sexta-feira, setembro 29, 2006

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A Mais Importante das Questões
Por Hermes C. Fernandes


“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm.11:33-36).

A questão mais importante do universo é: A quem se deve dar glória? Quem deve ficar com os créditos?

Todas as demais questões partem daí. Quem tem o direito de se gloriar?

Somente Deus é digno de receber glória. E por quê? Se não entendermos o porquê, nosso culto não será racional, como prescrito por Paulo em Romanos 12.

Há três razões pelas quais Ele é o único Ser digno de glória. São elas:

1a. Ele é a origem de todas as coisas – O que Ele tem, não recebeu de quem quer que seja. Foi Ele mesmo que criou.

Em Apocalipse 4:11 lemos: “Digno és, Senhor nosso e Deus nossos, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existem e foram criadas.”

Se Ele as criou, tem o direito de possuí-las. Todas as coisas são Dele. E quanto a nós?

Em 1 Coríntios 4:7 lemos: “Pois quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias , como se não o houveras recebido?”

O que nos iguala a todos os demais homens é o fato de que o que temos não se originou em nós mesmos, mas recebemos de Deus. Só teríamos de que nos gloriarmos, se houvesse em nós algo que não tivéssemos recebido, e que tivesse surgido de nós mesmos.

A única coisa que temos, e que não originou-se em Deus é a nossa fraqueza. Por isso Paulo afirma: “Se é preciso gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza (...) Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co.11:30; 12:9b).

É por isso que a salvação só pode ser pela graça, e não pelas obras.

Romanos 4:2 diz: “Se, de fato, Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.”

Paulo declara em Efésios 2:8-9: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é dom de Deus – não das obras, para que ninguém se glorie.”

2a. Ele é o sustentador de todas as coisas – Tudo quanto há subsiste nEle. Não temos poder sobre nossa própria existência. Não podemos garantir que temos mais cinco minutos de vida.

Hebreus 1:2a diz: “O filho é o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”.

“Se Deus quisesse, e retirasse o seu espírito e fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria ao pó”
(Jó 34:14-15).

É por isso que Deus diz em Isaías 2:22: “Parai de confiar no homem, cujo fôlego está no nariz. Em que se deve ele estimar?”

E o salmista faz côro a este conceito ao orar: “Faze-me conhecer, ó Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias; faze-me conhecer a minha fragilidade. Mediste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti. Todo homem é com um sopro” (Salmo 39:4-5).

E em Jó 14:5 lemos: “Os dias do homem estão determinados, contigo está o número dos seus meses; puseste-lhe limites, além dos quais não passará.”

Jesus disse: “Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida?” (Mt.6:27).

Se parássemos por aí, a vida perderia o sentido. Ficaríamos desesperados, nos lamentando o tempo inteiro pela falta de significado da nossa existência. Se não temos do que nos gloriar, se não temos o controle sobre nossa própria vida, o que será de nós?

Já sabemos que a vida origina-se em Deus, e que Ele mesmo é o seu sustentador. Somos dEle, e existimos por meio d'Ele. Mas a pergunta que vai dar sentido à vida é: Para quê fomos criados? Com quê propósito existimos?

Lembremo-nos de que todas as coisas são Dele, por Ele, e para Ele.

Ele não é apenas o início, e o meio, mas também o fim. Ele não apenas a origem, e o sustentador, mas também deve ser o alvo de nossa vida. Viver para Ele é que nos confere sentido e significado.

Enquanto o homem insiste em vive para si mesmo, ele está se autodestruindo. Viver para si, faz do homem um ser infeliz e mortal. Viver para Deus, lhe faz um ser pleno e eterno.

3a. Todas as coisas são para Ele – Paulo diz: “Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele” (1 Co.8:6).

Paulo declara com autoridade apostólica: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste”(Col.1:16-17 ).

Portanto, toda honra e toda glória devem ser atribuídas Àquela que era, que é, e que há de vir.

Sola Deo Gloriae!

quinta-feira, setembro 28, 2006

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Teologia dos Pactos x Dispensacionalismo

Modelo da História

TP: Pacto das Obras com Adão: Pacto da Graça com Cristo em nome dos eleitos (alguns distinguem entre o Pacto de Redenção com Cristo e o Pacto da Graça com os eleitos).

D: Dividido em dispensações (usualmente sete): Inocência (antes da queda), Consciência (Adão), Governo Humano (Noé), Promessa (Abraão), Lei (Moisés), Graça (Primeira vinda de Cristo), Reino (Segunda Vinda de Cristo). -- (Alguns adicionam sete anos da tribulação e a lei como outra dispensação).

Como a História é Vista

TP: Otimista; Deus está estendendo seu Reino.

D: Pessimista: os últimos dias se ressaltam por uma crescente maldade que impera no mundo e pela apostasia na igreja.

Propósito de Deus na História

TP: Existe UM propósito de redenção unido.

D: Existem DOIS propósitos, um terreno (Israel), um celestial (a igreja).

Como os Pactos Bíblicos São Vistos

TP: Existem várias administrações do Pacto da Graça

D: Marcam-se períodos de tempo onde as demandas específicas de Deus para os homens são distintas.

Relações entre o Antigo e o Novo Testamento

TP: Aceita-se o ensinamento do Antigo Testamento, a menos que tenha sido ab-rogado pelo Novo Testamento.

D: O Antigo Testamento não tem autoridade, a menos que seja confirmado com o Novo Testamento.

Relação entre Israel e a Igreja

TP: A Igreja é o Israel espiritual, em continuidade com o verdadeiro Israel do Antigo Testamento.

D: A Igreja é o povo espiritual de Deus, distinto de Israel, o povo físico de Deus.

A Profecia do Antigo Testamento

TP: Refere-se ao povo de Deus, a Igreja.

D: Refere-se ao Israel étnico.

A Era da Igreja

TP: O propósito redentor de Deus continua sendo desenrolado.

D: É um parêntese entre o passado e a futura manifestação do Reino.

Papel do Espírito Santo

TP: O Espírito Santo tem atuado nas pessoas através de toda a história.

D: O Espírito Santo tem atuado nas pessoas desde o Pentecostes até o Rapto.

Implicações Sociais

TP: Enfatiza-se "o mandato cultural", isto é, o trabalho da igreja deve-se estender às diversas culturas, transformando-as através da pregação do Evangelho e dos princípios do Reino de Deus.

D: A única maneira de salvar o mundo é salvando indivíduos; por isso, o evangelismo toma precedência sobre a “ação social”.

Escatologia

TP: Usualmente Pós-milenista ou Amilenista; raramente Pré-milenista.

D: Pré-milenista, usualmente Pré-tribulacionalista, com ênfase no Arrebatamento.

Milênio

TP: Simbólico, freqüentemente identificado como a era presente.

D: Literal, reino terreno de 1000 anos depois da Segunda Vinda.

terça-feira, setembro 26, 2006

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Teologia "Rocky Balboa"
Por Hermes C. Fernandes


A teologia do tipo “Rocky Balboa” diz que na Cruz, Cristo foi à lona, completamente nocauteado, mas que antes que o Juiz terminasse sua contagem, Ele ressuscitou, e finalmente virou o jogo, dando uma surra no Diabo. Para os expoentes desta teologia equivocada, a Cruz foi um plano arquitetado por Satanás, e enquanto Jesus era crucificado, o inferno festejava. Nada mais enganoso que isso. Pelo contrário, o adversário fez de tudo para impedir que Cristo fosse crucificado. Chegou a Lhe oferecer os reinos deste mundo, sem que fosse necessário passar pelo Sacrifício da Cruz. Mas foi ali, naquele madeiro, que Cristo liquidou de vez com a fatura. Foi ali que os principados e potestades foram despojados e definitivamente derrotados. O aparente fracasso de Cristo, foi, na verdade, a Sua mais gloriosa vitória. A Cruz foi a pista, onde Ele venceu. A Ressurreição foi o pódium, e Sua ascensão o troféu.

segunda-feira, setembro 25, 2006

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Por que crer que Cristo reina agora?
Por Hermes C. Fernandes

1. Porque essa era a posição da igreja primitiva, que por acreditar que Cristo estava reinando sofreu as mais duras perseguições do Império Romano. Declarar que Jesus é o Senhor era considerado uma postura subversiva, pois o título de Kírios (Senhor) era atribuído exclusivamente a César, o Imperador. Se a Igreja primitiva não cresse no reino de Cristo como real e atual em seus dias, ela não seria tão perseguida. Por isso, a Escritura diz que ninguém diria que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo. Ninguém em seu juízo perfeito se atreveria a desafiar Roma, declarando a soberania de Cristo sobre a história, senão pela ousadia conferida pelo Espírito de Deus. Enquanto a mensagem da salvação pela Graça era um insulto ao sistema religioso judaico, a mensagem do Reino era considerada um insulto ao domínio romano. Ver João 19:12-15; Atos 17:5-8; 1 Co.12:3.

2. Porque é a única posição escatológica que oferece esperança quanto ao futuro deste mundo, convocando os homens a pensarem e trabalharem pelas próximas gerações. Atos 2:39; 2 Co.12:14; Sl.72:5; 79:13; 145:4; Ef.2:7; 3:21.

3. Porque impõe ao homem a responsabilidade de cuidar da Terra, buscando preservar o meio-ambiente em que vive. Gn.2:15; 8:21; 9:9-10,12-13,17; Sl.24:1; Ec.1:4; Is.45:18; Rm.8:19-22; 1 Co.10:26; Ap.11:18 .

4. Porque a mensagem do Reino de Deus era a ênfase principal de Jesus e dos Apóstolos. Mc.1:15 (observando as parábolas, pode-se perceber que a maioria delas visava ilustrar o modus operandi do Reino de Deus); At.20:24-25 (Não há como separar o Evangelho da Graça e o Evangelho do Reino, pois ambos formam um único corpo doutrinário); At.28:23;30-31.

5. Porque a proposta do Evangelho não é a fuga da realidade, ou qualquer tipo de escapismo ou alienação; mas é que o homem busque na Palavra de Deus, a solução para os seus problemas atuais, encarando-os, solucionando-os na força do Espírito Santo. João 17:15 (Um exemplo da atuação da Igreja na solução de problemas cotidianos está em Atos 6:1-3; Gl.2:10; 2 Co.8)

6. Porque o Evangelho contém promessas tanto para o porvir quanto para este tempo. 1 Co.3:22; 1 Tm.4:8.

7. Porque cabe a Igreja discipular as Nações, trazendo-as aos pés do seu Rei, e ensinando-as a aplicar os princípios do Reino para cada área da vida humana (educação, tecnologia, artes, cultura, família, relacionamentos humanos e etc.) . Mt.28:18-20; 2 Co.10:4-5.

