quarta-feira, abril 30, 2008

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Que saudade do futuro...

“Saudade”. Sem dúvida uma das mais belas palavras de nossa língua. Uma das únicas que não podem ser traduzidas pra nenhum outro idioma.

Embora só exista “saudade” em português, este sentimento é comum a todos os povos e culturas. Temos saudade do que passou, de pessoas que se foram, de experiências que vivemos, e até daquilo que fomos um dia.

Mas a pior das saudades é a saudade do futuro.
Como é possível sentir saudade do que ainda não vivemos? Que sentimento é esse?
Imaginemos uma mulher grávida, que subitamente aborta o filho. Mesmo sem nunca tê-lo embalado em seu colo, nem tê-lo visto, o que ela sente é saudade. Não é saudade da barriga preponderante, mas de um futuro que jamais se concretizará. Saudade de toda expectativa investida. Saudade de um choro de criança que ela jamais ouvirá.

É uma sensação estranha, porém, real. Cada momento que vivemos está grávido do futuro.
O futuro é fruto do casamento entre a eternidade e o agora.

Às vezes temos a sensação de que o futuro foi abortado. É esta sensação que produz em nós um tipo de saudade do futuro.

O sábio Salomão diz que Deus “pôs a eternidade no coração dos homens” (Ec.3:11). Em outras palavras, Deus fecundou nossa alma com a semente da eternidade.

Nosso corpo está sujeito ao tempo, mas nossa alma nos conecta diretamente à eternidade. E é por isso que Paulo declarou: “Por isso não desfalecemos. Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co.4:16).

Se a fé nos conecta à eternidade, a esperança nos conecta ao futuro.

Há situações que enfrentamos em nosso dia a dia que parecem destruir nossa esperança. Aos poucos, a esperança vai cedendo lugar ao desespero. E quando isso acontece, não é apenas o corpo que se consome, mas também o homem interior.

Jó experimentou isso na pele e na alma:

“O meu espírito vai-se consumindo, os meus dias vão-se apagando, e só tenho perante mim a sepultura”. Jó 17:1

Isso me lembra uma cena do filme “De volta para o futuro”, em que o protagonista volta ao passado, e percebe que uma foto que ele trouxera do futuro está se apagando, pelo fato de seu passado estar sendo alterado, e seu futuro comprometido.

Não há como retornar ao passado para alterar o presente ou o futuro. Mas podemos viver o presente comprometidos com o futuro.

Quando vivemos sem qualquer perspectiva, nosso espírito vai se consumindo, quando a vontade de Deus é que ele se renove dia após dia. É nosso homem exterior que se corrompe com o tempo. Nosso espírito tem que ser constantemente renovado. A esperança é a fonte da juventude, onde nosso espírito deve mergulhar para manter-se sempre jovem e disposto.

Se nosso espírito for consumido pela falta de perspectiva, nossos dias desbotarão, e a vida perderá sua cor. Então, só nos restará uma possibilidade: a sepultura.

Nossos dias se apagam, quando nosso futuro se desvanece. Quando já não temos expectativas, nem esperança.

Era assim que Jó se sentia.

“Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, e as aspirações do meu coração (...). Se a única casa pela qual espero for a sepultura, se nas trevas estender a minha cama, se à corrupção clamar: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã, onde estará então a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?” Jó 17:11,13-15

Lembremo-nos que a fé que nos conecta à eternidade. Mas é a esperança que nos impulsiona para o futuro. Quando a esperança se esvai, temos que recorrer à fé.

Paulo diz que devemos atentar “nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas (...). Andamos por fé, e não por vista” (2 Co. 4:18; 5:7).

O futuro não pode ser abortado, mas a esperança sim. E se ela tem sido sabotada pelas circunstâncias adversas, somente a fé poderá restaurá-la.

Foi o que aconteceu a Abraão, que “em esperança, creu contra a esperança, que seria feito pai de muitas nações (...). E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo amortecido” (Rm.4:18a,19a).

Soa estranho para nós o fato de alguém crer contra a esperança. A fé deve ter primazia sobre a esperança.

A fé nos faz acessar a eternidade, onde o futuro já é presente, um presente que ainda não foi desembrulhado.

Na definição do autor sagrado, “a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hb.11:1).

Nossa fé deve estar voltada para Aquele que “chama a existência as coisas que não são, como se já fossem” (Rm.4:17).

O que ainda será na perspectiva do tempo, já o é na eternidade.

