domingo, janeiro 27, 2008

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Encontro de Gerações - Parte 1

Convertendo Pais aos Filhos e Filhos aos Pais

“Vede, eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais, para que não venha e fira a terra com maldição”. Malaquias 4:5-6

Com estes versículos, encerra-se o Antigo Testamento. Foram cerca de quatrocentos anos de silêncio. Muitas coisas aconteceram nesse ínterim. Levantaram-se heróis, como os Macabeus, impérios ruíram, e outros se ergueram. Porém, não houve voz profética. Cessaram-se os oráculos. Desapareceram os videntes. Parecia que Deus havia se ausentado definitivamente da História, e abandonado a humanidade à própria sorte.

O Novo Testamento começa com o relato dos quatro Evangelhos, acerca da vida, mensagem e ministério de Jesus. Mateus parte da genealogia de Jesus, para demonstrar Sua origem terrena. João parte de Sua origem celestial, demonstrando que tudo quanto existe, fora feito por meio d’Ele. Mas Marcos e Lucas têm outro ponto de partida. Era como se eles quisessem estabelecer uma conexão com o Antigo Testamento, partindo de onde ele parara. A diferença entre ambos é que Marcos parte do ministério de João Batista, enquanto Lucas parte do anúncio do seu nascimento.

A meu ver, é Lucas quem demonstra de maneira mais contundente a ligação entre os dois testamentos. Se seu Evangelho fosse o primeiro da lista, todos perceberiam facilmente que ele começa, onde Malaquias parou.

O anjo que aparece a Zacarias para lhe anunciar o nascimento de João, diz:

“E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. Irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os rebeldes à prudência dos justos, e preparar ao Senhor um povo bem disposto”. Lucas 1:16-17

De fato, João Batista era o Elias prometido por Deus na conclusão do Antigo Testamento. Sua missão era preparar o caminho do Senhor, convertendo o coração dos pais aos filhos, e dos filhos aos pais. E se alguém ousar duvidar disso, ouça o que o próprio Jesus diz acerca de João: “E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir” (Mt.11:14).

Malaquias não foi o único a profetizar sua chegada. Isaías também a profetizou. E Lucas também apresenta a conexão entre o ministério de João Batista, e o cumprimento da profecia de Isaías. Ele era a “voz do que clama no deserto”, cujo objetivo era o de preparar “o caminho do Senhor”, endireitando “as suas veredas”. E a conseqüência de seu ministério é que “todo vale se encherá, e se abaixará todo monte e outeiro. O que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão. E toda a humanidade verá a salvação de Deus” (Lc.3:4-6).

Deus contempla a humanidade como um terreno acidentado. De lado, montanhas, do outro lado, vales, e entre eles, abismos. As montanhas representam os pais, as gerações anteriores, com o seu acúmulo de experiência de vida. Os vales representam os filhos, nas novas gerações. Para desfazer os abismos entre eles, é necessário que o terreno seja nivelado. Esta era a missão do último profeta da Antiga Aliança.

Quem diria que aquele profeta excêntrico que se alimentava de mel e gafanhoto tinha uma missão tão nobre e importante? Não foi em vão que Jesus o classificou como o maior dentre todos os nascidos de mulher, o último dos profetas (Mt.11:11,13).

Vamos nos ater à sua missão em abrir caminho para que toda a humanidade conhecesse a salvação.

Segundo as Escrituras, o meio que João usaria para preparar o caminho do Senhor seria convertendo pais aos filhos e filhos aos pais. Mas como isso seria feito?

Geralmente, João era duro em seu discurso. Denunciava o abuso de poder das autoridades. Chamava seus contemporâneos de víboras, e de outros apelidos nada carinhosos. Ordenava-lhes a que se convertessem, arrependendo-se de seus pecados. João nunca fez média com ninguém, nem mesmo com Herodes (Mc.6:18). E foi justamente isso que lhe custou a vida (Mc.6:14-29).

Não encontramos em nenhum dos seus discursos uma única palavra acerca da relação entre pais e filhos.

Então, como ele poderia convertê-los uns aos outros? Será que João se distraiu com outras coisas, e acabou se esquecendo que seu principal propósito era o de converter gerações?
Primeiro, vamos examinar o significado dessa “conversão”.