8. Porque o Evangelho é o poder de Deus, não apenas pra salvar o indivíduo, mas também para restaurar toda uma sociedade. Rm.1:16; Is.61:4.

9. Porque Cristo veio pela primeira vez para ser rejeitado, mas virá a segunda vez quando for o Desejado das Nações, e cabe à Igreja, como instrumento do Espírito, e sal da terra, provocar nos homens a sede e o desejo pelo retorno de Cristo. Quando a humanidade em uníssono disser: Maranata! Então virá o Senhor. Ageu 2:7; Mt.5:13; Is.49:24-26.

10.Porque o Milênio descrito em Apocalipse 20 iniciou-se na ascensão e exaltação de Cristo e vai alcançar o seu apogeu dentro da história, terminando quando a morte houver sido vencida, no Retorno de Cristo à Terra. Essa posição é conhecida entre os teólogos como Pós-milenista. Ap.20:1-6. Observe o cumprimento de cada item apresentado nessa passagem: 1. A prisão de Satanás - Mt.12:28-29; Col.2:15; Hb.2:14; 2 Pe.2:4; 2. Os crentes como reis e sacerdotes - Ap.1:6; 1 Pe.2:9; Rm.5:17; 3. Os crentes como tendo sido ressuscitados - Ef.2:1,5-6 (A primeira ressurreição é aquela que experimentamos quando nos convertemos a Cristo; portanto, trata-se de uma ressurreição espiritual, que nos livra da segunda morte). Ver ainda 1 Co.12:24-26.

11.Porque Deus possui apenas um povo na Terra: a Igreja. E que este povo é a continuidade do Israel do Antigo Testamento. Portanto, negamos que Deus tenha algum propósito particular com o estado de Israel, ou com o povo judeu, por entendermos que os verdadeiros descendentes de Abraão somos nós, e não os que descendem dele segundo a carne. Sendo assim, todas as promessas contidas no Velho Testamento consoantes a Israel, tem seu cumprimento na Igreja, salvo aquelas que se cumpriram antes do primeiro advento de Cristo. Rm.2:28-29; 10:12; Gl.3:7, 28-29; 4:25-26; 6:15-16; Ef.2:11-14.

12.Porque acreditamos na vitória da Igreja, no avanço do Evangelho, e na expansão do Reino de Deus. Mt.16:18; Ap.6:2; 17:14; 19:11-16 (Os cavaleiros que seguem o Cavaleiro Fiel são os santos); Mt.13:31-33; Dn.2:35, 44-45; Rm.16:25-26; Col.1:6.

13.Por acreditarmos que Cristo virá uma única vez ( e não em duas etapas como afirma o dispensacionalismo ) para julgar os vivos e os mortos, e para levar a termo a obra de Restauração iniciada através da Igreja, Seu Corpo. At.3:21; 17:31; Hb.9:27-28; Fp.1:6.

14.Porque haverá uma única ressurreição dos justos e injustos no último dia, e não duas ressurreições, a dos justos na ocasião do “arrebatamento” e a dos injustos ao término do Milênio, no Juízo, como advoga o dispensacionalismo. Dn.12:2; Jo.5:28-29; 6:39, 44; At.24:15.

15.Porque o destino da Igreja é reinar sobre a Terra, ao mesmo tempo em
que desfrutará do Céu. Isso porque em Cristo convergiu tudo o que há no céu e na terra, já não havendo a separação provocada pelo pecado. Os mundos visível e invisível se tornaram as duas faces de uma mesma realidade recriada em Cristo. Mt.6:10; Ef.1:9-10; Col.1:16-20; Ap.21:1-2.

“Aleluia! Pois já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso”. Apocalipse 19:6b

sexta-feira, setembro 22, 2006

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A Ruptura
Por Hermes C. Fernandes


“No princípio criou Deus o céu e a terra”, que em vez de serem dois “mundos” separados, eram, na verdade, dois lados de uma única realidade. Paulo nos informa que foi em Cristo que “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis (...) tudo foi criado por ele e para ele” (Col.1:16).

A criação, em seu estado original, era incorruptível; qualidade inerente a algo que deve durar por toda a eternidade. Só mais tarde ela foi submetida à corrupção, conforme lemos em Romanos 8. Céu e terra caminhavam juntos, em plena harmonia, pois estavam inteiramente submetidos à tutela divina, sob a Sua boa,perfeita e agradável vontade. Mas algo aconteceu que provocou uma ruptura. Houve uma bifurcação na Eternidade, e que deu origem à História, ao tempo e à corrupção. O que teria originado isso? A resposta é: o pecado.

Quando se fala do pecado original, geralmente se usa o termo “Queda”, pois a ênfase é moral, e recai sempre sobre o resultado do pecado na vida humana. Porém o homem não foi o único afetado nisso tudo. O Cosmos inteiro foi prejudicado. A criação original, antes avaliada por Deus com um sonoro “muito bom!”, agora passava a produzir “espinhos e abrolhos”.

O evento que chamamos “Queda” deu origem à História, tirando o homem da Eternidade, e lançando-o em um universo em movimento.

Ser expulso do Paraíso para a terra de onde havia sido tomado significa ter sua comunhão com o Criador rompida, e passar a transitar por um mundo hostil, fundado sobre a lógica do conflito (dialética), e submetido ao tempo/espaço, e por conseguinte, à corrupção.

O que, do ponto de vista da eternidade, teria acontecido em frações de segundo, agora se revelava como produto de uma evolução contínua de bilhões de anos.

Uma vez que a lógica deste mundo é a lógica do choque entre tese e antítese formando uma síntese que, novamente, se afirma como tese realimentando o ciclo de eterna mutação, produzindo a História, a entrada de Adão se dá no momento em que ele pode ser integrado ao processo, ou seja, quando há outros homens, com os quais ele pode se relacionar, transformando-os em verdadeiros homo-sapiens sapiens, dando-lhes a fermentas que necessitavam para se transformar em seres humanos, quais sejam, o conhecimento de Deus, o que vai permitir a criação das religiões; da natureza, pois foi ele que deu nome à todas as espécies, e o conhecimento do bem e do mal, o que permitiu ao homem tomar decisões.

Para facilitar nosso entendimento, tomemos a história de Adão como uma recaptulação metafórica da história do mundo. Assim que foi criado, Adão estava só. Embora o relato bíblico anterior diga que Deus fez o homem macho e fêmea, Adão aparece sozinho, em um primeiro momento. Mas uma coisa não contradiz a outra. De fato, em Adão estavam os cromossomos X e Y. Não que ele fosse um ser andrógino, mas que possuía, potencialmente, ambos os sexos. Tanto é, que Deus faz a mulher a partir de seu próprio corpo. Adão representa a realidade única criada por Deus. Assim como no princípio criou Deus o céu e a terra, “assim criou Deus o homem à sua imagem, a imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn.1:27). Entretanto, houve um momento em que a mulher foi tirada do homem, e passou a ser uma pessoa à parte. Agora, homem e mulher tinham vidas distintas, embora as vivessem em perfeita comunhão. Da união deles surge o primeiro filho, Caim, cujo procedimento foi reprovado pelo Senhor. Caim representa o velho mundo, resultado da Ruptura entre o céu e a terra. Porém, quando Adão e Eva se relacionam uma segunda vez, concebem Abel, que representa Cristo e o Novo Mundo. Assim como Caim se levanta para matar seu irmão, o velho mundo se insurge contra o Novo Mundo, matando o seu Messias.

E os paralelos não terminam aí. O texto diz que Caim foi lavrador da terra, enquanto Abel foi pastor de ovelhas. Caim estava dando seqüência à vocação de seu pai, que foi lançado fora do Jardim do Éden, “para lavrar a terra de que fora tomado” (Gn.3:23). Adão trocou um mundo perfeito, por um mundo cheio de espinhos e abrolhos.

Caim e Abel, dois mundos, frutos da Ruptura e da Comunhão.
E qual a condenação de Caim, por haver assassinado seu irmão?

“Agora maldito és desde a terra, que abriu a sua boca para receber das tuas mãos o sangue do teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás pela terra” (Gn.4:11-12).

De acordo com o relato bíblico, Caim foi o pai da civilização. Pois tão logo conheceu sua mulher, que concebeu e teve um filho, “Caim edificou uma cidade” (v.17).

Uma pergunta inevitável é: Aonde Caim conseguiu uma mulher pra se casar? Ora, Adão só havia tido dois filhos. Só no verso 25 é que “tornou Adão a conhecer a sua mulher, e ela teve um filho, a quem pôs o nome de Sete”.

Alguns sugerem que Caim tenha se casado com uma irmã, ou quem sabe, uma sobrinha. Mas isso seria simplesmente improvável, pra não dizer, impossível.

O fato é que já havia outras pessoas no mundo. Quem eram?

Pra entendermos melhor a questão, temos que compreender a Ruptura.

Ao sair do Éden, Adão deixa a eternidade, e é arremessado no tempo. O mundo antes acabado, agora se mostra em constante processo. Este “novo” mundo em que Adão é lançado é concebido como fruto do pecado primordial.

Adão trocou um mundo pronto, por um mundo em processo de acabamento.

A questão toda gira em torno da consciência e da lógica, isto é, da maneira como o mundo é percebido. Lembre-se que eles estavam nus, e não se davam conta disso. A criação não se tornou ruim após a queda. A maneira como o homem a percebe é que ficou deformada.

quinta-feira, setembro 21, 2006

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Acertando nossos ponteiros com o Relógio Profético
Por Hermes C. Fernandes


Precisamos de uma Escatologia mais otimista, menos paranóica, mais Bíblica, menos especulativa.

A maioria acredita sinceramente que estamos caminhando para um desfeche catastrófico da História. É como se as trevas estivessem se propagando de tal maneira, que mais um pouco, e será meia-noite no relógio profético, e as trevas terão alcançado o seu apogeu. Mas será que isso está de acordo com a Bíblia? “As trevas vão passando” testifica João, “e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8). Para esse mesmo apóstolo, aquela era a última hora que precedia o alvorecer de um novo dia (1 Jo.2:18).

