

“Pelo que, ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, prefiro, todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, também agora, prisioneiro de Cristo Jesus” (vv.8-9).

Se com um fiel deve-se falar desta maneira, imagina com descrentes!

Hoje em dia, muitos pastores, além de quererem dominar o rebanho de Deus, querem também impor sua autoridade ao mundo. Bem fariam se dessem ouvidos ao velho Pedro: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe.5:2-3).

Impetuosidade não nos leva a lugar algum. Tanto Paulo, quanto Pedro, chegaram a esta conclusão depois de velhos.

Em vez de simplesmente “mandar”, “ordenar”, Paulo preferiu “solicitar em nome do amor”.

As pessoas só deixarão determinadas práticas, quando tiverem suas consciências iluminadas pelo amor.

Quem pensa, por exemplo, que proibindo o aborto vai coibir o avanço desta prática nefasta, está equivocado. As clínicas clandestinas agradecem qualquer tentativa de impedir que o aborto seja regularizado no País.

A carta de Paulo não tinha a pretensão de condenar a instituição da escravidão. Pelo menos, não diretamente. Seu objetivo era interceder por um escravo em especial, Onésimo.

“Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei em minhas prisões. Outrora ele te foi inútil; mas agora a ti e a mim muito útil. Mando-o de volta a ti, a ele que é o meu coração” (vv.10-12).

Onésimo era escravo de Filemom. Por algum motivo que não é revelado, Onésimo foi preso. Talvez tenha desfalcado seu senhor, ou cometido algum outro crime. Na prisão, conheceu o apóstolo, e acabou se convertendo a Cristo. Após cumprir pena, Onésimo voltaria às ruas. Mas pra onde iria? Um escravo não tinha alternativa, senão a casa de seu amo. Ele trazia marcas em seu corpo que o identificava como escravo, e por isso, estava fadado a ser reconhecido como tal pelo resto de sua vida. Ninguém se atreveria lhe abrir as portas.

Na casa de seu amo, ele teria trabalho, comida e moradia.

Seu dilema agora era saber se seu amo o receberia de volta. Caso não o recebesse, sua única opção seria a mendicância.

Era assim que a sociedade da época era estruturada. Isso não mudaria de uma hora pra outra.
Quando o Brasil, pressionado pela coroa inglesa, promoveu a abolição da escravatura, os escravos alforriados não tiveram pra onde ir, e foi isso que deu origem aos bolsões de miséria, hoje conhecidos como favelas, nas encostas dos morros das grandes cidades.

Imagine como a igreja cristã deveria se portar diante de uma questão social como a poligamia. Em alguns países, a poligamia não apenas é aturada, mas também estimulada. Países onde o número de mulheres é muito maior do que de homens, devido às constantes guerras. Sem a possibilidade da poligamia, muitas mulheres morreriam de fome, pois em algumas dessas sociedades, elas sequer podem trabalhar pela sobrevivência. Não bastaria a igreja se manifestar contrária a este modelo familiar. Se os maridos resolvessem liberar suas várias esposas, pra onde elas iriam? E se os pais não as recebessem de volta?

É claro que tanto a escravidão, quanto a poligamia são práticas condenadas pelas Escrituras. Mas isso não nos dá o direito de simplesmente impor nossos valores de maneira inconseqüente e irresponsável.

Antes de enviar Onésimo de volta ao seu amo, Paulo apela à sensibilidade de Filemom. “Eu bem quisera conservá-lo comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho. Mas nada quis fazer sem o teu consentimento, para que o teu benefício não fosse como que por força, mas voluntário” (vv.13-14).

Pelo jeito, nosso amigo Onésimo deu um grande prejuízo a Filemom. Paulo queria que ele fosse recebido de volta, mas com o valor que lhe era conferido pelo Evangelho. Então, o que fez Paulo? O valorizou. Mostrou ao seu antigo senhor o quão útil Onésimo lhe seria, caso o mantivesse consigo.