No anúncio feito pelo anjo a Zacarias, há uma paráfrase do que fora anunciado originalmente por Malaquias. Em vez de repetir literalmente o que o profeta dissera, o anjo diz que a tarefa de João seria a de converter os pais aos filhos e de “converter os rebeldes à prudência dos justos” ( Lc.1:16-17). Ele não fala de converter os filhos aos pais, e sim, os rebeldes à prudência.
Rebeldia e prudência são coisas bem distintas. Rebeldia está mais associada aos jovens, principalmente aos adolescentes. Já a prudência é característica marcante dos mais experientes. É a experiência de vida que nos torna pessoas mais prudentes.

Todos já tivemos nossa época contestação. Geralmente, quando adolescentes, somos “rebeldes sem causa”, ao chegar à fase adulta, deixamo-nos domesticar pelo sistema, e nos tornamos pessoas conformadas ao mundo. Deveríamos nos tornar “rebeldes com causa”, e mais, “rebeldes com uma boa causa”, a causa do reino de Deus e de sua justiça.

Não há nada de errado em ser rebelde, desde que nossa rebeldia seja direcionada contra tudo o que oprime, destrói, desumaniza, e entristece o coração de Deus.

Quando adicionamos a rebeldia da juventude à prudência da maturidade, temos uma química imbatível, uma espécie de rebeldia prudente, ou prudência rebelde.

Assim como os filhos devem converter sua rebeldia à prudência de seus pais, os pais devem converter sua prudência à rebeldia dos filhos.

O anjo faz um trocadilho proposital.

O que a nova geração precisa, a geração anterior tem de sobra. O que a geração de nossos pais necessita, nossa geração tem “pra dar e vender”.

A revolução acontecerá quando conseguirmos unir as duas coisas. A prudência dos pais, sem o elemento de rebeldia dos filhos, corre o risco de se tornar cinismo, descrença e comodismo. Assim também, a rebeldia dos filhos, sem a adição da prudência dos pais, se tornará numa rebeldia “sem causa”, ou ainda, “sem efeito”. Pior que rebeldia sem causa, é rebeldia sem efeito, ou, pelo menos, sem o efeito esperado.

Pais e filhos devem ser parceiros na transformação do mundo.

A rebeldia da juventude será um revigorante para os mais velhos.
A prudência dos mais velhos será um abalizador para os jovens.

A prudência é um freio necessário para que se evitem colisões desnecessárias. A rebeldia equivale ao acelerador.

A prudência é o volante do carro. A rebeldia é o seu motor. A prudência é a autoridade. A rebeldia é o poder.

Converter não é deixar de ser o que é, tornando-se outra coisa. Não se está sugerindo que os rebeldes devem deixar de ser rebeldes pra se tornarem prudentes, nem vice-versa. Conversão é “voltar-se na direção de...”. Se a rebeldia dos jovens for direcionada para a prudência dos justos, a revolução será inevitável.

Tudo o que falamos até aqui foi por inferência.

Porém, temos que voltar para João Batista, em busca do cumprimento do seu ministério.
Como ele trabalhou pela conversão dos pais aos filhos e dos filhos aos pais?

Embora ele não tenha feito qualquer discurso acerca disso, podemos encontrar o cumprimento desta faceta de seu ministério através de seu relacionamento com Jesus.

João era o remanescente de um Era que estava prestes a se encerrar de uma vez por todas. Como dissemos antes, foram 400 anos de silêncio.

O que provoca o abismo entre as gerações é o contexto cultural em que elas vivem/viveram. Os filhos argumentam: Meus pais são de outra época. Eles não me entendem. Já os pais reclamam: Meus filhos não me escutam. Os tempos são outros.

Antigamente, acreditava-se que o prazo de uma geração era de 40 anos. Hoje, verificamos que o espaço de uma década já é suficiente para que haja dificuldade de comunicação entre gerações.

Cada década tem seus modismos, suas gírias, seu vocabulário próprio. As mudanças tendem a se acelerar. Não só as mudanças culturais, mas também as tecnológicas. O que para minha geração era uma novidade, para a geração dos meus filhos é algo comum e corriqueiro.

Se hoje, dez anos já é tempo de sobra pra que haja uma ruptura na forma de pensar e se comunicar entre gerações, imagine o que são 400 anos! É claro que naquela época as mudanças eram mais lentas em comparação às de hoje. Poderíamos dizer que aqueles 400 anos equivaleriam a 100 anos de hoje.

Como era o mundo há 100 anos? Como viviam nossos tataravós? Quanta coisa não mudou de lá pra cá?

De fato, aqueles 400 anos representavam um abismo intransponível. João Batista era uma voz profética que se levantava no mundo, depois de quatro séculos de silêncio absoluto.