Crer contra a esperança, é, ao mesmo tempo, crer aliado à esperança. É transcender o tempo e o espaço, e vislumbrar a eternidade.

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I Fórum Por Um Mundo + Justo


segunda-feira, abril 28, 2008

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A Quinta se tornou o Quintal do Imperador das Nações

O Encontro de Gerações foi um marco na história do povo reinista.


Milhares de pessoas se espalhavam pelo vale entre o Museu da Quinta da Boa Vista e o lago dos pedalinhos. Via-se famílias inteiras reunidas. Pais e filhos brincando na grama. Crianças correndo de um lado para o outro. Não era uma cruzada, mas um encontro de famílias. Ao som de várias bandas e cantores que se alternavam em um grande palco, a multidão cantava, vibrava, aplaudia, e celebrava a vida em Cristo sob um sol de quase 40 graus.


Alguns momentos marcaram profundamente o evento. Um deles foi quando a equipe da Rede Globo de Televisão subiu ao palco para registrar o clamor levantado aos céus pelo fim da epidemia da dengue no Estado do Rio de Janeiro.


Após o clamor, fomos entrevistados pela equipe da Globo, que queria saber se só Deus poderia dar fim à epidemia.


Depois de mais de quatro horas de louvor, o povo silenciou-se para ouvir a mensagem de Deus. O tema que abordamos foi a indiferença de muitos cristãos à situação que os rodeia. A história de Jonas, o profeta rebelde, foi usada como exemplo, para chamar a atenção do grande público acerca de nossa obrigação, como cristãos, de nos envolver com as questões que desafiam a nossa sociedade.


É dever da igreja de Cristo atuar em todos os seguimentos da sociedade, seja na cultura, nas artes, na política, na educação, ou em qualquer área da vida. Como Igreja de Cristo, que acredita no futuro, não temos o direito de nos alienar.


O evento terminou com o famoso brado de "Christus Victor!"


Que venham outros ainda maiores do que esse.

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Reportagem sobre o Encontro de Gerações

"Em uma ensolarada tarde de sábado (12/04), nos gramados da Quinta da Boa Vista, milhares de evangélicos se reuniram durante toda a tarde, para louvar e ouvir a Palavra de Deus, no Encontro de Gerações, organizado pela Reina, Igreja do Futuro, liderada pelo bispo primaz Hermes Fernandes, com a participação de cantores e bandas famosas do mercado fonográfico gospel, como Toque no Altar, Sopro de Deus, Vida Abundante, Marco Aurélio e André Lima.

A organização foi um ponto alto. Com a preocupação de preservar a natureza, foi formado um frupo - todos usando coletes verdes - responsável por recolher todo o lixo deixado pela multidão presente. Ao término do evento, não havia nenhum lixo no chão. Isso chamou a atenção dos guardas municipais destacados para o local.

- Os evangélicos sempre dão exemplo de organização, mas este evento, em especial, foi muito organizado. Aliás, eu, particularmente, fosto de trabalhar nesses eventos, pois não costumam acontecer brigas, é só alegria - declarou Flávio Barbosa, guarda municipal.

Um dos momentos mais marcantes do evento, e que foi registrado pela Rede Globo de Televisão, foi o clamor levantado contra a epidemia de dengue que assola o Estado do Rio de Janeiro. Todos os pastores dobraram os joelhos no palco e, junto com a multidão, oraram.

- Recentemente, o Prefeito César Maia, em visita a Salvador (BA), afirmou em entrevista que estava buscando apoio do "Senhor do Bonfim"para que o mosquito da dengue fosse enviado em direção ao oceano. Infelizmente, de lá para cá a situação se agravou ainda mais. A Bíblia registra que Jonas dormia enquanto todos os tripulantes do navio pediam aos seus deuses que acalmassem a tempestade. Mas não obtiveram nenhum resultado. Por isso, sabendo que o nosso Deus tem o poder de acabar com esta epidemia, estamos hoje aqui, a Reina, Igreja do Futuo, junto a diversas outras denominações evangélicas, para clamar a Deus e pedir a Ti, Jesus, Filho de Deus, que livre o Estado do Rio da dengue", clamou em oração o bispo Hermes, acompnhado de fervorosas orações."

Fonte: Jornal "Nosso Tempo" (Matéria de Capa)

sábado, abril 26, 2008

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Herdeiros de quê ou de quem?

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, logo somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”. ROMANOS 8:16-17a.

Nada mais lógico que isto: Se somos filhos de Deus, logo, também somos Seus herdeiros. Esta é a conclusão a que chegara Paulo, no desenvolvimento de sua epístola aos Romanos.

