quinta-feira, agosto 31, 2006

2

Um Mundo que jaz, e outro prestes a nascer
Por Hermes C. Fernandes

As Escrituras afirmam que o Mundo jaz no Maligno. Na Cruz, o Velho Mundo recebeu o golpe fatal. O último suspiro de Cristo foi o último suspiro daquele mundo iniciado em Adão. Por isso Paulo podia declarar convictamente que o mundo fora crucificado. Ele agora é um cadáver em decomposição. Já morreu, mas ainda mantém a aparência de que vive. Mas a aparência deste mundo passa. Não há pulsação, nem reflexo, apenas aparência.

A Cruz não foi apenas um lugar de morte. Foi também um lugar de Concepção. De acordo com Paulo, céu e terra convergiram em Cristo, e na Cruz contraíram núpcias. E o fruto desta união é a concepção de um novo mundo.

O Novo Mundo é uma criança recém-concebida, ainda em estado embrionário, mas prestes a nascer. Já fora concebido, mas ainda não nasceu. Está sendo gerado no útero da igreja de Cristo.
A hora do parto se avizinha. E quanto mais próxima, mais fortes são as contrações, as tais dores de parto a que se referem Jesus e Paulo. Terremotos, tsunamis, furacões, e outros catlamismos são contrações de uma criação em estado avançado de gravidez. Aumenta-se a intensidade das contrações, e diminui-se o intervalo entre elas. Já, já, a bolsa vai se romper, e um novo céu e uma nova terra virão a tona.

2

Vaticano: Extraterrestres também seriam criaturas de Deus


O novo diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, o Jesuíta argentino José Gabriel Funes, disse que existem outras estrelas semelhantes ao Sol e planetas parecidos com a Terra, porém reafirmou que “até hoje não existem provas sobre outras formas de vida”, ainda que tenha deixado aberta a possiblidade de que exista.

O sacerdote argentino está à frente do Observatório desde 19 de Agosto, quando foi nomeado pelo papa Bento XVI para substituir George Coyne, que deixou seu cargo depois de 26 anos.
- Acredito que a vida pode ter se desenvolvido em outros sistemas solares. Pensemos que o Universo é composto por bilhões de galáxias e que cada galáxia é composta por bilhões de estrelas – disse Funes, um cientista reconhecido mundialmente. – É possível que existam estrelas semelhantes ao nosso Sol e planetas parecidos com a Terra – acrescentou Funes em entrevista à agência Anses, logo após retornar de Praga, onde os astrônomos resolveram que o Sistema Solar tem apenas oito planetas e não nove.

“Entretanto”, disse, “até hoje não existem provas sobre a existência de outras formas de vida. De qualquer modo, se existissem, os extreterrestres para a teologia não seriam um problema, eles também seriam criaturas de Deus”. O religioso brincou dizendo que “se existissem Ets deveriam ser considerados nossos irmãos. Se São Francisco falava de seu irmão lobo, nós temos que falar de irmão ET”.

Fonte: Jornal O Globo

quarta-feira, agosto 30, 2006

4

Abençoada
Esposa de pastor dá à luz bebê gigante

O Pastor Mário Ribeiro da Silva, de 40 anos, diz que sonhou com a gravidez da esposa e teve uma revelação de que seria uma menina. O que ele não esperava é que fosse nascer uma super-menina. Com dois dias de vida e inacreditáveis 6 quilos 360 gramas e 65 centímetros, Isabel Vitória dos Santos Ribeiro virou a atração do quarto seis do Hospital Rocha Faria, na zona oeste do Rio. Ela mal cabe no berço da maternidade e muito menos nas roupas do enxoval. Apesar das medidas nada convencionais para uma recém-nascida, ela e a mãe, a dona-de-casa Elisa Maia dos Santos Ribeiro, de 36 anos, passam bem e terão alta amanhã. Na gestação, Elisa desenvolveu diabete. Segundo o pediatra Sidney Ferreira, se o bebê for filho de uma mãe diabética, o risco de ele nascer acima do peso e com glicose baixa é grande. Isabel possui medidas de um bebê de cinco meses.

Fonte: Rádio Melodia

terça-feira, agosto 29, 2006

1

Polêmica na medicina
Método de criação de célula-tronco sem o sacrifício de um embrião

A Advanced Cell Technology, da Califórnia, desenvolveu uma tecnologia que pode acabar com o debate ético nos EUA sobre as células-tronco embrionárias, que até então só podiam ser obtidas com a destruição de embriões humanos. "Para as pessoas mais racionais, isso remove a última objeção racional para se opor a esta pesquisa", disse Robert Lanza, cientista-chefe da Advanced Cell, em entrevista no centro de pesquisas da empresa, em Worcester, Massachusetts. A Casa Branca se manifestou sobre a nova técnica na quinta-feira, dizendo-se animada. Em julho, o presidente George W. Bush vetou uma ampliação das verbas federais para pesquisas com células-tronco embrionárias, por considerar que contribuintes que se opõem a elas não devem arcar com seu custo. O principal argumento dos adversários das pesquisas é que destruir os embriões equivale a acabar com uma vida humana em potencial. Alguns especialistas disseram que a técnica anunciada na quarta-feira não resolve os debates éticos e políticos que há anos dividem o país. Embora Lanza duvide do apoio de Bush, ele disse torcer para que o novo método agrade uma quantidade suficiente de senadores e deputados para derrubar o veto presidencial. "Ainda estamos tentando descobrir como transformar essas células-tronco embrionárias em células de reposição que possam ser usadas para ajudar pessoas com uma ampla gama de doenças", acrescentou Lanza. A equipe de Lanza usou um método já empregado em tratamentos de fertilidade para remover uma célula de um embrião sem danificá-lo. Eles cultivaram as células-tronco a partir dessa única célula.