Ele era o último expoente de uma espécie em extinção. Até seu modo de vestir era considerado excêntrico para sua época. João vestia-se como um homem das cavernas. Enquanto seus contemporâneos se vestiam de linho, sua roupa era feita de pele de camelo. Enquanto a dieta da população era à base de pão, peixe e cordeiro, ele se alimentava de gafanhoto e mel.

Já Jesus representava o novo, o inédito, o rebelde, a vanguarda.

Jesus e João, embora fossem primos, representavam duas Eras distintas. Cada um tinha seu próprio ritmo e melodia.

Jesus denunciou aquela geração que testemunhou o ministério de ambos:

“Mas, com quem compararei esta geração? É semelhante a meninos que se assentam nas praças e gritam aos seus companheiros: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. Pois veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por suas ações” (Mt.11:16-19).

Aquela era uma geração que não se satisfazia com nada. Acho que não era tão diferente da nossa.

Embora João e Jesus fossem tão diferentes em seu estilo, eles jamais tiveram qualquer atrito. É a relação bem sucedida entre eles que deve nos servir de referência para que vivenciemos uma conversão entre a nossa geração, e a geração de nossos filhos e/ou pais.

Jamais houve um choque entre eles. Ainda que tenha havido situações que poderiam ter provocado uma indisposição.

Vamos analisar alguns episódios.

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Encontro de Gerações - Parte 2

Crescendo em um ambiente saudável

Por que Jesus e João se davam tão bem, apesar das diferenças? Quem foi a referência de João?

O mesmo anjo que anunciou a Zacarias, que sua mulher Isabel conceberia um filho, também anunciou a Maria que ela conceberia o Filho de Deus. Isabel não foi informada acerca da gravidez de sua prima Maria, mas o anjo contou a Maria que Isabel teria concebido em sua velhice (Lc.1:36).

O que Maria fez ao saber da gravidez de Isabel? Saiu-lhe ao encontro. Não foi uma viagem muito fácil, pois Maria teve que caminhar em terreno íngreme até a casa de Isabel nas montanhas.

Maria e Isabel também pertenciam a gerações diferentes. Maria era uma menina, talvez ainda adolescente. Isabel era uma anciã. Por isso, Maria não esperou que Isabel viesse a ela, mas tomou a iniciativa de ir ao seu encontro.

“Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo. Exclamou ela em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lc.1:41-43).

Observemos a humildade de Isabel ao reconhecer que o que era gerado no ventre de sua prima era superior ao que era gerado em seu próprio ventre. Não houve inveja, ciúmes, questionamentos, mas humildade e reconhecimento. O salto dado pela criança em seu ventre, indicava que houvera uma identificação espiritual entre os que eram gerados em seus ventres.
Isabel poderia ter reagido diferente. Imagine ela dizendo a Maria: Quem você pensa que é? Meu filho foi concebido antes do seu! Ele terá primazia! Ou ainda: Imagine se ela questionasse a justiça divina, alegando: Eu esperei tanto tempo, e essa menina inexperiente que vai ser mãe do Salvador? Isto não é justo!

Se houvesse algum tipo de inveja ou competitividade entre elas, isso fatalmente afetaria a relação entre João e Jesus. Nossos filhos observam a maneira como tratamos as gerações que nos antecederam. Há o risco de eles reproduzirem tanto os nossos acertos, quanto os nossos erros. Se formos desrespeitosos com nossos pais e avós, o que devemos esperar de nossos filhos para conosco? Devemos ser modelos.

Tanto João, quanto Jesus, cresceram em ambientes impregnados de amor e respeito. E nossos filhos, em que ambiente os estamos criando? Que tipo de críticas eles nos ouvem fazer aos nossos pais? Que tipo de comentários fazemos acerca dos tios, primos, avós, cunhados e outros parentes?

Assim como Maria, compete aos mais novos buscarem um reencontro com os mais velhos. Portanto, a conversão das gerações deveria partir dos filhos para com os pais.

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Encontro de Gerações - Parte 3

Compreendendo o papel de nossa geração

Nossa geração está preparando o caminho para as próximas gerações. Temos que nos livrar do hábito de pensar que somos a última geração.

João tinha esta consciência. Seu trabalho era preparar o caminho para o Senhor. Portanto, ele não tinha a palavra final. Enquanto pregava, João procurava manter em seus ouvintes a expectativa de que algo maior estava a caminho.

“João testifica a respeito dele, e exclama: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim tem a primazia porque foi primeiro do que eu” (Jo.1:15). E mais:“Eu vos batizo com água, para arrependimento. Mas após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt.3:11).