De acordo com Jesus, o momento em que Ele foi entregue para ser julgado e crucificado, era a hora das trevas (Lc.22:53).

Na Cruz, o relógio profético marcou meia-noite. A partir daí, um novo dia iniciou-se. Porém, embora o dia comece no primeiro segundo após meia-noite, ele não clareia de uma hora pra outra. Aos poucos, as trevas vão passando, e cedendo lugar à Alvorada.

Antes que o Sol surja no horizonte, aparece a Estrela da Manhã. A mensagem central do Apocalipse não é o fim do mundo, mas o surgimento do Novo Dia, anunciado por Jesus, nossa Estrela da Manhã.

Não estamos caminhando para meia-noite, e sim para o meio-dia, quando não haverá mais sombras, e a luz do Sol da Justiça tudo manifestará, até mesmo os segredos dos homens. O Juizo Final se dará ao Meio-dia do relógio profético.

Cabe à Igreja trazer a Aurora do Novo Dia."Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a luz, brilhante como o sol, imponente como um exército com bandeiras?" (Cant.6:10). Esta é a Igreja de Cristo.

Devemos ter o mesmo propósito do Salmista, que declarou profeticamente: "Eu despertarei a Aurora!" (Sl.109:2b). É a Igreja de Cristo que deve trazer a Aurora ao mundo.

De acordo com Paulo, chegará o dia “em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por meio de Jesus Cristo”, e em outra passagem o mesmo apóstolo afirma que em Sua Vinda, o Senhor “trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações” (Rm.2:16; 1 Co.4:5).

O que para nós será motivo de grande glória, para os que perecem será motivo de vergonha e pavor. Suas obras serão reveladas diante do Sol da Justiça. É por isso que não podemos nos associar com as obras infrutuosas das trevas, antes, devemos condená-las. “Pois o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é vergonhoso. Mas todas as coisas manifestas pela luz tornam-se visíveis, pois é a luz que a tudo manifesta. Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef.5:11-14).

No presente momento, enquanto Cristo não retorna para estabelecer o Juízo Final, a Igreja deve cumprir o seu papel, condenando as obras das trevas, em vez de ser cúmplices delas. Não que tenhamos que julgar e condenar pessoas, e sim julgar e condenar suas más obras! E neste caso, condenar é sinônimo de reprovar, não de sentenciar.Uma vez que o Dia começou a clarear, “já é hora de despertarmos do sono”, afinal, “a noite é passada e o dia é chegado” (Rm.13:11-12). Sem contar que somos “filhos da luz, e filhos do dia. Nós somos da noite, nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios. Pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, porém, somos do DIA, sejamos sóbrios” (1 Ts.5:5-8a).

Penso que o problema central da igreja contemporânea é que ela não consegue se situar dentro do tempo de Deus. Muitos pensam que estamos a caminho da Meia-Noite, e que, por isso, nada resta a fazer senão esperar a volta eminente de Cristo. Mas isso não corresponde à verdade.

Estamos a caminho do Meio-Dia, e há muita coisa para se fazer enquanto Cristo não retorna à Terra. À medida que o dia vai clareando, os filhos da luz vão se manifestando. Salomão afirma em seu livro de provérbios que “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser DIA PERFEITO. Mas o caminho dos ímpios é como a escuridão; não conhecem aquilo em que tropeçam” (Pv.4:18-19). É por esta manifestação que anseia a criação como um todo (Rm.8:19). Estamos a caminho da glória final, mas até chegarmos lá, temos que galgar cada etapa, como disse Paulo, de glória em glória (2 Co.3:18).

Quando é que os filhos de Deus se manifestariam plenamente? Ao romper da manhã do Novo Aión. Quando eles se despertassem do sono, e se levantassem dentre os mortos, a fim de que Cristo os iluminassem. Aqui cabe a admoestação profética: “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu” (Is.60:1-3).

quarta-feira, setembro 20, 2006

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Olhos vendados
Por Hermes C. Fernandes


Os poderes das trevas prometeram ao homem que tão logo comesse do fruto que lhe era vetado por Deus, seus olhos se abririam. Ledo engano. Tal atitude de desobediência acarretou-lhe verdadeira cegueira espiritual. De fato, seus olhos se abriram, mas para a maldade.

Até então, o homem só conhecia o bem. Nada que acontecesse à sua volta era tido por mal. Toda a criação era boa. Ele a enxergava com as lentes do amor de Deus. Mas agora, o mundo lhe parecia tenebroso e assustador. O homem passava a enxergar também o mal. Seu foco saiu da luz para as sombras. Não por ter ocorrido uma mudança na criação à sua volta. A mudança mais significativa aconteceu em seu coração, termo usado pela Bíblia para “consciência”. Com o coração corrompido, a consciência cauterizada, o ser humano passaria a fazer uma leitura dualista da realidade. Se antes tudo era bom, agora, a criação era dividida entre coisas boas e más.

Daí o surgimento desta esfera conhecida como inconsciente. O homem precisaria de um porão para a sua alma, onde pudesse armazenar muitas de suas experiências, principalmente aquelas que ele não gostaria de lembrar.

O afastamento da luz produz sombras, e a sua completa ausência produz trevas.

Foi o contato com os poderes das trevas, representados pela serpente, que o desviou da comunhão com seu Criador, mergulhando-o nas densas trevas da maldade.

Surgia então o dualismo. O “BEM” original fora substituído pelo binômio “bem/mal”. Até os animais passaram a ser classificados entre ‘puros’ e ‘impuros’.As cores vivas da natureza ficaram como que desbotadas, e homem tornou-se espiritualmente daltônico, ou pior, cego.

Cristo Se entregou em sacrifício na Cruz para reverter isso. Por meio do mais nobre gesto de amor, Cristo desvenda nossos olhos, fazendo com que a criação recupere a sua santidade original. De maneira que Paulo pôde declarar: “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente como a sua consciência estão contaminados” (Tt.1:15). O sangue de Cristo tem o poder de purificar nossa consciência (Hb.9:14), e assim, transformar nossa cosmovisão[1]. Passamos a enxergar a criação como ela realmente é: boa.

Alguns crentes primitivos, ignorantes acerca da obra reparadora da Cruz, ainda se submetiam às categorias da Lei, classificando a criação entre aquilo que era santo, e o que era profano, puro e impuro. Paulo diz que tais crentes estavam se apostatando da fé, “dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência, que proíbem casamento (por classificarem o sexo como algo impuro), e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de suarem deles com ações de graças; por que tudo o que Deus criou é BOM, e não há nada que rejeitar” (1 Tm.4:1-4).

A vida recupera seu colorido original quando a enxergamos sob o prisma da Cruz. Não há nada profano, mal, vulgar. Tudo é santo, à medida que serve ao propósito para o qual foi criado. Profanar algo é pervertê-lo, usando-o para o mal, e assim, atribuindo-lhe um significado maligno.
O que torna algo santo é a sua relação com o Criador. Uma vez que todas as coisas que há no céu e na terra foram reconciliadas com Ele por meio de Sua Cruz (Col.1:20), logo, concluímos que tudo é santo. Afinal, “dele e por ele e para ele são todas as coisas” (Rm.11:36). A harmonia entre o Criador e a criação promove a santificação de tudo quanto existe.

Deve ter sido um choque para Pedro, quando o Senhor lhe apareceu em visão, ordenando que ele matasse e comesse animais que eram vetados pela dieta prescrita na Lei Mosaica. Ao esquivar-se da ordem dada pelo Senhor, alegando que jamais havia ingerido coisa imunda, Pedro ouviu do Senhor: “Não faças imundo ao que Deus purificou” (At.10:15). Cristo resgatou a santidade original da criação.

Será que após a Cruz, a carne de porco se tornou menos danosa à saúde humana? Acredito que não. A purificação aqui é de caráter subjetivo, e não objetivo. Como vemos, desde que comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o homem teve a sua consciência danificada. A partir daí, a realidade passou a dividir-se entre coisas puras e impuras, santas e profanas, espirituais e materiais. Mas na Cruz, todo dualismo se desfaz. Céu e Terra se unem novamente na consciência daqueles cuja consciência fora purificada pelo sangue do Cordeiro. Na verdade, Céu e Terra jamais se separaram objetivamente. Assim como nunca houve, objetivamente, coisas puras e coisas imundas. Tais distinções eram frutos da consciência corrompida pela vaidade. É Paulo quem nos garante: “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. Mas se alguém a tem por imunda, então para esse é imunda” (Rm.14:14). E mais: “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente como a sua consciência estão contaminadas” (Tt.1:15).

[1] Cosmovisão – Maneira como vemos o mundo.

sábado, setembro 16, 2006

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Por que Deus não impediu a Queda?
Por Hermes C. Fernandes


Eis uma das mais delicadas questões com que se depara a Teologia cristã. Como crentes na soberania divina irrestrita, não podemos supor que a Queda tenha pego Deus de surpresa.

A prova de que Deus não apenas previa a desobediência humana, como a permitiu, e a incluiu em Seu glorioso plano, é que, antes mesmo da fundação do mundo, Ele havia provido um meio de equacionar o problema do pecado. De forma que a Bíblia nos apresenta Cristo como o “Cordeiro que foi morto desde antes da fundação do mundo” (Ap.13:8b).

Não há improvisos no plano arquitetado por Deus. E a prova disso é que Ele já havia feito ampla provisão.

Antes do início da História, um plano foi arquitetado, em que cada evento foi previamente decretado pelo Criador. Em Sua Onisciência, Deus sempre soube com antecedência de todas as coisas. O Deus das Escrituras não deve ser confundido com o “deus” da chamada teologia de processo, que nada sabe quanto o futuro, pois é refém do tempo que ele mesmo criou.

Definitivamente, Deus não é refém do tempo. Ele vive na Eternidade, onde não há passado ou futuro, mas um eterno agora. Todas as coisas estão diante d’Ele concomitantemente. Ele não precisa lançar mão de dados estatísticos, para saber a probabilidade de algo acontecer ou não. Ele simplesmente sabe.

Em Sua sabedoria, Ele decidiu que o homem só conheceria Seu amor e Sua graça, se tropeçasse e caísse de seu estado original.