Se quisermos revelar ao mundo o valor que tem o casamento, não precisamos sair por aí condenando os adúlteros, mas valorizar nossos cônjuges aos olhos de todos.

Feridas não precisam ser ainda mais abertas, mas devidamente tratadas.

“Bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, não já como escravo, antes, mais do que escravo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor” (vv.15-16).

Paulo intentava convencer Filemom que receber Onésimo na condição de irmão representaria lucro em vez de prejuízo.

Precisamos convencer o mundo que o casamento não é uma instituição falida, e que é melhor ter uma esposa do que uma amante. Temos que mostrar ao mundo o prejuízo que é fazer as coisas de maneira inversa àquilo que Deus planejou. As pessoas devem ser convencidas de que vale a pena fazer as coisas do jeito certo.

Um filho é melhor do que um aborto. Um casamento é melhor do que uma aventura amorosa. É melhor a justiça com segurança e paz, do que a corrupção acompanhada de pavor e violência.
Finalmente, Paulo dá o retoque final ao seu argumento em nome do amor:

“Portanto, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, lança-o na minha conta. Eu, Paulo, escrevo de meu próprio punho, eu o pagarei, para não te dizer que ainda a ti mesmo a mim te deves” (vv.17-19).

Todos sonhamos ver este mundo restaurado, com suas instituições devidamente reformadas, livre da injustiça, da corrupção, e de todo mal.

Entretanto, quem se dispõe a pagar o preço por isso?

Ninguém quer ficar no prejuízo.

É muito fácil dizermos a uma menina grávida de seu estuprador para que não aborte. Mas quem se dispõe a ajudá-la a criar seu filho?

Lembro de uma mulher que ligou para um programa de rádio que eu conduzia. Ela chorava muito, e dizia que estava diante de uma janela, pronta a se arremessar. Tentei acalmá-la, e pedi que me contasse o que estava havendo. Ela me explicou que havia crescido em uma igreja evangélica extremamente legalista, mas que se desviara e se tornara numa garota de programa. Pra piorar as coisas, ela se engravidou de uma dos seus clientes, mas tinha a menor idéia de qual deles era a criança. Foi um momento muito difícil para mim, pois nossa conversa estava sendo ouvida por milhares de pessoas, e se ela resolvesse pular da janela, eu me sentira culpado pro resto de minha vida. Deixei que o Espírito Santo pusesse palavras em meus lábios, que a dissuadiram de pular. Instei com ela para que voltasse pra igreja. Ela argumentou comigo, dizendo que todas as vezes que ela pôs os pés em sua antiga igreja, as pessoas lhe olhavam de cima a baixo, julgando-a e condenando-a. Em vez de amor, ela só encontrava juízo. Mesmo sustentando sua família com o dinheiro advindo da prostituição e de filmes pornográficos, sua família a rejeitava.

Depois de muitas lágrimas, ela aceitou orar comigo, reconciliando-se com Deus. Após a oração, ela pediu pra conversar comigo fora do ar. Contou-me que tinha um contrato com uma produtora internacional de filmes pornôs, e que, se ela resolvesse abandonar aquela vida, teria que pagar uma alta soma por quebra de contrato. Procurei mostrar a ela que todo o dinheiro que aquela vida lhe dava não valia a pena, e que, mesmo sofrendo eventuais prejuízos, nada seria melhor do que voltar-se para Cristo.

Será que a igreja está preparada para receber pessoas assim?

Outra vez, recebi um homossexual em meu gabinete. Ele começou a chorar, e a dizer que sentiu confiança em nos ouvir pelo rádio. Segundo ele, todas as igrejas por onde passara, o rejeitaram. Ninguém se dispusera a ajudá-lo.

É muito fácil julgar, condenar, ou mesmo ignorar tais pessoas. Difícil é amá-las e acolhê-las como Jesus teria feito em nosso lugar.