Muito se tem pregado acerca de nossa filiação divina, porém, raramente ouvimos alguma mensagem que fale a respeito da herança dos filhos de Deus. Afinal, o que a Bíblia quer dizer quando nos chama de herdeiros de Deus? Ser herdeiro implica ter uma herança. Quê herança é esta?


Vejamos o que diz Pedro:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia nos gerou de novo para um viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, guardada nos céus para vós” (1 Pe.1:3-4).

Baseados nesta passagem, muitos concluem que a herança dos filhos de Deus é sua morada celeste. Mas seria isso o que Pedro intentava dizer? Que herança incorruptível é esta que está guardada nos céus para nós? Seria a Nova Jerusalém? Estou convencido que a resposta é ‘não’.
A Nova Jerusalém apresentada em Apocalipse nada mais é do que uma figura da Igreja de Cristo. Portanto, trata-se de uma realidade presente, não futura.


Ora, se não é a Nova Jerusalém, o que seria, então?


Outras duas passagens usadas em conexão com esta são Filipenses 3:20 e Gálatas 4:26, onde lemos:

“Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.”

“Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós.”


Ora, tanto uma como a outra falam, não de nosso destino, mas de nossa origem. Somos a Nova Jerusalém, e nossa origem é celestial. Por isso, João relata que em sua visão, Jerusalém “descia do céu, da parte de Deus” (Ap.21:10). Tal fato encontra eco nas palavras de Jesus acerca de Seus discípulos: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou (...) Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”(Jo.17:15-16,18). Fica claro que nosso destino não é ser tirados do mundo, ainda que nossa origem espiritual seja o céu.


Então, a pergunta persiste: em quê consiste nossa herança?


O que devemos esperar, quer nesta vida, ou na eternidade?


Um dos versos considerados acima nos dá uma pista. Nossa pátria/origem está nos céus, de onde esperamos o Salvador. Portanto, a questão não é “o quê”, mas “quem”.


Pedro diz que nossa herança está guardada nos céus. E “o quê” esperamos dos céus?


Trata-se de uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível.


Vejamos o significado de cada uma destas qualidades:

IncorruptívelQue não se corrompe, isto é, não se decompõe com o tempo.
IncontaminávelQue não se contamina.
ImarcescívelQue não murcha, isto é, não perde o vigor.

O que, ou melhor, quem será que se encaixa perfeitamente nesta descrição?

A resposta é: JESUS CRISTO.

Cristo é a nossa herança incorruptível, guardada nos céus para nós.
Por isso, Pedro não hesitou em advertir seus contemporâneos:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. Convém que o céu o contenha até os tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”
(Atos 3:19-21).

Algumas linhas antes, Pedro declara que através de Sua ressurreição, a alma de Cristo não foi deixada na morte, “nem a sua carne viu a corrupção” (At.2:31).

Agora, em Seu Corpo glorificado, Jesus está guardado nos céus, esperando a hora em que há de manifestar-Se ao Mundo.

Então, não haveria nada a mais que esperar do céu, senão a Jesus?

O Salmista já dizia: “A quem tenho eu no céu senão a ti?” (Sl.73:25).
E mais: "A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor; não tenho outro bem além de ti (...) O Senhor é a porção da minha herança" (Sl.16:2,5a).

Surpresa? Não deveria ser. Não foi por falta de aviso. O próprio Deus afirma pela boca do profeta: “Eles terão uma herança; eu serei a sua herança” (Ez.44:28a ).

A Bíblia não diz que somos herdeiros dos céus, e sim, herdeiros de Deus.


Continua...

segunda-feira, abril 21, 2008

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Em breve em DVD com qualidade digital

quinta-feira, abril 17, 2008

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Mensagem do Encontro de Gerações



Estas imagens foram feitas com câmera fotográfica. Em breve teremos o DVD com qualidade digital de todo evento.

terça-feira, abril 08, 2008

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quinta-feira, abril 03, 2008

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Como perceberemos o Tempo na Eternidade?

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Co.13:11).

Em nossa infância, percebemos o tempo de maneira diferente de quando chegamos à idade adulta. A impressão que tínhamos era de que o tempo passava bem devagar. Quanto mais almejávamos a chegada das férias, mais elas pareciam distantes. Contávamos os dias e as horas, até que, depois de uma “eternidade”, elas finalmente chegavam. Qual a criança que nunca quis que o tempo passasse mais rápido pra que chegasse logo a idade adulta, em que ela pudesse sair sozinha, ou comprar o que quisesse? Porém, depois que alcançamos a maturidade, o tempo parece correr. Temos saudades de quando éramos crianças, e gostaríamos de ter a oportunidade de voltar no tempo e aproveitar mais nossa infância.