Agostinho foi feliz ao declarar: “Oh bendita queda, que nos proporcionou tão grande redentor!”. Se não houvesse Queda, não haveria necessidade de Redenção. Se não ocorresse a Ruptura, também não haveria a Convergência em Cristo na Plenitude dos Tempos. Portanto, não haveria cruz; jamais entenderíamos a profundidade do amor de Deus. A graça nos seria um conceito desprovido de qualquer sentido.

Sem a Queda, fatalmente seríamos corrompidos por nossa própria perfeição, como aconteceu com um tal querubim ungido.

Foi melhor sermos humilhados, para ser depois exaltados pela Graça divina, do que nos exaltarmos, e sermos definitivamente derrubados de nossa arrogância.

Tudo estava no plano de Deus. A maneira como cairíamos, e como seríamos reconduzidos à glória.

A serpente não entrou no paraíso por um descuido de Deus.

A provisão de Deus para a reversão da Queda é Cristo. Ele reverteu, através de Sua obediência, o processo desencadeado pelo pecado.

Ele não só zerou nosso débito, mas colocou-nos numa situação de crédito com Deus.

Adão foi tentado no paraíso e caiu. Jesus foi tentado no deserto, e não caiu. Enquanto Adão podia comer de todas as árvores, Jesus, no deserto, não tinha alternativa pra saciar Sua fome, senão transformar pedras em pão. Mas Ele resistiu até o último instante.

Agora, Sua vida justa e santa é creditada em nossa conta, enquanto nossos pecados foram debitados na Sua. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co.5:21).

sexta-feira, setembro 15, 2006

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O "ponto Deus" no cérebro

Uma frente avançada das ciências hoje é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes,também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de inteligência) ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é inteligência emocional popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard, David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE=Quociente emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos dez anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs= Quociente espiritual),porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a exeperiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.

Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por esta razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de "o ponto Deus".

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro, o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência deste "ponto Deus" representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse "ponto Deus".

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Viagem no Tempo
Por Hermes C. Fernandes


Alan Lightman é um conceituado astrofísico teórico. Em seu livro “Sonhos de Einstein”, ele levanta a questão: Afinal, seria possível “viajar no tempo”?

Se o tempo e o espaço estão tão intimamente ligados, por que podemos viajar no espaço, e não podemos viajar no tempo? Num certo sentido, podemos dizer que somos viajantes do tempo. Somos peregrinos, viemos do passado, passamos rapidamente pelo presente em direção ao futuro. Entretanto, não nos parece razoável a possibilidade de fazermos essa viagem de maneira inversa. Seria possível avançar em direção a um futuro distante, como no filme “De volta pro futuro”, de Spielberg? Ou ainda, seria possível retornar ao passado? Com relação ao espaço, podemos percorrer um caminho, e em seguida retornar a ele. Mas com o tempo é diferente. Por quê?

Imagine a possibilidade de voltar ao passado, e consertar alguns dos erros que cometemos. Mas a verdade é que nada no passado pode ser alterado. Jamais teremos a oportunidade de viver os mesmos papéis novamente. Entretanto, poderemos ser espectadores do passado. Nossa consciência, uma vez libertada no cativeiro da corruptibilidade, poderá viajar no tempo para revisitar nossas experiências, a fim de que adquiramos uma compreensão maior do propósito de nossa existência terrena.

Somente aí entenderemos a conexão oculta que há entre a vontade soberana de Deus e a livre agência do homem.

Nossa consciência será capaz de produzir a síntese perfeita. Não haverá mais contradições, paradoxos, mistérios.

Não precisaremos de uma máquina pra nos locomover no tempo e no espaço. Viajaremos à velocidade do pensamento.

Na Eternidade, ainda teremos uma percepção seqüencial do tempo. Nosso padrão de pensamento ainda será analítico. Passado, presente e futuro serão categorias que nos acompanharão para sempre. Só Deus transcende tais categorias do tempo. Para nós, portanto, haverá, naturalmente, sucessão de eventos. Porém, os compreenderemos num contexto mais abrangente. Em vez de linear, compreenderemos o tempo de modo espiralado. Em vez de horizontal, vertical.

Hugh Ross, cristão evangélico, com PhD em astronomia, defende que “os eventos da nossa vida ocorrem na ordem temporal normal (“horizontal”), em que as causas precedem os efeitos. Mas a dimensão de tempo de Deus é perpendicular à nossa (“vertical”) e intercepta toda a nossa série de eventos temporais simultaneamente. Para Ross, isso resolve o antigo paradoxo do livre-arbítrio e da predestinação. Fazemos livremente nossas escolhas, dentro do nosso sistema de tempo, mas todas elas estão incluídas, conjuntamente, no conhecimento e na ação unificados de Deus”.[1]

Se no mundo quântico, causas e efeitos seguem ordens aleatórias, no âmbito da Eternidade, compreenderemos que o alvo (propósito) é que provoca os acontecimentos, e não apenas as causas. O futuro é que define o presente, e não o passado.

No atual momento, estamos estagiando para Eternidade. Devemos, desde já, esquecer das coisas que para trás ficam, e avançar para as que estão diante de nós, prosseguindo para o alvo, a fim de alcançar aquilo para o qual fomos alcançados. É o futuro que deve determinar o presente, e não o passado (Fp.3:12-13).

Em Cristo é feita a síntese perfeita do tempo. Paulo diz que d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. São d’Ele, porque Ele é sua proveniência, sua origem, seu passado. São por Ele, porque Ele é seu mantenedor, seu presente. São para Ele, porque Ele é o seu destino, seu futuro.

[1] Ross, Hugh, Beyond the Cosmos, p.233, citado por Barbour, Ian G., em Quando a Ciência encontra a Religião, São Paulo, Cultrix, p.66

quinta-feira, setembro 14, 2006

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Veja as previsões mais furadas da história da tecnologia


Um site chamado 2Spare compilou dezenas de previsões furadas sobre o futuro, em diversas áreas, como tecnologia, comunicação, aviação, guerra e outras. Algumas anteciparam o fracasso das "compras à distância" e da "transmissão de documentos por cabos de telefone" antes mesmo de se ouvir falar em Internet e compras online.

Nem mesmo cientistas e inventores consagrados, como Thomas Edison e Albert Einstein, escaparam de cometer as suas "gafes".

Computadores e tecnologia

"Não há razão para que alguém queira ter um computador em casa". Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp. (DEC), fabricante de computadores mainframe computers, discutindo os computadores pessoais, em 1977.

"Mas... para o que serve isso?"Robert Lloyd, executivo da IBM, sobre o microprocessador, em 1968.

"Na medida em que uma calculadora no ENIAC é equipada com 18 mil tubos de vácuo e pesa 30 toneladas, os computadores do futuro deverão ter apenas mil tubos de vácuo e pesar 1,5 mil toneladas". Revista Popular Mechanics, em 1949.

"Eu viajei por todos os cantos deste país e conversei com as melhores pessoas, e posso assegurar a você que o processamento de dados é uma moda e não vai durar até o final do ano". Editor responsável por livros de negócios da Prentice Hall, em 1957.

"Esta coisa de antitruste vai passar". Bill Gates, fundador da Microsoft (data não disponível).

"O potencial mercado de máquinas de cópia é de, no máximo, cinco mil (unidades)." IBM, para os eventuais fundadores da Xerox, dizendo que as fotocopiadoras não teriam um mercado tão grande que justificasse a sua produção, em 1959.

Internet e comunicação por satélite

"A transmissão de documentos por cabos de telefone é possível, em princípio, mas o aparato requerido é tão caro que nunca irá se tornar uma proposta prática". Dennis Gabor, físico britânico e autor de Inventing the Future, em 1962.

"A compra à distância, apesar de ser completamente possível, irá fracassar - porque a mulher gosta de sair de casa, segurar a mercadoria, gosta de estar apta a mudar a sua intenção".Revista Time, descartando as compras online antes mesmo de se ouvir falar nelas, em 1966.

"Não há praticamente nenhuma chance dos satélites espaciais de comunicação serem usados para prover melhores serviços de telefone, telégrafo, televisão ou rádio dentro dos Estados Unidos". T. Craven, membro do conselho da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, em 1961 (o primeiro satélite comercial de comunicações entrou em serviço em 1965).

Telefone

"O telefone tem muitas desvantagens para ser considerado, seriamente, um meio de comunicação. O aparelho não tem valor para nós". Memorando da Western Union, entre 1876 e 1878.

"Os americanos têm necessidade de telefones, mas nós não. Temos um monte de mensageiros".Sir William Preece, engenheiro-chefe da Escritório Postal Britânico, em 1878.

"É uma grande invenção, mas de qualquer forma, quem iria usar isso?" Rutherford B. Hayes, presidente norte-americano, depois da demonstração do telefone de Alexander Bell, em 1876.

Televisão e cinema

"A televisão não vai durar. É uma tempestade num copo d'água".Mary Somerville, pioneira em radiodifusão educacional, em 1948.

"A televisão não vai durar porque, logo, as pessoas irão ficar cansadas de olhar para uma caixa de madeira todas as noites". Darryl Zanuck, produtor de cinema da 20th Century Fox, em 1946.
"Quem diabos deseja ouvir os atores falando?" H. M. Warner, co-fundador da Warner Brothers, em 1927.

Rádio e música

"O rádio não tem futuro" Lord Kelvin, matemático e físico, em 1897.

"A caixa de música sem fio não tem valor comercial imaginável. Quem pagaria para uma mensagem enviada para ninguém em particular?" Associados de David Sarnoff, respondendo a um pedido de investimento para o rádio, em 1921.

"O fonógrafo não tem nenhum valor comercial". Thomas Edison, inventor norte-americano, nos anos 1880.

Automóveis

"O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda". Presidente do banco de Michigan alertando o advogado de Henry Ford para não investir na montadora, em 1903.

"Que o automóvel praticamente chegou ao seu limite é confirmado pelo fato de que, nos últimos anos, nenhum aprimoramento radical foi introduzido." Revista Scientific American, em 1909

"A 'carruagem sem cavalo' normal é, no momento, uma luxuria para os ricos, e por causa do seu preço, provavelmente vai falhar no futuro. Com certeza, jamais se tornará tão comum como a bicicleta". Literary Digest, em 1899.

Aviação

"O homem não irá voar em 50 anos".Wilbur Wright, pioneiro da aviação, ao irmão Orville, depois de uma tentativa fracassada de voar, em 1901 (os dois norte-americanos obtiveram sucesso em 1903).