Paulo se dispôs a pagar por qualquer prejuízo que Onésimo houvesse dado a Filemom. E quanto a nós, será que estamos prontos a arcar com os custos e implicações da mensagem do Reino de Deus?

Estaríamos prontos para lidar com os efeitos colaterais de um verdadeiro avivamento, como aquele que varreu o País de Gales, encerrando as portas dos prostíbulos e bares?

domingo, maio 11, 2008

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ONU confere título de Embaixador da Paz


No dia 10 de Maio, o Comitê da Paz Mundial, órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), promoveu uma grande cerimônia para a entrega de Diplomas e Medalhas à líderes que têm se empenhado em favor da paz no Mundo. Na ocasião, a nova diretoria do Comitê foi apresentada à multidão que lotava o auditório da Rádio Boas Novas em Vila Isabel, RJ.



A mensagem ficou por conta do Rev. Guilhermino Cunha, da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, que ressaltou que a genuína paz é fruto de um relacionamento com Deus através de Cristo, o Príncipe da Paz.

A outorga do título de Embaixador da Paz e a entrega dos diplomas e medalhas ficou a cargo do Rev. Isaías de Souza Maciel, presidente da OMEBE (Ordem dos Ministros Evangélicos no Brasil e no Exterior).
Entre os contemplados, estava o Bispo Hermes C. Fernandes, Bispo Primaz da REINA - Igreja do Futuro, que aproveitou a oportunidade para divulgar seu livro "Amor Radical", pedindo que os líderes ali reunidos levantassem aos céus uma oração, consagrando a obra literária.

A cerimônia contou com a cobertura da Rede Record de Televisão, e da TV Gospel, como também de vários periódicos evangélicos.

Além do título de "Embaixador da Paz", o Comitê da Paz Mundial conferiu, em nome da ONU, uma medalha de Honra ao Mérito àqueles que têm trabalhado em prol da paz.

O Bispo Hermes C. Fernandes foi nomeado vice-presidente do Conselho Consultivo do Comitê da Paz Mundial, e vai trabalhar ao lado do Rev. Guilhermino Cunha.




Para conhecer mais do trabalho desenvolvido pelo Bispo Hermes C. Fernandes, visite o site do Projeto Tesouro Escondido, o site do Instituto Igreja do Futuro e o site da REINA, e leia os artigos publicados neste blog.


quarta-feira, maio 07, 2008

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Defensores de que Futuro?

Até onde vai a nossa obrigação, enquanto igreja de Cristo, para com aqueles a quem temos evangelizado? Será que ela se encerra no âmbito espiritual? O fato de lhes ter anunciado a vida eterna em Cristo já é suficiente?

Tomemos por exemplo o profeta Eliseu, e sua preocupação para com o futuro de uma família a quem ele beneficiara, restituindo-lhe o filho que morrera (II Reis 8:1-15):

“Ora, Eliseu havia dito à mulher cujo filho ele restaurara à vida: Levanta-te e vai, tu e a tua família, e mora onde puderes, porque o Senhor chamou a fome, a qual virá à terra por sete anos. Levantou-se a mulher e fez conforme a palavra do homem de Deus. Foi com a sua família, e habitou na terra dos filisteus durante sete anos.”

Eliseu sentiu-se responsável pelo bem-estar e pelo futuro daquela família. De que adiantaria restituir a vida do menino, sem garantir-lhe o direito de desfrutá-la em todo o seu potencial?

“Ao cabo dos sete anos, a mulher voltou da terra dos filisteus, e saiu a clamar ao rei que lhe devolvesse a sua casa e as suas terras.”

Terminada a fome que abatera em Israel, a mulher voltou para a sua propriedade, e em uma audiência com o rei, reivindicou a restituição de seus bens.