Fonte: Terra

segunda-feira, agosto 28, 2006

2

Uma Solução para os serviços públicos no Brasil
Por Hermes C. Fernandes

Que tal se todos os candidatos assumissem por escrito um compromisso de que, se eleitos fossem, se tornariam usuários dos serviços públicos?

Seus filhos teriam que estudar em escolas públicas.
Se ficassem doentes, teriam que ser tratados em Hospitais públicos.

Em vez de receberem carros oficiais para desfilarem por aí, deveriam recebem "vales" para desfrutarem do conforto do transporte público.

Nada de mordomias!
Nada de planos de saúde!
O exemplo deveria começar por eles!

Pode parecer utopia, mas que seria maravilhoso para o restante do povo brasileiro, disso não tenho dúvida.

Com certeza os serviços públicos sofreriam uma enorme melhora. Ou pelo menos eles sentiriam na "pele", e não apenas no bolso, o que o nosso povo sofre em seu dia-a-dia.

Mas enquanto elegermos candidatos patrocinados por grandes grupos de Planos de Saúde, e outros por Colégios e Universidades particulares, as coisas só tendem a piorar.

sexta-feira, agosto 25, 2006

3

A Cruz: Ponto de partida da História
Por Hermes C. Fernandes

“...mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o que, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pe.1:19-20).

“...cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap.13:8b).

Eis duas passagens enigmáticas das Escrituras cristãs. Como entender que o Cordeiro, que é Cristo, foi morto antes da fundação do mundo? Afinal, Sua morte foi um fato histórico ou meta-histórico?

Teria havido Cruz, antes mesmo que houvesse luz?

Há duas passagens em Apocalipse que parecem lançar uma nova luz sobre tais questões:

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap.1:8).

Nesta primeira passagem, Jesus Se apresenta a João como a primeira e a última letra do alfabeto grego. Ele é o princípio e o fim. Se entrássemos numa máquina do tempo, e retrocedêssemos até o momento inicial do tempo, lá O encontraríamos. Se avançássemos até o momento derradeiro, lá O encontraríamos também.

Toda a História está contida n’Ele. Todo o Tempo está contido n’Aquele que é o Pai da Eternidade.

A própria existência está inserida n’Ele. Como disse Paulo em seu famoso discurso aos atenienses: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At.17:28).

Nada há fora d’Ele. “Pois nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele (...) Pois foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Cl.1:16-17,19).

Trata-se da plenitude da criação habitando em Cristo. Céu e terra convergiram-se e estão contidos n’Ele.

Não há movimento fora d’Ele. Não há existência à parte de Cristo.

E não só a plenitude da criação está contida n’Ele, como também “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl.2:9). Portanto, não há Deus fora de Cristo. A Divindade inteira está n’Ele.

Tempo, espaço e eternidade co-existem em Cristo. Criação e Criador se encontram n’Ele. Ele é o habitat da Divindade e da Criação como um todo.

Ele é o point cósmico, onde tudo o que existe converge.

A segunda passagem que queremos considerar é o capítulo 5 de Apocalipse:

“Vi na mão direita do que estava no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” (v.1).

Que livro era aquele? Por que estava lacrado? Por que era escrito por dentro e por fora?

Aquele era o livro da existência. Nele estava contida toda a História da Criação, todo o propósito de Deus para Sua obra.

Ali estava o projeto de Deus, pronto para ser desencadeado.

Naquele rolo estava escrito a História do Cosmos, desde o momento singular, até o seu desfecho. Criação, Queda, Redenção, Restauração e Juízo, tudo estava ali.

Davi anteviu isso profeticamente, quando declarou: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado demais para que possa atingir (...) Todos os dias que foram ordenados para mim, no teu livro foram escritos quando nenhum deles havia ainda. Quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão vasta é a soma deles!” (Sl.139:6,16b-17).

Tudo está ali. A História de cada vida, de cada família, de cada nação.

É claro que esse livro não deve ser entendido literalmente. Ele representa a vasta soma dos pensamentos de Deus relativos à Sua Obra.

Paulo ficou igualmente estupefato diante desta realidade:

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que seja recompensado? Porque dele e por ele e para ele são todas as coisas. Glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm.11:33-36).

O fato do livro estar selado aponta para a inescrutabilidade dos decretos divinos.

Estar escrito por dentro e por fora indica que o propósito de Deus abarca a criação como um todo, tanto a visível quanto a invisível, a material e a espiritual. Nenhuma dimensão da existência está fora do escopo do projeto de Deus.

João prossegue em seu relato:

“Vi também um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro, e de lhe romper os selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele” (vv.2-4).

Não havia ninguém capaz de dar o ponta-pé inicial, o start para que o projeto de Deus fosse deflagrado. Pra que a trama começasse e fosse bem sucedida, alguém teria que romper os selos, os lacres do misterioso livro. Mas teria que ser alguém digno disso.

João se desespera enquanto assiste apreensivo.

“Todavia um dos anciãos me disse: Não chores! Olha, o Leão da Tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (v.5).

Alguém que emerge de dentro daquele pergaminho, o personagem principal da trama, surge no cenário, como aquele que venceu para abrir o livro. Esse personagem é apresentado como que se identificando com duas etapas distintas da História, mas que estão intimamente conectadas. Ele é o Leão da Tribo de Judá, e o Descendete prometido por Deus a Davi, para ocupar seu trono. Ele também é a semente da mulher, o Descendente de Abraão, o Messias de Israel, o Cristo de Deus.

Ele existe dentre e fora da História. N’Ele se conecta o cronos e o kairós, o tempo e a eternidade.

“Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e entre os anciãos, em pé, um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra. E veio e tomou o livro da mão direita do que estava assentado no trono” (vv.6-7).