E João não falava nesses termos só na ausência de Jesus. Ele foi capaz de dizer pessoalmente, na frente de seus discípulos, que não era digno de amarrar as sandálias de Jesus. Ele nem mesmo se achava digno de batizá-lo!

Ele teve chance de dizer que era o Cristo. E se o fizesse, muitos creriam. Quando lhe perguntaram: “Quem és tu? Ele confessou e não negou, confessou: Eu não sou o Cristo”(Jo.1:19b-20). Em momento algum ele puxou a brasa pra sua sardinha.

Uma igreja que seja voltada para o futuro deveria habituar-se a pensar desta maneira. Os que vierem depois de nós, hão de nos superar. O próprio Cristo afirmava que aqueles que n’Ele cressem fariam as obras que Ele fazia, e as faria maiores!

João pagou um alto preço por causa de sua abnegação. Até a aparição de Jesus no Jordão para ser batizado, João se via cercado de multidões. Ele as atraía para o deserto, tamanha a sua credibilidade como profeta.

Somos informados de que Jesus também começou a promover batismos. “Suscitou-se uma contenda entre alguns discípulos de João e um judeu, acerca da purificação. Foram a João, e disseram: Rabi, aquele homem que estava contigo além do Jordão, do qual deste testemunho, está batizando, e todos vão ter com ele”(Jo.3:25-26). Era como se eles o acusassem de ter cometido um suicídio ministerial. Muitos dos discípulos de Jesus, haviam sido discípulos de João.
Qual teria sido a reação de João diante do crescimento súbito do ministério de Jesus? Terá ele se arrependido de ter anunciado publicamente que Aquele Galileu era o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo?

“João respondeu: O homem só pode receber o que lhe for dado do céu. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo do noivo, que lhe assiste, espera e ouve, e alegra-se muito com a voz do noivo. Essa alegria é minha, e agora está completa” (Jo.3:27-29).

Que sensibilidade! Que humildade! Que exemplo para nós! Seus discípulos queriam instigá-lo contra seu primo Jesus. Mas João se negou a deixar levar por seus argumentos. Ele se alegrava com a voz do noivo! Sua alegria estava completa! Sua missão estava cumprida! Será que nos alegramos com a voz de alegria da geração que está emergindo diante de nossos olhos?

Será que temos discernido a hora de sair de cena, pra dar lugar aos que nos sucederão? João complementa: “É necessário que ele cresça, e que eu diminua” (v.30).

Não deveria haver uma ruptura entre as gerações. Uma geração sai de cena gradativamente, e vai cedendo seu lugar à nova geração. Uma vai crescendo, enquanto a outra vai diminuindo. Quando Jesus começou seu ministério, João não interrompeu o dele. Por um tempo, eles foram concomitantes. Porém, gradativamente, o ministério de João foi perdendo espaço, e o cedendo a Jesus, a nova geração.

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Encontro de Gerações - Parte 4

Honrando a geração que nos antecedeu

E qual teria sido a postura de Jesus com relação ao ministério de João? Haveria algum tipo de competitividade? Em algum momento Jesus desprezou o ministério de Seu primo? Absolutamente. Pelo contrário. Jesus o honrou como a nenhum outro.

Este deveria ser o padrão. Enquanto preparamos o caminho para as próximas gerações, honramos as gerações que nos antecederam.

Estando no cárcere, João enviou discípulos para perguntar a Jesus se Ele era aquele que havia de vir, ou se deveriam esperar por outro. Não sabemos ao certo o motivo que levou João a duvidar disso. Ele já conhecia Jesus. Desde o ventre materno, João O havia reconhecido como seu Senhor. Talvez tenha sido um momento de crise. Ele ouvia tantas coisas, que chegou mesmo a duvidar. Talvez a intriga da oposição o tenha levado a isso. Jesus não Se sentiu ofendido. Ele sabia que os seres humanos são assim, e que, por vezes, atravessam crises. Em vez de repreender os discípulos de João por sua incredulidade, e enviar-lhe um recado mal-criado, Jesus apenas respondeu: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt.11:4-5). Era como se Jesus dissesse: - Digam a João que tudo está sob controle. Que ele tem participação no que está acontecendo. Ele fez um ótimo trabalho preparando o caminho para mim.

Depois que os discípulos de João partiram, Jesus começou a dizer à multidão:

“Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nos palácios dos reis. Mas então que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais que um profeta. João é aquele de quem está escrito: Adiante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho” (Mt.11:7-10). Por incrível que pareça, Jesus está dividindo os créditos do seu bem-sucedido ministério com aquele que O antecedeu. – Foi ele que preparou o caminho! Jesus o estava honrando.