Quanto mais avançamos no tempo, mais rápido ele parece passar. De uma natal para o outro é um pulo. Se pudéssemos, pelo menos, congelar o tempo! Ou quem sabe, manter nossos filhos sempre crianças, e nosso cônjuge sempre jovem!

Embora pareça que o tempo se acelere com o passar do tempo (desculpe a redundância!), o fato é que nossos anos continuam tendo 365 dias, nossos dias continuam tendo 24 horas, e nossos minutos ainda têm 60 segundos. O tempo continua o seu percurso sem qualquer alteração. É nossa percepção que muda, devido a nossa consciência.

Para exemplificarmos a relatividade da percepção que temos do tempo, imagine os 50 segundos vividos numa montanha russa. Eles parecem uma eternidade. Ou ainda: quanto tempo pareceu durar sua última visita ao dentista? O barulho daquele motorzinho fez com o tempo se prolongasse. Mas quando você está numa atividade prazerosa, que você gostaria que se estendesse um pouco mais, parece que o tempo voa. Contudo, não é o tempo que se altera. Ele permanece o mesmo. O que muda é a percepção que se tem dele.

De acordo com Piaget, nossas idéias sobre o tempo não são inatas, mas resultam de construções lógicas que se originam da experiência e da ação. A construção do conceito de tempo é longa e complexa, atravessando etapas distintas. Quando crianças, começamos a elaborar nosso conceito de tempo a partir do desenvolvimento da linguagem. A criança só constrói a noção de tempo quando é capaz de perceber a duração e a sucessão do tempo (simultaneidade) e o fato de que não é possível parar o tempo (continuidade). Aos poucos ela vai entendendo o significado das palavras “ontem”, “hoje”, “amanhã”, “agora”, “depois”. Até que domine a linguagem, ela poderá cometer erros do tipo: “Amanhã eu fui passear com meu pai”, ou “ontem eu irei...” Com o tempo ela vai se aperfeiçoando, passando a compreender a divisão do tempo em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos. Tão logo seja alfabetizada, a criança aprende a contar as horas no relógio.

A impaciência da criança com o tempo é patente. Quem nunca se aborreceu com o filho perguntando insistentemente durante o trajeto de uma viagem: “Ainda falta muito pra chegar?”
São perguntas como esta que demonstram que desde cedo nós aprendemos que tempo e espaço estão intimamente relacionados. Inocentemente, intuímos o que a física moderna só tornou em teoria no século passado. De acordo com a teoria da relatividade de Albert Einstein, espaço e tempo estão interligados.[1] Tempo e espaço, de fato, estão interligados indissoluvelmente.

O que liga o tempo ao espaço é o movimento. Por isso, todos os inventos para se medir o tempo se baseiam em algum tipo de movimento como o dos ponteiros ou pêndulo de um relógio, da areia na ampulheta, ou da sombra de um relógio de sol. Algo se movimenta quando ocupa posições diferentes no espaço. Percebemos, então, que não se pode conceber o tempo ou espaço como entidades isoladas, antes formam um conceito integrado de uma entidade que a Física passou a chamar de espaço-tempo quadrimensional (três dimensões para o espaço e uma para o tempo).O tempo, portanto, pode ser concebido como a "distância" que um determinado fato está em relação ao agora.

É dentro do binômio tempo-espaço, que o ser humano tem a oportunidade de se desenvolver, alcançando novos níveis de consciência.

Se não quisermos desperdiçar nossa vida, deixando-a aquém de nossas expectativas, precisamos cuidar do aqui-e-agora. É o que semearmos no aqui-e-agora, que nos fará ir além.

Aproveitar o aqui-e-agora é o que Paulo chama de “remir o tempo” (Ef.5:15-16). A palavra grega para “remir” é o particípio médio presente de exagoradzo, que significa “libertar da escravidão”. Na voz média significa “garantir para si mesmo” ou “salvar de perda”. Portanto, “remir o tempo” quer dizer poupar o tempo, garantir que ele não seja desperdiçado.