Cristo surge como o centro de tudo. Ele está no meio do trono. Tudo orbita em torno d’Ele. O Cordeiro visto por João se apresentava “como havendo sido morto”. Portanto, trata-se do Cristo Crucificado, aquele de quem Paulo diz: “Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co.2:2).

O sacrifício de Cristo foi o detonador da História.

A História não começa com a criação de todas as coisas, e sim com o sacrifício do Criador.

O Cosmos surge a partir da Cruz.

Os sete chifres do Cordeiro representam Sua Onipotência, enquanto Seus sete olhos representam Sua Onisciência e Onipresença. Portanto, o Cordeiro é o próprio Deus, pois compartilha de todos os atributos incomunicáveis da Divindade.

João prossegue:

“Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (v.8).

Ora, como poderiam ser as orações dos santos, se tudo isso ocorre antes da abertura do livro, e portanto, antes da fundação do mundo?

Mais uma vez Davi nos responde:

“Sem que haja uma palavra na minha língua, ó Senhor, tudo conheces” (Sl.139:4).

Sua Presciência permite que todas as orações dos santos estejam diante d’Ele, mesmo antes de terem sido feitas.

Todos os ingredientes estavam postos diante do Trono. Louvores, orações, e acima de tudo, Alguém digno de abrir o livro, e iniciar o processo histórico, que culminaria com a glória de Deus revelada à Criação.

Imagine um livro em forma de um rolo de pergaminho. Ele não tem páginas, como os livros de hoje. Trata-se de uma grande tira de pergaminho, enrolada pelas duas pontas. Quando seus selos são rompidos, ele começa a desenrolar-se por igual. O lado esquerdo pode representar as coisas passadas, e o lado direito as futuras. A Cruz entra no meio, e faz com que o rolo se abra para os dois lados.

Tudo acontece na Cruz, com a morte do Cordeiro. A História começa na Cruz, mas já surge contendo um passado e um futuro. No Kairós, a Cruz é o ponto inicial. Mas no Cronos, a Cruz ocorre na plenitude dos tempos.

Deus cria o mundo a partir da Cruz. Mas o cria já com um passado e um futuro.

Ainda que os cientistas tenham razão em dizer que o Universo tem 15 bilhões de anos, aos olhos de Deus, esse universo veio a existência a partir da Cruz, como que instantaneamente.

Ali o rolo se abriu, pra esquerda e pra direita.

Nada existia antes da Cruz, pelo menos, não da perspectiva divina.

Há quem defenda a hipótese de que Deus possa ter criado as coisas com aparência de certa idade. Mas tudo não passaria de “aparência”. Portanto, a Terra “aparenta” ter 4,5 bilhões anos, mas seria, de fato, muito mais jovem (aproximadamente 6 mil anos). Os que defendem tal hipótese, argumentam que Adão fora criado já adulto. Quem quer que o encontrasse, lhe conferiria certa idade, ainda que ele houvesse sido criado um dia antes.

Pode parecer um argumento plausível, pelo menos do ponto de vista teológico. Entretanto, não me parece ser este o modus operandi de Deus.

Por que Jesus não surgiu no mundo já em idade adulta? Por que Ele teve que ser gerado no ventre de uma mulher, e experimentado cada etapa do desenvolvimento humano? Se esse fosse o modus operandi de Deus, haveríamos de esperar que o mesmo se sucedesse com o advento de Jesus.

Em vez de acreditar que Deus criou um Universo aparentemente velho, prefiro acreditar que Deus criou um Universo já com uma História pregressa, e um futuro glorioso. Não creio que Deus faria alguma coisa com a intenção de criar um ilusão de ótica.

quinta-feira, agosto 24, 2006

2

A Sinfonia da Criação
Por Hermes C. Fernandes

A mais recente teoria que busca explicar o funcionamento do Universo é conhecida como Teoria das Supercordas, e foi desenvolvida em 1984 pelos físicos John Schwarz e David Gross. Segundo ela, tudo o que existe no Universo é constituído pela manifestação de um único elemento, que seria a fonte pela qual todos os elementos básicos do Universo, e todas as forças naturais seriam produzidos.Tudo o que há é constituído de vibrações emitidas por cordas vibrantes!

Assim como em um violão, cujas cordas pressionadas pelos dedos do violonista produz sons e notas diferentes, o Universo seria constituído de cordas que de acordo com diferentes vibrações, produziriam a matéria em seus vários estados. A Teoria das Supercordas está fundamentada nesse fenômeno. Seus modos de vibração em diversas freqüências dão origem as partículas elementares que nós identificamos como elétrons, quarks, fótons, etc..O universo é, portanto, constituído de cordas vibrantes e as superposições harmônicas de suas vibrações criam tudo o que existe.

Esta Teoria esboça grande beleza, pois nos permite visualizar um Universo unificado, onde tudo funciona harmoniosamente. Tudo está interligado.

A Criação é semelhante a uma grandiosa orquestra onde os diferentes instrumentos e seus sons são criados pelas vibrações emitidas por uma única fonte, as cordas vibrantes. A sinfonia executada por esta orquestra é composta e regida pelo Rei dos Reis. Ele é o Compositor e o Maestro regente da grande Sinfonia Universal. Por isso, João, ao relatar a misteriosa voz que ouvira do céu, declarou: “A voz que ouvi era como de harpistas, que tocavam as suas harpas” (Ap.14:2b). E no capítulo 15, verso 2, o apóstolo amado fala das “harpas de Deus”.

4

O que é "Pleroma"?
Por Hermes C. Fernandes

O termo grego “pleroma” significa plenitude, e pode ser encontrado nas páginas sagradas em diversas passagens.