Ele arrematou: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista...” (v.11a).

Ah se as novas gerações soubessem honrar quem as antecedeu! Quando problema seria evitado!
Hoje, pais e filhos se digladiam em busca de afirmação. Pais menosprezam seus filhos, enquanto os filhos desprezam a experiência de seus pais.

A ordem de Deus é clara: Devemos honrar os nossos pais. Isso é inegociável. É um mandamento, não uma sugestão. Temos que honrá-los, mesmo depois da morte.

E uma das maneiras de honrarmos nossos pais é procurando ir além de onde eles foram. Não para desbancá-los, mas para testificar a todos que foram eles que nos prepararam o caminho.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

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"Não sei, e não quero saber..."


“Qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem...” Lucas 9:26a

Há duas maneiras de negarmos a Jesus.

A primeira é envergonhando-nos d’Ele, como fez Pedro no pátio do Templo, enquanto se aquecia ao redor de uma fogueira à espera do veredicto que condenaria Jesus (Lc.22).

Preocupado em salvar a própria pele, por três vezes Pedro negou conhecer seu Mestre. O canto do galo foi o despertador usado por Deus para chamar a sua atenção. Não foi por falta de aviso. Mas a pressão psicológica a que Pedro estava sendo submetido era tamanha, que ele sequer se lembrou da advertência de Jesus.

Quantas vezes temos nos envergonhado de Jesus? Infelizmente, nem sempre temos um galo por perto para despertar nossa consciência. Porém, há situações que nos servem como despertadores. Circunstâncias adversas, decepções, e até tragédias, chegam em hora oportuna. Mas nem sempre conseguem chamar nossa atenção.

O que mais incomodou Pedro não foi o canto do galo, mas o olhar penetrante de Jesus. Foi aquele olhar desapontado que fez com Pedro chorasse amargamente por toda a noite.
Ah se tivéssemos consciência de que o olhar do Senhor está constantemente sobre nós!

Aquele que não Se envergonha de nos chamar de irmãos, não merece que nos envergonhemos d’Ele (Hb.2:11).

A segunda maneira de negá-Lo é envergonhando-O diante dos homens.

Paulo denuncia aqueles que “professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra” (Tt.1:16).
É difícil dizer o que é pior, envergonhar-se d’Ele ou envergonhar a Ele.

Não adianta confessá-Lo perante os homens, e negá-Lo com nossas obras. Talvez fosse melhor que não O confessássemos, do que nos declararmos cristãos e vivermos como ímpios.

Judas não negou que O conhecia. Entretanto, usou tal conhecimento para entregá-lo aos seus inimigos. Judas não O negou com suas palavras, mas O negou com suas obras.

Todos, em algum momento, somos tentados a negar Jesus. Quem seja por vergonha de nos identificarmos como Seus seguidores, quer seja por atitudes que denigrem a nossa fé.

Como evitar que neguemos a Cristo?

Só há uma maneira de evitar: negando a nós mesmos.

Jesus disse: “…Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mc.8:34).

Se não negarmos a nós mesmos, eventualmente negaremos Aquele que nos resgatou (2 Pe.2:1).
Negar a si mesmo é dizer não à sua própria vontade, abrir mão de direitos, não pleitear a própria causa. Quem nega a si mesmo já não faz questão de coisa alguma. Parafraseando Paulo, estamos crucificados com Cristo. Desistimos de nossa própria vida, para que Cristo viva Sua vida através de nós.

Nos envergonhamos de nossa justiça própria, pra nos gloriar na Justiça que vem do alto.

Negar a si mesmo é renunciar a tudo em nome da única coisa de que não podemos abrir mão: Cristo. O que antes reputávamos como lucro, agora consideramos perda.

De tudo de que devemos abrir mão, o mais difícil é a justiça própria.

Podemos desistir de um projeto pessoal em nome de algo mais nobre. Podemos renunciar títulos, conforto material, fama, mas dificilmente nos dispomos a renunciar nossa justiça própria. Queremos sempre ter a razão em tudo. Basta que sejamos injustiçados, e logo recorremos a esse senso de justiça própria. Somos eternas vítimas.

Vítimas do sistema, vítimas de perseguição, vítimas dos falsos amigos, etc.

Se não renunciarmos nossa justiça, não desfrutaremos da justiça de Cristo.

Se não nos negarmos a nós mesmos, negaremos a Cristo.

Se pleitearmos nossas causas, estaremos dispensando a atuação de nosso advogado, Jesus.