"Máquinas de voar mais pesadas do que o ar são impossíveis". Lord Kelvin, matemático, físico e presidente da Sociedade Real Britânica, em 1895.

"Aviões são brinquedos interessantes, mas não têm valor millitar". Marechal Ferdinand Foch, professor de estratégia da Ecole Superieure de Guerre, em 1904.

"Jamais será construído um avião grande". Engenheiro da Boeing, depois do primeiro vôo do modelo 247, que tinha motor duplo e transportava 10 pessoas.

Outros temas

"Tudo que pode ser inventado já foi inventado".Charles H. Duell, oficial do escritório de patentes dos Estados Unidos, em 1899

"Qualquer um familiarizado com o assunto vai reconhecer isso como um evidente fracasso" Henry Morton, presidente do Instituto de Tecnologia Stevens, sobre a lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1880.

"Um foguete jamais será capaz de deixar a atmosfera da Terra". Jornal New York Times, em 1936.

"A energia atômica deve ser tão boa como os explosivos de hoje, mas é improvável que produza algo muito mais perigoso". Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, em 1939

"Não há a menor indicação de que a energia nuclear será obtida. Isso significaria que o átomo teria que ser rompido no futuro". Albert Einstein, em 1932.

Fonte: Terra

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Como perceberemos o Tempo na Eternidade?
Por Hermes C. Fernandes


O homem moderno tem pressa. Com o avanço tecnológico, as distâncias foram encurtadas. O que antes parecia tão longe, agora ficou tão perto. Uma viagem que antes demoraria dias, agora é feita em poucas horas. A indústria aeroespacial prevê que em trinta anos produzirá um avião supersônico que alcançará dez vezes a velocidade do som, sendo capaz de dar a volta ao mundo em apenas duas horas. A pressa deixou de ser a inimiga da perfeição, pra ser aliada à eficiência. O mundo tornou-se, de fato, numa aldeia global. Encurtando as distâncias, o homem almeja remir o tempo. As notícias são veiculadas pela TV e pela Internet em tempo real. Satélites estrategicamente posicionados ao redor do globo possibilita a informação instantânea.

A pressa é tamanha em receber informações, que os canais especializados já exibem várias notícias de uma só vez. Enquanto o repórter nos fala de uma tragédia ocorrida na Ásia, no rodapé da TV temos informações sobre a cotação do dólar, a meteorologia, e etc.

Como bem sinalizou Frei Betto, “a arte cinematográfica nos introduziu em um novo conceito de tempo. Não mais o conceito linear, histórico, que perpassa a Bíblia e, também, as obras de Aleijadinho ou Sagarana, de Guimarães Rosa. No filme, predomina a simultaneidade. Suprimem-se as barreiras entre tempo e espaço. O tempo adquire caráter espacial e, o espaço, caráter temporal. No cinema, o olhar da câmara e do espectador passa, com toda a liberdade, do presente para o passado e, deste, para o futuro. Não há continuidade ininterrupta”. Apesar das duras críticas que ele faz acerca desse novo conceito de tempo, Frei Betto conclui que há “algo de positivo nessa simultaneidade, nesse aqui-e-agora que nos impõem como negação do tempo. É a busca da interioridade. Do tempo místico como tempo absoluto. Tempo síntese/supressão de todos os tempos. Eis que irrompe a eternidade - eterna idade. Pura fruição. Onde a vida é terna”.
Tanto a TV, a Internet, e outras mídias modernas, com seu novo conceito de tempo, nos oferece uma pálida metáfora da consciência que obteremos na Eternidade.

O conhecimento nos será acessível, não por informações sucessivas, mas por revelação. A diferença entre informação e revelação é que a primeira é mediada por alguém, enquanto que a segunda nos é diretamente transmitida por Deus. Em Jeremias 31:34, Deus nos garante: “Não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém a seu irmão dizendo: Conhecei ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior”. Teremos acesso irrestrito à Mente de Cristo (1 Co.2:16). Na verdade, já o temos hoje, entretanto, sofremos constantes interferências de nossa mente natural, o que produz algum tipo de “ruído”, e compromete a qualidade de nossa comunhão. Mas na Eternidade, em posse de um corpo glorificado, estaremos aptos a conhecer “as profundezas de Deus”, que nos serão reveladas pelo Espírito Santo (1 Co.2:10). Será como se substituíssemos a conexão de discagem de nosso computador, pela de banda larga. Estaremos sempre on-line com Deus.

Teremos um conhecimento panorâmico da realidade. Entenderemos onde as partes se encaixam na formação do Todo. E o mais importante: compreenderemos onde cada evento da vida encontra seu lugar na execução do supremo propósito.

Na Eternidade, todos os tesouros do conhecimento e da sabedoria, disponíveis em Cristo, nos serão acessíveis. Encontraremos respostas para as sete questões básicas: Quem, O quê, Por quê, Para quê, Onde, Quando e Como. O sujeito, o objeto, a razão, o propósito, o local, o tempo e o modo nos serão revelados.

Na Eternidade ouviremos a execução completa da Sinfonia da Vida, com todos os seus acordes, incluindo os graves, os agudos, e até mesmo os dissonantes.

Contemplaremos o grande mosaico da existência, e distinguiremos a figura que dele emergirá.

Por enquanto, o que vemos é o avesso daquilo que o Grande Artista está bordando. Mas lá veremos o outro lado, e apreciaremos estupefatos à Sua obra-prima.

A música nos oferece uma analogia interessante para o tipo de percepção de tempo que nossa consciência terá na Eternidade. Agostinho nos brinda com sua compreensão do tempo:

“Vou recitar um hino que aprendi de cor. Antes de principiar, a minha expectação estende-se a todo ele. Porém, logo que o começar, a minha memória dilata-se, colhendo tudo o que passa de expectação para o pretérito. A vida deste meu ato dividi-se em memória, por causa do que já recitei, e em expectação, por causa do que hei de recitar. A minha atenção está presente e por ela passa o que era futuro para se tornar pretérito. Quanto mais o hino se aproxima do fim, tanto mais a memória se alonga e a expectação se abrevia, até que esta fica totalmente consumida, quando a ação, já toda acabada, passar inteiramente para o domínio da memória”.[1]

Na Eternidade faremos uma síntese perfeita do tempo. Viveremos um “agora eterno”, síntese de sucessivos eventos.

A diferença entre a maneira como percebemos o tempo no “tempo”, e como o perceberemos na Eternidade é que, em nossa condição caída, nossa expectação quanto ao futuro vira ansiedade, nossa memória do passado produz saudade, e nossa experiência do presente é temor e angústia. Temos receio de que o que é bom termine. Queremos eternizar os momentos bons, e evitar os momentos desagradáveis. Não será assim na Eternidade. Não estaremos exprimidos entre a ansiedade, a saudade e a angústia. Nossa consciência, livre da corruptibilidade, processará a síntese perfeita. Nossa memória nos permitirá revisitar experiências maravilhosas que houvermos tido. Nossas lembranças serão tão perfeitas, que será como se revivêssemos tais experiências. Cada momento terá o peso de uma eternidade. Cada momento será como um degrau de uma grande escada espiralada. Dos andares superiores, pode-se ver perfeitamente os andares que já percorremos. Não perceberemos o tempo numa forma linear, mas espiralada, como são nossos genes, como são as galáxias.[2] O tempo, como o compreendemos agora, segue um padrão linear. É como uma linha esticada, com pontas nos dois extremos. Se quisermos ver o passado, temos que olhar para trás. O futuro se nos apresenta como algo que está à frente. Já na eternidade, perceberemos o tempo como um carretel de linha. Passado, presente e futuro estarão sempre “presentes” nesse carretel eterno, sobrepondo-se uns aos outros. O tempo se apresentará em forma de espiral, como o fio telefônico ou uma mola.

Não haverá evento algum do qual queiramos nos esquecer. Não haverá porão em nossa alma, para que nele lancemos nossas lembranças dolorosas. Mesmo as experiências ruins que tenhamos tido durante o tempo de nossa peregrinação, serão relembradas de um modo diferente. Isso porque as entenderemos em um contexto mais amplo. Constataremos a veracidade da promessa que diz que todas as coisas cooperam em conjunto para o bem daqueles que amam a Deus, e que foram chamados segundo o Seu propósito (Rm.8:28). Eis a palavra mágica: propósito.

Veremos não apenas os fatos isolados, mas as conexões entre eles. Tudo fará sentido. E isso resultará num tipo de louvor e adoração até então desconhecido. Nosso culto racional será plenamente consciente.

[1] Santo Agostinho LIVRO XI, 28 das Confissões.
[2] O DNA tem a forma de espiral, e sua função transmitir informações acerca das características de cada indivíduo. As galáxias também possuem forma espiralada, e segundo recentes teorias, o Universo funciona como uma computador, processando informações.

quarta-feira, setembro 13, 2006

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O Pecado Inaugural e o Inconsciente Coletivo
Por Hermes C. Fernandes

As Escrituras afirmam que “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm.5:12). Adão inaugurou uma era entre os homens: a era da morte. Ele foi a porta de entrada do mais infectante vírus de que se tem notícia: o pecado.

Por causa da rebelião original, todos os homens herdaram de seus primeiros pais a tendência ao pecado.

O chamado ‘pecado original’ tornou-se, numa linguagem psicológica, um poderoso arquétipo, que tem assombrado o Inconsciente Coletivo. Carl Gustav Jung, o grande psicólogo suíço, chama esse arquétipo de “a sombra”. Segundo ele, este lado sombrio e obscuro da natureza humana é responsável pelo aparecimento, na consciência e no comportamento, de pensamentos, sentimentos e ações desagradáveis e socialmente reprováveis.

De acordo com a teoria junguiana, o inconsciente coletivo é uma espécie de depósito, onde são armazenados traços de memória herdados do passado ancestral do homem. Os componentes estruturais do inconsciente coletivo são chamados por vários nomes: arquétipos, dominantes, imagens primordais, imagos, padrões comportamento.

Se cada inconsciente individual é semelhante a um porão particular, onde acumulamos nosso lixo psicológico, o inconsciente coletivo pode ser comparado a um lixão, um depósito de lixo comunitário.

Podemos ainda comparar o inconsciente individual à memória de um computador doméstico. Tudo o que foi armazenado, pode ser acessado a qualquer momento. Já o inconsciente coletivo é como a Internet. Tá tudo ali, basta só acessar.