A Bíblia fala do Pleroma Divino, isto é, da Plenitude de Deus, da qual devemos ser cheios (Ef.3:19). Tal plenitude nos está acessível por meio de Cristo Jesus. Afinal, “nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl.2:9). Tanto João quanto Paulo são unânimes em afirmar que “da sua plenitude todos nós recebemos” (Jo.1:16), temos, portanto, “a plenitude em Cristo” (Cl.2:10).

Embora a tenhamos recebido, devemos buscar encher-nos dela constantemente. E por quê deveríamos buscar o que já temos? Não há qualquer paradoxo aqui, embora possa parecer. Afirmar que temos a plenitude, é o mesmo que dizer que ela está acessível à nossa busca. É como na união conjugal. O marido possui a esposa, e vice-versa, entretanto, ambos precisam buscar um ao outro para que possam desfrutar das benesses conjugais.

O Espírito Santo é Deus em Sua plenitude. Nós não O recebemos por medidas (Jo.3:34). Ou O temos, ou não O temos. Não há como recebê-lO em porções. Ao recebê-lO, estamos recebendo a Plenitude, o Pleroma Divino. Entretanto, Sua presença deve ser cultivada, através de um relacionamento íntimo e perene. Por isso Paulo nos admoesta a que não extingamos o Espírito (1 Ts.5:29). Nesta passagem Ele é comparado ao fogo, que para ser mantido precisa de combustível. Nossa comunhão com Ele é o combustível que O manterá aceso em nosso ser.

Não possuímos a plenitude de Deus em nós mesmos, mas em Cristo. É por estarmos enxertados na Videira Verdadeira, que temos participação em Sua seiva. Tornamo-nos “participantes da natureza divina” (2 Pe.1:4), pois “o que se une ao Senhor é um espírito com Ele” (1 Co.6:17).

O único Ser em quem habita a Plenitude da Divindade é Jesus. Só a recebemos por estarmos n’Ele. Jamais alcançaremos algum tipo de auto-suficiência espiritual. Tudo o que temos deriva-se d’Ele.

E por isso, nenhum ser em todo o Universo pode vangloriar-se. Só podemos nos gloriar naquilo de que somos a origem. Sobre isso, escreve Paulo: “...Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor (...) Pois quem te faz diferente? E que tens que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” (1 Co.1:31, 4:7). A conclusão de Paulo é que ele só poderia gloriar-se em sua fraqueza, uma vez que esta não provinha de outro ser, mas de si mesmo (2 Co.12:9).

Para que sejamos cheios do Pleroma Divino, temos que admitir nossa fraqueza e insuficiência, e reconhecer que é a Graça de Deus que nos basta, e que o Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Em outras palavras, Sua suficiência cabe como uma luva em nossa deficiência.
Para termos uma experiência pleromática, devemos antes passar por uma experiência kenótica. A palavra kenósis é exatamente o oposto de pleroma. Para que Jesus fosse exaltado, recebendo de volta toda a glória que antes havia tido com o Pai, Ele precisou esvaziar-Se (kenósis). E Paulo nos ordena a ter o mesmo sentimento que houve em Cristo (Fp.2:5). Não há como negociar isso.

O preço do Pleroma é o Kenósis. Se quisermos o que só Ele tem, temos que renunciar o que temos. Se quisermos o que Ele é, temos que abrir mão de nossa vaidade, e admitir que nada somos à parte d’Ele. Nossa dignidade não é algo intrínseco, inerente a nosso ser, e sim algo que deriva-se d’Ele.

Vemos o princípio kenótico não apenas na encarnação de Cristo, mas até mesmo na Criação. Faço coro com Simone Weil, quando afirma: “A criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser. Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes dEle e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele.” E mais: “Do mesmo modo como Deus, na criação, renuncia a ser tudo, devemos renunciar a ser alguma coisa”.[1]

Antes da Criação, Deus era a única realidade. Nada havia além d’Ele. O que O motivou a criar? Se Ele é auto-suficiente, se nada Lhe falta, por quê criar algo além de Si mesmo? Será que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não Se bastavam? Claro que sim. Deus não criou nada visando suprir alguma necessidade. A única resposta plausível aqui é o amor. É o amor que nos impulsiona para além de nós mesmos. Foi por amor que Deus deixou de ser o Único ser existente, criando um Universo composto de miríades de seres animados e inanimados. O amor que une as Pessoas da Divindade agora deveria ir além delas mesmas. Isso só seria possível mediante um ato criador. Criar implicaria numa espécie de esvaziamento da Divindade. Agora, Deus tem que conviver com outros seres além de Si mesmo. O Pleroma Divino deve conviver com o pleroma criado, não como uma extensão de Si mesmo, mas como um ser à parte, com o qual pode comunicar todo o Seu amor.

[1] Citado por Comte-Sponville em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

terça-feira, agosto 22, 2006

2

Perseguindo a Excelência
Por Hermes C. Fernandes

“E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em toda a percepção, para que aproveis as coisas excelentes” (Fp.1:9-10a).

Para que estejamos aptos a alcançar um padrão de excelência, precisamos enxergar a vida com os óculos do Amor. Com suas lentes bi-focais, temos uma visão abrangente das coisas.

Com a lente do conhecimento, podemos ver as conexões e engrenagens entre as partes que integram o Todo. Com a lente da percepção somos remetidos aos detalhes, às partes em si. Nem o todo é mais importante do que as partes, nem as partes mais importantes do que o todo. Tudo está perfeitamente integrado. É partir de uma visão completa, que podemos avaliar melhor o que é melhor. Lembre-se: o maior inimigo do excelente é o bom. Persiga a excelência. Que haja em você o mesmo espírito que havia em Daniel: o espírito excelente (Dn.6:3).

segunda-feira, agosto 21, 2006

2

O Propósito da Igreja no Mundo
por Hermes C. Fernandes

O que é que estamos fazendo aqui, afinal? Por que razão Deus tem mantido Sua igreja no mundo? Será este um lugar de provação? Será uma espécie de teste seletivo? Acredito que não. Este é um lugar de crescimento. Afirmar que Deus nos enviou a este mundo simplesmente para sofrermos, é o mesmo que afirmar que Ele é um deus sádico. Definitivamente, não! Ele não nos enviou aqui para sofrer, embora o sofrimento seja eventualmente inevitável. Ele não nos enviou para nos testar, pois já conhece nosso coração melhor do que ninguém. Então, por quê? Isaías nos dá a resposta:

“Eles se chamarão árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado (...) Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Deus fará brotar a retidão e o louvor perante todas as nações”. Isaías 61:3b, 11.