Paulo entendeu isso perfeitamente, e por isso, escreveu:

“Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo justiça própria...” (Fp.3:7-9a).

Em vez de nos preocuparmos com nossa reputação, nos preocupamos com nosso testemunho. Em vez de nos preocuparmos com a aquisição e manutenção de bens materiais, nos preocupamos em repartir o que temos com os que nada têm.

Simplesmente, morremos. Sim, morremos para nossas pretensões. Já não há causas a defender, senão a causa do Reino de Deus e da Sua justiça.

terça-feira, janeiro 08, 2008

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Lançados ou Enviados?

“Mostrou-me o Senhor dois cestos de figos, postos diante do templo do Senhor (...) Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos, mas o outro, figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que eram” (Jer. 24:1a,2).

É interessante que quando Deus dá uma visão a Jeremias, Ele pergunta “Que vês, Jeremias?” Foi a mesma pergunta que Deus fez ao profeta ao comissioná-lo (Jer.1:11). A maneira como Deus Se comunicava com Jeremias era peculiar. Aquilo que vemos precisa ser expresso, verbalizado, reportado. Não basta ver, tem que saber contar o que viu.

Neste episódio, o profeta chorão, como ficou conhecido Jeremias, vê dois cestos de figos. Ele observa que cada cesto apresenta qualidade diferente de figos . Numa havia figos muito bons, e na outra, figos muito ruins. Não havia meio-termo. Os figos ruins sequer podiam ser ingeridos, de tão ruins que eram. Ambos os cestos estavam diante do Templo, indicando que sua qualidade dependia de sua relação com o Eterno.

Quem estava sendo representado pelos dois cestos?

O cesto de figos bons representava aqueles que haviam sido levados em exílio para a Babilônia. Esses foram enviados de Judá para a terra dos caldeus. O próprio Deus assume a responsabilidade por tal acontecimento. Fora Ele quem levantaram Nabucodonosor como instrumento de Seu juízo sobre as nações. Nem mesmo Judá seria poupada. E por isso, os filhos de Judá deveriam se render, sem qualquer resistência. Não se trata de fatalismo, mas da vontade expressa de Deus para aquela situação.

Deus assume o compromisso de cuidar pessoalmente daqueles que fossem levados para a terra dos caldeus: “Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra. Edificá-los-ei, e não os destruirei; plantá-los-ei, e não os arrancarei. Dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o Senhor. Ser-me-ão por povo, e eu lhes serei por Deus, pois se converterão a mim de todo o seu coração” (Jer. 24:4-7).

Basta ler o livro de Daniel, pra conferir que Deus cumprira o que prometera. Os exilados foram recebidos como príncipes, como gente de valor, e não como escravos ou cativos. Deus os honrou em terra alheia.

É importante aqui uma breve explicação. Por que Deus permitiu que os filhos de Judá fossem levados de Jerusalém para a Babilônia? Quando Yahweh introduziu Seu povo na Terra prometida, fora feita uma aliança entre Deus, Seu povo e a terra. Eles poderiam plantar por seis anos consecutivos, mas no sétimo ano a terra deveria descansar. Por 490 anos, eles semearam, colheram, mas não observaram o ano sabático em que a terra deveria descansar. Hoje, está comprovado cientificamente que se a terra não descansa, ela fica improdutiva, pois perde os sais minerais.

Chegou a hora da cobrança. Os judeus deviam 70 anos sabáticos à terra. Antes que a terra ficasse estéril, Deus transportou Seu povo para a terra dos caldeus, para que lá passassem 70 anos.

Nem todos aceitaram o veredicto divino. Muitos questionaram e se revoltaram contra Deus e a Sua Palavra. E é nesse contexto que Deus levanta Jeremias.

Os que contestaram o veredicto de Deus foram comparados aos figos ruins, tão ruins que não se podiam comer (Jer.24:2).

Assim como se lança fora aquilo que não se pode ingerir, “do mesmo modo”, diz o Senhor, “entregarei Zedequias, rei de Judá, os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, quer fiquem nesta terra, quer habitem na terra do Egito. Farei que sejam espetáculo horrendo, ofensa para todos os reinos da terra, opróbrio e provérbio, escárnio, e maldição em todos os lugares para onde os lancei. Enviarei entre eles a espada, a fome, e a peste, até que sejam consumidos de sobre a terra que dei a eles e a seus pais” (Jer.24:8-10).

Zedequias, que fora constituído às pressas como rei de Judá, liderou a resistência. “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”, dizia o rei postiço. Havia quem preferisse retornar ao Egito, a ter que se render ao Império Caldeu.