Num certo sentido, poderíamos dizer que não é o tempo que passa, e sim, nós que passamos por ele. A Bíblia confirma tal fato: "O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e cheio de inquietação. Nasce como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece....Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; tu lhe puseste limites, e ele não poderá passar além deles." (Jó 14:1,2,5). Lemos ainda: "A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos" (Salmos 90:10). Quão incômoda é esta verdade: Nós voamos! Não é o tempo que voa, somos nós. Por isso, devemos aproveitar ao máximo o tempo de que dispomos, não deixando escapar nenhuma das oportunidades que nos forem dadas. O grande gênio renascentista Leonardo da Vinci queixou-se de não ter tido tempo suficiente para fazer tudo o que desejava ter feito.

Há ainda duas passagens dos Salmos que chamam nossa atenção acerca disso. No salmo 39:4 lemos: "Faze-me conhecer, ó Senhor, o meu fim, e qual a medida dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou". Já o Salmo 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio”. Estar consciente do tempo de que dispomos nessa vida nos faz humildes e sábios. Portanto, o tempo possui um valor pedagógico para o homem.

A Era da Pressa

O homem moderno tem pressa. Com o avanço tecnológico, as distâncias foram encurtadas. O que antes parecia tão longe, agora ficou tão perto. Uma viagem que antes demoraria dias, agora é feita em poucas horas. A indústria aeroespacial prevê que em trinta anos produzirá um avião supersônico que alcançará dez vezes a velocidade do som, sendo capaz de dar a volta ao mundo em apenas duas horas. A pressa deixou de ser a inimiga da perfeição, pra ser aliada à eficiência. O mundo tornou-se, de fato, numa aldeia global. Encurtando as distâncias, o homem almeja remir o tempo. As notícias são veiculadas pela TV e pela Internet em tempo real. Satélites estrategicamente posicionados ao redor do globo possibilita a informação instantânea.

A pressa é tamanha em receber informações, que os canais especializados já exibem várias notícias de uma só vez. Enquanto o repórter nos fala de uma tragédia ocorrida na Ásia, no rodapé da TV temos informações sobre a cotação do dólar, a meteorologia, e etc.

Como bem sinalizou Frei Betto, “a arte cinematográfica nos introduziu em um novo conceito de tempo. Não mais o conceito linear, histórico, que perpassa a Bíblia e, também, as obras de Aleijadinho ou Sagarana, de Guimarães Rosa. No filme, predomina a simultaneidade. Suprimem-se as barreiras entre tempo e espaço. O tempo adquire caráter espacial e, o espaço, caráter temporal. No cinema, o olhar da câmara e do espectador passa, com toda a liberdade, do presente para o passado e, deste, para o futuro. Não há continuidade ininterrupta”. Apesar das duras críticas que ele faz acerca desse novo conceito de tempo, Frei Betto conclui que há “algo de positivo nessa simultaneidade, nesse aqui-e-agora que nos impõem como negação do tempo. É a busca da interioridade. Do tempo místico como tempo absoluto. Tempo síntese/supressão de todos os tempos. Eis que irrompe a eternidade - eterna idade. Pura fruição. Onde a vida é terna”.
Tanto a TV, a Internet, e outras mídias modernas, com seu novo conceito de tempo, nos oferece uma pálida metáfora da consciência que obteremos na Eternidade.

O conhecimento nos será acessível, não por informações sucessivas, mas por revelação. A diferença entre informação e revelação é que a primeira é mediada por alguém, enquanto que a segunda nos é diretamente transmitida por Deus. Em Jeremias 31:34, Deus nos garante: “Não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém a seu irmão dizendo: Conhecei ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior”. Teremos acesso irrestrito à Mente de Cristo (1 Co.2:16). Na verdade, já o temos hoje, entretanto, sofremos constantes interferências de nossa mente natural, o que produz algum tipo de “ruído”, e compromete a qualidade de nossa comunhão. Mas na Eternidade, em posse de um corpo glorificado, estaremos aptos a conhecer “as profundezas de Deus”, que nos serão reveladas pelo Espírito Santo (1 Co.2:10). Será como se substituíssemos a conexão de discagem de nosso computador, pela de banda larga. Estaremos sempre on-line com Deus.

Teremos um conhecimento panorâmico da realidade. Entenderemos onde as partes se encaixam na formação do Todo. E o mais importante: compreenderemos onde cada evento da vida encontra seu lugar na execução do supremo propósito.

Na Eternidade, todos os tesouros do conhecimento e da sabedoria, disponíveis em Cristo, nos serão acessíveis. Encontraremos respostas para as sete questões básicas: Quem, O quê, Por quê, Para quê, Onde, Quando e Como. O sujeito, o objeto, a razão, o propósito, o local, o tempo e o modo nos serão revelados.