A Igreja foi plantada no mundo para ser o modelo, o protótipo de uma nova humanidade. Por isso se diz que “as nações andarão à sua luz” (Is.60:3a). E isso redundará em glória para Deus.
Assim como o Éden original era a sede da criação, a Igreja de Cristo é a sede da nova criação. Somos o Novo Éden, o Jardim de Deus.

As Escrituras afirmam que havia duas árvores no centro do Jardim: a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e a Árvore da Vida. A primeira tipifica a humanidade caída e alienada de Deus, que através de Adão desenvolveu toda uma potencialidade para o mal. A segunda tipifica a Nova Humanidade, recriada em Cristo, o segundo Adão.

Na Cruz, a Árvore da Vida foi sacrificada na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Ali estava figurada a escolha humana. Entretanto, os desígnios de Deus estavam por trás dessa escolha. Agora, através do Cristo Ressurrecto, temos acesso à Árvore da Vida, da qual Adão foi proibido de comer por causa de sua desobediência.

Cristo é a Árvore da Vida. E nós, Sua Igreja, fomos enxertados n’Ele, para que participássemos da seiva da vida divina, e assim, déssemos frutos para Deus.

O homem jamais vai corresponder às expectativas do Criador, se não for por intermédio de Jesus. Fora de Cristo, o homem não passa de um tronco da velha árvore, Adão, que está condenada a ser lançada no fogo, por ser incapaz de produzir os frutos exigidos pela justiça divina.
Ao sermos enxertados na Videira Verdadeira, a Árvore da Vida, encontramos os cinco propósitos essenciais para a vida.

1. O Propósito da Comunhão – Deus nos fez seres necessitados de se completar n'Ele e em nossos semelhantes. Para isso, Ele nos concedeu a habilidade de nos comunicar. João escreve: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para também tenhais comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que a nossa alegria seja completa” (1 Jo.1:3-4). Trata-se de uma necessidade imperiosa do ser humano. Temos a necessidade de dar e receber, de falar e ouvir, de amar e ser amado. O propósito da comunhão é representado pela raiz da árvore. É através da raiz que árvore recebe todos os nutrientes de que necessita pra sobreviver e crescer. Assim também, o cristão precisa estar bem plantado em solo fértil, que é a igreja local, a fim de que, pela comunhão com Deus e com os irmãos, possa se alimentar, e crescer espiritual e emocionalmente. Como diz o salmista, uma vez “plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes” (Sl.92:13-14). Ao fixar suas raízes em uma igreja, o cristão se torna “como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem. Tudo o que fizer prosperará” (Sl.1:3). Os ribeiros de águas tipificam o Espírito Santo, que é quem possibilita nossa comunhão com Deus e com os irmãos. Além de garantir alimento para a árvore, são as raízes que lhe garantem estabilidade. Esta é uma diferença básica entre quem serve a Deus, e quem não O serve. “Os ímpios não são assim, mas são como a moinha que o vento espalha” (v.4). É na comunhão com Deus e com os irmãos que encontramos propósito para a vida. Ali, no ambiente congregacional, temos a oportunidade de servir, e sermos ministrados. Ali encontramos estabilidade, mesmo no tempo da angústia. Quanto mais a árvore lança suas raízes solo abaixo, mais estável e robusta se torna. Devemos, portanto, buscar aprofundar nossa comunhão, e para isso, devemos gastar tempo estreitando nossa amizade com os irmãos, e, principalmente, nos dedicando à oração e à adoração.

2. O Propósito do Discipulado – É representado pelo tronco da árvore. É através dele que a árvore distribui para seus ramos todos os nutrientes que recebeu do solo através da raiz. Além de sustentar e suportar todo o peso da árvore, com sua copa, seus ramos, folhas e frutos. Por isso, precisa ser robusto, forte, para que não se envergue com o vento. É através do discipulado que os nutrientes absorvidos na comunhão são traduzidos em princípios que passam a reger a vida do cristão. Ele nos provê firmeza de caráter, e inflexibilidade, para não transigirmos com os princípios eternos da Palavra de Deus. Se o tronco estiver comprometido, com cupim ou qualquer outra praga, os ramos não produzirão frutos. A saúde da árvore passa pelo tronco.