O que mais chama a minha atenção neste texto é a maneira como Deus tece as circunstâncias para beneficiar àquela mulher e a sua família. Afinal, nada acontece por acaso. Há um Deus que é Senhor absoluto das circunstâncias, até mesmo das contingências da vida. Ele não dá ponto sem nó.

Talvez aquela mulher não pudesse compreender a razão pela qual Deus permitira que seu filho amado morresse. Afinal, Deus o havia dado sem que ela pedisse. Agora, não fazia sentido algum Deus lhe tomar o único filho.

É claro que ela ficou sobremodo agradecida e alegre quando Deus lhe restituiu o menino, porém, não podia supor a maneira como esse milagre alteraria o rumo de sua vida.

Quando aquela mulher adentrou a sala real, ela interrompeu uma conversa entre o rei e Geazi, discípulo do profeta Eliseu.

“Ora, o rei falava a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito. Contando ele ao rei como Eliseu restaurara à vida um morto, a mulher cujo filho ele havia restaurado à vida clamou ao rei que lhe devolvesse a sua casa e as suas terras. Disse Geazi: Ó rei, meu senhor, esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseu restaurou à vida.”

Coincidência? Não! Providência!

“O rei perguntou à mulher, e ela lhe contou a história. Então o rei lhe designou um oficial, dizendo: Faze restituir-lhe tudo o que era seu, e todas as rendas do campo desde o dia em que deixou a terra até agora.”

Que bela surpresa! Além de ter suas terras de volta, ela ainda recebeu do rei tudo o que ela deixou de colher todos aqueles anos.

Tudo por causa do testemunho que Geazi deu acerca do milagre operado por Deus na vida daquela mulher.

De fato, a repercussão de um testemunho pode abrir muitas portas.

Não há fatos isolados. Se um abismo chama outro abismo, uma bênção tem o poder de atrair outras tantas. Jamais ela poderia supor que a ressurreição de seu filho fosse impactar de tal maneira o coração daquele rei, a ponto de ele restituir-lhe todos os anos perdidos.

Caminhemos um pouco mais pelo texto:

“Eliseu foi a Damasco, e Ben-Hadade, rei da Síria, estava doente. Quando anunciaram ao rei: O homem de Deus chegou aqui, disse ele a Hazael: Toma um presente contigo e vai encontrar-te com o homem de Deus. Por intermédio dele pergunta ao Senhor: Sararei eu desta doença? Foi Hazael a encontrar-se com ele, e levou um presente consigo, a saber, quarenta camelos carregados de tudo o que era bom de Damasco. Veio, pôs-se diante dele, e disse: Teu filho Ben-Hadade, rei da Síria, me enviou a ti para perguntar: Sararei eu desta doença? Respondeu-lhe Eliseu: Vai, e dize-lhe: Certamente sararás. Mas o Senhor me mostrou que ele morrerá. E olhou para Hazael, fitanto nele os olhos até que este se sentiu envergonhado. Então o homem de Deus chorou. Perguntou Hazael: Por que chora o meu Senhor? Respondeu ele: Porque sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel. Porás fogo às suas fortalezas, os seus jovens matarás à espada, os seus meninos despedaçarás, e as suas mulheres grávidas fenderás.”

Vislumbrar o futuro pode ser gratificante, mas também pode ser aterrorizador. Eliseu teve um vislumbre do futuro e ficou indignado. Aquele moço enviado pelo rei para presentear o profeta representava uma ameaça ao futuro do povo de Israel.

Embora fosse apenas um serviçal, seu destino era ser o próximo monarca da Síria. Ele mesmo retrucou o profeta, quando se viu embaraçado diante do olhar perscrutador de Eliseu:

“Como é que tu servo, que não passa de um cão, poderia fazer tão grande coisa? Respondeu Eliseu: O Senhor me mostrou que hás de ser rei da Síria.”

Os jovens seriam mortos à espada, os meninos seriam despedaçados, e as grávidas seriam partidas ao meio... Que desgraça!