Adão foi responsável pelo arquétipo primordial. Ele inaugurou o grande depósito de lixo da humanidade. Cada ser humano que por aqui passou, só fez aumentar a montanha de detritos.

Não somos culpados pelo pecado de Adão, como alguns religiosos apregoam. Somos culpados por nossos próprios pecados. O fato é que o pecado de Adão comprometeu toda a raça. Segundo Paulo, “pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores” (Rm.5:19a).
O pecado de Adão tornou-se o pecado inaugural, tornando-se o arquétipo matriz. A partir daí, toda a raça adâmica seria refém dessa matrix[1]. Paulo chama esses arquétipos de “fortalezas espirituais”, construídas a partir de raciocínios e altivez contrários à verdade de Deus.
Jesus, o segundo Adão, recapitulou em Sua vida terrena, todas as etapas vividas pela humanidade, e por não ter incorrido no mesmo erro de Adão, lançou a pedra fundamental de uma nova humanidade. A obediência de Cristo, descrita com maestria em Filipenses 2, erigiu um novo arquétipo, sobre o qual é construída a Igreja de Cristo, embrião do Novo Mundo. “Assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (v.19b). Por isso, Paulo exortou aos filipenses, a que apresentassem “o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp.2:5a).

Ora, se há uma nova humanidade em formação, ramos da Videira Verdadeira, participantes de Sua seiva, logo, há também um novo inconsciente coletivo, onde novos arquétipos estão sendo erigidos.

Em sua visão, registrada no livro de Apocalipse, João descreve a nova humanidade de forma alegórica, como a Nova Jerusalém. Entre as várias características da cidade celestial, João diz que “a praça da cidade era de ouro puro, como vidro transparente” (Ap.21:21b). Ora, a praça é um lugar público, onde as pessoas se encontram, e desenvolvem laços sociais. A praça diz respeito àquilo que nos é comum. Creio tratar-se do novo inconsciente coletivo. Em vez de ser um depósito de lixo, que deve ser mantido fora do olhar de todos, a praça é de ouro puro, semelhante a vidro transparente. O que acontece abaixo do solo não precisa ser escondido. Todos sabem sobre o quê estão andando.

[1] A palavra “matrix” usada como título de um filme significa literalmente “matriz”. O pecado tornou-se a “matrix” do qual todos já nascemos reféns.

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Duas Árvores, duas Cosmovisões
Por Hermes C. Fernandes

Segundo o texto bíblico, dentre as árvores do Éden, duas sobressaíam: a Árvore da Vida e a do Conhecimento do Bem e do Mal. Apenas a segunda foi vetada ao homem. A Árvore da Vida é o próprio Cristo, que nos oferece uma visão integrada da vida. É a Vida em sua plenitude, sem rupturas, sem dualismo. Enquanto o homem se alimentasse de seus frutos, a eternidade lhe estaria garantida.

Já a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal lhe abriria os olhos para uma realidade dualista. Ao comer do seu fruto, o homem teve a sua consciência afetada, e passou a fazer uma nova leitura da realidade.

A natureza, antes aliada do homem, passou a ser encarada como hostil.

Se antes tudo era tido como sagrado, depois de ingerir o fruto do conhecimento do bem e do mal, tudo foi dividido entre “sagrado” e “profano”. A ruptura, porém, não era no mundo exterior, mas no interior do homem.

Surgia o dualismo, no lugar da dualidade. Céu e terra, em vez de serem dois lados de uma mesma realidade, passaram a ser entendidos como duas realidades distintas e excludentes. Eis a diferença entre dualismo e dualidade. A dualidade comporta duas faces de uma mesma realidade, e que se complementam. Enquanto o dualismo aponta a existência de duas realidades opostas.

De certa maneira, poderíamos dizer que não apenas o homem foi expulso do Paraíso. O Paraíso foi expulso do homem. A realidade harmônica na qual fora criado, tornou-se utopia. O Estado Eterno no qual vivia o homem, onde imperava a estabilidade, deu lugar à sucessão de conflitos que chamamos de História. O homem passou a viver em uma realidade ordenada pela lógica dialética. Caberia à consciência tentar produzir uma síntese de opostos, a fim que a realidade se tornasse compreensível. A harmonia tornou-se conflito, a ordem revelou-se como caos. Seus fantasmas interiores se projetavam diante dos seus olhos, assombrando-o dia e noite.

Jesus veio desfazer a obra do diabo, que é a personificação da Ruptura. Dia-bólico é tudo aquilo que divide, que antagoniza, que desarmoniza.

É o sangue de Cristo, derramado na Cruz, que purifica nossa consciência, e a restaura do estrago causado pela Queda. Uma vez restaurada, nossa consciência passa a perceber o mundo com outros olhos, e passamos a nos relacionar de maneira sadia com o ambiente do qual somos parte. O conflito dualista dá lugar à harmonia. O que se digladiava, passa a complementar-se. O profano dá lugar ao sagrado. Não há mais lugares mais santos do que outros, onde devamos adorar a Deus. Antes, é o coração santificado, e a consciência purificada, apaziguada e unificada que oferece o cenário onde o homem pode adorar a Deus “em espírito e em verdade”.

Cabe à Igreja de Cristo, que é a comunidade formada por aqueles cuja consciência foi reconciliada com Deus, agir no mundo para reduzir os conflitos, pacificando através das melhorias das condições de vida; da redução das desigualdades sociais, e da restauração da natureza. Enquanto trabalha, a Igreja conclama os homens a serem também reconciliados com Deus e com seus semelhantes.

segunda-feira, setembro 11, 2006

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Arquitetos apresentam projeto para novo World Trade Center


O primeiro projeto completo do novo World Trade Center foi apresentado em Nova York poucos dias antes do aniversário de cinco anos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
Os arquitetos britânicos Norman Foster e Richard Rogers e o japonês Fumihiko Maki mostraram seus planos para três novos prédios que serão construídos ao lado do edifício Freedom Tower (Torre da Liberdade), que também será construído no local.
O projeto é impressionante. Um dos prédios do complexo mudaria de cor no decorrer do dia.

A construção deste complexo visaria resgatar a auto-estima do povo novaiorquino, e o orgulho americano, abalados pelos atentados de 11/9 de 2001.

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Cinco anos após o 11/9, terror ainda assombra os EUA

Cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos se encontram no atoleiro do sangrento conflito no Iraque, comprometidos, além disso, na chamada "guerra contra o terrorismo" que coloca em xeque as liberdades que definem a identidade do país.
Em 11 de setembro de 2001, num dia ensolarado, 19 seqüestradores piratas aéreos causaram a morte de cerca de 3 mil pessoas e acabaram com o mito da invencibilidade dos Estados Unidos desde a queda do império soviético no início dos anos 90.
Naquele dia, enquanto o pó das Torres Gêmeas do World Trade Center cobria Nova York, o incêndio do Pentágono dava tons vermelhos ao céu da capital federal e um quarto avião era derrubado na Pensilvânia, numa espécie de "noite que caiu sobre um mundo diferente", segundo palavras do presidente George W. Bush.
Dias depois, de pé sobre os escombros do WTC, o presidente americano se apresentou como um chefe de guerra, disposto a liderar o debate político interno e as ações americanas no exterior com sua "guerra antiterrorista".
Cinco anos depois, os primeiros êxitos previstos parecem distantes, como a vitória sobre o regime dos talibãs em novembro de 2001 no Afeganistão, onde a violência se intensificou nos últimos meses.

Bin Laden foragido e outros fracassos

Bush também não cumpriu com sua promessa de "capturar vivo ou morto" o terrorista Osama bin Laden, o cérebro dos atentados do 11/9 e que conseguiu escapar dos soldados americanos apesar dos intensos bombardeios aliados nas montanhas do Afeganistão.
Apesar de não ter capturado o líder da Al-Qaeda, o presidente republicano obteve uma cômoda reeleição em novembro de 2004, mesmo com as tropas de seu país sofrendo mais mortes do que o inicialmente previsto na invasão ao Iraque, um país que ele atacou em 2003 em nome de sua luta antiterrorista, sem o aval da ONU.
Os militares americanos não só não encontraram as armas de destruição em massa que seu governo usou de pretexto para atacar o regime de Saddam Hussein, como sequer foram recebidos de braços abertos pela população que teoricamente foram libertar.
Três anos mais tarde, a entrada triunfal dos soldados americanos em Bagdá, em abril de 2003, e a posterior declaração de Bush de que a guerra havia terminado são apenas um recordação.
Hoje em dia, regiões inteiras do Iraque estão submetidas a uma violência diária e a oposição à guerra não pára de crescer nos Estados Unidos, principalmente nas fileiras do Partido Democrata.

Caos no Iraque e tortura

Desde 2003, mais de 2,6 mil soldados americanos morreram no Iraque, sem falar nos 3,2 mil iraquianos mortos apenas na capital nos últimos dois meses, segundo balanço das autoridades locais.
Ao mesmo tempo, os tribunais americanos questionam a legalidade dos meios utilizados pelo governo para conduzir sua luta antiterrorista.
Nos Estados Unidos, a Suprema Corte invalidou os tribunais estabelecidos pelo presidente para julgar os presos de Guantánamo e o governo tem dificuldades para justificar seu programa de escutas telefônicas sem mandato legal e o uso de tortura nos interrogatórios.
Frente às críticas, os partidários do presidente recordam que nenhum atentado foi cometido em território americano desde 11 de setembro, enquanto as bombas da Al-Qaeda explodiram em Madri, Londres e Índia.
Quando faltam ainda mais de dois anos de mandato e a dois meses das eleições para o Congresso, Bush perdeu parte de sua popularidade nas pesquisas, apesar de tampouco não ter desabado mesmo com as más notícias provenientes do Iraque.
Seu secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, continua no cargo apesar das inúmeras críticas sobre sua gestão da guerra no Iraque, apesar dos inúmeros pedidos para que renuncie.
A revelação dos vôos de prisioneiros secretos da CIA que aterrissaram em vários países europeus também deixou incomodados os muitos aliados que Washington havia conseguiu no mundo através da solidariedade frente à tragédia sofrida pelo país.