Na Eternidade ouviremos a execução completa da Sinfonia da Vida, com todos os seus acordes, incluindo os graves, os agudos, e até mesmo os dissonantes.

Contemplaremos o grande mosaico da existência, e distinguiremos a figura que dele emergirá.
Por enquanto, o que vemos é o avesso daquilo que o Grande Artista está bordando. Mas lá veremos o outro lado, e apreciaremos estupefatos à Sua obra-prima.

A música nos oferece uma analogia interessante para o tipo de percepção de tempo que nossa consciência terá na Eternidade. Agostinho nos brinda com sua compreensão do tempo:

“Vou recitar um hino que aprendi de cor. Antes de principiar, a minha expectação estende-se a todo ele. Porém, logo que o começar, a minha memória dilata-se, colhendo tudo o que passa de expectação para o pretérito. A vida deste meu ato dividi-se em memória, por causa do que já recitei, e em expectação, por causa do que hei de recitar. A minha atenção está presente e por ela passa o que era futuro para se tornar pretérito. Quanto mais o hino se aproxima do fim, tanto mais a memória se alonga e a expectação se abrevia, até que esta fica totalmente consumida, quando a ação, já toda acabada, passar inteiramente para o domínio da memória”.[2]

Na Eternidade faremos uma síntese perfeita do tempo. Viveremos um “agora eterno”, síntese de sucessivos eventos.

A diferença entre a maneira como percebemos o tempo no “tempo”, e como o perceberemos na Eternidade é que, em nossa condição caída, nossa expectação quanto ao futuro vira ansiedade, nossa memória do passado produz saudade, e nossa experiência do presente é temor e angústia. Temos receio de que o que é bom termine. Queremos eternizar os momentos bons, e evitar os momentos desagradáveis. Não será assim na Eternidade. Não estaremos exprimidos entre a ansiedade, a saudade e a angústia. Nossa consciência, livre da corruptibilidade, processará a síntese perfeita. Nossa memória nos permitirá revisitar experiências maravilhosas que houvermos tido. Nossas lembranças serão tão perfeitas, que será como se revivêssemos tais experiências. Cada momento terá o peso de uma eternidade. Cada momento será como um degrau de uma grande escada espiralada. Dos andares superiores, pode-se ver perfeitamente os andares que já percorremos. Não perceberemos o tempo numa forma linear, mas espiralada, como são nossos genes, como são as galáxias.[3] O tempo, como o compreendemos agora, segue um padrão linear. É como uma linha esticada, com pontas nos dois extremos. Se quisermos ver o passado, temos que olhar para trás. O futuro se nos apresenta como algo que está à frente. Já na eternidade, perceberemos o tempo como um carretel de linha. Passado, presente e futuro estarão sempre “presentes” nesse carretel eterno, sobrepondo-se uns aos outros. O tempo se apresentará em forma de espiral, como o fio telefônico ou uma mola.

Não haverá evento algum do qual queiramos nos esquecer. Não haverá porão em nossa alma, para que nele lancemos nossas lembranças dolorosas. Mesmo as experiências ruins que tenhamos tido durante o tempo de nossa peregrinação, serão relembradas de um modo diferente. Isso porque as entenderemos em um contexto mais amplo. Constataremos a veracidade da promessa que diz que todas as coisas cooperam em conjunto para o bem daqueles que amam a Deus, e que foram chamados segundo o Seu propósito (Rm.8:28). Eis a palavra mágica: propósito.

Veremos não apenas os fatos isolados, mas as conexões entre eles. Tudo fará sentido. E isso resultará num tipo de louvor e adoração até então desconhecido. Nosso culto racional será plenamente consciente.

[1] "Algumas vezes me pergunto do porque de ter sido eu quem desenvolveu a teoria da relatividade. A razão, eu acho, é que um adulto normal nunca pára e pensa na questão do tempo e do espaço - essas coisas são pensadas quando criança. No entanto, meu desenvolvimento intelectual foi atrasado, o que me fez pensar sobre isso apenas quando mais velho." - Albert Einstein
[2] Santo Agostinho LIVRO XI, 28 das Confissões.
[3] O DNA tem a forma de espiral, e sua função transmitir informações acerca das características de cada indivíduo. As galáxias também possuem forma espiralada, e segundo recentes teorias, o Universo funciona como uma computador, processando informações.