Imagino o que se passou na cabeça de Eliseu. Talvez houvesse pensado até em tirar a vida daquele rapaz ali mesmo, para evitar o pior.

Interessante perceber que o texto fala de duas realidades opostas. Na primeira, um menino é restituído ao seio da família, para que seu testemunho garantisse a restauração de todos os bens perdidos durante o tempo de fome em Israel. Na segunda, um rapaz enviado como mensageiro de um rei representava um futuro ameaçador para o povo de Israel.

Dois “futuros” contrastantes.

Eliseu tinha olhos clínicos, capazes de distinguir os espíritos, os propósitos do coração, e vislumbrar o futuro.

Quantos jovens e meninos abandonados pela nossa sociedade, que vêm ao nosso encontro para trazer um recado do futuro. Aquela criança que hoje ignoramos nos sinais de trânsito, é a mesma que amanhã poderá invadir nossa casa e manter nossa família refém. Ah, se tão-somente fôssemos mais sensíveis à voz que nos vem do futuro para nos avisar.

O futuro sempre envia seus mensageiros! Alguns deles trazem mensagens de esperança, enquanto outros nos vêm para despertar nossa consciência, a fim de fazermos algo hoje e evitarmos a desgraça que pode estar em nosso caminho.

O texto termina revelando que o que Eliseu temia veio a acontecer:

“Então deixou a Eliseu, e voltou a seu senhor, o qual lhe perguntou: Que te disse Eliseu? Respondeu ele: Disse-me que certamente sararás. No dia seguinte, Hazael tomou um cobertor, molhou-o na água e o estendeu sobre o rosto do rei, de modo que este morreu. E Hazael reinou em seu lugar.”

Neste caso em particular, nada foi feito para alterar o rumo das coisas. Porém, há sempre algo que podemos fazer hoje para defender nosso futuro. Um menino que deixa as drogas e retorna à vida hoje, poderá ser a chave para a sobrevivência de toda uma família amanhã. Que possamos fazer algo agora, em vez de simplesmente ficarmos na expectativa que o pior nos acometa. Ainda que da perspectiva da eternidade o futuro já esteja pronto, para nós que vivemos do lado de cá, o futuro precisa ser construído.

Estou convencido que o papel da igreja cristã não é apenas garantir vida eterna às pessoas, mas também trabalhar para garantir o futuro deste mundo. Fomos constituídos por Deus como "defensores do futuro"!

Visite o blog: www.defensoresdofuturo.blogspot.com

terça-feira, maio 06, 2008

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Desfazendo as malas...


"Jerusalém gravemente pecou (...) ela não pensou no seu futuro." Lamentações 1:8-9.


Ninguém quis dar ouvidos à advertência dos profetas.

- Jerusalém cairá! diziam eles em uníssono. Desde que o povo hebreu entrou na Terra Prometida, os anos sabáticos foram negligenciados. De acordo com a ordem divina, podia-se cultivar a terra por seis anos, mas no sétimo, a terra deveria descansar (Lv.25:3-5).

490 anos se passaram, e a terra continuava sendo cultivada ininterruptamente. Interessante que hoje, milhares de anos depois, a ciência comprova que se a terra não descansar a cada seis colheitas, ela perde a produtividade. Chegara a hora da cobrança. A terra já não suportava mais. E se ela deixasse de produzir, a fome destruiria aquela nação.

Jeremias, em suas Lamentações, afirma que o pecado de Jerusalém foi não pensar no seu futuro. Aquela era uma geração inconseqüente e irresponsável. Nossa sociedade tem incorrido no mesmo erro. Somos uma civilização imediatista. Só pensamos nas necessidades imediatas. Enquanto isso, o futuro está sendo sacrificado no altar das conveniências. Nossos rios estão poluídos. Nosso abastecimento de água potável está ameaçado. Milhares de espécies de animais correm o risco de serem extintas ainda este século. Nosso ar está irremediavelmente comprometido pelos gases tóxicos emitidos pelas chaminés das fábricas. Não temos pensado em nosso futuro.