Apoio a Israel

Paralelamente, o apoio incondicional a Israel, inclusive nos momentos de maior tensão no Líbano, danificou ainda mais as relações que os Estados Unidos tentavam estabelecer com o mundo árabe, onde várias pesquisas revelaram a crescente desconfiança que Washington gera na região.
"A diplomacia americana não conseguiu isolar os terroristas e sim os Estados Unidos", assegurou James Dobbins, especialistas do Centro de Investigações RAND Corporation.
Em seus diferentes discursos depois do 11 de setembro, Bush assegurou que lutava contra o "eixo do mal" constituído pelo Iraque, Irã e Coréia do Norte, e também advertiu ao resto do mundo que "quem não está conosco, está contra nós".
De fato, o presidente continua sem perdoar o colega do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapataro, a retirada das tropas mobilizadas no país árabe por seu predecessor conservador José María Aznar, amigo e estreito aliado do presidente americano.
O pânico que se apoderou do país há cinco anos, alimentado pelos alertas regulares do ministério da Segurança Interna, já se reduziu, com exceção em cidades como Washington e Nova York, onde a população continua sensível ao medo.
Mas desde os frustrados atentados aéreos de Londres e à medida que se aproximam as eleições de novembro, vários aviões foram desviados e os controles multiplicados nos aeroportos.

Fonte: Redação Terra

sexta-feira, setembro 08, 2006

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Coração artificial é aprovado para uso nos EUA

Uma empresa chamada Abiomed anunciou um coração artificial capaz de substituir as funções do orgão. O disposito já foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), a entidade que regula e fiscaliza a fabricação produtos da área da saúde nos Estados Unidos.
O coração artificial, chamado de AbioCor, já pode ser comercializado, mas somente para pacientes que esgotaram todas as outras opções de tratamento. O dispositivo foi apresentado nesta sexta-feira, pelo presidente, Michael Minogue, e pelo chefe do laboratório, Robert Kung, na sede da empresa, na cidade de Danvers, Massachusetts.
Além do coração artificial, são implantados no corpo do paciente um controlador e uma bateria, entre outros elementos. As informações são da agência de notícias Associated Press.

Fonte: Terra

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Cristo, a Vacina
Por Hermes C. Fernandes

A criação fora infectada por um vírus letal: o pecado. Era como um famigerado câncer, que corroendo-a por inteiro. Não se trata apenas de um mal moral, mas de uma espécie de epidemia de repercussão cósmica.

Somente uma poderosa vacina livraria a Criação desse vírus. Paulo escreve: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2 Co.5:21). Como toda vacina, Cristo teria que entrar no corpo infectado, para expurgar o vírus. E foi o que, de fato, Ele fez. O corpo infectado a que me refiro é o Universo. O Deus transcedente, isto é, que vive para além do Universo, Se fez imanente, penetrando a Criação, para restaurar sua saúde original.

Por Sua morte, Cristo restaurou a saúde do Universo. O pecado foi banido! Embora os sintomas pareçam persistir, o vírus já foi eliminado. Paulo nos informa que “Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (Rm.8:3b).

Diferente dos sacrifícios exigidos na Antiga Aliança, que tinham que ser renovado ano após ano, o sacrifício de Cristo foi definitivo. Não se trata de um remédio em doses homeopáticas, mas de uma única dose. “Doutra forma”, declara o escritor sagrado, “necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb.9:26).

A vacina foi preparada de antemão, antes mesmo da criação do cosmos. Por isso se diz que o Cordeiro foi morto desde antes da fundação do mundo. Mas a aplicação dela se deu na plenitude dos tempos, quando Cristo Se humanizou.

Uma vez livres do poder do pecado, somos reintroduzidos no projeto original de Deus: a eternidade. Uma vez vacinados, não há como ser infectados novamente. Nas palavras de Paulo, simplesmente estamos “mortos para o pecado” (Rm.6:11). Ele não exerce mais o mesmo poder que antes tinha sobre nós. “Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação,e por fim a vida eterna” (Rm.6:22). Esse “por fim” não deve ser entendido como sendo algo que só teremos no fim de todas as coisas. Creio que a vida eterna é pra ser usufruída agora. Esse “por fim” significa “por objetivo”. O objetivo de Deus ao nos libertar do poder do pecado, é conceder-nos a vida eterna.

O amor de Deus exige que o objeto amado se torne eterno. É porque o “seu amor dura para sempre” (Ed.3:11), que “tudo o que Deus faz durará eternamente” (Ec.3:14). O único empecilho a isso era o pecado. Porém esse foi definitivamente vencido na Cruz.

quinta-feira, setembro 07, 2006

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O tempo como percebido pela Consciência
Por Hermes C. Fernandes

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Co.13:11). Em nossa infância, percebemos o tempo de maneira diferente de quando chegamos à idade adulta. A impressão que tínhamos era de que o tempo passava bem devagar. Quanto mais almejávamos a chegada das férias, mais elas pareciam distantes. Contávamos os dias e as horas, até que, depois de uma “eternidade”, elas finalmente chegavam. Qual a criança que nunca quis que o tempo passasse mais rápido pra que chegasse logo a idade adulta, em que ela pudesse sair sozinha, ou comprar o que quisesse? Porém, depois que alcançamos a maturidade, o tempo parece correr. Temos saudades de quando éramos crianças, e gostaríamos de ter a oportunidade de voltar no tempo e aproveitar mais nossa infância.

Quanto mais avançamos no tempo, mais rápido ele parece passar. De uma natal para o outro é um pulo. Se pudéssemos, pelo menos, congelar o tempo! Ou quem sabe, manter nossos filhos sempre crianças, e nosso cônjuge sempre jovem!

Embora pareça que o tempo se acelere com o passar do tempo (desculpe a redundância!), o fato é que nossos anos continuam tendo 365 dias, nossos dias continuam tendo 24 horas, e nossos minutos ainda têm 60 segundos. O tempo continua o seu percurso sem qualquer alteração. É nossa percepção que muda, devido a nossa consciência.

Para exemplificarmos a relatividade da percepção que temos do tempo, imagine os 50 segundos vividos numa montanha russa. Eles parecem uma eternidade. Ou ainda: quanto tempo pareceu durar sua última visita ao dentista? O barulho daquele motorzinho fez com o tempo se prolongasse. Mas quando você está numa atividade prazerosa, que você gostaria que se estendesse um pouco mais, parece que o tempo voa. Contudo, não é o tempo que se altera. Ele permanece o mesmo. O que muda é a percepção que se tem dele.

De acordo com Piaget, nossas idéias sobre o tempo não são inatas, mas resultam de construções lógicas que se originam da experiência e da ação. A construção do conceito de tempo é longa e complexa, atravessando etapas distintas. Quando crianças, começamos a elaborar nosso conceito de tempo a partir do desenvolvimento da linguagem. A criança só constrói a noção de tempo quando é capaz de perceber a duração e a sucessão do tempo (simultaneidade) e o fato de que não é possível parar o tempo (continuidade). Aos poucos ela vai entendendo o significado das palavras “ontem”, “hoje”, “amanhã”, “agora”, “depois”. Até que domine a linguagem, ela poderá cometer erros do tipo: “Amanhã eu fui passear com meu pai”, ou “ontem eu irei...” Com o tempo ela vai se aperfeiçoando, passando a compreender a divisão do tempo em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos. Tão logo seja alfabetizada, a criança aprende a contar as horas no relógio.

A impaciência da criança com o tempo é patente. Quem nunca se aborreceu com o filho perguntando insistentemente durante o trajeto de uma viagem: “Ainda falta muito pra chegar?”
São perguntas como esta que demonstram que desde cedo nós aprendemos que tempo e espaço estão intimamente relacionados. Inocentemente, intuímos o que a física moderna só tornou em teoria no século passado. De acordo com a teoria da relatividade de Albert Einstein, espaço e tempo estão interligados.[1] Tempo e espaço, de fato, estão interligados indissoluvelmente.
O que liga o tempo ao espaço é o movimento. Por isso, todos os inventos para se medir o tempo se baseiam em algum tipo de movimento como o dos ponteiros ou pêndulo de um relógio, da areia na ampulheta, ou da sombra de um relógio de sol. Algo se movimenta quando ocupa posições diferentes no espaço. Percebemos, então, que não se pode conceber o tempo ou espaço como entidades isoladas, antes formam um conceito integrado de uma entidade que a Física passou a chamar de espaço-tempo quadrimensional (três dimensões para o espaço e uma para o tempo).O tempo, portanto, pode ser concebido como a "distância" que um determinado fato está em relação ao agora.

É dentro do binômio tempo-espaço, que o ser humano tem a oportunidade de se desenvolver, alcançando novos níveis de consciência.

Se não quisermos desperdiçar nossa vida, deixando-a aquém de nossas expectativas, precisamos cuidar do aqui-e-agora. É o que semearmos no aqui-e-agora, que nos fará ir além.

Aproveitar o aqui-e-agora é o que Paulo chama de “remir o tempo” (Ef.5:15-16). A palavra grega para “remir” é o particípio médio presente de exagoradzo, que significa “libertar da escravidão”. Na voz média significa “garantir para si mesmo” ou “salvar de perda”. Portanto, “remir o tempo” quer dizer poupar o tempo, garantir que ele não seja desperdiçado.

Num certo sentido, poderíamos dizer que não é o tempo que passa, e sim, nós que passamos por ele. A Bíblia confirma tal fato: "O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e cheio de inquietação. Nasce como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece....Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; tu lhe puseste limites, e ele não poderá passar além deles." (Jó 14:1,2,5). Lemos ainda: "A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos" (Salmos 90:10). Quão incômoda é esta verdade: Nós voamos! Não é o tempo que voa, somos nós. Por isso, devemos aproveitar ao máximo o tempo de que dispomos, não deixando escapar nenhuma das oportunidades que nos forem dadas. O grande gênio renascentista Leonardo da Vinci queixou-se de não ter tido tempo suficiente para fazer tudo o que desejava ter feito.

Há ainda duas passagens dos Salmos que chamam nossa atenção acerca disso. No salmo 39:4 lemos: "Faze-me conhecer, ó Senhor, o meu fim, e qual a medida dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou". Já o Salmo 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio”. Estar consciente do tempo de que dispomos nessa vida nos faz humildes e sábios. Portanto, o tempo possui um valor pedagógico para o homem.