3. O Propósito do Ministério (RESTAURAÇÃO) – É representado pela folha. De acordo com Ezequiel 47:12, as folhas servem de remédio, e Ap.22;2 diz que servem para a cura das nações. Ministério significa serviço. A igreja foi plantada no mundo para servir. Isaías profetiza acerca da igreja: “Reedificarão as ruínas antigas, e restaurarão os lugares há muito devastados; renovarão as cidades arruinadas, devastadas de geração em geração (...) E vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus” (Is.61:4,6). A maioria de nós pensa que ministrar é algo que devemos fazer dentro do círculo da igreja. Mas não é verdade. Devemos ministrar ao mundo. Nossas folhas visam restaurar as nações. Nós temos o remédio de que o mundo tanto necessita para ser sarado. Por isso se diz: “E as folhas da árvore são para a cura das nações” (Ap. 22:2). E mais: “Não cairá a sua folha, nem perecerá o seu fruto. Nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio” (Ezequiel 47:12b). Desde a Antigüidade, os homens usam as folhas das árvores para fazerem chás, remédios. Além do mais, a principal função da folha é absorver a luz solar para realizar a chamada fotossíntese. Através deste processo, as folhas absorvem o gás carbônico, e o devolvem à atmosfera como oxigênio. Sem as árvores, a vida no planeta já teria sido extinta. Os homens não são capazes de viverem por si mesmos. Eles consomem o oxigênio, e o transformam em gás carbônico. É papel da igreja oxigenar o mundo. Nós somos os pulmões espirituais do mundo. Devemos absorver o ódio, e transformá-lo em amor. E isso fazemos quando pagamos o mal com o bem. Como recomendou Paulo: “A ninguém torneis mal por mal. Procurai as coisas honestas perante todos os homens (...) Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber (...) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm.12:17,20a,21). É quando nos dispomos a servir, a ministrar o amor de Deus até mesmo aos nossos inimigos, que damos testemunho do poder e do alcance do Evangelho. Uma vez que as folhas da árvore servem para a cura das nações, o testemunho e o ministério da Igreja de Cristo têm como propósito a restauração da sociedade.

4. O Propósito do Evangelismo – É representado pela flor. Engana-se quem pensa que a flor é apenas um elemento estético da árvore. Muito mais do que beleza e perfume, a flor é a estrutura responsável pela reprodução da árvore. É através do Evangelismo que os crentes espalham a fragrância de Cristo pelo mundo, e atrai a atenção dos incrédulos pela beleza do caráter de Cristo manifesto pelo seu testemunho. A flor antecede o fruto. O Evangelismo antecede a geração de novas almas para o Reino de Deus. Sem Evangelismo, não haverá produção de almas. Uma árvore sem flor, é uma árvore sem fruto. Assim como o néctar da flor atrai as abelhas e beija-flores, a doce unção de Cristo no crente atrai as almas aos pés do Senhor.

5. O Propósito da Adoração – Eis o fruto! O que é que Jesus buscou na figueira e não encontrou? Frutos. E o que é que Deus busca no mundo? Os verdadeiros adoradores, que O adorem em espírito e em verdade. A adoração é o objetivo principal. Todas as demais coisas são apenas meios pra se chegar a ela. As curas, os milagres, a libertação, e até a salvação de almas nada mais são do que meios pelos quais a igreja recruta novos adoradores para o Pai. O Pai não procura freqüentadores, mas adoradores. O amor é uma via de mão dupla entre Deus e os homens. O amor de Deus para com os homens se chama compaixão. O amor dos homens para como Deus se chama adoração. Ela é a resposta do homem ao amor do Pai. “Portanto” conclui o escritor sagrado, “ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb.13:15).

sexta-feira, agosto 18, 2006

3


As Escritas de Deus na pedra, na parede e na areia
Por Hermes C. Fernandes


Ontem, meu filho me perguntou se Deus havia escrito alguma coisa. Enquanto tentava lhe explicar, me veio um insight: só encontramos três escritas feitas diretamente pela mão de Deus: nas tábuas da Lei, na parede do palácio da Babilônia e na areia. A primeira, escrita em tábuas de pedra, aponta para a inflexibilidade da Lei. A segunda, feita na parede, representa o Juízo de Deus sobre aqueles que são avaliados pela Lei. A segunda escrita pode representar o ministério dos profetas, cujo objetivo era o de denunciar a condição humana frente ao santo caráter de Deus, revelado na Lei. Perante ela, todos foram pesados e achados em falta. Portanto, estavam todos sob a condenação da Lei. Mas a terceira escrita fora feita por Cristo na areia, enquanto uma mulher pega em flagrante adultério estava prestes a ser sumariamente executada por aqueles que a acusavam, estribados na Lei.

O que antes fora escrito em tábuas de pedra, agora foi escrito em nossos corações. Através da Cruz, a parede na qual estava escrita nossa condenação foi derrubada. E nossos pecados, escritos na areia, foram inteiramente apagados.

Essas três escritas apontam para três ministérios específicos, o da Lei, o dos Profetas e o da Graça. Um Julga, outro Sentencia, e outro Apaga.

quinta-feira, agosto 17, 2006

2

Um BASTA às famigeradas Sanguessugas!
Por Hermes C. Fernandes

"A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, quatro que nunca dizem: Basta. A sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que nunca dizem: Basta”. Provérbios 30:15-16

Que vergonha!

Como Sansão, fomos expostos publicamente ao vitupério, para que o mundo se divertisse às nossas custas. Fomos de um extremo ao outro: de heróis da fé a bobos da corte. Deitamos no colo de Dalila, e deixamos que ela passasse a navalha em nossa honra. Dentro da simbologia bíblica, “cabelos” significa honra. É preferível ter a navalha em nossa própria carne, do que deixá-la passar em nossa honra.

Tivemos nossos olhos vasados, e fomos empregados no moinho dos filisteus. De inimigo número um do pecado e da corrupção, nos tornamos a força motriz que mantém seu moinho em movimento. Agora, somos expostos no Templo de Dagon, e ridicularizados por aqueles que antes nos temiam e respeitavam.

Fomos pegos com a mão na botija! Fomos flagrados fazendo o que sempre condenamos com veemência.

Resta-nos o último pedido! Alguém se candidata a fazê-lo? Quem se colocará entre os pilares do templo de Dagon? Jamais imaginaríamos que um dia teríamos que orar, pedindo: Só mais uma vez, Senhor! Volta a dar-nos a força que antes tínhamos.

Dentre os 72 deputados e senadores que compõem a lista dos Sanguessugas do Congresso, pelo menos a terça parte é de parlamentares evangélicos. Gente que se elegeu às custas da credulidade de um povo sofrido e humilde.