Se o que se tem pregado em muitos púlpitos for verdade, não temos com que nos preocupar. Afinal, somos a última geração! Infelizmente, é nisso que a maioria dos cristãos crê em nossos dias. Se continuar nesse ritmo, nossa civilização cairá. 

O papel do profeta não é prever, mas prevenir. Não podemos continuar nessa marcha rumo à aniquilação. Algo precisa ser feito. E o primeiro passo é a conscientização acerca do problema e da responsabilidade que temos como sociedade. Um dia a terra vai cobrar! E já está cobrando. A conta é caríssima. Quem vai pagar? As próximas gerações. Em outras palavras, estamos deixando a conta para nossos filhos e netos.

Nossa dívida com a terra já está rolando há muito tempo. São juros sobre juros. O povo de Jerusalém já devia 70 anos sabáticos à sua terra. Em 490 anos, eles jamais atentaram para esse mandamento. Chegara a hora de cumprir a sua parte no trato feito com Deus. Nabudonozor foi o monarca babilônio usado por Deus para remover os judeus de sua terra. Foram exatos 70 anos de exílio, para que a terra recebesse o descanso devido. Setenta anos sem arado, sem semeadura, sem colheita.

Foi Zacarias quem profetizou já no fim do exílio babilônico: “...Toda a terra está tranqüila e descansada. Então disse o anjo do Senhor: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos?” (Zc.1:11b-12). O juízo de Deus não se restringe ao aspecto punitivo, mas sempre traz em seu bojo a manifestação da misericórdia de Deus para com a Sua criação.

Quando os judeus chegaram à Babilônia, muitos profetas se levantaram para consolar seus patrícios, afirmando que seu cativeiro duraria pouquíssimo tempo. Porém Deus levantou Jeremias pra garantir àquela gente, que seu cativeiro duraria pelo menos por duas gerações. Não adiantaria murmurar, reclamar, ou promover algum tipo de levante contra aquela situação. Sua terra precisaria de um descanso de 70 anos.

Destoando completamente de seus colegas, Jeremias diz:

“Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os que foram transportados, que eu fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas, e habitai nelas; plantai pomares, e comei o seu fruto. Tomai mulheres, e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para os vossos filhos, e dai as vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos, e não vos diminuais”. Jeremias 29:4-6

Em outras palavras, era hora de desfazer as malas, e programar-se para o futuro. Nada de alienação, nem falsas esperanças. Ali era seu novo lar. Em vez de lamentar-se a vida inteira, eles deveriam edificar, plantar, comer, construir relacionamentos, criar filhos e etc.

Jeremias prossegue: “Procurai a paz e a prosperidade da cidade, para onde vos fiz transportar. Orai por ela ao Senhor, porque se ela prosperar vós também prosperais”. Jeremias 29:7

Quem disse que nossa prosperidade independe da realidade social na qual estamos inseridos? É claro que Deus é poderoso o suficiente pra nos fazer prosperar a despeito da crise econômica em que nosso país esteja mergulhado. Entretanto, em Sua sabedoria, Deus nos permite passar pelas mesmas situações e adversidades que os demais. Salomão reconhece isso ao declarar: “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro” (Ecl.9:2). Ninguém está imune às adversidades desta vida. Portanto, em vez de buscar nosso bem-estar particular, devemos buscar incessantemente o bem-estar de todos à nossa volta. Se nosso país prospera, nós também prosperamos. Se ele sofre, nós também sofremos.

Não consigo entender a indiferença de muitos cristãos para com as questões sociais e ambientais. Parecem pessoas de outro mundo. Todos somos igualmente vítimas dos maus tratos sofridos pelo meio-ambiente. Todos somos vítimas das injustiças sociais. Todos somos vítimas da violência urbana.