Enquanto os “figos bons” haviam sido “enviados” por Deus, os “figos ruins” seriam “lançados”. O contraste seria claramente visível.

Todo movimento tem um líder e um mentor. Nem sempre aquele que lidera é o mesmo que mentoriza. Geralmente, aquele que está no poder necessita ser legitimado aos olhos do povo. Todo anticristo precisa de um falso profeta. Esta é a dobradinha. O falso profeta é aquele que serve aos poderes constituídos em sua rebelião contra Deus. Em vez de denunciar, prefere bajular. Em vez de contestar, prefere corroborar.

Quem respaldava as decisões de Zedequias era um falso profeta chamado Hananias. Este dizia o que o rei queria ouvir. Provavelmente, vivia às custas do palácio real. Veja o que diz a Escritura:
“No mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, no quarto ano, no quinto mês, Hananias, filho de Azur, o profeta de Gibeom, me disse na casa do Senhor, perante os olhos dos sacerdotes e de todo o povo: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eu quebrarei o jugo do rei da Babilônia” (Jer. 28:1-2).

Isso era tudo que Zedequias, e os supostos “heróis da resistência” queriam ouvir: O jugo do rei da Babilônia será quebrado. Aleluia! Quem não se rejubilaria com uma notícia dessas!

Uma coisa ninguém pode negar: Hananias era um homem convincente, e que parecia acreditar naquilo que dizia. Senão, ele jamais se atreveria afirmar que o cativeiro babilônico duraria apenas dois anos (Jer.28:3-4). Em apenas dois anos tudo voltaria ao normal. Até os utensílios do Templo seriam devolvidos para que os judeus pudessem cultuar a Deus como antes.
Esta é a marca registrada dos falsos profetas: eles sempre dizem o que as pessoas almejam ouvir. Promessas e mais promessas. E tudo isso, a serviço de quem está no poder. Falsos profetas adoram fixar prazos, marcar datas. Eles sabem que as pessoas ficam impressionadas com isso.

E quanto a Jeremias, qual foi sua reação àquela profetada?
“Disse Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o Senhor! O Senhor confirme as tuas palavras, com que profetizaste, e torne a trazer os utensílios da casa do Senhor, e todos os do exílio de Babilônia a este lugar” (Jer. 28:5-6).

Será que Jeremais estava sendo irônico, ou ele realmente desejava que se cumprisse a profecia de Hananias? Dizer “amém” a uma palavra requer concordância. Será que Jeremias se deixou iludir? Vejamos:

“Entretanto, ouve esta palavra, que eu digo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: Os profetas que existiram antes de mim e antes de ti, desde a antigüidade, profetizaram guerra, mal e peste contra muitas terras e grandes reinos. O profeta que profetizar paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como profeta na verdade enviado pelo Senhor” (Jer. 28:7-9).

Simples assim. Se a profecia se cumpre, o profeta é reconhecido como verdadeiro. Se não se cumpre, deve ser considerado mais um falso profeta. Anos atrás, uma conceituada pregadora profetizou que Jesus voltaria em 2007. O tempo expirou. A profecia não se cumpriu. Logo, ela acaba de engrossar a infame galeria dos falsos profetas.

Qualquer um que se atreva anunciar uma data para a volta de Jesus não merece qualquer crédito. Pregadores anunciar de seus púlpitos: Somos a última geração! Aqueles que presenciarão o arrebatamento! Será que tais previsões merecem crédito? Serão eles do time de Jeremias, ou de Hananias?

Jeremias 1 x Hananias 0

Na mente de Hananias, era hora de virar o jogo. Sua reputação estava sendo questionada. Sua estratégia para reverter o placar foi, no mínimo, inusitada.

“Então Hananias, o profeta, tomou o canzil do pescoço do profeta Jeremias, e o quebrou. Disse Hananias aos olhos de todo o povo: Assim diz o Senhor: Assim quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, depois de passados dois anos completos, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, foi-se embora” (Jer.24:10-11).

Todo mundo ficou impressionado.

Desde que o Senhor revelara a Jeremias o exílio do Seu povo, Deus o orientou a colocar uma espécie de jugo em volta de seu pescoço. Era uma maneira de dramatizar aquilo que estava prestes a acontecer. Haninas, no afã de virar o jogo, arranca o canzil do pescoço de Jeremias, e sem pedir licença, o quebra à vista de todos. Da mesma maneira, Deus quebraria o jugo de Nabucodonosor. Aaaaaahhhhhh! Que coisa impressionante!