[1] "Algumas vezes me pergunto do porque de ter sido eu quem desenvolveu a teoria da relatividade. A razão, eu acho, é que um adulto normal nunca pára e pensa na questão do tempo e do espaço - essas coisas são pensadas quando criança. No entanto, meu desenvolvimento intelectual foi atrasado, o que me fez pensar sobre isso apenas quando mais velho." - Albert Einstein

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Consciência e Cosmovisão
Por Hermes C. Fernandes

Nossa consciência não determina o Cosmos, porém, determina nossa Cosmovisão[1]. Nosso olhar está cativo de nossos próprios paradigmas. Chamamos de paradigmas as estruturas intelectuais que nos fazem enxergar o mundo de uma determinada maneira. Paulo as chama de “fortalezas”, e diz que Deus nos disponibiliza recursos espirituais, capazes de demoli-las, a fim de que obtenhamos o “conhecimento de Deus”, e nosso pensamento se comprometa a obedecer a Cristo (2 Co.10:4-5).

Esse mundo mau que nos rodeia, nada mais é do que a projeção de consciências contaminadas pelo pecado. Foi Paulo quem declarou que “todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente como a sua consciência estão contaminadas” (Tt.1:15).

A priori, o problema não está no mundo, mas em nós. O escritor de Hebreus afirma que o objetivo pelo qual o sangue de Cristo foi derramado foi o de purificar “a nossa consciência” (Hb.9:14). Os sacrifícios oferecidos sob a Antiga Aliança mostraram-se ineficazes quanto à consciência, uma vez que “não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto” (Hb.9:9). Somente um coração “purificado de má consciência” está apto a aproximar-se de Deus (Hb.10:22).

Uma vez tendo a consciência purificada, passamos a enxergar o mundo de um outro prisma. Nossos olhos espirituais se abrem para o que Paulo chamou de percepção das coisas excelentes (Fp.1:9-10).

Há um “mundo” que é obra de Deus, e não do acaso. Esse é o mundo das coisas excelentes, que só são percebidas por quem teve sua consciência sarada. E há um mundo que é constructo humano; um sistema de valores antagônicos aos princípios que regem o Reino de Deus. O primeiro, por ser obra de Deus, é bom, ou melhor, “muito bom!”, de acordo com a avaliação do próprio Criador. Por isso, deve ser admirado, apreciado, e recebido com ações de graça (1 Tm.4:4). Já o segundo, é inimigo de Deus, e por isso, não deve receber nosso amor e apego. A amizade a esse mundo é inimizade a Deus (Tg.4:4; 1 Jo.2:15; 1 Co.7:31). Não há qualquer contradição entre passagens que dizem que Deus ama o mundo, e as que dizem que não devemos amar o mundo. O mundo que é amado por Deus é obra de Suas mãos, e o que deve ser renunciado por nós é um sistema erigido sobre a vaidade humana.

O território mais cobiçado por Satanás é a consciência humana. É ali que se ganha ou perde a batalha da vida.

Foi a consciência de Adão e Eva que foi afetada na Queda. Os “cardos e abrolhos” que a terra passaria a produzir a partir de então, seriam resultantes das projeções de uma consciência danificada pelo pecado.

[1] Maneira como vemos ou interpretamos a realidade.

quarta-feira, setembro 06, 2006

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A Consciência e o Universo
Por Hermes C. Fernandes


Os sentidos são as janelas pelas quais percebemos a realidade.

São eles que nos fornecem os tijolos com os quais construímos nossa subjetividade. Por eles nosso universo interior se mantém em permanente comunicação com o Universo externo. Porém, é de crucial importância avaliarmos o grau de confiabilidade de nossos sentidos. Será que as informações que recebemos por eles são 100% seguras? Então, vejamos: Segundo eles, a Terra é plana. Eles não se dão conta de que ela é esférica. Somos também informados de que o solo onde andamos está parado, embora saibamos que ele gira à uma incrível velocidade pelo Espaço Sideral. Dada a falibilidade de nossos sentidos, somos advertidos pela Bíblia a andarmos por fé, e não por vista (2 Co.5:7). É a fé que nos faz entender que o mundo visível “não foi feito do que se vê” (Hb.11:3).

Os animais percebem o mundo de maneira bem diferente de nós. Em todo o reino animal, somente os chimpanzés e os golfinhos são capazes de se reconhecerem no espelho. A abelha não é equipada para ver no nosso usual comprimento de onda. Elas utilizam o ultravioleta. Por isso, ao olhar uma flor, o que ela vê é totalmente diferente daquilo que chamamos de flor. A cobra vê na região do infravermelho, e a imagem que capta não se assemelha em nada à que vemos. Já o morcego percebe os objetos pelo uso do ultra-som.

Outro dado espantoso, e que tem intrigado os cientistas, é a capacidade dos animais de preverem catástrofes naturais, como erupções vulcânicas, tsunamis e terremotos. Horas antes, eles se retiram para lugares seguros.

A consciência e a percepção

Nas palavras de Sigmund Freud, “o processo de algo tornar-se consciente está, acima de tudo, ligado às percepções que nossos órgãos sensoriais recebem do mundo externo”.[1]

Partindo desta premissa, concluiremos que a consciência é o processo de representação mental, subjetiva, de uma realidade concreta, externa e objetiva, que é desencadeado pela percepção, vínculo que promove a mediação entre as realidades externa e interna. A consciência seria tão-somente a realidade externa que se interioriza, que se introjeta. Através dos cinco sentidos, assimilamos o mundo à nossa volta.

Esta definição, porém, não consegue abordar todos os aspectos da consciência. De acordo com as mais recentes descobertas científicas, muito mais do que uma introjeção da realidade, a consciência é uma projeção desta realidade. Não é a realidade objetiva que é introjetada em nossa consciência, mas a realidade subjetiva, construída em nossa consciência que se projeta no Universo.

O Universo seria como uma imensa tela, onde nossa consciência desenha sua própria obra de arte, com cores exclusivamente suas. Cada consciência elabora sua própria arte. Se pudéssemos ver o mundo com os olhos de outra pessoa, talvez nos déssemos conta de que o nosso “vermelho” não é o “vermelho” dela. Não é em vão que se diz que “gosto não se discute”. O que pra uns é belo, para outros é feio. O que para uns é delicioso, para outros é repulsivo. A neurociência tem concluído que cada pessoa faz sua própria “leitura” do mundo.

Cabe aqui salientar que o Universo possui existência real, concreta, ao contrário do que dizem alguns místicos ligados à Nova Era e às seitas orientais. Segundo eles, o Universo não passa de uma ilusão, construída pela mente humana. Trata-se de uma afirmação equivocada, popularizada por Amit Goswami, físico quântico, escritor do famoso livro “O Universo Auto-consciente”. Nele, Goswami defende que a consciência é que constrói o Universo físico. Seus argumentos, embora pareçam razoáveis, não podem ser comprovados, e por isso, têm sido constantemente bombardeados nos meios acadêmicos. Só poderíamos concordar com Goswami, se a consciência de que ele fala fosse a Consciência Divina. Aí sim, poderíamos admitir que a Consciência é a criadora do Universo físico.

Poderíamos até chegar ao ponto de afirmar que Deus é a Suprema Consciência do Universo. Em contra-partida, não podemos cair no erro do panteísmo[2], que afirma que o Universo físico é o corpo de Deus. Não podemos confundir a criatura com o Criador (Rm.1:25).O Criador existe antes da criação, e embora lhe seja imanente, Ele a transcende. Uma coisa é dizer que Deus está em tudo (imanência), e através de tudo Se revela (Rm.1:20). Outra, bem diferente, é dizer que tudo é Deus. Dizer que Deus transcende o Universo, é o declarar que Ele existe para além dele. Onde o Universo se finda, Deus continua. A Bíblia diz que o céu não O pode conter! Entretanto, Deus Se relaciona com a Sua criação, da maneira como a nossa consciência se relaciona com o nosso corpo. Dallas Willard nos descortina esta realidade:

“Sou um ser espiritual que tem atualmente um corpo físico. Eu ocupo meu corpo e seus arredores pela consciência que tenho dele e pela minha capacidade de exercer a vontade de agir com ela e por meio dela. Eu ocupo o meu corpo e seu espaço circundante, mas não posso ser localizado nele ou em torno dele. Você não consegue me encontrar nem encontrar os meus pensamentos, sentimentos e características de personalidade em parte nenhuma do meu corpo. Se você quiser me encontrar, a última coisa que deve fazer é abrir o meu corpo para dar uma olhada. Viajar pelo espaço e não encontrar a Deus não significa que Deus não está lá, assim como viajar pelo meu corpo e não me encontrar não significa que eu não estou aqui. Podemos dizer que Deus se relaciona com o espaço do mesmo modo como nos relacionamos com o nosso corpo. Ele o ocupa e transborda, mas não pode ser localizado nesse espaço. Cada ponto do espaço está acessível à consciência e à vontade divinas, e a sua presença manifesta pode ser concentrada em qualquer ponto que ele julgue adequado”.[3]

Podemos afirmar que a Consciência Divina não apenas cria o Universo, tanto físico quanto espiritual, como também o preenche e o preserva. Tommy Tenney, famoso escritor evangélico, identifica Deus como “aquela ‘partícula’ do núcleo atômico que os físicos nucleares podem rastrear, mas não podem ver. O Evangelho de João aborda esta qualidade divina quando diz: ‘... e sem ele nada do que foi feito se fez’ (João 1:3). Deus está em tudo e em todos os lugares. Ele é a essência de tudo que existe, é o vínculo que mantém unidos todos os componentes do Universo e que sustenta a integridade de cada um destes componentes!” [4] Ele é a Consciência que não apenas observa, mas interage com o Sua obra. A realidade é fruto dessa Consciência.

Quanto a consciência humana, o que ela é capaz de alterar não é a realidade em si, mas a percepção que se tem desta mesma realidade. Ela só interfere na realidade à medida que leva o indivíduo a uma ação concreta.

Muito antes de a consciência tornar-se objeto de estudo da psicologia, da neurociência, e da física quântica, Jesus disse: “A lâmpada do corpo são os olhos. Se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que em ti há são trevas, quão grandes são essas trevas!”(Mt.6:22-23). Em outras palavras, o subjetivo afeta o objetivo.

[1] Freud, S. – Esboço de Psicanálise, In Os Pensadores. Pp. 210.
[2] Doutrina que defende que tudo é Deus, desde os micróbios até as galáxias.
[3] Willard, Dallas. A Conspiração Divina. São Paulo: Mundo Cristão, 2001, pp.94s.
[4] Tenney, Tommy, Os Caçadores de Deus, Belo Horizonte, Dynamus, 2000, p.54