quarta-feira, novembro 12, 2008

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O que aprendi com Rayane, minha glória

No último dia 24 de Outubro, nossa filha Rayane completou seus 18 aninhos. Infelizmente, não foi possível celebrar com festa a ocasião. Quem diria que eu seria pai de uma moça (eterna menina) de 18 anos?

Ela foi o instrumento de Deus através do qual, há treze anos, eu pude conhecer a Sua surpreendente graça.

Aos vinte e cinco anos, meu ministério sofreu uma reviravolta. Deus presenteara a mim e a minha esposa Tânia com uma filha especial. Aos cinco anos, Rayane jamais andara ou falara. Depois de recorrer a vários especialistas, ouvimos de uma médica boliviana na ABBR do Jardim Botânico que nossa filha jamais andaria. Isso embaralhou minha cabeça. Como eu poderia continuar pregando o Evangelho, se minha própria filha era impossibilitada de andar? Como as pessoas dariam crédito à minha pregação?

Um dia, ao atender uma jovem senhora em meu gabinete, ela caiu possessa por um espírito maligno (isso ainda acontece hoje, alguém duvida?), que através de sua boca disse: - Eu sou o responsável pela doença de sua filha. Meu objetivo é envergonhar teu ministério. Aquilo foi a gota d’água! Tomei minha filha no colo, fui para os fundos da igreja, onde fiz uma oração a Deus. Era 21 de março de 1993. A partir daí, todos os dias, eu agradecia a Deus por haver curado minha filha naquela data.

Os anos foram passando, e minha filha não apresentava qualquer melhora. Numa manhã de sábado acordei com um forte desejo de orar. Pedi à minha esposa que não queria ser interrompido. Tranquei-me no quarto, e ao som da música “Consagração”, cantada por Aline Barros, comecei a me desabafar com Deus.

Minhas palavras foram mais ou menos assim: - Senhor, não é justo que minha filha continue assim. Lembre-se de tudo o que tenho feito pela Tua obra. Lembre-se que tenho gasto toda minha juventude pra Ti. Lembre-se dos meus sacrifícios. Meu pai tem dedicado trinta anos de sua vida em Tua obra. Até quando, Senhor, minha filha será a vergonha do meu ministério? Era como se eu estivesse cobrando de Deus a cura da minha filha, respaldado em meus méritos pessoais.

De repente, senti que algo estava acontecendo. Calei-me, e aguardei. Uma voz doce e suave dirigiu-se ao meu coração: - Desde quando suas boas obras lhe dão o direito de me cobrar alguma coisa? Eu não lhe devo nada. E o que eu faço na vida do homem, não é por seus méritos, mas pela minha Graça. E mais: Não curei sua filha naquele dia de 93. Eu a curei na Cruz. Em um primeiro momento, eu quis rebater, argumentar. Mas aquela voz, conquanto fosse doce, soava com inigualável autoridade.

Abri minha Bíblia, e comecei a ler a carta de Paulo aos Romanos. A sensação que eu tinha era de que vendas haviam sido retiradas dos meus olhos. Estava tudo ali. E eu, pastor há oito anos, ainda não havia percebido. Foi, de fato, uma revelação.

Eu e Tânia resolvemos marcar um culto de ação de graças pela vida de Rayane. Pela primeira vez, eu expus publicamente o problema de nossa filha. Até aquele dia, eu sempre orientava minha esposa a manter nossa filha fora dos olhares curiosos dos irmãos da igreja. Elas costumavam se sentar no último banco, e antes que o culto terminasse, Tânia a levava para meu gabinete.

Enquanto o povo ouvia atentamente à minha explicação, eu arrematei: - Não fiquem tristes. O Senhor curou nossa filha na Cruz. Foi lá que Ele fez toda a provisão.

Dias depois, num culto de Domingo a noite, no momento do ofertório, minha esposa tirou da bolsa uma oferta. De repente, Rayane tomou o dinheiro de sua mão, levantou-se, e foi caminhando até a frente do púlpito. Todos ficaram pasmados, inclusive eu. Alguns, emocionados, começaram a chorar. E eu, com a voz embargada, não sabia como reagir àquilo que Deus fazia diante dos meus olhos. Minha filha, finalmente, caminhava pela primeira vez.


O que aprendi com Rayane

Aprendi a vencer pelo silêncio, a não me preocupar em provar nada pra ninguém.

Rayane me mostrou que é da fraqueza que Deus tira a fortaleza. Que a vergonha de hoje, é a glória de amanhã. Sem qualquer palavra, Rayane nos tem transmitido o mais belo sermão de amor e graça.

Obrigado, filha. Obrigado, Senhor, por nos ter confiado uma vida tão preciosa.

Quando o mundo me decepcionar, olharei para seus olhos puros e meigos, e recobrarei meu ânimo e esperança de um mundo melhor.

Te amo tanto, Ray.

* A Foto acima foi tirada no pátio da REINA do Engenho Novo. Rayane e Ivonete, nossa segunda mãe.

Um comentário:

  1. karaka maluco
    to bolado!
    to mais apaixonado por vc do que antes
    !!!!
    sem comentários

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