Aos olhos do povo, Hananias se tornou também o bem-feitor de Jeremias, pois tirou-lhe o jugo que lhe pesava o pescoço. Porém, por trás daquele gesto aparentemente solidário, estava a intenção de desmoralizar o porta-voz de Yahweh.

Sabe qual foi a reação imediata de Jeremias? Foi-se embora. Era hora de retirar seu time de campo. Não adiantava bater boca com aquele falso profeta. O povo estava do seu lado. Os que haviam sido convencidos por Jeremias já estavam longe a essa hora. Quem permanecia ali era porque dava maior crédito a Hananias. Era hora de intervalo do jogo. O placar está empatado. Mas o segundo tempo viria, quando Jeremias teria recobrado seu ânimo.

Era hora de reunião com o Técnico.

“Veio a palavra do Senhor a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o canzil de sobre o pescoço do profeta Jeremias: Vai, e dize a Hananias: Assim diz o Senhor: Canzil de madeira quebraste, mas em vez dele terás canzil de ferro. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e servi-lo-ão. Até os animais do campo lhe darei” (Jer. 28:12-14).

Chega de dramatização! É a hora da verdade! Deus não Se deixa impressionar com as artimanhas humanas. Seu propósito sempre prevalece.

O enviado do Senhor fala as Suas Palavras. Mas aquele que vai sem ser enviado terá que arcar com o custo de sua iniciativa rebelde. Quem vai sem ser enviado, acaba sendo lançado. Assim como os figos ruins, que se deixaram ludibriar por suas falsas promessas, e por isso, seriam lançados por Deus, aquele que fora sem ter sido enviado, também seria lançado.

“Então disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, Hananias! O Senhor não te enviou, mas fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eu te lançarei de sobre a face da terra. Este ano morrerás, porque pregaste rebeldia contra o Senhor. Morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês” (Jer. 28:15-17).

Provavelmente, as profecias de Hananias devem ter repercutido para além dos muros de Jerusalém, chegando aos ouvidos dos exilados na Babilônia. Muita gente se recusava a desfazer as malas. Estavam ali de passagem. Dois anos passariam rapidamente. Para desfazer as falsas esperanças que foram incutidas em seus corações, Jeremias lhes enviou uma carta:

“São estas as palavras da carta que Jeremias, o profeta enviou de Jerusalém, ao resto dos anciãos do exílio, como também aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor havia transportado de Jerusalém para Babilônia (...) Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os que foram transportados, que eu fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas, e habitai nelas; plantai pomares, e comei do seu fruto. Tomai mulheres, e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para vossos filhos, e dai as vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. Procurai a paz e a prosperidade da cidade, para onde vos fiz transportar. Orai por ela ao Senhor, porque se ela prosperar vós também prosperareis (...) Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz, e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro” (Jer.29:1,4-7,11).

Esta carta era um antídoto contra a alienação que as falsas profecias estavam promovendo no meio do povo.

Entre 70 anos e apenas 2 anos há uma diferença gritante. Passar setenta anos num lugar é gastar pelo menos duas gerações ali. É tempo suficiente para fazer planos, pra pensar no futuro, para plantar pomares, construir casas, e viver o suficiente para conhecer os netos e bisnetos.
A mensagem do falso profeta parece de esperança, mas na verdade produz alienação. Ora, se vamos passar apenas dois anos na Babilônia, não porque fazer planos, nos integrar à sociedade, e nem mesmo trabalhar para que ela prospere. A mensagem de Deus foi clara: Orem pela paz, e trabalhem pela prosperidade da sociedade, pois se ela prosperar, vocês também prosperarão.
Parece que boa parte dos pregadores e profetas de hoje em dia, está escalado no time de Hananias, e não no de Jeremias. Fala-se da volta de Jesus de maneira tal, que não sobra perspectiva pra mais nada neste mundo. Pra quê estudar? Pra quê gastar cinco anos numa faculdade, se o mundo está prestes a acabar? A exemplo da profecia de Hananias, o que parece uma mensagem de esperança, na verdade, é uma mensagem de desesperança.

Não sabemos quanto tempo temos até a volta de Jesus. Mas enquanto Ele não vem, temos que trabalhar pela prosperidade de nossa sociedade. Não podemos nos alienar da realidade que nos circunda.

Estamos aqui porque fomos enviados, e não, lançados. Pertencemos ao cesto dos bons figos. Ao time de Jeremias.
PS.: Não precisamos de quem nos arranque o canzil, mas de quem nos diga a verdade.