Se por um lado, temos as sanguessugas evangélicas, por outro, não podemos esquecer de suas crias. De acordo com Salomão, a sanguessuga é mãe de gêmeos homônimos. Suas crias são conhecidas com o sugestivo nome de “Dá”. Elas são comparadas à três coisas que nunca se fartam, e quatro que jamais dizem “basta”: a sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que em sua fúria, jamais se sacia.

Dá e Dá são a “igreja”(com “i” minúsculo, mesmo) e as instituições públicas, que numa relação incestuosa, geram cada vez mais sanguessugas, ávidas de poder, fama e dinheiro.

A sepultura é aquela que recebe o cadáver, e o decompõe. Não há excessão: todos os que nela são colocados se corrompem (nos dois sentidos). A sepultura é semelhante às filhas da sanguessuga. No caso em questão, a sepultura é a igreja evangélica institucionalizada, que tornou-se o ambiente onde cadáveres vivos, verdadeiros zumbis, estão se decompondo em plena luz do dia. A ética é relativizada e flexibilizada de acordo com os mais excusos interesses. Engole-se camelos, enquanto mosquitos são cuidadosamente coados.

A madre estéril é a igreja que já não gera filhos, pois vive de adesões, e não mais de conversões. Dada a sua esterilidade, ela “adota” filhos, que às vésperas das eleições, forjam conversões, para conquistar os votos dos irmãos desavisados.

A terra, por sua vez, tem um incrível poder de absorção. Não importa o volume de água, ela sempre o absorve. Assim, a igreja evangélica vem absorvendo as práticas do mundo, sob o pretexto de contextualizar-se, tornando-se menos intransigente, e mais atraente aos olhos do mundo, principalmente dos poderosos.

O fogo voraz não pode ser detido. Por onde passa, deixa um lastro de destruição e prejuízo. Tal é o apetite das filhas da sanguessuga.

São subproduto de uma relação incestuosa entre igreja e Estado.

Pastores trocam seus púlpitos por palanques, e o templo pelo plenário. E pior, negociam sua unção, por um apetitoso prato de lentilhas.

Os votos dos crentes tornaram-se moeda de troca. A honra da Igreja é vendida por alguns milheiros de tijolos, sacos de cimento, instrumentos musicais, carro e propriedade para o pastor e etc.

Seria esta a igreja que em Apocalipse causa náuseas em Jesus? Não estaria ela prestes a ser vomitada?

Ou seria esta a que Jesus ameaça tomar-lhe o candeeiro?

Se a igreja evangélica perder seu candeeiro, passará a funcionar na clandestinidade espiritual. Seu Alvará celestial terá sido caçado.

Já não podemos criticar a igreja católica, pois estamos incorrendo nos mesmos erros.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Ou que ele nos tire a tempo desta nova Babilônia que começa a configurar-se.

Não foi com isso que sonharam os Reformadores. Não era esta a igreja que Jesus tinha em mente, quando afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

A Igreja dos sonhos de Deus é bem diferente da Sanguessuga e suas filhas. Enquanto estas jamais dizem "basta", a genuína Igreja é a que declara em uníssono com Paulo: "A Tua Graça me basta!"

1

Planetas, Apóstolos e Tribos
Por Hermes C. Fernandes


Fiquei surpreendido ao ler hoje no Jornal O Globo que a União Astronômica Internacional, reunida em Assembléia Geral em Praga, propôs aumentar o número de planetas do Sistema Solar de 9 para 12. Além dos já conhecidos, seriam acrescentados Ceres, Caronte e o recém descoberto 2003 UBS 313, chamado provisoriamente de Xena. Os astrônomos não encontraram outra alternativa: ou rebaixavam Plutão ao status de asteróide, ou conferia aos outros três o status de planeta.

Desde que encontrei nas Escrituras a figura de uma Mulher vestida de sol, com a lua aos seus pés, e uma coroa de 12 estrelas, comecei a questionar se isso não indicaria que vivemos em um sistema formado por 12 planetas. Outros indícios poderiam ser encontrados no sonho de José, onde 11 estrelas, o sol e a lua, se curvavam diante dele, a décima segunda estrela.

Sem contar o fato de Jesus ter escolhido 12 apóstolos, que passaram toda sua vida "orbitando" em torno d'Aquele que é o Sol da Justiça.

Tenho pensado já há mais de um ano, se algumas histórias bíblicas envolvendo as doze tribos de Israel, não seriam "parábolas" de eventos astronômicos. Não quero com isso descartar a literalidade de tais histórias, mas apenas sugerir que elas indiquem acontecimentos mais abrangentes, envolvendo o Cosmos, particularmente a formação de nosso sistema solar.

Pelo jeito, 12 é um número Bíblico da predileção de Deus. Além do mais, são doze meses o tempo que a terra demora para dar uma volta em torno do Sol. O dia tem doze horas, a noite tem doze horas. O elemento carbono, que é o alicerce básico da vida na matéria, contém no seu núcleo 6 prótons e 6 neutrons, ou seja, 12 partículas que lhe conferem a massa.

quinta-feira, agosto 10, 2006

6

Nossa Dívida com o Futuro
Por Hermes C. Fernandes


“Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. De sorte que, quanto está em mim, estou pronto para vos anunciar o evangelho, também a vós que estais em Roma”. Romanos 1:14-15

Paulo, como apóstolo da Graça de Deus, sabia que sua dívida com Deus havia sido quitada na Cruz. Entretanto, ele reconhece uma nova dívida, contraída no momento em que o Senhor o salvou e o constituiu “apóstolo” aos gentios.

Todos tínhamos uma dívida com o passado, e agora, temos uma dívida com o futuro.
Tínhamos uma dívida com Deus, e agora, temos uma dívida com o mundo.

De onde veio essa consciência de Paulo?