A alienação constatada no meio cristão é fruto de uma mensagem desequilibrada, que leva as pessoas a acreditarem que esse mundo não tem jeito, e que a única coisa a fazer é esperar pelo dia em que seremos arrebatados ao céu.

Pregadores e teólogos regem o coro que diz: quanto pior, melhor. Para eles, isso aceleraria a volta de Jesus. Para eles, simplesmente não há futuro. Pelo menos, não nesta terra. Por isso, os crentes parecem estar sempre de “malas prontas” pra partir daqui. Eles são constantemente alertados: Vivam hoje, como se fosse o último dia. Até que ponto, esse tipo de postura não faz de nós um povo alienado?

Ora, se somos a última geração, por que deveríamos nos preocupar com questões como a camada de ozônio, a emissão de gases tóxicos, a má distribuição de renda, e outras questões igualmente pertinentes.

Geralmente, os crentes estão mais preocupados com questões de cunho moral, tais como o aborto, o homossexualismo, a liberação das drogas e etc. Não que estas questões não tenham seu grau de importância. Mas o fato é que estamos coando mosquitos, e engolindo camelos o tempo inteiro. Quando Cristo vier, Ele certamente deseja encontrar uma igreja militante, de mangas arregaçadas, trabalhando pela transformação do mundo. Infelizmente, o que vemos hoje, é uma igreja apática, alienada, gnóstica, e descomprometida com a agenda do Reino de Deus.

Se não precisássemos nos preocupar com aquilo que ocorre em nosso mundo, como se isso não nos afetasse, Paulo jamais nos teria admoestado:

“Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda piedade e honestidade.” 1 Timóteo 2:1-2.

Leis que são votadas na surdina no Congresso Nacional, afetam em cheio o nosso cotidiano. Não podemos mais fingir que está tudo bem, nem dar ouvidos aos profetas da comodidade. O mundo não está acabando! Há futuro para a humanidade.

Veja o que a boca do Senhor diz:

“Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz, e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro.” Jeremias 29:11.

Ora, se há futuro para nós, temos que agir hoje, como se fosse o primeiro dia do resto de nossas vidas.

Temos que pensar naqueles que nos sucederão. Quando ouço alguns pastores afirmando que o mundo está caminhando para um fim iminente e trágico, tenho vontade de perguntar qual a razão de a maioria deles parecer tão preocupada em construir templos suntuosos. Se não há futuro, não há razão pra construir nada. Cruzemos os braços, e aguardemos o pior. Mas se há futuro, arregacemos as mangas, e mãos à obra! E lembremo-nos de que, não é a Terra que será destruída, e sim, aqueles que a destroem (Ap.11:18).

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E Deus já deixou alguma coisa escrita?

Dia desses, meu filho me perguntou se Deus havia escrito alguma coisa. Enquanto tentava lhe explicar, me veio um insight: só encontramos três escritas feitas diretamente pela mão de Deus: nas tábuas da Lei, na parede do palácio da Babilônia e na areia. A primeira, escrita em tábuas de pedra, aponta para a inflexibilidade da Lei. A segunda, feita na parede, representa o Juízo de Deus sobre aqueles que são avaliados pela Lei. A segunda escrita pode representar o ministério dos profetas, cujo objetivo era o de denunciar a condição humana frente ao santo caráter de Deus, revelado na Lei. Perante ela, todos foram pesados e achados em falta. Portanto, estavam todos sob a condenação da Lei. Mas a terceira escrita fora feita por Cristo na areia, enquanto uma mulher pega em flagrante adultério estava prestes a ser sumariamente executada por aqueles que a acusavam, estribados na Lei.

O que antes fora escrito em tábuas de pedra, agora foi escrito em nossos corações. Através da Cruz, a parede na qual estava escrita nossa condenação foi derrubada. E nossos pecados, escritos na areia, foram inteiramente apagados.

sábado, maio 03, 2008

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