Ele mesmo responde:

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1 Timóteo 1:12-16).

Paulo sabia que o Senhor o escolhera e salvara para que seu testemunho servisse de modelo à todos quanto fossem alcançados pelo Evangelho. Pregar o Evangelho não era algo facultativo, mas uma obrigação.

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o evangelho, para não me valer do direito que ele me dá" (1 Coríntios 9:16-23).

Não importava o preço que teria que ser pago, Paulo estava disposto a tudo para cumprir sua missão. Nem mesmo sua vida era tida por valiosa, em comparação à sua missão.

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At.20:24).

Apesar de ser uma “obrigação”, Paulo cumpria com “alegria” o seu ministério. Não era apenas uma obrigação, mas uma “graça”, um privilégio.

“Fui feito ministro deste evangelho, segundo o dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo” (Efésios 3:7-8).

Tal sentimento deveria pulsar no coração de cada cristão. Somos todos devedores, e não temos alternativa, senão, anunciarmos o Evangelho indistintamente.

O que ocorre quando não cumprimos nosso dever de evangelizar o Mundo?

“Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao SENHOR. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos. Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então, disse ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas. Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou. Então, foi ela e fez saber ao homem de Deus; ele disse: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e, tu e teus filhos, vivei do resto” (2 Reis 4:1-7).

Aquele “discípulo dos profetas” morrera, mas deixara uma dívida para a sua família. E seus credores queriam nada mais nada menos que os seus filhos, como pagamento da dívida.

Assim também, quando não pagamos nossa dívida com o mundo, muitas vezes, nossos filhos são tomados como pagamento.

Por que há tantos filhos de crentes desviados?

Não adianta sermos discípulos de um grande profeta, ou apenas temermos ao Senhor. Não sabemos quando deixaremos este mundo, e por isso, urge gastarmos cada momento de nossa vida, no cumprimento de nossa missão. Não podemos deixar uma dívida para trás, para que nossos filhos sejam dados como pagamento.

Gerações inteiras de crentes deixaram este mundo sem cumprir cabalmente sua missão.
Estamos pagando pela dívida que estas gerações nos deixaram.

Por que o mundo está tão violento? Por que tantas guerras? Tanta fome?

A Igreja tem sido negligente em sua missão. Desde que surgiu o boato de que Cristo estaria prestes a voltar, e que Seu retorno resultaria no fim do mundo, a Igreja cruzou os braços, e entregou o mundo às baratas. E o pior é que esse “boato” se tornou doutrina

Eliseu perguntou àquela mullher o que ela tinha em sua casa. Uma botija de óleo, era tudo que ela possuía. Aos olhos do profeta, aquilo seria o ponto de partida.

Cremos que Deus pretende restaurar o Mundo. Mas qual será o ponto de partida desta restauração? Aquilo que temos em casa: nossos filhos, nossa família.

Nossa família é nossa botija de óleo. Nossos filhos são nossa contribuição particular para um mundo melhor.

Mas não podemos parar aí. Ela é o ponto de partida, mas não é a linha de chegada.

Eliseu mandou que aquela mulher fosse aos vizinhos, e recolhesse o maior número possível de vasilhas vazias. E o que ela fez? Enviou os seus filhos.

Precisamos conscientizar nossos filhos de que eles são nossos “enviados especiais”, nossos missionários, nossa extensão.

São eles que vão buscar “vasilhas” na escola, na faculdade, na vizinhança, na parentela.

Tragas as vasilhas, seguindo à orientação do profeta, ela fechou a porta sobre si e seus filhos, e começou aencher as vasilhas, com o óleo que havia em sua pequena botija.

À medida que as vasilhas eram cheias, ela as separava das demais. Esse é o processo de santificação. O Espírito Santo enche e separa.

A Igreja deve ser constantemente enviada ao mundo, mas jamais pode negligenciar a santificação. As vasilhas chegam vazias, são cheias e depois, separadas.

“Fechar a porta” também aponta para a importância do culto familiar, do Altar Doméstico.

Enquanto havia vasilhas vazias, o óleo não parava de jorrar. Mas quando as vasilhas acabaram, o óleo cessou.

“Fechar as portas” oferece benefícios e riscos. Devemos fechá-las, mas não trancá-las. Não podemos impedir o fluxo de novas vasilhas. Se elas pararem de chegar, o óleo vai parar de fluir.

Não há limites para Deus. Há óleo suficiente para encher todas as vasilhas do Mundo!


Nossa dívida para com as próximas gerações

Se, de alguma maneira, as gerações anteriores nos deixaram uma dívida, não podemos fazer o mesmo às gerações que nos sucederão.

Tudo o que Deus está fazendo em nossos dias, não visa apenas o nosso aprazimento, mas também o benefício das próximas gerações.

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça” (Efésios 2:4-7a).

Tudo o que Deus tem realizado em nossa geração, é um recado às gerações vindouras. A cada nova geração, um maior número de pessoas deve converter-se ao Senhor. E isso se dará pela pregação do Evangelho, e pelo testemunho das gerações anteriores.

Salmos 22:27-31 - “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele, pois o reino é do Senhor, e ele domina entre as nações (...) A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor às gerações futuras. Proclamarão a sua retidão ao povo que há de nascer, pois ele o fez”.

Salmos 102:18 – “Escreva-se isto para a geração futura, e o povo que está por vir louve ao Senhor”.

Salmos 145:4 – “Uma geração louvará as tuas obras a outra geração; anunciarão as tuas proezas”.

Chega dessa paranóia de que somos a geração X, a que presenciará o arrebatamento. Tal perspectiva nos priva de uma visão mais otimista do futuro da humanidade. Que sejamos a geração que tomará consciência de suas obrigações para com as gerações futuras, e fará alguma coisa, para preparar-lhes o caminho.